quinta-feira, 23 de maio de 2019

Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1895


"Ante-hontem effectuou animada reunião para discutir estatutos, que ficaram approvados, e eleger directoria, a nova sociedade Soirée Porto-Alegrense.

Entre as deliberações ahi tomadas figura a de promover o dito gremio um baile á phantasia, por occasião do carnaval.

(...)."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Janeiro de 1895, pág. 01, col. 05

"O club carnavalesco Pyndahyba, que têm sua séde á rua Christovam Colombo, começou os seus preparativos para solemnisar o proximo carnaval."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 29 de Janeiro de 1895, pág. 01, col. 06

"Para hoje:

Baile do club Delicias de Momo, no salão Litterato;

Funcção da companhia Rosita de La Plata, no Circo Fernandes.

-Para amanhã:

Baile do club carnavalesco Pyndahyba, após o passeio annunciado.

-É funcção pela companhia Rosita."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 23 de Fevereiro de 1895, pág. 01, col. 03

Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1894


"Sociedade Diamantina
Bailes á phantasia sabbado, domingo, segunda e terça de carnaval, no salão Polytheama, no Parthenon

Convidam-se os membros d'esta sociedade para os bailes d'este anno, acceitando-se socios até á ultima hora.

Na casa ha bonitos costumes á phantasia, preços modicos e os velhos e novos socios podem entender-se com o director do salão em qualquer exigencia que tiverem.

É expressamente prohibido entrar armado no salão de baile. De resto estão tomadas todas as medidas para se manter a ordem e a decencia - o que não quer dizer que a rapaziada não possa divertir-se; pelo contrario, poderá rir, cantar, pullar, etc., etc., e tal.

As festas começarão ás 10 horas em ponto.

Haverá bonds para a cidade depois dos bailes, até 3."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 01 de Fevereiro de 1894, pág. 03, col. 04

"Hoje á noite dão bailes á phantasia as sociedades Germania e Atiradores Allemães.

A sociedade Diamantina tambem dá bailes á phantasia n'estes quatro dias, no salão Polytheama, no Parthenon.

Amanhã á tarde faz um passeio pela rua da Floresta e outras d'aquelles lados e á noite effectua saráo dançante a sociedade carnavalesca Pyndahiba.

E é no que se cifram este anno as solemnidades do carnaval, outr'ora tão pomposas e brilhantes entre nós."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 03 de Fevereiro de 1893, pág. 02, col. 04

"Houve grande jogo de entrudo nos tres dias de Carnaval.

Hontem esse divertimento assumiu enormes proporções, tornando-se impossivel a qualquer pessoa sair á rua sem levar um banho litteral.

Milhares de limões de cheiro foram jogados, centenares de baldes e jarros d'agua foram derramados sobre os transeuntes.

Uma cousa notou-se durante o folguedo; não appareceu uma unica bisnaga.

Está, pois, abolido o perfumoso e fino esguicho.

Grupos de mascaras ponta-abaixo e ponta-acima e pouco acciados passearam a sua indigencia de espírito, o seu descommunal desfructe sob o aguaceiro insistente que caiu durante a tarde.

Ante-hontem a sociedade Pyndahyba fez o seu annunciado passeio, apresentando algumas phantasias e varias criticas felizes."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Fevereiro de 1894, pág. 02, col. 04

"Tiras em branco

O alegre Momo d'esta vez não pôde rir ás soltas.

Ha tanto lucto por ahi, tantas nevoas na alma popular, tantos cuidados no coração, que os tres dias de folguedo passaram sem as expansões loucas do costume, sob aguaceiros e nuvens.

Talvez por isso o velho divo apalhaçado andou simplesmente aguado. Agua em penca.

Baldes, jarros, canecos, seringas, despejavam agua limpa e agua suja no transeunte desprecavido.

Limões em abundancia, ou antes pedras de cêra, amassavam um pobre christo, pisavam-n'o sem dó nem piedade, furavam guardas-chuva e faziam da cabeça onde batiam um galhinheiro de gallos.

Era um horror!

Desbisnagado o carnaval, vieram os limões, amanhã virão as pedras e depois o diluvio.

E ai do pobre que apanha hoje, em dia feriado, uma pedrada. Depois que as pharmacias resolveram, em congresoo, que n'esses dias apenas uma fique de sentinella aos enfermos, o necessitado que não lê jornaes, não saberá onde ir buscar um vidro de arnica para curar a brecha que um limão de cheiro lhe tenha porventura aberto na cabeça. E o pobre doente que necessitar de medicação urgente terá a resignação de esperar que a pessoa que lhe foi a botica, caminhe muitas vezes mais de uma legua para trazer-lhe remedio.

Emquanto isso a magra sem duvida não perderá seu tempo, porque não guarda domingos e dias feriados no seu luctuoso officio.

E, a este novo progresso de humanitarismo fin de siècle deveria a medicina corresponder com a resolução de que só pharmacia aquelles que gosaram perfeita saúde, podendo abrir uma restricção para os enfermos que residirem mais ou menos proximos da dita que estiver de dia á praça.

Do mesmo modo a administração do cemiterio poderá declarar que não dá hospedagem aos domingos e dias feriados.

Si a moda pega nada mais justo e humano que as populações soffredoras se constituam em meeting para pedir a abolição dos domingos, dias feriados e... dos maragatos também.

Mas, voltando á vacca fria, o galhofeiro Momo veiu achar os seus dominios da palhaçada e do ridiculo litteralmente tomados pela maragatagem burlesca que, no meio d'esta tragedia de sangue, não deixa de ser a nota comica, a provocar o riso na physionomia feixada do mais intransigente casmurro.

Já havia carnaval, porque havia maragatos cruzando ruas e fazendo espírito por grosso e á varejo.

Em vez do - você me conhece? - do mascarado tolo, os domínios maragatos chocalhavam os guizos de mil façanhas já decantadas e soltavam aos quatro ventos seus gaudios pestíferos, seus sonhos palermas, architectados sobre a preocupação da ruína da patria, sobre a esperança gasta, perdida, de porvindouras épochas de estadio imperialista e de corrupção sardanapalesca.

O velho Momo veiu achar phantasiada á patriota e á exercito libertador toda uma escoria assalariada para o morticinio e o saque; veiu encontrar, aninhada nos cofres da fazenda nacional e estadoal, uma chusma de servidores da revolução, servindo a Republica por amor dos vencimentos; veiu ver a cruz vermelha rezando pela victoria da revolução; ouviu essa alluvião de boatos, de mentiras embusteiras, de cochichos bestiaes; sondou a lepra maragatica espalhada urbi et orbi e apanhando de um golpe de vista, toda essa cousa - careteou á gosto e riu-se perdidamente.

E rindo-se, mandou-se rolar, fazendo piruetas e jogralidades e dizendo com os seus grandes botões de bolaxa:

- Este anno faço ferias; ficam os maragatos para carnaval.

E foi-se."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 08 de Fevereiro de 1894, pág. 02, col. 03

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1893


"Dizem-nos que a sociedade FFF e RRR prepara-se para festejar o proximo carnaval com um baile á phantasia."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 12 de Janeiro de 1893, pág. 01, col. 01

"Está em preparativos para festejar o proximo carnaval um club que recem acaba de organisar-se no Menino Deus.

Já foi em uma d'estas noites inaugurada a caverna, n'uma casa do pittoresco arrabalde, onde rufaram um ensurdecedor Zé-Pereira.

No próximo domingo farão Os Petichões, que assim foi denominado o club, um passeio burlesco que prolongar-se-á até á Azenha, voltando pela rua Venancio Ayres no ponto de partida."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Janeiro de 1893, pág. 02, col. 03

"O carnaval

Este anno vai passando quasi desapercebido entre nós o carnaval.

Das festas pomposas que em outros tempos deslumbravam a população toda em movimento, só nos resta uma recordação saudosa.

Tudo passou.

O proprio entrudo, pelo menos até hoje, não tocou o enthusiasmo delirante de outras eras.

Não obstante, muita molhadela tem havido, algumas vezes cercada de accidentes que não são novos nem agradaveis.

Hontem á tarde, por exemplo, á praça 15 de Novembro, um moço, que apenas tem um braço, atirou um limão de cheiro em uma moça que seguia pelo braço de um cavalheiro; até aqui, nada de extraordinario, a não ser a deficiencia de braços do atirador...

Mas, o cavalheiro, em uma de cujas pernas o limão se foi esborrachar, enfurecendo-se, lançou mão de uma garrafa que encontrou sobre uma mesa do jardim e arremessou-a á cabeça do aleijado folião.

Resultado final:

O jogador de entrudo ficou todo ensanguentado, com uma brecha na testa, e o seu offensor foi preso e conduzido á cadêa civil.

Quem effectuou a prisão em flagrante e entregou o criminoso a agentes da segurança publica foi o nosso co-religionario João Capellani dos Santos, que aqui se acha com procedencia das Torres."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 13 de Fevereiro de 1893, pág. 02, col. 03

"O carnaval

No salão Polytheama, situado no Parthenon, houve baile á phantasia nas ultimas noites, dando-se no de ante-hontem grande rôlo.

- Segunda-feira a sociedade Pedinchões, do Menino Deus, fez um passeio pelo arrabalde.

Dizem-nos que interessantes criticas e bonitas phantasias ahi foram exhibidas.

A rua do Menino Deus, á qual affluiu muita gente, esteve ornamentada.

- Na cidade, o entrudo assumiu proporções enormes.

Grupo de mascaras, entre estes um ruidoso Zé Pereira, passearam por varias ruas.

- O Club Commercial deu reunião á phantasia.

Quando se dirigiram para a séde da associação, em carros, varios phantasiados percorreram a praça da Alfândega."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Fevereiro de 1893, pág. 01, col. 04

"Em virtude do estado de intranquilidade por que passa a cidade de Sant'Anna do Livramento, devido ás continuadas amaeças de invasão de federaes emigrados, o intendente d'ali prohibiu o uso de máscaras e a saída de comparsas nos dias de carnaval."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 18 de Fevereiro de 1893, pág. 02, col. 04

"PELOTAS

(...)

O Grêmio Recreativo Filhos do Trabalho prepara-se para festejar o Carnaval de 93, com um passeio burlesco e um baile á phantasia."

Fonte: ARTISTA: FOLHA DA TARDE (Rio Grande/RS), 19 de Janeiro de 1893, pág. 02, col. 01


Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1892


"Satellites de Momo e Cotubas são as duas sociedades que este anno festejarão o carnaval no 3o. districto da capital."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 18 de Janeiro de 1892, pág. 02, col. 03

"De Pelotas

(...)

- O delegado de policia publicou o seguinte decreto:

<<A delegacia d'este termo, attendendo a exigencias da tranquilidade e segurança publica, resolveu prohibir o uso da mascara nas ruas, durante os tres dias de carnaval, quer de dia, quer de noite.

<<Esta medida não é extensiva aos convidados aos bailes á phantasia particulares, tendo elles, porém, de apresentar á policia o seu cartão de convite, quando transitarem pelas ruas."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 02 de Março de 1892, pág. 02, col. 04

terça-feira, 21 de maio de 2019

A fundação de Rio Grande... que não aconteceu


"Ainda não tinha sido fundada a Colônia do Sacramento quando Manuel Jordão da Silva, afervorado súdito português residente no Rio de Janeiro, que devia possuir, além do ânimo de aventura, muitos haveres e não menos prestígio, se abalançou a ir até à Corte a fim de oferecer-se 'para na barra do Rio Grande ou no Prata fazer uma povoação' à custa de sua própria fazenda. Isto foi em 1679. Por carta de 1698, passados quase vinte anos, ele se dirige ao Regente D. Pedro relatando por miúdo os embaraços e as trágicas circunstâncias que levaram seu projeto a total desbarato. Mas, sem se dar por vencido, embora tenha perdido embarcações, armas e quase todos os homens que recrutara, uns tragados pelo mar, outros nas mãos do gentio, ele insiste na realização de seu plano, desta vez restrito à costa do Rio Grande. Vale a pena ouvi-lo: 'Agora, meu Senhor, digo que, suposto sou bisavô de 8 bisnetos, avô de 55 netos, pai de 25 filhos, me ofereço a V. Majestade para ir povoar o Rio Grande de São Pedro, que, se há Terra da Promissão no mundo é aquela, e nele fazer a Cidade de São Pedro, e no Rio de Tramandaí, que está perto para a parte do norte, fazer uma vila, por muito abundante de ouro'. Tudo leva a crer que Jordão da Silva conhecia estas terras e suas promessas desde muito. Sim ou não, o certo é que se deve a ele a primeira tentativa de povoamento do litoral rio-grandense.

Poucos anos depois, presumivelmente antes de 1704, outra representação é feita no mesmo sentido. Subscreve-a quem tinha grande experiência destes confins, o Sargento-Mór Francisco Ribeiro, que aportara à Colônia do Sacramento em 1690, ali permanecendo até fins de 1703 ou começos de 1704. No documento em referência, já se encarece a necessidade de levantar uma povoação fortificada no Rio Grande, além de outras que tornassem 'fácil a comunicação com o Brasil por todas as partes'. Como se vê, é a importância estratégica da barra que desde então começa a impressionar os prepostos de Portugal.

Depois dessa representação, outras e outras foram sendo encaminhadas, cada qual mais insistente, clamando também pelo povoamento do enorme espaço virgem que se desdobrava entre Laguna e Sacramento. Em 1714, é a Câmara Municipal da vila de São Francisco, na costa de Santa Catarina, que pondera ao governo da Capitania Geral do Rio de Janeiro: 'O Rio Grande é que seria muito conveniente a Sua Majestade o se povoar, em razão dos castelhanos se não adiantem'. Perante o mesmo governo, ao qual estavam subordinados os distritos do sul, o sargento-mór de Santos, Manuel Gonçalves de Aguiar, depõe, em 1721, sobre o que ouvira cinco anos antes, dos moradores de Laguna, e informa que alguns deles foram às campanhas do sul a fim de 'resgatar' gado, e que o patriarca Domingos de Brito Peixoto, capitão-mór da vila, indo com os seus homens até à Serra de Botucaraí em procura de prata, tivera que retroceder devido à hostilidade dos índios missioneiros que punham guarda à Vacaria dos Pinhais."

Fonte: VELLINHO, Moysés. Fronteira. Porto Alegre/RS: Livraria do Globo, 1973, pág. 11-13.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Histórico do Município de Taquara/RS


"O território de Taquara fazia parte da sesmaria concedida, em 1814, a Antônio Borges de Almeida Leães, que em 20 de junho de 1845 foi adquirida por Tristão José Monteiro e Jorge Eggers. Mais tarde, em 4 de setembro de 1846, o território passou a propriedade exclusiva de Tristão Monteiro, quando iniciou-se o processo de colonização. A 7 de setembro do mesmo ano, chegaram os primeiros imigrantes alemães: as famílias Ritter, Lahm, Schirmer e Krummenauer e uma família italiana, Raymundo, que fundaram a colônia do Mundo Novo.

Em 24 de setembro de 1880, foi instalada a primeira Comarca de Taquara, sendo distrito criado pela Lei Provincial no. 1382, de 27 de maio de 1882. O Município surgiu com a lei provincial no. 1568, de 17 de abril de 1886, sendo instalado a 7 de janeiro de 1888. Através do Decreto Estadual no. 1404 de 18 de setembro de 1908, a vila passou a ser 'cidade de Taquara'.

SITUAÇÃO GEOGRÁFICA

A cerrada vegetação de bambus silvestres (taquaral), que cobria as margens do Rio dos Sinos, pelo qual é banhada, e espalhados em grandes malhas por todo o território, deram a origem a seu nome.

Geograficamente privilegiada, localizada na Encosta Inferior do Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, na Microrregião Colonial da Encosta da Serra Geral, Taquara fica distante 72 km da Capital, Porto Alegre; a 42 km de Gramado; a 48 km de Canela; a 40 km de São Francisco de Paula; a 47 km de Novo Hamburgo e a 98 km de Tramandaí. O acesso a Taquara e desta para municípios mencionados é por estradas asfaltadas.

A altitude do Município oscila entre 29 metros na sede e 600 metros em sua regiao serrana. A temperatura média é de 22oC e seu clima é temperado. A área urbana tem 37 km2 e a área rural 353 km2, perfazendo um total de 390 km2.

Os municípios limítrofes são: Parobé, Igrejinha, Sapiranga, Rolante e Santo Antônio da Patrulha.

Os rios Paranhana e dos Sinos fazem parte da bacia hidrográfica de Taquara, além do Rio da Ilha, Rio Padilha e Rio Rolante.

ECONOMIA

Os setores industrial e comercial detém um elevado percentual da economia de Taquara, destacando-se as áreas de calçados, embalagens, beneficiamento de madeira, plástico, construção civil e prestação de serviços.

A agropecuária, que já foi a base da economia do Município, aos poucos retoma seu crescimento através do turismo rural, piscicultura, apicultura, citricultura e do reaquecimento do setor leiteiro.

DADOS GERAIS

Taquara possui 390 km2, sendo 37 km2 na área urbana e 353 km2 na área rural.

Data da Emancipação: 17 de abril de 1886

População: 51.000 habitantes

Área Urbana: 42.000 habitantes

Área Rural: 9.000 habitantes

Homens: 24.344

Mulheres: 26.656

Vias Públicas Estaduais: RS 115, RS 239 e RS 020

Predominância da população: Nas últimas décadas, Taquara recebeu habitantes das mais diversos localidades, sendo que hoje há uma miscigenação de origens (pessoas de todos os países)."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 04 de Fevereiro de 1999, pág. 04

domingo, 19 de maio de 2019

Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1891


"Na livraria Mazeron existem á venda figurinos á phantasia, para o carnaval."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 14 de Janeiro de 1891, pág. 02, col. 03

"O carnaval, este anno, terá em Pelotas muita animação."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 02 de Fevereiro de 1891, pág. 02, col. 02

"PIPAROTES

Em sua edição de hoje o meu collega do Jornal escandalisou o bom povo bagaduano do 3o. districto, noticiando que ahi começaram os festejos carnavalescos ao som de folhas velhas.

Protesto contra a dureza do conceito, em meu nome e no d'Os Cotubas, que são os herdeiros legitimos das tradições burlescas do 3o. districto, legendario pelas pugnas entre bagadús e tinteiros, de que outr'ora foi theatro.

Carnaval de folhas velhas, não; carnaval de legitimos zabumbas (sem allusão a refinado tintureiro...) e caixas de ruffo com que Os Cotubas refestelam dia e noite os pacatos moradores do Alto da Bronza, da Ponta das Pedras, da Passagem, da frente do gazometro, da rua do Tavares, etc.

Duvido que os meus leitores já tenham visto irreverencia maior do que esta de chamar de carnaval de folhas velhas ao carnaval instituido pela Rôxa Saudade, aquella saudosissima associação que elevou o páo á altura do sr. Annibal ou de um principio.

Ah! si a Rôxa Saudade existisse, outro gallo cantaria.

Ahi é que eu queria vêr como se havia de arranjar o meu collega do Jornal, si elle se atrevesse fallar-lhe de folhas, velhas ou novas.

Não vê mesmo que a Rôxa era d'essas de levarem desafôro para casa! Boas!

Por muito menos ella armou um sarilho doido, que as chronicas do tempo referem ter tomado as proporções de um arranca-rabo gigantesco.

Lembro-me que o samba se deu em uma casa de familia e que o cacete não deixou ficar pedra sobre pedra.

O bruto não respeitou nem mesmo o sr. Annibal, que na occasião era subdelegado e estava no galarim da fama.

E emquanto roncava a bordoeira, a banda de musica do saráo, já então postada á distancia respeitosa, não deixava arrefecer o ardor dos pelejadores, executando o bellicoso hymno Ataca Fellipe...

✤✤✤✤✤

O Cara-Dura, club carnavalesco, inaugurou hontem a sua caverna á praça da Alfandega, por cima da barbearia do cidadão Allibert.

Por essa occasião fizeram-se ouvir diversos oradores, alguns d'elles reproduzindo espaventosos e conhecidos arengadores de meetings.

<<Meus concidadãos, - declamava lugubremente o primeiro discursador - ; eu vos pertenço, porque sou da guarda velha, porque sou do povo, porque venho pugnar pelos vossos direitos inilludiveis, pelos verdadeiros principios protrahidos; hontem como hoje, amanhã como sempre eu estarei a vosso lado luctando para que a Marmota não seja fraudada. A Marmota! A Marmota!! A Marmota!!

Foi ruidosamente applaudido por grande massa popular o espirituoso orador, bem como o que lhe succedeu na tribuna; este era cópia de arrevezado politico musical-unionista, de quem me occupei nos ultimos piparotes.

Causou enorme hilaridade o pseudo dr. Koch com o seu interprete, a explicar ao povo a origem da lympha contra a tuberculose e o modo de applical-a.

Gostei muito d'essas pilherias.

Outro tanto não posso dizer em relação ás que se referiram a Pedro Banana, á religião e ao Christo venerando.

LYDIO."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 03 de Fevereiro de 1891, pág. 01, col. 03

"Gremio dos terriveis

A commissão d'esta sociedade communica aos srs. socios que na noite de 14 do corrente terá lugar o baile correspondente ao mez andante, no salão Cosmopolita, sito á rua dr. Flores; outrossim avisa-se que propostas de socios e pedidos de convite só serão attentidos até o dia 12, na casa de residencia do abaixo assignado, á rua da Republica n. 16.

Porto Alegre, 5 de fevereiro de 1891.
Abrilino da Costa Godinho."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 05 de Fevereiro de 1891, pág. 03, col. 01

"Durante os tres dias de carnaval haverá trens extraordinarios pela estrada de ferro de Porto Alegre a Novo Hamburgo, como se vê da tabella publicada."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Fevereiro de 1891, pág. 02, col. 03

"CARNAVAL

O club Cara-dura encheu bisarramente o segundo dia de carnaval, apresentando em longo prestito espirituosas criticas e bonito carro de triumpho em que se viam, trajando com elegancia, rapazes imitando engraçadamente duas moças gentis.

Representava, esse carro, um cesto amparado, ao fundo, por um leque aberto.

Viam-se mais, no prestito:

Uma critica ao bal-rose do Eden; faziam-n'a rapazes montados em bestas e ostentando vestes côr de rosa;

Uma banda de clarias;

Esquadrão de cara-duras;

Critica á questão do porto de Torres;

Critica a um arengador das massas, fazendo meetings á rua da Floresta, na Azenha e nos chafarizes das praças;

Criticas á separação da Igreja do Estado e á questão do badallo, esta ultima entre a intendencia e um sineiro;

Bandas de musica, etc.

Durante todo o passeio foi muito applaudido o club, que terminou o trajecto á noite, á luz de fogos de Bengala, não tão abundantes como pretendiam os cara-duras; á rua Voluntarios da Patria tiveram elles um prejuizo de oitenta duzias de fogos, que incendiaram-se no carro em que eram conduzidos.

✤✤✤✤✤

Hontem, quando se agglomerava o povo, á rua dos Andradas e praça da Alfandega, á espera da conclusão das festas, desandou uma chuva impertinente, que se prolongou até a tarde da noite, impedindo, assim, que a Esmeralda fizesse o seu passeio anciosamente esperado.

A distincta sociedade carnavalesca soffreu não pequeno prejuizo com esse contratempo, que a determinou a transferir para amanhã o seu passeio e baile.

✤✤✤✤✤

O entrudo, hontem, esteve fortissimo, brutal, dando lugar a scenas revoltantes.

Parece que, quanto mais intensa era a chuva, mais subia o excesso da parte dos jogadores, que praticavam verdadeiros desatinos.

Na praça da Alfandega havia individuos que atiravam baldes d'água e punhados de polvilho, indistinctamente, provocando conflictos.

E, quando um transeunte, insultuosamente molhado e polvilhado repellia o desafôro, era esbordoado pelos jogadores, e, em seguida, conduzido preso á cadêa civil, por patrulhas.

Occorreram, d'esse modo, prisões de muitos cidadãos, que tiveram de sujeitar-se aos tratos de presos correccionaes.

D'esses factos, que podiam ter tido graves consequencias, não tem responsabilidade o dr. chefe de policia, que providenciára de modo a evital-os o mais possivel.

Mas, a policia provavelmente ha de tomar na consideração devida as desagradaveis occorencias de hontem e adoptar energicas e criteriosas medidas para que ellas não reproduzam-se.

O jogo de entrudo, tal como se praticou hontem, deve ser prohibido a bem da ordem publica.

Elle dá lugar a que certos individuos desattendam a imprescriptiveis deveres de educação, molhem pessoas a quem não conhecem, e até dirijam-se accintosamente a quem os detesta."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Fevereiro de 1891, pág. 02, col. 02-03

"PIPAROTES

O Carnaval decáe, de anno para anno.

Nota-se uma degeneração em quasi todas as suas manifestações.

Este anno a pornographia entrou nos dominios do bestialogico, a offensa penetrou nas exhibições da critica, o polvilho, o balde d'agua e a durindana perturbara com o costado de muito pobre diabo no palacete amarello da ponta das pedras.

Ainda hontem, a proposito, a picareta do sôr Dias excavou cousas extraordinarias: um grupo de moços distinctos atirou limões nas janellas das casas, foram recebidos nas proprias janellas, que eram as victimas, que viam que QUEM os ARREMESSAVAM, as janellas do orgam official, atiraram-lhe limões innocentemente, UM PESO DO PESO de 800 grammas penden sobre as cabeças de um moço, de uma senhora e de uma criança, veiu á balla outro peso, o da indignação, etc.

Vejam só que achado importante foi o do operoso ministro: uma penca de tres pesos!

Pobre de nossa terra!!!

LYDIO."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 13 de Fevereiro de 1891, pág. 01, col. 02


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