segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Histórico do Município de Maringá/PR


"Etimologia. Maringá. Termo híbrido formado pelas palavras 'Maria' e 'ingá'. O termo 'Maria' é nome pessoal feminino, havendo duas possibilidades para sua origem, sendo que ambas vem do hebraico: 1) 'Miriam', formado por 'mar'... gota, e 'yâm'... mar: gota do mar. 2) 'Myriam'... designa vidência, e resultou 'Maria' em latim e grego. O termo 'ingá' vem do tupi 'ingá'... o fruto do ingazeiro, árvore da família Leguminosa (Inga edulis).

Origem histórica. O projeto da cidade de Maringá foi idealizado obedecendo às mais avançadas normas de planejamento, sendo desenvolvido por Gastão de Mesquita Filho e Cássio Vidigal, com base no anteprojeto do urbanista Jorge Macedo Vieira.

Maringá, a princípio simples patrimônio, localizado no interior de Mandaguari, fundado pela Companhia de Terras, não tardou em cumprir sua profecia, tornando-se uma das mais importantes cidades do Estado do Paraná, sendo reconhecida pelo metro quadrado de verde para cada habitante, e por sua qualidade de vida.

Em 10 de maio de 1947, o Patrimônio de Maringá foi elevado à categoria de Distrito Administrativo, com território pertencente ao município de Mandaguari. Pela Lei Estadul no. 790, de 14 de novembro de 1951, foi criado o município de Maringá, com território desmembrado do município de Mandaguari. A instalação oficial ocorreu no dia 14 de dezembro de 1952, sendo primeiro prefeito municipal o sr. Inocente Villanova Júnior.

A denominação foi inspirada na canção 'Maringá', de autoria do compositor Joubert de Carvalho, composta em 1931. A sugestão do nome foi dado pela sra. Elizabeth Thomaz, esposa do sr. Arthur High Miller Thomaz.

Para o pesquisador José Carlos Veiga Lopes, '...segundo se noticiou à época, os dirigentes da Cia. de Terras Norte do Paraná estavam discutindo sobre o nome que seria dado à ova cidade e, então, a senhora de um deles (Elizabeth Thomaz) que estava presente, mas não participando da reunião, perguntou, por que não Maringá? A ideia foi aprovada na hora. Joubert de Carvalho, quando estava compondo a música, originalmente dera à retirante que mais dava o que falar o nome de Maria do Ingá (cidade da Paraíba), depois Maria Ingá e finalmente Maringá."

Fonte: FERREIRA, João Carlos Vicente. Municípios paranaenses: origens e significados de seus nomes. Curitiba/PR: Secretaria de Estado da Cultura, 2006, pág. 188.

domingo, 29 de setembro de 2019

Três colônias da Serra Gaúcha em 1890


"COLONIAS DO ESTADO

Do importante relatorio da commissão de terras e colonisação de Alfredo Chaves, Dona Isabel e Conde d'Eu, confiada á direcção do illustrado engenheiro dr. José Montaury Aguiar Leitão, colhemos os seguintes dados estatisticos, que salientam o esforço e a dedicação de tão habil director pelo desenvolvimento d'aquelles futurosos nucleos, situados ao norte d'este Estado.

Em 1888 tinham essas tres colonias uma população de 27,626 almas, ou 2,055 mais que a população reunida dos territorios das commissões de Caxias e Silveira Martins.

No anno proximo findo muito maior foi este excesso, devido ser a commissão de Alfredo Chaves a que recebeu maior numero de immigrantes e que, relativamente, teve reproducção mais elevada.

Actualmente conta esta commissão:

Na ex-colonia D. Isabel 14.973 almas
Na ex-colonia Conde d'Eu 9.318 almas
Na colonia Alfredo Chaves 7.961 almas
Ao todo..... 32.252 almas

Comparando-se esta população com a encontrada em 1888, verifica-se ter havido, em 1888, no territorio d'esta commissão, um augmento de 4.626 habitantes, que se dividem pela fórma seguinte:

Immigrantes recebidos..... 3.758
Reproducção existente..... 868
Total..... 4.626

E comparando-se ainda esta população de 32.252 almas, existentes em 1889, com a de 21.135, encontrada em 1886, verifica-se ter havido um augmento de 11.118 habitantes, que é equivalente á mais de 50% nos tres annos decorridos.

Por aqui já se vê, bem claramente, quam grave é o erro em que laboram os srs. que affirmam haver pouco lucrado o nosso Estado com a colonisação.

Dê-se ás colonias boas vivas de communicação, em substituiçao aos pessimos caminhos de que ellas dispõem e procure-se estudar a navegação do Taquary até a povoação de Santa Barbara, que o futuro do nosso Rio Grande não será mais um problema a resolver-se, ante os dados que acabamos de exhibir.

Descrimina-se a população actual pela seguinte forma:

Alfredo Chaves: 7.006 italianos; 792 brazileiros; 67 austriacos; 33 allemães; 63 de nacionalidades diversas; Total 7.971

Conde d'Eu: 4.658 italianos; 3.507 brazileiros; 612 austriacos; 367 allemães; 174 de nacionalidades diversas; Total 9.318

Dona Isabel: 9.078 italianos; 5.619 brazileiros; 40 austriacos; 147 allemães; 50 hespanhoes; 39 de nacionalidades diversas; Total 14.973

Alfredo Chaves: 4.956 solteiros; 2.714 casados; 291 viuvos; Total 7.961 [sic]

Conde d'Eu: 5.807 solteiros; 3.286 casados; 215 viuvos; Total 9.318

Dona Isabel: 8.325 solteiros; 6.256 casados; 396 viuvos; Total 14.973

Alfredo Chaves: 4.117 masculinos; 3.844 femininos; Total 7.961

Conde d'Eu: 4.840 masculinos; 4.478 femininos; Total 9.318

Dona Isabel: 7.557 masculinos; 7.416 femininos; Total 14.973

Alfredo Chaves: 7.916 catholicos; 45 acatholicos; Total 7.964

Conde d'Eu: 9.094 catholicos; 224 acatholicos; Total 9.318

Dona Isabel: 14.818 catholicos; 155 acatholicos; Total 14.973

Alfredo Chaves: 2.614 sabem ler; 5.347 não sabem ler; Total 7.961

Conde d'Eu: 2.123 sabem ler; 7.195 não sabem ler; Total 9.318

Dona Isabel: 3.887 sabem ler; 11.086 não sabem ler; Total 14.973

Alfredo Chaves: 264 nascimentos; 81 obitos; differença á favor 183

Conde d'Eu: 534 nascimentos; 218 obitos; differença á favor 316

Dona Isabel: 587 nascimentos; 218 obitos; differença á favor 369 

Alfredo Chaves: 38 casamentos

Conde d'Eu: 85 casamentos

Dona Isabel: 87 casamentos

Tanto pela população como pelo saldo dos nascimentos sobre obitos, salienta-se o territorio d'esta commissão á maior parte das comarcas do Estado.

Cabe aqui dizer que não ha mais razão de ser para se subordinar a esta commissão as antigas ex-colonias D. Isabel e Conde d'Eu, ha muito emmancipadas, onde os ultimos immigrantes contam residencia já maior de anno e onde não ha mais lotes á se distribuir.

Outrosim, achando-se ellas sob o dominio civil, parece um contrasenso que ainda se lhes dê medico, botica, etc. etc., sem se estender estes beneficios á localidades muito mais necessitadas.

Ha muito que fazer na futurosa Alfredo Chaves. Só a ella, que é colonia e bem recente, é que deve o Governo conceder auxilios d'esta ordem, visando a economia que, por este meio, ha de auferir o thesouro publico.

Em tudo accordamos com a maneira porque pensa e se manifesta, no dito relatorio, o illustre chefe d'esta commissão.

Emquanto a escolas existem: tres particulares na Alfredo Chaves, com uma frequencia de 165 alumnos, sem nenhuma publica; oito particulares na D. Isabel, com uma frequencia de 250 alumnos, e duas publicas, que se acham vagas, e oito particulares na de Conde d'Eu, com uma frequencia de 200 alumnos e duas publicas, sendo uma vaga e outra com a frequencia de 50 alumnos.

É este um dos ramos da administração que requer maior desenvolvimento, tendo-se muito em vista o quanto, minuciosamente, vae exposto no mencionado relatorio.

Viação - A colonia Alfredo Chaves conta 44 kilometros de estradas, com 464 kilometros de caminhos vicinaes. A ex-colonia D. Isabel conta 37 kilometros de estradas, com 419 kilometros de caminhos vicinaes. E a ex-colonia Conde d'Eu conta 21 kilometros de estradas, com 126 kilometros de caminhos vicinaes.

Para completo d'esta viação precisa-se: da compostura e conservação da estrada de S. João do Monte Negro até D. Isabel, que póde-se fazer pelo cofre municipal; construcção de um trecho da D. Isabel até o alto do Gaspar, comprehendendo uma extensão de 11 kilometros; construcção de uma estrada, em seguimento a esta, desde o passo do rio das Antas até a séde da colonia Alfredo Chaves; alargamento da estrada d'esta séde á povoação de Santa Barbara, que tem apenas tres metros de largura; construcção da estrada que d'esta séde vae ter á Lagoa Vermelha, sendo actualmente pessimo o caminho por onde se opera toda a communicação d'este municipio com o de S. João de Monte Negro. Esta construcção póde ser realisada com dinheiro do thesouro d'este Estado. E, finalmente, construcção de uma estrada, com 5 leguas de extensão, desde Alfredo Chaves até a séde da colonia Antonio Prado que, tendo os mesmo cinco annos de existencia que esta conta, de tudo precisa para chegar ao desenvolvimento admiravel que se nota na Alfredo Chaves.

Talvez não orce em mais de 400 contos a execução de todo este plano, que é a vida e futuro da grande e fertil zona de Cima da Serra, onde, adjacente á colonia Alfredo Chaves, existem devolutos mais de 120.000 hectares, n'um raio de 25 kilometros.

Só esta grande area devoluta, correspondendo a 4.000 lotes, dá para collocar se mais de 30.000 colonos, ou uma população aproximada á das tres colonias pertencentes a esta commissão.

Construcção publica - A colonia Alfredo Chaves tem: 1 igreja, 14 capellas, 1 escola e 11 barracões. A ex-colonia D. Isabel tem: 1 escola, 1 igreja, 23 capellas, 1 casa de administração e 2 barracões. E a ex-colonia Conde d'Eu tem: 1 igreja, 27 capellas, 1 casa da administração e 2 barracões.

Construcção particular - A colonia Alfredo Chaves tem, rusticos: 18 sobrados e 1.103 casas terreas; e urbanos: 21 sobrados e 128 casas terreas.

A ex-colonia D. Isabel tem, rusticos: 23 sobrados e 1.984 casas terreas; e urbanos: 40 sobrados e 178 casas terreas; E a ex-colonia Conde d'Eu tem, rusticos: 60 sobrados e 2.895 casas terreas; e urbanos: 16 sobrados e 105 casas terreas; d'onde se conclue que a nova Alfredo Chaves já está maior que a velha Conde d'Eu.

Profissões - A colonia Alfredo Chaves conta: 74 negociantes, 33 officinas e 29 industrialistas. A ex-colonia D. Isabel conta: 118 negociantes, 109 officinas e 72 industrialistas. E a ex-colonia Conde d'Eu conta: 95 negociantes, 44 officinas e 41 industrialistas.

Lotes medidos - Na colonia Alfredo Chaves existem 1.670 lotes rusticos, sendo 448 devolutos e 366 urbanos, dos quaes 169 devolutos e 366 urbanos, dos quaes 169 devolutos; na ex-colonia D. Isabel existem 1.998 lotes rusticos e 350 urbanos, todos occupados; e na ex-colonia Conde d'Eu existem 1.311 lotes rusticos e 250 urbanos, todos occupados; tendo a colonia Alfredo Chaves, adjacente ao seu territorio, a já mencionada area devoluta de 120.000 hectares, com um raio de 25 kilometros.

Cultura - A colonia Alfredo Chaves tem: em cereaes, 18.330 hectares; canaviaes, 255 hectares; pomares, 32 hectares; hortas, 69 hectares; pastagens, 350 hectares; terras incultas 16.950 hectares; vinhedos, 960 hectares. A ex-colonia D. Isabel tem: em cereaes, 29.970 hectares; canaviaes, 475 hectares; pomares, 65 hectares; hortas, 120 hectares; pastagens, 220 hectares; terras incultas 18.900 hectares; vinhedos, 1.365 hectares. E a ex-colonia Conde d'Eu tem: em cereaes, 19.665 hectares; pomares, 55 hectares; hortas, 80 hectares; pastagens, 1.750 hectares; terras incultas, 11.330 hectares; vinhedos, 6.450 hectares.

Criação - A colonia Alfredo Chaves tem: em gado cavallar, 839 cabeças; gado muar, 315 cabeças; gado suino, 5.216 cabeças; gado vaccum, 456 cabeças. A ex-colonia D. Isabel tem: em gado cavallar, 2.415 cabeças; gado muar, 723 cabeças; gado suino, 22.120 cabeças; gado ovelhum, 75 cabeças; gado vaccum, 2.012 cabeças; aves, 92.415 cabeças. E a ex-colonia Conde d'Eu tem: em gado cavallar, 1.228 cabeças; gado muar, 518 cabeças; gado suino, 16.425 cabeças; gado ovelhum, 50 cabeças; gado vaccum, 1.813 cabeças; aves, 45.473 cabeças.

Producção - A colonia Alfredo Chaves exportou apenas banha, salame e feijão no valor de 15:000$000, podendo ter sido muito mais elevada a sua exportação si dispuzesse ella de boas communicações para a Lagôa Vermelha e capital. No entretanto, a sua producção para consumo foi de: 3.584.000 litros de milho; 2.320.000 ditos de trigo; 153.000 litros de feijão; 332 litros de linhaça; 18.240 litros de vinho; 675 kilos de manteiga; 5.000 duzias de ovos; 6.684 kilos de banha; 56.323 kilos de salame; 3.215 chapeus de palha; e 29.428 kilos de diversos generos. A ex-colonia D. Isabel teve a exportacção provavel de 4.600 saccos de milho, no valor de 6:440$000; 1.220 saccos de trigo, no valor de 5:978$000; 3.200 saccos de feijão, no valor de 12:800$000; 2.400 saccos de varios cereaes, no valor de 9:160$; 45.500 litros de vinho, no valor de 4:550$000; 300 kilos de manteiga no valor de 180$000; 32.000 kilos de banha, no valor de 19:200$000; 10.000 kilos de salame, no valor 6:000$000; 2.000 chapeus de palha, no valor de 2:500$000; e mais diversos generos, no valor de 2:000$000; ao todo 68:808$. E a colonia Conde d'Eu teve a exportacção provavel de: 10.200 saccos de milho, no valor de 15:300$000; 1.500 saccos de trigo, no valor de 7:500$000; 7.400 saccos de feijão, no valor de 29:600$000; 4.651 saccos de varios cereaes, no valor de 13:953$000; 50.000 litros de vinho, no valor de 5:000$000; 200 kilos de manteiga, no valor de 120$; 3.000 cabeças de aves, no valor de 1:500$000; 10.000 duzias de ovos, no valor de 1:200$000; 56.000 kilos de banha no valor de 22:400$000; 1.000 kilos de salame, no valor de 600$000; 3.000 chapeus de palha, no valor de 3:500$000; e diversos generos, no valor de 2:000$; ao todo 102:673$000.

Concluindo lembramos, de accôrdo com o referido e bem elaborado relatorio, a construcção de uma linha telegraphica da capital ao já importante centro commercial de D. Izabel, passando por S. João de Monte Negro, e uma linha telegraphica da D. Izabel á séde da prospera e futurosa colonia Alfredo Chaves.

É este um dos melhoramentos que urge ser promptamente executado, sem descurar da navegação do Taquary, desde o Encantado até a povoação de Santa Barbara."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Março de 1890, pág. 01, col. 06, pág. 02, col. 01-02


sábado, 28 de setembro de 2019

A operação do Doutor Carlos Barbosa


"O dr. Carlos Barbosa

A Ordem, folha liberal de Jaguarão dá a seguinte noticia:

<<O sr. dr. Carlos Barbosa Gonçalves obteve hontem mais um triumpho com o importante apparelho do systema electrolise.

<<São bastante avultadas as operações realisadas por esse ilustre facultativo, obtendo em todas ellas o mais brilhante exito.

<<O operado hontem foi o sr. Estanisláo Feliciano de Lion, de 48 annos de idade, casado, morador em Piratiny. Soffria ha longos annos de um estreitamento organico da urethra, que já lhe havia determinado grande numero de fistulas urinarias, vivendo uma vida de martyrios, como facilmente se póde imaginar.

<<Em tal estado de desespero continuo recorreu ao sr. dr. Barbosa, afim de vêr se s.s. lhe devolvia aquillo que ha muitos annos não gozava - a saúde, e com esta a tranquilidade do espirito e do corpo.

<<Felizmente não foi em vão o sacrificio que fez de abalar-se do lugar de sua residencia para vir procurar em Jaguarão allivio aos seus sofrimentos.

<<Examinado pelo sr. dr. Barbosa resolveu-se este a realisar hontem a operação, que, como todas as outras que tem feito por tal systema, effectuou-se em alguns segundos, sem que o paciente soffresse dôr alguma e á hora em que escrevemos estas linhas sabemos que o operado segue perfeitamente bem.

<<Mais uma vez felicitamos ao illustre operador, assim como ao operado."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 12 de Dezembro de 1884, pág. 02, col. 04-05

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Sobrenome Broto


"Antiga linhagem de infanções aragoneses, sendo que alguns ramais da família alcançaram a fidalguia. Ao contrário do que possa parecer, o sobrenome Broto não é um toponímico associado ao vale e povoado de Broto, no distrito judicial de Boltaña, província de Huesca. Na verdade, a primitiva linhagem familiar é que deu nome ao lugar, ainda na época da expansão sarracena na península. Em suma, o lugar é que recebeu o nome da família, justamente por ter sido erigido ali o castelo primordial da linhagem e, posteriormente, ser lhe concedido o senhorio sobre a área.

Em 1339, Pedro Sancho de Broto atingiu o privilégio de Infanção por serviços prestados na época do rei Pedro IV de Aragão. Houve outro senhorio dos Broto na região do distrito de Boltaña, mais especificamente na localidade de Guaso, entre a Idade Média e o ano de 1553. Posteriormente, se registram novos solares de diversas ramas dos Broto nos seguintes locais: Pina (1625), Guaso (1666), Labata (1677), Ainsa (1728), Boltaña (1729 e Arbaniés (1803).

No Arquivo Geral Militar de Segóvia constam os seguintes expedientes militares: Fermín Broto, Infantaria, 1808, nobre; Fermín Broto Dusol, Infantaria, 1808, pessoa honrada.

Etimologicamente, broto vem do gótico 'brút' que significava primitivamente 'enxerto', 'ramo que sai de um tronco de árvore'."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Cucalón


"Singular, raro, muito antigo e pouco difundido sobrenome de origem aragonesa, encontrado atualmente com alguma frequência na província de Zaragoza.

Segundo Bizén d'O Río Martínez, os Cucalón aragoneses procedem da França e teriam se radicado na região do Alto Aragão no século XIII, mais precisamente durante o reinado de Jaime I. Posteriormente, um ramal deste primitivo núcleo familiar recebeu o privilégio de fidalguia do rei aragonês Afonso V e passaram a ser reconhecidos pelo sobrenome composto 'Cucalón de Montull' - em referência ao lugar onde estavam assentados e possuíam senhorio.

Outros Cucalón tomaram este sobrenome como um toponímico associado à Serra de Cucalón, na comarca dos Campos Romanos, na província de Teruel.

Outros Cucalón, talvez emigrados para Catalunha, tomaram a alcunha de Cucaló, seguramente por influência da língua local. Também se encontra na Espanha a forma variante Cucalá.

Destaca-se na história do sobrenome, o frei Jerónimo Cucalón, de Valência, dominicano do Convento de Predicadores de sua cidade natal, catedrático de Teologia, fundador do convento de sua ordem em Segorbe, no ano de 1611.

Fabián de Cucalón foi senhor da baronia de Cárcer, após casar-se com Dona Juana Jerónima Benita Eslava y de Carroz, no ano de 1537. O próprio Fabián incorporou o sobrenome de sua esposa ao seu, passando a se chamar Fabián de Cucalón Eslava, inaugurando uma linhagem distinta do sobrenome.

Etimologicamente, cucalón provém de 'cucal', um tipo de passarinho mediterrâneo (gênero Centropus)."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia. 

Sobrenome Díez


"Díez e Díaz são sobrenomes com a mesma raiz etimológica, sendo formas ibéricas do patronímico do nome próprio Diego.

Na época do rei Jaime I de Aragão, consta o cavaleiro Fernando Díez, conforme as crônicas de Febrer. Fernando Díez participou ativamente das campanhas aragonesas contra Blasco de Alagón e nas conquistas de Burriana, El Puig e Valência, recebendo como prêmio por serviços prestados o vale e povoado de Almonacir.

Díez e Díaz são sobrenomes muito abundantes em todo o espaço íbero-americano."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia. 

Sobrenome Cajal


"Linhagem muito antiga de ricos-homens mesnaderos (Vide artigo da Wikipedia em espanhol), procedentes de Aragão. 

Pedro de Vitales afirma que os Cajal foram senhores de Cajalo, na diocese de Barbastro, província de Huesca. Já Mosén Jaime Febrer argumenta sobre Lope Caixal, descendente da Casa Real de Aragão desde Pedro de Atarés, com parentela tanto com Ramiro II e Afonso I, ambos reis aragoneses. Diante dos destacados serviços que Lope Caixal prestou ao rei aragonês Jaime I, principalmente no sítio e conquista de Valência, recebera três feudos para seu proveito.

Antonio Cajal (ou Caxal), que viveu durante o século XIV, foi nomeado pelo rei Martín de Aragão como embaixador do País na Corte de Juan II de Castela. Posteriormente, Fernando I de Aragão (o que se casou com Isabel de Castela), colocaria Antonio Cajal, por suas habilidades diplomáticas, como embaixador perante ao rei de Fez, no Marrocos.

Houve casas solares deste sobrenome nas seguintes localidades: Biesca, Barbastro, Caspe e Cabas de Huesca. Bernardo Cajal, do solar de Barbastro, obteve do Conselho Real de Aragão, o brasão de armas próprio, em 1592, inaugurando distinta e aristocrática linhagem dos Cajal de Barbastro. 

Etimologicamente, Cajal procede de 'caja', que significa 'caixa', do latim 'capsa'. Com o tempo o termo passou a designar cada um dos dentes de uma roda de engrenagem, mais especificamente as rodas de engrenagem de moinhos. Por isso, existe na Catalunha o sobrenome Caixal com mesma origem etimológica e sentido.

Cajales e Caxales são formas plurais derivadas."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia. 

Sobrenome Espiau


"Segundo o tratadista Luis Vilar y Pascual, o sobrenome Espiau teria vindo da França e radicado-se primeiramente em Aragão.

Os García Carraffa citam um cavaleiro que serviu os Reis Católicos na conquista de Nova Granada, em 1538, de nome Sancho de Espiau. 

Os Espiau aragoneses passaram à Valência e depois às demais regiões da Espanha."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Primitivos colonos de Novo Hamburgo - Parte 01


Observação: relação incompleta de colonos alemães estabelecidos antes de 1850 nas picadas Costa da Serra e Estância Velha (denominada genericamente em crônicas setecentistas de "Campo Ocidental"), na região de Lomba Grande (parte das terras da Feitoria Velha, chamada anteriormente Sendente).

Segue a lista com o nome do colono e família (quando houver) e o ano da chegada no Rio dos Sinos (São Leopoldo). 

É uma adaptação para melhor visualização dos leitores do blog.

1. Jacob Altmayer, com esposa, chegou em 1826.

2. Pedro Auler, com esposa e 03 filhos, chegou em 1826.

3. João Alles, chegou em 1829.

4. João Miguel Adams, chegou em 1829.

5. Jacob Adams, chegou em 1829.

6. Nicolau Allgayer, esposa e 06 filhos, chegou em 1829.

7. João Allgayer, esposa e 03 filhos, chegou em 1829.

8. João Miguel Adamy, esposa e 05 filhos, chegou em 1829.

9. Jacob Adamy, chegou em 1829.

10. Jacob Albrecht, chegou após 1829.

11. ? Auslinger, chegou após 1829.

12. ? Arnt, chegou após 1829.

13. Franz Bohn, chegou em 1824.

14. João Beck, esposa e 04 filhos, chegou em 1825.

15. Ludovico Barth, chegou em 1825.

16. Frederico Bohrer, esposa e 3 filhos, chegou em 1826.

17. João Blos, chegou em 1826.

18. Stefan Backes, esposa e 03 filhos, chegou em 1826.

19. Conrado Bühler, esposa e 03 filhos, chegou em 1827.

20. Nicolau Blauth, esposa e 05 filhos, chegou em 1827.

21. Jacob Berlitz, viúvo, 05 filhos, chegou em 1827.

22. Martin Bruxel, esposa e 02 filhos, chegou em 1827.

23. Mathias Bach, esposa e 01 filho, chegou em 1827.

24. Miguel Barth, viúvo, 05 filhos, chegou em 1827.

25. João Pedro Berwanger, esposa e 04 filhos, chegou em 1828.

26. João Bender, chegou em 1829.

27. Henrique Pedro Bender, chegou em 1829.

28. Felipe Bender, esposa e 06 filhos, chegou em 1829.

29. Jacob Barth, esposa e 05 filhos, chegou em 1829.

30. Pedro Bauer, chegou em 1829.

31. Felipe Berlitz, chegou em 1829.

32. João Birk, chegou em 1829.

33. Mathias Breidenbach, chegou em 1829.

34. Frederico Carlos Baum, chegou em 1829.

35. ? Brenner, chegou em 1829.

36. Jacob Blauth, chegou em 1829.

37. Carlos Bier, chegou em 1829.

38. ? Bernd, chegou em 1829.

39. Pedro Baum, chegou em 1829.

40. ? Blankenheim, chegou em 1829.

41. ? Brandenburger, chegou em 1829.

42. João Antônio Cunha, colono português, chegou em 1824.

43. Abraham Cassel, esposa e 05 filhos, chegou em 1825.

44. Jacob Closs, esposa e 05 filhos, chegou em 1828.

45. Henrique Dahmer, chegou em 1825.

46. João Henrique Dahmer, chegou em 1825.

47. ? Diefenbach, esposa e 01 filho, chegou em 1825.

48. Catarina Döring, 02 filhos, chegou em 1825.

49. Pedro Deyer, chegou em 1825.

50. Paulo Diehl, esposa e 06 filhos, chegou em 1826.

Fonte adaptada: PETRY, Leopoldo. Nôvo Hamburgo: florescente município do Vale do Rio dos Sinos. São Leopoldo: Editora Rotermund & Cia., 4a. edição, 1963, pág. 29-30.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Histórico do Município de Nova Pádua/RS


"O município de Nova Pádua guarda em seu contexto uma população que descende de imigrantes italianos provindos da região do Vêneto, nos meados de 1885 a 1895. Desprovidos de recursos, lançaram neste solo a semente de seus anseios, onde colheram, no tempo, os frutos de seu trabalho. A fé em Deus e a religiosidade foram motivos fortes que levaram a vencer obstáculos e aos poucos foram conquistando seus intentos. No ano de 1904, Nova Pádua passa a ser o 4o. Distrito de Caxias do Sul. Com a emancipação de Flores da Cunha, Nova Pádua passa a pertencer a este município como 2o. Distrito até a data de sua própria emancipação política, ocorrida em 20 de março de 1992.

Sua localização se destaca pelas belezas naturais de que é cercada. O percurso do Rio das Antas vai deixando em seu fluxo um magnífico espetáculo de pedra que contrasta com o verde de suas encostas, deixando a Nova Pádua excelentes pontos turísticos, entre eles, o Belvedere Sonda.

Nova Pádua desfruta de um elevado poder aquisitivo, resultado de um trabalho altamente compensador, realizado através do esforço e dedicação de seus filhos, que se dedicam a agricultura. Cerca de 550 famílias constituem Nova Pádua, onde buscam na plenitude do trabalho, o resguardo de um futuro promissor."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 11 de Janeiro de 1999, pág. 04

terça-feira, 24 de setembro de 2019

A origem de alguns palavrões da língua portuguesa


Entrevista concedida pelo jornalista Luiz Costa Pereira Junior, no Programa do Jô, da Rede Globo, em 2002. Muito interessante e curiosa! Disponível no canal de Luiz Carlos Pereira no YouTube.

Clube Republicano de Camaquã


"Club Republicano

Em S. João Baptista de Camaquam, no 5o. districto eleitoral, onde os candidatos republicanos obtiveram numerosa votação, fundou-se no dia 3 do corrente um novo nucleo de combatente da causa democratica.

Por escrutinio secreto foi eleita a seguinte directoria:

Presidente, Severino da Silva Boeira; secretario, Manoel Rodrigues Pavão Filho; Patricio Vieira Rodrigues, Candido da Silva Nunes, Manuel Crescencio de Souza e João Damasceno Longaray.

Estes cidadãos, que acabam de prestar os melhores serviços ao partido republicano, hão de certamente imprimir ao novo club, cuja organisação é mais uma prova evidente de que a idéa republicana ganha terreno, captando adhesões impulsionaddas pelos seus convictos defensores.

Assignaram a acta do Club Republicano de S. João Baptista de Camaquam os seguintes cidadãos:

Severino da Silva Boeira, Patricio Vieira Rodrigues, Candido da Silva Nunes, João Damasceno Longaray, Manoel Crescencio de Souza, João Antonio Pereira, José Antonio Fagundes, Adolpho José Castro, João Gomes Flores de Farias, Francisco Eduardo Dias, Francisco Manoel Joaquim, Manoel Duvaes de Faria, Albino Antonio de Medeiros, Jorge Schumacher, Gustavo Arthur Pinto, Germano José Ribeiro, Joaquim Ribeiro de Barros, Antonio Evangelista Tavares, Manoel Rodrigues Pavão Filho, João Pedro Longaray e Florencio Evangelista Tavares.

A esses dignos companheiros a Federação envia as suas saudações."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 12 de Dezembro de 1884, pág. 02, col. 04

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Sobrenome Balaguer


"Apesar deste sobrenome catalão ser um toponímico associado diretamente à cidade homônima na província de Lérida, o primitivo solar da família existiu na vila de Agramunt, tendo daí surgido os diversos ramais do sobrenome por toda a Espanha. Logo, se estenderão por todo o antigo Principado da Catalunha, passando as terras valencianas, Alicante, Aragão e Castela-Nova. Linhagens dos Balaguer foram decisivas no primeiro século da colonização espanhola em várias partes da América.

Um dos registros mais antigos que temos de um membro desta família remete ao cavaleiro Pedro de Balaguer, citado nas Trovas do rei Jaime I de Aragão, no século XIII. O distinto cavaleiro participou das três expedições aragonesas a Mallorca.

No Arquivo Geral Militar de Segóvia constam os seguintes militares com este sobrenome: Antonio Balaguer, Artilharia, 1767; José Balaguer, Infantaria, 1777.

Etimologicamente, Balaguer vem do vocábulo catalão 'bàlec' que significa 'aliaga' - um tipo de planta europeia (Ulex parviflorus)."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Arjol


"Linhagem aragonesa muita escassa, encontrada irregularmente na Espanha, cujos registros mais antigos remontam ao século XVII. O mais antigo indivíduo com este sobrenome com alguma relevância é José Arjol, listado no Arquivo da Casa de Granadeiros de Zaragoza, no mesmo século.

Da província de Zaragoza se estenderam ramais da família até às localidades de Ariza, Biota, Castejón de Valdesaja, Pinseque y Tauste.

No Arquivo Geral Militar de Segóvia se contam os seguintes expedientes militares: Miguel Arjol Clemente, cavalaria, ano 1864; Francisco Arjol Sola, Infantaria, ano 1864.

Arjol possivelmente é uma alusão a lugar que possui muitas plantas denominadas arjonas (gênero Arjona).

A família Arjol é particularmente significativa na Argentina."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Villar


"Não se conhece com exatidão a origem do sobrenome Villar, embora alguns cronistas indiquem que sua origem seria a Galícia, de onde se estendeu ao antigo Reino de Leão, às Astúrias e ambas as Castelas. Entretanto, um outro grupo de estudiosos entendem que sua origem é basca. Independente da origem, o sobrenome é bem espraiado por toda a Península Ibérica.

Uma antiga casa dos Villar existiu na vila de Gordejuela, no distrito de Valmaseda, na província de Vizcaya. Pertenceu a ela, Domingo de Villar, fidalgo de Gordejuela no século XVII.

Outra antiga família com o sobrenome Villar habitou as terras do antigo Reino de Aragão, da qual fez parte o afamado escultor Pedro Villar - que participou das obras da Catedral de Barcelona, obra renascentista iniciada por Bartolomé Ordóñez.

Também existiram Infanções com o sobrenome Villar nas localidades de Calatayud e Munébrega, desde os princípios do século XVII.

A etimologia do sobrenome Villar é proveniente do termo latino villa que, na Península Ibérica, tomou o significado de 'casa de campo', 'granja'.

Outros núcleos importantes de Villar se acham em Santander, Trás-os-Montes (Portugal), Navarra e Lugo."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Valero


"Valero é um sobrenome com diversos e muitos ramais em toda a Espanha, remontando ao antigo Reino de Aragão, mas também à Catalunha e ao antigo Reino de Valência e Mallorca. Segundo os genealogistas García Carraffa todas as linhagens provém da primitiva rama aragonesa.

Conforme Bizén d'O Río Martínez, os Valero de Aragão deram origem as seguintes ramificações: os Valero de Bernabé, com um solar na vila de Cuevas de Almudén, que se distribuiu posteriormente nas localidades de Calamocha, Caminreal, Paniza, Épila, Mezquita de Jarque, San Martín del Río, Báguena, Lídon, Mora de Rubielos, Zaragoza, Azuara Godos, entre outros.

São personagens importantes na história da família: a linhagem dos Valero Franco de Bernabé (descendentes dos Valero de Bernabé originais), que alcançaram a condição de fidalguia em 1668, com casa na vila de Calamocha; e na mesma vila, os Valero Lázaro, que passam a ser documentados na aristocracia local a partir do século XVIII.

Valero é um patronímico simples do nome próprio castelhano Valero - uma forma do nome latino Valerio."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Abadía


"Alguns autores consideram que esta linhagem aristocrática ibérica procede da Itália, sendo seu fundador Pedro de Abadía, fidalgo peninsular que veio prestar serviços ao rei Jaime I de Aragão na conquista de Valência. Porém, o sobrenome Abadía é verificado na Espanha antes mesmo do reinado do citado monarca. O que não invalida que Pedro de Abadía tenha inaugurado uma linhagem própria e distinta em terras aragonesas. 

Historicamente é provado que a linhagem mais antiga dos Abadía procede das montanhas de Jaca, em Aragão. Desta rama surgiram diversos fidalgos e cavaleiros que prestaram serviços tanto ao Reino de Aragão, quanto a outros reinos ibéricos. Os Abadía também tiveram solares importantes em Daroca e Calatayud.

Alcançaram o título de Infanções perante a Real Audiência de Aragão: Baltasar de Abadía, residente de Zaragoza, em 1597; Pedro Gabriel de Abadía, residente de Zaragoza, em 1638. Ignacio Abadía y Loferlín, da vila de Escatrón, natural de Zaragoza, foi Vedor Geral da Real Cavalaria, tendo ingressado na Ordem de Carlos III em 1791. José Abadía y Cebrián, natural de Jatiel, na província de Teruel, foi Prior da Igreja de Jatiel da Encomenda de Samper de Calanda, e cavaleiro da Ordem de São João de Jerusalém, em 1726.

Etimologicamente, abadía é o equivalente castelhano para a palavra portuguesa abadia.

Outras concentrações importantes do sobrenome: Cartagena, Almería, Petilla, Uncastillo, Lleida e província de Monzón."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

domingo, 22 de setembro de 2019

Os larápios em Dom Pedrito


"Negocios de D. Pedrito

D'esta localidade escrevem a um dos nossos co-religionarios do Precursor de São Gabriel:

<<A falta de um regular policiamento na cidade, talvez devido ao pequeno numero de praças de que se compõe a nossa secção policial, vai trazendo sérios prejuízos á propriedade do cidadão. Não temos garantia para nossa propriedade nem para nossa vida, e entretanto somos cada vez mais sobrecarregados de impostos!

<<De junho d'este anno para cá, tenho sido victima constante de roubos, não se respeitando sequer os compartimentos fechados a chave, de uns contrafeitos que tenho no páteo de minha casa.

<<Já cinco vezes arrombaram-me portas, arrancando para isso até portaladas, e roubaram-me diversos generos e gallinhas, estas em numero maior de quarenta, nas cinco vezes que os larapios, ou larapio, se dignaram visitar-me.

<<Ainda hontem arrombaram-me uma porta e roubaram-me dez a doze gallinhas. Peço, pois, que v. chame pelas columnas do seu conceituado jornal a attenção das nossas autoriadades para este estado de cousas, offerendo a quem descobrir o ladrão uma boa gratificação, que lhe será paga por mim.>>

- De toda a parte chegam d'estas noticias, e as autoridades superiores da provincia, quando muito, pedem informações..."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 10 de Dezembro de 1884, pág. 01, col. 03

sábado, 21 de setembro de 2019

A Campanha Gaúcha


Excelente vídeo sobre a Campanha Gaúcha, tratando sobre o seu relevo característico, o bioma Pampa e sua biodiversidade, as atividades econômicas presentes e o problema da degradação. Disponível no interessante e recomendado canal Terra Negra no YouTube.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Colônia Santa Isabel em 1885


"SANTA IZABEL

Fundada em 1847 com 163 allemães recebeu por vezes levas de immigrantes da mesma nacionalidade, e ao ser emancipada por aviso de 19 de Junho de 1856, contava 1.375 almas.

Elevada á freguezia pela lei provincial de 20 de Novembro de 1859, conta actualmente 3.000 almas que se classificam approximadamente:

Allemães..... 600
Brazileiros..... 2.000
Diversas nacionalidades..... 400
(incluidos entre os brazileiros os nascidos de estrangeiros na colonia)

A lingua allemã é a mais usada no estabelecimento.

Possue a colonia duas povoações, Santa Izabel e Campinho, providas de escolas publicas. Na primeira existe capella do rito catholico e na segunda templo protestante.

A povoação de Campinho communica para a colonia Santa Leopoldina por estrada de 12 kilometros. Possue a colonia estradas das melhores da provincia. Effectua-se a exportação pelo porto da Vcitoria, do qual dista a colonia 42 kilometros, achando-se em communicação regular para o Rio de Janeiro pelos vapores da companhia Espirito Santo e Caravellas, e, para a Europa, pela navegação directa que começa a desenvolver-se no referido porto.

A colonia mede a área de 25.311 hectares divididos em 56 lotes, gozando os colonos de notavel bem-estar e até de riqueza. A exportação annual de café regula por 900.000 kilogrammas. Circundam a colonia excellentes terras devolutas, que se estendem desde as linhas coloniaes até os mananciaes do rio Jacú. O sólo agricola é de composição mais ou menos analoga aos melhores da colonia do Rio Novo."

Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 009, fev./mar. 1885, pág. 06, col. 01-02

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

São Borja às escuras


"S. BORJA

26 de outubro:

- O Echo de Missões occupa-se com o serviço da illuminação publica, que é mal feito.

Eis um topico da sua noticia:

<<Não póde ser peior o serviço da illuminação publica, custeado pela camara municipal d'esta villa e feito administrativamente. Na maior parte dos lampeões, só se vê uma mecha carbonisada e ardendo com uma chamma rubra, que nenhuma luz derrama, a ponto de que, a dez passos de distancia dos taes lampeões, a escuridão é tal, que não se divulga nem se quer o vulto de um homem.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 19 de Novembro de 1884, pág. 01, col. 05
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