quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Nada vai nos separar...


Homenagem deste blog a todos os colorados leonenses!
Campeões do Mundo!

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Banda Jazz Acapulco



Banda Jazz Acapulco
Durante muito tempo os bailes em Capão do Leão
tiveram a animação do empolgante conjunto (anos 60 e 70)
Acima estão algumas recordações de bailes na
Associação dos trabalhadores do 4o. Distrito e no "Salão do Maurício"
Obs: o senhor com o acordeon é meu avô Orieny Dias Huelsen.

Bloco dos Negros

"Bloco dos Negros"
Carnaval dos anos 60
(base do bloco era a banda Jazz Acapulco)

Represa Municipal

Aspecto da Represa Municipal
(até 1996/1997 era responsável pelo abastecimento de água
em boa parte do centro de Capão do Leão)

Usina Elétrica

Antiga Usina Elétrica Municipal
Neste local encontrava-se o gerador de energia que abastecia o distrito de Capão do Leão
Data de construção não-identificada
(próximo a Estação da Praça João Gomes)

Lugares IV

Galpões do Deprec
Cerro do Estado
Inverno de 1999

Lugares III

Capela de Santa Luzia
Cerro do Estado
Erigida em 13 de dezembro de 1947

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

I Concurso Conhecendo Capão do Leão - Resultados Finais

Realizadas as apresentações dos trabalhos, pelas escolas, entre os dias 14 e 19 de setembro, no C.T.G. Tropeiros do Sul, divulgo aqui os resultados referentes aos premiados:
  • Categoria "Potencialidades Turístico-Econômicas": E.M.E.F. Professora Delfina Bordalo de Pinho.
  • Categoria "História e Memória das Localidades": E.M.E.F. Professora Delfina Bordalo de Pinho.
  • Categoria "Patrimônio Histórico-Arquitetônico": E.E.E.F. Engenheiro João Luiz Faria Santos.
  • Categoria "História da Escola e seu Patrono": E.M.E.F. Barão de Arroio Grande.
  • Categoria "Produção Artística Regionalista": E.M.E.F. Professora Delfina Bordalo de Pinho.
Concurso Geral:
  • Primeiro Colocado: E.M.E.F. Professora Delfina Bordalo de Pinho.
  • Segundo Colocado: E.M.E.F. Abadie Faria da Rosa.
  • Terceiro Colocado: E.E.E.F. Engenheiro João Luiz Faria Santos.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Golden Dream

Curiosa notícia extraída de um jornal do município (O Rugir do Leão, ano I, número 05, página 05, junho de 1995):
Ouro no Capão do Leão
Pode estar no subsolo a salvação do Capão do Leão para a grave crise econômica enfrentada pelo município. A Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CRPM) informou a existência no litoral Sul, de reservas de ouro e de outros minérios. Só de titânio, minério utilizado na fabricação de ligas metálicas de alto valor e gerador de diversos subprodutos, entre eles a tinta, as reservas ultrapassam 450 milhões de toneladas. Outros minerais de alta cotação encontrados na região foram platina, prata e pedras semipreciosas.
De acordo com o levantamento da CRPM, os mais fortes indícios de ouro concentram-se entre Capão do Leão e Pelotas e de Capão do Leão a Pedro Osório. Além da zona sul, foi encontrado ouro em municípios das zonas Centro-Sul, Centro, Vale do Rio Pardo, fronteiras Sudeste e Oeste.
Antes de iniciar a exploração, ainda é preciso pesquisar a quantidade e a viabilidade econômica do metal. Os técnicos alertam principalmente sobre o impacto ambiental que pode causar a exploração desordenada, sem levar em conta as normas ambientais. Segundo eles, várias empresas mineradoras já solicitaram reservas para explorar os minérios em mais de 100 áreas.
Prefeitos de vários municípios estudam a criação de um consórcio intermunicipal para exploração de reservas. O projeto visa garantir o gerenciamento da exploração, prevendo normas e procedimentos para preservar o ambiente. Entretanto, tudo indica que a prefeitura municipal de Capão do Leão não está entre os municípios consorciados. Se está, ainda não contaram para ninguém. Infelizmente, enquanto o município possui ouro e metais preciosos, o povo leonense continua levando ferro.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Praça João Gomes

Notícia encontrada no jornal "O Pampa", edição de 31 de maio a 07 de junho de 2002, página 5:
HISTÓRIAS LEONENSES
NOTÍCIA EXTRAÍDA DE UM MATUTINO DA IMPRENSA EM 09 DE FEVEREIRO DE 1931
NOTICIAS DO CAPÃO DO LEÃO

A Inauguração da Praça João Gomes
Com toda a solenidade realizou-se Domingo, 8 do corrente, a inauguração da Praça João Gomes.
A praça, que estava toda embandeirada, apresentava magnífico aspecto e era pequena para conter a grande massa popular. No ato inaugural, a placa foi descoberta pelo filho do homenageado, Sr. João Baptista Gomes, que atualmente exerce as funções de agente da estação da Viação Férrea local, e em seguida o Sr. Dr. Victor Russomano, pronunciou vibrante discurso, no que foi muito aplaudido.
Terminado o discurso, a Banda do Valoroso 9o. Regimento de Infantaria, dirigida pelo maestro Penna, executou diversas marchas. Esta banda compareceu à festa gentilmente cedida pelo digno comandante. Uma caravana composta de elementos de destaque do escol social de Pelotas, também compareceu à festa. A banda do nono foi conduzida pelo onnibus do Sr. Joaquim Correia e dois caminhões de propriedade respectivamente, dos srs. Alberto Netto e Hirondino Castro. Após a inauguração, a banda deu um bello concerto em plena praça, deliciando a população. Mais tarde, foram servidos chopps aos músicos e a comissão.
O illustre Prefeito Dr. João Py Crespo, offertou em nome da Prefeitura, os bancos necessários para aformosear os lindos canteiros. A praça tomou a denominação de João Gomes, em homenagem ao primeiro estacionário, que relevantes serviços prestou a esta população desde o anno de 1874 a 1901. A placa foi confeccionada pelo escultor Augusto Pastorello e oferecida por um grupo de veranistas e moradores, sendo collocada num obelisco de pedra offerecido pelo Sr. Antonio Paulo Lopes, administrador da Pedreira Municipal. A comissão organizadora era constituída dos srs. Eduardo Gastal Junior, Nede Lande Xavier, Capitão Waldemar Schneider, José Correa da Silva e Dr. Edmundo des Essarts Peres. São dignos de registro a iniciativa desta distinta comissão, que tanto cooperou para o progresso desta localidade, e os bons serviços da turma 94, que tanto interesse demonstraram para o embelezamento da referida praça. Em regosijo à inauguração, na residência do Sr. José Luiz Behocaray foi promovido um baile, organizado por alegres rapazes da sociedade local. Esteve magnífica esta festa.
Os créditos da descoberta desta reportagem pertencem ao Sr. João Medeiros e, sua publicação, ao Sr. Francisco Adilson.
A Placa mostrada na foto não é a original.

Estância da Palma

Estância da Palma
"Mais tarde, a Estância da Palma e Pavão (assim chamada), pertenceu a D. Sulpícia Moreira Rosa, adquirida por compra. Por ocasião de sua morte, em 1921, nomeia em testamento os herdeiros desta e demais bens. Primeiro, o seu esposo, o Coronel Alberto Roberto Rosa, segundo, o engenheiro Alberto Moreira Rosa, seguido de Álvaro, Arlindo e Dinah Moreira Rosa, todos casados e maiores de idade. '... a Estância da Palma e Pavão, composta de campos de criar e matas, com casas de moradia, galpões, mangueiras e outras benfeitorias, com área superficial de 12.557.429 metros quadrados, situada no 4o. Distrito deste município, confinada às pedreiras do Governo Estadual, havida por compra a diversos, de oitenta e quatro contos, oitocentos e oito mil, seis contos e vinte réis'. (Inventário - 1921- 3a. Vara Civil Forum Municipal).
Dentre as acomodações da estância consta o solar, construído, aproximadamente, em finais do século XIX, em estilo luso-brasileiro, com função de residência de verão e estadia para visitas periódicas de administração, uma vez que a família residia em Pelotas, na Praça da República no. 66 e tinha por hábito viajar ao Rio de Janeiro.
Com a morte do Coronel, herda seu filho, o Dr. Alberto Moreira Rosa, a extensão de terra, com casa de moradia, galpões, mangueiras e benfeitorias.
Em junho de 1937, o Dr. Alberto Moreira Rosa e sua esposa, Edwina de Godoy Rosa, residentes no Rio de Janeiro, representados pelo Dr. Hércio de Araújo, doam ao estado do Rio Grande do Sul, cessionário do acervo do extinto Banco Pelotense, a referida extensão de terra.
De posse do estado, em outubro de 1941, foi doada à Prefeitura Municipal de Pelotas, representada por seu então prefeito o Sr. Julio de Albuquerque Barros, com o encargo de ser mantido no local uma fazenda experimental da Escola de Agronomia Eliseu Maciel e outras instalações necessárias às funções técnicas ali administradas.
Em janeiro de 1946, a Prefeitura Municipal de Pelotas, através de seu prefeito Procópio Duval Gomes de Freitas, transfere o título de posse das terras ao Ministério da Agricultura, ficando estabelecida a exigência de manter a fazenda experimental da Escola de Agronomia.
Todo conjunto construído, bem como a área circundante, vem sendo utilizado com a finalidade de atender às exigências impostas. O solar, objeto em estudo, foi adaptado, por volta de 1970 para alojamento de estagiários. Estas adaptações trouxeram prejuízos ao conjunto arquitetônico original, devido ao emprego de materiais de baixa qualidade, mão de obra não especializada e falta de orientação técnica". (sem páginas numeradas)
Fonte: MARTINS, Roberto Dutra & OLIVEIRA, Ana Lucia (orientadores). Estância da Palma: Levantamento Histórico e Arquitetônico das Atuais Condições do Prédio. Pelotas, UFPel, Curso de Arquitetura e Urbanismo, novembro 1982.

sábado, 9 de setembro de 2006

A Precária Situação da Ferrovia dos Franceses

Saindo do Cerro do Estado, descendo e contornando os cerros da Pedreira e atingindo a Vila Teodósio, onde junta-se à ferrovia Rio Grande-Cacequi, a Ferrovia dos Franceses sofre com o vandalismo e o abandono. Sua conservação é precária, estando sujeita à ação do tempo, embora este não seja o maior vilão.
Domingo, 27 de agosto, prôpus-me a realizar o trajeto da ferrovia, saindo do Km 6 (em frente ao Cemitério Santa Tecla), com o intuito de seguir até o Cerro do Estado. Já logo no início do caminho pude constatar a depredação dos trilhos e dormentes. Andando cerca de 200 metros chega-se ao ponto semi-circular onde a ferrovia tangencia a zona urbana. Existe um grnde barranco, onde avistam-se as casas. Cena lamentável esta! No lugar, o povo deposita lixo, o terreno tornou-se pantanoso e é muito complicado passar. Para piorar, existe o odor fétido do lixo orgânico. Segue-se mais um pouco e nota-se que a depredação é uma constante em todo o seu trajeto. Os trilhos e dormentes são simplesmente retirados à luz do dia!
A mata penetra gradativamente na linha, embora isso, ao menos, não seja um grande problema. No trecho entre os quilômetros 4 e 3, a mata toma conta de fato da ferrovia (tive que, em alguns pontos, passar agachado). Quanto mais se caminha, mais se tem um sentimento dúbio: o desamparo à história contrapõe-se à beleza das paisagens circundantes. Logo após o Km 3, o trecho está aberto, sem interferência da mata, só que aí é que começa-se a ver cenas mais estarrecedoras. Em alguns pontos, cerca de 80 metros de trilhos sumiram! Dentro da área do Cerro do Estado, avista-se uma carregadora abandonada, com majestoso sustentáculo, medindo o conjunto todo cerca de seis metros. Nesta região, a ferrovia está tomada por uma espécie de savana média, que dificulta muito a caminhada. Por fim, atingi a Praça do Deprec, onde terminei minha caminhada, profundamente marcado pela situação precária da linha férrea.
A Ferrovia dos Franceses foi construída pela Compagnie Auxiliaire des Chemins du Fer au Brésil, para serviço de transportes de pedras do Cerro do Estado para as obras da Barra do Rio Grande. Na época, o serviço de mineração era realizado pela Compagnie Française du Port du Rio Grande do Sul, que também era a firma responsável pela construção dos molhes da barra. A construção da ferrovia deu-se em 1910. Entretanto, há um detalhe curioso sobre esta ferrovia. A princípio ela sairia do Cerro do Estado e dirigir-se-ia a Rio Grande numa via única e paralela, sem se anexar à ferrovia RG-Cacequi. Inclusive, os franceses já tinham, à época, construído pilares no Arroio Padre Doutor, que serviriam para sustentar uma ponte férrea que ali seria construída. Dizem os antigos que as ruínas destes pilares existem até hoje lá, coisa que ainda não visualizei. O fato é que o Governo do Estado, naquela época, percebendo que iria pagar uma tarifa mais cara pela obra, em razão da construção de uma ferrovia exclusiva Cerro do Estado-Rio Grande, intervém e obriga a companhia franca a unir a linha à linha Rio Grande-Cacequi, nas imediações da Estação do Teodósio. Isso aconteceu em outubro de 1910. Os trilhos utilizados na construção da Ferrovia dos Franceses são os mesmos que estão sendo depredados. Eles vieram dos Estados Unidos da América e foram fabricados pela indústria metalúrgica S & M.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Júlio de Castilhos

Esta personagem histórica possui uma grande importância para o município de Capão do Leão. Álias, o Capão do Leão só chegou ao que é hoje graças a visão deste homem. Este deveria receber, sim, um nome de rua ou avenida no município. Saibamos qual a razão.
No final do Império Brasileiro, já pelos anos de 1870, a província de São Pedro do Rio Grande do Sul vivia o desgaste econômico da crise da indústria das charqueadas. No poder, os grandes estancieiros e charqueadores mandavam, através do Partido Liberal de Gaspar Silveira Martins. Pouco se fazia para amenizar a crise e o Rio Grande era um torrão agrário nos confins do Brasil. Entretanto, vários setores ligados aos emergentes negócios urbanos e ao comércio da zona colonial buscavam impor-se também na sociedade gaúcha, buscando uma representatividade maior do que lhes era destinada. Como o Partido Liberal de Silveira Martins (ligado ao latifúndio) não buscava cooptar estes grupos sociais, antes até mesmo vendo-os com certa indiferença, o Partido Republicano Rio-Grandense tornou-se uma opção para estes novos atores, já na década de 1880.
Com o advento da República em 1889, o P.R.R. chegou ao poder e seu líder máximo, Júlio de Castilhos se pôs a implementar os princípios de sua ideologia política: o Positivismo. Esta preconizava um desenvolvimento global da sociedade, crendo que era necessário para progredir em ordem, a modernização de todos os setores da economia. Uma queixa muito comum à época dirigia-se ao problema dos transportes no Rio Grande do Sul. Tanto as vias terrestres quanto o Porto de Rio Grande constituíam verdadeiro empecilho ao desenvolvimento do comércio e às exportações gaúchas. Era urgente modernizar este setor! E o Estado Positivista de Castilhos sabia disso, tanto que as obras para a construção da Barra de Rio Grande já começaram a ser estudadas e planejadas neste período. Posteriormente, o P.R.R. de Júlio de Castilhos vai permanecer no poder até a Revolução de 1930 e, através de Carlos Barbosa e Borges de Medeiros (sucessores de Castilhos), iniciar-se-ão as obras para a construção da Barra em Rio Grande.
O impulso dado por tal empreendimento favoreceu localidades da zona sul do estado que tinham ricas reservas de pedra granítica, como é o caso de Capão do Leão e Monte Bonito. Com o serviço desenvolvido pela Compagnie Française du Port du Rio Grande du Sul na extração mineral, Capão do Leão viveu um dos seus melhores momentos em toda a sua história. Álias, podemos afirmar que ele nasceu de verdade naquele período, embora fosse povoado desde o século XVIII.

sábado, 2 de setembro de 2006

Vila Teodósio

Trecho extraído do jornal Diário Popular, de 30 de julho de 1941 (página 8):
"Há cerca de quarenta anos, num pitoresco rincão dêste município, á margem da via-férrea Rio Grande-Bagé, distante mais ou menos, quinze quilômetros desta cidade, começaram a ser construídas as primeiras casas de uma povoação que, dentro em pouco, estava transformada num aprazível ponto de veraneio.
Para que, entretanto, a povoação nascente se desenvolvesse com a rapidez desejada, indispensável se tornava estabelecer um meio rápido e cômodo de comunicações com a cidade, o que se tornaria possível com a construção de uma estação no local.
Isso, após as necessárias demarches, foi conseguido da direção da hoje Viação Férrea do Rio Grande do Sul.
Obtido o favor, foi doado o terreno por um dos proprietários* dali, e, entre os demais, foram angariados fundos para auxiliar as obras da estação que, pouco tempo depois, erguia-se elegante em suas linhas e sólida em sua estrutura, como um marco de progresso no cenário bucólico da povoação que nascia.
Depois disso foram aparecendo por todos os lados novas edificações, quasi todas destinadas a veraneio e quasi todas, também, elegantes e confortáveis, cercadas de belos jardins e bem cuidadas hortas e pomares.
Eis em rápidos traços descrita, a fundação da Estação Teodósio, o lindo centro de veraneio que todos conhecem e admiram.
Como era natural, a grande afluência anual de veranistas, não só desta cidade, como de Rio Grande, deu em resultado ir adquirindo a localidade certa vida própria, com a instalação de algumas casas comerciais e exploração da fruticultura para a qual, as terras se prestam magnificamente.
E assim, no lapso de quarenta anos, a Estação Teodósio tem vivido, prosperando de acôrdo com suas possibilidades.
Já teve, como estação de veraneio, seus períodos aúreos, sob o ponto de vista social, pois realizavam-se ali, em verões sucessivos, festas memoráveis, elegantes e encantadoras.
Tornou-se, por isso, além do mais, a Estação Teodósio, uma encantadora tradição social."
Este pequeno histórico foi produzido por um jornalista da época e constitui precioso documento sobre a Vila Teodósio e a Estação daquela localidade. Convém destacar que, por seu relato, a Estação e a Vila surgiram por volta de 1900 - conclui-se.
*O proprietário do terreno que foi doado para construção da estação foi o Sr. Teodósio Fernandes da Rocha, daí a razão do nome da estação ser este, primeiramente, e, conseqüentemente estender-se à vila.


sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Dia da República de 1956

Creio que o sentimento cívico em Capão do Leão seja alguma coisa notável. Sobretudo, se imaginarmos os monumentos existentes, aqueles que foram destruídos (A Bandeira do Brasil que existia no antigo posto da Brigada Militar) e as manifestações solenes, entre outros. A tradição dos desfiles escolares e a cerimônia do juramento à Bandeira, são outros exemplos bastante claros desse fenômeno. Não refiro-me a um patriotismo ufano, nem arroubos de orgulho ingênuo, pois o País não tem esta cultura e mesmo a suposta "identidade nacional" é colocada, muitas vezes, em questão. Mas a tradição de culto ao civismo também permaneça enquanto exemplo de busca de uma identidade própria - regional, auto-reflexiva, única.
Refiro-me a este assunto, pois encontrei uma notícia de jornal algo que inusitada e, que, percebendo o fato, pude constatar que ele é exclusivo. Comemorações do Sete de Setembro e do Vinte de Setembro são costumeiras, consagradas pelos respectivos feriados. E o dia 15 de novembro, data da Proclamação da República, o que se faz de solene? Antigamente era data das eleições, hoje um feriado que passa desapercebido.
Pois, em 1956 comemorou-se o Quinze de Novembro em Capão do Leão com uma esplêndida festa. Na ocasião, nem o centro urbano em Pelotas ou outras cidades da região fizeram o mesmo.
Curioso e interessante. A transcrição a seguir foi retirada do jornal Diário Popular, de 17 de novembro de 1956 (contracapa):
Comemorações do dia 15 de Novembro no Capão do Leão
Os festejos tiveram um transcurso dos mais brilhantes - Ponto alto do desfile militar - Coquetel às autoridades presentes - Detalhes.
As comemorações do dia 15 de Novembro, na Vila do Capão do Leão, caracterizaram-se por seu alto cunho cívico, sendo condignamente festejada a efeméride histórica.
Grande foi a afluência de pessoas à praça João Gomes, em cujo largo estava armado o palanque oficial e defronte o qual, ás 8,45 horas, foi deflagrada uma salva de tiros em homenagem ao Exército Nacional.
Autoridades
Entre outras encontravam-se presentes as seguintes autoridades, Sr. Adolfo Fetter, prefeito municipal; dr. Alvacyr Faria Collares, vice-prefeito; tenete-coronel Candido Vilasboas, representando os comandos do 9o. R.I. e do Q.G. da ID-3; capitão Túlio Azevedo, titular da Capitania do Porto; d. Maria Silveira Schild, titular da Diretoria de Educação; d. Silvia Mello, delegada regional de ensino; sub-prefeitos Arthur Hammeister, Alberto Reichow e Leopoldo Martins da Luz, e vereadores Carlos Sica, representando o presidente da Câmara, Carlos Augusto Piquet Coelho, Elberto Madruga e Darcy Adam.
Hasteamento da Bandeira
Às 9 horas, sob os acordes do Hino Nacional, executado pela banda do 9o. R.I., foi hasteado o Pavilhão Brasileiro pelo sr. Adolfo Fetter. A seguir, falando em nome dos poderes Executivos e Legislativos, o vereador Carlos Augusto Piquet Coelho, em inspirado improviso, teceu considerações sôbre o 15 de Novembro. Logo depois, os alunos dos grupos escolares "Farias Santos" da Pedreira, "Dario da Silva Tavares", do Capão do Leão, e "Arroio Grande", de Teodósio, foi entoado o Hino à Bandeira.
Ocupou a tribuna, em seguida, o sr. José Cândido Ribeiro, orador oficial da solenidade e representando a Comissão Organizadora dos festejos. S.s., após brilhante dissertação sôbre a efeméride, agradeceu a todos quanto haviam colaborado para o maior brilhantismo da festa, salientando, entre outros, os comandos das guardas militares e o sr. Adolfo Fetter.
Todos os alunos presentes, a seguir, entoaram o Hino Nacional.
O Desfile
Constitui-se ponto alto do programa o grande desfile militar realizado a seguir. Desfilaram, pela ordem, a Companhia de Petrechos do 1o. Batalhão do 9o. R.I., sob o comando do capitão Mauro Abud, as representações do Santa Tecla F.C., Independente F.C., pelotão de ciclistas sob o comando do sr. Edmundo Teixeira da Silva e, por fim, um grande esquadrão de cavalarianos, sob as ordens do sr. Luiz Carlos Muniz Medeiros.
Coquetel
Às 11 horas, no salão do sr. Manoel Selmo, na vila do Capão do Leão, foi oferecido pela Comissão um coquetel às autoridades presentes e outros convidados usando da palavra, na oportunidade o vereador Elberto Madruga. Ainda discursaram, o dr. Alvacyr Farias Collares, vereador Carlos Sica e tenente-coronel Candido Vilasboas.
Paralelo ao coquetel foi oferecido um churrasco à gauchada que havia tomado parte no desfile.
Festejos Populares
Durante a tarde, ainda nos salões do sr. Manoel Selmo, teve lugar uma movimentada quermesse, em benefício do Grupo Escolar "Dario da Silva Tavares", sendo a festa animada pelo Jazz do 9. R.I.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Desfile Escolar

Desfile escolar (Avenida Narciso Silva)
Escola Barão de Arroio Grande
07 de setembro de 1969

Banda de Tamboreiros





Banda de Tamboreiros do Ginásio Estadual do Capão do Leão (atual Escola Presidente Castelo Branco), desfile do dia 07 de setembro de 1968

Inauguração do Monumento à Paz

Na postagem do dia 02 de junho deste ano, publiquei artigo alusivo aos monumentos da I e II guerras mundiais existentes em Capão do Leão. A foto acima mostra o monumento à vitória aliada na I Guerra Mundial, que encontra-se na área da Empem. Abaixo transcrevo algumas informações contidas num trecho do jornal A Opinião Pública, de 01 de setembro de 1919 (página 2, coluna 6), que fala-nos sobre a inauguração deste importante patrimônio de nosso município:
Monumento aos alliados
No Capão do Leão
Perante avultado numero de pessoas, autoridades e representantes dos paizes alliados, realizou-se, hontem, no Capão do Leão, a inauguração do marco commemorativo á Paz, em homenagem aos alliados.
O local estava vistosamente ornamentado, assim como o monumento, envolto em bandeiras de diversos paizes, tendo sido, ao decerrar as bandeiras, dadas salvas de dynamite.
O sr. Domaso Nobre offereceu ao tenente José Vieira Mendes uma coroa de louros para ser depositada no marco commemorativo, tendo nesta ocasião usado da palavra o tenente Mendes agradecendo o comparecimento das pessoas presentes e fazendo um discurso allusivo ao acto, o qual foi muito apreciado, e entre bellas imagens relembrou a entrada do Brasil na grande conflagração.
Ao terminar a patriotica festa, as gentis creanças Cecilia e Carlos Nobre e Jurema e Telmo Kluger entoaram o hymno nacional.
O sr. tenente Mendes offereceu aos presentes um copo d'água, tocando-se, por occasião, varios brindes ao Brasil e aos alliados.
O marco ostenta a seguinte inscrição: GLÓRIA AOS ALIADOS, HONRA AO BRASIL; e data de 29 de agosto de 1919. Embora a I Guerra Mundial tenha acabado no campo de batalha em 1918 (Armísticio de Compiègne), somente em 1919, com o Tratado de Versalhes, é que o conflito vai ser declarado oficialmente encerrado. Daí o porquê o marco leonense ter sido inaugurado nesta data.

Vila Operária

Este conjunto de casas à rua Professor Agostinho (rua do C.T.G. Tropeiros do Sul) constitui a prova de que Capão do Leão possuía uma vila operária. Segundo dados do Prof. Paulo Mattos, entre 1920 e 1924, ter-se-ia construído uma vila para trabalhadores no distrito de Capão do Leão, por ordem do Prefeitura Municipal de Pelotas. Lógico, que estas casas, atualmente, estão bastante diferentes do que eram, são outras as pessoas que ali moram e houveram uma série de modificações com o tempo. Através de entrevistas, sei que nos anos 50, os trabalhadores da fábrica de café ainda moravam ali.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Carnaval de 1954



São dois trechos extraídos de jornais que separei e percebi o alcance do fato. O Carnaval leonense de 1954 possui uma importância ímpar: foi o primeiro que teve à disposição iluminação pública permanente até a madrugada. Nota-se que havia uma participação muito ativa da comunidade na organização da festa, igualmente. Abaixo a reportagem do "Diário Popular" de 13 de fevereiro de 1954:
Carnaval no Capão do Leão
No amplo salão do sr. Manoel Selmo, na Vila do Capão do Leão, será realizado, hoje, à noite, grande festa carnavalesca, em homenagem ao Fluminense F.C., das Pedreiras do Estado. As danças serão ritmadas pelo "Jazz Royal", não sendo permitido o uso de máscaras, podendo os rapazes tomarem parte com camisetas esportes. De Pelotas haverá ônibus, às 21 horas, saindo do Abrigo Municipal, fila do Capão do Leão.
Este seria o "baile oficial" da vila. Mais adiante, observar-se-á as comemorações ao ar livre na terça-feira de Carnaval (Diário Popular, 18 de fevereiro de 1954):
Carnaval no Capão do Leão
Também promete revestir-se de muita alegria o carnaval na populosa Vila do Capão do Leão, sempre entusiamada com os festejos do Momo. Para isso, a Comissão Carnavalesca daquela localidade pretende ornamentar a Praça João Gomes, por onde desfilarão os blocos e cordões burlescos, os quais participarão de um concurso, conforme tem acontecido anualmente.
A propósito recebemos o seguinte ofício da Comissão de Carnaval do Capão do Leão: " Capão do Leão, 15 de fevereiro de 1954. Ilmo. Sr. Redator do 'Diário Popular', Pelotas. Presado Senhor. - Temos o prazer de levar ao conhecimento de de V.S. de que esta sociedade consoante ao que vem realizando nos anos anteriores organizou a seguinte programação para este período carnavalesco."
1) - Ornamentação da Praça João Gomes, nos dias de carnaval.
2) - Realização do concurso entre os blocos e conjuntos locais, com prêmios aos primeiros colocados.
Neste ano o carnaval do Capão do Leão promete um movimento e animação inusitada, contribuindo em muito para isso a iluminação provisoria que já será feita pelos motores da Prefeitura Municipal.
Os blocos que saíram á rua no ano passado, inclusive o "Urso da Bica Municipal", vencedor do concurso de 1953, vêm se reunindo regularmente, tendo sido realizados diversos bailes como fonte de recursos para maior brilhantismo do carnaval leonense.
O vencedor do concurso, além de fina taça, terá conduções á disposição para participar do desfile promovido pela Comissão de Carnaval.
Sem outro motivo de momento aproveitamos o grato ensêjo para reiterar a V.S. os protestos de elevada estima e distinta consideração, com que nos subscrevemos, atenciosamente - Maximo Aquini Begeres, presidente.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Lugares III


Ponte (antiga) sobre o Arroio Fragata
Divisa entre os municípios de Capão do Leão e Pelotas
Foto da época da construção da rodovia que vai à Bagé

Pedra da Bandeira: destruída por quê?

Segundo informações do Sr. José Alaor Azambuja, houveram vários interesses para que a Pedra da Bandeira fosse implodida, o que aconteceu em 1972.
Um símbolo leonense que se perdeu para sempre, era uma referência de Capão do Leão. Disse-nos que assim o era, pois como a Vila tinha uma larga fama na produção e comercialização de frutas, as pessoas de fora tinham interesse em comprar aqui estes produtos. Quem embarcava no trem em Bagé, por exemplo, ouvia falar sobre as frutas de Capão do Leão. Como as pessoas não sabiam identificar o lugar pelo nome, pediam alguma indicação. Normalmente, a informação dada era esta: "Olha, quando estiveres te aproximando de Pelotas, verás uma grande pedra em cima de um morro, parece que foi colocada com a mão; ali é Capão do Leão." As pessoas ao olharem aquele colossal monumento geológico, sabiam onde estavam e sabiam que ali poderiam comprar frutas de qualidade na estação.
Pois bem, o que de fato ocorreu para que a Pedra da Bandeira fosse destruída?
Na época, final dos anos 60 e início dos anos 70, a Pedreira de Capão do Leão teve uma recuperação econômica substancial. O número de empregados cresceu, vieram máquinas modernas (para a época!) e a atividade mineradora tornou-se intensa. Isso não ocorrera por acaso. Estava em construção àquela época, o Conjunto Habitacional da Tablada, em Pelotas. Necessitou-se de muita granito para a construção de casas e pavimentação. O prefeito pelotense Ary Alcântara tinha interesse que a obra fosse concluída logo, pois ela iria ser inaugurada durante a visita do presidente da República, Ernesto Geisel. Para que não tivesse maiores problemas e pudesse estar com a Tablada pronta a tempo, intensificou-se a exploração de pedras em Capão do Leão. Isto foi feito de modo meio predatório, sem muito planejamento. A estrutura geológica que sustentava a Pedra da Bandeira foi abalada pelas constantes explosões, daí surgindo o risco que uma grande detonação pudesse fazer com que ela rolasse morro abaixo, atingindo a vila. Outro fator que imperou para que a Pedra da Bandeira fosse implodida era o seu tamanho. Era uma enorme fonte de granito, o que, na ocaião, importava muito economicamente.
Mesmo com os protestos da Vila do Capão do Leão pela não-destruição da pedra, com atuação destacada do vereador Elberto Madruga e da Comissão de Ginasianos da Escola Castelo Branco, o resultado final foi a sua perda irreparável.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Histórias Horripilantes I


No tempo em que não haviam cercas que separavam as estâncias, diz-se, que no interior do município havia um peão que era trabalhador de uma delas.
Criado a campo, o dito peão era um dos homens de confiança do patrão, álias, grande pecuarista da região. Estava prestes, este peão, a tornar-se capataz da estância, pois o antigo estava muito velho e sofria com um câncer na garganta, agonizando na cama da bolanta. Entretanto, o peão Juvêncio (vamos chamá-lo assim!) era conhecido tanto por sua competência quanto por sua crueldade para com os animais. Era violento com cavalos, bois, galinhas, cães, o que viesse pela frente. Esse lado negativo seu nutria histórias que contavam que ele era capaz de torcer o pescoço de galinhas com uma mão só e quebrar os cascos das tartarugas-tigres com pedras enormes, só por prazer sádico. Embora o patrão soubesse disso, advertia-o com timidez, pois sabia que ele, para o serviço, era homem de confiança.
Foi então, uma vez, que o patrão comprou seis vacas de um outro estancieiro lindeiro da fazenda. Pediu ao Juvêncio para buscá-las, o que o peão prontamente atendeu. Juvêncio não achou necessário montar o flete, pois como a distância não era muita, poderia ir a pé. Era um dia quente de verão, o tempo "armado" para chuva. Juvêncio saiu por volta das cinco da tarde e já pegou certo pingo grosso no caminho, atravessando um arroio não muito largo, mas que costumeiramente inundava. Chegou na estância do outro estancieiro e disse que iria pegar as vacas. Os gaudérios que ali estavam aconselharam Juvêncio a ficar, pois a tormenta se avizinhava e, pelo caminho de volta, ele teria que passar pelo passo do arroio, que poderia estar cheio e não dar possibilidade de translado. Juvêncio respondeu que não, que não era do seu feitio descumprir ordem do patrão e que iria levar as vacas, pois esperava chegar antes que escurecesse na estância. Os gaudérios não fizeram muita questão de contrariá-lo e ele se foi, tocando as vacas. Entretanto, é aí que começa a parte trágica da história.
No meio do caminho, antes de cruzar o arroio, a chuva veio tipo tempestade de verão. Os animais começaram a empacar buscando abrigo numa tapera velha que estava por perto. O Juvêncio louco com aquilo, cobria as pobres vacas com relhaço e mais relhaço, buscando fazer com que seguissem caminho. O Juvêncio batia com toda a força, machucava, torturava. A muito custo chegaram o Juvêncio e as vacas à beira do arroio. Só que agora o arroio mais parecia um rio bravio do que um simples riachinho. A correnteza era forte, pois ainda chovia muito. Os animais não quiseram cruzar o arroio - instinto natural. O Juvêncio bateu mais ainda nas vacas e diz-se que, no seu esforço quase esquizofrênico, entrou numa mistura de raiva e desespero. De tanto bater com um relho (que tinha pequenas esferas metálicas afiadas na ponta, extremamente cortantes) nos animais fez os bichos sangrarem. (A lenda conta ainda que ele teria "pelado" as vacas de tanto bater). O fato é que os animais foram definhando, a noite adentrou, e o Juvêncio na sanha louca de cruzar o arroio a qualquer preço. Chuva, chuva e chuva. Quando o Juvêncio já estava por cansar de tanto bater, um dos animais, com o rosto colorido de sangue, num instinto de defesa, avançou sobre Juvêncio e deu-lhe uma chifrada certeira nas costelas, que abriu-lhe tremenda ferida. Juvêncio caiu no chão e bateu a cabeça, ficando desacordado. Horas depois, já não estaria neste mundo.
No outro dia, o patrão de Juvêncio acordou com o dia já firme. Não procurou Juvêncio. Deduziu que com a chuvarada, ele teria ficado na outra estância. Foi fazer seu serviço e esperou até o meio-dia para falar com Juvêncio. Só que Juvêncio não apareceu. O patrão já praguejou e foi ver o que tinha acontecido. Chegando à estância do homem que tinha lhe vendido as vacas, perguntou pelo peão desaparecido. Lá disseram-lhe que Juvêncio tinha arriscado e saído com o temporal. O patrão não pensou o pior e achou que Juvêncio pudesse ter se abrigado no caminho. Só que caiu a tarde e Juvêncio não veio. No outro dia, o patrão fez a busca pelo desaparecido com mais alguns peões e encontrou um corpo a alguns metros do arroio. Era Juvêncio, estirado no caminho, escondido pelo mato. Tinha morrido de febre em razão do ferimento. As vacas foram encontradas logo adiante, também mortas, duas ainda agonizando. Estavam feridas, algumas com membros quebrados.
Diz-se que Juvêncio não teve descanso por suas maldades contra os animais. Próximo ao arroio Itaita, nas noites de chuva, dizem alguns que, nas coxilhas, avista-se uma figura tocando seis vacas não se sabe para onde. Há uma espécie de fosforescência em torno daquele conjunto e se alguém chega perto o homem e as vacas somem diante dos próprios olhos. Os mais velhos são taxativos: triste fado de alguém que, quando em vida, não teve compaixão nenhuma pelas criaturas da estância.

domingo, 20 de agosto de 2006

Loteamento Zona Sul

Surgiu por volta de 1975, por iniciativa do Sr. Oriente Brasil Caldeira. Segundo dados da Revista Zona Sul, número 1, de maio de 1989, o Sr. Oriente loteou uma área às margens da BR-116 em 300 espaços territoriais. Ao que tudo indica a área anteriormente era dedicada ao cultivo de arroz. É também de iniciativa do Sr. Oriente o loteamento de terrenos na avenida Eliseu Maciel, nos fundos do Motel Vila Rica e na rua José Maciel, no Jardim América.
A escola situada na área do Loteamento Zona Sul, fundada em 24 de maio de 1984, recebe o nome de sua mãe: Laura Alves Caldeira.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Assentamento da Palma

Trecho extraído da revista acadêmica História em Revista, do Núcleo de Documentação Histórica da Universidade Federal de Pelotas, número 02, ano 1996. Fornece algumas informações sobre o assentamento agrícola da Palma. Os autores: Beatriz Ana Loner, Lorena Almeida Gill, Paulo Mattos, César Reis Gomes e Rodrigo Dias. O artigo é o seguinte:
O Assentamento da Palma:
a individualização do coletivo
"Esse artigo é resultado de um projeto de pesquisa desenvolvido durante 1993 e 1994, junto aos colonos assentados na Fazenda da Palma, propriedade da UFPel, no município de Capão do Leão, RS." (pág. 65)
"Normalmente, as ocupações são realizadas em terras de particulares consideradas improdutivas pelo movimento. Entretanto, para o final da década de 80, começam a invadir também terras da União, numa tentativa de pressionar mais diretamente a Administração Federal e cobrar soluções para o problema da Reforma Agrária. É dentro desta perspectiva que se colocam as duas invasões sofridas pelo Centro Agropecuário da Palma (Fazenda da Palma), estação agro-experimental pertencente a Universidade Federal de Pelotas e situada no Município de Capão do Leão, utilizada para fins de ensino e pesquisa da UFPel.
A primeira invasão ocorreu em 23 de novembro de 1987, quando grupos de colonos, vindos da Fazenda Anonni, instalam-se no local. O significado político da invasão era evidente: dar uma resposta à UDR, que sempre reclamava pelo fato dos colonos só invadirem propriedades particulares; pressionar o governo federal, para que este agilizasse a solução para os problemas da terra, além de tentar formas de colaboração entre colonos e instituições ligadas ao poder federal, daí o motivo da invasão de uma Fazenda Experimental. A proposta dos colonos era serem assentados, em parte das áreas da fazenda e desenvolverem um projeto agrícola conjunto com professores e pesquisadores da UFPel. Entretanto, apesar do apoio de vários setores, dentro e fora da universidade, os colonos tiveram que lutar contra a posição da Reitoria e do Governo, contrários ao assentamento, além de fortes correntes na cidade de Pelotas e regiões vizinhas que viam no acampamento o perigo de transferir-se para a Zona Sul as conturbações ocorridas em outras regiões do Estado pela atuação do MST. Derrotados nos Conselhos Superiores da UFPel, os colonos perderam a possibilidade do assentamento, tendo que se retirar do local em maio de 1988.
A segunda invasão deu-se em 12 de março de 1993, por um grupo de famílias vindas de acampamento na Fazenda Santa Marta, em Bagé. Fazia parte de uma estratégia responsável pela invasão, no mesmo dia de outras duas áreas de terra no Estado. Tal ação justificava-se no fato de que naquele dia, o presidente da República estaria no Estado abrindo a colheita do arroz e assim, estes acontecimentos teriam ampla repercussão nacional, fazendo parte da estratégia de pressão sobre a União para que esta efetivasse suas promessas de redistribuição de terras. Esta segunda invasão novamente dividiu opiniões na universidade e na região. Entretanto, desta vez contou com uma conjuntura mais propícia internamente, devido a Reitoria, sob a direção do Dr. Amilcar Gigante, ter assumido uma posição favorável à projetos conjuntos com colonos sem terra. Também a direção do INCRA se posicionou favoravelmente ao projeto de assentamento apresentado pelos colonos com a colaboração de setores ligados à universidade. Desta forma, o projeto foi aprovado pelos órgãos superiores da UFPel, ficando destinado uma área de quase 500 hectares da Fazenda para sua implantação, onde os colonos, distribuídos em 26 famílias (perto de 90 pessoas) devem desenvolver trabalhos de agricultura e pecuária, sob assessoria de técnicos e professores ligados à instituição, com a colaboração do INCRA e outros órgãos do governo quanto ao financiamento. A propriedade da terra continua sendo da universidade, tendo os colonos direito a sua utilização em regime de comodato durante 15 anos." (pág.68-70)
"Logo que começamos as entrevistas na Palma, uma das questões que nos chamava a atenção foi justamente a expectativa que tinham os assentados no processo de coletivização não só vinculado a esfera da produção, quanto da reprodução. Pensava-se em uma vida praticamente conjunta, como se o assentamento pudesse se constituir em um 'embrião' daquela sociedade igualitária, justa e fraterna, que a esquerda preconizava." (pág. 72)
"Em entrevistas iniciais, sentimos que esta mentalidade impregnava de tal forma as idéias dos colonos que, por exemplo, alguns entrevistados afirmaram que até as galinhas que criavam como sua propriedade individual, junto às casas, seriam colocadas no galinheiro coletivo, tão logo este estivesse pronto. Entretanto, hoje em dia, com o galinheiro já pronto e o criadouro de porcos também em funcionamento, continuamos a ver muitas destas pequenas criações no acampamento que persistem como propriedade individual." (pág. 73)
"O assentamento tem uma estrutura deliberativa formada por todos os colonos, com decisões tiradas em assembléia. Nestas, tem direito à voto os maiores de 16 anos. Além disso, tem uma direção, eleita por um ano, com direito à reeleição." (pág. 76)
"Contudo, aquela grande expectativa inicial do trabalho conjunto, levou-os apresentar, nos primeiros tempos, uma atitude de certa passividade, de paciente espera frente a resolução de alguns problemas. O exemplo da habitação é o mais ilustrativo, na medida em que passaram-se 2 anos até que resolvessem eles próprios construir as casas, mas aí ainda podemos acreditar que confiavam na palavra de autoridades que garantiram o financiamento do projeto. Mas que dizer de problemas menores, como a questão da assistência médica no acampamento? Algumas mulheres engravidaram enquanto esperavam que os anticoncepcionais fossem trazidos ao acampamento, mas poderiam tê-los conseguidos em postos médicos da região." (pág. 81)

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Associação dos Trabalhadores do 4o. Distrito


Situado na avenida Narciso Silva, o prédio abriga atualmente três secretarias municipais: Finanças, Administração e Obras, Urbanismo e Meio Ambiente. Entretanto, antes da emancipação (1982), era sede social da Associação dos Trabalhadores do 4o. Distrito de Pelotas, o Capão do Leão. Não pude precisar quando foi construído, mas a Associação dos Trabalhadores data de 05 de novembro de 1956. Seu último registro aparece em 1984, quando se chamava apenas Associação dos Trabalhadores de Capão do Leão.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Franceses em Capão do Leão

Fala-se muito acerca dos franceses em Capão do Leão, o que de fato é uma realidade. Certos prédios e construções denotam esta influência. Embora, segundo a arquiteta Marta Silva, os prédios "franceses" do Capão do Leão são muito mais exemplares de uma arquitetura belga. Já segundo o historiador Mário Osório Magalhães, após ter visto uma foto recente do prédio da antiga sub-prefeitura (hoje faz parte das dependências do C.T.G. Tropeiros do Sul), parecem casas de campo francesas, as construções que se verifica em Capão do Leão. Tive acesso a obra Franceses no Rio Grande do Sul, de Armindo Beux (Porto Alegre: A Nação, 1975) e nela pude encontrar algumas informações sobre franceses residentes no Capão do Leão. Transcrevo abaixo o encontrado, com especial atenção à personagem a seguir, pois as informações constantes são curiosas:

"Por volta de 1940 faleceu, com avançada idade, na cidade de Pelotas, o sr. Alexandre Gastaud, simples e modestamente. Entretanto sua atuação foi notabilíssima, sobretudo no que tange à eletricidade.
Gastaud veio para o Brasil, com seus pais, com poucos anos de idade. Ainda era menor quando o casal Gastaud resolveu mudar-se para a Argentina, deixando em Pelotas o pequeno Alexandre que, sozinho, resolveu dedicar-se ao trabalho no comércio, iniciando sua vida como varredor de escritório e caixeiro, depois. Com menos de 20 anos foi trabalhar na Viação Férrea, como limpador da Estação de Pelotas. Inteligente e curioso, embora mal soubesse ler e escrever, dedicou-se com especial carinho ao estudo do telégrafo. Um dia falece repentinamente no posto de trabalho, o telegrafista, e, Alexandre Gastaud, diante do desespero do chefe da estação, resolve movimentar o aparelho e o fez com tanta perícia que assombrou o chefe da estação. Foi o começo de sua vida ascensional, pois chegou a telegrafista-chefe no Telégrafo Nacional, diretoria de Pelotas, tendo exercido sua atividade, como especialista, no Rio Grande, Bahia, Belém do Pará e outros pontos.
Não havendo ainda eletricidade em Pelotas, Alexandre Gastaud mandou buscar na Europa aparelhos e instalou luz elétrica e força na Santa Casa de Misericórdia. Mais tarde fabricou um aparelho de Raio X, realizando a primeira operação em radiografia do Brasil.
Na sua chácara em Capão do Leão, também instalara luz elétrica e força para água encanada em casa. Gastaud foi verdadeiro exemplo de trabalho e inventiva." (pág. 49-50)
Fiquei curioso em saber qual seria a chácara do sr. Alexandre Gastaud em Capão do Leão. Tenho documentos que narram vários piqueniques que ele realizava em sua chácara com os membros da Liga Operária de Pelotas. Suspeito de dois prédios, mas somente um exame mais apurado pode concluir algo.
Adiante algumas citações sobre nomes de famílias que vieram a se estabelecer (ao menos em parte) no território de Capão do Leão.
"Citaremos ainda Simon Adam, casado no Boquete (Capela da Buena) em Pelotas no ano de 1835 com Maria Joaquina Dutra,..." (pág. 117)
"..., são outros nomes de imigrantes franceses Jean Baptiste Roux, filho de Louis Roux e de Justine Roquemaure, casado com Eleonore Delaunay, filha de François Delaunay e de Eleonore Lacroix foram pais de Julia, Luiz, Eugênia, Luiz Alberto e João Augusto, falecidos de menor idade e de Fanny Roux, casada com Paulo Frederico Augusto Baethgen, Amélia Justina Roux, casada com Eduardo Gastal, Cecília casada com Gabriel Gastal, Fanny, casada com Jean Perez, pais do dr. João Rouget Peres, e o ilustre médico dr. Edmundo Berchon des Essarts, viúvo de Antonia Chaves e casado segunda vez com Idalina Correia Caldas. Odr. Berchon teve do 1o. matrimônio Edmundo, Vera e Amélia, as duas casadas, sendo a 1a. com Jaime de Carvalho, com uma filha, Antonia de Essarts Carvalho, viúve do comte. Luis Rafael de Oliveira Sampaio, estancieiros no Pavão, em Pelotas. Houve ainda o dr. Álvaro Chaves Berchon des Essarts, falecido jovem
." (pág. 118)
Convém ressaltar que o texto foi escrito quando Capão do Leão ainda era distrito de Pelotas.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Posto Kaiser

Foto do antigo Posto Kaiser
esquina da rua João Rouget Peres com avenida Narciso Silva
Nota: o senhor ao lado da bomba de gasolina é o "seu" Kaiser, proprietário do posto, os outros dois senhores não são identificados

Pedreira Municipal década de 1970

Aspecto da Pedreira do Sapem (hoje Empem) em meados dos anos 1970

Pedra da Bandeira

Pedra da Bandeira
Foto do início da década de 1970

Carnaval anos 60


Bloco dos Negros
Carnaval no final dos anos 60
Avenida Narciso Silva

Monumento da II Guerra Mundial

Monumento comemorativo à rendição incondicional da Alemanha na II Guerra Mundial
Praça João Gomes
Veja postagem do dia 02 de junho de 2006

Onde estou?

Esta pedra deveria conter uma placa comemorativa. Muito provavelmente alusiva à carta-testamento do ex-presidente Getúlio Dornelles Vargas, dizem alguns. O fato é que este bloco, que se encontra na Praça João Gomes, está sem a placa que deveria conter. Onde foi parar? Ação de vândalos?

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Jardim América em 1986

Encontrei, por puro acaso, um trabalho acadêmico de 20 anos atrás que chamou-me muita atenção. Possui informações, sobretudo, sobre o bairro Jardim América. Não é um histórico, mas uma análise sociológica que foi realizada na época sobre a questão da migração e do êxodo rural. O nome da produção é "Integração do Migrante Rural-Urbano e Análise de Variáveis que influenciam o processo. Capão do Leão,RS.", de Manoel Mendieta Araújo. Trata-se de uma dissertação de Pós-Graduação em Extensão Rural da Universidade de Santa Maria (UFSM), de 1986. Não consegui identificar a razão pessoal a qual motiva este pesquisador a analisar Capão do Leão e, mais especificamente, o bairro Jardim América. Pelo prefácio, pude concluir que ele não é daqui. Adiante ele coloca as razões metodológicas da escolha. É uma obra de um tamanho médio, mas não significa que tenha muitas informações sobre o município ou sobre o bairro. Na maior parte, o pesquisador analisa o problema do êxodo rural no país, no estado e na região. Há muita explicação sobre seus critérios estatísticos. Selecionei o que considerei mais relevante sobre o Capão do Leão e o bairro Jardim América.
Trecho a seguir dá uma descrição do bairro à época:
"A seleção do Jardim América como área de estudo, justifica-se pelo fato de o mesmo se caracterizar como um bairro urbano, formado na sua maioria por migrantes rurais que se deslocaram de seus municípios de origem, provavelmente pertencentes na sua quase totalidade à região sul do Rio Grande do Sul, como Pelotas, Canguçu, Piratini, Pedro Osório, Arroio Grande e São Lourenço do Sul, entre outros,(...).
O loteamento do Bairro Jardim América foi planejado em 1954, sobre a área total de 234 hectares pertencentes a uma antiga fazenda, tendo a seguinte localização: sua exposição é frente para o sudoeste, sendo os seus limites assim demarcados: ao sul, encontra-se a estrada de ferro Pelotas-Bagé, estando o fundo o campus universitário da UFPel e a área da UEPAE/Pelotas, da EMBRAPA; ao norte, acha-se a estrada rodoviária que liga Pelotas à Bagé, e ao fundo um outro loteamento próximo a um areal, e também o distrito industrial; ao leste, a estrada rodoviária que liga Pelotas ao campus universitário da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), tendo ao fundo o bairro Fragata, de Pelotas; e ao oeste, é cortado pela BR 116 que liga Porto Alegre a Jaguarão, e, ao fundo, apresenta a sede do município de Capão do Leão.
O lotemaento foi subdividido em 4000 lotes, possuindo em média, cada terreno, uma área de 360 metros quadrados.
Foram reservadas áreas verdes, distribuídas por todo o bairro, que deveriam constituir-se em praças e jardins, a fim de propiciar recreação e lazer aos moradores, o que hoje não se verifica pelo motivo de estarem quase todas elas em regime de ocupação.
Os recursos e serviços de infra-estrutura, como água, luz, esgotos, coleta de lixo, pavimentação de ruas, entre outros, têm-se constituído em motivos de intensas reivindicações da população e em fatores que dificultam o desenvolvimento do bairro.
Os moradores dispõem de serviços na área médica, prestados por dois postos de saúde localizados no próprio bairro, sendo um da responsabilidade da administração municipal, estando o outro sob a orientação da Faculdade de Medicina, da Universidade Federal de Pelotas.
Contam, igualmente, com os serviços de um posto policial, cuja inauguração veio atender aos apelos da população local, no sentido de terem garantidas as condições de maior segurança e de manutenção da ordem, necessárias ao seu bem-estar.
Jardim América é o bairro mais populoso de Capão do Leão, sendo conhecido como bairro-cidade. Dista 10 km do centro de Pelotas e 12 km do centro de Capão do Leão.
Por motivo de a emancipação do município de Capão do Leão ter ocorrido num curto prazo de apenas quatro anos, ou seja, em três de maio de 1982, o referido bairro ainda depende, em grande parte, em seus aspectos econômicos e sociais, do município de Pelotas." (pág. 40-43)
Mais adiante o pesquisador fala-nos sobre o município e alguns aspectos sociais, econômicos e educacionais, novamente reenfocando o Jardim América:
"Quanto ao município de Capão do Leão, devido à sua recente emancipação política e territorial, possui poucos dados estatísiticos, através de pesquisas e censos, e, portanto, mais confiáveis.
Dados fornecidos pela Prefeitura Municipal indicam que a sua população é de, aproximadamente, 20000 habitantes para uma área de 720 Km quadrados.
Após a sua primeira eleição, ocorrida em 15 de novembro de 1982, os esforços vêm sendo dirigidos no sentido de organizar a estrutura social, política, econômica, religiosa e cultural necessária ao seu desenvolvimento.
(...)
A atividade econômica é fundamentalmente ligada ao setor primário. Possui uma pedreira que ainda é explorada e administrada por Pelotas, apresentando-se, atualmente, com déficit econômico.
Seu distrito industrial é composto por indústrias armazenadoras e transformadoras de produtos primários, como frigoríficos e outras.
Observa-se que o maior excedente de mão-de-obra ocorre nas atividades braçais, ou seja, naquelas em que se exige um menor nível de qualificação profissional.
O emprego sazonal da força de trabalho é maior nos períodos de safras agrícolas: nas atividades ligadas à indústria de conservas, nos meses de dezembro a fevereiro; nas atividades ligadas a frigoríficos, nos meses de outubro a abril.
O setor educacional constitui-se em área prioritária de atuação, visto o município possui apenas uma escola de 1o. Grau completo, estando para ser implantada uma de 2o. Grau. Possui, ao todo, 23 estabelecimentos de ensino, sendo 19 escolas municipais e 4 estaduais.
No Jardim América há uma única escola, dividida em três prédios pequenos, que oferece até a 4a. série do 1o. Grau.
(...)
Conforme dados fornecidos pelo Setor de Cadastro da Secretaria Municipal de Finanças de Capão do Leão, residem, atualmente, no bairro Jardim América, um total de 1146 famílias, das quais 80,0% são provenientes do meio rural, perfazendo, portanto, uma população total de 917 chefes de família migrantes." (pág. 48-49)
Numa outra parte há um estudo sobre o nível de vida das pessoas no bairro àquela época:
"NÍVEL DE VIDA
(...)
Os dados coletados, no que se refere à habitação, permitam afirmar que 83,7 % dos indivíduos amostrados moram em casa própria, 11,3 % alugam casa para morar, 3,8 % residem em casa de parentes, e apenas um elemento mora em casa cedida por um amigo, para repará-la.
(...)
Salienta-se, também, que 15,0 % da população estão morando em áreas verdes, no sistema de ocupação, enquanto que 61,0 % encontram-se com a situação regularizada, faltando apenas escriturar definitivamente em seus nomes.
Quanto aos tipos de casas encontradas, 58,7 % são de alvenaria, sendo que destas, 21,3 % dos proprietários ainda não conseguiram recursos para rebocar suas paredes; 5,0 % das casas são mistas, 6,3 % são de madeira e 30,0 % da população residem em barracos.
Esses barracos são pequenas casas de madeira, velhas, a maior parte delas sem forro, de chão batido ou de cimento, com problemas de abertura, de telhado e de conservação.
A relação número de pessoas/número de peças da casa é satisfatória para 43,7 % dos casos, sendo que para os outros 56,3 % entrevistados, o tamanho da casa não é adequado às suas famílias.
(...)
No tocante às facilidades higiênico-sanitárias, ressalta-se que 52,0 % da população possuem água encanada, tendo como fonte os poços artesianos coletivos no bairro (32,0 %), ou então, ligada à rede de água do frigorífico Rio-Pel (20,0 %), localizado bem próximo ao bairro.
A inexistência de uma rede de fornecimento de água à população do bairro, faz com que muitas famílias (29,0 %) sejam obrigadas a buscá-la, de balde, nas bicas (torneiras públicas), a uma distância que varia até um quilômetro de suas casas.
Para as residências mais afastadas no bairro (15,0 %), a água é fornecida em carros-tanque da Prefeitura Municipal de Capão do Leão, duas vezes por semana, sendo depositada em bombonas plásticas com capacidade de 200 litros, pertencentes a cada família, apresentando toda a espécie de inconveniências de manter uma água parada por muito tempo.
Poucos são os lares (5,0 %) que dispõem de poço de algibre em seu terreno." (pág. 75-77)
Há uma análise sobre a representatividade política e o enganjamento social na época no bairro Jardim América:
"Quanto à participação em associações, conclui-se que somente dois elementos, ou seja, 2,5 % dos entrevistados, são sócios da Associação do Bairro Jardim América. Tal fato demonstra um descrédito muito grande, por parte da população, a uma entidade que deveria exercer o importante papel de representação e reivindicação dos seus direitos e benefícios.
Muitos chefes de família afirmaram não conhecer bem o que seja uma associação. Outros salientaram que a mesma não pode e nem deve servir de instrumento para a promoção de atividades políticas com fins meramente eleitoreiros, pois tais fatos afastam os sócios que pensam ser a associação uma entidade onde devem ser debatidos os verdadeiros problemas da comunidade, e analisadas as possíveis buscas de soluções para os mesmos.
Participam de outras associações religiosas e sócio-recreativas 10,0 % dos indivíduos amostrados, sendo que em associações políticas não se encontrou representatividade, isto é, nenhum chefe de família entrevistado tem participação política direta em partidos e/ou agremiações, o que caracteriza uma quase que completa alienação da população em termos políticos.
É importante atentar-se para o fato de que, embora a inexpressiva participação política da população local, o bairro encontra-se atualmente representado por quatro vereadores, inclusive pelo Presidente da Câmara de Vereadores do Município de Capão do Leão." (pág. 79-80)
Sobre os níveis educacionais no bairro, ele conclui o seguinte:
"Verifica-se, também, que, um em cada dois chefes de família é analfabeto, um em cada três possui baixa escolaridade e um em cada cinco tem uma média escolaridade.
Essa situação caracteriza, portanto, uma população com muito baixo nível de escolaridade." (pág. 88)
A última parte que selecionei intui sobre a formação do bairro. Além de apontar a origem dos migrantes que vierem para o Jardim América, leva crer que este processo foi, particularmente, intenso nos anos 80. Eis o trecho:
"Os dados tabulados mostram ainda que 68,8 % da população residem no bairro há menos de 10 anos". (pág. 94)
" Quanto ao local de origem do migrante, tomando-se por base sua naturalidade, ou seja, o município onde nasceu, (...), que a maioria dos entrevistados, 45,0 %, são naturais do meio rural do município de Canguçu, seguidos de 22,5 % de Pelotas, 11,3 % de Pedro Osório, 10,0 % de Piratini, e de pequena representatividade de outros municípios pertencentes à região sul do Estado (Arroio Grande, São Lourenço do Sul, Pinheiro Machado, Passo Fundo, Encruzilhada do Sul). (pág. 100)



quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Capão do Leão - Dados estatísticos


População:
  • 1970: Total: 6473 (Fonte: ROSA, Mário. Geografia de Pelotas. 1985)
  • 1980: Total: 6704 (Fonte: ROSA, Mário. Geografia de Pelotas. 1985)
  • 1991: Urbano: 16194; Rural: 2700; Total: 18150
  • 1996: Urbano: 18595; Rural: 2383; Total: 20978
  • 2000: Urbano: 21350; Rural: 2364; Total: 23714
  • 2004: Total: 26193
  • 2005: Total: 26740
Observação: Capão do Leão é o município da Zona Sul que apresenta maior faixa de crescimento populacional ao ano (2,09%). Fonte (dados de 1991 a 2005): edições de 19/06/2005 e 01/09/2005 do jornal Diário Popular.
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM)
Região Sul do Estado do Rio Grande do Sul (composta por 23 municípios na análise do IBGE) Obs: Escala vai de 0 a 1.
  • IDHM (geral) em 1991: 0,711 (décimo segundo colocado na região; acima da média regional, mas abaixo da média estadual).
  • IDHM (geral) em 2000: 0,770 (nono colocado na região; acima da média regional, mas abaixo da média estadual).
  • IDHM (renda) em 1991: 0,577 (vigésimo colocado na região; abaixo das médias regional e estadual).
  • IDHM (renda) em 2000: 0,635 (vigésimo colocado na região; abaixo das médias regional e estadual).
  • IDHM (longevidade) em 1991: 0,765 (terceiro colocado na região; acima das médias regional e estadual).
  • IDHM (longevidade) em 2000: 0,795 (quarto colocado na região; acima das médias regional e estadual).
  • IDHM (Educação) em 1991: 0,791 (nono colocado na região; acima da média regional, mas abaixo da média estadual).
  • IDHM (Educação) em 2000: 0,880 (oitavo colocado na região; acima da média regional, mas abaixo da média estadual).
Fonte: Diário Popular, edição de 08/05/2005, citando pesquisa do PNUD (órgão das Nações Unidas).

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Histórias Curiosas III

Nos anos 50 e no início dos anos 60, Capão do Leão, embora um distrito pelotense, possuía uma cena política bastante movimentada. Quando haviam eleições as pessoas se mobilizavam e, mesmo no dia-a-dia, identificavam-se tendências ideológicas distintas e presenciavam-se debates acalorados. A vila, aquela época, polarizava-se entre o PTB (do ex-governador Leonel Brizola) e o PSD. Quem não era de um lado, era de outro. E mesmo a pequenez do lugar, não impedia que a política fosse um acontecimento notável. Os mais antigos contam que ocorreram comícios com grandes churrascos, em lugares tão tranqüilos como o Cerro das Almas, que chegavam a agregar cerca de três a quatro centenas de pessoas.
Contudo, embora houvessem muitos brizolistas (petebistas) e peessedistas, haviam as exceções. Sem dúvida, aqueles que não se interessavam por política, porém também um grupo reduzido, mas bem conhecido: os comunistas. Eram numerosos como os "dedos de uma das mãos", mas eram conhecidos pela sua inteligência e articulação. Normalmente, auto-intitulavam-se assim e militavam no PTB, dado que o PCB era ilegal.
Com os acontecimentos que se desenrolaram no Brasil nos primeiros dias de abril de 1964, a situação de muitos petebistas ficou complicada. Em Capão do Leão, houve uma espécie de "caça às bruxas". Muitos receberam intimações para depôr ou foram visitados em suas casas por autoridades militares. Mesmo partidários do PSD passaram por isso. Inclusive, conta-se que na noite do dia Primeiro de Abril, o Exército montou acampamento na área da antiga sub-prefeitura, pois havia o boato que, em Capão do Leão, formar-se-ia um foco de resistência armada ao movimento que se instaurara no centro do país. A versão corrente era que "os brizolistas iriam invadir o paiol da pedreira para roubar munição". Fato mesmo é que muita gente teve que prestar esclarecimentos e alguns sofreram certa perseguição.
Imagine, se a situação era crítica para petebistas e peessedistas, o que dizer daqueles que sempre se denominaram comunistas?
Aconteceu então que um tenente do exército mais alguns soldados foram prender um dos comunistas leonenses. Este era um médico conhecido por seu altruísmo e educação. Seu nome era visado, pois de fato era uma figura brilhante. Entretanto, havia uma questão: conheciam-lhe o nome e a fama, não o rosto.
Logo que chegaram à residência de nosso "médico comunista", encontraram-no à frente da casa, trajando roupas simples. A casa estava fechada. O Tenente o interpelou:
- Sou o Tenente Fulano, estou à procura de uma pessoa e tenho informações que ela mora aqui. Vamos entrar e revistar a casa.
Nosso "médico comunista", calmamente responde:
- Pois não, senhor tenente. O senhor fique à vontade de fazer o que achar melhor, estou à disposição.
- Quero que a casa seja aberta, imediatamente. Caso contrário, iremos arrombá-la.
- Sim, senhor tenente. Aqui está a chave da porta dos fundos e esta daqui é a da frente.
- Muito bem, então abra-a para nós.
- Ah...senhor tenente, isso eu não faço, está aqui a chave se o senhor quiser. - diz o médico.
O tenente surpreso inquire:
- Como?! Por qual razão o senhor não quer abrir? Está escondendo alguma coisa?
Nosso "médico comunista" responde sem pestanejar:
- Ah...tenente, o patrão só deixa eu entrar dentro da casa dele quando ele está aí e convida. Caso contrário, quando ele está viajando, eu não tenho permissão para entrar. Se o senhor e seus soldados quiserem entrar, tudo bem. Eu que não contrario às ordens do patrão.
Resultado: o tenente conclui que estava falando com um simples caseiro, o sujeito em que estava à procura tinha se "mandado" e ali ele não iria conseguir nada. Acaba por ir embora e nem chega a entrar dentro da casa.
Nosso "médico comunista", pelo menos naquele momento, safa-se com brilhante argúcia.
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