segunda-feira, 22 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

Represa Municipal de Capão do Leão

Passou a funcionar a partir de fevereiro de 1957, sendo construída numa área de quatro hectares e meio vendida ao SAE (Serviço de Água e Esgotos da Prefeitura Municipal de Pelotas) pelo Sr. Dario Francisco de Castro Ribeiro. Inicialmente, a área fora doada pela irmã do Sr. Dario, Sr. Zita Tavares ao SAE, que também tinha parte no terreno, entretanto, o Sr. Dario ao tomar conhecimento do fato, optou pela venda do campo. Por isso, já havia benfeitorias no local, construídas pelo SAE, desde um ano antes e algumas casas na Avenida Principal já estavam sendo abastecidas.

O prefeito de Pelotas à época, o Sr. Adolfo Fetter, pretendia aproveitar o recurso de águas abundantes existentes no distrito de Capão do Leão e o projeto almejava o atendimento a cerca de 300 famílias, o que logo se revelou insuficiente, pois o povoado já contava com uma população superior. Até 1959, a rede de abastecimento foi estendida até a atual Rua Thomaz Aquini. Posteriormente, no início da década de 1960, atingiu as zonas das atuais ruas João Rouget Perez e Edmundo Peres. Na década de 1970, a rede chegou ao Teodósio.

A Represa contava com uma média de oito funcionários, a grande maioria transferida da E.T.A. do distrito pelotense da Cascata para o Capão do Leão. Não havia maquinário para as extensões e manutenções da rede de abastecimento, por isso os funcionários tinham que trabalhar com ferramentas comuns como pás e picaretas.

Além da própria estrutura de uma E.T.A. (Estação de Tratamento de Água), onde figuravam antigos filtros de seixo e reservatórios, havia casa de moradia no local – onde residia o encarregado, o Sr. Emílio Martins. A partir de 1965, foram feitas melhorias na área, visando aproveitar o seu belo cenário natural. Foi construída praça com bancos de pedra granítica, brinquedos infantis, caixa de areia e mesas para piqueniques. Aos finais-de-semana, famílias visitavam o local em busca de lazer. Também havia bem cuidado jardim, com rosas, hortênsias, dálias, etc., além de uma quinta que chegou a ter cerca de 280 árvores frutíferas, predominando laranjeiras e bergamoteiras e um vistoso parreiral.

A Represa demonstrou, desde seus primeiros anos, ser insuficiente para atender à demanda da Vila do Capão do Leão, quiçá de outras zonas do atual município. Por isso, já nos primeiros anos da pós-emancipação, a questão do fornecimento de água potável no Capão do Leão foi assunto premente. Após vários anos de debate e movimentos políticos, a Corsan (Companhia Rio-Grandense de Saneamento) instalou-se no município em 1984, com outro projeto para suprir a carência de água, construindo bombas de captação na foz do Arroio São Pedro. Por isso, paralelamente à antiga rede de água que tinha sua matriz na Represa, foi sendo instalada a nova rede de água oriunda da E.T.A. da Corsan. A qualidade da água fornecida pela Represa também decaiu muito com o passar dos anos, devido ao desgaste dos filtros de seixo. Em 1997, finalmente foi suspenso o abastecimento de água pela Represa e suas atividades encerradas.

Um leonense imortalizado na obra de João Simões Lopes Neto

Um leonense imortalizado na obra de João Simões Lopes Neto


Os biógrafos e estudiosos de Simões Lopes Neto – o maior escritor regionalista gaúcho – são categóricos em afirmar que a inspiração para seus contos provinha de histórias que ele mesmo presenciou ou ouviu falar. De fato, Simões Lopes “romanceou” muitos acontecimentos verdadeiros, elevando-os à imortalidade literária.

Em Contos Gauchescos de 1912, no conto Juca Guerra, Simões Lopes narra o heroísmo de um peão de estância que salva um rapaz da arremetida mortal de um touro bravio. O rapaz salvo no conto é chamado de Tandão Lopes – na verdade, o pai de Simões Lopes, cujo nome era Catão Bonifácio. Já o herói do conto – o próprio Juca Guerra – seria um estimado empregado da família Simões Lopes, que trabalhou certo tempo na Estância da Graça, de propriedade da mesma família. Isto é, realmente Juca Guerra existiu.

Juca Guerra, cujo nome verdadeiro era João Cunha, na descrição da memorialista Ivete Massot: tinha um rosto bonito e tostado, cabelos até os ombros presos por uma vincha, usava xiripá e botas de potro. Era o tipo do gaúcho fronteiriço. Simões Lopes no mesmo conto dá outras informações sobre Juca Guerra: Moreno, alto, delgado; olho preto; nariz de homem mandador; mãos e pés de moça; tinha força como quatro; bailarino, alegre, campeiraço; e o coração devia ser-lhe mui grande, devia encher-lhe o peito todo, de bom que era.”

Pois bem, Juca Guerra/João Cunha era natural do Passo do Descanso, localidade situada entre a zona-sede e o Passo das Pedras. Imortalizado na obra simoniana, foi o tipo ideal do gaúcho: rústico, hábil na lida campeira, mestiço, valente e bondoso. É o retrato também dos antigos habitantes do Capão do Leão da época do Império, quando a atividade pecuária movimentava a região e quem não era tropeiro, peão de estância ou trabalhador do charque, provavelmente era patrão ou ocupava algum ofício subsidiário destes (vendeiro, ferreiro, oleiro, etc).

A Lenda do Baú de Moedas de Ouro

A Lenda do Baú das Moedas de Ouro


Em 1947, o eminente professor Carlos Maldonado Fuentes iniciou uma pesquisa sobre as famílias tradicionais de Bagé, sua terra natal. Para tanto, entrou em contato com várias personalidades locais, sobretudo, em busca de informações genealógicas. Foi então, que conheceu o Dr. Eriberto Contreiras – respeitado médico da cidade e igualmente membro de um importante clã. O Dr. Contreiras auxiliou o Prof. Fuentes como podia, mas disse-lhe que talvez fosse de mais proveito às pesquisas um diário que pertencera a sua irmã Dorothéia – mocinha muito estimada por ele e que morreu apenas com 22 anos. Segundo o médico, Dorothéia tinha por hábito registrar no diário “histórias e coisas de outrora” da própria família e de amigos que freqüentavam a casa. Com as mãos no calhamaço íntimo, o Prof. Fuentes percebeu o valor daquelas páginas, pois pode acrescentar a seu trabalho muitos dados preciosos. Entretanto, uma narrativa no Diário de Dorothéia chamou-lhe muita a atenção: a Lenda do Baú das Moedas de Ouro. Conforme o que leu, Dorothéia teria sabido da história numa visita que fez a uns amigos de sua família no Capão do Leão em 1921 (três anos antes de falecer). Nos registros havia a descrição de um “um baú repleto de moedas de ouro enterrado num cerro cheio de pedras, entre as Almas e a Boena (sic), onde os tropeiros cruzavam com o gado”. O particular da narrativa era a riqueza de alguns detalhes.

Segundo o diário, um certo Capitão Santanna, combatente na Guerra do Paraguay, teria desertado dos campos de batalha e passado a agir como bandoleiro no norte da Argentina, tendo como comparsas outros desertores brasileiros. Após cometer os mais diversos tipos de crimes naquela região (e consta que não foram poucos), Santanna e seu bando teriam fugido para o Brasil, já depois do fim da guerra. Sem antes, porém, terem roubado um grande baú com moedas de ouro de um banco local. O que queriam voltando ao Brasil era rumar ao Rio de Janeiro – de onde, ao que parece, era procedente o Capitão Santanna – e puderem gozar os lucros do tal tesouro. Preferiu, então, o bando atingir Rio Grande e daí tomar viagem até a Capital do Império. Contudo, maltrapilho e violento, o bando do Capitão Santanna aprontou poucas e boas pelo interior do Rio Grande do Sul, atacando estâncias e pondo em vigília as autoridades. Ao aproximarem-se de Pelotas, os bandoleiros resolveram permanecer durante algum tempo escondidos, pois já sabiam que havia patrulhas em sua caçada. De acordo com o testemunho de Dorothéia “o bando acomodou-se na banda da Capela da Boena do Capão do Leão”. Resolveram, pois, enterrar o baú num cerro próximo, até que a situação se tornasse mais amena. Todavia, parece que a ambição dividiu o bando, pois alguns, liderados por um tal de Plotino, desconfiavam das intenções de Santanna quanto ao ouro. Após se trucidarem uns e outros, sobraram somente três do grupo: o próprio Santanna, seu adversário Plotino e um mulato forro de nome Antônio. Santanna acabou degolado por Plotino que “dependurou sua cabeça e genitálias a vista dos passantes à beira de uma estrada”. Plotino foi morto pela polícia quando, junto com Antônio, atacavam as reses de uma propriedade. O mulato foi preso e interrogado em Pelotas, porém não disse tudo o que sabia, nem o paradeiro do baú, pois na cadeia contraíra cólera morbus e falecera em menos de uma semana. A partir de então, vários anos depois muitas pessoas buscaram desenterrar o baú na região, sem sucesso algum.

Este foi o relato colhido por Dorothéia Contreiras quando de sua visita ao Capão do Leão.

Intrigado, Fuentes foi até à Pelotas na época em busca de mais informações. Entre relatos confusos e contraditórios, todavia ele encontrou um documento que parecia indicar a autenticidade da história de Dorothéia: um relatório da polícia local, datado de 1874, que citava “a malta do Santanna e uma carga roubada na banda da Freguesia da Consolação da Boena”. Nos achados do professor, constavam várias patrulhas em busca da tal carga que, em nenhum momento, entretanto, é identificada com um baú de moedas de ouro. Envolto em suas atividades profissionais em Bagé, o Prof. Fuentes acabou deixando de lado a história, pois julgou que, mesmo tendo algum fundo de verdade, o relato de Dorothéia poderia conter alguns elementos exagerados e/ou fantasiosos.

Foi então que, muito tempo depois, na década de 80, o Prof. Fuentes conheceu o jovem historiador uruguaio Fernando Barrientes. Mestrando pela Universidade de Montevidéu, Barrientes esteve na cidade de Bagé a fim de levantar dados e informações sobre bandos e bandoleiros na região da fronteira no século XIX – tema de sua dissertação. Nos primeiros encontros, Fuentes sequer se lembrou da história do baú das moedas de ouro e do diário de Dorothéia Contreiras. Só que em dado momento das conversas, Barrientes comentou sem maiores pretensões a respeito de certo “Capitán Santanna” que teria feito horrores no norte da Argentina na época de “La guerra de La Tríplice contra Solano” (evidentemente: A Guerra do Paraguay). O uruguaio seguiu sua narrativa e complementou dizendo que o tal “capitán” teria realizado um grande roubo monetário, muito provavelmente em ouro, na cidade de San Filippo, na Província de Entre-Ríos. Imediatamente, Fuentes lembrou-se do diário de Dorothéia e da história do baú das moedas de ouro, comunicando o que sabia a Barrientes.

O mais inesperado de tudo é que tanto o que Fuentes sabia quanto o que Barrientes pesquisara se encaixavam com muita facilidade e clareza. O uruguaio interessou-se deveras pelo assunto e esteve na região de Pelotas em 1988, fazendo pesquisa na Biblioteca Pública e percorrendo a zona rural de Capão do Leão e Morro Redondo atrás de pistas. Contudo, conforme sua conclusão se o tal baú com as moedas de ouro existe é difícil precisar sua localização, pois o único testemunho refere-se a uma região muito vasta (entre as Almas e a Buena – segundo o diário de Dorothéia). Encontrou também inúmeras lendas e historietas a respeito de ouro enterrado, o que multiplica as possibilidades geográficas do mítico local do baú.

Porém, um consolo a todos aqueles que procuram, procuraram ou pretendem procurar um tesouro por estas bandas é que: de fato existe algo enterrado em algum destes morros da Serra dos Tapes. Se for ouro, porém não se sabe.

Agradecimentos:

Prof. Fernando Barrientes, Montevidéu, Uruguay


Ricardo Silva Benítez, Pós-Graduado em Literatura pela Universidade de Montevidéu

Locomotiva no Cerro do Estado em 1959

Locomotiva número 19 no recinto do D.E.P.R.C. no Cerro do Estado
Ao fundo, é possível observar os galpões da locomotiva e da Usina

Logotipo da Câmara de Vereadores do Capão do Leão em 1983

Lembre-se que o atual brasão municipal só passou a vigorar em 1984

Programa do Quarto Aniversário de Capão do Leão (1986)

Formulário do Almoxarifado (Almacenes) da Compañia Americana de Construcciones y Pavimentos, S.A. de 1935

Observe-se que o formulário está em língu espanhola e no canto superior esquerdo lê-se "Cantera de Capão do Leão". Documento encontrado no Almoxarifado da Suprg, Cerro do Estado. Agradecimentos ao Sr. Jairo Costa e equipe de funcionários.

sábado, 6 de março de 2010

Gregos na Pedreira do Cerro do Estado

Na foto: registro de George Psarás, grego da cidade de Válta Cassándras Hale, profissão canteiro

Encontrei no Almoxarifado da Suprg, no Cerro do Estado, em Capao do Leao, um documento importantissimo da Cia. Americana de Construcciones y Pavimentos, S.A.: um livro de registro de funcionarios de 1926 a 1928. O mais impressionante e que, entre 27 nomes, 16 sao gregos de origem! Isto e, funcionarios que vieram trabalhar como canteiros, ferramenteiros, guindasteiros e ate um capataz! Em entrevista recente com o mais antigo graniteiro vivo do municipio, o Sr. Cipriano Sainz, que completara 90 anos em maio e que trabalhou na Cia. Americana, ele diz se recordar das familias gregas no Cerro do Estado, bem como afirmou que havia tambem espanhois, americanos, italianos, alemaes, "gente de tudo quanto era lugar" - assim definiu!
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