segunda-feira, 26 de junho de 2017

Feira do Rolo - Edição Capão do Leão


No próximo sábado, dia 01 de Julho de 2017, acontece na Praça João Gomes, centro de Capão do Leão a Feira do Rolo - Edição Capão do Leão. O evento ocorrerá à tarde, entre 14h e 18h30min. 

A Feira do Rolo é uma oportunidade para o público em geral realizar troca e venda de roupas, acessórios, alimentos e arte. Para mais informações, acesse o link da promotora do evento no facebook: https://www.facebook.com/feiradorolopelotas/ 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Como era uma charqueada?


Trecho extraído de: QUEVEDO, Raul. As estâncias e as charqueadas. Porto Alegre: Livraria do Globo; Dom Pedrito: Pedritense/Cotrijuí, 1986, p. 45-47.

"Como se tem visto ao longo desta narrativa, as primeiras charqueadas funcionaram em campo aberto, sem as mínimas condições de higiene e também sem qualquer preocupação para com o sofrimento dos animais, que eram sacrificados através de meios bárbaros. Comumente, os animais recebiam um golpe de lança (que tinham a forma de meia-lua) no jarrete (garrão), o que os impossibilitava de manter-se de pé. Assim expostos, eram presa fácil ao sangrador e aos esfoladores, que desempenhavam a missão de retirar o couro.

Nos primeiros tempos da 'economia do boi', notadamente nos países do Prata, o couro despertava interesse único. Era comum o sacrifício de milhares de reses para aproveitamento exclusivo do couro. É fácil imaginar a quantidade de animais sacrificados em pleno campo, com os esqueletos expostos às aves carniceiras.

A fundação da Colônia do Sacramento, em 1680, pelos portugueses, na margem esquerda do rio da Prata, foi a mola propulsora do interesse econômico pelos couros. Os embarques de couros desde o porto de Buenos Aires foram constantes, legal ou ilegalmente. Relata Alfredo Juan Montoya, em seu livro 'Cómo evolucionó la ganadería en la época del virreinato', que em 1674 foram embarcados em três navios - Santa Maria de Lubeque, La Soledad y el Rosario e San José - um total de 40 mil couros. Como se vê, seis anos antes da fundação da Colônia.

Depois o sacrifício do gado aumentou. Segundo o mesmo autor argentino, em 1790 as matanças alcançaram a soma de um milhão de cabeças, conforme documento existente na Biblioteca Nacional, Buenos Aires, de no. 238. Toda matança só para aproveitar o couro.

Ao passar dos anos, o sistema de aproveitamento das reses foi aperfeiçoado. As charqueadas, ou estabelecimentos coureiros - que alguns autores confundem, até hoje, com charqueadas 'pioneiras', foram cedendo lugar aos saladeiros, que vieram até o século XX. Mas os métodos permaneceram mais ou menos os mesmos.

Louis Couty, biólogo francês, contratado pelo governo imperial para lecionar na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, esteve no Rio Grande do Sul no ano de 1878. No relato que fez das charqueadas pode-se notar que os métodos de matança não se diferenciavam muito daqueles usados pelos primitivos habitantes. Por outro lado, também a infra-estrutura dos abatedouros - sua arquitetura e métodos de trabalho, eram iguais aos do século XVIII, e muito provavelmente, inferiores aos que foram instalados pelo espanhol Francisco Medina, em seu estabelecimento 'del Colla', em 1786, às margens do arroio 'del Sauce'.

Vejamos o relato de Louis Couty:

'Os animais eram guardados nas mangueiras, de vésperas (...). Em pequenos grupos de 30 a 60 cabeças, eram repassados para o curro ou brete. Na extremidade do brete o laçador, posto sobre uma plataforma de madeira, laçava pelas guampas do animal. O laço era atado a uma polia manejada por dois homens, ou era passado através de uma roldana e atado a um cavalo com montaria ou a uma parelha de bois.

O animal escolhido para o sacrifício era assim arrastado até o fim do brete, já sobre um pequeno vagão de madeira, com rodas de ferro ao nível do solo: a zorra. O matador (desnucador), às vezes o próprio laçador, abatia a besta atingindo-a com um estilete de ferro na nuca (sic).

Levantando-se horizontalmente a porteira de saída do brete, o animal que havia caído sobre a zorra era transportado para a cancha. A zorra, puxada por alguns trabalhadores, corria sobre os trilhos de ferro.

A cancha era o coração da charqueada. Tratava-se de um piso retangular de cimento alisado, levemente inclinado e contornado por pequenas canaletas. Todo o conjunto era protegido por um galpão aberto nas laterais e coberto de telhas. Os trilhos da zorra, que passavam ao lado da cancha ou a cortavam pelo meio, possibilitavam que os animais, retirados do veículo, caíssem diretamente sob as mãos dos charqueadores (carneadores).

Na cancha, o animal começa a ser 'trabalhado' pela cabeça, perdendo imediatamente o couro. É nesse momento que o carneador poderá sangrá-lo com um golpe certeiro no coração. Toda a operação dura apenas alguns minutos. Passa-se à divisão do animal em vários pedaços. A manta e os membros são levados para um galpão adjacente; a cabeça, as vísceras e o tronco, etc. são retirados rapidamente para fora da cancha, para a entrada da zorra em retorno com outro animal a ser trabalhado.

O início da produção (preparo) começa com o ato de charquear as carnes, ou seja, uniformizá-las em pedaços de igual espessura. A seguir, passa-se à salgação. As carnes são transportadas para mesas especiais onde serão impregnadas de sal e depois levadas para a 'empilha'.

Uma pilha de charque pode conter de cem bois até 1.200, o que demonstra que suas dimensões pode ser as mais variadas. As carnes, superpostas uma sobre as outras, continuavam recebendo borrifadas de sal nas camadas intermediárias. Essas pilhas permaneciam dois dias, em média, para absorver completamente o sal, sendo retiradas após esse prazo para os varais de seca.

Os varais formavam uma visão peculiar às charqueadas. Constituíam-se de estacas cravadas na vertical, com varas na horizontal correndo paralelas e cobrindo longas extensões. Dependendo do tamanho das charqueadas, podiam cobrir milhares de metros quadrados.

As carnes ficavam estendidas sobre os varais por cerca de cinco a seis dias (dependendo do clima), ficando prontas para a comercialização. À noite, para não ser atingida pelo orvalho, era empilhada em pequenos montículos, chamados burras, e recobertas.

No dia seguinte, a face exposta para o sol será a que repousava anteriormente sobre o varal. Passado o estágio de secação, a carne será separada e empilhada na espera do embarque'.

Como se vê o relato de Louis Couty, essa charqueada vista no ano de 1878, quando já se trabalhava charque em termos industriais há cem anos, mostra que os métodos de abate e charqueação eram em muito semelhantes aos praticados nos primitivos saladeiros, como se pode ver nas crônicas de Saint-Hilaire, Nicolau Dreys, Arsène Isabele e outros, que viram quase que o nascimento dessa indústria."

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Oscar Schmidt em Pelotas


Oscar Schmidt estará em Pelotas, no próximo dia 29 de Junho, a partir das 20 horas, no Theatro Guarany, proferindo a palestra com o tema "Obstinação", em que conversará sobre valores de liderança e motivação. Segue o link da promotora do evento no facebook: https://www.facebook.com/followmusichouse/ 

terça-feira, 20 de junho de 2017

O Estado Jesuítico da América do Sul


Trecho extraído de: TREUE, Wilhelm. A Conquista da Terra. Rio de Janeiro: Ed. Globo, 1955, 2a. ed., p. 231-232

"A segunda exceção vem do lado oposto - da Igreja. Os casos de Pizarro e Balboa já provariam por si sós, que a finalidade da cristianização representou um papel importante nas descobertas da América do Sul e Central. A intenção de servir a Deus, ao Papa e ao cristianismo, de libertar os nativos da situação de pagãos, não se deve contestar nem mesmo a um brutal lansquenete e espadachim da envergadura de Pizarro. Seria diminuir a interessante multiplicidade de aspectos psicológicos dêste e de muitos outros conquistadores, não acreditar nos seus planos cristãos e vê-los como hipócritas que punham simplesmente a fé a serviço de seu amor ao poder. No fim de contas, a descoberta de Colombo não deixou de ter sido facilitada pelo auxílio da Igreja; Estado e Igreja estavam estritamente unidos.

Já em 1547, havia um bispado em Assunción, de cuja colonização já falamos, como filha da de Buenos Aires. Franciscanos e dominicanos foram os primeiros a vir à América do Sul. Em 1586, os jesuítas se seguiram a êstes, a convite do bispo de Tucuman. Deveriam ali representar um papel destacado. As missões ambulantes que estabeleceram no comêço estavam fadadas a malograr, como logo se verificou. Os índios julgavam todos os brancos de acôrdo com as experiências que tinham feito com os espanhóis, e estas não eram de molde a despertar confiança.

No início do século XVII, os jesuítas encetaram um nova modalidade de conversão. Em 1606, êles transformaram o Paraguai em uma província da Ordem com um provincial jesuíta à frente; juntaram os índios em aldeias recém-formadas e começaram a dar-lhes instrução. Em 1630 já havia uma dúzia destas aldeias nas quais se encontravam, sobretudo, os guaranis, e que se localizavam, pouco mais ou menos, na região do atual estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Os progressos nessa nova espécie de catequese levaram à fundação de aldeias maiores e de suntuosas igrejas; praças foram construídas, construções de material levantadas. Em hortas de legumes e em pomares, os índios aprendiam os trabalhos agrícolas. Oficinas e prisões faziam também parte dessa sociedade organizada; as palissadas defendiam a comunidade contra os ataques de fora; severo policiamento garantia a ordem interna. Córdoba era o ponto central dêste Estado original. Como, desde a metade do século XVIII, se formava na Europa uma vasta frente contra os jesuítas, começou a despertar interêsse o Estado jesuítico da América do Sul. Achava-se, então, que os jesuítas tinham nas mãos todo o comércio da América do Sul, o que representava um perigo para as potências ocidentais. Em 1767, em um dia só, os jesuítas foram todos presos e mandados para a Europa. Foi um julgamento sumário e severo, mas nem entre os índios nem por parte das ordens houve a menor resistência. Depressa desmoronavam-se as colônias; os índios abandonaram os aldeamentos e regressaram para a selva. A destruição das colônias jesuíticas foi completada pelas guerras do século XIX.

Nos duzentos anos de sua atuação na América do Sul, além de serviços culturais e de civilização, prestados aos nativos, realizaram coisas importantes no que diz respeito aos descobrimentos. Êles se dedicaram, como era natural, menos às descobertas geográficas do que ao estudo etnológico, de que possuímos documentos em várias obras de memória e narração."

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Uma capital no centro do País


Trecho extraído de: DICIONÁRIO UNIVERSAL DE CURIOSIDADES. São Paulo: Comércio e Importação de Livros Cil S.A., 1968, p. 306-307

"Hipólito José da Costa Furtado de Mendonça, em 1808, no Correio Braziliense, editado em Londres, já defendia a mudança da capital do Brasil para o centro do país, condenando o Rio de Janeiro. José Bonifácio de Andrada e Silva, em 1821, defendia perante a Côrte a idéia da mudança da capital do Brasil, ficando livre de assalto, guerra, e evitando o excesso de povoação na orla marítima. A 9 de junho de 1823, José Bonifácio apresentou à Assembléia Constituinte um trabalho, sugerindo a transferência da capital para o Planalto Goiano e a mudança de seu nome. Com a Independência, em 1822, o assunto da mudança da capital ficou relegado a segundo plano, alegando-se o custo da mudança e ainda a impossibilidade do momento, caindo no esquecimento tal projeto. Em 1853, o senador Varnhagem apresentou um projeto de lei visando a transferência da capital para o centro geográfico do país. Após demoradas discussões e estudo, foi o projeto arquivado, ficando sem solução a mudança. Em 1877, o Visconde de Pôrto Seguro empreende viagem ao Planalto Goiano a fim de localizar o sítio ideal para fixar-se a capital, tendo atingido Formosa, localidade às margens das lagoas Feia e Formosa. Em 1891, na República, os membros da Assembléia Constituinte voltaram a cogitar da transferência da capital, contando com muitos adeptos. O assunto, porém, apenas ficou em fase de estudos. Joaquim de Sousa Mursa e Rodolfo Miranda, deputados, apresentaram uma emenda para fixação e demarcação de uma área para localizar-se a capital do Brasil, tendo recebido do Marechal Floriano inteiro apoio. O Presidente Floriano chama o Dr. Luís Cruls, para tomar a seu cargo a demarcação do nôvo Distrito Federal, fazendo levantamento para atender a essa necessidade. Pede, ainda, que estude as condições de solo e outros pontos de interêsse. Luís Cruls, cientista eminente, foi, assim, o primeiro homem a chefiar uma missão no Planalto Central para estabelecer as condições e demarcações da futura capital do Brasil, isto já em plena República, e a mando do Marechal Floriano. A missão do Dr. Cruls partiu, a 9 de junho de 1892, levando 22 membros especializados para estudos em cada setor do solo goiano. Levara um carregamento fabuloso a fim de atender às exigências dessa incumbência presidencial."

terça-feira, 13 de junho de 2017

As emancipações de Pelotas


Trecho extraído de: LONER, Beatriz Ana; GILL, Lorena Almeida; MAGALHÃES, Mário Osório (orgs.). Dicionário da História de Pelotas. Pelotas: Ed. UFPel, 2010, p. 106-107

"Pelotas foi o sexto município rio-grandense, na ordem cronológica. Precederam-no Rio Grande, Porto Alegre, Rio Pardo, Santo Antônio da Patrulha e Cachoeira do Sul. Criado por decreto provincial de 7 de dezembro de 1830, foi instalado em 7 de abril de 1832, só nesse ano desmembrando-se efetivamente do município de Rio Grande. De Pelotas, por sua vez, emanciparam-se os municípios de São Lourenço do Sul, em 26 de abril de 1884, Capão do Leão, em 3 de maio de 1982, Morro Redondo, em 12 de maio de 1988, Turuçu, em 28 de dezembro de 1995, e Arroio do Padre, em 16 de abril de 1996."

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