terça-feira, 13 de agosto de 2019

Olímpia Muquirana


"Olímpia Muquirana

É filha do falecido padre Benjamin, que foi vigario da freguezia do Arroio Grande (RIo Grande do Sul), padre tão devasso como a filha tem sido até hoje!

Fez 27 annos, no dia 3 de Abril proximo, casou se aos 16 annos em Pelotas, com um hespanhol chamado Domingos, que exercia profissão de tamanqueiro.

Ao cabo de alguns mezes de casada fugia do marido para lançar-se na vida de prostituição!

Elle homem honrado e de bons sentimentos teve tal desgosto que começou a dar se o vicio da embriaguez e morreu um anno depois!

Ella vestiu-se de vermelho no dia do enterro e esteve a janella vendo passar o prestito funebre e a dizer para as visitas, em ar de mofa, que estava de luto porque lhe tinha morrido o seu marido!

Ainda escarnecia e insultava o cadaver do homem que ella tinha deshonrado e assassinado!

Continuou em Pelotas na vida airada, tendo tido diversos amantes e entres elles um tal Aurelio Roque, homem que se sacrificou por ella a tal ponto, que veio morrer ha pouco mais de um anno desgraçado na Barra Mansa!

Em Pelotas tambem é muito conhecida na classe dos cocheiros, chegando a ser frequentada por alguns d'elles que ainda lá estão!

Era frequentadora dos bailes da Bicha (em Pelotas), bailes de tal ordem que a autoridade teve de os mandar prohibir taes eram as scenas que la se passavam!

Estando completamente desmoralisada em Pelotas, mudou-se para o Rio Grande onde encontrou um homem generoso que (não conhecia) levantou-a da miseria; não levou porem muito tempo ella não pagasse os beneficios d'aquelle homem com a maior ingratidão!

É impossivel contar tudo quanto ella fez no Rio Grande; bastará só dizer que estando ali amaziada, um dia fugiu para Pelotas atras d'um carpinteiro hespanho que trabalhava no theatro Simões.

Depois de muitas peripecias e d'uma vida de escandalos, um bello dia fez leilão de tudo e embarcou para Santos, muito arrebentada, porque trazia apenas 800 mil reis, producto da mobilia vendida e d'uma vida dissoluta de 8 annos!

Em Santos no hotel Madrid continou a vida do Rio Grande do Sul e ao cabo de tres meses embarcou para o Rio de Janeiro, trasendo apenas alguns mil reis dos 800 com que tinha chegado!

Chegou a esta cidade nos fins d'Agosto de 1886. Antes tivesse vindo o cholera-morbus, ou qualquer epidemia semelhante!

Foi para a rua do Rezende, para um hotel particular; mas taes cousas fez logo que foi posta fóra ao cabo de trez dias.

Mudou-se para a rua do Espirito Santo n. 14, e alli tambem pintou a manta. A primeira conquista que fez foi a de um aprendiz de sapateiro que morava nos baixos da casa!

Dias depois encontrou um paio (que tambem teve a infelicidade de não a conhecer) a quem fez muitas choradeiras, conseguindo d'esta forma que elle a protegesse sincéramente, e a quem ella pagou mais tarde na mesma móeda que já tinha pago aos outros!

É mulher astuta cynica e muito devassa!

Ella não aprecia qualidades moraes de pessoa alguma; pois pertence exclusivamente á escola materialista!

Toca clarinette, mas não é boa artista n'este genero de instrumento, segundo dizem os diversos amadores que a teem ouvido!

Tem como azeiteiro um sujo igual a ella nos sentimentos!

Tem igualmente uns marchantes muito parvos de quem ella se ri com o azeiteiro!

Tambem teve ao seu serviço no mez de Outubro de 1886 um criado chamado Antonio Segurelha. A historia dos serviços que aquelle criado lhe prestou contada por ella é muito interessante. Vale apenas ouvir a tal historia!

Ella está esbodegada de todo, está velha, tem dentes postiços e os demais quasi todos podres. Tem um halito pestilento, de maneira que é necessario ter muita coragem...

Está cada vez mais desmoralisada e mais canhão!

Carepuna."

Fonte: CARBONARIO (Rio de Janeiro/RJ), 15 de Outubro de 1888, pág. 03, col. 03, pág. 04, col. 01; 17 de Outubro de 1888, pág. 03, col. 02


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Embarcações do Brasil no século XIX





Alvarenga (Bahia e Recife) ou Saveiro (Rio de Janeiro)


Baleeira (Bahia)


Balsa dos Paumatys (Rio Purus)


Barco do Recôncavo (Bahia)


Barco mineiro (Goiás e bacias dos rios Araguaia e Tocantins)


Canoa coberta (Bacia Amazônica)


Canoa (Bahia)


Igareté (Bacia Amazônica)


Jangada (Nordeste do Brasil)


Montaria (Bacia Amazônica)


Pelota (sul e centro-oeste do Brasil)


Perú ou Barco da roça (Rio de Janeiro)


Saveiro de carga (Bahia)


Ubá (Bacia Amazônica)


domingo, 11 de agosto de 2019

O voo do senhor Mamento


"Lê-se no Apostolo:

<< Os habitantes de Matto-Grosso presenciarão um espectaculo inteiramente novo. O sr. Mamento Seixas das Madureiras vôou durante uma hora percorrendo uma extensão de 10 leguas, como se fosse um volatil qualquer. Vamos dar detalhes desta experiencia, que a ser verdadeira, será um grande passo dado no campo das pesquizas scientificas dessa natureza.

<< O apparelho destinado a realizar essa experiencia fórma-se do seguinte: quatro azas que são formadas de membranas extrahidas do dorso do gigantesco mamboreta que se cria nas regiões poentes de Pelotas, que se adherem a umas mollas finissimas de aço, ligadas entre si por fios de cobre oxidado, as quaes são quazi imperceptiveis. Pelo movimento destas quatro azas que se collocão duas nos pés e duas em cima dos hombros, obedecendo ao impulso dado por uma manivela de raiz de altéa (que diz ser grande conductor de calor) que por sua vez obedece a um botão electrico, que dá movimento ás quatro azas, consegue-se voar.

<< O experimentador leva em dous bolsos de camurça duas pequenas pilhas de Volta.

<< Toma algumas hervas que diz diminuem em 20 minutos o peso de qualquer pessoa, como operação preliminar de seu processo.

<< Ao meiado do mez proximo fará uma nova experiencia voando de uma cidade para outra."

Fonte: O VASSOURENSE (Vassouras/RJ), 16 de Março de 1884, pág. 02, col. 02-03

sábado, 10 de agosto de 2019

Histórico do Município de Santa Tereza/RS


"Situa-se na Encosta Superior do Nordeste, a 30 km de Bento Gonçalves, emancipando-se politicamente em 1992.

Seu clima é agradável principalmente durante o outono, inverno e primavera, quando as temperaturas apresentam-se mais amenas que as áreas altas das montanhas, devido a sua proximidade ao Rio Taquari e ao vale que a envolve. No verão o calor é intenso, sendo propício aos esportes e ao lazer junto ao rio. A sede também é envolta pelos Rios Barra Mansa e Vinte e Dois, este de águas cristalinas e límpidas.

Possui uma área de 75 km2, sendo que a sede do município está a uma altitude de 75 metros às margens do Rio Taquari.

Rodeado por montanhas com enorme variedade de espécies vegetais nativas da Serra, circundadas por belos vales, parreirais e hortifrutigranjeiros.

Economicamente destaca-se também a produção de suínos (Frangosul) e de móveis (Pontevecchio), assim como uma rica produção artesanal. O município possui áreas limítrofes com Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Garibaldi, Roca Sales, Muçum, São Valentim do Sul e Cotiporã.

O município possui um dos mais importantes núcleos da imigração italiana no Brasil.

É considerado o 2o. em importância por estudiosos em patrimônio histórico. Com uma arquitetura eclética e predominante colonial italiana, as casas de alvenaria e pedra possuem porão típico e elementos que lembram as aldeias do norte da Itália. Denotam a imponência de Santa Tereza que foi importante entreposto comercial da região.

Até meados do século o porto às margens do rio, recebia embarcações de Porto Alegre, Bom Retiro do Sul e Estrela. São casas comerciais, hotéis, residências, moinhos e construções religiosas e a casa de madeira que abrigou a primeira fábrica de gaitas do Brasil, pertencente a Cesare Appianni e Maria Savoia. Destacam-se também, na Linha José Júlio, a casa de madeira dos poloneses.

Anteriormente à fundação da colônia Dona Isabel (1870) e a ocupação dos lotes pelos imigrantes italianos em 1877 a região era selvagem: ocupada por uma fauna exótica e índios kaigángs. Em 1885, somaram-se os poloneses ocupando principalmente as margens do Rio Taquari. Atualmente, com o desenvolvimento do município chegam famílias de alemães para trabalhar na agroindústria, enriquecendo étnica e culturalmente a população. Caminhando pelo interior, pelas linhas e ruas de Santa Tereza é possível ter agradáveis surpresas - a produção de artesanato em vime (cestas), palha de trigo e ferramentas, a produção de vinhos artesanais, vinho doce, graspa, assim como a cachaça, pratos típicos como a polenta, frango, capeletti, salames, massas e queijos - são o convite permanente para conhecer a originalidade e tranquilidade da Serra Gaúcha. Imperdíveis são as festas religiosas nas linhas, onde as comunidades organizam verdadeiras festas gastronômicas."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 14 de Dezembro de 1998, pág. 06


sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Terror nos céus de Goiás


"Grande bolido

No Goyaz, de 10 do passado, lê-se o seguinte:

<<Do nosso correspondente de Bomfim recebemos o escripto que abaixo se segue, dando noticia da queda de um asteroide, que ali se annunciou e em outros pontos, produzindo estampidos semelhantes a tiros de peça de artilharia.

Em outros logares sentiu-se até um abalo na terra, com certeza no momento da queda do corpo meteorico.

Nesta capital notaram no mesmo dia e ás mesmas horas a marcha de um corpo luminoso, em fórma de um balão, que partindo do occidente desappareceu no oriente, sem os outros phenomenos de que o nosso correspondente nos falla.

<<Acabamos de presenciar a passagem de um enorme bolido que encheu o povo de verdadeiro terror.

O facto deu-se a 30 de outubro, ás 4 horas e 45 minutos da tarde; cinco minutos depois da passagem ouviu-se uma grande detonação semelhante a dois tiros de peças de artilharia e uma repercussão que durou 15 minutos mais ou menos, parecendo abalar a superficie da terra. Como é natural, o povo possui-se de inquietações e mostrava-se avido de saber o que produzira o enorme estampido.

Muitas pessoas presenciaram a passagem desse asteroide e dentre essas, uma narrou-nos fielmente as dimensões, côr e velocidade do alludido asteroide, circumdado de uma materia phosphorescente, deixando após sua passagem centelhas que brilhavam no espaço.

Pareceu passar a pequena distancia da terra.

Tinha uma especie de cauda de côr prateada, muito luzente.

Suppomos que o estampido seja devido á quéda desse enorme bolido.

A época é a marcada pelos astronomos que tem observado a quéda desses pequenos corpos nos mezes de outubro e novembro.

P.S.

Sabe-se por noticias que as detonações foram ouvidas em um raio de 10 leguas e mais.

Continuam a chegar noticias sobre o phenomeno."

Fonte: A FEDERAÇÃO (RS), 03 de Janeiro de 1901, pág. 01, col. 06

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Sobrenome Luna


"Tanto os genealogistas e heraldistas García Carraffa quanto o tratadista Bizén d'O Río Martínez, atribuem muita antiguidade a este sobrenome. Todos eles também são convergentes em afirmar que sua origem é aragonesa. A própria presença da linhagem em Aragão remonta ao século XI. Martínez também aponta que os Luna de Aragão são originalmente da vizinha Navarra, tendo fundado vários solares naquele antigo reino.

Em Aragão, houve os Condes de Luna. Segundo os García Carraffa, a linhagem aragonesa procede do famoso cavaleiro Dom Bocalla, que prestou fidelidade ao rei Dom Sancho Ramírez de Aragão, e sob as ordens deste monarca, conquistou dos mouros a vila de Luna, no distrito judicial de Egea de los Caballeros, na província de Zaragoza. Bocalla tornou-se governador da citada vila e incorporou o topônimo como alcunha passando a ser Dom Bocalla de Luna.

Os Luna foram uma das famílias pioneiras a se estabeleceram na Argentina, durante o período colonial."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Hinojosa


"Antigo sobrenome de origem toponímica, nascido a partir do nome de algumas distintas localidades que existem na Espanha como: Hinojosa del Duque, na província de Córdoba; Hinojosa do Douro, na província de Salamanca; Hinojosa de San Vicente, na província de Toledo; Hinojosa del Campo, na província de Soria; Hinojosa del Valle, na província de Badajoz; e outras localidades denominadas simplesmente 'Hinojosa' nas província de Teruel, Cuenca, Guadalajara e Soria.

Juan de Hinojosa foi um rico-homem, e Lope de Hinojosa comendador da Ordem de Santiago, que tão importante papel desempenhou nas lutas de Reconquista.

Álvaro de Hinojosa, senhor de Tozuelo, casou com Dona Beatriz Paredes Carvajal, sendo filha do casal, Francisca de Hinojosa y Paredes, chamada também de Francisca de Orellana, que obteve matrimônio com Diego Pizarro Carvajal, senhor de Alcollarín, vila do distrito judicial de Logrosán (Cáceres), e regidor de Trujillo, na mesma província. Deste tronco familiar procede a linhagem dos Hinojosa da Extremadura. Vários de seus membros provaram sua condição de fidalgos perante a Real Chancelaria de Granada.

Também conseguiram o status de fidalguia: Pedro de Hinojosa, de Écija, província de Sevilha, no ano de 1567; Pedro Hinojosa e seus irmãos, de Jerez de la Frontera, província de Cádiz, entre os anos de 1560 e 1565; Mateo Antonio de Hinojosa Bocanegra y Villalba, de Olvera, província de Granada, no ano de 1732; entre outros.

Em Granada, no ano de 1852, nasceu o eminente catedrático de História Antiga e Medieval Dom Eduardo Hinojosa y Naveros, falecido em Madrid em 1919. Membro do Partido Conservador, foi Governador Civil de Valencia e de Barcelona, e Diretor-Geral de Instrução Pública. Deixou numerosas obras escritas, dentre elas 'Los nuevos bronces de Osuna', de 1878.

Etimologicamente, Hinojosa procede de de 'hinojosa', sinônimo de 'hinojal', com o significado de 'lugar com muitos hinojos'. Hinojo é sinônimo de funcho (Foeniculum vulgare), em português."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.
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