sábado, 20 de julho de 2019

Histórico do Município de Três Coroas/RS


"Três Coroas situa-se no Vale do Paranhana e seus primeiros colonizadores foram de origem alemã, que vieram de São Leopoldo e depois já neste século vieram colonos de origem italiana que vindos de Caxias do Sul, fixando residência no vale, principalmente Quilombo e Linha Vinte e Oito, bairros de Três Coroas. A população lusa somente começou a fixar residência aqui, em maior número, provinda da Serra, Cambará do Sul e São Francisco de Paula. E deveras admirável a harmonia reinante no Município entre esses vários elementos raciais.

Desde sua fundação lugar já teve várias denominações: Linha dos Último Alemães, Vale ou Colônia de Santa Maria, Santa Maria de Cima, Santa Maria do Mundo Novo, e quando criou o distrito simplesmente: Mundo Novo, e por último Três Coroas. Deu origem ao nome atual um pinheiro com três troncos e copas (coroas) que existia no vale do Arroio Kampf. Em 31/03/1938 Mundo Novo foi elevada a categoria de Vila, pela Lei Federal no. 7199, entretanto em 1903 foi iniciada campanha de criação do Distrito de Mundo Novo, com o batalhador Germano Volkart que viu seus anseios coroados de êxito em 10/11/1904 pela Lei Municipal no. 86A. Foi criado o Distrito de Mundo Novo, sendo o 4o. Distrito de Taquara.

O Município de Três Coroas foi instituído oficialmente em 12/05/1959 pela Lei Estadual no. 3741. A transferência de administração do ex-distrito de Três Coroas para a Comissão Emancipadora ocorreu no Gabinete do Prefeito de Taquara no dia 15/06/1959. A primeira eleição no Município foi em 08/11/1959 e o primeiro prefeito de Três Coroas foi o Sr. Affonso Saul.

Três Coroas está distante de Porto Alegre, capital do Estado, em 92 km, tem sua área total de 166 km2 e pelo Censo de 1997 tem 18.000 habitantes e é administrada pelo Prefeito Alcindo de Azevedo.

Sua principal fonte de renda é a indústria de calçados, comércio, agricultura de subsistência, onde é cultivado milho, feijão, batata, etc.

O Município destaca-se na região do Vale do Paranhana e dos Sinos pelo incentivo à cultura e ao esporte, como a canoagem."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 26 de Abril de 1999, pág. 04

sexta-feira, 19 de julho de 2019

A colônia de São Lourenço do Sul em 1866


"Colonia de S. Lourenço.

FUNDADA EM PELOTAS, (RIO GRANDE DO SUL) EM 1865.

Pelo Sr. Jacob Rheingantz.

Tem 298 prazos cultivados por familias; e 138 por homens solteiros. Possue actualmente 1,482 colonos, dos quaes 85 são filhos do paiz, de raça germanica, e 1397 allemães emmigrados, conta 358 catholicos e 1,124 protestantes.

Em 1865 nascerão na colonia 22 crianças, morrerão 7 e contrahirão se 7 cazamentos.

A colonia produzio no mesmo anno (1866) 1,200 alqueires de trigo, 900 de centeio, 1,600 de cevada, 12,000 de milho, 3,200 de feijão, 14,400 de batatas, 240,000 achas de lenha, 5,000 gallinhas, 25,000 duzias de ovos, 30 arrobas de toucinho e 2,200 libras de manteiga.

Todos os moradores da colonia são agricultores."

Fonte: O AUXILIADOR DA INDUSTRIA NACIONAL: OU COLLECÇÃO DE MEMORIAS E NOTICIAS INTERESSANTES (Rio de Janeiro/RJ), edição 001, 1866, pág. 242

O transporte de carretas no Rio Grande do Sul no século XIX


"(...)

Não se pense que o transito de carretas por essas paragens é em grande escala, como o communicante quer inculcar em apoio de seus devaneios de exagerado apologista. Os transportes de rotação, que se extrahe dos districtos de Alegrete e de Entre-Rios (unico genero que d'ali se exporta), preferem a estrada que vai dar á villa de Cachoeira, ou á cidade do Rio-pardo, onde passão a carga para as embarcações que navegão o Jacuhy, afim de ser posta no mercado de Porto-alegre; e esta preferencia é por economia de tempo e despezas accessorias, porque ha um quarto mais na distancia da estrada de Alegrete para a cidade de Pelotas, principal porto de embarque d'aquella parte da provincia, do que na d'aquelle ponto para a Cachoeira. As carretas que passão por Bagé, e que se destinão para Pelotas, são unicamente as procedentes do territorio comprehendido pelas bacias dos affluentes orientaes do rio Santa Maria."

Fonte: A REFORMA: JORNAL POLITICO (Rio de Janeiro/RJ), 15 de Janeiro de 1852, pág. 04, col. 02

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Sobrenome Quílez


"Linhagem antiga e nobre de origem castelhana, nas chamadas Montanhas de Santander, com ramos muito antigos em Aragão. Alguns tratadistas erroneamente atribuíram-lhe uma origem aragonesa. Esta confusão acontece porque existiu um primitivo solar desta família na cidade de Jaca, na província de Huesca. Bizén d'O Río Martínez constatou que havia casas com esta alcunha na localidades de Adahuesca, em 1626, e Ibdes, em 1726, sendo que, ambas as linhagens procediam mais anteriormente de Castela. Porém há incluso nesta história genealógica um Juan Quílez, nascido no povoado de Paracuellos de Xiloca, na província de Zaragoza, no ano de 1580. Foi um escrito muito afamado em sua época, tendo sido discípulo do sábio Lucas Agesilao.

Precisamente, no povoado de Ibdes nasceu José Quílez, que em 1726 provou sua condição de Infante perante a Real Audiência de Aragão. Também obtiveram sua condição de Infantes ante a citada Audiência Manuel e Miguel Quílez (irmãos), Gregorio Quílez Aguilera e Gregorio Quílez Donoso, todos eles naturais de Ibdes, no ano de 1788.

Em relação à sua etimologia, Quílez seria derivado, conforme Gutierre Tibón, do nome pessoal latino 'Quirici', este um genitivo de 'Quiricus', do qual também deriva o nome ibérico Ciriaco."

Fonte adaptada: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Palacio


"De acordo com Roberto Faure, o sobrenome Palacio é um frequente na Espanha e muito mais comum em sua forma plural, Palacios. Os topônimos Palacio e Palacios são particularmente comuns em Castela: Palacio de Torio (Léon), Palacio de Castronuevo (Ávila), Palacios de la Sierra (Burgos), Palacios de Goda (Ávila), etc.

Etimologicamente, conforme assinala o filólogo Gutierre Tibón, o termo 'palacio' deriva da palavra latina 'palatium' - nome que se dava a casa de um príncipe ou grande senhor.

Em Aragão, houve solares conhecidos com o sobrenome Palacio na cidade de Jaca e nas vilas de Monzón, Bierge e Castejón de Sobrarde, na província de Huesca, e também nas vilas de Sádaba, Uncastillo e Bagues de San Juan, na província de Zaragoza. Também há uma família estabelecida muito antigamente em Zaragoza. Membros destas casas pertenceram ao Capítulo dos Nobres Cavaleiros e Infantes de Zaragoza e a Confraria dos Cavaleiros do Fidalgo de São Jorge da mesma cidade. Outros foram investidos como cavaleiros e infantes nas bolsas de Comércio do Reino de Aragão, ou mesmo nas Cortes de Aragão."

Fonte adaptada: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Obrador


"Antiquíssimo sobrenome catalão, documentado tanto como Obrador e, em sua forma plural, Obradors.

Aqueles desta linhagem ajudaram Jaime I de Aragão na conquista de Mallorca. Tomaram parte neste evento, Peregrín Obrador, reconhecido como tronco principal ascendente desta família, e Bernardo Obradors, de Barcelona, que recebeu em Mallorca na localidade de Alcarria Bini, quatro áreas agrícolas. Este ramo de Mallorca, em seguida, fez assento na aldeia de Felanitx, no distrito judicial de Manacor. Seu desenvolvimento e florescimento naquele lugar foi tão intenso, que a família foi a mais rica e poderosa da região, sendo proprietária da maior parte do território da dita aldeia, e alguns de seus filhos e descendentes são constantemente incluídos entre os indivíduos da corporação municipal.

Etimologicamente, escreve Francesc de B. Moll em seu livro 'Els Llinatges Catalans', o nome deriva do substantivo catalão 'obrador', que tem acepções de 'obreiro', 'trabalhador' ou 'lugar de trabalho', 'trabajo'."

Fonte adaptada: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Nadal


"Linhagem muito antiga e nobre da Catalunha, Aragão e Mallorca. Os escritores José Arévalo e Jorge de Montemayor, em seus respectivos manuscritos de nobreza, afirmam que Nadal e Nodal são um mesmo sobrenome e que sua primitiva casa se radicou na localidade catalã de Boguera (provavelmente uma referência ao lugar chamado Bobera, no distrito e província de Lérida).

Desse primitivo solar surgiu a casa de Nadal da cidade de Gerona, e também o ramo estabelecido na cidade de Zaragoza, sendo este também muito antigo.

Por outro lado, no 'Dicionário Araldico Aragonesa' conta-se a existência de dois ramos deste sobrenome em terras de Aragão, um na localidade de La Almunia de Doña Godina, documentado pela primeira vez em Las Pedrosas desde o século XVII, e outro, na própria Las Pedrosas e em outras povoações aragonesas também desde o século XVII.

Segundo assinala o linguista Francesc de Borja Moll, esta alcunha provém etimologicamente do latim 'natale' - que significa nascimento, porém, dentro do contexto histórico, refere-se ao Natal Cristão."

Fonte adaptada: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Maestro


"Tanto na Espanha quanto na América Latina há muitas famílias com este sobrenome, porém vale ressaltar que as diversas linhagens e ramos são de origens diferentes, dado que o termo maestro (mestre) é muito abrangente, designando na Idade Média genericamente qualquer superior de uma corporação ou loja artesanal. 

Mesmo assim, havia uma família muito antiga de fidalgos com o sobrenome Maestro no Reino de Leão, cujos ramos são documentados a partir de meados do século XVI. Naquela época, no solar de La Seca, em Leão, descende o cavaleiro fidalgo Pedro Maestro, que pleiteou sua fidalguia ante a Real Chancelaria de Valladolid, obtendo a provisão real no ano de 1578.

Na Catalunha, na mesma época, segundo dados do Censo de 1553, existiam casas com o sobrenome Maestro em Tortosa e em várias povoações em torno da mesma.

Em Aragão houve uma casa de reconhecidos infantes do sobrenome Maestro na vila de Morata de Jalón, de que descenderão Lucas Maestro, morador de Morata, reconhecido como Infante pela Real Audiência de Aragão no ano de 1675, e Vicente Maestro, morador de Morata de Jalón, que obteve igual reconhecimento no ano de 1816.

No século XIX, de uma casa dos Maestro que houve em Bárcabo, Huesca, descende desde os anos 1800 Juan Maestro, o qual casou com Teresa Falceto, tendo como única filha desta união Rosa Maestro Falceto (1830-?), casada com Joaquin Juste.

Gabriel Cano y Aponte Maestro Ruiz y Molin Contreras, nascido em Mora, foi cavaleiro da Ordem de Alcântara, marechal de campo dos Reais Exércitos e alcaide da Santa Irmandade dos Fidalgos de sua terra natal, no ano de 1684.

O substantivo 'maestro' é originalmente castelhano."

Fonte adaptada: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1908 - Parte 02


"Carnaval

O grupo carnavalesco Luva Branca assaltará, amanhã, à noite, a residencia do sr. Lourenço Vinholes, fazendo antes uma passeata, em carros e à luz de fogos cambiantes, precedidos de musica, por diversas ruas da cidade.

✤✤✤✤✤

No proximo sabbado começarão os bailes publicos no theatro 7 de Abril, que está sendo adornado.

✤✤✤✤✤

Os Diamantinos, que hontem realizaram animada sessão e fizéram passeata Zé pereirística, darão baile em honra ao Carnaval de 1908 na noite do ultimo sabbado deste mez."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (Pelotas/RS), 14 de Fevereiro de 1908, pág. 02, col. 02

"Carnaval

(...)

Para amanhã está preparada uma estrondosa recepção ao excelso deus Momo, que virá assistir este anno aos seus festejos em companhia de sua gorducha esposa e seu prestativo secretario. Consta tambem que com elle virão mais outros membros influentes de sua familia, assim como dois representantes de sua côrte celestial.

Não nos foi possivel saber ao certo o logar da sua apparição, mas segundo ouvimos dizer parece que o rei da folia será recebido lá na praça da Matriz, affirmando-nos outros que a cousa se realizará no redondo da praça da Republica. Ha, entretanto, quem garanta que o pandego virá do Rio Grande para esta cidade numa gazolina e será recebido com toda a pompa carnavalesca no porto, sendo acompanhado da Seitia até ao cáes por largo cortejo de botes, lanchas, yols, gigs e várias outras embarcações.

Mas é duvidoso saber-se exactamente o ponto da sua chegada, pois a ultima hora corria em rodas diamantinas que Momo seria recebido na ponte de pedra ou talvez, ai fosse concedida a licença pedida á Hydraulica, na caixa d'agua.

Para a recepção de S.M., conforme nos foi dito, estão preparadas várias surprezas, que irão causar certamente grande hilaridade, pois, além do feérico carro em que será transportado Momo, sua familia, côrte e criados, foi arranjada uma interessante guarda de honra para abrir o prestito com archotes, venezianos e fogos de bengala, extranhamente phantasiada.

Logo após surgirá uma turma de quinze associados em espirituoso disfarce, segundo nos affirmaram. Estes irão de sacolas.

É caso de preparar-se o povo para o assalto e munir-se de nickeis.

Só então é que apparecerá o imponente carro de S.M. o deus Momo.

No momento do encontro, o rei da folia váe ser saudado com um retumbante bestialogico, que será por elle respondido no mesmo tom.

Foguetes diamantinos com patente concedida pelo governo, e um zabumba retumbante e desenfreado o prestito de amanhã.

✤✤✤✤✤

Ha poucos momentos foi nos dito, por um dos seus mais entranhados proselytos, que o deus Momo deverá chegar ao Capão do Leão em um trem de carga da Estrada de Ferro pelas 8 horas da noite, mais ou menos.

(...)

O grupo Trovadores do Luar visitou tambem hontem a residencia do Sr. Lourenço F. Vinholes, onde foi gentilmente recebido.

Houve danças, que duraram alegremente até á madrugada de hoje.

✤✤✤✤✤

A sociedade Flores do Paraizo dará bailes a phantasia nas noites de domingo e terça feira de Carnaval, 1 e 3 de Março p. f.

Gratos pelo convite que recebemos.

✤✤✤✤✤

No theatro 7 de Abril serão iniciados hoje os bailes publicos.

✤✤✤✤✤

O Club Dramatico e Carnavalesco dos Operarios sahio hontem á noite em passeio burlesco para receber Momo.

A recepção deu-se, de facto, e o deus da galhofa, montado n'um burrico, era conduzido em triumpho á caverna dos foliões.

Quando ali chegava o prestito, que era illuminado a balões venezianos, uma pedrada ferio na cabeça o cidadão que representava de Momo, originando-se grande tumulto.

Trilharam apitos, produzindo-se correrias e afinal a policia prendeu, apezar dos protestos que fazia em sua defeza, um popular, a quem era attribuido o desacato.

O acompanhamento, numeroso, que seguira o retumbante Zé Pereira dos Democratas, fez-se então em direcção ao 1o. posto, para onde foi levado e detido.

✤✤✤✤✤

O baile dos Diamantinos será levado a effeito na noite de sabbado da Pinhata, e acha-se confiado á direcção dos distinctos jovens.

(...)"

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (Pelotas/RS), 15 de Fevereiro de 1908, pág. 02, col. 02-03

"Carnaval

(...)

Tambem visitaram várias casas ante-hontem o Grupo dos Cartolas, o Club R. e D. Operarios e Bahianas."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (Pelotas/RS), 17 de Fevereiro de 1908, pág. 02, col. 02

"Grupo dos Bohemios

Afim de festejar o Carnaval de 1908, por assaltos, foi fundado esse grupo carnavalesco, composto de moços da nossa sociedade."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (Pelotas/RS), 20 de Fevereiro de 1908, pág. 02, col. 02

"Miscellanea Carnavalesca

Visitará hoje, á noite, o jardim Recreio Familiar o grupo Miscellanea Carnavalesca.

Os espirituosos moços que o compõem proporcionarão ao publico várias surprezas, entre as quaes, consta-nos, uma conferencia e um concerto."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (Pelotas/RS), 28 de Fevereiro de 1908, pág. 02, col. 04

"Notas diversas

Em Bagé é grande a animação que reina para as festas do Carnaval.

Já domingo ultimo, á tarde e á noite, sahiram á rua numerosos mascaras avulsos e varios grupos, acompanhados dos formidaveis e indefectiveis 'Zé Pereiras'.

Jogou-se animadamente confetti, serpentinas e lança-perfumes, fazendo-se ouvir na praça a nova banda do 'Club Caixeiral'.

✤✤✤✤✤

A mesma animação nota-se em S. Gabriel, onde naquelle mesmo dia muitos mascarados sahiram á rua.

O 'Grupo dos Macacões' assaltou a residencia do Dr. Fernando Abbott, sendo recebido cavalheirescamente, e fidalgamente tratado, diz a 'Gazeta do Povo'.

Iniciadas as danças, prolongaram-se até adiantada hora da noite.

Diversas senhoritas compareceram phantasiadas.

Uma endiabrada velha trouxe as pessoas presentes em constante hilaridade, pelo seu espirito."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (Pelotas/RS), 29 de Fevereiro de 1908, pág. 02, col. 05

Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1908 - Parte 01


"Carnaval

Como, aliás, era de esperar, a rua dos Andradas, ficou, em a noite de sabbado ultimo, repleta de familias e povo e assim conservou-se até cerca de dez horas.

Ás 8, o zé-pereira esmeraldino, deixando a respectiva caverna, fez um passeio até a rua Marechal Floriano.

Ás 8 1/2, em seis carros descobertos, puxado por uma banda de musica da Brigada Militar e levando no ultimo carro o zé-pereira, passou o club Saca-Rolhas, que havia ido, como noticiámos, cumprimentar e fazer entrega do estandarte á rainha, srta. Celina Alvares, filha do professor Pedro Alvares.

Cumprimentou, na passagem, os jornaes e as demais sociedades carnavalescas.

Cerca de 9 horas surgiu o cordão da mocidade militar - Chove não molha, que continuou nas diabruras do sabbado anterior, formando longo prestito, sempre acompanhado pelo povo, que se agglomerara para assistir ás dansas e descantes do espirituoso grupo, em que tanta sorte dão as bahianas.

Á passagem do Saca-Rolhas e Chove não molha pela caverna da Esmeralda, a respectiva fachada foi illuminada a fogos de bengala e aquellas associaçoes cumprimentadas pela directoria e zé-pereira.

Amanhã, no salão da Bailante, reunir-se-ão as srtas que tomam parte no passeio de gala da Esmeralda, afim de serem tomadas diversas deliberaçoes referentes ao prestito.

- Sabbado, realisou-se na Tristesa animadissimo sarau dansante, á fantasia, ao qual estiveram presentes innumeras pessoas idas desta capital.

Fez-se ouvir a banda musical do 3o. batalhão da Brigada.

- Sabemos que o passeio da sociedade carnavalesca Filhos do Inferno far-se-á na segunda-feira de carnaval, sendo apresentado garboso prestito, do qual sobresairá o carro triumphal da rainha, a srta. Docelina Guedes Pinto, filha do capitão Joaquim Guedes Pinto."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 17 de Fevereiro de 1908, pág. 02, col. 03

"Carnaval

Club do Menino Deus - Noticiamos, ha dias, que apreciada associação, que tem a respectiva séde no pittoresco arrabalde que lhe deu o nome, preparava-se para condignamente festejar o carnaval, realisando no proximo domingo uma attraentissima batalha de flores, seguida de sarau dansante, á fantasia.

Infelizmente, porém, devido aos melhoramentos por que está passando o trecho da rua Trese de Maio em que devia effectuar-se o corso, não póde este ter logar.

Assim ficou o publico privado de assistir a mais essa interessantissima festa.

O Club do Menino Deus, todavia levará a effeito a segunda parte do programma, realisando em seus salões, em a noite de amanhã, um variado concerto vocal e instrumental, apos o qual haverá attraente baile á fantasia.

Ao festival, que tem como directores a srta. Rachel Cartier e 2o. tenente Evaristo Marques, promette revestir-se de todo o brilhantismo, devendo comparecer a elle numero superior a trinta srtas. fantasiadas.

O salão estará bisarramente ornamentado, á arte novo, com guirlandas de flores, figuras allegoricas ao carnaval, bandeiras, etc., apresentando bello aspecto."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 21 de Fevereiro de 1908, pág. 02, col. 02

"RIO GRANDE, 28 - (...)

O carnaval não passará, este anno, totalmente despercebido nesta cidade.

Pretendem sair á rua o club Saca-Rolhas e o Grupo dos araras."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 28 de Fevereiro de 1908, pág. 02, col. 04

"Carnaval

(...)

Pelo que temos noticiado tudo faz crer que terão o maior brilhantismo os festejos do carnaval durante os proximos dias que lhe são designados.

A animação é geral e vem sempre crescendo, despertando franco enthusiasmo entre os membros das varias sociedades, presentemente empenhadas, sem medir esforços, para os festejos tradicionaes.

E entre ellas pelo seu numero de associados, seus trabalhos de ha muito preparados e iniciados e, principalmente, pelas recordaçoes dos triumphos que em outras epocas colheram, destacam-se desde logo os Venezianos e a Esmeralda, muitissimo se esforçando pela palma da victoria no presente anno.

E esse afan continuo já tem proporcionado bellas noites de festas na principal rua da capital, onde o povo em massa ainda quarta-feira ultima conservava-se, para apreciar a inauguração dos retratos das galantes jovens Themira Azevedo, rainha dos Venezianos e Edith Ribeiro, da Esmeralda.

Hoje, á noite, novamente estará a rua dos Andradas repleta, já apresentando focos electricos e outros preparativos, mandados collocar pelo dr. José Montaury, incançavel intendente do municipio, que tudo tem proporcionado para as festas do carnaval.

Além disto muitos dos estabelecimentos e residenciais de familias ali situados e nas demais ruas por onde passarão os varios prestitos, ornamentarão e illuminarão as fachadas de seus edificios, contribuido assim para maior realce das festas tradicionaes.

Finalmente, a principiarmos pela ordem dos programmas, amanhã será o domingo de carnaval para a :

Esmeralda

Mais algumas horas, e a Esmeralda, prendendo a face os <tres dedos, apenas, de velludo...> exporá á multidão, a fidalga garradice, que a sagrou nos fastos do carnaval de Porto Alegre.

Sabemos que a directoria da brilhante sociedade abtem-se de facilitar á imprensa a antecipação de completos detalhes decorativos do prestito de amanhã.

Mas é justamente sobre esse assumpto que a nossa reportagem conseguiu, n'um tour de farce, esclarecimentos precisos.

Libindo Ferraz conseguiu com quatro pennas collossaes, um busto de Guttemberg, uma esphera e um prelo, constituir um conjunto admiravel, fortemente vitalisado pela expressão plastica da imprensa, numa directora interessante e intelligente, senhorinha Picuchinha Alvim.

E dizem coisas de encantar de allegoria mythologica destinada a realçar a graça e a belleza da soberana esmeraldina.

Consta-nos que apparecerão oito carros allegoricos de requintado gosto e cerca de trinta carruagens engalanadas e com senhorinhas phantasiadas, do escól porto-alegrense.

Dois esquadrões de honra, fanfarras e bandas de clarins darão grande brilho ao prestito, que terá enorme extensão.

São organisadores da passeiata os srs. Francisco Ribeiro Furtado, traquejado esmeraldino, autoridade no genero pelo gosto e pelo espirito pratico, e Aldo Brandão, um novo, ardoroso e capaz.

E dirigirão o prestito procurando eleval-o sobre tudo quanto interessar á belleza e á ordem no conjunto, os srs. Trajano Mostardeiro, (1o. vice-presidente), Arthur Pinto de Souza Neves, João Pinto Ribeiro, Hercules Limeira, dr. Amaro Villa Nova e Affonso Beck, directores.

Ás 4 horas da tarde sairá elle do recinto da União Velocipedica, no Campo da Redempção, encaminhando-se pela praça General Marques, com direcção á rua Duque de Caxias até á rua Marechal Floriano, descendo esta até á Voluntários da Patria pela qual irá subir a Dr. Flores a dos Andradas.

Percorrendo esta até a General Canabarro e contornando a quadra em que se acha a fabrica Progresso Industrial, entrará pela praça Padre Thomé até á rua dos Andradas que novamente percorrerá até a esquina da Bohemia.

D'ali descerá o prestito pela face lateral onde está aquelle estabelecimento commercial até a rua Sete de Setembro; percorrendo esta, a Praça 15 de Novembro e a rua Voluntarios da Patria, subindo a Dr. Flores até, de novo, entrar pela dos Andradas pela qual seguirá até a General Canabarro, onde, depois de feita a mesma volta pela praça Padre Thomé, reentrará na rua dos Andradas até a praça Senador Florencio, onde fará a mesma volta até a rua Sete de Setembro e seguindo-a até a praça 15 de Novembro, defronte ao palacio municipal.

Si fôr possivel o prestito virá novamente a rua dos Andradas, pela Marechal Floriano, regressando aquelle local, para dissolver-se.

Á noite, processos, que serão magnifica sorpresa, darão ao prestito excepcional esplendor.

- Hoje, grande numero de senhorinhas directoras irão apreciar o retrato da gentil rainha Edith Ribeiro, no escaparate do atelier Ferrari; e é possível que, tambem, o zé-pereira da sociedade, vá rufar, com o enthusiasmo caracteristico, deante do bello trabalho de Jacintho Ferrari e Vicente Cervasio.

- O nosso amigo, 1o. secretario da Esmeralda, Benjamin Flores, offereceu-nos hontem, em pessoa, attencioso convite para o baile de gala de terça-feira.

Venezianos

Em reunião realisada hontem por sua directoria os apreciados Venezianos deliberaram sobre a organisação do prestito que se apresentará terça-feira vindoura.

Partirá ás 4 horas da tarde do velodromo da União Velocipedica, seguindo pelas praça Independencia, rua Duque de Caxias até Marechal Floriano, seguindo por esta com direcção á praça 15 de Novembro. D'ali continuará pelas ruas Voluntarios da Patria, dr. Flores, Andradas até a praça Padre Thomé, regressando pelas ruas dos Andradas até a praça Senador Florencio, rua 7 de Setembro, praça 15 de Novembro, rua Marechal Floriano, Andradas até a praça Padre Thomé.

Regressando, de novo, pela rua dos Andradas, irá até á praça Senador Florencio, rua 7 de Setembro, praça 15 de Novembro, rua Voluntarios da Patria, dr. Flores, Andradas, Marechal Floriano, Riachuelo, praça General Marques e Independencia até o Campo da Redempção, onde dissolver-se-á.

O prestito dos Venezianos será dirigido pela seguinte commissão: Antonio Joaquim Alves da Silva, Francisco Gomes Carollo, Antonio Guedes, Eduardo Hasslocher, Hermenegildo Barros, Moura Magalhães, Orlando Motta e Pinto Junior.

Além dos vistosos carros da sociedade, tomarão parte no passeio muitos carros com jovens á phantasia e dois lindos esquadrões, sendo um delles de creanças.

Á rua dos Andradas será collocado um holophote, cedido pelo tenente-coronal Domingos Martins, afim de projectar luz quando passar o prestito.

As festas dos Venezianos, que muito se têm esforçado para dar-lhes o maior realce, terminarão com um baile de gala sabbado vindouro, nos vastos salões do Club Caixeiral, cedido gentilmente pela respectiva directoria.

Já foram organisadas commissões para essa festa que será brilhante.

- Hoje, á noite, a galante rainha Themira Azevedo irá á rua dos Andradas, onde receberá demonstrações de sympathia por parte dos Venezianos.

Será acompanhada pelas jovens que fazem parte da directoria.

Filhos do Inferno

Formada em sua maioria de jovens, a sociedade Filhos do Inferno, organisada principalmente para proporcionar alegria aos moradores da cidade baixa, apresentar-se-á segunda-feira com tres carros - da rainha, lança chammas e do zé-pereira.

Além destes haverá dois para a directoria e alguns a phantasia, e o esquadrão, precedido da banda de musica do 25o. batalhão de infantaria.

Partirá da rua Coronel Genuino até a do Lima e Silva, Avahy, Concordia e Republica, seguindo pela João Alfredo até a Venancio Ayres, que percorrerá até a Lima e Silva e Avahy com direcção ao Campo da Redempção.

Subindo a praça Independencia seguirá o prestito pela rua Dr. Flores até a dos Andradas, percorrendo esta até a General Salustiano e General Portinho até a Demetrio Ribeiro, seguindo por esta até a Coronel Genuino, onde demorar-se-á.

O prestito começará a desfilar ás 4 horas da tarde, sendo puxado pela banda de musica do 25o. batalhão de infantaria.

No dia 3 de março proximo reunir-se-ão os socios dos Filhos do Inferno e precedidos de zé-pereira, irão cumprimentar a sua rainha, a joven Docelina Guedes.

E terminarão os festejos da apreciada associação com um baile que offerecerá á sua rainha, em a noite de 7 do referido mez, nos salões do Club Gymnastico Rio Grandense.

A rua Coronel Genuino será illuminada por tres fócos electricos, mandados collocar pelo dr. Montaury.

Club Progressista

Esta sociedade fará tambem a exibição do seu prestito, amanhã, notando-se viva animação entre os associados para essa prova do pujante club.

O trajecto é o seguinte:

Sahirá do casa do sr. Marciano Cidade, defronte ao velodromo - e seguirá pelas ruas da Conceição, Independencia, Misericordia, Duque de Caxias, Vasco Alves, Praça da Harmonia, Andradas e Santa Catharina.

Regressará pela Praça da Alfandega, rua Marechal Floriano e recolhendo-se ao club Gymnastico no velodromo.

Na ocasião da passagem pela rua dos Andradas a banda do 3o. batalhão tocará a marcha italiana, sendo para isso gentilmente cedida pela sociedade <<Giovanni Emmanuel>>.

Petit Momo

Amanhã, ás 3 horas da tarde, sairá de sua caverna, á rua 24 de Maio, o prestito organisado pela sociedade Petit Momo.

O trajecto será feito pelas ruas 24 de Maio, Azenha, Venancio Ayres, João Alfredo, coronel Genuino, Demetrio Ribeiro, General Canabarro, Pantaleão Telles, General Salustiano, Andradas, dr. Flores, Voluntarios da Patria, Marechal Floriano, Andradas até a chefatura de policia, regressando pela mesma rua, depois M. Floriano, D. Caxias, praça General Marques, Campo da Redempção, Azenha e 24 de Maio.

Estão preparados varios carros allegoricos e o Petit Momo fará novo passeio segunda-feira proxima.

Sacca-Rolhas

Essa associação fará o seu passeio segunda-feira, á tarde, saindo o prestito da praça General Deodoro, onde encontra-se a sua séde.

Tomarão parte no passeio seis carros além de outros que vão incorporar-se e um bello esquadrão.

Varias notas

Como noticiámos, a sociedade Leopoldina prepara-se para festejar o carnaval, realisando terça-feira proxima em seus salões um baile a phantasia.

Reina a maior animação para a festa e varios socios vão disputar o brinde que será offerecida áquelle que se distinguir pela phantasia.

- A sociedade Giovanni Emanuel mandou preparar, como noticiámos, uma bella medalha de ouro para ser offerecida á sociedade que tiver a palma da victoria nos proximos festejos do carnaval.

- O grupo carnavalesco Petit Momo, como já está no dominio publico, exhibirá no seu passeio um carro de critica, denominado Gruta dos miseraveis, contra as pessoas que se recusaram concorrer com donativo pecuniarios para o negocio do sr. Tubino.

De certo que pobres creanças não teriam a idéa da confecção de semelhante critica, e por isso esperamos que a policia saberá em tempo opportuno tomar o devido conhecimento sobre a conveniencia ou não de tal exhibição, para que não ultrapasse os limites do devido comedimento.

Seguramente os paes dos meninos do Petit Momo não concordarão com semelhante expediente de chantage."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 29 de Fevereiro de 1908, pág. 02, col. 04-05

Comemorações de Carnaval no Rio Grande do Sul - 1907


"Esmeralda

Como noticiámos, realisou-se hontem, perante o commendador João da Cunha Guimarães, segundo vice-presidente, a reunião da directoria dessa antiga e apreciada associação carnavalesca, afim de tratar-se dos festejos em homenagem a Momo.

Pela respectiva commissão foi apresentado o projecto dos mesmos folguedos.

Constarão estes de um passeio de gala e dois bailes, devendo por estes dias ser inaugurada a caverna, á rua dos Andradas, no sobrado junto ao Club Caixeiral, onde ruidoso Zé Pereira annunciará o resurgir da Esmeralda.

Entre directoras e directores da distinta sociedade carnavalesca reina a maior animação e tudo faz prever novos triumphos para quem tantos conquistou em outras épocas.

A commissão central que, com plenos poderes, dirigirá os festejos ficou assim constituida: dos directores coronel Joaquim Ilha da Fontoura, dr. Amaro de Azambuja Villanova, Aristoteles Sant'Anna Barbosa e Affonso Beck.

Outras commissões foram tambem nomeadas para auxiliar aquella, organisando os bailes carnavalesco e de gala e o prestito que virá ás ruas.

No cortejo, além do carro-chefe, triumphal, destinado á gentil rainha esmeraldina, a distincta srta. Edith Ribeiro, outros haverá, decorados caprichosamente.

Na casa Trajano Mostardeiro já se acham os finos distinctivos, em esmalte, ou seda, recebidos de Paris pela Esmeralda e destinados ás directoras e directores e socios.

E com o enthusiasmo que vão tambem se agitando as outras associações congeneres, entre as quaes sobresare a dos Venesianos.

O carnaval de 1907 promette transcorrer entre os maiores attrativos e seduçães."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 08 de Janeiro de 1907, pág. 04, col. 03

"Cara-Dura

Esse espirituoso club carnavalesco, que resurgirá este anno nos folguedos do carnaval, fará, sabbado proximo, seu aparecimento á rua dos Andradas, exhibindo o popular theatrinho João Minhoca e diversas outras surpresas."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 14 de Janeiro de 1907, pág. 02, col. 02

"Carnaval

Vae em crescendo a animação que se nota na cidade, e muito principalmente entre as associações diversas, para os festejos do proximo carnaval.

Por toda a parte, nas cavernas e nas ruas, rufa o zé pereira com estrondo, grupos apparecem, prestitos vão se formando, juntando povo, enthusiasmando a todos...

Sabbado, á noite, tornou-se difficil o transito á rua dos Andradas, tal a agglomeraçao que ali houve.

Cara-Dura - Tal movimento foi despertado pelo annunciado reapparecimento do apreciado club carnavalesco, que sempre primou pela graça e o espirito todas as vezes que se exhibiu em publico.

Já passava de 8 horas quando o prestito entrou na rua dos Andradas e percorreu-a toda, entre alas de povo, que enchia os passeios.

O cortejo era numeroso - guarda da frente, clarins e banda de musica montados, socios a pé e a cavallo e em carros de praça, entre os quaes o da directoria, carroça-otomóve com os oradores e o celebre theatrinho João Minhoca.

Depois de um passeio até o arsenal, estacionou o prestito emfrente ao café Ferro-Carril, de cuja sacada fizeram uso da palavra dois espirituosos oradores; seguindo-se, depois a exhibição do Minhoca, em que se fizeram criticas aos artistas do Parque e outros, foram representadas tragedias, etc.

Emfrente ao Preço Fixo houve novo espectaculo e, á retirada, estacionou ainda o Cara-Dura emfrente á caverna da Esmeralda, que o recebeu com zé pereira, entre acclamações.

Um dos oradores do Cara-Dura discursou e um director esmeraldino agradeceu, saudando a espirituosa co-irmã.

O reapparecimento do Cara-Dura foi um successo e, d'ora avante, continuará elle a dar nota em conferencias á rua dos Andradas e Parque, exhibições do Minhoca e outras surpresas, até o passeio de gala e de critica, que promette revestir-se de todo o brilhantismo.

Esmeralda - Cada vez mais cheios de enthusiasmo, os esmeraldinos continuam nos preparativos para o carnaval.

Nos salões da usina electrica municipal, na caverna e em outros pontos vae grande e febril a actividade, trabalhando-se sem canceiras na confecção do prestito e na organisação dos bailes burlescos e de gala.

O baile burlesco só poderá effectuar-se a 2 de fevereiro, visto estar o salão Leopoldina cedido a outra associação para a noite de sabbado proximo, 26 do corrente.

O baile de gala, porém, será no salão da usina municipal, onde teve logar, o grandioso festival a que, em agosto, assistiu o dr. Affonso Penna.

Na caverna, cheia de socios, continua, todas as noites, o zé pereira.

Hontem, pela amanhã, a Esmeralda tomou o trem que desta capital parte ás 7 horas e foi a Canoas saudar, de surpresa, a sua rainha, a gentil srta. Edith Ribeiro, que ali se acha veraneando com seus progenitores.

Os esmeraldinos seguiram em carro especial, ligado ao comboio do horario.

Chegados a Canôas, rufou o zé pereira e, alvorotando veranistas e moradores do local, dirigiram-se para a residencia do sr. João Pinto Ribeiro, que se achava nesta capital e seguira no mesmo trem.

Innumeras familias aguardavam os excursionistas, que foram condignamente recebidos e com fidalguia obsequiados.

A rainha esmeraldina foi, então, saudada pelo director Souza Neves, entre applausos dos presentes; sendo entregue á srta. Edith Ribeiro um lindo ramalhette de cravos brancos.

Não demoraram muito em Canôas os esmeraldinos e, após as despedidas, entre grande enthusiasmo, retomara: o trem, desembarcando aqui antes das dez horas.

Além dos que fazem parte do grupo do barulho, muitos foram os directores e socios da Esmeralda que estiveram em Canôas.

Venezianos - Em reunião que realisou-se sabbado ultimo, á noite, na respectiva caverna, á rua General Camara, foi nomeada uma commissão para promover os meios de fazer-se aquella associação representar no proximo carnaval.

Da referida commissão fazem parte os esforçados venezianos Santos Pardelhas, Moura Magalhães, Alves da Silva e Francisco Carôllo.

Em subsequentes reuniões dará a commissão conta do resultado de seus esforços no interesse social.

Pierrots - Essa modesta quanto enthusiastica associação, que de anno para anno com mais galhardia se apresenta no carnaval, tem mantido o zé pereira, todas as noites, na caverna, á rua Dois de Fevereiro, e hontem fel-o visitar o Parque, onde conservou-se até terminar o espectaculo.

- Conforme estava annunciado, realisou-se hontem ás 2 horas da tarde, á rua dos Andradas n. 163 A, a reunião convocada pela sociedade carnavalesca Netos do Diabo.

Presente grande numero de socios ficou deliberado não se fazer representar a sociedade nos festejos carnavalescos no presente anno, recolhendo-se á caixa economica a importancia arrecadada até hoje."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 21 de Janeiro de 1907, pág. 02, col. 02

"CARNAVAL

Cara-Dura

É tradicionalmente sympathico á população porto-alegrense o valente gremio carnavalesco da mocidade militar.

Mas quantos, por ahi, conhecer-lhe-ão a origem? Como se fundou? Quaes os seus instituidores? Quando saiu pela primeira vez á rua? Quaes foram seus presidentes e quaes os consocios mais enthusiastas e que maiores serviços prestaram?...

Eis ahi um punhado de perguntas interessantissimas para responder com exactidão no presente momento... carnavalesco e isso vamos procurar fazer, com a ajuda tão somente da memoria, fresca e vivida, de caras-duras de antanho...

Em 1886 era ainda externato a Escola Militar, os alumnos viviam dispersos em republicas por diversos pontos da cidade e em uma dellas, á rua Luiz Affonso, proximo á Varzea, no unico predio até hoje existente na quadra entre o campo e a velha rua da Olaria, residiam, entre outros, Olavo Corrêa, Pantoja Rodrigues, Lannes Costa, Thomaz de Aquino, Soveral, Santa Cruz, os dois ultimos já mortos e os demais, hoje, officiaes todos.

Domingo de carnaval de 1886, na republica, a convite dos seus moradores, ali estavam reunidos muitos outros alumnos, entre os quaes os de uma outra da rua da Varzinha, proximo á descida do Lyceu, de que faziam parte Onofre Ribeiro, João Maria Xavier de Brito, Rego e Theophilo Barbosa da Fonseca, que posteriormente abandonaram a carreira militar, e Alfredo Pires, addido á republica, por ter nella seus companheiros de estudo.

Na reunião foi resolvida uma troça carnavalesca para o dia seguinte, que era segunda-feira, e, saindo, então, á rua, o grupo percorreu a pé diversas ruas, precedido apenas de uma corneta e de um estandarte com a inscripção - Cara-Dura, nome dado ao nascente gremio carnavalesco.

Si a pobresa era grande, materialmente falando, não lhes sobrava espirito; sendo organisados os estatutos, de que foi relator o hoje capitão do 23o. de infantaria Francisco Salles Brasil.

O primeiro presidente foi Olavo Corrêa (Tartaruga) e a secretara confiada a Alfredo Pires (Lagartixa), cujas actas deviam constituir, pelo espirito com que eram redigidas, o melhor patrimonio do club.

A exhibição do Cara-Dura no anno seguinte, em 1887, foi um successo e dentre as criticas e allegorias salientava-se A monarchia estrangulando o Brasil, sendo este representado por um indigena pendente de uma forca, cuja corda era puxada por Pedro II (Lannes Costa).

Durante a anno houve espectaculos, caroços e outras festas internas, na Escola, em beneficio do club, nellas salientando-se Macalão, Marques da Cunha, Theophilo Siqueira, Andrade Vasconcellos, Sá, Braguinha e outros; sendo tal o enthusiasmo nessas festas, que até tomaram parte alumnos que pareciam só viver para os livros, como Lino Fontoura, Alfredo Leyraud, Marciano Avila, e outros.

O primeiro hymno do Cara-Dura foi composto em 1887, sendo a musica do hoje capitão Formel e a letra, si a memoria do informante não falha, do hoje tambem capitão Domingos Nascimento.

Eis uma das quadras desse hymno:

Nas risonhas expansões
Dos bons carnames aquaticos
Surgem por entre ovações
Os Cara-Duras sympathicos.

Dez annos após, em 1897, na presidencia do 1o. tenente Andrade Neves, a pretexto de muito monotono, foi o antigo hymno substituido por outro composto pelo alumno João Carneiro da Fontoura (Maestro) e letra de A. Neves Neto.

Uma das quadras é esta:

Nós não somos de ferro, senhores,
Mas as caras nós temol-as duras.
Atirae serpentinas e flores
Sobre as nossas enormes figuras.

A cada uma das quadras do hymno, cantado em occasiões solemnes, seguia-se o côro, com o estribilho:

Somos os caras
Duras incriveis
Das cousas raras
Quasi impossiveis

Não havia espectaculo na Escola que não começasse pelo hymno, cujos solos eram cantados por srtas. de travesti, representadas por Macalão, Pereira Prestes, Alves Branco e outros.

O mesmo dava-se sempre na inauguração da caverna ou na recepção do carnaval, quando este <<vinha passar tres dias na capital>>.

A caverna foi sempre no centro da cidade e nas immediações da praça da Alfandega, ruas dos Andradas e Ladeira.

O celebre theatrinho ambulante João Minhoca surgiu pela vez primeira em 1890, tendo como empresario Salles Guerra, que, depois, em annos posteriores, foi substituido com galhardia por Freire de Vasconcellos, Rafael B. Teixeira (Linha), Alipio de Primio e muitos outros.

O Cara-Dura tem tido diversas phases, sendo a primeira desde 1886, data da fundação, até o fechamento da Escola, em 1893, e nella foram seus presidentes, succesivamente, Olavo Corrêa (Tartaruga), Clodoaldo da Fonseca, Alfredo Pires (Lagartixa), Christiano Buys e Fabricio Junior (Caixa d'oculos).

A primeira rainha foi Juvenal Freire (Frei Caneca) e uma das ultimas Simeão Reis (Côco).

Nessa primeira phase, por serviços relevantes, mereceram a benemerencia do club os irmãos Gertum, especialmente Emilio e Fernando.

De 1893 a 1895 estiveram suspensos os trabalhos da Escola; seguindo-se, depois, a phase de 1896 a 1898, cujos festejos estiveram na altura das tradições do Cara-Dura.

Em 1896, Augusto Sá foi o presidente e rainha o mallogrado Zezé de Moura e Cunha.

Em 1897, a presidencia esteve com Francisco Andrade Neves, sendo rainha Luiz Borges Fortes e empresario do João Minhoca Rafael Teixeira (Linha).

O Minhoca era, então, precedido sempre por um burrinho, montado por Mario Galvão (actual vice-presidente), que fazia-se ouvir em um pequeno tambor de creança.

A segunda phase terminou em 1898, com a transferencia da Escola para Rio Pardo, sendo presidente o Linha, rainha Oscar Lisboa de Souza e empresario do Minhoca Alipio de Primio.

Nos carnavaes de 1898 a 1903 não appareceu o Cara-Dura e, tendo, nesse ultimo anno, voltado a Escola de Rio Pardo, surgiu novamente em 1904.

O Cara-Dura tem este anno como presidente o 1o. tenente José Ignacio da Cunha Rasgado e vice-presidente o 2o. tenente Mario Galvão e, á vista do successo que vae alcançando, manterá inalteraveis as velhas tradições.

E é proseguir avante!

Esmeralda

No barracão, os esmeraldinos estão dando os ultimos retoques nos bellos carros allegoricos que amanhã, á tarde, desfilarão pelas ruas da cidade, no lusido cortejo de gala.

Por toda a parte as commissões activam os trabalhos, aprestam-se os que têm de tomar parte no passeio, reina animação, mantem-se permanente o enthusiasmo.

A organisação definitiva do prestito só hoje, em reunião que se realisará á noite, ficará assentada.

Entretanto, podemos adeantar, pelas notas que conseguimos colher, que elle ficará obedecendo, mais ou menos, em detalhes, á seguinte ordem:

1a. secção - Tres arautos, fazendo soar trombetas egypcias.

Commissão da frente, constituida por tres socios a cavallo, vestindo a caracter, tendo ao braço laços de fita verde e na botoeira o distinctivo da sociedade.

Carros com a directoria, que conduzirá o pavilhão esmeraldino; com o bloco, o nucleo de resistencia que realisa as festas deste anno; commissões, etc.

2a. secção - Banda de musica, montada; banda de clarins, idem.

Primeiro carro allegorico, de homenagem á imprensa - Um cysne collosal, sobre o qual interessante srta. representará a imprensa, tendo no saiote os cabeços das folhas locaes. É de grande effeito esse carro e nelle se fará distribuição do numero especial da Esmeralda, orgam da sociedade, em fórma moderna de revista e com dezessete paginas.

Carros enfeitados, com directores fantasiados.

Segundo carro allegorico, russo-japonez - Ao alto de uma escarpa, a fortalesa, em cujo baluarte está assentado grande canhão. As srtas. Ondina Gomes e Arinda Canteiro representarão a Russia e o Japão e o canhão será lidado por soldados das duas nacionalidades, despejando confetti e, á noite, granadas illuminativas. Outro carro de grande successo.

Carros com esmeraldinos fantasiados.

3a. secção - [ilegivel]

Todas as bandas, cocheiros, etc., irão uniformisados.

A reunião dos esmeraldinos que tomam parte no prestito far-se-á na residencia do director Labieno Jobim, emfrente ao Parque e proximo á rua da Conceição.

- Como já noticiamos, o baile de gala realisar-se-á em a noite de segunda-feira nos salões da sociedade Germania, devendo os esmeraldinos reunir-se, ás 9 horas, na residencia do director Antonio Vilhena Machado, á rua Dr. Flores, esquina da Coronel Genuino.

As commissões são as seguintes: Ornamentação, Amaro Villanova, Souza Neves, Cesimbra Netto e Adalberto Marques; convidados, Benjamin Flores, Aristoteles Barbosa, Vilhena Machado e Socrates Ribas; direcção geral, Antenor Elejalde e Affonso Beck.

- O zé-pereira esmeraldino foi hontem, á noite, cumprimentar o esforçado director e um dos que mais trabalharam pelo resurgimento, Arthur P. Souza Neves, que o recebeu e obsequiou gentilmente.

Venesianos

Essa antiga e apreciada associação continua com enthusiasmo os preparativos para o passeio de terça-feira e no respectivo barracão trabalha-se sem desfallecimentos dia e noite.

Á frente da associação está um pugillo de venesianos enthusiastas, como Francisco Neves, Moura Magalhães, Soares, Carôllo, Souza Guedes, Santos Pardelhas, Nicolau V. Pereira, Alves da Silva, Julio Coelho e muitos outros, que não esperdiçam esforços para que os Venesianos apresentem-se galhardamente nos festejos do carnaval de 1907.

O carro da rainha, que está sendo confeccionado a capricho e será pintado pelo professor Vicente Cervasio, apresentará bello aspecto.

O esquadrão tambem está sendo cuidadosamente organisado e os socios que nelle figurarão devem reunir-se hoje, ás 8 horas da noite, na alfaiataria Soares, á rua dos Andradas.

Saca-Rolhas

No carnaval do anno passado, o club Saca-Rolhas, uma aggremiação muito modesta mas que conta em seu seio destemido foliões que não medem sacrificios quando se trata de apparecer em publico, deu sorte, apresentando um lusido prestito triumphal e de critica, que foi muito apreciado.

Este anno tem redobrado de actividade - e isso por vezes já assignalámos nesta secção - trabalhando com afinco para que o prestito de segunda-feira faça successo.

Sairá elle da séde do Saca-Rolhas, á rua Sete de Setembro n. 31, e percorrerá as ruas Bento Martins, Andradas, General Salustiano, Pantaleão Telles, Demetrio Ribeiro, Figueira, Olaria, Avahy, Campo da Redempção, praça da Independencia, Duque de Caxias, Vasco Alves, Riachuelo, Misericordia e Andradas, recolhendo-se á sede.

É esta a organisação do cortejo:

Banda de musica, montada; piquete e guarda de honra, commandada pelo socio Emilio Clotz.

Carro triumphal da rainha do Saca-Rolhas, a distincta srta. Maria Amelia de Moraes.

Carros ornamentados, conduzindo socios.

Carro allegorico, em que figurarão as srtas. Mimosa e Marieta Moraes, prestando homenagem á imprensa.

Carro allegorico dedicado ao bello sexo porto-alegrense, que será representado pela srta. Maria Amalia Laeger, rainha do club no carnaval do anno passado.

Carro de critica, intitulado - Tudo pelos ares!...

Fechará o prestito o carro do zé-pereira, que será, dizem os saca-rolhas, barulhentissimo...

Uma commissão dos socios Alberto d'Aville, Queiroz Ribeiro e Cyrillo Alves guiarão o prestito, formando á testa da columna carnavalesca do Saca-Rolhas.

O prestito do <<Cara-Dura>>

Não tem cessado a azafama com que os destemido carnavalescos do Cara-Dura vão dando os ultimos retoques para o grande prestito de segunda-feira proxima.

Constará elle de commissão de frente, bandas de musica e clarins, carros com a directoria, triumphaes, de critica e do zé-pereira, etc.

O prestito será puxado por oito clarins, alumnos da Escola, luxuosamente vestidos, de branco, luvas e capacetes, brancos tambem.

Tres carros serão de um effeito extraordinario.

Os carros allegoricos, que têm merecido desvellos especiaes, apresentarão belissimo effeito e os de critica despertarão o interesse e enthusiasmo pelo espirito com que se exhibirão.

Os trabalhos de confecção têm sido feitos até agora no barracão - séde do Cara-Dura, á praça Jayme Telles, porém o prestito será organisado e pôr-se-á em marcha para a cidade nos fundos do edificio da Escola de Guerra.

O coronel Campos, presidente honorario da associação, tem tudo facilitado aos alumnos para o brilhantismo do prestito.

Giovanni Emmanuel

Ha grande animação para o baile á fantasia que essa associação effectua hoje em seus salões.

Medalhas de ouro serão offerecidas á dama e cavalheiro que apresentarem fantasias de maior gosto.

De um lado têm as medalhas as inscripções - Carnevale 1907 e S.F.I.G. Emmanuel e de outro - 1o. premio.

Leopoldina

O baile á fantasia dessa antiga e apreciada associação terá logar amanhã nos respectivos salões, á rua Dr Flores.

O sarau promette revestir-se das maiores attracções, havendo para elle muita animação.

Parque

Nesse frequentado centro de diversões, haverá amanhã e nas subsequentes noites de carnaval attraentes festivaes, que ali levarão, certamente, grande concurrencia, como aliás, tem acontecido nos annos anteriores.

A illuminação electrica foi augmentada de novas lampadas de arco e outras e será tambem o Parque ornamentado a capricho.

A banda do 25o. batalhão está contractada para os tres dias."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 09 de Fevereiro de 1907, pág. 01, col. 06-07, pág. 02, col. 01

Os trabalhos de confecção têm sido feitos até agora no barracão - séd
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