segunda-feira, 20 de maio de 2019

Histórico do Município de Taquara/RS


"O território de Taquara fazia parte da sesmaria concedida, em 1814, a Antônio Borges de Almeida Leães, que em 20 de junho de 1845 foi adquirida por Tristão José Monteiro e Jorge Eggers. Mais tarde, em 4 de setembro de 1846, o território passou a propriedade exclusiva de Tristão Monteiro, quando iniciou-se o processo de colonização. A 7 de setembro do mesmo ano, chegaram os primeiros imigrantes alemães: as famílias Ritter, Lahm, Schirmer e Krummenauer e uma família italiana, Raymundo, que fundaram a colônia do Mundo Novo.

Em 24 de setembro de 1880, foi instalada a primeira Comarca de Taquara, sendo distrito criado pela Lei Provincial no. 1382, de 27 de maio de 1882. O Município surgiu com a lei provincial no. 1568, de 17 de abril de 1886, sendo instalado a 7 de janeiro de 1888. Através do Decreto Estadual no. 1404 de 18 de setembro de 1908, a vila passou a ser 'cidade de Taquara'.

SITUAÇÃO GEOGRÁFICA

A cerrada vegetação de bambus silvestres (taquaral), que cobria as margens do Rio dos Sinos, pelo qual é banhada, e espalhados em grandes malhas por todo o território, deram a origem a seu nome.

Geograficamente privilegiada, localizada na Encosta Inferior do Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, na Microrregião Colonial da Encosta da Serra Geral, Taquara fica distante 72 km da Capital, Porto Alegre; a 42 km de Gramado; a 48 km de Canela; a 40 km de São Francisco de Paula; a 47 km de Novo Hamburgo e a 98 km de Tramandaí. O acesso a Taquara e desta para municípios mencionados é por estradas asfaltadas.

A altitude do Município oscila entre 29 metros na sede e 600 metros em sua regiao serrana. A temperatura média é de 22oC e seu clima é temperado. A área urbana tem 37 km2 e a área rural 353 km2, perfazendo um total de 390 km2.

Os municípios limítrofes são: Parobé, Igrejinha, Sapiranga, Rolante e Santo Antônio da Patrulha.

Os rios Paranhana e dos Sinos fazem parte da bacia hidrográfica de Taquara, além do Rio da Ilha, Rio Padilha e Rio Rolante.

ECONOMIA

Os setores industrial e comercial detém um elevado percentual da economia de Taquara, destacando-se as áreas de calçados, embalagens, beneficiamento de madeira, plástico, construção civil e prestação de serviços.

A agropecuária, que já foi a base da economia do Município, aos poucos retoma seu crescimento através do turismo rural, piscicultura, apicultura, citricultura e do reaquecimento do setor leiteiro.

DADOS GERAIS

Taquara possui 390 km2, sendo 37 km2 na área urbana e 353 km2 na área rural.

Data da Emancipação: 17 de abril de 1886

População: 51.000 habitantes

Área Urbana: 42.000 habitantes

Área Rural: 9.000 habitantes

Homens: 24.344

Mulheres: 26.656

Vias Públicas Estaduais: RS 115, RS 239 e RS 020

Predominância da população: Nas últimas décadas, Taquara recebeu habitantes das mais diversos localidades, sendo que hoje há uma miscigenação de origens (pessoas de todos os países)."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 04 de Fevereiro de 1999, pág. 04

domingo, 19 de maio de 2019

Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1891


"Na livraria Mazeron existem á venda figurinos á phantasia, para o carnaval."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 14 de Janeiro de 1891, pág. 02, col. 03

"O carnaval, este anno, terá em Pelotas muita animação."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 02 de Fevereiro de 1891, pág. 02, col. 02

"PIPAROTES

Em sua edição de hoje o meu collega do Jornal escandalisou o bom povo bagaduano do 3o. districto, noticiando que ahi começaram os festejos carnavalescos ao som de folhas velhas.

Protesto contra a dureza do conceito, em meu nome e no d'Os Cotubas, que são os herdeiros legitimos das tradições burlescas do 3o. districto, legendario pelas pugnas entre bagadús e tinteiros, de que outr'ora foi theatro.

Carnaval de folhas velhas, não; carnaval de legitimos zabumbas (sem allusão a refinado tintureiro...) e caixas de ruffo com que Os Cotubas refestelam dia e noite os pacatos moradores do Alto da Bronza, da Ponta das Pedras, da Passagem, da frente do gazometro, da rua do Tavares, etc.

Duvido que os meus leitores já tenham visto irreverencia maior do que esta de chamar de carnaval de folhas velhas ao carnaval instituido pela Rôxa Saudade, aquella saudosissima associação que elevou o páo á altura do sr. Annibal ou de um principio.

Ah! si a Rôxa Saudade existisse, outro gallo cantaria.

Ahi é que eu queria vêr como se havia de arranjar o meu collega do Jornal, si elle se atrevesse fallar-lhe de folhas, velhas ou novas.

Não vê mesmo que a Rôxa era d'essas de levarem desafôro para casa! Boas!

Por muito menos ella armou um sarilho doido, que as chronicas do tempo referem ter tomado as proporções de um arranca-rabo gigantesco.

Lembro-me que o samba se deu em uma casa de familia e que o cacete não deixou ficar pedra sobre pedra.

O bruto não respeitou nem mesmo o sr. Annibal, que na occasião era subdelegado e estava no galarim da fama.

E emquanto roncava a bordoeira, a banda de musica do saráo, já então postada á distancia respeitosa, não deixava arrefecer o ardor dos pelejadores, executando o bellicoso hymno Ataca Fellipe...

✤✤✤✤✤

O Cara-Dura, club carnavalesco, inaugurou hontem a sua caverna á praça da Alfandega, por cima da barbearia do cidadão Allibert.

Por essa occasião fizeram-se ouvir diversos oradores, alguns d'elles reproduzindo espaventosos e conhecidos arengadores de meetings.

<<Meus concidadãos, - declamava lugubremente o primeiro discursador - ; eu vos pertenço, porque sou da guarda velha, porque sou do povo, porque venho pugnar pelos vossos direitos inilludiveis, pelos verdadeiros principios protrahidos; hontem como hoje, amanhã como sempre eu estarei a vosso lado luctando para que a Marmota não seja fraudada. A Marmota! A Marmota!! A Marmota!!

Foi ruidosamente applaudido por grande massa popular o espirituoso orador, bem como o que lhe succedeu na tribuna; este era cópia de arrevezado politico musical-unionista, de quem me occupei nos ultimos piparotes.

Causou enorme hilaridade o pseudo dr. Koch com o seu interprete, a explicar ao povo a origem da lympha contra a tuberculose e o modo de applical-a.

Gostei muito d'essas pilherias.

Outro tanto não posso dizer em relação ás que se referiram a Pedro Banana, á religião e ao Christo venerando.

LYDIO."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 03 de Fevereiro de 1891, pág. 01, col. 03

"Gremio dos terriveis

A commissão d'esta sociedade communica aos srs. socios que na noite de 14 do corrente terá lugar o baile correspondente ao mez andante, no salão Cosmopolita, sito á rua dr. Flores; outrossim avisa-se que propostas de socios e pedidos de convite só serão attentidos até o dia 12, na casa de residencia do abaixo assignado, á rua da Republica n. 16.

Porto Alegre, 5 de fevereiro de 1891.
Abrilino da Costa Godinho."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 05 de Fevereiro de 1891, pág. 03, col. 01

"Durante os tres dias de carnaval haverá trens extraordinarios pela estrada de ferro de Porto Alegre a Novo Hamburgo, como se vê da tabella publicada."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Fevereiro de 1891, pág. 02, col. 03

"CARNAVAL

O club Cara-dura encheu bisarramente o segundo dia de carnaval, apresentando em longo prestito espirituosas criticas e bonito carro de triumpho em que se viam, trajando com elegancia, rapazes imitando engraçadamente duas moças gentis.

Representava, esse carro, um cesto amparado, ao fundo, por um leque aberto.

Viam-se mais, no prestito:

Uma critica ao bal-rose do Eden; faziam-n'a rapazes montados em bestas e ostentando vestes côr de rosa;

Uma banda de clarias;

Esquadrão de cara-duras;

Critica á questão do porto de Torres;

Critica a um arengador das massas, fazendo meetings á rua da Floresta, na Azenha e nos chafarizes das praças;

Criticas á separação da Igreja do Estado e á questão do badallo, esta ultima entre a intendencia e um sineiro;

Bandas de musica, etc.

Durante todo o passeio foi muito applaudido o club, que terminou o trajecto á noite, á luz de fogos de Bengala, não tão abundantes como pretendiam os cara-duras; á rua Voluntarios da Patria tiveram elles um prejuizo de oitenta duzias de fogos, que incendiaram-se no carro em que eram conduzidos.

✤✤✤✤✤

Hontem, quando se agglomerava o povo, á rua dos Andradas e praça da Alfandega, á espera da conclusão das festas, desandou uma chuva impertinente, que se prolongou até a tarde da noite, impedindo, assim, que a Esmeralda fizesse o seu passeio anciosamente esperado.

A distincta sociedade carnavalesca soffreu não pequeno prejuizo com esse contratempo, que a determinou a transferir para amanhã o seu passeio e baile.

✤✤✤✤✤

O entrudo, hontem, esteve fortissimo, brutal, dando lugar a scenas revoltantes.

Parece que, quanto mais intensa era a chuva, mais subia o excesso da parte dos jogadores, que praticavam verdadeiros desatinos.

Na praça da Alfandega havia individuos que atiravam baldes d'água e punhados de polvilho, indistinctamente, provocando conflictos.

E, quando um transeunte, insultuosamente molhado e polvilhado repellia o desafôro, era esbordoado pelos jogadores, e, em seguida, conduzido preso á cadêa civil, por patrulhas.

Occorreram, d'esse modo, prisões de muitos cidadãos, que tiveram de sujeitar-se aos tratos de presos correccionaes.

D'esses factos, que podiam ter tido graves consequencias, não tem responsabilidade o dr. chefe de policia, que providenciára de modo a evital-os o mais possivel.

Mas, a policia provavelmente ha de tomar na consideração devida as desagradaveis occorencias de hontem e adoptar energicas e criteriosas medidas para que ellas não reproduzam-se.

O jogo de entrudo, tal como se praticou hontem, deve ser prohibido a bem da ordem publica.

Elle dá lugar a que certos individuos desattendam a imprescriptiveis deveres de educação, molhem pessoas a quem não conhecem, e até dirijam-se accintosamente a quem os detesta."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Fevereiro de 1891, pág. 02, col. 02-03

"PIPAROTES

O Carnaval decáe, de anno para anno.

Nota-se uma degeneração em quasi todas as suas manifestações.

Este anno a pornographia entrou nos dominios do bestialogico, a offensa penetrou nas exhibições da critica, o polvilho, o balde d'agua e a durindana perturbara com o costado de muito pobre diabo no palacete amarello da ponta das pedras.

Ainda hontem, a proposito, a picareta do sôr Dias excavou cousas extraordinarias: um grupo de moços distinctos atirou limões nas janellas das casas, foram recebidos nas proprias janellas, que eram as victimas, que viam que QUEM os ARREMESSAVAM, as janellas do orgam official, atiraram-lhe limões innocentemente, UM PESO DO PESO de 800 grammas penden sobre as cabeças de um moço, de uma senhora e de uma criança, veiu á balla outro peso, o da indignação, etc.

Vejam só que achado importante foi o do operoso ministro: uma penca de tres pesos!

Pobre de nossa terra!!!

LYDIO."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 13 de Fevereiro de 1891, pág. 01, col. 02


Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1890


"Viva o carnaval!

No recreio do PARTHENON, se encontrará domingo, 9 do corrente, grande e variado sortimento de bebidas, dôces e tudo que é concernente a um restaurant bem sortido e assim seu proprietario convida ao respeitavel publico a fazer uma visita ao
Recreio do Parthenon."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Fevereiro de 1890, pág. 03, col. 02

"S.C. ESMERALDA

A Esmeralda apresenta-se mais uma vez perante vós, oh povo de juizo, que tão bem sabeis aquilatar das causas da nossa origem.

Não vos promette cousas extraordinarias porque como bem disse um contemporaneo escriptor: - nem tudo que luz é ouro.

Entretanto, para demonstrar-vos a gratidão, attributo que lhe vae n'alma, apezar da maledicencia do vulgo, desenrola a vossos olhos o seguinte

PROGRAMA

Domingo, 16 do corrente, n'este dia fará a sociedade o seu passeio de gala, fazendo o seguinte trajecto:

Praça do Portão, Duque de Caxias até a praça marechal Deodoro, Duque de Caxias, Silva Tavares, Voluntarios da Patria, Dr. Flôres, Voluntarios da Patria, Praça 15 de Novembro, Silva Tavares, Andradas até a praça Senador Florencio, Andradas, Silva Tavares até a praça do Portão.

Terça-feira, 18 do corrente. - Incorporada a sociedade, exhibindo diversos typos burlescos e algumas criticas fará o mesmo trajecto do dia 16.

Em ambos os dias a sociedade sahirá ás 3 horas da tarde da Praça do Portão, sendo a reunião das pessoas phantasiadas em casa do cidadão Alfredo Chaves á rua da Misericordia n. 14.

A Esmeralda despede-se do carnaval d'este anno com um baile de gala offerecido á sua distincta Rainha, o qual se realisará terça-feira, 18 do corrente, nos salões da Philarmonica Porto-Alegrense.

O ponto de reunião para o baile de gala, terça-feira, 18, será na casa do sr. capitão João Olinto de Oliveira, á rua Duque de Caxias n, 197, ás 9 1/2 horas da noite, afim de, incorporarda, fazer a entrada no salão ás 10 horas em ponto.

Os srs. socios que ainda não receberam seus avisos precisam procural-os em casa do thesoureiro sr. Reynaldo Gayer, á rua dos Andradas n. 481.

Não terá ingresso no salão quem não apresentar o respectivo cartão.

É prohibida a entrada de pessoas para o coreto da musica e corredores da bailante.

Aviso. - Os srs. socios que quizerem tomar parte nos passeios de gala e burlesco, dirijam-se ao cidadão Alfredo Chaves.

Na noite do baile de gala se procederá a eleição da nova directoria d'esta sociedade para o futuro carnaval de 1891.

O 1o. secretario, Josino Chaves."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 12 de Fevereiro de 1890, pág. 03, col. 04

"Carnaval

Não tiveram o brilhantismo nem a animação habituaes as festas do carnaval hontem iniciadas; e se as reminiscencias dos annos anteriores não estão de todo extinctas no espirito publico, força é confessar que o carnaval correu, pelo menos no seu primeiro dia, sem aquella franca e expansiva nota caracteristica de nossa população, quando o prazer e alegria assignalam os breves periodos em que é permittido á alma humana substituir pela jovialidade a mais aberta os longos dias consagrados ás preoccupações constantes e inilludiveis da vida.

Épocha de riso e galhofa, não póde o constrangimento, ainda mesmo oriundo do mais venerando dos sentimentos, como nota dissonante no meio de um hymno festival, empallidecer nem de leve o prásenteiro colorido do quadro da expansibilidade social.

Em pleno dominio do carnaval, cumpre partilhar do desopilante jubilo popular e saudar entre risos da maior cordialidade a passagem do glorioso Momo.

✤✤✤✤✤

Ás 3 horas da tarde começou pela cidade o movimento da população.

A principio pequeno, foi augmentando aos poucos até tornar-se extraordinario.

Na rua dos Andradas, principalmente, em cujas saccadas salientava-se a parte mais elegante do bello sexo da nossa sociedade, tornou-se assombrosa a multidão que então se agglomerou.

Ás 6 horas, aproximadamente, appareceu, da parte da rua Silva Tavares, o prestido da sociedade carnavalesca Esmeralda, aberto por um numeroso e bonito esquadrão de cavalleiros succedido de uma banda de musica, (...)"

Fonte:  A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 17 de Fevereiro de 1890, pág. 02, col. 03

sábado, 18 de maio de 2019

História da Cidade de Belo Horizonte/MG


"Há pouco mais de cem anos, Ouro Preto deixava de ser a capital de Minas Gerais. Nascia então uma nova cidade, inteiramente planejada e construída para ser a capital do estado. Era Belo Horizonte. No local onde a cidade foi edificada, existia um pequeno arraial, o Curral del Rei, que foi quase totalmente demolido. O plano da nova capital, elaborado por uma equipe de engenheiros, arquitetos e outros técnicos, previa uma cidade dividida em três áreas: uma área central, denominada urbana; em torno desta, uma outra denominada suburbana; e uma terceira área, chamada rural.

A nova capital foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897, mesmo estando ainda em obras, e com seu plano apenas parcialmente implementado.

Hoje, muitos dos espaços planejados e edifícios construídos na época da origem da cidade ainda estão preservados. A Praça da Liberdade com suas secretarias e o palácio, o Parque Municipal e a Praça da Estação são alguns exemplos. Pelo plano da nova cidade, a Avenida Afonso Pena seria a via mais importante da cidade, como, de fato, se tornou.

E a avenida que contornava toda a área urbana planejada, chamada por isso de Avenida do Contorno, também permanece até hoje. A paisagem desses lugares mudou, mas eles ainda existem na cidade, com grande importância.

Nos seus primeiros anos, a cidade era cortada por algumas linhas de bondes e pelos córregos naturais. Os bondes já não existem e a maioria dos córregos não está mais visível, pois eles foram canalizados. A ligação de BH com outras cidades e outros estados se fazia pela estrada de ferro - que, hoje, não é a via de acesso mais comum. A população de Belo Horizonte era formada pelos antigos habitantes do arraial, por funcionários públicos que vieram de Ouro Preto e por trabalhadores e imigrantes estrangeiros que foram empregados na construção da cidade, no comércio, ou nas colônias agrícolas que foram criadas em torno da área urbana.

A cidade de Belo Horizonte cresceu, e seu crescimento foi marcado pelo planejamento inicial. A área urbana, dentro dos limites da Avenida do Contorno, recebeu ao longo do tempo mais infraestrutura, como, por exemplo, nos transportes coletivos e no fornecimento de serviços como água, luz e esgotos. Ali se concentrou a maior parte dos serviços e das atividades como comércio, hospitais e escolas. Já a área fora dos limites da Avenida do Contorno cresceu de forma mais desorganizada, não recebendo a mesma infraestrutura. Os bairros surgiam mesmo sem esses serviços. A desigualdade social fez aparecer vilas e favelas nos arredores desses bairros, mas também próximas aos bairros dentro da área central.

Hoje ainda é possível enxergar diferenças entre a parte da cidade que foi planejada e aquela que cresceu de forma mais espontânea e desorganizada. Um exemplo é a disposição das ruas. Dentro da Avenida do Contorno, se observamos em um mapa, as ruas formam um desenho quadriculado e exato. As avenidas são mais largas e muito cruzamentos formam praças, como a Praça Sete e a Praça Raul Soares. Fora da Contorno, elas formam um desenho bem menos organizado, com ruas mais estreitas e cheias de curvas, acompanhando o relevo natural.

A partir das décadas de 1940 e 1950, o crescimento de Belo Horizonte teve um impulso cada vez maior, devido à expansão das indústrias. A área central da cidade continuava concentrando os principais serviços, como comércio e bancos. Como ela já estava quase toda ocupada e não havia mais terrenos livres para a construção, teve início a expansão 'para cima'. Surgiam os primeiros arranha-céus. Ônibus e automóveis tornaram-se os meios de transporte mais comuns. Eles trafegavam também em direção aos novos bairros, pelas avenidas Antônio Carlos, Pedro II e Amazonas, construídas nesse período. A construção da lagoa e dos edifícios modernistas da Pampulha é um marco daquelas décadas.

Nas décadas de 1960 e 1970, a cidade continuou seu crescimento, com o surgimento de muitos bairros. O centro já estava repleto de grandes edifícios, que passaram a surgir também nos bairros vizinhos. No entanto, permanecia a diferença social entre a área central, com mais infraestrutura, e a rede de bairros que se expandia na periferia, com poucos ou nenhum serviço urbano.

Com a expansão urbana, áreas mais afastadas do centro de Belo Horizonte se transformaram. Barreiro e Venda Nova são exemplos de regiões que tinham um ritmo lento de crescimento e que passaram a ter uma vida mais dinâmica com o avanço da metrópole. Essa crescente ampliação dos espaços ocupados atingiu também municípios vizinhos a Belo Horizonte, ultrapassando e desmanchando as divisas, especialmente nas direções norte e oeste, como aconteceu com Betim, Contagem e Santa Luzia."

Fonte: RIBEIRO, Raphael Rajão (coord.). Histórias de bairros de Belo Horizonte. Belo Horizonte/MG: Arquivo Público da Cidade, 2011, pág. 11-13.


sexta-feira, 17 de maio de 2019

Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1888


"A Esmeralda

A distincta sociedade carnavalesca Esmeralda  enceta hoje as festas do carnaval com um baile burlesco, que se deve realisar nos salões da Soirée Porto Alegrense.

Como todas as festas levadas a effeito pela Esmeralda, á de hoje não faltarão, de certo, esplendor e animação."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 04 de Fevereiro de 1888, pág. 02, col. 03

"Carnaval

O Club Cara-Dura, que, como se sabe, é composto de um punhado de moços que têm no seu enthusiasmo e na sua expansiva alegria um thesouro inexgotavel, deita hoje uma proclamação aos povos que habitam as margens do Guahyba, convidando-os às festas carnavalescas que devem realisar-se amanhã e segunda-feira.

Na noite de amanhã, com o fim de receber o deus Momo que chegará, sae um alegre bando do palacete á rua General Camara, d'onde ha muitos dias os tribunos caras-duras dirigem a palavra aos transeuntes e aos visinhos, ao passo que um Zé-Pereira ruidoso e enthusiastico faz-se ouvir com uma constancia... digna de mais duros ouvidos.

Na segunda-feira, então, os Caras-Duras effectuarão o seu passeio de gala, apresentando muitas e espirituosas criticas.

✤✤✤✤✤

Fallemos agora da Esmeralda, da sympathica Esmeralda, que apresenta hoje um programma tão brilhante como o das festas anteriores, que nos annaes carnavalescos occupam saliente lugar.

No proximo domingo grande passeio burlesco, - a nota hilariante do Carnaval.

Na terça-feira, magnifico passeio á phantasia - a nota brilhante - que mais uma vez ha de conquistar para a Esmeralda os victores da multidão admirada. Á noite, baile nos salões da Soirée Porto-Alegrense... um baile esplendido como sempre."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 10 de Fevereiro de 1888, pág. 02, col. 04

"Da repartição policial foi expedida a prohibição do transito de carros e outros vehiculos na parte da rua dos Andradas comprehendida entre as do General Camara e Silva Tavares, durante os dias de carnaval, 12, 13 e 14, das 4 horas da tarde ás 9 da noite."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Fevereiro de 1888, pág. 02, col. 03

"Carnaval

Realisou-se na segunda feira o passeio do Club Cara Dura, que apresentou críticas muito felizes sobre personagens e successos politicos.

Os espirituosos Caras Duras souberam com a palavra dar a nota de cada crítica, conseguindo que o publico lhes retribuisse em applausos o que elles despenderam em boa e saudavel alegria.

Apresentaram um prestito de cerca de 15 carros, tendo á frente um grupo numeroso de amazonas... masculinos.

O carnaval de 1888 fez crescer na sympathia popular o Club Cara Dura, ao qual damos por isso os parabens.

✤✤✤✤✤

O passeio de gala da Esmeralda, hontem effectuando, foi um dos melhores que essa sociedade tem levado a effeito, não só pelo grande concurso de moças e socios phantasiados, como pela riqueza dos trajes exhibidos e boa execução de todos os carros de phantasia.

Rompia o prestito uma banda de musica a cavallo, seguindo-se-lhe a guarda de honra da rainha, composta de 20 cavalleiros.

Entre os carros de idéa fazia-se admirar aquelle em que vinha d. Alzira Sá, representando a Esmeralda, a tradiccional bohemia, assentada sobre o globo terraqueo, e em redor d'ella um grupo de lindas creanças.

Outro tão bello como este era o carro que conduzia a rainha dos esmeraldinos, que vinha de pé sobre uma alta columna em cuja base viam-se o commercio, a arte, a industria e a agricultura, representadas por quatro interessantes jovens, tendo aos pés emblemas distinctivos.

Após estes carros seguia outra guarda de honra composta de 16 cavalleiros.

Ao todo contámos vinte sete carros, n'um dos quaes vinha uma segunda banda de musica, formando tudo um prestito imponente pelo numero e pela variedade de trajes,ricos e vistosos, exhibidos pelos que tomaram parte no passeio.

✤✤✤✤✤

Á noite realisou-se nos salões da Soirée Porto-Alegrense o baile da Esmeralda, prolongando-se até ás 5 horas da manhã.

Dançaram seguidamente cerca de duzentos pares, cem dos quaes - phantasiados.

Um magnifico baile."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Fevereiro de 1888, pág. 02, col. 04

Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1887


"C.C. Os Vagalumes

São convidados os socios d'este club a reunirem-se, segunda-feira 29 do corrente, ás 7 horas da noite, na sala das sessões (Hotel Continental), afim de tratar-se dos festejos do proximo carnaval. Porto Alegre, 26 de novembro de 1886. - A. Pinto Gomes, 1o. secretario."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 27 de Novembro de 1886, pág. 03, col. 02

"A sociedade Leopoldina Porto-Alegrense vai também festejar condignamente o carnaval este anno, abrindo os seus salões com um esplendido baile á phantasia no domingo 20 do corrente."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Fevereiro de 1887, pág. 02, col. 04

"As sociedades carnavalescas Esmeralda e Vagalumes celebram amanhã, solemnemente, o proximo advento do Carnaval, fazendo um passeio burlesco pelas ruas da cidade.

A Esmeralda, terminado o passeio, entregar-se-á aos prazeres da dança, pois os esmeraldinos offerecem n'essa noite um baile ás suas gentis directoras.

Naturalmente estas sociedades não se verão sós; haverá passeata de outras, atroando os ares com o ruidoso Zé Pereira.

(...)

Hoje, ás 7 horas da noite, será inaugurado á rua dos Andradas n. 262 o salão Ao High-life Carnavalesco.

Agradecendo o convite que nos foi dirigido, promettemos assistir á inauguração."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 12 de Fevereiro de 1887, pág. 02, col. 03

"As festas carnavalescas tiveram hontem um brilhante início, graças ás distinctas sociedades Vagalumes e Esmeralda, que percorreram á noite as principaes ruas da cidade por entre uma massa enorme de povo, que as acompanhou em todo o trajecto, festejando a brilhante mocidade de que as duas sociedades se compõem.

Formavam o prestito da Esmeralda vinte e tantos carros cheios de senhoras e cavalheiros com lindos trajos de phantasia, realçados pelos fogos de bengala, que eram queimados em profusão.

Os Vagalumes, apresentando um numero não inferior de carros, trajavam de bebés, o que dava um tom hilariante ao prestito.

Ambas as sociedades fizeram se acompanhar por bandas de musica, que animavam o enthusiasmo dos itinerantes.

O carnaval de Porto Alegre, tão justamente afamado em todo o Brazil, parece como a Phenix renascer de suas cinzas.

Temos informações circumstanciadas de que a sociedade dos Vagalumes prepara verdadeiras sorprezas para os tres dias de festa consagrados ao deus Momo.

Dizem tambem que a Esmeralda esforça-se para não se deixar vencer no confronto.

Além d'estas sociedades, temos o impagavel club Cara Dura, composto de selecta rapaziada, que promette críticas endiabradas.

Ha ainda o club da Roxa Saudade, que, apezar do nome, ha de achar dinheiro para divertir-se.

Finalmente, o carnaval de 1887 deixará nome nos annaes da folia."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 14 de Fevereiro de 1887, pág. 02, col. 05

"Ha muito tempo que n'esta capital não se nota tanta animação para o carnaval como este anno.

Explica-se isto perfeitamente não só pelo que tem transpirado dos arraiaes carnavalescos, quanto aos preparativos que ali se fazem, como pelas enthusiasticas proclamações dos clubs Vagalumes, Cara dura e Ephemeros, que enchem as columnas das folhas diarias, proclamações essas capazes de communicar o enthusiasmo de que se acha possuida a brilhante mocidade que compõe essas sociedades, ao mais pacato e sizudo habitante d'esta capital.

Hoje, á noite, ás 9 horas, os Ephemeros reunem-se á praça da Alfandega para um passeio pelas principaes ruas.

Os Cara duras tambem sahem hoje á scena.

Amanhã, baile de gala d'Os Vagalumes no Club Commercial.

Terça-feira, passeio de gala de todas as sociedades e baile dos Vagalumes no Club Commercial, e da Esmeralda no salão da Soirée Porto-Alegrense.

Temos, além d'isso, a Roxa Saudade em actividade e varios bandos alegres, Zés-pereiras, etc., etc.

Bem boas festas vamos ter.

Assim o tempo o permitta."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 19 de Fevereiro de 1887, pág. 02, col. 04

"O carnaval no Rio Grande não foi só uma homenagem ao deus Momo, foi tambem um preito á Caridade.

No primeiro e no terceiro dia de carnaval sahio o club Sacca-Rolhas acompanhado do club Mascaras Negras, composto de senhoras.

N'um dos carros um grupo de 18 sacca-rolheiros, vestidos de estudantes de Salamanca, tocava e cantava um bolero, pedindo esmolas para o Azylo de Mendigos d'aquella cidade.

No primeiro dia a collecta foi de 166$660 rs., podendo ter sido maior se uma copiosa chuva não tivesse interrompido o passeio.

No terceiro dia, obtiveram a quantia de 249$000 rs., que, reunida á primeira, prefaz a quantia de 415$670 rs., entregue no mesmo dia ao thesoureiro d'aquella humanitaria instituição.

Sahio tambem o club Congo apresentando um grande numero de socios phantasiados e muitas criticas de effeito."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 01 de Março de 1887, pág. 01, col. 04

quinta-feira, 16 de maio de 2019

União dos Professores da zona colonial de Pelotas e São Lourenço do Sul


"UNIÃO DOS PROFESSORES

Recebemos a communicação seguinte:

<< Picada Oliveira, 10 de Junho de 1908. - Á Redacção d'A Opinião Pública, Pelotas. - illms. Srs. - Saúde e fraternidade.

Tenho a honra de communicar-lhes que hontem, 9 de Junho, em casa do Sr. Frederico Buchers, professor na Picada Cerrito, reuniram-se vinte professores e diversos presidentes das communas escolares, aqui na colonia collocadas, e fundaram a 'União Brazileira dos Professores Activos na zona colonial de Pelotas e S. Lourenço'.

Funccionam como commissão organizatoria e administrativa os Srs. Frederico Buchert, presidente - Deodoro Reske, thezoureiro - Haraldo Pfeil, secretario e mais dois conselheiros.

Depois de cumprimentar todos os presentes participantes, o Sr. Frederico Buchert, n'um discurso muito interessante, demonstrou com admiravel eloquencia que é uma necessidade bem junta e inevitavel que o educador da nossa juventude nesta zona colonial baseasse mais num fundamento brazileiro na educação e instrucção das creanças que estão-lhe confiadas, dizendo que prova-se o unico modo pelo que seria possivel de fazel-os desenvolver-se bons filhos desta sua patria e provocar no coração infantil o amor puro por ella.

Sendo o orador em unisono muito apoiado, fallaram mais outros, como o Sr. Arnold Boni, médico na colonia, e o Sr. Max Stenzel, redactor do 'Bate von S.Lourenço'. Fellicitaram os Srs. professores por terem tomado uma resolucção tão importante e séria, e prometteram-lhes toda a coadjuvação possivel para a nova União, demonstrando também que neste caminho não póde faltar de encontrar tanto o interesse do nosso governo como o do publico em geral.

Terminados os discursos foram lidos os paragraphos dos estatutos da 'União Brazileira dos Professores Activos na zona colonial de Pelotas e S. Lourenço', e foram aceitos por todos os socios presentes.

A comissão sobredita, em breve, terá occasião de mandar-lhes uma cópia dos mesmos, que pedem de Vmns. bem querer aceitar. E sem mais motivo tenho a honra de assignar-me de V.S. Atto. e Ob. o. crdo. - Haraldo Pfeil."

Fonte:  A OPINIÃO PÚBLICA (RS), 15 de Junho de 1908, pág. 01, col. 08
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