terça-feira, 25 de outubro de 2016

Histórias Curiosas XXXII

Época em que o pátio da Secretaria de Obras ainda era no terreno na esquina da Rua Joana Conde Pucci com Avenida Narciso Silva, onde hoje se encontra o novo prédio do Pronto Atendimento Municipal, ocorreu de um novo sujeito assumir temporariamente a função de chefe-geral daquele setor. 

Imediatamente, seu novo estilo se caracterizou por uma estrita vigilância de horários e do cumprimento das funções por parte dos demais subalternos. Rigoroso, ele não deixava os serventes saírem sequer dez minutos mais cedo, mesmo em dias de chuva. Alguns ficaram particularmente incomodados, pois em algumas ocasiões, o novo chefe ia além do razoável, exigindo cumprimento da carga de trabalho além do combinado. Em pouco tempo, adquiriu a antipatia de muitos - alguns que realmente mereciam uma cobrança mais próxima, mas também outros que eram colocados injustamente numa espécie de "vala comum" da ideia de que "todo funcionário é preguiçoso".

Mesmo assim, os funcionários tiveram que se adaptar. 

O que mais incomodava alguns era o apego excessivo que julgavam que o chefe tinha ao horário. Em dias de chuva torrencial, sem energia elétrica e sem possibilidade de sair para realizar qualquer obra ou tarefa, muitos serventes tinham que ficar na penumbra do antigo galpão existente no pátio da Secretaria de Obras "fazendo hora".

Foi então que o novo chefe do pátio teve que atender uma audiência com o prefeito para uma demanda importante em questão. Foram até o Gabinete do prefeito, seu secretário e o capataz dos serventes igualmente. Ficou somente um dito sota-capataz que, na verdade, tinha a incumbência de tal mais por acerto tácito, do que realmente possuir o cargo (que não existia de direito, mas era visto como de fato).

E ainda por cima, no dito dia da audiência, deu uma viração de tempo "feia". Por volta das onze horas, a peonada voltou para o pátio, sem ter o que fazer. O Zezinho (nome fictício) já andava há muito tempo com vontade de "dar um nó" no horário. Sabendo que o chefe e o secretário não estavam no pátio, resolveu se mandar e partiu com a bicicletinha, até com certo anuência dos demais. 

Com os pés molhados da chuva que tinha se dado recentemente, o Zezinho tinha um longo caminho até o Cerro do Estado, onde morava. Preocupado, só assistia com admiração aqueles raios e trovões que pairavam sobre sua cabeça. O céu estava assustador.

Resolveu então parar no antigo Bar Avenida - popularmente conhecido como Bar do Reni (onde hoje se encontra o Café Perfil, ao lado do Banrisul) - para prosear um pouco e beber algo, antes de reiniciar a puxada até o cerro.

Para sua surpresa, ao adentrar o bar cheio, percebe logo de cara o chefe do pátio e seu secretário no local, ambos a apreciarem uma cerveja. Totalmente desconcertado, o Zezinho já esperando o pior, vai se desculpando, meio que gaguejando, quando o chefe lhe interrompe:
- Tchê, a tal reunião lá na prefeitura é para "lamber os ovos" de um deputado. Não fiquei, só perdi meu tempo. Se tu tá errado, eu também estou errado de estar aqui. Vamos fazer o seguinte: tu não me viu aqui e eu não te vi?

O Zezinho nem pensou duas vezes. Diz-se que até tomou uns copos de cerveja e apostou umas fichas na sinuca. Tudo com o patrocínio do chefe que, desde então, nunca mais censurou os hábitos fugidios do Zezinho quanto ao horário a cumprir.



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