sábado, 16 de novembro de 2019

História do Teatro em Pelotas


"7 de Abril de 1831 foi a data em que o Imperador Dom Pedro I abdicou do trono brasileiro, ocorrência que para alguns pensadores constituiu o último e decisivo acontecimento que, começando pelo Dia do Fico (9 de janeiro de 1822), passando pelo chamado Grito do Ipiranga, pela capitulação dos portugueses na Bahia (2 de julho de 1823) e pelo reconhecimento da Independência, por parte de Portugal em 1825, tornou finalmente efetiva a nossa separação de Portugal. Pois bem. Desse histórico 7 de Abril restam hoje apenas dois testemunhos 'vivos': o Hino Nacional Brasileiro e o nome do Teatro Sete de Abril, de Pelotas, cidade que se orgulha de possuir a mais antiga casa de espetáculos do Brasil em funcionamento ininterrupto.

O projeto do prédio foi da lavra do engenheiro alemão Eduardo von Kretschmar; e a construção, de José Vieira Viana. A revista O Ostensor, da Corte, classificou sua arquitetura exterior de 'elegante e regular', esclarecendo entre outras descrições que a planta interior continha três ordens de camarotes, em número de sessenta, e trinta bancadas na platéia.

A inauguração desse teatro, a 2 de dezembro de 1833, não foi, todavia, o ponto inicial das atividades cênicas na Princesa do Sul.

Segundo Paulo Duval, antes dessa data já se faziam representações em recinto fechado naquela freguesia de aproximadamente três mil habitantes, pelo menos desde 1832. Com efeito, cita ele palavras de Domingos José de Almeida, relativa às festas lá realizadas a 15 de outubro de 1822, festejando a Independência política do Brasil: 'Outra alguma festividade celebrada de então a hoje, em dita cidade, a excedeu em pompa e concorrência, à exceção da de 7 de Abril que a ela se aproximava e na qual também me coube parte especial pela cessão de um armazém em poucos dias convertido em um Teatro e precursor do que hoje existe, por eu não assentir que suas portas fossem fechadas a alguém (...). Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, 1928. 1o. e 2o. trimestres'. Esse prédio adaptado era então chamado de Teatro Pelotense.

Em Pelotas, cidade que rapidamente prosperou por força de suas opulentas charqueadas, já se praticava o teatro ao iniciar-se a Regência (1831), ainda que a localidade não dispusesse de prédio específico. O atual Teatro Sete de Abril foi inaugurado a 2 de dezembro de 1833. Antes dele, porém, funcionou um Teatro Sete de Setembro, fundado a 12 de abril de 1832, cujas atividades talvez tenham-se desenvolvido em sala adaptada. O Noticiador, da vizinha cidade do Rio Grande, em edição de 19 de setembro de 1833, registrou que essa entidade apresentara, no dia 7 daquele mês, um programa que incluía o drama Patriotismo; e no dia seguinte, a peça Beneméritos da pátria e o entremez Astúcias do gafanhoto.

Nessa mesma noite, noutro local, a Sociedade Sete de Abril oferecia um espetáculo com o drama A escrava de Mariamburgo (sic) e o entremez Corcunda por amor. E na noite de 9 de setembro, no colégio dirigido por João Pedro Ladislau de Figueiredo, os estudantes agrupados na Sociedade Patriótica dos Jovens Brasileiros levaram à ribalta do teatrinho do colégio o drama O patriotismo e a farsa  O casamento por gazeta (O Noticiador, 16 de setembro de 1833).

Outra promoção da Sociedade do Teatro Sete de Abril consistiu na apresentação, a 7 de abril de 1832, em local não especificado, do drama Patriotismo e gratidão, seguido do entremez Irmão sagaz. Festeja-se então o primeiro aniversário da abdicação de Dom Pedro I.

Inaugurado o seu prédio, tal Sociedade passou a monopolizar as atividades cênicas da próspera comuna, de modo que o Teatro Sete de Setembro deixou de funcionar já em 1835. No ano anterior, o viajante francês Arsène Isabelle (1807-1888) expressou seu parecer de que em Pelotas 'há um teatro muito bonito, realmente elegante e cômodo'. E em 1869 o visitante A. Augusto de Pinho assim o descrevia: 'Teatro Sete de Abril, único do lugar, mas edifício vistoso, ornado de colunas no revestimento exterior; a sala dos espectadores é espaçosa e ornada com três ordens de camarotes; o palco está bem colocado e disposto; a pintura, tanto interna como externa, está, porém, muito estragada e a iluminação nas noites de espetáculo é insuportável'.

Guilherme Echenique compulsando e analisando os documentos que lhe chegaram aos olhos, já em nosso século, revela que o nome exato da associação que exigiu o vistoso prédio era Sociedade Cênica do Teatro Sete de Abril; que seus estatutos eram prolixos em suas 22 páginas manuscritas em papel almaço, seus 21 títulos e nada menos de 216 artigos; e deduz que a fundação da Sociedade precedeu a construção do teatro, cujo órgão executor foi uma Junta Fundadora do Teatro. Eram 210 os proprietários dos camarotes e/ou camarotes e/ou cadeiras, tendo 63 deles assinado os estatutos.

A Revolução Farroupilha paralisou, em certo momento, as funções no elegante prédio, o qual passou a servir de abrigo para os soldados do Império, conforme admite o historiador local Paulo Duval.

Já em 1854 foi João Caetano que com seu elenco se demorou por mais de um mês na Princesa do Sul (de 10 de Setembro a 14 de Outubro), oferecendo nove espetáculos com êxito absoluto. A estréia, a 13 daquele mês, se deu com A dama de Saint-Tropez, de Anicet Bourgeios e A. D'Ennery, não sem antes se trocarem derramadas amabilidades verbais: do artista fluminense ao Rio Grande do Sul, uma poesia de cerca de cem versos de Antônio José Domingues e um soneto, do Dr. Trigo de Loureiro, ao glorioso visitante. E ao final da estréia, as atrizes Gabriela da Cunha Vecchy e Josefina Miró viram-se quase mergulhadas num mar de flores naturais. Era primavera no Sul.

Nos dias seguintes eram gerais os encômios ao desempenho dos artistas da Corte. O periódico mais antigo da cidade, O Pelotense, conservou-nos a nominata de outros dramas montados nessa temporada: A gargalhada, de Jacques Arago; Dom César de BazánI, de Philipe Dumanoir e Adolphe D'Ennery; e A câmara da minha mulher. O empresário dessa tournée de João Caetano foi o infatigável dramaturgo rio-grandino Manuel José da Silva Bastos (1825-1861).

Em 1856, segundo O Noticiador, do Rio Grande (edição de 27 de agosto), a Companhia Dramática Provincial, de Porto Alegre, encenou, no mesmo Teatro, o drama O cigano e a comédia Os irmãos das almas, de Martins Pena. Em 1858, segundo a mesma fonte, a Companhia Dramática do Sul submeteu às luzes da ribalta o drama Nani, do brummer Carlos von Koseritz (Dessau, 1830 - Porto Alegre, 1890), e cuja ação se passa na remota antilha de São Domingos; bem como a comédia de Martins Pena, O diletante.

As notícias sobre as funções realizadas nos primeiros decênios da tradicional casa de espetáculos são muito raras, não só pela inexistência de uma imprensa local (até 7 de novembro de 1851, data em que surgiu O Pelotense), como ainda pelo lamentável extravio - tão generalizado em nosso país - dos livros de atas da associação proprietária e mantenedora do Teatro Sete de Abril, relativas aos anos de 1835 a 1868, conforme indica Guilherme Echenique.

A 'Princesa do Sul', uma vez inaugurado o seu fort joli théâtre (Arsène Isabelle) em 1833, entregou-se a uma estirada lua-de-mel, com arte dramática, música e outras manifestações de cultura, que iriam ultrapassar o século. Recursos financeiros não lhe faltavam, propiciados pela indústria saladeiril em apogeu que em certa época abatia anualmente quatrocentos mil bovinos em suas 35 charqueadas. Assim a aristocrática sociedade pelotense se permitia embelezar o noivo - o Teatro Sete de Abril - com reformas ou novos adereços; verbi gratia o novo pano de boca, pintado pelo desenhista e cenógrafo italiano Bernardo Grasseli em 1861; os belos lustres, os azulejos em relevo no salão de entrada, o piso de mármore preto e branco, os espelhos esculturados, o salão superior 'magnificamente alfaiado' que acolheram o Augusto Imperador e a Imperatriz Teresa Cristina em 1864. Cinco anos depois, reformas estatutárias determinaram a mudança do nome 'Sociedade Cênica Sete de Abril' para 'Associação Teatro Sete de Abril', além de trabalhos de remodelação, sob a direção de Pedro Peiruq, concluídos em 1872 e incluindo grades e colunas de ferro, pintura total e bancos para camarotes e platéias.

O livro de atas mais antigo que Guilherme Echenique conseguiu compulsar, arrancava de 1o. de agosto de 1869. Na primeira delas se lê o texto do novo Estatuto (o 2o.) e se registra o número de proprietários de camarotes (61) num total de 168 associados, entre os quais figurava dois barões, dez mulheres e duas firmas comerciais. Previam-se funções anuais em benefício da Santa Casa de Misericórdia, do Asilo de Órfãs Desvalidas e da Sociedade Portuguesa de Beneficência, além de espetáculos em favor da libertação de escravos. Essa Associação foi a principal promotora da constante atividade no Teatro Sete de Abril até o final da Monarquia e além dela. Nem mesmo a Guerra do Paraguai o paralisou, como afirma o Conde D'Eu o qual efetuou uma viagem militar ao Rio Grande do Sul em 1865: 'O teatro de Pelotas é o único na Província que se acha aberto, apesar da guerra'. No ano seguinte o Augusto Imperador aí assistiu à representação do drama O pai, por um grupo de amadores locais.

Alguns dos eventos mais notáveis vistos no Sete de Abril foram: em 1858, apresentação do drama Agiota, de Furtado Coelho, diretor e primeiro ator da companhia chamada Ginásio Dramático Rio-Grandense, da qual era empresário João Ferreira Bastos e que encenou a peça; em 1861, a organização pelo ator Antônio José Areias (Lisboa, 1819 - Rio de Janeiro, 1892) de uma companhia dramática especialmente para trabalhar naquela casa, com um elenco de treze atores ou atrizes, entre elas Rosina Augusta Ribeiro, donde o nome da empres 'Areias & Rosina'; em 1862, em temporada de Furtado Coelho, a presença da atriz Eugênia Câmara, ainda não noiva de Castro Alves; em 1871, as dezessete récitas da Companhia Dramática Simões com a estrela Lucinda Simões (e outras tantas em 1881); nesse último ano os catorze espetáculos proporcionados pela companhia italiana Cuniberti e Millone; em 1883 as apresentações da menina-prodígio Julieta dos Santos, êmula da anterior e ao lado de quem por vezes representou; em 1884 a presença da Companhia Braga Júnior, primeira companhia de operetas em português que excursionava ao Sul; em 1887 as exitosas representações do drama O louco do Ceará, do dramaturgo Manuel José da Silva Bastos. Destaque tiveram também as presenças de Germano de Oliveira, em 1860 e em 1884, quando lá adoeceu gravemente, sendo amplamente auxiliado pela Sociedade Dramática Melpômene; de Florindo Joaquim da Silva que em 1866 lá encenou o drama abolicionista O escravo fiel, de Carlos Antônio Cordeiro; e da Companhia Narizano em 1877 que levou as óperas Fausto, O guarani, La favorita, Ernani, O trovador e Aída. Em 1881 montou-se a comédia do autor local Paulo Marques de Oliveira Filho, Por causa de um chapéu de sol, com grande êxito, como registrou a imprensa da época, e alguma polêmica; e em 1899 a Grande Companhia Dramática Dias Braga apresentou a 20 de setembro um 'grande festival para comemorar o glorioso aniversário do início da Revolução Rio-Grandense de 35, dedicado à União Gaúcha', conforme anúncio no Correio Mercantil.

Nos últimos anos do Império, Pelotas chorou a morte de dois autores conterrâneos: Colimério Leite de Faria Pinto, 1887, autor de cinco dramas e cinco comédias, além de traduções de peças de Alfred de Musset e de outros autores franceses; e no ano seguinte, a de Francisco Lobo da Costa, que compôs um dos dramas mais representados no Rio Grande do Sul de antanho, O filho das ondas.

A partir de 1880 estiveram em ação algumas sociedades cênicas locais, entre elas a Filhos de Talia, a Melpômene e a Recreio Pelotense. A primeira encenou do escritor João Simões Lopes Neto a revista O boato (parceria com José Gomes Mendes), em 1893, e a comédia-opereta Os bacharéis em 1896, já em anos republicanos.

As sucessivas gerações de pelotenses sempre tiveram especial carinho para com o seu Teatro Sete de Abril, o que explica as periódicas reformas que recebeu. Com o estatuto reformado em 1869 e que vigoraria até 1915, operaram-se de 1870 a 1872 importantes obras de reforma. Em 1916 outra remodelação se fez sob a orientação do arquiteto José Torrieri; em 1927 foi construído um prédio de dois andares, aproveitando um terreno corredor vizinho; em 1930 houve uma pintura geral; e mais recentemente, em 1979, o Teatro foi desapropriado pela Prefeitura Municipal, passando então por novas reformas, externas e internas, sob a orientação do renomado cenógrafo Pernambuco de Oliveira, do iluminador João Acir e do cenotécnico Jardel.

Outra importante casa de espetáculos em Pelotas é o Teatro Guarani, inaugurado em 1921 com a Companhia Lírica Italiana Marranti, apresentado a ópera O guarani, de Carlos Gomes. Foi ele fundado por Rosauro Zambrano, Francisco Santos e Francisco Xavier. Com três ordens de camarotes, platéia e geral, a sala comporta três mil espectadores. Por seu palco passaram grandes companhias dramáticas, nacionais e estrangeiras, bem como se fizeram ouvir grandes nomes da música, seja coral, individual ou instrumental. Da restauração que experimentou, em 1970, sob a orientação do artista conterrâneo Adail Bento Costa, nos dá notícia o Correio do Povo, da capital, de 12 de abril daquele ano.

Atividades cênicas se desenvolveram em Pelotas em mais alguns pontos; no Cine-Teatro Coliseu e no Cine-Teatro Politeama, inaugurados em 1910, de propriedade dos Irmãos Petrelli e de Fernandes Silveira, respectivamente; no Teatro Dante Allighieri que passou a chamar-se Teatro da Liga Operária e, em 1914, Teatro 1o. de Maio; no anexo do Colégio São Luís, com capacidade para novecentos espectadores; e no Teatro Talia, no arrabalde do Areal, em prédio do século passado. Já o chamado Teatro Apolo (1925-1076) dedicou-se mais a atividades cinematográficas.

Sobre as incontáveis atividades desenvolvidas principalmente no Teatro Sete de Abril debruçaram-se, entre outros: o escritor Guilherme Echenique em sua monografia Histórico do Teatro Sete de Abril, de Pelotas, no mais abrangente estudo sobre o assunto; o médico Paulo Duval em artigos no Correio do Povo, de Porto Alegre, e no Diário Popular, de Pelotas; e a professora Heloísa Assunção Nascimento, nesse último jornal. Aldo Obino publicou breve síntese seletiva no Correio do Povo de 1o. de setembro de 1950, na seção 'Notas de Arte'. Merece especial menção, por sua cor provincial, a montagem do drama, em quatro atos, de costumes gauchescos, O legado do farrapo, da lavra do ator Dantés e dedicado à sociedade União Gaúcha (V. Diário Popular de 20 e 22 de agosto de 1905).

Enfim, a matéria de Luís Lancetta no Correio do Povo de 8 de junho de 1975, sob o título 'Movimento para reviver o Teatro de Pelotas', alude a diversas iniciativas e instituições como: o Teatro Escola, criado em 1890; a Sociedade de Teatro de Pelotas (STEP), surgida cerca de 1962; o Teatro dos Gatos Pelados, criado em 1963; o Grupo de Teatro da Escola Técnica Federal de Pelotas (ETFP); o Teatro da Universidade Católica de Pelotas; o Teatro dos Bancários, o Teatro Universitário e outros. O Teatro Escola foi fundado como Grupo Cênico do Apostolado dos Homens, da Catedral, e teve seu auge nas décadas de 1930 e 1950, quando apresentava seis a sete peças por ano.

Como se observa, a sociedade pelotense sempre devotou especial apreço às artes cênicas."

Fonte: HESSEL, Lothar. Teatro no Rio Grande do Sul. Porto Alegre/RS: Editora da Universidade/UFRGS, 1999, pág. 50-60.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Histórico do Município de Campestre da Serra/RS


"O Município de Campestre da Serra começou sua existência como 3o. distrito de Vacaria, sendo considerado inicialmente como zona de Campos, embora a ele pertencesse toda uma zona de mata que se estendia nas encostas Norte do Rio das Antas seguindo entre o Rio Vieira ao Sudoeste e o Rio Refugiado ao Nordeste até alcançar os altiplanos dos campos e pastagens naturais em cima da Serra.

Como estas matas eram de difícil acesso foram consideradas de pouco valor e cedidas como partes de propriedade aos fazendeiros dos campos limítrofes.

A falta de estradas impossibilitava qualquer pretensão de cultura nestas terras. Mas em fins do século passado, a necessidade de levar o gado de Vacaria aos centros consumidores obrigou a abertura da célebre estrada 'Rio Branco" ligando a Vila Criúva de Caxias do Sul, cruzando o Nordeste do distrito.

A influência do político Cel. Paim fez ainda com que a primeira ponte metálica vinda da Europa para ser instalada no Passo do Zeferino entre Flores da Cunha e Antônio Prado na estrada Júlio de Castilhos, fosse transferida para o Passo das Antas da estrada Rio Branco, ligando assim o Município de Vacaria, no 3o distrito com Caxias - Via distrito de Criúva. Este fato ocorreu em 15/02/1907.

Com a segurança de passagem das tropas pela Estrada Rio Branco, garantida pela nova ponte, surgiu interesse de outros comércios ao longo da mesma. Foi assim que nasceu o primeiro povoado chamado VILA KORFF, pelo sobrenome do primeiro morador.

Situada à margem direita do Rio das Antas Vila Korff cresceu rapidamente, chegando a ter três fortes casas comerciais, um moinho cilindro, que fornecia luz elétrica ao povoado, uma Cooperativa Agricola 'Maurício Cardoso' e oito serrarias para serrar a mata que ninguém queria.

Vista a fertilidade descoberta nesta região da mata que se estendia ao norte do Rio das Antas, entre o Rio Vieira, ao oeste e o Rio Refugiado, ao nordeste, até a borda ddos campos, acorreram logo colonos especialmente de origem italiana vindos de Caxias do Sul, de Flores da Cunha, São Marcos, Antônio Prado, à procura das novas terras - 'terras fortes' como diziam.

Em breve toda a encosta norte do Rio das Antas, entre o rio Vieira e Refugiado, até a borda dos campos estava ocupada pelos colonos italianos.

Esta área colonial do município de Campestre da Serra ocupa aproximadamente 1/3 (um terço) da superfície do município e abriga cerca de 85% de sua população.

Outra estrada que atravessou o distrito foi a estrada Júlio de Castilhos que liga Antônio Prado a Ipê a Vacaria. Esta estrada contudo não teve para o distrito muita influência por passar totalmente no campo, fora da concentração populacional da colônia.

O nome Campestre da Serra originou-se de um Campestre existente no local, isto é, um pequeno campo cercado de mato.

Criado o Município em março de 1992 e com administração própria a partir de 10 de janeiro de 1993 o Município de Campestre da Serra entrou em nova fase de desenvolvimento.

Agora nasceu novo entusiasmo, nova vida, porque nasceu nova esperança com novas perspectivas."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 21 de Dezembro de 1998, pág. 05

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Mostra de Trabalhos Escolares de Cultura Afro & Indígena/Feira de Culturas 2019


Está acontecendo na Sala Frederico Trebbi (hall da Prefeitura Municipal de Pelotas) a Mostra de Trabalhos Escolares da Cultura Afro & Indígena e também a Feira das Culturas. No local é possível conhecer os diversos trabalhos pedagógicos desenvolvidos sobre a cultura africana e sobre a cultura indígena nas escolas de educação infantil e de ensino fundamental da rede municipal de ensino. A entrada é franca e o evento vai até 18 de Novembro.

























Hotel Atlântico, Cassino, Rio Grande em 1957



Banhistas na Praia do Cassino, Rio Grande em 1957




Floriza Magalhães - Miss Cassino 1957

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Um novo anestésico


"Noticía um jornal que os medicos francezes estão actualmente occupados com os exames da cocaina como anesthesico.

Foi Niemann que em 1859 principiou a empregal-o unicamente como insensibilisador da mucosa da lingoa. Ultimamente, porém, os dra. Trousseau, Panas, Vulpian e outros tem-o empregado, com grande vantagem, para insensibilisar todas as outras mucosas, tendo-se já feito operações de catarata, do larynge, etc., com optimo resultado.

Tambem substituem a morphina por ella, por produzir iguaes effeitos e não ter nenhum dos incovenientes d'aquella.

Enfim, os medicos francezes consideram já a cocaina como um magnifico agente therapeutico.

É extrahida da coca do Perú."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 25 de Fevereiro de 1885, pág. 01, col. 05

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Um monstro marinho


"MONSTRO MARINHO

Lêmos no Paiz do Rio de Janeiro:

<<Deu-se hontem (1) na bahia um accidente maritimo, felizmente raro n'estas agoas:

<<Dirigia-se o escaler de uma das torpedeiras da esquadra de evoluções para o arsenal de marinha, quando a meio caminho d'aquelle estabelecimento foi acommettido por um peixe da familia dos que aqui se chamam Tintureira. O formidavel esqualo abrio rombo na borda do escaler, sendo forçados os remadores a servirem-se dos remos e dos croques para afastal-o.

<<Entretanto, o escaler fazia agoa e sossobraria se aos gritos dos tripolantes não acudissem outros escaleres dos navios da esquadra, que tomaram a bordo os naufragos.

<<O peixe desapparecera.

<<Esse facto deixou muito impressionados todos os embarcadiços da nossa bahia, que receiam nas suas travessias de investida semelhante.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 12 de Fevereiro de 1885, pág. 02, col. 04


domingo, 10 de novembro de 2019

Histórico do Município de São Marcos/RS


"Os primeiros imigrantes foram os italianos e chegaram às margens do rio São Marcos e das Antas (localidade de Linha Riachuelo, onde fala-se o dialeto mais antigo que existe no mundo; Linha Humaitá; Marechal Deodoro e Zambeccari), por volta de ano de 1885.

Logo a seguir no ano de 1891, uma grande leva de imigrantes poloneses foram assentados no núcleo colonial (estabeleceram-se na localidade de Santo Stanislau/Linha Rosita, Santo Henrique e Edhit). Não se pode ignorar também o grande número de nacionais (peões de fazenda, capatazes, ex-escravos, aventureiros e mesmo agricultores açorianos vindos de São Paulo) que aqui se estabeleceram. Os negros também marcaram presença na formação do povo sãomarquense (concentraram-se nas localidades do Juá e o Rincão dos Quilombos, este último próximo ao Rio da Mulada).

O município de São Marcos situa-se na Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul. A área do município é de 303 km2 e sua altitude média é de 830 metros. Está localizado sobre derrames basálticos do Planalto Meridional, um relevo de profundos vales e matas subtropicais. A região é bastante acidentada do lado oeste e tende a suavizar para Leste com o início da zona do campo. Na sua vegetação predomina pinheiros, florestas subtropicais, eucaliptos e acácias. Seu solo é favorável a plantação de parreiras e árvores frutíferas, principalmente cítricas. Há também pastagem para criação de gado leiteiro. Na agricultura as principais atividades são o cultivo da uva, milho e alho, sendo que São Marcos é considerado o maior produtor de alho do país. O clima do município é temperado, com frio intenso no inverno. O nosso município é delimitado pelo Rio das Antas, Arroio Ranchinho e Rio São Marcos. Limita-se ao norte com o município de Campestre da Serra, ao sul e leste com o município de Caxias do Sul e a oeste com o município de Antônio Prado e o município de Flores da Cunha. Conta anualmente com cerca de 20.000 (vinte mil) habitantes aproximadamente e está distante 156 km de Porto Alegre.

EM 1946 foi implantada a Estrada Federal BR 116, fato que marcou o início do progresso de nosso município.

São Marcos tem seu nome projetado no país e até no exterior por sua profunda ligação com transporte rodoviário. As indústrias moveleiras, acessórios para caminhões, calçados, peças e outros tem um peso considerável na formação dessa imagem, mas a parcela mais significativa provém do transporte rodoviário, por ser o município que possui o maior número de caminhões per capita (1 caminhão para cada 9 pessoas)."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 19 de Outubro de 1998, pág. 07

sábado, 9 de novembro de 2019

Histórias Curiosas LXXIV

"O pé de Pedalão

Em Pelotas, no Rio Grande do Sul, era dia da finalíssima do campeonato estadual de futebol de salão, entre o Brasil, de Pelotas, e o Wallig, de Porto Alegre. No final, o empate. O campeão sairia, portanto, na base da cara ou coroa. Só que o juiz resolveu realizar o sorteio ali mesmo, no meio da quadra do ginásio superlotado. Moeda subindo olhos (milhares) para cima; moeda caindo, olhos baixando. Até que, no meio do caminho, um pé. E ele era do zagueiro Pedalão, do Brasil, que deu chute na moedinha, antes que se soubesse se vencera a cara ou a coroa. No mesmo instante, saiu gritando, pelo ginásio: Ganhamos! Ganhamos! E a torcida invadiu a quadra para comemorar a vitória.

O Brasil, de Pelotas, foi confirmado bicampeão estadual."

Fonte: MANCHETE ESPORTIVA (Rio de Janeiro/RJ), edição 021, 07 de Março de 1978, pág. 12

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Um ministro norte-americano em Pelotas


"O ministro americano em Pelotas

Uma communicação telegraphica, recebida hontem pelo governo do Estado, refere o seguinte:

<<Pelotas, 7 - Ministro americano seguiu hoje, ás 10 horas da manhã, acompanhado do major sub-chefe de policia, em trem especial para o Rio Grande. Embarque imponente. Compareceram auctoridades federaes, estaduaes e municipaes, officialidade da guarnição, corpo consular, povo. Saudações enthusiasticas á America do Norte, ministro, Brazil, Rio Grande, Pelotas. S. ex. visitou, hontem, durante dia, asylos Orphãs e Mendigos, Santa Casa, Lyceu, Bibliotheca, quartel 29o., intendencia.

Nesta, servido champagne, intendente saudou ministro Estados-Unidos, S. ex. agradeceu, saudando o Brazil, Rio Grande e Pelotas. Falaram tambem capitão Guilherme Echenique, presidente do conselho municipal, dr. Thomaz Malheiros juis districtal.

No quartel do 29o. foi servida uma taça de vinho, brindando o coronel Sampaio ao exercito americano na pessoa do ministro. Este saudou o exercito brazileiro.

Á noite, s. ex. saiu do hotel Alliança em direcção ao Club Caixeiral, accendendo gambiarras, luz corrente muitas casas commerciaes da rua onde fez sua passagem. Em frente ao Club Caixeiral, que tinha a fachada illuminada a gaz, e nas proximidades reuniu-se muito povo.

Salões repletos de socios e familias.

Após demorada visita e servido champagne, foram ruidosamente trocadas muitas saudações affectuosas.

Á saída, foi s. ex. acclamado, formando-se brilhante prestido, á luz de fogos de bengala, composto de banda de musica, membros de Club e povo.

O trajecto d'ahi ao Club Commercial foi feito debaixo de vivas constantes.

O Club apresentava bello aspecto, realisando-se baile, que durou animadamente até 3 horas da madrugada.

A todos estes testemunhos de expontaneo apreço presidiu a maior alegria.

Pelotas soube bem acolher o illustre ministro, cercando-o de todas as homenagens e demonstrando sua alta consideração pelos Estados-Unidos da America do Norte.

Por tudo manifestou-se gratissimo o ministro."

Fonte: A FEDERAÇÃO (RS), 08 de março de 1901, pág. 02, col. 02

Nota do autor do blog: o personagem em questão é o diplomata norte-americano Charles Page Bryan (1855-1918). Vide link da Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Page_Bryan

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Interior do IPEAS em 1972


Pesquisadores trabalhando nos viveiros do IPEAS (Instituto de Pesquisas Agronômicas do Sul) em Pelotas (atualmente área do município de Capão do Leão) em 1972.

Conservas das indústrias de Pelotas em 1972


Detalhe de algumas antigas conservas produzidas pelas indústrias do ramo em Pelotas no ano de 1972

Abertura da Colheita do Arroz em Pelotas em 1992


Abertura da colheita estadual do arroz no Rio Grande do Sul em Pelotas, no ano de 1992. Na foto: Érico Ribeiro (produtor), Fernando Collor de Mello (presidente da República) e Antônio Cabreira (ministro da Agricultura).

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Histórico do Município de Carlos Barbosa/RS


"Habitada por índios Kaigangs a milhares de anos, Carlos Barbosa recebeu os primeiros colonos alemães entre os anos de 1850 e 1860.

Alguns anos depois vieram os poloneses, seguidos por italianos, franceses e suíços. De todos estes povos, foram os italianos que predominaram e acabaram por determinar as características fundamentais do município.

Devido ao número do lote colonial onde a comunidade começou a crescer, a localidade foi chamada de 'Trinta e Cinco'. Apenas em 1910, com a inauguração da ferrovia, passou a ser chamada de Carlos Barbosa, em homenagem ao Presidente do Estado da época. Emancipada de Garibaldi em 1959, Carlos Barbosa mescla um forte respeito às suas raízes culturais com determinação para progresso que já é destaque em todo o Estado.

Com um potencial econômico que se destaca em vários países, Carlos Barbosa possui um grandioso setor de metalurgia com produtos na área de utilidades domésticas e brocas de metal, além de uma agropecuária altamente desenvolvida.

Nesta área rural, o município possui excelente infra-estrutura com propriedade trabalhando dentro dos mais modernos conceitos de tecnologia, tendo como produtos principais a exploração do gado leiteiro e derivados, e a cultura da batata.

Este quadro econômico ainda tem o destaque dos setores calçadista, moveleiro e artesanato."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 11 de Outubro de 1999, pág. 03

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

A polêmica expedição argentina de 1885


"ARGENTINOS EM CHAPECÓ

Do Jornal do Rio:

<<Vimos hontem duas cartas, vindas de Palmas (Paraná), uma com a data de 29 do passado e a outra com a de 1 do corrente, escriptas ambas por pessoas muito conceituadas d'ali, as quaes noticiam que chegára á barra do Chapecó uma commissão argentina, que vai explorar esse rio até ás suas cabeceiras, tendo passado dois dos commissarios por Nonohay (freguezia do municipio de Passo Fundo) e subido os outros o Uruguay.

<<Accrescenta um dos informantes que os animos estão exaltados ali por causa d'essa exploração.

<<Não tendo ella caracter hostil, como parece que não ter, não ha, crêmos, motivo para tal exacerbação de animos.

<<Desejam naturalmente os argentinos conhecer melhor aquella vasta região, parte da qual anda em litigio, e por isso mandam exploral-a. Façamos nós o mesmo; exploremol-a tambem, e assim mais facilmente se chegará talvez ao resultado desejado.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Fevereiro de 1885, pág. 02, col. 01

domingo, 3 de novembro de 2019

A santa de Socorro


"UMA SANTA MAIS!

Diz-nos a Provincia de S. Paulo:

<< Informam-nos do Soccorro que ha dias pelas 5 horas da tarde, entrou n'aquella cidade um grupo de trinta pessoas, composto de homens e mulheres, acompanhando uma rapariga que entoava ladainhas e rezas e que diziam ser santa.

<< Os homens caminhavam de chapéo na mão e as mulheres vinham a cavallo.

<< Pararam em frente a uma casa do largo Municipal. Mais de quatrocentas pessoas cercaram-n'a, e sendo enorme a algazarra do povo contra a santa, esta, que já se havia recolhido, voltou de novo á rua e arengou á multidão.

<< A mulher parece louca; mas o facto é que dominava as pessoas do bairro em que morava e toda a circumvisinhança. Dizia missas, confessava, exercia, em summa, muitas funcções sacerdotaes.

<< Consta que reside no districto de Bragança, agora está presa na cadêa do Soccorro e dizia-se que dentro em breve muitos dos seus fieis iriam buscal-a para continuar as costumadas praticas e ladainhas.

<< Dizia-se tambem que a autoridade ia fazel-a assignar termo de bem viver.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS),  25 de Julho de 1884, pág. 02, col. 03
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