segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Sobrenome Balaguer


"Apesar deste sobrenome catalão ser um toponímico associado diretamente à cidade homônima na província de Lérida, o primitivo solar da família existiu na vila de Agramunt, tendo daí surgido os diversos ramais do sobrenome por toda a Espanha. Logo, se estenderão por todo o antigo Principado da Catalunha, passando as terras valencianas, Alicante, Aragão e Castela-Nova. Linhagens dos Balaguer foram decisivas no primeiro século da colonização espanhola em várias partes da América.

Um dos registros mais antigos que temos de um membro desta família remete ao cavaleiro Pedro de Balaguer, citado nas Trovas do rei Jaime I de Aragão, no século XIII. O distinto cavaleiro participou das três expedições aragonesas a Mallorca.

No Arquivo Geral Militar de Segóvia constam os seguintes militares com este sobrenome: Antonio Balaguer, Artilharia, 1767; José Balaguer, Infantaria, 1777.

Etimologicamente, Balaguer vem do vocábulo catalão 'bàlec' que significa 'aliaga' - um tipo de planta europeia (Ulex parviflorus)."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Arjol


"Linhagem aragonesa muita escassa, encontrada irregularmente na Espanha, cujos registros mais antigos remontam ao século XVII. O mais antigo indivíduo com este sobrenome com alguma relevância é José Arjol, listado no Arquivo da Casa de Granadeiros de Zaragoza, no mesmo século.

Da província de Zaragoza se estenderam ramais da família até às localidades de Ariza, Biota, Castejón de Valdesaja, Pinseque y Tauste.

No Arquivo Geral Militar de Segóvia se contam os seguintes expedientes militares: Miguel Arjol Clemente, cavalaria, ano 1864; Francisco Arjol Sola, Infantaria, ano 1864.

Arjol possivelmente é uma alusão a lugar que possui muitas plantas denominadas arjonas (gênero Arjona).

A família Arjol é particularmente significativa na Argentina."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Villar


"Não se conhece com exatidão a origem do sobrenome Villar, embora alguns cronistas indiquem que sua origem seria a Galícia, de onde se estendeu ao antigo Reino de Leão, às Astúrias e ambas as Castelas. Entretanto, um outro grupo de estudiosos entendem que sua origem é basca. Independente da origem, o sobrenome é bem espraiado por toda a Península Ibérica.

Uma antiga casa dos Villar existiu na vila de Gordejuela, no distrito de Valmaseda, na província de Vizcaya. Pertenceu a ela, Domingo de Villar, fidalgo de Gordejuela no século XVII.

Outra antiga família com o sobrenome Villar habitou as terras do antigo Reino de Aragão, da qual fez parte o afamado escultor Pedro Villar - que participou das obras da Catedral de Barcelona, obra renascentista iniciada por Bartolomé Ordóñez.

Também existiram Infanções com o sobrenome Villar nas localidades de Calatayud e Munébrega, desde os princípios do século XVII.

A etimologia do sobrenome Villar é proveniente do termo latino villa que, na Península Ibérica, tomou o significado de 'casa de campo', 'granja'.

Outros núcleos importantes de Villar se acham em Santander, Trás-os-Montes (Portugal), Navarra e Lugo."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Valero


"Valero é um sobrenome com diversos e muitos ramais em toda a Espanha, remontando ao antigo Reino de Aragão, mas também à Catalunha e ao antigo Reino de Valência e Mallorca. Segundo os genealogistas García Carraffa todas as linhagens provém da primitiva rama aragonesa.

Conforme Bizén d'O Río Martínez, os Valero de Aragão deram origem as seguintes ramificações: os Valero de Bernabé, com um solar na vila de Cuevas de Almudén, que se distribuiu posteriormente nas localidades de Calamocha, Caminreal, Paniza, Épila, Mezquita de Jarque, San Martín del Río, Báguena, Lídon, Mora de Rubielos, Zaragoza, Azuara Godos, entre outros.

São personagens importantes na história da família: a linhagem dos Valero Franco de Bernabé (descendentes dos Valero de Bernabé originais), que alcançaram a condição de fidalguia em 1668, com casa na vila de Calamocha; e na mesma vila, os Valero Lázaro, que passam a ser documentados na aristocracia local a partir do século XVIII.

Valero é um patronímico simples do nome próprio castelhano Valero - uma forma do nome latino Valerio."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Abadía


"Alguns autores consideram que esta linhagem aristocrática ibérica procede da Itália, sendo seu fundador Pedro de Abadía, fidalgo peninsular que veio prestar serviços ao rei Jaime I de Aragão na conquista de Valência. Porém, o sobrenome Abadía é verificado na Espanha antes mesmo do reinado do citado monarca. O que não invalida que Pedro de Abadía tenha inaugurado uma linhagem própria e distinta em terras aragonesas. 

Historicamente é provado que a linhagem mais antiga dos Abadía procede das montanhas de Jaca, em Aragão. Desta rama surgiram diversos fidalgos e cavaleiros que prestaram serviços tanto ao Reino de Aragão, quanto a outros reinos ibéricos. Os Abadía também tiveram solares importantes em Daroca e Calatayud.

Alcançaram o título de Infanções perante a Real Audiência de Aragão: Baltasar de Abadía, residente de Zaragoza, em 1597; Pedro Gabriel de Abadía, residente de Zaragoza, em 1638. Ignacio Abadía y Loferlín, da vila de Escatrón, natural de Zaragoza, foi Vedor Geral da Real Cavalaria, tendo ingressado na Ordem de Carlos III em 1791. José Abadía y Cebrián, natural de Jatiel, na província de Teruel, foi Prior da Igreja de Jatiel da Encomenda de Samper de Calanda, e cavaleiro da Ordem de São João de Jerusalém, em 1726.

Etimologicamente, abadía é o equivalente castelhano para a palavra portuguesa abadia.

Outras concentrações importantes do sobrenome: Cartagena, Almería, Petilla, Uncastillo, Lleida e província de Monzón."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

domingo, 22 de setembro de 2019

Os larápios em Dom Pedrito


"Negocios de D. Pedrito

D'esta localidade escrevem a um dos nossos co-religionarios do Precursor de São Gabriel:

<<A falta de um regular policiamento na cidade, talvez devido ao pequeno numero de praças de que se compõe a nossa secção policial, vai trazendo sérios prejuízos á propriedade do cidadão. Não temos garantia para nossa propriedade nem para nossa vida, e entretanto somos cada vez mais sobrecarregados de impostos!

<<De junho d'este anno para cá, tenho sido victima constante de roubos, não se respeitando sequer os compartimentos fechados a chave, de uns contrafeitos que tenho no páteo de minha casa.

<<Já cinco vezes arrombaram-me portas, arrancando para isso até portaladas, e roubaram-me diversos generos e gallinhas, estas em numero maior de quarenta, nas cinco vezes que os larapios, ou larapio, se dignaram visitar-me.

<<Ainda hontem arrombaram-me uma porta e roubaram-me dez a doze gallinhas. Peço, pois, que v. chame pelas columnas do seu conceituado jornal a attenção das nossas autoriadades para este estado de cousas, offerendo a quem descobrir o ladrão uma boa gratificação, que lhe será paga por mim.>>

- De toda a parte chegam d'estas noticias, e as autoridades superiores da provincia, quando muito, pedem informações..."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 10 de Dezembro de 1884, pág. 01, col. 03

sábado, 21 de setembro de 2019

A Campanha Gaúcha


Excelente vídeo sobre a Campanha Gaúcha, tratando sobre o seu relevo característico, o bioma Pampa e sua biodiversidade, as atividades econômicas presentes e o problema da degradação. Disponível no interessante e recomendado canal Terra Negra no YouTube.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Colônia Santa Isabel em 1885


"SANTA IZABEL

Fundada em 1847 com 163 allemães recebeu por vezes levas de immigrantes da mesma nacionalidade, e ao ser emancipada por aviso de 19 de Junho de 1856, contava 1.375 almas.

Elevada á freguezia pela lei provincial de 20 de Novembro de 1859, conta actualmente 3.000 almas que se classificam approximadamente:

Allemães..... 600
Brazileiros..... 2.000
Diversas nacionalidades..... 400
(incluidos entre os brazileiros os nascidos de estrangeiros na colonia)

A lingua allemã é a mais usada no estabelecimento.

Possue a colonia duas povoações, Santa Izabel e Campinho, providas de escolas publicas. Na primeira existe capella do rito catholico e na segunda templo protestante.

A povoação de Campinho communica para a colonia Santa Leopoldina por estrada de 12 kilometros. Possue a colonia estradas das melhores da provincia. Effectua-se a exportação pelo porto da Vcitoria, do qual dista a colonia 42 kilometros, achando-se em communicação regular para o Rio de Janeiro pelos vapores da companhia Espirito Santo e Caravellas, e, para a Europa, pela navegação directa que começa a desenvolver-se no referido porto.

A colonia mede a área de 25.311 hectares divididos em 56 lotes, gozando os colonos de notavel bem-estar e até de riqueza. A exportação annual de café regula por 900.000 kilogrammas. Circundam a colonia excellentes terras devolutas, que se estendem desde as linhas coloniaes até os mananciaes do rio Jacú. O sólo agricola é de composição mais ou menos analoga aos melhores da colonia do Rio Novo."

Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 009, fev./mar. 1885, pág. 06, col. 01-02

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

São Borja às escuras


"S. BORJA

26 de outubro:

- O Echo de Missões occupa-se com o serviço da illuminação publica, que é mal feito.

Eis um topico da sua noticia:

<<Não póde ser peior o serviço da illuminação publica, custeado pela camara municipal d'esta villa e feito administrativamente. Na maior parte dos lampeões, só se vê uma mecha carbonisada e ardendo com uma chamma rubra, que nenhuma luz derrama, a ponto de que, a dez passos de distancia dos taes lampeões, a escuridão é tal, que não se divulga nem se quer o vulto de um homem.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 19 de Novembro de 1884, pág. 01, col. 05

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Colônia Azambuja em 1885


"AZAMBUJA

Esta colonia está situada no municipio de Nossa Senhora da Piedade de Tubarão, nas proximidades da estrada de ferro de Thereza Christina, da qual dista 9.990 metros pouco mais ou menos, á margem do rio Pedras Grandes confluente do Tubarão e do Urussanga, que desagua no oceano. Foi fundada em 1877 e emancipada em 1881.

Sua população excede de 2.000 almas, predominando a nacionalidade italiana.

Cortada por excellente estradas a ex-colonia tem para mercado de seus productos a villa de Tubarão da qual dista 40 kilometros. A sua producção consta especialmente de farinha de mandioca e cereaes, que exporta em abundancia, bem como de trigo, vinha e cana de assucar, cuja cultura tem tido o maior desenvolvimento, existindo 4 alambiques para o fabrico de aguardente.

Nos seus arredores existem terras devolutas onde póde com vantagem ser estabelecido numero consideravel de immigrantes."


Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 008, jan. 1885, pág. 02, col. 02-03, pág. 03, col. 01-02

terça-feira, 17 de setembro de 2019

O suplício do escravo Domingos



"Por notavel coincidencia, ao mesmo tempo que recebiamos de um prestimoso collaborador o artigo estampado em nossa primeira pagina sobre o 25 de março, dia escolhido para redimir os ultimos escravos no Ceará, tambem nos vinha ás mãos a carta de um distincto amigo narrando o seguinte hediondo caso:

A duas legoas, mais ou menos, da villa de S. Jeronymo, na fazenda do sr. Demetrio Pereira do Lago, foi barbara e deshumanamente torturado, o escravo Domingos, de propriedade d'esse mesmo sr. Demetrio.

O crime revestio-se das circumstancias que seguem:

A desgraçada victima foi amarrada em tronco especial e ahi sujeita a centenares de açoites.

Depois, em estado inanime, quando já estavam as carnes saltando em pedaços, pois tinha nas costas rombos enormes, ainda foi, por meio de correntes, ligada á um montão de ossos podres cobertos de vermes, que logo se puzeram em communicação com as immensas chagas que sangravam no corpo d'essa miseravel creatura.

Ainda assim os algozes, não satisfeitos com tudo isso, a tiraram d'esse leito infernal para collocarem-n'a novamente no tronco, até que ahi, sem comer nem beber, a morte viesse finalisar semelhante martyrologio.

Porém os proprios parceiros de Domingos, apezar de toda timidez, não se supportaram á vista de tão horrorosas scenas e o soltaram, favorecendo-lhe a fuga.

Esse infeliz dirigio-se para esta capital afim de apresentar-se ás autoridades.

Consta-nos mais que seu senhor tambem para aqui veio, e o amigo que escreveu-nos diz estar elle confiado em valiosos amigos d'esta cidade."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS),  27 de Março de 1884, pág. 02, col. 01

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Semana Farroupilha 2019 em Capão do Leão

Divulgação.

O machado do Arroio Pepino


"PELOTAS

(...)

- Diz o Diario:

<<Hontem de manhã procurou nos o sr. Antonio Ferreira Guimarães para nos mostrar um lindo machado de pedra indigena, que descobrio em sua chacara, além do Arroio Pepino, em umas escavações a que está mandando proceder."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 14 de Novembro de 1884, pág. 01, col. 03

domingo, 15 de setembro de 2019

Histórico do Município de Barão/RS


"A denominação da localidade de Barão provém, segundo o Pe. Rubem Neis, do Barão de Holleben, Luiz Henrique Von Holleben, que nasceu em Saxe Mainer, na Alemanha, formando-se em Engenharia na Inglaterra e vindo casar-se no Brasil com dona Maria da Luz dos Santos, na cidade de Curitiba, Estado do Paraná.

O Barão Von Holleben acompanhou em setembro de 1880 como engenheiro ferroviário, o engenheiro Carvalho Borges, a Conde D'Eu, hoje Garibaldi e Bento Gonçalves, a fim de dirigir as obras da estrada de ferro entre Montenegro e Bento Gonçalves.

O Barão estabeleceu residência no ponto mais avançado da colonização alemã, entre Salvador do Sul e Carlos Barbosa, no local posteriormente denominado 'Barão', mas que na época era pouco habitado. Para designar o local onde morava, quando alguém queria falar com ele, dizia 'Vou lá no Barão'.

O Barão Von Holleben permaneceu aqui por mais dois anos, vindo a transferir-se depois para Porto Alegre, onde, entre 1882 e 1894, trabalhou na linha de bondes de Ferro Carril.

Existe, porém, uma outra versão sobre a origem do nome de Barão, encontrada no livro intitulado em Montenegro, editado em 1924, pelo historiador Campos Neto, na qual o mesmo afirma ser o nome de Barão originário de Francisco Mário de Abreu, chamado Chico Pedro, Barão do Jacuí.

Chegando a afirmar que o Barão Von Holleben não residiu no local: o seu nome Barão, querem uns que seja originário do Barão Von Holleben, mas supomos errônea essa afirmação. Não consta que esse titular alemão ali residisse. Posteriormente afirma o historiador: 'O Barão do Jacuí deve ter dado o nome a este Distrito'.

As famílias que povoaram o primeiro núcleo que deu origem a Barão, foram imigrantes italianos oriundos do Norte da Itália.

No começo do século, Carlos Selbach exerceu influência marcante em todas as áreas, bem como Luiz Calliari, que era Mestre da Capela. Até 1916, as celebrações religiosas eram feitas na residência do Sr. João Schmitz, um dos incentivadores da construção da primeira Capela, Regente do Coral, músico e doador do primeiro harmônio para a comunidade católica baronense.

De 1906 a 1911 foi construída a via férrea que liga Porto Alegre a Caxias do Sul, sendo inaugurada a estação de Barão em 1o. de dezembro de 1909.

Com os trabalhos de construção e conservação da ferrovia, foi aberta uma pedreira nas terras de João Basségio e Vva. Itália Dai Prá, grande fonte de renda, que na década de 30 trouxe 21 famílias de ferroviários, os quais fixaram residência nos arredores da pedreira, criando um núcleo habitacional organizado. Dedicavam-se a exploração da pedreira e também à agricultura.

Foi instalado o Recinto da Viação Férrea e aberto a Rua que hoje leva o nome de Antônio Simon, nas áreas cedidas pela família de Vva. Itália Dai Prá, ligando o centro do Distrito à pedreira, distante mais ou menos um quilômetro da estação. No centro funcionava a Cantina e Armazém de Secos e Molhados da família Hartmann, com grande sortimento de produção. As uvas eram adquiridas dos produtores de toda a região, que traziam os tonéis e cestos abarrotados em carroças puxadas por juntas de bois.

Além da estrada de ferro a rodovia Buarque de Macedo ligava Barão a Montenegro e Porto Alegre a Garibaldi - Bento Gonçalves - Caxias do Sul. Consta em arquivos que D.Pedro II teria passado por aqui, com sua comitiva.

Todavia, Barão cresceu ao lado os trilhos da Viação Férrea, mas as condições precárias da ferrovia, a região com solo bastante acidentado levaram a sua desativação em 10 de junho de 1979, desaparecendo o trem de carga e o trem de passageiros, surgiu, então a necessidade de ampliar os meios de transporte rodoviário. Surgiram mais ônibus, caminhões e carros particulares substituindo também os carros de boi e os próprios cavalos, muito usados antigamente na região.

A superfície geográfica do município abrange uma área de 135,45 km2, com uma população aproximada de 5484 habitantes e a densidade demográfica em 36.90 hab km2.

O município situa-se na Encosta Superior do Nordeste. Limita-se ao norte com Carlos Barbosa e São Vendelino, ao Oeste com Boa Vista do Sul, ao Sul São Pedro da Serra, Salvador do Sul e Tupandi, ao Leste com Bom Princípio e São Vendelino. Faz parte da Microrregião Colonial da Encosta da Serra Geral. As vias de acesso são a RST 470, a distância entre o município e a capital do Estado, via rodoviária é de 120 km, BR 116, via Carlos Barbosa - 133 km a Porto Alegre, via Linha Francesa Alta; 100 km Barão a Porto Alegre. Existem muitas entradas municipais, que interligam todas as comunidades do município. O acesso aos distritos e as demais localidades são das carreteiras, não asfaltadas, mas em bom estado de conservação.

Em relação aos continentes, Barão está situada na Latitude Sul 2927'00" e Longitude 5130'00" do Meridiano de Greenwich, a uma altitude de 720 metros acima do nível do mar."

Fonte:  ATLÂNTICO (RS), 08 de Fevereiro de 1999, pág. 06

sábado, 14 de setembro de 2019

Grêmio Republicano Português de Pelotas


"Gremio Republicano Portuguez. - Hontem como estava annunciada, realisou-se a assembléa geral desta patriotica associação, para eleição da directoria que tem de reger os destinos da mesma desde 3 de maio proximo até 5 de outubro de 1912.

Foi eleita a seguinte directoria:

Presidente - Alvaro da Silva.

Vice-presidente - Gabriel Castro.

1o. secretario - Joaquim Ferreira de Castro.

2o. secretario - Arthur Correia de Azevedo.

1o. thezoureiro - Rodrigo de Rego Barreto.

2o. thezoureiro - José Rodrigues Sant'Anna.

Bibliotecarios - Antonio Faustino Fragata e José Augusto Dias.

Directores - Antonio Henrique Nogueira, Manoel Gomes da Silva, Abilio José de Mattos, Manoel P. P. Primo, José Machado Maia, Francisco Moreira Freitas.

Commissão de contas - Antonio da Nova Monteiro, Dionísio A. P. Magalhães e Eduardo Augusto de Menezes.

Reinou sempre o maior enthusiasmo. Ao proclamar-se o resultado da eleição ouviu-se uma calorosa salva de palmas.

No dia 3 de maio a directoria eleita será empossada em sessão solemne."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (RS), 24 de Abril de 1911, pág. 02, col. 03

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Sobrenome Royo


"Vários cronistas antigas e especialistas em Heráldica coincidem em afirmar que este sobrenome procede de Navarra, tendo sua casa e primitivo assento na cidade de Tudela. Entretanto, existe a possibilidade da origem ser tanto navarra quanto aragonesa.

Segundo Félix de Latassa, o sobrenome tem procedência francesa e teria passado a Aragão nos tempos da Reconquista. A mesma opinião é compartilhada pelo tratadista Bizén d'O Río Martínez, reconhecendo que há pelo menos três casas principais do ponto de vista histórico que ostentam o sobrenome: a primeira na cidade de Calatayud; a segunda na vila de Castellote, na província de Teruel; e a terceira na vila de Torrellas de Bernabé.

Miguel Royo foi Jurista de Zaragoza no ano de 1288, fidalgo por condição, sendo pai de Juan Royo, que passou a residir no castelo de Castellote em 1315. Neto deste últio foi Juan Royo Lánguera, que ocupou o cargo de Tenente do castelo de Morella, na província de Castellón.

A etimologia, conforme o linguista Gutierre Tibón, aponta que o sobrenome provém do moçárabe 'marruyo', que significa 'marrubio', do latim marrubium, sendo que todas elas remetem a um tipo de planta da Eurásia (Marrubium vulgare). Entretanto, outros autores consideram que o sobrenome pode também derivar do latim rubeus, que significa 'vermelho', 'ruivo', 'rosado'.

Royo também possui uma linhagem muito importante na Extremadura."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Sala


"Segundo o 'Dicionário de Sobrenomes Espanhóis', este é um sobrenome toponímico derivado dos nomes de lugares como Sala ou Salas. Há várias localidades espanholas com Sala ou Salas, sendo percebidas nas Astúrias, Aragão, Castela, etc.

Sala é uma palavra baixo-latina que deriva do termo germânico salla, cujo significado era 'casario', 'quinta', 'lugar de habitação', ou ainda 'lugar fortificado'.

Em Aragão, existem três linhagens principais do sobrenome: a primeira espalhada em Zaragoza, Jaca e Peralta de la Sal; a segunda originária de Jaca e residente em Zaragoza desde 1521; a terceira com origem em Navarra e que se espraia em toda a província de Zaragoza e na Jacetania Oscense."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.


Sobrenome Ramiro


"Ramiro, assim como Ramírez ou Remírez, é um apelido patronímico relacionado ao nome próprio Ramiro. Etimologicamente, o nome Ramiro provém do nome germânico Radamir ('conselho ilustre, famoso) e foi muito usado pelos reis do antigo Reino de Leão na Idade Média, o que explica sua popularidade na Península Ibérica.

Em Aragão, houve casas solares deste sobrenome em Jaca, na província de Huesca, e em Calatayud, na província de Zaragoza. Da primeira teve origem o ramal que passou a Palma de Mallorca por volta de 1400. Foi fundador da linhagem insular, Damián Ramiro, natural de Jaca e filho do fidalgo Juan Ramiro, de Jaca, e Eulalia Moncada.

Conforme o Arquivo Geral Militar de Segóvia, aparecem como importantes figuras com este sobrenome: Alfonso Ramiro, Infantaria, ano 1780, nobre; Ramón Ramiro, Hospital dos Inválidos, ano 1768, pessoa honrada; Francisco Ramiro Espinosa, Capelão, ano 1874; e Rafael Ramiro y Ortiz, Infantaria, 1793, nobre.

Também há núcleos importantes da família em Ubeda, na província de Jaén, em Ciudad Real, Teruel, Cariñena, Cáceres, Cádiz e Molina de Aragón."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Subirats


"Nobre e muita antiga linhagem de origem catalã, que aparece de forma constante nos principais registros históricos na Espanha desde o século XII, remontando ao reinado de Jaime I de Aragão.

Conforme as obras que tratam sobre a fidalguia na Espanha, o sobrenome Subirats tem a mesma origem dos sobrenomes Sobirats e Subiracs. Os primitivos 'Sobirats' ou 'Subirats' tiveram sua antiga casa solar na vila de Montblanc, na província de Tarragona, de onde seus ramais se estenderam por toda a Catalunha.

No século XII, consta documentado o nobre Guillem de Subirats, que foi conselheiro do conde Ramon Berenguer IV da Catalunha entre os anos de 1139 e 1146. Os Subirats também prestaram serviços aos condes de Piera, Cabrera e Castellolí.

A etimologia do sobrenome provém da palavra 'subirà', que deriva por sua vez do adjetivo 'sobirà' que significa 'mais elevado', 'situado mais acima'. O sobrenome pode ser um apodo ou indicar um aspecto geográfico.

A linhagem fidalga será inaugurada por Guillermo de Sobirats, em 1301.

A forma Soberats é encontrada nas Ilhas Canárias e nas Baleares."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Tadeo


"Singular sobrenome que tem origem aparente em Castela e Extremadura. Em terras castelhanas, as principais linhagens se radicaram nas províncias de Salamanca e Ávila. Na Extremadura se encontram linhagens de destaque em Miajadas, Moraleja e Cáceres, na província de Cáceres, e na província de Badajoz. Atualmente o sobrenome se encontra distribuído em toda a Espanha e América Latina.

São pessoas de destaque na história do sobrenome: Antonio Tadeo, comissário de guerra; Francisco Javier Tadeo Cerezo, oficial-mór do Exército; ambos tendo vivido entre os séculos XVIII e XIX.

Tadeo é um sobrenome patronímico do nome castelhano homônimo."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

A nobreza no Japão


"O governo do Japão, diz o Economist, expedio um decreto organisando a nobreza do paiz.

A hierarchia creada compõe-se de cinco ordens:

Os Ka, duques ou principes; os Ko, marquezes; os Hakus, condes; os Shi, viscondes; os Dan, barões.

A nobreza compor-se-ha de 500 titulares, pela maior parte escolhidos entre os antigos Daimios, e suppõe-se que eventualmente são destinados a constituir a camara alta, que deve ser formada logo que for publicada a constituição promettida pelo Mikado.

Progressos das terras do chinó..."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 10 de Novembro de 1884, pág. 01, col. 05

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Colônia Itajaí em 1885


"ITAJAHY

A população da colonia Itajahy fundada em 1860 e emancipada em 1882, excede de 7.900 habitantes, dos quaes cerca de 2.500 são italianos, 1.350 allemães, sendo os restantes de outras nacionalidades, inclusive os filhos de estrangeiros nascidos na colonia.

Os habitantes não só se entregam á lavoura, como tambem a differentes industrias.

A ex-colonia tem serrarias, moinhos, diversas fabricas, inclusive uma para fiação de seda.

Uma extensa rede de estradas de rodagem de 420 kilometros, bem como caminhos para cargueiros na extensão de 150 kilometros, põe em facil e commoda communicação todos os differentes nucleos da ex-colonia.

A antiga séde da colonia é hoje a freguezia de S. Luiz Gonzaga que dista 38 kilometros do porto de Itajahy, com o qual se communica por boa estrada de rodagem.

Tem diversos edificios importantes, entre os quaes nove igrejas, a casa da camara municipal, escolas para ambos os sexos, casa de mercado, etc.

Ainda existem na ex-colonia muitos terrenos devolutos de reconhecidade uberdade."


Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 008, jan. 1885, pág. 02, col. 02-03, pág. 03, col. 01

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Histórico do Município de Santo Antônio da Patrulha/RS


"Terra da rapadura e da pinga azul. Terra dos sonhos. Terra bonita, de serras, vales, rios e lagoa.

Cidade histórica. De casario colonial e ruas estreitas.

Cidade moderna. De indústria pesada e comércio ativo. De povo hospitaleiro e trabalhador.

Santo Antônio da Patrulha convive muito bem com esta mistura de progresso e tradição; mistura de cidade antiga com cidade nova; mistura de serra, asfalto e várzeas; mistura de canaviais e pecuária e arrozais; mistura de turismo, comércio e indústrias; mistura de amor e fé.

Nas veias de seu povo, o sangue açoriano e negro pulsa fortemente, diluído através dos tempos, por índios, espanhóis, italianos, poloneses e alemães.

O comércio à beira da estrada acabou desenvolvendo a parte nova da cidade denominada 'Pitangueiras', igualmente conhecida como Cidade Baixa, em oposição à Cidade Alta, a parte antiga que permanece mais residencial e ainda guarda muitas das ruas e casario açoriano, com belíssimo visual em todas as direções.

O povoamento do território sul-riograndense-luso-brasileiro deu-se de forma progressiva e gradual, iniciando-se pelo litoral, favorável ao rebanho de gado vacum e cavalares e, ainda livre dos índios bravios (pelo menos antes da Encosta da Serra). Vieram, então, paulistas e lagunenses acompanhados pelos escravos negros e índios carijós 'domesticados'. Este se estabeleceram como estancieiros com sua escravaria (negros e índios), seguidos pelos açorianos que se dedicavam ao cultivo das terras. Passado mais de um século chegaram os imigrantes: alemães, italianos, poloneses, espanhóis, búlgaros, tchecos, austríacos, russos, japoneses e eslavos.

Este quadro evolutivo também se aplica a História de Santo Antônio da Patrulha. Mas segundo o Padre Rebem Neis, 'há muita inexatidão em datas chaves das primeiras comunas rio-grandenses como Rio Grande, Triunfo, Rio Pardo, Gravataí e outros. É o que acontece também com a localidade de Santo Antônio da Patrulha, um dos quatro primeiros municípios do Estado.

Em 1732 é feita a doação da primeira sesmaria. A Estância das Conchas nas imediações de Tramandaí a Manoel Gonçalves Ribeiro. Mais tarde recebe outras.

Pelo 'Ato Régio' de 1743 é confirmada a doação oficial da Sesmaria do Município de Santo Antônio da Patrulha ao estancieiro Manuel Gonçalves Ribeiro, o mesmo 'das Conchas'. Provavelmente esta seria a primeira doação oficial de sesmaria em nosso município. Esta seria localizada entre a sede municipal e as lombas. Sabe-se que o sesmeiro nunca trouxe família para o local.

Mas quem estabeleceu definitivamente com a fazenda sede do município pelo ano de 1743 foi Inácio José de Mendonça e Silva, oriundo de Santos, Dragão da Serra (Posto Fiscal da Guarda Velha). Aqui se estabelecendo com roças e cascas. Seu título de posse é de 09 de julho de 1755.

Dentre os primeiros povoadores oficiais (se outro houve, não registraram suas posses), citam-se Manuel de Abreu e Francisco de Almeida da Bacarema, solteiros, portugueses e tiveram filhos com índias; Manuel Gonçalves Ribeiro, casado com uma lagunense. Açorianos eram Antônio Rodrigues Pavão, casado com uma lagunense, Simão Dias Gonçalves, casado com uma açoriana, e Manuel Barros Pereira, que teve uma filha única com uma escrava preta e casou aos 60 anos com uma açoriana, da qual não teve filhos. Mulatos eram Inácio de Mendonça e Silva e suas três esposas sucessivas.

O município de Santo Antônio da Patrulha nasceu com as primeiras expedições que vieram ao continente de São Pedro do Rio Grande. Embora nessa ocasião o município não fora efetivamente criado... seus campos foram ocupados e a primeira sesmaria doada nesse território foi em terras patrulhenses.

Inicialmente a ocupação das terras de Santo Antônio foi feita com a instalação de uma 'guarda' ou 'patrulha' onde havia um registro e cobrança de 'dízimo' das tropas que passavam rumo aos campos de Curitiba e São Paulo. Era o caminho de Cristóvão Pereira. Nessa época Santo Antônio da Patrulha era apenas a 'Velha Guarda de Viamão'.

Em 1809 foram criados por provisão do governo, quatro município no Rio Grande do Sul. Um deles foi Santo Antônio. Os outros foram Porto Alegre, Rio Grande e Rio Pardo. Honrado com a promoção a município, graças a sua posição privilegiada de estar no centro da região Nordeste do Estado. Santo Antônio se estendia até Vacaria, Lagoa Vermelha e Porto Alegre, como referências de divisas (os dois primeiros municípios ainda não haviam sido fundados).

Ao longo do século XIX começaram os desmembramentos e Santo Antônio foi perdendo seu território com as emancipações. Mais de 20 municípios são filhos de terras patrulhenses. O mais novo é Caraá, emancipado em 1996.

NOMES ANTERIORES DO MUNICÍPIO

No início do povoamento do continente de São Pedro, o atual Município de Santo Antônio da Patrulha, era um lugar anônimo, sem uma denominação definida. Sua região mais plana fazia parte dos Campos de Tramandaí, das Estâncias e dos Campos de Viamão.

GUARDA: Ficava na estrada, perto da atual cidade de Santo Antônio da Patrulha, antes da subida da serra, também conhecida como a guarda de Viamão.

PATRULHA:  Em documento de 1745, também se encontra esta denominação como sinônimo de Guarda.

GUARDA VELHA: Em 1750, em Viamão, instalou-se um corpo de guarda com a finalidade de policiar, levando o nome de Guarda Velha de Viamão.

CAPELA DE SANTO ANTÔNIO DA GUARDA VELHA DE VIAMÃO: 1760, quando da construção da capela em Santo Antônio, recebe esta denominação completa. Este vale como primeiro nome oficial, uma vez que com a criação da capela curada, passa a localidade ter uma vida religiosa, social e jurídica organizada.

VILA ANÁDIA: Segundo alguns historiadores, o governador Paulo José da Silva, em 04 de dezembro de 1803, teria proposto a mudança do nome de Santo Antônio da Patrulha para Vila Anádia para agradar ao Visconde de Anádia, mas tal não ocorreu.

CAVALHADAS

Torneio hípico, encenação de lutas entre Mouros e Cristãos.

Conforme tradição oral, a Cavalhada vem de Carlos Magno e dos torneios que os 'Doze Pares da França' realizavam, nos momentos de descanso, entre si, lutas empreendidas.

As cavalhadas não se apresentam na mesma forma em nosso Estado. O município de Santo Antônio da Patrulha é reconhecido pela riqueza, esmero e fidelidade à indumentária usada pelos guerreiros. É o grupo mais atuante e em evidência.

Fazem parte das cavalhadas dois grupos de onze cavalheiros cada (azuis - cristãos, vermelhos - mouros) dois 'máscaras' ou palhaços, um espia e sua mulher, a Sofia (homem vestido de mulher), dois porta estandartes, um mouros e outro cristão, a princesa moura, Floripa e os pajens (ajudantes). Há também o castelo dos mouros e o castelo dos cristãos."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 03 de Fevereiro de 1999, pág. 04-05

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

A curiosa dança dos astros


"A dança dos astros

A 22 de junho de 1799, Alexandre de Humboldt, em sua ascensão celebre ao pico de Tenerife, testemunhou um phenomeno curioso.

Eram mais ou menos 3 horas da madrugada. O sol estava apenas alguns gráos abaixo do horisonte, e os viajantes achavam-se a 3.000 metros de altura.

'De repente, diz Humboldt, pareceu-nos ver, do lado do léste, pequenos foguetes cruzando os ares. Percebiam-se pontos luminosos, elevados de 7 a 8 gráos acima do horisonte, que se moviam verticalmente; em seguida esses mesmos pontos oscillavam horisontalmente durante alguns minutos. Reconhecemos afinal que esses pontos brilhantes eram as imagens das estrellas ampliadas pelos vapores da noite.'

As estrellas, com effeito, em certas circumstancias, parecem agitar-se, balançar-se e descrever rapidamente orbitas sinuosas.

Este phenomeno singular preoccupou vivamente o sabio Humboldt.

Em junho de 1852, o professor Parpat, com um companheiro, passeava em bote no lago de Storlus, pouco depois da entrada do sol.

Os passeantes deixavam os remos immoveis para contemplar melhor a belleza do espectaculo, quando um menino que os acompanhava poz-se a gritar: 'Olhem lá a estrella que dança!'

Com effeito, a estrella Vega parecia executar movimentos oscillatórios rapidos. O barco achava-se então em frente a uma ilhota coberto de canas, de onde se desprendia um nevoeiro intenso. Depois de passarem a ilhota e quando puderam ver Vega directamente, cessou o phenomeno oscillatorio; de novo produzio-se quando a ilhota ficou entre a estrella e os observadores.

A dança do astro parou depois de ter o sol baixado bastante no horisonte e Vega se elevado no céo.

O sr. Parpat attribue a causa do phenomeno á interposição do vapor d'agoa. 

Na realidade, parece que deve ser attribuido aos movimentos ascendentes do ar que determina uma reparação da luz do astro.

Póde-se reproduzir á vontade o phenomeno, olhando para um objecto afastado ou para uma estrella, através a columna de ar quente que se eleva acima de uma lampada acesa.

O objecto dança sem cessar; os raios luminosos que chegam ao nosso olho são desviados e sentimos a sensação de um deslocamento rapido do objecto.

É um effeito de refracções que, como faz notar o sr. Lagrange, do observatorio de Bruxellas, os astronomos observam algumas vezes no momento em que abrem as janellinhas das salas das grandes lunetas. Se o ar da sala está em uma temperatura differente do ar do exterior, manifesta-se uma corrente e um movimento; o astro que se olha executa oscillações até que o equilibrio de temperatura se estabeleça.

É um phenomeno de refracção.

Mas existe outra dança de origem differente e que até agora não tinha explicação plausivel.

Em noite escura de 1856, e com uma temperatura de 16o abaixo de zero, o professor Schweizer, de Moscou, reparou que Sirius, que já se achava bastante elevado, oscillava claramente; olhou para Jupiter, Alpha do cão menor, para diversos outros astros e todos elles dançavam.

Podem observar perfeitamente esse balanço dos astros encostando a cabeça em uma parede e escolhendo uma noite sem luar e um céo bastante escuro.

O phenomeno é comparavel ao effeito que produz uma luz oscillando no mastro de uma embarcação.

E independente da altura do astro acima do horisonte, e do nascente ou occaso do sol, independente de toda a ruptura de equilibrio nas camadas atmosphericas."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 30 de Julho de 1886, pág. 01, col. 03

Globo luminoso em Bagé


"Bagé. (...)

- Refere a União Liberal:

No sabbado, ás 11 e meia horas da noite, observou-se n'esta cidade um phenomeno atmospherico: um raio de luz partindo do Noroeste percorreu o espaço em direcção a Leste, acompanhado em seu trajecto de um ruido como de um trovão ao longe, ouvindo-se, ao sumir-se esse globo luminoso, um forte estampido."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 20 de Abril de 1886, pág. 01, col. 05

Pelo Ar


"PELO AR

De Villa Miranda escrevem ao Corumbaense de Matto Grosso:

<<Uma pessoa que merece fé assegura ter observado a passagem de um balão aerostatico, ás 4 horas, mais ou menos, do dia 25 ou 24 de maio findo, no lugar denominado Lalima, distante d'esta villa 6 a 7 legoas, tendo o dito balão a configuração de um escaler, do comprimento de 30 palmos, com prôa preta, corpo branco, e que levava o rumo do nascente para o poente com a velocidade de uma embarcação movida por vapor.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Outubro de 1884, pág. 01, col. 04
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