sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Sobrenome Suelves


"Sobrenome toponímico de origem aragonesa, relacionado ao lugar de Suelves, pertencente ao município de Bárbado, distrito judicial de Boltaña, na província de Huesca.

Na nobreza aragonesa encontram-se as seguintes pessoas com este nome de família: Pérez de Suelves y Iuego; Juan Pérez de Suelves e María Claramunt, senhores de Suelves e Artasona; José Mariano Claramunt Pérez de Suelves Oriola y Azlor de Aragón, que recebeu o título de Marquês de Artasona em 1803, concedido diretamente pelo rei Carlos IV; Alberto María, irmão do último, deu continuidade a linhagem, sendo segundo Marquês de Artasona e Mestre de Zaragoza.

Também existiu outra linhagem fidalga do mesmo sobrenome em Zaragoza.

Em aragonês, documenta-se a variante Suelbes."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

O bicho do Ouro Leve


"Em 8 do corrente, narra o Correio de Campinas:

<<Ha vinte dias mais ou menos, em Xiririca, no lugar denominado Ouro Leve, districto d'esta villa, indo a jovem Anna Pinto tomar agoa, embarcou em uma canôa que estava amarrada no porto e ao abaixar se, levando a mão a agoa, um enorme bicho agarrou-a e a levou para o fundo, sendo baldados os esforços para encontrar o corpo da desventurada moça."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 26 de Maio de 1885, pág. 01, col. 02

Histórico do Município de Balneário Arroio do Silva/SC


"O nome Balneário Arroio do Silva é proveniente de uma família que morava no campo, e por haver um arroio existente até hoje, que corria perto da casa da família Silva. A padroeira é Nossa Senhora dos Navegantes, protetora dos pescadores, festejada em dois de fevereiro.

Os primeiros moradores fixos foi a família Borges. Quando o Sr. Antônio Lourenço Borges chegou à praia com sua família havia apenas uma casa e um rancho. A casa era feita de tábuas e era desocupada, a outra era de palha (sapé) e era habitada por Jango Baiano. Jango Baiano vivia com muitos animais como macacos, cobras, que ao assovio dele andavam e dançavam.

Na época de 1930 já havia cerca de 20 casas. Os militares do Rio Grande do Sul faziam paradas pelos campos e a beira-mar. Por esta época os peixes vinham até a beira-mar à procura de alimentos, podia-se pegá-los com a mão. Existia fartura de peixe, como: miraguaia e corvina, havia também muitos mariscos. Quando ameaçava vento sul, os mariscos invadiam a praia, formando um tapete na areia, tornando-se algo espetacular. Quanto ao mar sempre teve suas águas limpas dependendo da lua e do vento.

O primeiro hotel foi construído, onde hoje é a Prefeitura Municipal, por volta de 1927 e tinha como proprietário Roseno Pereira. O segundo hotel pertencia à Maria Rabelo, era localizado próximo ao local onde hoje é a rodoviária. Os hoteleiros recebiam os veranistas que desciam a serra em burros, alguns animais traziam as pessoas, outros carregavam cestos de palha e vime onde traziam bagagens. Eram serranos oriundos de Bom Jesus/RS e Vacaria/RS. A garagem do hotel era um potreiro, onde os animais ficavam guardados e recebiam alimentos.

A primeira igreja foi construída em meados de 1930 por Roseno Pereira, onde hoje é a galeria Via Vêneto e foi derrubada pelo mar. A água e a energia elétrica foi trazida por André Rosa aproximadamente em fins de 1958.

A história do município de Balneário Arroio do Silva começa a ser contada oficialmente em abril de 1995. Nesta data, junto ao Presidente da Assembleia Legislativa, foi credenciada a Comissão Pró Emancipação do então Distrito de Arroio do Silvva.

A comissão composta de 14 membros moradores de Arroio do Silva, começa a trabalhar na formação do processo que culminaria com a realização do Plebiscito em dezembro de 1995 e mais precisamente no dia 29 de dezembro do mesmo ano, o atual governador assina a lei 10.055 criando o novo município de Balneário Arroio do Silva.

Ainda pouco conhecido dos turistas nacionais, Balneário Arroio do Silva surpreende por oferecer 21 quilômetros de praias limpas e mar aberto. Situado a pouco mais de 6 quilômetros de Araranguá, o Balneário tem sua rotina totalmente transformada durante a temporada de verão. É quando a população de 5 mil habitantes passa para 60 mil. Pela sua privilegiada situação geográfica, localizado exatamente na metade do trecho Florianópolis-Porto Alegre, na rota do turista argentino e uruguaio que ingressa no Brasil pelo portão de entrada de Uruguaiana, é o balneário mais badalado do extremo sul catarinense, distante apenas 60 quilômetros de Torres (RS)."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 19 de Outubro de 1998, pág. 04

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Ataque politico em Cachoeira do Sul


"Conflicto na Cachoeira

A cidade da Cachoeira foi hontem theatro de graves acontecimentos.

Grupos armados penetraram á noite na cidade, e provocaram o mais sério conflicto, do qual sahiram gravemente feridos o cidadão Arthur Pinto e uma praça policial, e levemente os cidadãos Angelico Fontoura e Modesto Soares.

Arrombaram a typographia do Pharol, empastellaram todo o material e arrojaram-n'o á rua.

A população acha-se sobresaltada.

A força que ali existe é de todo insufficiente para restabelecer a ordem e garantir a sua permanência; a autoridade acha-se impotente para reprimir novos tumultos.

Estes successos eram previstos; si as autoridades houvessem sabido cumprir com energia o seu dever - requisitando força sufficiente para manutenção da ordem, si não fossem fracas, como são, esses successos teriam sido efficazmente prevenidos.

Recentemente, em dezembro do anno passado, deram-se na Cachoeira factos com o mesmo caracter de gravidade; grupos de desordeiros percorreram a cidade, provocando arruaças; a ordem foi grandemente perturbada.

Tudo isso ficou impune.

A auctoridade deixou de reprimir o impeto dos desordeiros - na occasião, e não prevenio futuras desordens.

A consequencia da inepcia e da fraqueza dos incumbidos de manter o imperio da lei é o que agora se está presenciando: - a população cachoeirense alarmada por attentados de toda a sorte.

A noticia do conflicto veio ao nosso conhecimento por este telegramma que hontem á hora adiantada da noute recebemos do nosso collega do Pharol:

<<Grupos armados na cidade. Feridos gravemente Arthur Pinto e um praça policial, levemente Angelico Fontoura e Modesto Soares. Pedimos providencias.>>

Hoje, ás 9 horas da manhã, recebemos do mesmo collega segundo telegramma assim concebido:

<<Hontem, á meia noite, um grande grupo de homens armados, á pé e a cavallo, arrombou typographia do Pharol e empastellou typos. Auctoridade desmoralisada e sem força. Providencias.>>

Pedimos as mais promptas e energicas providencias ao sr. presidente da provincia e ao sr. dr. chefe de policia, a cujo conhecimento já levámos hoje a notícia do attentado.

A força policial na Cachoeira é mais que muito insufficiente; urge que seja reforçada; e si o corpo policial não pode fornecer um contingente, - que o forneça a tropa de linha.

- Depois de escripta esta noticia, recebemos de um amigo nosso da Cachoeira mais este telegramma:

<<Fomos atacados por capangas, hontem, na praça, ás 9 horas da noite. Assassinos carregaram de espada e pistola. Ferido levemente Angelico. Repellimos a tiros. População indignada indigita Bento Fontoura mandante.>>

A respeito d'essa suspeita publica, cuja procedencia não podemos affirmar, apenas cumpre-nos adiantar o seguinte, que veio ao nosso conhecimento:

Ha poucos dias, em consequencia de haver o advogado Bento Fontoura injuriado o sr. major Gaspar Xavier, em um arrazoado de autos, um filho d'este - o sr. Angelico Fontoura - encontrando-se na rua publica com o sr. Bento Fontoura, tomou um desforço pessoal para vingar a affronta feita á honra do pai.

Mais uma vez pedimos ás auctoridades competentes toda a promptidão e energia que o caso exige."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS),  14 de Março de 1884, pág. 01, col. 03

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Olímpia Muquirana


"Olímpia Muquirana

É filha do falecido padre Benjamin, que foi vigario da freguezia do Arroio Grande (RIo Grande do Sul), padre tão devasso como a filha tem sido até hoje!

Fez 27 annos, no dia 3 de Abril proximo, casou se aos 16 annos em Pelotas, com um hespanhol chamado Domingos, que exercia profissão de tamanqueiro.

Ao cabo de alguns mezes de casada fugia do marido para lançar-se na vida de prostituição!

Elle homem honrado e de bons sentimentos teve tal desgosto que começou a dar se o vicio da embriaguez e morreu um anno depois!

Ella vestiu-se de vermelho no dia do enterro e esteve a janella vendo passar o prestito funebre e a dizer para as visitas, em ar de mofa, que estava de luto porque lhe tinha morrido o seu marido!

Ainda escarnecia e insultava o cadaver do homem que ella tinha deshonrado e assassinado!

Continuou em Pelotas na vida airada, tendo tido diversos amantes e entres elles um tal Aurelio Roque, homem que se sacrificou por ella a tal ponto, que veio morrer ha pouco mais de um anno desgraçado na Barra Mansa!

Em Pelotas tambem é muito conhecida na classe dos cocheiros, chegando a ser frequentada por alguns d'elles que ainda lá estão!

Era frequentadora dos bailes da Bicha (em Pelotas), bailes de tal ordem que a autoridade teve de os mandar prohibir taes eram as scenas que la se passavam!

Estando completamente desmoralisada em Pelotas, mudou-se para o Rio Grande onde encontrou um homem generoso que (não conhecia) levantou-a da miseria; não levou porem muito tempo ella não pagasse os beneficios d'aquelle homem com a maior ingratidão!

É impossivel contar tudo quanto ella fez no Rio Grande; bastará só dizer que estando ali amaziada, um dia fugiu para Pelotas atras d'um carpinteiro hespanho que trabalhava no theatro Simões.

Depois de muitas peripecias e d'uma vida de escandalos, um bello dia fez leilão de tudo e embarcou para Santos, muito arrebentada, porque trazia apenas 800 mil reis, producto da mobilia vendida e d'uma vida dissoluta de 8 annos!

Em Santos no hotel Madrid continou a vida do Rio Grande do Sul e ao cabo de tres meses embarcou para o Rio de Janeiro, trasendo apenas alguns mil reis dos 800 com que tinha chegado!

Chegou a esta cidade nos fins d'Agosto de 1886. Antes tivesse vindo o cholera-morbus, ou qualquer epidemia semelhante!

Foi para a rua do Rezende, para um hotel particular; mas taes cousas fez logo que foi posta fóra ao cabo de trez dias.

Mudou-se para a rua do Espirito Santo n. 14, e alli tambem pintou a manta. A primeira conquista que fez foi a de um aprendiz de sapateiro que morava nos baixos da casa!

Dias depois encontrou um paio (que tambem teve a infelicidade de não a conhecer) a quem fez muitas choradeiras, conseguindo d'esta forma que elle a protegesse sincéramente, e a quem ella pagou mais tarde na mesma móeda que já tinha pago aos outros!

É mulher astuta cynica e muito devassa!

Ella não aprecia qualidades moraes de pessoa alguma; pois pertence exclusivamente á escola materialista!

Toca clarinette, mas não é boa artista n'este genero de instrumento, segundo dizem os diversos amadores que a teem ouvido!

Tem como azeiteiro um sujo igual a ella nos sentimentos!

Tem igualmente uns marchantes muito parvos de quem ella se ri com o azeiteiro!

Tambem teve ao seu serviço no mez de Outubro de 1886 um criado chamado Antonio Segurelha. A historia dos serviços que aquelle criado lhe prestou contada por ella é muito interessante. Vale apenas ouvir a tal historia!

Ella está esbodegada de todo, está velha, tem dentes postiços e os demais quasi todos podres. Tem um halito pestilento, de maneira que é necessario ter muita coragem...

Está cada vez mais desmoralisada e mais canhão!

Carepuna."

Fonte: CARBONARIO (Rio de Janeiro/RJ), 15 de Outubro de 1888, pág. 03, col. 03, pág. 04, col. 01; 17 de Outubro de 1888, pág. 03, col. 02


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Embarcações do Brasil no século XIX





Alvarenga (Bahia e Recife) ou Saveiro (Rio de Janeiro)


Baleeira (Bahia)


Balsa dos Paumatys (Rio Purus)


Barco do Recôncavo (Bahia)


Barco mineiro (Goiás e bacias dos rios Araguaia e Tocantins)


Canoa coberta (Bacia Amazônica)


Canoa (Bahia)


Igareté (Bacia Amazônica)


Jangada (Nordeste do Brasil)


Montaria (Bacia Amazônica)


Pelota (sul e centro-oeste do Brasil)


Perú ou Barco da roça (Rio de Janeiro)


Saveiro de carga (Bahia)


Ubá (Bacia Amazônica)


domingo, 11 de agosto de 2019

O voo do senhor Mamento


"Lê-se no Apostolo:

<< Os habitantes de Matto-Grosso presenciarão um espectaculo inteiramente novo. O sr. Mamento Seixas das Madureiras vôou durante uma hora percorrendo uma extensão de 10 leguas, como se fosse um volatil qualquer. Vamos dar detalhes desta experiencia, que a ser verdadeira, será um grande passo dado no campo das pesquizas scientificas dessa natureza.

<< O apparelho destinado a realizar essa experiencia fórma-se do seguinte: quatro azas que são formadas de membranas extrahidas do dorso do gigantesco mamboreta que se cria nas regiões poentes de Pelotas, que se adherem a umas mollas finissimas de aço, ligadas entre si por fios de cobre oxidado, as quaes são quazi imperceptiveis. Pelo movimento destas quatro azas que se collocão duas nos pés e duas em cima dos hombros, obedecendo ao impulso dado por uma manivela de raiz de altéa (que diz ser grande conductor de calor) que por sua vez obedece a um botão electrico, que dá movimento ás quatro azas, consegue-se voar.

<< O experimentador leva em dous bolsos de camurça duas pequenas pilhas de Volta.

<< Toma algumas hervas que diz diminuem em 20 minutos o peso de qualquer pessoa, como operação preliminar de seu processo.

<< Ao meiado do mez proximo fará uma nova experiencia voando de uma cidade para outra."

Fonte: O VASSOURENSE (Vassouras/RJ), 16 de Março de 1884, pág. 02, col. 02-03
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