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sábado, 12 de outubro de 2024

Gado Bagual



Como na maior parte das regiões de população escassa e abundantes pastagens naturais, a criação de gado em Mato Grosso é quase que totalmente extensiva.

Os campos são enormes e nem sempre limpos. Há zonas de cerrado e cerradão onde, com a falta de costeiro, o gado torna-se arisco, ligeiro, e por fim bagual ou alçado.

Bagual é o nome que se dá ao gado bravio, que já não obedece mais ao homem - não dá rodeio. Cria-se à lei da natureza. O sal, encontra-se nos barreiros. Procuramos nestas linhas descrever uma batida de gado bagual, como é feita "em baixo da serra", região variadíssima, que compreende os contra-fortes e fraldas das serras de Amambahy e dos Baús, até se perderem nos Pantanais. Nesse serviço o peão matogrossense, quase desconhecido, exibe toda a sua perícia de campeiro.

O bagual em lugares onde é perseguido, passa os dia na crôa dos cerradões e nas matas; só sai de noite para beber água e pastar nas cabeceiras. Assim, os bagualeiros escolhem as noites para trabalhar, de preferência as de luar.

A comitiva nesse serviço nunca é muito numerosa. Compõe-se geralmente de cinco a seis peões. O encarregado escolhe um retiro ou faz um rancho para centro de suas operações. O crepúsculo é a hora de sair para o campo, seguindo os peões em fila, o mais prático na frente; vão de cabeceira no passo do matungo, contra o vento e num silêncio quase fúnebre.

Avistam afinal u'a manada que está "branqueando" a cabeceira; param, consultam-se, discutem e deliberam à meia voz o que vão fazer. Aproximam-se agora no passo do animal e alerta sempre. Quando as rezes dão sinal de ter percebido qualquer coisa, levantando alto a cabeça, a peonada dá uma "arrancada dura" para logo alcançá-las. A orilha do cambuaval, impenetrável ao cavalheiro, fica às vezes a menos de 300 metros.

Daí em diante cada um trabalha para si; tem que alcançar a rez que escolheu, ou que estiver a geito, laçando-a e maneando-a, o que não se faz sem agilidade ou presteza. "É moço! Sou índio que sahio em cima de qualquer tucura, orelhano, lasso e, quando ele amontôa no estirão, boleio a perna de cima do arreio, aperto e já tô, maneando". É assim: quando a rez cai no estirão, pulam do pingo, que fica chinchando, e apertam-na antes de ter tempo de levantar. E dizer, seguram o pé que está por cima, ou o rabo passado por uma das pernas. Maneiam agora, amarrando os dois pés de encruzado, os dois pés a uma das mãos, ou ainda um pé ou u'a mão encruzados. Para isso trazem um peador na cintura, amarrado com um nó fácil. Em seguida reunem-se todos no lugar de partida, de onde ajuio o gado. Algum extraviado toca a capoeira para orientar-se. É um som que se produz assoprando com força num vazio feito com as duas mãos. Ouvindo-o os companheiros respondem, dando assim uma direção ao perdido.

Reunidos, amarram as rezes pegadas a qualquer árvore forte mais próxima - é o tambo. A operação chama-se tambear e consiste em amarrar a rez ao pau por meio de um maneador. Dão umas quatro ou cinco voltas de maneador em roda do pescoço ou chifres do bagual e outras tantas em volta do tambo, passando pelas primeiras. As voltas devem estar todas certas. Durante a noite podem dar mais de uma batida e muitos peões não se satisfazem em lassar uma rez só.

De dia uma partida de bois de carros amestrados, vai de lugar em lugar, onde estiverem tambeados os baguais, que são ajojados pelos chifres ao pescoço do boi manso. Costuma-se aparar as aspas dos baguais para que não machuquem seus condutores.

Vão assim, meio contrariados, até a fazenda ou rancho onde são carneados para o consumo ou para fazer charque. O bagual amansa dificilmente.

FREDERICO LANE

Fonte: SEMANA NACIONAL (São Paulo/SP), edição 009, março de 1956, pág. 60.

sábado, 27 de abril de 2019

A Família Italiana


"Nada identifica mais os italianos do que a importância que atribuem à família. Desde o século XIX, observadores notaram, com apreciação negativa ou positiva, a força dos laços familiares na Itália. Claro que famílias desfeitas, ódios e conflitos familiares, traições e ciúmes sempre existiram, mas também havia a concepção de que, apesar dos pesares, a união da família era algo a ser defendido, assim como que nenhum dever era mais caro a uma pessoa do que garantir sua preservação e prosperidade.

As intensas transformações econômicas e sociais vivenciadas pelo povo italiano nas últimas décadas e, em especial, a liberação feminina e o divórcio com certeza modificaram bastante esse quadro. Muitos jovens querem levar uma vida independente, possuem gostos próprios e querem ficar longe dos pais. Indivíduos sozinhos, casais não legalmente casados, divórcios e outros sintomas de mudança tornaram-se relativamente comuns. Não obstante, a família ainda é vista, na cultura italiana, como o centro da vida social e da própria identidade do indivíduo.

As estatísticas de divórcios e filhos nascidos fora do matrimônio confirmam essa maior propensão dos italianos à vida familiar. Em 1994, por exemplo, foram verificadas 24 separações e divórcios para cada cem matrimônios na Itália, enquanto esse número subia para 35 na França e 44 na Grã-Bretanha. No mesmo ano, a porcentagem de filhos nascidos fora do casamento era de apenas 7,3% na Itália, contra 10,5% na Espanha, 15,4% na Alemanha, 32% no Reino Unido e 35% na França.

As famílias também continuam a manter vínculos fortes entre as gerações, com os filhos, inclusive, demorando cada vez mais para deixar as casas dos pais. Na Itália dos anos 80, para quando estatísticas confiáveis estão disponíveis, 90% dos filhos e 65% das filhas entre 20 e 24 anos viviam com os pais, enquanto os números para a França eram 52% e 27%, para a Alemanha 43% e 31% e, para a Grã-Bretanha, 58% e 23%. Os números podem ter se alterado um pouco para os dias de hoje, mas não muito.

À parte fatores práticos, como a falta de empregos para os jovens e o alto valor dos aluguéis, e mudanças culturais, como a maior liberdade em família, que viabilizam a presença mais longa dos jovens na casa paterna, parece evidente que o apego à família também é elemento a ser levado em conta.

Realmente, os italianos tendem a viver em famílias mais 'longas' do que seus vizinhos europeus. Avós, pais e filhos vivem, muitas vezes, na mesma casa ou, no máximo, nas vizinhanças e os contatos cotidianos entre eles são contínuos. Os avós tendem a ajudar os filhos a criar os netos e são cuidados por eles, em especial pelas filhas. Mesmo entre os descendentes de italianos espalhados pelo mundo, esse traço de valorização da família e da proximidade com ela é uma característica cultural ainda bastante forte, como demonstram as pesquisas acadêmicas e a própria experiência cotidiana do sagrado 'almoço dominical em família' dos italianos ou descendentes no Brasil, por exemplo.

Aliás, sem cair no estereótipo, um almoço de família é um bom momento para entender a relação dos italianos com seus parentes. Normalmente, todos falam ao mesmo tempo e os ausentes são analisados e criticados. Quando estes chegam, contudo, sucedem-se as manifestações ostensivas de afeto e alegria, sobretudo em volta da mesa, assim como novas brigas e discussões. Para pessoas acostumadas a esse tipo de relação familiar íntima e quase ritualísticas, os filmes americanos nos quais os membros de uma família, após anos de relação distante, confessam finalmente seus verdadeiros sentimentos uns pelos outros, não fazem o menor sentido.

No que se refere aos papéis masculino e feminino, os homens italianos, como em quase todo o mundo, têm enfrentado dificuldades para se adaptar aos novos tempos e aos novos conceitos de paternidade. Os pais autoritários de outrora, contudo, praticamente desapareceram. Já o papel das mulheres na família italiana continua bastante próximo do padrão tradicional, ao menos campo teórico.

Um dos elementos culturais chave da família italiana é de fato a figura da mamma, superprotetora, e até mesmo controladora, especialmente no que se refere aos filhos homens. Apesar de o homem ser considerado o chefe da família, é a mulher, e a mãe, o seu centro, em redor de quem giram o marido, as filhas e, em particular, os filhos. Na verdade, a maior parte das culturas identifica a família como um ambiente matriarcal, mas a cultura italiana tradicional tende, por princípio, a levar esse traço ao limite.

Confirmações dessa característica da cultura italiana podem vir de várias fontes. Que outro povo apela para a mãe em momentos de aflição? Será que os alemães gritam Mutter diante de uma emergência, uma aflição ou um perigo? Já os italianos apelam sempre à mamma mia, enquanto uma das expressões mais comuns da língua italian é Madonna! (Nossa Senhora!), símbolo universal da mãe que sofre e se sacrifica pelo filho.

É realmente interessante observar como esse aspecto da cultura italiana é tão forte que tem resistido até mesmo às imensas transformações da vida na Itália nas últimas décadas. Mesmo quando a mulher tem apenas um filho e o deixa com os avós para poder trabalhar, ela ainda é a mamma, figura sempre presente, a vigiar os filhos, protegendo-os e sufocando-os com atenção e carinho. Não espanta, assim, que a língua italiana tenha um termo específico para identificar esse tipo de relação com os filhos - o mammismo - que causa admiração e espanto entre os 46 observadores estrangeiros.

Pesquisadores tentando compreender esse traço cultural levaram suas reflexões ao estudo da figura da Virgem Maria, da 'Grande Mãe mediterrânica' e do mito de Édipo, o que talvez seja um exagero. Do mesmo modo, levar uma possível tendência cultural ao terreno dos estereótipos e da uniformidade seria absurdo, pois, com certeza, nem todas as mães italianas são mammas, especialmente na Itália de hoje, pós-movimento de liberação da mulher. No entanto, os dados indicam que os contatos entre mães e filhos, e familiares em geral, continuam a ser mais fortes na Itália do que em outros países europeus.

Em 1994, por exemplo, algumas estatísticas revelavam que um terço dos homens italianos casados viam suas mães todos os dias e outro terço ao menos uma vez por semana. Ao mesmo tempo, a maioria dos homens solteiros acima de 35 anos e boa parte dos divorciados vivia com as mães.

Para um norte-americano típico ou mesmo um francês, a ideia de viver com a mãe após o divórcio ou continuar na casa dos pais após completar 30 ou 40 anos de idade é intolerável e mesmo impensável, em nome da privacidade e da busca de espaço próprio. Já para os italianos e para boa parte dos seus descendentes espalhados pelo mundo, é perfeitamente natural e até mesmo lógico, o que indica como essa valorização dos laços familiares é realmente um traço da cultura italiana.

Tal valorização gera, inclusive, efeitos no mundo político e social mais amplo, nem sempre positivos. Já que a família é a fonte prioritária de lealdade e identidade, tudo é permitido, a princípio, em seu nome. Colocar primos e sobrinhos em cargos de prestígio ou privilegiar empresas de cunhados em uma concorrência pública não é, assim, considerado algo errado, mas apenas uma forma de garantir a prosperidade da família, o que explica a tolerância com essa prática na Itália desde os papas do Renascimento até os políticos da Democracia Cristã no século XX. Também associações criminosas, como a Máfia Italiana, só podem existir tendo base ideológica um solidariedade primária como a família.

Aquela velha família italiana, com o pai autoritário, a mãe aparentemente submissa, mas dona de imenso poder paralelo, e um monte de filhos, todos vivendo em harmonia e de forma solidária, com certeza nunca existiu, a não ser na teoria. Também os laços familiares 'longos' e duradouros, entre sobrinhos, tios, primos e avós, certamente não são tão fortes como chegaram a ser no passado. Mas a instituição familiar, na Itália, é ainda bastante sólida. A família ainda representa algo muito importante na vida dos italianos, o que traz alguns problemas (como a convivência nem sempre agradável, os inevitáveis conflitos entre os parentes), mas, no geral, acaba por torná-la bem mais agradável e suportável do que em outros países, onde impera o individualismo.

A valorização das crianças e dos filhos também é um traço da cultura italiana. Para os latinos, em geral, e para os italianos, em particular, a própria ideia do casamento é indissociável da geração de crianças e a imagem tradicional da família italiana sempre foi a do pai rodeado por uma multidão de filhos, enquanto a mãe está na cozinha, se preparando para alimentar a todos. Os filhos seriam a razão de ser da família e da própria vida e valeriam todos os sacrifícios."

Fonte: BERTONHA, João Fábio. Os italianos. São Paulo: Contexto, 2008, pág. 254-257.

sexta-feira, 8 de março de 2019

1975 - Ano Internacional da Mulher


"O ano de 1975, por iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas), foi considerado o Ano Internacional da Mulher. No Brasil, algumas mulheres já se encontravam de certa maneira organizadas - com muitas dificuldades, é claro. Com a repressão política nas fábricas e nos sindicatos, os bairros populares de periferia transformaram-se em espaços de resistência, estimulados pelas mulheres, que constituíam a própria vida desses bairros.

São elas que geralmente reclamam da falta de escola, do custo de vida, dos salários baixos, das crianças desnutridas. Assim é que nos clubes de mães, enquanto teciam o tricô, elas falavam 'do governo distante do povo'. As mulheres parentes dos presos políticos, com o apoio de advogados, religiosos e estudantes, começaram a dar seus primeiros passos para reivindicar a anistia.

Graças ao desempenho das mulheres, 1975 tornou-se de fato o marco histórico para o avanço das ideias femininas no Brasil. Sob uma ditadura militar, mas com o apoio da ONU, a mulher brasileira passou, então, a ser protagonista de sua própria história, em que a luta por seus direitos específicos se fundia com as questões gerais. Respondia de maneira forte aos anseios da época: de se expressar, de falar, de enfrentar, de agir.

No começo, poucas e tímidas, mais intuitivas do que conscientes, as primeiras mulheres encontravam outras, muito assustadas, que tentavam resistir-lhe ao apelo, mas acabavam cedendo. Encontrando-se e desencontrando-se, as mulheres criaram condições para um feminismo vinculado aos interesses populares, particularmente dos trabalhadores. Antes de 1975, algumas mulheres, pertencentes a universidades e centros de pesquisa, já começavam a estudar a condição feminina sob um prisma feminista. Em 1969, Heleieth Saffioti escrevera o livro A Mulher na Sociedade de Classes: Mito e Realidade, que muito contribuiu para abrir horizontes. Mas é em 1975 que as ideias feministas, de exigir igualdade de direitos e questionar o papel de submissão da mulher, vão começar a ter ressonância junto à opinião pública.

Enquanto as mulheres dos países europeus e norte-americanos viam com desconfiança a iniciativa da ONU, no Brasil ela cai como uma luva: excelente instrumento legal para fazer algo público, fora dos pequenos círculos das ações clandestinas.

Maria Moraes afirma no seu livro Mulheres em Movimento que o Ano Internacional da Mulher constituiu 'um ponto de referência fundamental para a compreensão do movimento de mulheres. A iniciativa da ONU foi particularmente importante para as mulheres brasileiras por ter propiciado um espaço de discussão e organização numa conjuntura política marcada pelo cerceamento das liberdades democráticas'.

O 1o. Encontro de Mulher do Rio de Janeiro, realizado em junho de 1975, composto de debates, festas e outras atividades culturais, deu origem à formação do Centro da Mulher Brasileira.

Em São Paulo, realizou-se, ainda no mesmo ano, em outubro, o Encontro para o Diagnóstico da Mulher Paulista, patrocinado pelo Centro de Informação da ONU e pela Cúria Metropolitana. Desse encontro, nasceu o Centro de Desenvolvimento da Mulher Brasileira."

Fonte: TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 2003, pág. 84-86

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A mentalidade territorial gaúcha


Fonte: VIANNA, Oliveira. Populações meridionais do Brasil. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2005, p. 349-350

"Pela fatalidade da sua posição geográfica, as populações pastorais, que constituem o grupo do extremo-sul, estão expostas à eventualidade das invasões estrangeiras.

Elas têm por base geográfica um largo trecho de terra inteiramente desabrigado. Contra as incursões dos forasteiros, não há ali o menor empeço de fronteiras isoladoras. Nem grandes florestas. Nem vastos pantanais intransponíveis. Nem cadeias ingalgáveis de montanhas circundantes. Apenas uma superfície chã, livre, contínua, cortada de rios vadeáveis. Nada mais.

Penetram as hordas platinas o pampa pelas fronteiras interiores; vem do âmago dos campos para as zonas maninhas da costa. De maneira que a sociedade gaúcha é ferida em cheio na sua massa; impelida contra os litorais, é obrigada a uma luta desesperada e heroica em defesa do seu habitat.

Nessa batalha secular pela existência e pela integridade territorial, os gaúchos não agem, porém, nunca sós; encontram sempre o auxílio pronto, constante, infalível, eficaz dos poderes públicos, quer gerais, quer locais. Sem esse auxílio, teriam sido aniquilados pela anarquia platina. É o governo quem os ampara, os resguarda, os blinda, com uma armadura de baionetas, poderosa e invencível. Sobre essa muralha de ferro, quebram-se em vão os vagalhões da desordem argentina, da caudilhagem oriental, da belicosidade paraguaia - o turbilhão platino, na sua brutalidade devastadora.

É sob a pressão dessas circunstâncias excepcionais que se formam e constituem as populações do extremo-sul. Os seus clãs pastorais sentem, sob a ameaça comum, a necessidade da própria solidariedade: e unem-se. O Estado, o governo, a autoridade pública, com a sua poderosa organização marcial, surge, por sua vez, no meio deles como uma dessas necessidades iniludíveis, de cuja satisfação depende a vida ou a morte da coletividade. 

Entre a autoridade e o povo se consolida então uma união íntima e profunda, acabando uma e outro por se fundirem numa só massa organizada, viva e consciente, com o senso do perigo comum, do interesse comum, do destino comum.

Daí, na consciência dos gaúchos, ser a noção dos interesses comuns e da solidariedade social um conceito vivaz, enérgico; carregando na sua composição grande número de elementos sensoriais e efetivos. Igualmente, a noção do valor do poder público, da autoridade pública, do governo político. Este deixa de parecer um puro órgão de opressão e extorsão fiscal, para ser um órgão necessário, vital, imprescindível à integridade e à vida da coletividade. O povo o aceita, o povo o obedece, o povo o reclama; por toda a parte sente a sua ação, o seu valor, a sua previdência: vigiando, prevenindo, fortificando, resguardando, defendendo.

Esse grande fator de solidariedade política, que produz o sincretismo dos clãs pastorais dos pampas e fixa na mentalidade gaúcha a noção do valor e da utilidade do poder público, não tem influência sensível na história das populações do centro-sul."


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