sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Faroeste amazônico


"HORROROSA HECATOMBE

Do Commercio de Amazonas:

<<De envolta com o regresso do dr. Jansen Ferreira, presidente da provincia, veio-nos uma noticia sanguinolenta, uma tragedia horrorosa de que foi theatro o lugar Carapanatuba, no rio Madeira.

<<Historiemos. Telesphoro Salvatierra, ex-socio de Alvaro Cezar, dirigio-se a este, em sua casa commercial, para o fim de liquidarem, ambos, certos negocios.

<<Alvaro Cezar entendeu de si para si nada ter a liquidar com aquelle cidadão boliviano.

<<T. Salvatierra, porém, julgando-se esbulhado do direito que lhe assistia, retirou-se para seu barracão, tendo antes declarado voltar para o tão apregoado ajuste de contas.

<<De facto voltou, mas acompanhado por quarenta de seus aggregados, amplamente armados, e, com elles, assaltou a casa de Cezar, que se entrincheirou com seus trabalhadores, resistindo por meio de fogo e de balas ao ataque, do qual resultou a morte de seis pessoas e o ferimento grave de mais de quinze.

<<Entre os feridos acha-se o proprio aggressor T. Salvatierra!

<<É para lastimar que ande tão tresmalhada do direito e da moral a população do rio Madeira.

<<Infelizmente esse mal horrivel e divergene da civilisação a que temos direito não é um cancro localisado; suas raizes estendem-se por outros rios da nossa provincia e são uma consequencia da pirataria posta em circulação pelos nossos amaveis visinhos do Pará.

<<O testemunho valioso do dr. Jansen Ferreira, perturbado nas impressões de sua viagem pittoresca pela tragedia, cujas peripecias acabamos de dar á leitura dos nossos assignantes, talvez sirva de estimulo á policia para syndicar do facto de que nos occupamos, sem os aprestos bellicos e arreganhos nauticos do Affonso Celso...

<<Dos quinze feridos já estão a medicar-se n'esta capital 7, inclusive o sr. T. Salvatierra.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 18 de Abril de 1885, pág. 02, col. 03

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Histórico do Município de Canoas/RS


"Canoas, a 16 quilômetros de Porto Alegre, no centro geográfico da Região Metropolitana, foi originalmente ocupada pelos índios Tapes. Em 1733, o conquistador e povoador Francisco Pinto Bandeira, por razões estratégicas para o Reino Português, radicou-se na paragem Guaixim-Sapucaia dos Campos de Viamão. Esta propriedade foi chamada Fazenda Gravataí, correspondendo, hoje, a área ocupada pelo 1o. Distrito de Canoas.

O nome da cidade deve-se ao fato de que, quando da construção de uma estação de veraneio, seu proprietário à época, Vicente da Silva Freira, construiu algumas canoas para realizar serviços junto ao cais do Sobrado, no Rio dos Sinos.

Em março de 1938 Canoas deixou de ser sede do 4o. Distrito de Gravataí para ser elevada a condição de Vila. O desenvolvimento que se seguiu a partir de então proporcionou o nascimento de um forte movimento emancipatório, liderado pelo Capitão Miguel Lampert. Após a aprovação do General Flores da Cunha, Interventor Federal do Estado, em 27 de junho de 1939 criou-se o Município de Canoas."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 05 de Janeiro de 1999, pág. 05

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

O grande desastre da Ilha Sangihe


"Espalhou-se ha mais de uma semana na Europa a noticia que o telegrapho transmittiu a todo mundo ter desapparecido, com os seus 12000 habitantes, a ilha de Sangir [nota nossa: esta é uma outra denominação utilizada para o mesmo local. Vide artigo na Wikipedia em inglês: https://en.wikipedia.org/wiki/Sangir_Island]por effeito de um vulcão.

Não é exacto. É verdade que o antigo vulcão Awa teve repentinamente uma enorme erupção, que destruiu umas poucas aldéas, causando grandes desgraças, mas a ilha não desappareceu.

Foi no dia 17 de julho, ás 6 horas da tarde, que Awa, sem ter havido o menor indicio que fizesse prever a catastrophe, principiou a arrojar rios de lavas e a vomitar enormes pedaços de rochedos calcinados, sepultando na lava e nas cinzas duas povoações, como outr'ora foram sepultadas Pompeia e Herculanum.

Além d'essas duas aldeias que desappareceram completamente, outras soffreram muito por causa dos rochedos que o vulcão arremessava.

Calcula-se em 600 o numero de victimas.

A erupção durou poucas horas no seu estado de violencia.

É o que consigna um jornal que acabamos de receber."

Fonte: A FEDERAÇÃO(Porto Alegre/RS), 22 de Novembro de 1892, pág. 01, col. 03

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Quinta do Bom Retiro


"Quinta do Bom Retiro, em Pelotas

São conhecidos por todos quantos têm visitado o pavilhão de Pelotas e pelas notícias da imprensa, os magnificos vinhos do operoso e intelligente industrial de Pelotas, sr. Ambrosio Perret.

Recentemente, deu elle mais desenvolvimento aos seus adeantados trabalhos de cultura, segundo se vê da seguinte noticia do apreciado Diario Popular:

<<QUINTA DO BOM RETIRO

O incansavel e intelligente commerciante e industrialista desta praça sr. Ambrosio Perret, proprietario da notavel Quinta do Bom Retiro, que elle tem sabido valorisar e aformosear pela variedade, abundancia e escolha das plantações, acaba de receber da Europa uma grande remessa de mudas e bacellos de parreiras em excellentes condições.

Vimos hontem o grande caixão em que vém as mudas, acondicionadas em musgo humido, e podemos calculal-as em dez mil, mais ou menos.

Para se avaliar da variedade e importancia desta encommenda, cujo preço foi bastante elevado, como se póde imaginar, basta reproduzir a lista das especies recebidas e que são as seguintes:

Rupestris monticola.

Syrah sobre rupestris monticola.

Malbec.

Cabernet Sauvignon.

Merlot.

Gamay noir.

Euillade.

Portugueza azul.

Pineau noir.

Sauvignon.

Semillion.

Frankental.

Panse.

Alicante.

Alicante rupestris terras.

Hybride Fournier.

Hybride Franc.

Hybride Auxerrois Pardes.

Hybrides Seibel n.1.

Othelo.

Noah.

Jacquez.

Senasqua.

Brandt.

Prunella gris.

Chasselas de Montauban.

Aramon gris.

Vert de Madeira.

Karabournoux.

Chasselas violet.

Esparenc.

Precoce de Saumur.

Juntamente vieram chromos lindissimos, mostrando claramente o que serão os cachos destas escolhidas parreiras, entre os quaes bellos exemplares de uvas roxas, verdes, gris, etc.

Felicitamos o sr. Perret pela valiosa acquisição que fez e temos verdadeiro prazer em ver introduzidas em nosso municipio especies tão raras e finas da impagavel planta que nos dá o vinho.>>"

Fonte:  A FEDERAÇÃO (RS), 08 de Abril de 1901, pág. 01, col. 02

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Colonos no tronco


"O Diario Mercantil de S. Paulo traz os seguintes pormenores sobre o facto da fazenda Mont'Alverne, em Belém do Descalvado, pormenores transcriptos do Diario de Campinas e trasmittidos pela Sociedade Central de Immigração ao ministro da Justiça:

<<Chegou a Campinas o colono Alesio Francesco, que referio o facto do mesmo modo que o informante brazileiro.

<<Os nomes dos colonos que foram amarrados no tronco e castigados com bolos são: Giacomo Marcuzzi, Luigi del Guerccio, Giuseppe Brambilla, Alesio Francesco e Frederico de tal.

<<Os quatro primeiros são italianos e o ultimo allemão. O facto foi testemunhado por diversas pessoas.

<<Giacomo soffreu, além dos outros castigos, uma surra de couro e acha-se ferido.

<<Os colonos não tinham commettido desacato algum.

<<O crime commettido pelos colonos consistio em estarem se divertindo e cantando reunidos dentro de uma de suas casas.>>

O Diario pergunta se será procedendo d'este modo que havemos de chamar para o Brazil a desejada immigração."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 30 de Março de 1885, pág. 02, col. 02

domingo, 1 de dezembro de 2019

Campo dos Bugres


"Campo dos Bugres foi a denominação dada por exploradores a uma clareira aberta em plena mata do Nordeste do Rio Grande do Sul, onde surgiu a atual cidade de Caxias do Sul.

Localizava-se no espaço entre as ruas Olavo Bilac, Feijó Júnior, Ernesto Alves e Marechal Floriano.

As primeiras referências encontram-se, no tocante a região em publicações atribuídas ao Cel. Afonso Mabile que, prisioneiro dos índios Coroados, deve ter por aí transitado, acompanhando seus captores.

Em março d 1964, bem antes, portanto, da vinda dos imigrantes italianos, Antônio Machado de Souza, acompanhado por um grupo de exploradores, com destino aos Campos de Cima da Serra. Passou por ele e deixou uma descrição minuciosa, comprovando a existência de ranchos e de dois Cemitérios.

O 'Campo dos Bugres' situava-se no caminho do Taiaçuapé, isto é, caminho do porco do mato imemoravelmente utilizado pelos indígenas em suas viagens. Desse período, ficaram restos arqueológicos de um cemitério que, à chegada dos imigrantes deveria ter centenas de anos.

O 'Campo dos Bugres' estava privilegiadamente situado, sendo muito fácil a sua defesa, mesmo em tempo de inverno, uma vez que se localizava no divisor de águas entre o Rio das Antas e o rio Caí.

Segundo informações do Jesuítas, os indígenas que se encontravam na região, total ou parcialmente ficaram aprisionados por Antônio Raposo Tavares, por volta de 1636. Foram conduzidos a São Paulo e aí encaminhados às plantações de cana-de-açúcar. Os índios que eventualmente aqui ficaram, fundiram-se com os Coroados (ou Caigangues), que pelo fim do século XVII devem ter vindo de Santa Catarina.

'Campo dos Bugres' não era local de residência permanente. A ele voltavam os indígenas de tempos em tempos.

Foi no 'Campo dos Bugres' que se estabeleceram os primeiros civilizados, entre os quais Generoso Mainardo Cardoso e Pedro Pinto Guerreiro.

Antônio Machado de Souza, tido como descobridor do 'Campo dos Bugres', era um grande entusiasta dos Campos de Cima da Serra. Trajava-se preferencialmente à gaúcha, sendo a fotografia conhecida com poncho.

'Campo dos Bugres' transformou-se na 'Colônia de Caxias', e por ai passaram, durante dezenas de anos, os comerciantes que de Cima da Serra, se dirigiam a Feliz ou São Sebastião do Caí, e daí a Porto Alegre.

Representa um dos caminhos tradicionais do Rio Grande do Sul, desde épocas remotas."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 08 de Março de 1999, pág. 04-05

sábado, 30 de novembro de 2019

Histórico do Município de Cascavel/PR


"Origem Histórica. O núcleo colonial que gerou o atual município de Cascavel foi fundado pelo guarapuavano José Silvério de Oliveira, em 1930. O lugar ficou sendo conhecido como Encruzilhada. No entanto, antes de 1920, residiam na localidade o caboclo Benedito Modesto e a índia Maria da Conceição. Em seguida fixaram-se famílias sulistas na região. Os primeiros a chegar foram os Bartnik, Wichoski, Galeski, Fardoski, Shumoski. Em 1921 se instalou o colono Antônio José Elias, acompanhado da família e grupo de parentes.

Em 1932 o núcleo apresenta vários ranchinhos de pinho lascado, coberto de tabuinhas. Nessa época chega Jacob Munhak e funciona a primeira escola, sendo professores Ozoredo Cordeiro de Jesus e as irmãs Genoveva e Estanislava Boiarski. O Monsenhor Guilherme Maria Thiletzek lança os fundamentos de uma igreja em 1934 e batiza a vila de Encruzilhada de Aparecida dos Portos.

Em 1943, o povoado passa a se chamar Guairacá, mas a vontade popular sempre pendeu para a denominação Cascavel. Segundo a crença popular, a denominação Cascavel remonta ao período da construção da estrada Colônia Mallet a Foz do Iguaçu, quando tropeiros faziam pouso às margens de um riacho (atual Rio Cascavel), certa noite ouviram o som de forte guizo de cobra cascavel, e após localizarem o réptil, o mataram. O local passou a ser chamado de 'Pouso da Cascavel' e emprestou seu nome ao riacho, e dentro de pouco tempo esta denominação percorria os mapas cartográficos estaduais e identificava a localidade.

Pela Lei no. 790, de 14 de novembro de 1951, foi criado o município de Cascavel, com território desmembrado de Foz do Iguaçu. A instalação deu-se à 14 de dezembro de 1952.

Segundo o pesquisador José Carlos Veiga Lopes, 'Cezar Prieto Martinez fez, mais ou menos em 1920, uma viagem ao oeste paranaense, publicado no jornal curitibano O Dia em 1923 e 1924 e no livro Sertões do Iguaçu, em 1925, onde diz: Fizemos boa marcha até o 'Cascavel'... Cascavel é um ponto de encontro da estrada para o porto de São Francisco. Tem apenas cinco casas no caminho. Em uma delas deixamos gasolina para a volta'. O Distrito Judiciário de Cascavel foi criado pela Lei 6.214, de 18/01/1938 e o Administrativo pela Lei 7.3737, de 20/10/1938."

Fonte: FERREIRA, João Carlos Vicente. Municípios paranaenses: origens e significados de seus nomes. Curitiba/PR: Secretaria de Estado da Cultura, 2006, pág. 79-80.
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