sábado, 31 de março de 2018

Malhação do Judas em Pelotas em 1861


"Rio-Grande do Sul. - Rio-Grande, 16 de abril de 1861. - (Carta do correspondente)

(...)

- Sobre a celebre questão - Judas - de que os nossos leitores já teem conhecimento, o correspondente do Echo do Sul em Pelotas dá os seguintes pormenores:

O punho nos treme de indignação ao traçarmos as presentes linhas, que vão noticiar aos leitores do Echo um daquelles factos de feroz vandalismo, que felizmente só poucas vezes se vêm no antro das cidades civilisadas.

Hoje manhecerão em vários logares da cidade algumas figuras, conhecidas por Judas, que ao romper a alleluia na igreja estalão.

É sabido que o humor popular nunca deixa de manifestar-se nestes dias para com pessoas de poucas sympathias.

É assim que em uma travessa da rua de S. Miguel, amanheceu fincada no páo uma figura que não tinha letreiro nem indicação directa alguma de haver sido posto alli de acinte a qualquer dos vizinhos.

O Sr. Luiz Brandão, porém, moço estabelecido com loja de fazendas na rua de S. Miguel, e que goza de poucas sympathias por ter fama de usurario, achou no citado - Judas - semelhanças comsigo e entendeu, portanto, que era o seu retrato, embora a figura não trouxesse distico nem letreiro.

Muito insultado com semelhante desaforo, dirigiu-se o Sr. Brandão ao subdelegado de policia, que, na louvavel intenção de evitar disturbios, mandou pela policia tirar o - Judas - em questão.

Mas as boas intenções do Sr. subdelegado produzirão effeito contrario ao que S.S. pensava, porque, tomando ganja com tal ordem, entendeu o Sr. Brandão e o Sr. Godinho seu sogro que devião tomar satisfações aos vizinhos.

Com esta intenção armou-se o Sr. Godinho (sogro do sugeito que se julgava retratado) de bengala de estoque e dirigiu-se primeiramente á casa do Sr. Manoel José de Oliveira, para (segundo elle dizia) dar a um irmão deste os agradecimentos por haver arvorado o seu genro em - Judas -, mas não encontrando na loja o dito moço, considerou o Sr. Godinho que um pobre velhote de nome Candido A. Xavier, que tem uma lojinha defronta, lhe offerecia occasião mais facil e menos perigosa para dar largas ao seu genio, que o irmão do Sr. Oliveira talvez não houvesse querido supportar e portanto investiu para a loja do Sr. Candido, que estava almoçando com a sua familia.

Havendo Candido comparecido na loja e indo apertar a mão ao seu visitante, este lhe cahiu de bofetões e depois o socou a bel prazer com a bengala que trazia..

Acudiu então o genro Brandão que mora na casa vizinha, armado com um covado, e vendo o Sr. Candido já deitado no chão e calcado aos pés por Godinho, descarregou furibundos golpes de covado na cabeça da victima, despedaçando-lhe o craneo em varias partes e tentando assassina-lo. Acudindo a corajosa mulher da victima em defesa do seu marido, que estavão assassinando, o Sr. Godinho lançou-se sobre ella e a espancou cruelmente com a bengala, fazendo-lhe graves contusões e ferindo-a em varias partes e até uma pobre menina de 12 annos, filha das victimas, foi cruelmente espancada.

Somente a muito custo conseguirão as pessoas que presenciárão o facto arrancar as victimas ás sanguinarias mãos dos seus furiosos algozes, ambos homens casados e pais de familia!!

O Sr. Candido acha-se em perigo de vida, estando o craneo fracturado na extensão de duas pollegadas e tendo uma ferida funda e muito perigosa em uma das fontes, além de muitas contusões. A sua mulher está igualmente ferida e contusa, estando por ora com um braço inutilisado e com uma contusão no seio, que apresenta todos os signaes proprios para tornar-se cancro.

A menina tambem está bastante contusa e maltratada.

É assim, pois, que de dia e á vista de todo o mundo, dous homens invadirão a propriedade alheia, violando o asylo do cidadão, e tornárão-se culpaveis de tentativa de morte, espancando uma familia inteira, marido, mulher e filha!

E porque?

Porque julgárão erroneamente que aquelle pobre homem fosse autor do Judas, quando está provado que elle nem se quer teve parte e sciencia disso!

E um dos dous criminosos é homem velho e de alguma posição na sociedade, ambos são pais de familia!!

O Sr. subdelegado procedeu incontinenti a auto de corpo de delicto nas pessoas das victimas, mais ainda não prendeu os criminosos, que já devião estar recolhidos á prisão, visto que ha 20 e mais testemunhas oculares de tudo quanto acabamos de narrar.

O crime é patente e o mais escandaloso possivel; violação do asylo do cidadão e tentativa de morte em uma familia inteira, sem causa justificavel, nem circumstancias attenuantes.

É, pois, forçoso que a moralidade publica tenha uma desforra e que os criminosos sejão presos e punidos.

Bem sabemos que haverá empenhos e protecção aos criminosos; mas da justiça esperamos o justo castigo dos réos.

E aguardamos o ulterior procedimento da autoridade para voltar ao assumpto."

Fonte: CORREIO MERCANTIL (RJ), 26 de Abril de 1861, p.01. c.04

sexta-feira, 30 de março de 2018

Sobrenomes holandeses - Parte 06


101. Eg (1a. vertente): sobrenome patronímico originário da Frísia Ocidental que significa filho de Eg. Eg, Egbert, Egg, Eggo, Eggen, Eggon são primeiros nomes masculinos comuns na região e que compartilham da mesma raiz semântica germânica que significam "ponta afiada, ponta, ponta de espada", ou ainda "canto, coisa que está numa ponta".
Eg (2a. vertente): sobrenome toponímico que significa aproximadamente aquele que está localizado numa ponta, aquele que habita no canto. Comparando com a vertente anterior, o significado etimológico é o mesmo, isto é, "ponta, canto". Entretanto, enquanto na 1a. vertente o sobrenome derivou do fato de ser um patronímico, nesta vertente o sobrenome surgiu como uma denominação para indicar a morada de uma pessoa.
O sobrenome ocorre mais comumente em Stede Broec, Holanda do Norte, Países Baixos, e em Bruxelas, na Bélgica.
Variantes: Egg, Egge, Eggo, Eggen, Eggon, Eggh, Egh, Egt, Ego.

102. Elias: sobrenome patronímico que significa filho de Elia (Elias em português). Apesar do nome masculino holandês ser Elia, enquanto sobrenome a forma Elias é deveras mais comum.
Elias também é o nome de uma família nobre de Amsterdam com origem no século XIV.
O sobrenome é encontrado principalmente em Amsterdam, Holanda do Norte, Almere, Flevolândia, Rotterdam e Den Haag, Holanda do Sul,  e Tilburg, Brabante do Norte.
Variantes: Elia, Elie, Eliassen, Eliasson, Eljasz, Ilia, Ilias, Iliasz, Ilijas, Iljasch, Ilyas, Ylias, Eliat, Iliat, Ely, Hely, Elle, Eliard, Eliart, Eliaert, Eliaerts, Eliaertt, Eli.

103. Elslander: sobrenome toponímico que significa procedente de Elsland. Elsland é a denominação de uma possessão feudal que existiu na Idade Média na área do atual município de Werwik, Flandres Ocidental, Bélgica. 
O sobrenome é significativo em Eindhoven e Veldhoven, Brabante do Norte.
Variantes: Van Elslander, Elsland, Van Elsland, Elstland, Van Elstland.

104. Emmens: sobrenome que pode ser tanto um patronímico quanto um matronímico e que está relacionado ao prefixo Emm- encontrado em nomes próprios de origem germânica. Isto é, pode ser um patronímico curto de um nome masculino como Emmerick, ou um matronímico de um nome feminino como Emma.
As maiores ocorrências estão nos municípios de Noordenveld e Tynaarlo, província de Drenthe, Países Baixos.
Variantes: Immens, Emmen, Hemmens, Emme, Imme, Emminga, Emmius.

105. Van Ginkel: sobrenome toponímico que se refere ao nome de lugar Ginkel. Ginkel pode ser: um planalto na província da Guéldria; um forte da cidade de Venlo, província de Limburgo; uma área de terras baixas na província da Guéldria; uma rua em Venlo, província de Limburgo.
A maior aglomeração de pessoas com este sobrenome nos Países Baixos encontra-se em Ede, província da Guéldria.
Variantes: Ginkel, Vanginkel.

106. Van Aarle: sobrenome toponímico que significa procedente de Aarle. Aarle é um aldeia de origem medieval (início do século XIV) que atualmente faz parte do município de Best, Brabante do Norte, Países Baixos. A área de maior ocorrência do sobrenome está em Tilburg, Brabante do Norte.
Variantes: Aarle, De Aarle, Aerle, Van Aerle, Arle.

107. Garfunkel: sobrenome metanímico que significa fabricante de velas. Não encontramos dados suficientes sobre a sua distribuição. 
Variantes: Garfinkel, Garfinliel, Gurfinkiel, Gurfinkel, Gorfinkelis.

108. Van Gaal: sobrenome toponímico que significa procedente de Gaal. Gaal é uma aldeia próximo a Schaijk, Brabante do Norte, Países Baixos. A mais significativa concentração do sobrenome está em Oss, Brabante do Norte.
Variantes: Gaal, Van Gal, Gal, Van Gael, Van Geel, Geel, Gael.

109. Joris: sobrenome patronímico que pode tanto significar filho de Gregorius (Gregório em português) ou filho de Georgius (Jorge em português). Atualmente, Joris é compreendido comumente dentro do idioma neerlandês como um primeiro nome masculino equivalente ao Jorge da língua portuguesa. Por isso, algumas linhagens de Joris podem ter identificação com o patronímico de Gregorius, porém é mais provável que seja realmente um patronímico de Georgius
As maiores ocorrências do sobrenome se percebem em Den Haag, Holanda do Sul, e Maasgouw, província de Limburgo.
Variantes: Jorens, Jorissen, Joret, Jorez, Joiret, Joriss, Jouret, Jouretz, Joures, Jores, Jauret, Jure, Jurez, Jorger, Joerger, Jori, Jory, Joary, Juri, Jury, Jorio, Joriot, Jorion, Jurion, Jourion, Jeurissen, Jorisson, Jeursen, Jurrisen, Jore, Joriskes, Jarich (forma particular da frísia).

110. Van Maastricht: sobrenome toponímico que significa procedente de Maastricht. Maastricht é a capital e principal cidade da província de Limburgo, Países Baixos. A maior concentração do sobrenome, que é comum em todo o país, é o município de Werkendam, Brabante do Norte.
Variantes: Maastricht, Van Maastrigt, Maastrigt, Mastrigt, Mestreech.

111. Van Melle (1a. vertente): sobrenome toponímico que significa procedente de Melle. No contexto dos Países Baixos e Bélgica, é mais provável que o sobrenome se relacione ao município de Melle, na província de Flandres Oriental, Bélgica, ou ainda à cidade homônima no estado alemão da Baixa Saxônia. Contudo, também o topônimo nomeia uma comuna francesa do departamento de Deux-Sèvres, uma antiga aldeia no município de Uden, Brabante do Norte, Países Baixos, e uma aldeia na província de Cuneo, na região italiana do Piemonte. Exceptuando o caso da antiga aldeia norte-brabantina, é pouco provável que as linhagens holandesas de Van Melle tenham vinculação com os outros dois locais na França e Itália.
Van Melle (2a. vertente): sobrenome patronímico que significa filho de Melle. Melle é um primeiro nome masculino originário da região da Frísia. A hipótese é que Melle seja uma corruptela, ou do nome germânico Meinolf/Meinholf, ou do nome latino Aemilianus.
O sobrenome aparece com mais destaque em Amsterdam, Holanda do Norte.
Variantes: Melle, Vamelle.

112. Nachtegaal: sobrenome metanímico que significa rouxinol (Luscinia megarhyncos). É próprio e originário da região de Flandres, todavia o sobrenome e suas variações se espalharam em toda a região do Benelux e seus arredores. O significado idiossincrático do sobrenome seria usado para denominar aquele que é bom cantor ou aquele que tem voz agradável. Porém, ainda se admite que o sobrenome possa ter nascido também em outros contextos, seja para designar aquele que é agradável, simpático, ou ainda uma referência ao tamanho diminuto do pássaro. Igualmente, não se pode ignorar que, em alguns casos, ele pode ter tido sua origem como toponímico.
A maior ocorrência do sobrenome se verifica nas regiões de Flandres, na Bélgica, e Brabante do Norte, Países Baixos.
Variantes: Nachtegale, Nachtegaele, Nachtegael, Nachtegals, Nachtegall, Nachtergael, Nachtergaele, Nachtergale, Nachtergaale, Nachtergal, Nagtegaal, Nagtegaels, Nagtegals, Van Nachtegaal, Van Nachtegael, Nacktergael, Van Nacktergaal, Van Nacktergael, Nogtergael, Nactergael, Nachthergael, Nactergal, Nactergaal, Naectergael, Nestergal, Achtergael, Achtergaele, Achtergael, Achtergal, Van Achtergal, Van Achtergaal, Agtergael, Actergal, Achtergalle, Hactergal.

113. Namur: sobrenome toponímico que significa procedente de Namur. Namur é uma cidade e uma província da região da Valônia, Bélgica. O sobrenome é mais comum justamente nesta região, mas com ocorrências significativas também nas províncias flamengas e no sul e sudeste dos Países Baixos.
Variantes: Van Namur, Vanamur, De Namur, Denamur.

114. Utrecht: sobrenome toponímico que significa procedente de Utrecht. Utrecht é uma importante cidade dos Países Baixos, capital da província homônima.
As maiores aglomerações do sobrenome estão em Menterwolde, Delfzijl e Appingedam, província de Groningen, Países Baixos.
Variantes: Van Utrecht, Utrech, Utres, D'Utrecht, D'Utra, Utra, Utre, D'Utre.

115. Nuninga: sobrenome toponímico relacionado a dois locais na Alemanha atual: à aldeia de Nüninghoff, Frísia Oriental; à aldeia de Nünning, próximo a Hannover.
A maior concentração do sobrenome está em Groningen, província de Groningen.
Variantes: Nuininga, Nuinenga, Nunnink.

116. Van der Hoeven: sobrenome toponímico que significa procedente de Hoeven. Hoeven é um nome de lugar que se repete sete vezes entre Bélgica e Países Baixos, mormente empregado como nome de aldeia, e que significa cascos (de animal).
É um sobrenome com ocorrência muito significativa em toda a área oeste dos Países Baixos.
Variantes: Vanderhoeven, Hoeven, Hoven.

117. Karsgaard: sobrenome de origem escocesa encontrado desde o século XV nos Países Baixos. Na verdade, é uma adaptação linguística local para a alcunha original da família nobre que era Cars Gard. Membros da família se estabeleceram em diversos pontos da Holanda do Sul e da região de Flandres devido a uma imigração (não conseguimos encontrar o motivo. 

118. Van Laer: sobrenome toponímico que significa procedente de Laer. Laer ou Laar é um município no distrito de Steinfurt, Renânia do Norte-Westfália, Alemanha. O sobrenome surge na região dos Países Baixos em 1434, com Henric Van den Laer, cavaleiro que recebe o titulo de barão na região de Overissel. 
Atualmente, as maiores concentrações do sobrenome estão em Amsterdam, Holanda do Norte, e Nederweert, província de Limburgo.
Variantes: Laer, Vanlaer, Van Laar, Laar, De Laer, De Laar, Van den Laar, Van den Laer.

119. Marum: sobrenome toponímico que significa procedente de Marum. Marum é um município da província de Groningen, Países Baixos. A ocorrência mais destacada deste sobrenome está em Almere, Flevolândia. 
Variantes: Moarem, Mearum.

120. Naaktgeboren: sobrenome metanímico que significa aquele que nasceu após a morte de seu pai. A maior ocorrência deste sobrenome se dá em Binnenmaas, Holanda do Sul.
Variantes: Posthumus, Naborn, Aagenborn, Radenborg, Welboren.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Jimbo - o dinheiro não-metálico do Brasil do século XVII

"Há também alusões a unidades monetárias não-metálicas, como no poema em que satiriza um 'clérigo zote', ou seja, um padre imbecil, cujo comportamento é assim descrito:

Ambicioso, avarento,
das próprias negras amigo
só por fazer a gaudere,
o que aos outros custa jimbo.

'Fazer a gaudere' significava fazer por gosto. Quanto a jimbo, o leitor já terá intuído, quer dizer dinheiro. Mas não um tipo comum de dinheiro: jimbo, também chamado de zimbo, é uma pequena concha usada na época como moeda no Congo e em Angola que os escravos, ao chegarem ao Brasil, encontraram no litoral da Bahia, o que lhes permitiu manter a tradição. Não era considerada tão boa quanto a africana, mas servia. 'No zimbo de primeira qualidade, catado na ilha de Luanda, os traficantes tiravam um lucro de 600%, enquanto o zimbo baiano, reputado inferior pelos nativos, rendia 200% por arroba', escreve o historiador Luiz Felipe de Alencastro, no livro O Trato dos Viventes - Formação do Brasil no Atlântico Sul. Ao lado da mandioca e da cachaça, então chamada jeritiba - os principais produtos brasileiros de escambo - , o jimbo teve grande impacto 'na amarração da bipolaridade entre as duas colônias do Atlântico', diz Alencastro.

Para a história da moeda, mais relevante é notar que o jimbo brasileiro influenciou os dois sistemas monetários: no Brasil, mitigou os efeitos da escassez de moedas de metal: na África, para onde era exportado, provocou inflação. O jimbo brasileiro cruzava o oceano nos mesmos navios que traziam os negros e lá, na África Central, era largamente aceito no comércio, o que, além de azeitar o tráfico de escravos, quebrava o monopólio do rei do Congo sobre a moeda-concha. O excesso de oferta depreciou o dinheiro africano, demonstrando mais uma vez a aplicabilidade da teoria quantitativa da moeda. A desvalorização do jimbo de Angola em relação ao mil-réis foi de quatro quintos durante a segunda década do século 17, segundo dado citado por Alencastro. No Congo, a pressão também foi sentida, o que levou o rei a adotar uma política anti-inflacionária que consistia, basicamente, em proibir a importação do zimbo brasileiro."

Fonte: PILAGALLO, Oscar. A aventura do dinheiro: uma crônica da história milenar da moeda. São Paulo: Publifolha, 2009, p. 136-137.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Epaminondas Piratinino de Almeida


Da Opinião Pública

"Era filho de egrégio farroupilha, Ministro da Fazenda da República de 35 - Domingos José de Almeida - cujo nome, perpetuado no bronze em Pelotas, soube sempre honrar, continuando a obra sagrada de seu pai. Por ocasião de seu sentido falecimento, nesta cidade (nota nossa: Pelotas), a 5 de dezembro de 1899, foram dedicadas ao Dr. Piratinino, as seguintes palavras que completam as referências do presente ensaio, feitas à sua ação precursora no liberalismo rio-grandense e na emancipação dos escravos:

'Advogado de vasto talento e honestidade, se ilustrara desde a academia, onde deixou louros imarcescíveis e exemplos pouco comuns de aplicação e amor ao estudo, que deviam torná-lo grande e admirado. E quando a República, por fim, estendeu sôbre o Brasil o seu amplo manto protetor, quem a ela mais serviços prestou, quem a ela mais amor votou! Chefe de um valor extraordinário, levou sua abnegação ao ponto de jamais aceitar posições sedutoras, que lhe eram oferecidas largamente e a que muitos fortes se entregaram. Êle trabalhava, infatigável obreiro da grande obra, e se recolhia modestamente com a consciência tranqüila do dever cumprido. 

Chefe de polícia, Intendente, Desembargador, Vice-Presidente do Estado, General honorário, Deputado, Senador, tudo lhe ofereceram e nada êle aceitou. Quem há tão abnegado e tão modesto? Um dia os amigos, que se contam aos milhares, o elegeram a contragosto Deputado Federal. Nem assim quis abandonar o lar querido e não foi ao Congresso. Só por compreender a necessidade da ocasião, logo após o advento da República, ocupara o cargo de Delegado de Polícia, e os serviços que então prestou à sua querida cidade, aí estão na memória de todos os que conservam a lembrança de sua cordura e inimitável correção. Que outros elogios se poderão tecer a um homem que tomba, depois da citação de tais e tão raras provas de desprendimento?"

terça-feira, 27 de março de 2018

Sobrenomes holandeses - Parte 05


81. Corver: sobrenome metanímico que significa cesteiro, fabricante de cestas. É um sobrenome aglutinado principalmente em Amsterdam, Holanda do Norte, Den Haag, Holanda do Sul, e Rotterdam, Holanda do Sul.
Em Amsterdam se verifica a família CORVER HOOFT cujo nome composto indica sua origem nobre. Desde 1854, a linhagem de CORVER HOOFT é especialmente distinta das demais linhagens do sobrenome Corver.
Variantes: Korver, Korvers, Corvers.

82. Coster: sobrenome metanímico que significa sacristão, se derivado do contexto eclesiástico, ou simplesmente escriturário, escrivão, se derivado do contexto civil. É particularmente muito forte em Staphorst, província de Overissel.
Variantes: Costers, Koster, Kosters, Costerus, De Coster.

83. Cramer: sobrenome metanímico que significa comerciante, vendedor. Ocorre com frequência tanto nos Países Baixos quanto na Bélgica, porém a sua maior acumulação em dados absolutos está em Amsterdam, Holanda do Norte.
Variantes: Cramers, Kramer, Kramers, Cramerus, Craamer, Kraamer.

84. Curfs: sobrenome que significa curvas. Pode estar relacionado a um topônimo que indica uma característica geográfica, bem como esta associado a algum ofício profissional, ou mesmo a um aspecto comportamental ou ligado à aparência corporal. Pode ainda ser um variação dialetal de Corver.
É próprio e centralizado na região da Zelândia, mas também em Limburgo e no norte da Bélgica.
Variantes: Curf, Curff, Curffs, Kurver, Kurvers, Curver, Curvers, Corvers, Kurfs, Kurfers, Kurffs, Corffs, Corff, Ceurfs.

85. Hoedt: sobrenome metanímico que significa chapéu, cobertura de cabeça. Pode se referir tanto à profissão de chapeleiro, quanto denotar a ocupação de guarda, sentinela, soldado. Nos Países Baixos, as maiores ocorrências se dão em Amsterdam e Heerhugowaard, ambos na Holanda do Norte.
Variantes: Hoed, Hoet, De Hoedt, De Hoed, De Hoet, D'Hoedt, D'Hoet, D'Hoed, Den Hoedt, Ten Hoedt.

86. De Hondt: sobrenome toponímico que se refere à região do estuário de Werterschelde na província holandesa da Zelândia. O estuário recebe a denominação de D'Onte no dialeto zelândes e também se documenta o vocábulo já obsoleto Honte para a mesma região. A região engloba os municípios de Bath, Hansweert, Hoedekenskerke, Terneuzen, Borssele, Breskens e Vlissingen.
A maior ocorrência se verifica em Vlissingen, Zelândia, e Tilburg, Brabante do Norte.
Variantes: De Hond, De Hont, D'Hond, D'Hont, De Hond, Dhondt, Den Hondt, Den Hont, Den Honte, Donte, D'Onte, D'Honte, Heidezee, De Honte.

87. Daams: sobrenome patronímico que significa filho de Adaams (Adão em português). Suas aglomerações mais significativas estão em Eindhoven e Valkenswaard, no Brabante do Norte, Arnhem e Duiven, na Guéldria.
Variantes: Damen, Daems, Ladies, Dams, Adaams.

88. Dal: sobrenome toponímico que significa vale. Indica o lugar de habitação de alguém. Sua maior aglomeração encontra-se em Nijmegen, na Guéldria.
Variantes: Dahl, Van Dal, Van Dahl, Dalman, Daelman, Daeleman, Daelemans, Daal, Van Daal, Ten Dale, Dale, Daele, Van Daele.

89. De Doncker: sobrenome metanímico que significa aquele que tem cabelos escuros. É um sobrenome de origem flamenga, com provável nascimento em torno da região de Grimbergen, Brabante Flamengo, Bélgica. A maior parte das pessoas com este sobrenome são encontradas justamente em Grimbergen, Gooik e Antuérpia, Bélgica. Nos Países Baixos, a forma mais comum é Dendonker, localizada principalmente em Rotterdam, Holanda do sul.
Variantes: Dedoncker, Dendocker, Den Docker, Dendonker, De Donckere, Den Donker, Doncker.

90. De Kwaadsteniet: sobrenome metanímico que significa maldito, pessoa ruim. Está principalmente concentrado em Maasgouw, província de Limburgo, Países Baixos.
Variantes: Kwaasteniet, De Kwaasteniet, Kwaadsteniet.

91. De Pree: sobrenome com duas acepções possíveis:
1. De um vocábulo da Valônia para pradaria, campo, designando um guarda de campos ou bosques (antigo ofício medieval comum da região). Todavia, pode também ter uma origem toponímica simples, em suma: aquele que é procedente da pradaria.
2. Do termo obsoleto praat que corresponde a falador, perguntador, tagarela.
A maior concentração do sobrenome é vista em Rotterdam, Holanda do Sul, e na região da Valônia, Bélgica.
Variantes: Depree, Du Pré, De Pre, Depre, De Prez, Deprez, Depreez, De Preez.

92. De Saeger: sobrenome metanímico que significa serrador ou lenhador. Provém do termo do holandês medieval saeghe que significa serra. Trata-se de um sobrenome comum em toda a região dos Países Baixos.
Variantes: De Saegher, Desaeger, Desaegher, Desaegere, Desaeghere, De Sager, Desager, De Saegre, Saeger, Saegers, De Sahgre, De Sagre, Sagre, De Saver, Saver, De Zaeger, Zaeger, Dezaeger, De Zaegher, Dezaegher, Zager, Zagers, Zaag.

93. De Smedt: sobrenome metanímico que significa ferreiro. As maiores ocorrências deste sobrenome se acham em Amsterdam, Holanda do Norte, Rotterdam, Holanda do Sul, Hardenberg, província de Overissel, e Veldhoven, Brabante do Norte.
Variantes: Des Smedt, Des Smidt, De Smid, De Smidt, Desmedt, Desmidt, Desmid, Desmit, De Smit, De Smedth, Desmeth, De Smette, Desmette, De Smets, Desmets, Desmedt, Smedt, Smidt, Smit, Smeedt, De Smeedt, De Smeed, De Smeet, Smeed, Smeet.

94. Derk: sobrenome patronímico que significa filho de Derk. Derk é a forma regional dos Países Baixos para o nome masculino germânico Diederik (Teodorico em português). Também é um sobrenome que se distribui uniformemente em todo o país, porém atualmente ele é mais usado como primeiro nome.
Variantes: Derksen, Dercksen, Derke, Dercke, Dirk, Dirksen, Dirck, Dircksen, Derks, Dirks.

95. Diependaele: sobrenome toponímico que se refere ao nome de lugar Diependal. Diependal é um lago no centro da província de Drenthe e também uma aldeia no município de Epen, Limburgo. A maior ocorrência do sobrenome se dá no Flandres Oriental, Bélgica, especialmente nos municípios de Herzele e Zottegem. O significado de Diependal é vale profundo.
Variante: Diependale.

96. Diez: sobrenome de origem ibérica que significa filho de Diego. Ocorre tanto nos Países Baixos quanto na Bélgica devido às migrações que aconteceram nos séculos XV e XVI por causa da Inquisição. A maior concentração se observa no Brabante do Norte, Países Baixos, e no Brabante Flamengo, Bélgica.
Variante: Dietz.

97. Dockx: sobrenome patronímico que significa filho de Duco. Duco é um primeiro nome holandês cujo significado é lobo. Contudo, este sobrenome também pode ser um genitivo relacionado ao termo dock (=docas), indicando assim aquele que trabalha ou mora nas docas. A maior aglomeração do sobrenome se encontra em Zundert, Brabante do Norte.
Variantes: Docks, Dockxs, Duco, Ducos, Doeke, Doekes, Doetse, Doedke, Docx, Doco, Docho, Docq, Dokens, Dox, Doek, Doec, Doc, Dockens, Dockers, Docke, Dockes. 

98. Van Dongen: sobrenome toponímico que significa procedente de Dongen. Dongen é um município no Brabante do Norte, Países Baixos. É um sobrenome muito comum e fortemente verificado em Tilburg e Breda, Brabante do Norte.
Variantes: Vandongen, Van Donge, Vandonge, Dongen, Donge, Van Dongeren, Van den Dongen, Van Donghen, Donghen, Dongene, Donghene, Van Donghene.

99. Van Dort: sobrenome toponímico que significa aproximadamente aquele que vive na periferia ou aquele que vive extra-muros, isto é, fora dos limites de um burgo ou cidade. As maiores ocorrências do sobrenome estão em Amsterdam, Holanda do Norte, Utrecht, província de Utrecht, e Bergen op Zoom, Brabante do Norte.
Variantes: Dort, Vandort, Van Dorth, Dorth, Doort, Van Doort, Dorts, Van Dor, Dorthu, Dortho, Van Dordrecht, Dortmans, Dortman.

100. Ebels: sobrenome patronímico que significa filho de Ebel. Ebel é uma variante dialetal dos Países Baixos do nome masculino Abel, bem como pode ainda ser aliteração dos nomes Abelhard, Eberhardt, Albert, Adalbert, Egbert ou Ebert. 
O sobrenome está concentrado em Groningen, província de Groningen.
Variantes: Ebel, Ebeles, Ebele, Abels, Ebell, Ebens, Hebels, Hebel, Ebeling, Ebling.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Sobrenomes holandeses - Parte 04


61. Berkhof: sobrenome que pode ter origem em um nome de casa, isto é, tal como era costume na Idade Média, servia para denominar um endereço num burgo não por um número (como fazemos hodiernamente), mas por uma alcunha. No caso, o significado seria casa da bétula (gênero Betula), derivando da aglutinação dos termos birk (bétula) e hof (casa, herdade). Porém, como este sobrenome é comum tanto aos Países Baixos quanto à região da atual Alemanha, ele pode ser igualmente uma aglutinação dos termos berg (montanha) e hof (casa, herdade), denominando assim casa na montanha ou casa sobre a montanha.
O sobrenome ocorre mais frequentemente em Barneveld, Guéldria, Twenterand, província de Overijssel, e Rotterdam, Holanda do Sul.
Variantes: Berkhoff, Berkhove, Berkhoven, Van den Berkhof, Barkhof, Berghof, Berghoff, Berghöfer, Berkhofer, Berkhofen, Berchove, Berchoven.

62. Bertels: sobrenome patronímico que é uma forma curta de filho de Barthlomeus (Bartolomeu em português). Serve, entretanto, salientar, que esta vertente aparece nos Países Baixos, mas também é percebida em outras regiões da Europa. O que queremos dizer é que é um sobrenome poligenético (isto é, com origens múltiplas, em diferentes regiões e diferentes línguas e dialetos, que acabam por convergir para um homônimo). 
Também pode-se apontar que seja uma forma curta do nome alemão Bertoldt.
As maiores concentrações do sobrenome estão em Amsterdam, Holanda do Norte, Ouder-Amstel, Holanda do Norte, Utrecht, província de Utrecht, e Geldermalsen, Guéldria.
Variantes: Bertel, Bartel, Bartels, Bartelse, Bertelse, Bartl, Bartle, Barthel, Berthel, Barthels, Berthels, Bertelsen, Bertelson, Bert, Berth, Berthelsen, Bortel, Bortels, Bertelmann, Bertelsmann, Bertelink, Bertele, Bertelen, Bertelle, Bertellen, Bertelens, Bertulens, Borteel, Borteele, Bortele, Bourteele, Bartelen, Bartelse, Barthe, Barth.

63. Bervoets: sobrenome metanímico que significa aquele que anda descalço. Pode ser uma metáfora para alguém pobre, despossuído.
Concentra-se principalmente em Breda, Brabante do Norte e Cromstrijen, Holanda do Sul.
Variantes: Bervoet, Barvoets, Barvoet, Bervaes, Bervods, Bervot, Bervots, Baervoets, Bervoed, Bervoeds.

64. Bierenbroodspot: sobrenome metanímico que tem origem num tipo de refeição comum na Holanda e na Bélgica no século XVII. Em tradução livre, podemos dizer que o sobrenome significa pote ou panela de pão de cerveja. Explicando: juntava-se cerveja aquecida e farelo de pão de centeio numa preparação em pote de barro. Esta mistura servia como ração básica do povo pobre da região. Por isso, admite-se que esta alcunha passou a denominar tanto o cozinheiro que preparava tal receita, quanto os carregadores de potes desta mistura que faziam a entrega da mesma.
A propósito, em outras regiões da Europa, este tipo de "sopa" (farelo de pão e cerveja) era comum e variava conforme as especificidades de cada local.
O sobrenome concentra-se especialmente em Amsterdam, Holanda do Norte, e Almere, Flevolândia.
Variantes: Moespot, Hutspot.

65. Bijl: sobrenome metanímico que significa machado. Pode tanto se referir ao ofício profissional de lenhador, bem como a um guerreiro que usa um machado, ou ainda um ferreiro que fabrica machados.
É um sobrenome muito comum na Holanda e norte da Bélgica. A maior concentração se dá em Korendijk, Holanda do Sul.
Variantes: Bijlman, Bijlsma, Byjlsma, Bijil, Bijlmaker, Bijlmaker, Beijl, Beyjl, Byl, Byll, Byle, Bylle, Van de Bijl, Van der Bijl, Beyls, Byls, Bijls.

66. Bommel: sobrenome metanímico que significa pomar. Pode genericamente designar um fruticultor, todavia é mais provável que denomine um antigo cargo medieval que era o oficial responsável pelo cultivo do pomar. Nos Países Baixos, era comum na área externa dos castelos o cultivo de pomares pertencentes a um nobre, em que mormente eram plantadas macieiras, pereiras e cerejeiras azedas.
O sobrenome encontra-se mais intensamente em Zaanstad, Holanda do Norte.
Variantes: Van Bommel, Bomel, Bomele, Boemele, Bommelaer, Bommelaere, Bommele, Bommelee, Bommelyn.

67. Boon: sobrenome patronímico dos nomes próprios Boon ou Bone, estes por sua vez formas sincopadas dos nomes masculinos Baudoin (Balduíno em português), Boudinsz (sem equivalente imediato em português), Bonarius, Boonhard ou Bonhard (aproximadamente o nome raro Bonário, hoje em completo desuso) ou ainda Bonefaas ou Bonefacius (Bonifácio em português). Todavia, o sobrenome pode também se referir a feijão, no caso dos Países Baixos, o feijão-verde (Phaseolus vulgaris), indicando assim um fazendeiro ou hortelão de feijões, ou ainda, genericamente a qualquer grão aproximado como lentilha, grão-de-bico ou ervilha-pombo. Metaforicamente, Boon pode significar alguém que é pequeno como um feijão. Por último, admite-se que o sobrenome possa ser igualmente um toponímico relacionado à aldeia de Oldeboorn, município de Heerenveen, Frísia.
O sobrenome concentra-se em Amsterdam e Zaanstad, Holanda do Norte, e Den Haag, Holanda do Sul.
Variantes: Boone, Bon, Boonman.

68. Bos: sobrenome que pode ser tanto um patronímico do nome masculino Bos, quanto significar bosque, floresta, denotando assim um morador de uma área com estas características.
A maior concentração do sobrenome encontra-se em Bunschoten, província de Utrecht, Holanda, e em Zonhoven, Limburgo, Bélgica.
Variantes: Bosman, Bosma, Bosch, Boss, Bosz, Buss.

69. Van den Bosch: sobrenome metanímico que significa aquele que é procedente do bosque, floresta, área silvestre, isto é, um seu habitante. 
O sobrenome está concentrado em Amsterdam, Holanda do Norte, Holanda, e na província de Limburgo, Bélgica.
Van den Bosch também é uma família nobre holandesa com origem em Utrecht, no ano de 1701.
Variantes: Vandenbosch, Vandebosch, Vanden Bosch, Vanderbosch, Van de Bosch, Van Denbosch, Van den Bos, Vandenbos, Vanden Bos, Ten Bosch, Tenbosch, Den Bosch, Denbosch, Hylocomius (versão latinizada).

70. Brandes: sobrenome de origem germânica relacionado ao termo brandt, comum na região dos Países Baixos. Pode ser um patronímico curto do nome próprio Hildebrandt (Hildebrando em português), bem como um metanímico relacionado a um profissional que trabalha com fogo (ferreiro, lufador, etc.), como ainda uma forma para designar ganso-bravo (Anser anser), conferindo assim uma metáfora para alguém de personalidade irascível, pouco sociável ou espalhafatosa como o animal.
O sobrenome é encontrado principalmente em Harlingen, Frísia; Almelo, província de Overissel; Valkenswaard, Brabante do Norte; Terneuzen e Middelburg, Zelândia; e Amsterdam, Holanda do Norte.
Variantes: Brands, Brandeis, Brender, Brandis.

71. Broekhoven: sobrenome toponímico que se refere a Broekhoven - nome de lugar que se verifica quatro vezes nos Países Baixos: uma aldeia no município de Bergeijk, Brabante do Norte; o lago de Put van Broekhoven, Holanda do Sul; um bairro da cidade de Tilburg, Brabante do Norte; uma aldeia no município de Meersen, Limburgo.
Broekhoven significa terras do riacho.
As maiores concentrações do sobrenome estão em Terneuzen, Zelândia, e Dongen e Oosterhout, no Brabante do Norte.
Variantes: Van Broekhoven, Broeckhoven, Van Broeckhoven, Broeckhoven, Broekhof, Breukhoven.

72. Brongers: sobrenome patronímico que significa filho de Bronger. Bronger é um nome de origem germânica resultado da aglutinação dos termos brunja (=armadura de peito) e ger (=lança). Também pode ser um toponímico relacionado à aldeia de Bronneger, município de Borger-Oodorn, província de Drenthe.
A maior ocorrência do sobrenome se localiza em Emmen, província de Drenthe.
Variantes: Bronger, Brongersma, Bronckers.

73. De Bruyn: sobrenome metanímico que significa castanho, amarronzado. É uma referência à cor dos cabelos, mas, em raros casos, pode ser uma denominação utilizada para indicar a tez da pele.
Há grandes concentrações deste sobrenome em Amsterdam, Holanda do Norte; Den Haag, Holanda do Sul; Rotterdam, Holanda do Sul; todavia, a alcunha aparece em todo o país de forma marcante, sendo apenas um pouco mais escasso no norte-nordeste. Na Bélgica, ele também é um sobrenome muito comum em Flandres, Flandres Oriental e no Brabante Flamengo.
Variantes: De Bruijn, De Bruyjn, De Bruin, De Bruijne, De Bruyjne, Debruijn, Debruyn, De Bruyne.

74. Cautaerts: sobrenome de uma antiga família valona de origem francesa que tem sua origem no nobre francês Jakemin de Coutard ou de Coutereau que teria emigrado para a área da atual Bélgica em torno do fim do século XIV. Há três significados possíveis para o significado deste sobrenome:
1. Uma derivação do termo francês cotte que significa saia masculina ou brasão.
2. Uma derivação do termo francês couter que corresponde a cultura, campo cultivado.
3. Um toponímico relacionado ao município de Cauterets, departamento dos Altos Pirineus, região da Occitânia, França.
O nome está principalmente distribuído em Nivelles, Brabante Valão; a região de Pajottenland, Brabante Flamengo; Eupen, província de Liège, região da Valônia; todos estes lugares na Bélgica.

75. Celis: sobrenome de origem espanhola encontrado tanto na Bélgica quanto nos Países Baixos com alguma importância devido às migrações provocadas pela Inquisição nos séculos XVI e XVII. O sobrenome é um patronímico do nome masculino Marcelis (Marcelo em português).
Sua concentração se dá principalmente nas províncias flamengas de Antuérpia, Brabante Flamengo e Limburgo, na Bélgica; e em Amsterdam, na Holanda do Norte, Utrecht, na província de Utrecht, Den Haag e Westland,  na Holanda do Sul, Doetinchem, na Guéldria, Tillburg, Eindhoven, Eersel, Veldhoven, todos no Brabante do Norte, e Meerssen, Stein, Sittard-Geelen, Maastricht, em Limburgo - sendo todas estas localidades dos Países Baixos.
Variantes: Celissen, Celi, Selis.

76. Claes: sobrenome patronímico que significa filho de Klaas (Nicolau em português). Encontra-se especialmente em Cranendock, Eindhoven, Bergeijk, Valkenswaard, todos no Brabante do Norte.
Variantes: Claas, Claessen, Claus, Claeijs, Claeyjs, Rooclaes, Klaes, Claessens, Klaessen, Klaessens.

77. Clemens: sobrenome patronímico que significa filho de Clement (Clemente em português). As maiores concentrações são percebidas em Haarlemmermeer, Holanda do Norte, e Gilze en Rijen, Brabante do Norte, ambos nos Países Baixos; na Bélgica, a maior ocorrência se dá na província de Limburgo.
Variantes: Clement, Klemens, Klement, Klemens.

78. Cleymans: sobrenome que compreende quatro interpretações possíveis a seguir:
1. Relacionado ao vocábulo neerlandês cleye que corresponde a argila, denotando assim aquele que vive num lugar de solo argiloso.
2. Uma variante do patronímico de Clement (Clemente em português).
3. Uma denominação para uma pessoa de estatura pequena.
4. Uma aliteração de um patronímico de Klaas (Nicolau em português).
As maiores aglomerações deste sobrenome são percebidas sobretudo na Bélgica: Londerzeel, Brabante Flamengo, na região de Noorderkempen, e Rijkevorsel, província de Antuérpia, região de Flandres. Nos Países Baixos, é um sobrenome encontrado irregularmente, porém com leve convergência na região de Amsterdam, Holanda do Norte.
Variantes: Cleyman, Clymans, Clyman, Clijmans, Clijman.

79. Coccejus: sobrenome que trata-se de uma adaptação latina do sobrenome inglês Cock, cujo significado é galo (Gallus gallus domesticus). No caso, vale frisar que a vertente holandesa é única e tem origem no século XVI. Sua principal concentração é observada em Leiden, Holanda do Sul, aliás, lugar que se percebe os mais antigos membros da família.
Variantes: Cocceius, Coccius.

80. Cornelis: sobrenome patronímico que significa filho de Cornelis (Cornélio em português). Os maiores agrupamentos deste sobrenome são vistos em Noordoostpolden, Flevolândia, Sluis, Zelândia, e Rotterdam, Holanda do Sul.
Variantes: Corneel, Cor, Corne, Kees, Cees, Nelis, Cornelius, Kornelis, Cornelissens, Cornelissen. 







domingo, 25 de março de 2018

Baronesa do Sobral - "Sinhá Costinha"


Por Fernando Osório

"Maria Francisca da Costa Rodrigues da Silva, espírito de elite, primorosamente cultivado, era chamada carinhosamente Sinhá Costinha, na intimidade da família, como no reconhecimento e admiração de quantos veneravam, pelo altruístico caráter, tão distinta pelotense. 

Em sua honra, disse a Revista Azul, folha literária de Lisboa: 'É uma das mais notáveis figuras da sociedade aristocrática pelotense. Uma das mais notáveis artistas amadoras do Brasil. Quer manejando o pincel sôbre a tela, quer correndo os finos e aristocráticos dedos sôbre o teclado de um piano, quer reproduzindo na escala cromática as mais brilhantes composições musicais, a Baronesa do Sobral evidencia os mais subidos dotes naturais, assim como a paixão aprimorada pela arte, realçados com uma não vulgar e superior beleza. Compreende-se, escutando a versão bíblica, que Deus empregou todos os recursos da sua onipotência divina, na criação da mulher, em quem reuniu os perfumes das flores, o cântico das aves e o lume dos astros. D. Maria Francisca da Costa Rodrigues da Silva é natural da cidade de Pelotas, filha dos Barões de Arroio Grande, ilustre e nobre família brasileira, e espôsa do Sr. Francisco de Paula Rodrigues da Silva, hábil e inteligente diretor da Companhia de Seguros 'Pelotense', a quem desposou em segundas núpcias. 

Desde muito jovem consagrou-se ao culto da arte, e goza justamente os créditos de exímia pianista e cantora de muito merecimento, possuindo uma das vozes mais deliciosamente timbradas, aprimorada por esmerado estudo. Como pintora, o seu pincel tem condão sôbre-humano. Pelos encantos pessoais, pelo fino espírito, pelo seu estudo e especiais dotes artísticos, a Sra. Baronesa de Sobral faz subida honra ao Brasil, sua Pátria. Faleceu, em Pelotas, a 4 de abril de 1908."

sexta-feira, 23 de março de 2018

Sexta-feira da Paixão na Igreja Santa Tecla

Divulgação.

Cônego Augusto Joaquim de Siqueira Canabarro


Por Fernando Osório

"Vigário de Pelotas. - Preclaro cidadão e venerando sacerdote, pároco querido de Pelotas, amigo extremoso desta cidade, que relembra, com gratidão enternecida, a sua dupla missão cívica e religiosa; nasceu em Taquari, aos 15 de abril de 1843, primogênito do Dr. Antonio José Leal de Siqueira e de D. Vicencia Maria de Jesus Siqueira. Aí fez ele os primeiros estudos, transferindo-se depois para o Seminário Episcopal de Porto Alegre. Antevia-se já a esteira luminosa que ia percorrer o jovem Canabarro que, em 7 de outubro de 1861, embarcava-se para Roma onde chegou a 24 de novembro. 

Altamente honrosa para o Brasil foi sua estada no Colégio Pio Latino-Americano. Bem o comprova científica dissertação em que eram contendores o jovem ariano Rampolla, depois cardeal e secretário genial de Leão XIII, e o moço rio-grandense, que devia ser mais tarde vigário de Pelotas. Ali, em 1863, recebeu o grau de bacharel em Filosofia, e em 29 de julho de 1867 o de doutor em Teologia. Em dezembro de 1866 disse sua primeira missa no sepulcro de S. Pedro. Em 28 de setembro de 1867 o esperançoso levita despedia-se de Roma, aportando, a 26 de novembro, às plagas rio-grandenses. Ao partir da academia célebre, o reitor, reunindo os condiscípulos, vaticinou: 'Vedes partir um apóstolo; não o será unicamente para a Religião; a liberdade e sua pátria registrarão também o seu nome entre os seus diletos defensores'. Lúcida profecia! Toda atividade, aspirações - toda a sua vida, Canabarro dedicou à dupla tarefa religiosa e cívica.

Primeiramente pároco da Vila de Gravataí, depois de Uruguaiana e após de Pelotas, coube-lhe pronunciar o discurso inaugural do Colégio Conceição em S. Leopoldo. Pelotas, desde 25 de dezembro de 1873, deveu-lhe grandes momentos, ao crente e ao patriota, aureolado, pela aura popular, como herói da redenção do escravo nesta cidade. Privando com prelados ilustres a que tinha direito mais prezando a honraria de ser pároco de Pelotas que nele venerava um de seus principais ornamentos. Em oração fúnebre eloquente que recitou nas exéquias, em Porto Alegre, de D. Sebastião Laranjeira, disse o Vigário Canabarro: '...Não é a nobreza do sangue nem são as riquezas o que eleva o homem acima de seu semelhante, e sim a virtude e o talento'. Aplicam-se lhe estas palavras.

Era da têmpera dos fortes, austero nos deveres sagrados, coração nobre e generoso, e impertérrito nos deveres cívicos. Di-lo a campanha abolicionista, onde ameaças de morte não o demoveram da missão que se impôs do resgate de seus irmãos cativos, no meio social e na tribuna sagrada! Nunca estremeceu para confessar a sua fé cristã ou política!

Tombou aos 47 anos, o preclaro cidadão e sacerdote, a 8 de dezembro de 1890, de uma comoção, em fatal noite, a bordo de um navio, a cuja amurada ele se precipitou, duas horas antes de sucumbir e febrilmente recuou pedindo a um amigo que o recolhesse à câmara, para responder, passado o acesso: 'Desesperado pela sufocação quis lançar-me na água, mas lembrei-me que era padre e recuei espavorido do suicídio!'

Em vida, conseguiu o Dr. Canabarro, como diz um biógrafo, salvar os seus deveres profissionais, sem comprometer outros igualmente possantes, capazes de os obscurecer ou entibiar em ânimos menos resolutos do que o do saudoso vigário de Pelotas."

quinta-feira, 22 de março de 2018

A Primeira Ferrovia Brasileira


"Deve-se ao Visconde de Mauá (Irineu Evangelista de Sousa) a fundação da primeira estrada de ferro no Brasil, por ele inaugurada em 30 de abril de 1854. Ligava o Rio de Janeiro a Petrópolis, numa extensão de pouco mais de 14 quilômetros e chamou-se Estrada de Ferro do Príncipe do Grão-Pará. Dela surgiu em 1858 a Estrada de Ferro D. Pedro II (atual Estrada de Ferro Central do Brasil). Os passageiros, saindo do cais do Rio de Janeiro, iam de barca até o porto de Mauá, no fundo da Baía de Guanabara. Daí partiam os trens da Pedro II, que subiam a Serra da Estrela até Petrópolis. Atualmente o Brasil ocupa, nas Américas, o quarto lugar em quilometragem de estradas de ferro: ocupam o primeiro lugar os Estados Unidos, seguidos do Canadá e Argentina."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...