segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Sobrenome Ribeiro


"RIBEIRO - Sobrenome português toponímico. Significa 'riozinho'. A família Ribeiro, de Portugal, é de origem nobre: 'Ribeiro e Ribeiras parece que tudo é um. Procedem de El-Rei Dom Ramiro, último soberano do Reino de Leão, e há em Castela deste apelido casas muito principais'. Foi este apelido de Ribeiro nos tempos antigos de Portugal, ilustre, e teve varões famosos. Rivière, Ribiere, Ribier, Ribera, Rivera, Ribero: todos se originam de rio e tem o mesmo processo."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 15 de Janeiro de 1994, pág. 03

João Pereira da Silva Borges Fortes


"Registro mortuario

Contristadora noticia chega hoje ao nosso conhecimento, por carta expedida de S. Vicente, ante-hontem.

N'aquella villa falleceu inesperadamente, no dia 7 d'este mez, ás 4 1/2 horas da tarde, em consequencia de uma congestão cerebral, o venerando cidadão dr. João Pereira da Silva Borges Fortes, medico residente na colonia Jaguary.

Contava 74 annos de idade o distincto patricio.

Accommettido pela congestão, no dia 6, ás 4 1/2 da manhã, quando viajava de S. Raphael para S. Vicente, desde logo o dr. Borges Fortes perdeu a falla, vindo a fallecer 36 horas depois.

Apezar de sua avançada idade, o mallogrado cidadão conservava-se um homem forte e bem disposto.

Ainda ha muito poucos dias elle esteve n'esta capital, e, então, a um de nós feliz ensejo se proporcionou de, ao iniciar relações com o conspícuo patricio, apreciar de perto o que ja não nos era desconhecido em relação á austeridade de caracter que, a par de um espirito jovial e um trato affectuoso, caracterisava a individualidade do nosso digno co-religionario.

O dr. Borges Fortes militou sempre no partido conservador, emquanto durou a monarchia; occupou posição proeminente, tendo sido deputado.

Patriota bem intencionado, accessivel aos impulsos da dignidade cívica, obedecendo á evolução das idéas, ao resplandecer a Republica elle trouxe-lhe o seu concurso, servindo-a até á morte com a mesma dedicação e lealdade com que em outros tempos se consagrára á politica conservadora.

Era um homem de honra, na mais alta accepção d'esta palavra.

Morreu pobre.

Deplorando o luctuoso acontecimento, enviamos á exma. familia do morto, na qual contamos distinctos companheiros politicos, as expressões do nosso intenso pezar.

✤✤✤✤✤

No 1o. districto da villa de Cacimbinhas, lugar denominado Alegrias, falleceu ha pouco em sua residencia, o nosso dedicado co-religionario Claudino Ignacio de Avila.

(...)"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Janeiro de 1893, pág. 02, col. 04

Corumbá em 1892


"A cidade de Corumbá

Reproduzimos do Paiz as linhas que seguem:

Noticia que deve interessar a todos os nossos leitores é esta que vamos dar da cidade de Corumbá, a segunda cidade do Estado do Matto Grosso, convulsionado agora por uma revolução de que nos chegam echos longinquos e indecisos.

Extrahimol-a de uma descripção feita em meados do anno passado por um jornalzinho de lá - O Viajante.

Na margem occidental do sereno rio Paraguay, aos 18o 59' e 43" de latitude, e 57o 44' e 36" de longitude, levanta-se a airosa cidade de Corumbá, edificada sobre uma rocha calcarea e fronteira á vastas campinas e immensos pantanaes, que na outra margem se extendem a perder de vista.

Uma legua Paraguay abaixo está o arsenal do Ladario e a povoação do mesmo nome, havendo n'esta quatro ruas largas e mui regularmente edificadas.

Em communicação com as grandes praças de Montevidéo e Buenos-Aires, e directamente relacionada com Assumpção, Corumbá offerece uma certa predominancia do elemento extrangeiro, a cuja influencia deve-se attribuir o desapparecimento dos velhos costumes coloniaes.

As ruas são calçadas e muitas d'ellas arborisadas, com gosto, apresentando alguma vida e animação. O porto é constantemente visitado por numerosos barcos e navios a vapor, que seguem para S. Luiz de Caceres, Miranda, Cuyabá (a capital do Estado), Coxim, Nioac, etc.

O Lloyd Brasileiro mantem uma correspondencia directa de dois paquetes por mez, e, além d'estes, outras embarcações se cruzam em demanda do porto de Corumbá.

Corumbá é verdadeiramente o emporio das principaes zonas commerciaes e agricolas do Estado, e para que se possa ter uma idéa approximada do seu adiantamento relativo, não occultaremos as ligeiras minuciosidades que conhecemos.

Divide-se a cidade em alta e baixa.

Na parte baixa acha-se o edificio da alfandega, o cáes, armazens e muitos estabelecimentos particulares.

Toda a cidade conta vinte e cinco armazens e modas; alguns d'estes estabelecimentos rivalisam com as casas de primeira ordem de qualquer cidade adiantada. Ha algumas casas exclusivamente importadoras. Tabernas e mercearias diversas contam-se umas cem, ao todo.

Tem quatro salões com bilhares, tres hoteis, uma fabrica de cerveja, quatro padarias, oito açougues, duas photographias, uma fabrica de gelo, duas de fogos artificiaes, uma de sabão, quatro relojoarias, uma joalheria, oito alfaiaterias, quatro fabricas de licôres e um atelier de pintura, uma caixa bancaria, tres pharmacias (sendo duas militares) e muitos outros estabelecimentos.

Ha em Corumbá e Ladario seis medicos, uma dentista e uma parteira. Publicam-se tres folhas semanaes.

Entre os edificios publicos destacam-se o palacete da municipalidade, o quartel do exercito, o deposito de artigos bellicos e a cadêa, todos construidos de pedra e cal, e cobertos por vistosos e apraziveis terraços.

A tres leguas da cidade ha uma engenho central.

A rua Lamare corresponde em Corumbá á do Ouvidor no Rio de Janeiro. Ahi, onde é sempre grande a animação de transeuntes, estão as melhores e mais ricas lojas de modas. A perspectiva da rua mesmo é agradavel.

A metade da população corumbaense é extrangeira, o que lhe dá a feição de um centro verdadeiramente cosmopolita. As senhoras são na maioria paraguayas e cuyabanas. Depois do portuguez, as linguas mais falladas são o guarany e o hespanhol.

Corumbá é, relativamente, uma cidade moderna.

Quando tomada pelos paraguayos, durante a invasão, era um simples povoado de mil habitantes. O seu progresso data depois da retomada, em 12 de junho de 1867, pelo general Antonio Maria Coelho. Hoje está acima de muitas cidades brasileiras e auguram-lhe todos que a vizitam um futuro de prosperidade.

Ha muito união na sociedade corumbaense. Os saráos e partidas familiares são frequentes e animadissimos.

Corumbá conta um magnifico theatro em construcção, um jockey-club e um club familiar de primeira ordem.

O ferro oligisto encontra-se em prodigiosa quantidade no seu municipio.

Esse ferro não contém outra cousa além da silica em estado de quartzo. Na falta de productos de lavoura para conduzir, será sufficiente esse metal para sustentar uma estrada de ferro."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 26 de Maio de 1892, pág. 01, col. 06

domingo, 2 de agosto de 2020

Sobrenome Resende


"RESENDE - Sobrenome português, toponímico, isto é, nome de lugar. Discute-se sua origem. É documentado no século XIII. Supõe-se que venha do germânico, e talvez se vincule a Rosendo. Vem de Egas Moniz; é seu solar a Quinta de Resende junto ao Mosteiro de Carquere, que ele fundou."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 15 de Janeiro de 1994, pág. 03

Raymundo José Bassão


"Registro mortuario

Em Bagé falleceu o sr. Claudino Fagundes, de 62 annos de idade, continuo da intendencia municipal.

✤✤✤✤✤

Falleceu no Rio Grande o sr. Raymundo José Bassão, um dos mais antigos guardas da alfandega.

(...)

Em dos ultimos dias falleceu n'esta capital a exma. sra. d. Eufrasia Nussbaumer, sogra do sr. João Duval.

A finada era geralmente conhecida por Mme. Benjamin."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 09 de Janeiro de 1893, pág. 02, col. 02

O insólito caso do príncipe ressuscitado


"Curioso incidente houve ha pouco tempo na pequena cidade russa d'Artyni:

Fallecera ali o principe Kertitscheff, não sem ter recebido os cuidados de nove ou dez medicos. Ao realisarem-se os funeraes, e no momento em que o archimandrita depunha o beijo de adeus na face do morto, este levantou-se do caixão, revestido do seu rico uniforme caucaziano e applicou duas valentes bofetadas no sacerdote, exclamando: 'Canalha, como é que tu te atreves a enterrar-me sem minha licença?'

Julgue-se do panico dos assistentes, que se precipitaram fóra da igreja, esmagando na sua passagem muitas mulheres e creanças.

N'essa mesma noite houve no palacio do principe um banquete magnifico; mas s. a. festejou com tanta convicção a sua ressurreição, que morreu de vez no dia seguinte."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 06 de Novembro de 1891, pág. 01, col. 04

sábado, 1 de agosto de 2020

Moradores de Pelotas em 1887


Distante de ser um recenseamento completo dos moradores de Pelotas no período, nosso esforço foi o de, através de consulta aos jornais da época disponíveis na web, listar o quanto fosse possível de nomes relacionados à cidade, bem como inserindo as informações adjuntas que encontramos. Todavia, na maior parte dos casos, encontramos somente os nomes. De forma geral, quando usamos a denominação "morador" queremos dizer literalmente isso: apenas constatamos que o indivíduo citado viveu em Pelotas, mas não encontramos mais dados sobre sua ocupação, nacionalidade ou outros. A propósito, quando listamos "Fulano de Tal & Fulana de Tal", justamente com o uso do "&" queremos dizer que os indivíduos são casados. Esperamos contribuir de alguma forma para pesquisas genealógicas e historiográficas, mesmo que de modo muito modesto. Obs.: respeitamos a grafia encontrada na época.

Periódicos consultados para este período: A Federação (Porto Alegre/RS); Relatorios dos Presidentes das Provincias Brasileiras; Jornal do Commercio (Rio de Janeiro/RJ);

1887

Alberto de Almeida Rodrigues & Henriqueta Fernandes da Rocha, moradores.

Alexandre Cassiano do Nascimento, membro do Partido Republicano; proprietário; orador do Club Republicano de Pelotas.

Alvaro Chaves, membro do Club Republicano.

Amaro Torres, morador.

America Soares, professor da 4a. cadeira do sexo feminino da Boa Vista.

Angelo Calearo, italiano, morador.

Anna de Freitas, proprietária.

Annibal Antunes Maciel, Barão dos Três Serros, 49 anos, engenheiro militar, veterano da Guerra do Paraguay.

Antenor Soares Barbosa, charqueador.

Antonio Bezerra da Silva, salteador na Serra dos Tapes.

Antonio de Paula Couto, 1o. conferente da Mesa de Rendas.

Antonio Frederico Ritter, guarda-livros da casa Warncke & Dorken, Successores.

Antonio Gouvêa, morador na Serra dos Tapes.

Antonio João de Souza, português, morador.

Antonio Julio de Miranda, morador; sogro de Manoel Marque Figueira, comerciante.

Antonio Marques Bandeira, morador na Serra dos Tapes.

Antonio Silveira da Luz Junior, ajudante do Correio, a partir de Março de 1887.

Antonio Teixeira Guimarães, dono de uma chácara no Arroio do Pepino.

Arthur Antunes Maciel, presidente da Câmara Municipal.

Arthur Godofredo da Silva, agrimensor da comissão de terras do município de Pelotas, a partir de Janeiro de 1887.

Arthur Napoleão de Barros, engenheiro-ajudante da comissão de medição de terra do município de Pelotas.

Arthur Nascimento Barreto Esteves, tipógrafo.

Arthur Pinto de Araujo Corrêa, secretário do Club Republicano de Pelotas.

Ataliba Borges, charqueador.

Augusto Leão Pinheiro, tesoureiro do Club Republicano de Pelotas.

Augusto Martins Solteiro, dono de um lupanar na rua São Domingos.

Barão de São Luís, coronel, proprietário.

Barão dos Três Serros, charqueador.

Bento Albino da Costa, tenente da 8a. companhia do 15o. Batalhão da da Guarda Nacional.

Bernardino dos Santos, administrador da Mesa de Rendas, até Fevereiro de 1887.

Bernardino Maia, charqueador.

Bernardo Abbadie, francês, morador.

Carlos Massot, membro do Club Republicano de Pelotas.

Cenilto Dias Vieira, morador.

Christovão da Silva Maia, membro da comissão de qualificação do Club Republicano de Pelotas.

Colimerio Leite de Faria Pinto, morador.

Conde de Piratiny, 94 anos, proprietário.

Cypriano Barcellos, membro do Club Republicano de Pelotas.

Demetrio Cruz, morador.

Diophanes Chagas Junior, tesoureiro da Mesa de Rendas Provinciais, até Fevereiro de 1887.

Domingos da Costa Palma Dias, 2o. conferente da Mesa de Rendas.

Domingos Fernandes da Rocha, membro da comissão da Praça de Comércio.

Domingos Guilherme da Costa, charqueador.

Ernesto Augusto Gernsgross, redator e proprietário do Diario de Pelotas.

Ernesto Estellita Cardoso & Lívia Ourique Cardoso, moradores.

Felicissimo Amarante & Candida Amarante, moradores.

Francisca Mathilde Ferreira, 71 anos, moradora.

Francisco da Costa e Silva, morador.

Francisco Forster, alemão, colono na Serra dos Tapes.

Francisco José dos Santos, ajudante do Correio, até Março de 1887.

Francisco Manoel dos Passos, farmacêutico, maior de 80 anos.

Francisco Nunes de Souza, major, dono de um estabelecimento comercial na Serra dos Tapes.

Francisco Sattamini, importador.

Gentil Arruda, administrador da charqueada de Brutus Almeida.

Guilherme Echenique, membro do Club Republicano de Pelotas.

Heleodoro de Azevedo Souza, charqueador.

Henrique M. Chaves, membro do Partido Republicano; membro da comissão de qualificação do Club Republicano de Pelotas.

Ignacio Alves de Campos, morador.

Israel Nunes, vulgo Moringue, morador.

Israel Soares da Silva Paiva, proprietário; era dono de escravos.

J. da C. Fortinho, redator do jornal Diario Commercial.

Jacob Klaes, industrialista.

Jeronymo Pereira de Carvalho, português, dono de uma fábrica de sabão e velas à rua São Domingos esquina rua Gonçalves Chaves; irmão e sócio de Manoel Pereira de Carvalho.

João da Silva Silveira, farmacêutico.

João Dias Milheira, português, morador.

João Francisco do Prado Jacques, administrador da Mesa de Rendas, a partir de Março de 1887.

João Jacintho de Mendonça Junior, promotor público do termo de Pelotas.

João José Ribeiro, morador.

João Netto, charqueador.

Joaquim da Silva Tavares, charqueador.

Joaquim José de Assumpção, capitalista.

João Pereira dos Santos, morador, pai de Olavo dos Santos.

Joaquim Rasgado, charqueador.

José Alvares de Souza Soares, farmacêutico.

José Alves Coelho da Silva, 1o. tenente da Armada, proprietário da Gazeta de Annuncios.

José Bento de Campos, charqueador.

José Crespo, morador.

José Cypriano Nunes Vieira, presidente do Club Republicano de Pelotas.

José Delbosco & Amabilia Delbosco, italianos, moradores.

José Espíndola Pacheco, maior de 60 anos, morador.

José Joaquim Affonso Alves, membro do Partido Liberal.

José Maria Montero Filho, negociante; ex-representante brasileiro em Montevidéu.

José Montaury de Aguiar Leitão, engenheiro-chefe da comissão de terras do município de Pelotas.

José Pulserio Soares, morador na Serra dos Tapes.

Josephina da Silva, moradora; irmã de Miguel Moreira da Silva, prático-mór da Barra de Rio Grande.

Julio Maurell, morador.

Leopoldo Joucla, membro da comissão da Praça de Comércio.

Luiz Juvencio da Silva Leivas, proprietário de terras no Morro Redondo.

Lucio Cincianto de Soveral, vice-presidente do Club Republicano de Pelotas.

Lucio Lopes, tenente-coronel, proprietário, charqueador.

Luiz Werthermer, agrimensor da comissão de terras do município de Pelotas, até Janeiro de 1887.

Malvina Antonia de Gouvea, proprietária; era dona de escravos.

Manoel B. Teixeira, charqueador.

Manoel Bento da Fontoura Casado, delegado de polícia e comandante da secção fixa de polícia.

Manoel Cardozo, barbeiro.

Manoel da Silva Rosa, subdelegado de policia do 1o. distrito.

Manoel dos Santos, morador na Serra dos Tapes.

Manoel Pereira de Carvalho, português, dono de uma fábrica de sabão e velas à rua São Domingos esquina rua Gonçalves Chaves; irmão e sócio de Jeronymo Pereira de Carvalho.

Maria Afra da Conceição, parda liberta, moradora à rua São Domingas; mãe de Maria Joaquina Duarte, 15 anos.

Maria Alice Clotilde Ratto, professora da cadeira mista da Capela da Luz.

Maria Joaquina Duarte, parda, 15 anos, filha de Maria Afra da Conceição, moradora à rua São Domingos.

Mario de Paula Couto, morador.

Maria José Rodrigues Barcellos, moradora.

Maria Rita da Conceição, liberta, presa.

Mariano da Motta, pedreiro.

Maurice Gastau, francês, morador à rua Três de Maio.

Miguel Rodrigues Barcellos, médico.

Miquelina Pinto de Sampaio, moradora.

Modesto Rodrigues Barcellos, 50 anos, morador; tio de Piratinino de Almeida e Brutus Almeida.

Nicoláo Pederneiras, engenheiro-chefe da comissão de terras, a partir de 07 de Junho de 1887.

Octacilio Aristides Camara, médico otorrinolaringologista com consultório à Rua do Imperador n.54.

Olavo dos Santos, morador, filho de João Pereira dos Santos.

Paulino Teixeira da Costa Leite, charqueador.

Polycarpo Cesario de Barros, 1o. tenente da Armada, delegado da capitania do porto de Pelotas.

Possidonio Mancio da Cunha Junior, membro do Partido Republicano; membro da comissão de qualificação do Club Republicano de Pelotas.

Ricardo Legg, inspetor de quarteirão.

Rosa Maria da Conceição, costureira à rua Gonçalves Chaves.

Rosalvo da Fontoura Barcellos & Maria Francisca da Silveira Barcellos, moradores.

Serafim José Rodrigues de Araujo, médico.

Theodolinda Moreira, moradora; filha de João José Moreira, comerciante de Bagé.

Tito Nunes Baptista, tesoureiro da Mesa de Rendas Provinciais, a partir de Fevereiro de 1887.

Ursula Gonçalves Ferreira, professora da 5a. cadeira do sexo masculino da Lomba do Fragata.

Vicente Cerni, italiano, morador.

Virgilio de Castro, morador.

Zeferino Cardoso, morador na Serra dos Tapes.


Sobrenome Requião


"REQUIÃO - Sobrenome português toponímico. Vem de 'Requilani', genitivo do germânico Riquila ou Ricila. Trata-se do nome de um rei suevo da Espanha. Significa, em seu sentido inicial, 'trevas, escuridão'."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 15 de Janeiro de 1994, pág. 03

José Maria de Moraes


"Registro mortuario

Na Tristeza, lugar pertencente a este municipio, falleceu no dia 4 do corrente o major reformado do exercito José Maria de Moraes, um valente defensor da Patria, nos campos de batalha da guerra que sustentámos contra o Paraguay.

Morreu aos 55 annos de idade, deixando tres filhinhos na orphandade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Janeiro de 1893, pág. 02, col. 02

O gato morreu


"O gato morreu...

Pyramidal, diz a Gazeta de Noticias, a pilheria que fez ha dias o telegrapho.

Um cavalheiro residente na côrte recebeu de um inglez seu amigo, que estava no Rodeio, o seguinte telegramma: O gato morreu.

O homem desatou a rir, e foi ao telegraphou dizer que necessariamente havia engano; que o seu amigo, apezar de inglez, não era homem para tirar-se de seus cuidados e telegraphar aquelle destampatorio. Horas depois recebe a seguinte rectificação, e lê attonito: O gato morreu.

D'esta vez já não teve vontade de rir. Havia evidentemente um engano, mas, ainda assim, si uma palavra estivesse certa, podia tratar-se de cousa séria. Inquieto, resolvem seguir no dia seguinte para o Rodeio, e assim o fez; mas, em caminho, em uma estação intermediaria, encontra o seu amigo inglez, que vinha em outro trem para a côrte.

- Que diabo me telegraphaste tù?

- Eu mandei-te dizer hontem: 'vou amanhã', e o peor é que vou hoje.

- Vou amanhã?

- Sim, mas em inglez: I go to-morrow.

- Ai! I go to-morrow! o gato morreu. Enorme, o telegrapho!"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 09 de Julho de 1889, pág. 02, col. 01

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Esteva Rodrigues Maldonado


"Registro mortuario

Falleceram no Livramento:

D. Esteva Rodrigues Maldonado, esposa do sr. Marcellino Maldonado, e o antigo morador d'aquella cidade, sr. Manoel Rodrigues Junior, portuguez e estabelecido com marcenaria.

✤✤✤✤✤

Morreu em Bagé o cidadão Vicente Ferreira Malhado, antigo carcereiro da cadêa civil.

✤✤✤✤✤

Em Montevidéo falleceu o sr. José Fermin Ortega, corretor de cereaes e antigo collaborador da imprensa da capital.

(...)"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 04 de Janeiro de 1893, pág. 02, col. 02

Sobrenome Madeira


"MADEIRA - Sobrenome português toponímico, isto é, nome de lugar. Também pode ter sido primitivamente alcunha. Etimologicamente vem do latim 'materia', derivado de 'mater', porque matéria e madeira eram consideradas as substâncias da qual é feita a máter, 'o tronco e a essência'.

Os Madeira acham-se em tempo do rei Dom Dinis. Parece estar o seu solar em São João da Madeira, no julgado da Feyra."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 20 de Agosto de 1993, pág. 02

Sobrenome Arrais


"ARRAIS - Primitivamente foi alcunha e significa 'chefe de embarcação'. É árabe. Também se escreve Arraes. Dizem que, no Tejo (século XIV), D. Henrique II de Castela, após o ajuste de paz com D. Fernando, de Portugal, que viera em barca guiada por um cavaleiro da corte bem trajado, aquele teria elogiado: 'Fermoso Rey, formosa barca, formoso Arraes'. Esta seria a origem do sobrenome (conforme Guerios). Henrique II reinou de 1369 a 1379.

Personalidades: Antonio Arrais foi escritor venezuelano, nascido em 1903; Frei Amador Arrais, escritor e religioso português (1530-1600); no Brasil temos o político Miguel Arraes."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 01 de Julho de 1990, pág. 03

Sociedade Padre Cacique


"Sociedade Padre Cacique

Está fundada n'esta capital a utilitaria associação sob o título acima e que se destina a ser a continuadora do benemerito sacerdote Joaquim Cacique de Barros, desde o momento em que a morte venha paralysar a obra philantropica d'esse incançavel apostolo da caridade, ou que outro impedimento porventura lhe impossibilite a acção bemfazeja.

São, portanto, fins da sociedade:

Sustentar e educar orphãs desvalidas;

Recolher e sustentar mendigos e decrepitos;

Criar e educar creanças abandonadas.

Os estatutos da humanitaria corporação prescrevem que as orphãs e as creanças serão instruidas de modo que possam vir a ser uteis a si e á humanidade; os mendigos e decrepitos serão sempre tratados com desvelo, e todos os beneficiados d'esta sociedade serão dirigidos segundo os principios da religião catholica, quanto possivel, isto é, salva a tolerancia para os adultos.

Estes beneficios a sociedade iniciará, como dissemos acima, no momento opportuno, tomando esta direcção dos Asylos já existentes de Santa Thereza e de Mendicidade, devendo observar os regulamentos dados pelo mencionado fundador e promoverá quanto antes a realisação da vontade do mesmo, quanto a estabelecer-se, n'esta cidade, um asylo para creanças.

Qualquer pessoa poderá ser admittida como socio, seja qual fôr sua religião, sexo, nacionalidade e estado, contanto que goze de bom conceito.

São obrigações dos associados:

Pagar de entrada uma joia de 10$000 para patrimonio da sociedade;

Pagar a annuidade de 12$000, no minimo, por trimestres adiantados, que se contarão de janeiro, abril, julho e outubro.

O socio que fizer donativo de 300$000 ficará isento da annuidade.

São considerados socios fundadores os que assignaram os estatutos e as pessoas que actualmente contribúem para a manutenção dos referidos asylos existentes.

Os estatutos alludidos estabelecem mais o seguinte:

A administração superior da sociedade é confiada presentemente ao seu presidente vitalicio revd. padre Joaquim Cacique de Barros, e na sua falta a um conselho administrativo escolhido pelo mesmo sacerdote, e composto do seguinte pessoal, devendo, porém, o presidente ser, em todas as eleições, sacerdote secular brasileiro, residente n'este Estado, ou de outro Estado, em falta.

Presidente - Padre Joaquim Cacique de Barros.

Secretario - José Pedro Alves.

Thesoureiro - Conego dr. José Gonçalves Vianna.

Conselheiros - Dr. Rodrigo d'Azambuja Villanova, Achylles José Gomes Porto Alegre, dr. Fausto de Freitas e Castro, José Luiz Moura de Azevedo.

Supplentes dos conselheiros - Luiz Lara Fontoura Palmeiro, João Damasceno Vieira Fernandes, commendador José Baptista Soares da Silveira e Souza, Julio Pacheco de Castro, Leopoldo Masson, Gonçalo Henrique de Carvalho.

Membros da commissão fiscal para verificação das contas:

General Catão Augusto dos Santos Roxo, Manoel Py, Estacio Francisco Pessoa.

Este conselho funccionará por 6 annos a contar do dia em que tomou a si a direcção da sociedade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 25 de Maio de 1892, pág. 02, col. 02

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A caçada ao urso em Catumbi


"Caçada de urso

Extraímos de uma folha do Rio:

'Hontem (23) pela manhã, um urso, que trabalha no circo Cosmopolita, de propriedade de Antonio Fernandes Gomes, soltou-se da corrente em que se achava, e, fugindo para a rua, investiu sobre as pessoas que encontrava, trazendo os moradores de Catumby em grande sobresalto.

O dono do animal, auxiliado por algumas pessoas, saíu em perseguição d'este, e, depois de ser mordido em uma perna e de levar tres grandes tombos, conseguiu subjugal-o, prendendo-o em seguida á corrente.

Isto feito, entendeu Gomes esbordoar o animal e, tanta pancada lhe deu, que o urso, ficando enfurecido, arrebentou novamente a corrente e fugiu, continuando em suas tropelias.

Ás 9 horas da manhã foi o dono do urso communicar o facto ao delegado da 11a. circumscripção, a cuja auctoridade pediu o necessario auxilio, afim de ser agarrado o animal, que se havia refugiado em um morro proximo.

Constando á referida auctoridade que o urso estava furioso e fazendo tropelias no morro, para lá seguiu, acompanhado de inspectores seccionaes, praças, agentes e pessoas do povo, todos armados de revólver e de espingardas, afim de o matar, no caso que não o pudessem agarrar á unha.

Sendo improficuos todos os esforços que empregaram os caçadores, resolveu a auctoridade policial requisitar do coronel commandante da brigada policial duas praças, armadas de Comblain, afim de matarem o furioso plantígrado, que, finalmente, ás 3 1/2 horas da tarde foi morto."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 03 de Janeiro de 1893, pág. 01, col. 03

Sobrenome Macieira


"MACIEIRA - Sobrenome português toponímico. Planta frutífera, que produz a maçã. Etimologicamente vem do latim 'Mattiana' (mala) de 'Mattium', capital dos catos, povo germânico. Em latim se diz 'malus', 'malum', e vem do grego 'mélon' e 'málon'. Em hitita, é 'mahlan'.

MACIEL - local de muitas macieiras. Vale lembrar que existe outro sobrenome homônimo italiano que não tem relação com esta vertente."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 20 de Agosto de 1993, pág. 02

Sobrenome Cernache


"CERNACHE - Toponímico. De origem duvidosa. Talvez de 'Cernasculi'; de 'cernere', que significa distinguir.

Cernache é freguesia e distrito de Coimbra.

Personalidade: Álvaro Anes Cernache, cavalheiro português que foi anadel de basteiros no reinado de Dom João I. Foi ele que na Batalha de Aljubarrota fez tremular na Ala dos Namorados."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 21 de Junho de 1991, pág. 03

José Soares Vianna


"Registro mortuario

(...)

Na cidade do Rio Grande, finou-se no dia 28, o respeitavel ancião José Soares Vianna.

Residente seguramente ahi ha meio seculo, soube cercar-se de geraes sympathias, tendo dedicado parte de seus esforços cooperando no progresso material da cidade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 30 de Outubro de 1891, pág. 02, col. 04

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Lucrecia Gomes de Carvalho


"Registro mortuario

Falleceu em Sant'Anna do Livramento d. Lucrecia Gomes de Carvalho, viuva do major Frazão Gomes de Carvalho.

✤✤✤✤✤

Em Pelotas falleceu o joven Pedro Dias Corrêa, filho do sr. José Corrêa da Silva Borba, fazendeiro no interior.

(...)"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 29 de Dezembro de 1892, pág. 01, col. 04

Sobrenome Machado


"MACHADO - Sobrenome português, que se documenta já no século XII, entre 1101 e 1200 portanto, contemporâneo à fundação do Reino de Portugal. Primitivamente pode ter sido de origem profissional, isto é, vendedor ou fabricante de machados. Também pode ter sido alcunha, de quem andava sempre com machado. Há quem explique o sobrenome pela 'ação de romper com machados as portas de Santarém, em 15 de março de 1147, da parte de Dom Mendo Muniz, senhor de Gandarei.

Os Machados descendem, pela linha masculina, de Dom Sancho I e pela feminina do Conde Dom Osório de Cabreira, que passou a Portugal em tempo do Conde Dom Henrique.

Sobrenome prestigiado por numerosas personalidades tanto em Portugal como no Brasil. Entre nós, Machado de Assis, mestre consumado da língua portuguesa."

Fonte: FOLHA DE HOJE (Caxias do Sul/RS), 20 de Agosto de 1993, pág. 02
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