terça-feira, 15 de maio de 2018

General Marinho da Silva


Por Fernando Osório

"A 24 de maio de 1848 nasceu em Pelotas José Maria Marinho da Silva, em quem avultaram o patriotismo, a honradez e o espírito de justiça. Começou trabalhando como tipógrafo, nesta cidade, no jornal 'O Noticiador', de propriedade de Luiz José de Campos. 

Marchou para o Paraguai em 25 de setembro de 1865. A 26 de janeiro de 1866 foi mandado adir pelo comandante-em-chefe do 2o. corpo do exército ao 35o. corpo de caçadores. Transpôs o Rio Uruguai para Corrientes a 2 de março, marchando até S. Thomaz; marchou depois para Itaperuá e em seguida para o Passo da Pátria. A 16 de julho, marchou com o Cel. Agostinho Piquet para coadjuvar o 1o. corpo no combate desse dia. Tomou parte no combate de Potreiro Pires, sendo ferido gravemente por bala de fuzil, recolhendo-se ao hospital de sangue. A 17 de setembro marchou para cobrir a frente do inimigo e tomou parte no combate de 22 de setembro contra Curupaity.

Em 1867, assistiu aos bombardeios de janeiro, fevereiro, março e abril e fez desembarque no Passo da Pátria. Marchou com o grosso do exército para Tuiuti, a 22 de julho. Em 1868 foi mandado adir ao piquete do Marquês de Caxias, e por este general foi elogiado. Tomou parte no combate do Forte do Estabelecimento à viva força sobre o entricheiramento do Passo Pocu. Assistiu ao reconhecimento de Humaitá e à rendição da força que se achava no Chaco. Tomou igualmente parte no reconhecimento de Angustura e transpôs, em outubro, o Rio Paraguai, tomando parte no combate do Itororó.

Teve papel saliente na batalha do Avahy, sendo depois dela promovido a alferes de cavalaria por atos de bravura. Marchou depois para Lomas Valentinas, tomando parte nos combates dados contra o forte ali existente, assistindo à rendição de Angustura, pelo que recebeu belo elogio do Marquês de Caxias. Em 1869, embarcou com este general para Montevidéu. Mereceu um louvor especial do Conde D'Eu por ter se apresentado antes de concluir-se uma licença que obtivera. Fez a marcha de Luque e tomou parte no combate de Serro Leão. Em 1870 foi nomeado adjunto do deputado do quartel-general junto ao comando-em-chefe das forças em operações. No mesmo ano embarcou para Assunção. 

Em 1871 apresentou-se ao 1o. regimento de cavalaria vindo de Humaitá, indo comandar a 2a. companhia. Em dezembro matriculou-se na Escola Militar,  concluindo o curso geral, promovido a capitão por estudos. Em 7 de outubro de 1882, foi condecorado com a venera de cavaleiro da Ordem de S. Bento de Aviz. Em 1883 foi louvado pelo Imperador por ter tomado parte no exercício prático feito em 20 de agosto. Em 1889 foi desligado da Escola Militar, vindo para este Estado, onde inspecionou a invernada de Saycan. Em 1891 foi nomeado comandante do 9o. regimento de cavalaria. Fez parte, em 1894, das forças legais contra a revolta, marchando com o 1o. regimento para o Paraná, a fim de tomar parte nas operações de guerra. 

Escreveu sobre arte militar. Terminou a sua gloriosa carreira como General de Divisão e Ministro do Supremo Tribunal Militar."



segunda-feira, 14 de maio de 2018

Pânico em Torres/RS


"Leão marinho

O sr. Domingos José Bento, residente nas Torres, escreve-nos d'ali, em 1 do corrente:

<< No dia 26 foi esta villa alarmada pela noticia de que na praia achava-se um enorme bicho, para nós desconhecido.

<< Dirigi-me áquelle porto, encontrando lá o tenente-coronel Fortunato de Souza e outras pessoas, que já haviam apoderado do grande amphibio, que reconhecemos ser um leão marinho, medindo dois metros de comprimento sobre igual circumferencia.

<< Sua semelhança era a de um leão da Asia pela enorme juba de côr parda avelludada que lhe cobria o pescoço até as paletas, sendo o resto do corpo de uma côr de pinhão muito lustrosa.

<< O pello era curto e macio, a cabeça igual á de um cão, tendo a boca guarnecida de cerda de uma consistencia ossea, de dez centimentros de comprimento; as mãos, em fórma de leque, assim como os pés; a bocca guarnecida de enormes dentes, com falta de dois, e as presas inferiores muito gastas, mostrando ser o amphibio muito velho; a lingoa formava um coração, sendo bastante redonda.

<< Seu alimento predilecto parecia ser anxovas, em vista da quantidade de espinhas d'este peixe encontrada no buxo. Sua carne, semelhante á do boi, não tinha cheiro de peixe, e seus intestinos eram semelhantes aos de um grande pôrco, notando-se differença no fígado, de tamanho consideravel, esvaindo-se em sangue apenas se lhe tocou com a faca.

<< Fez-me agradavel impressão este animal, pela sua imponencia, causando-me pesar sua morte.

<< Foi aproveitada a belissima pelle.>>

O amphibio descripto não é mais do que um crorrhinus, especie de phoca, e que abunda nos mares austraes.

Agradecemos ao sr. Domingos José Bento a curiosa noticia que nos enviou."

Fonte:  A FEDERAÇÃO, 24 de Julho de 1884, p.02, c.01-02

domingo, 13 de maio de 2018

A Abolição da Escravatura em Porto Alegre em 1888


"Manifestações abolicionistas

Ante-hontem mesmo soube-se aqui da passagem e sancção da lei libertadora.

Durante o dia o movimento era desusado; a notícia foi recebida com grande alegria e espalhada por toda a cidade.

Havia agglomeração de povo nas ruas, principalmente junto ás redacções dos jornaes.

A' noite todas as folhas iluminaram.

A imprensa organisou então uma passeata que, sahindo do Jornal do Commercio, começou por saudar o Mercantil, representando na pessoa do seu proprietario, o sr. João Cancio Gomes; este agradeceu em breves palavras a manifestação que lhe era feita.

Depois do Mercantil foi saudado o Jornal do Commercio, seguindo o prestito encorporado para o Conservador, Federação e Reforma, fallando novamente o sr. Aurelio de Bittencourt, dr. Domingos dos Santos, pelo Conservador, dr. Adriano Ribeiro de uma das janellas da Reforma, e um dos redactores d'esta folha, do nosso escriptorio, correspondendo ao comprimento.

Na Ladeira foi saudada a Folha da Tarde, respondendo ao comprimento o sr. João J. Cesar, proprietario d'aquella folha, em um enthusiastico discurso.

Em frente á casa do coronel Salgado, que se achava illuminada, parou o prestito, orando de uma das janellas o dr. Torres Homem.

No palacio da presidencia fallou em nome da imprensa o nosso collega Aurelio de Bittencourt, respondendo o dr. Villanova, que disse congratular-se com os seus compatriotas por ver que a reforma se fizera sem abalos, desejando que a riqueza e a tranquilidade annunciadas correspondessem aos bons desejos e ás esperanças de todos.

Seguindo, a multidão penetrou no palacio epicospal, sendo calorosamente saudado o sr. bispo diocesano, que, em palavras repassadas de commoção, expressou o seu contentamento por não haver mais brazileiros escravos.

O prestito, sahindo do bispado, percorreu ainda diversas ruas ao som de musicas, dissolvendo-se em seguida.

(...) [Nota nossa: retiramos essa parte por se tratar basicamente de felicitações e oratórias]

Durante toda a festa reinou a maior ordem.

Os edificios publicos e as redacções dos jornaes estavam illuminados, bem como algumas casas particulares.

A camara municipal convidou os habitantes a illuminarem, durante tres dias, a frente das suas casas e manda amanhã, ás 11 horas do dia, cantar um Te Deum solemne em acção de graças."

Fonte: A FEDERAÇÃO, 15 de maio de 1888, pág. 02, col. 04

Os edi

sábado, 12 de maio de 2018

Dona Amelia de Leuchtenberg - Imperatriz do Brasil

Excelente vídeo disponível no também fantástico canal Paulo Rezzutti no YouTube, o qual acompanhamos e recomendamos para os amantes de História do Brasil. Embora, o vídeo esteja no canal deste pesquisador, o tema abordado é narrado e explorado pela pesquisadora convidada Claudia Witte. De qualquer forma, o conteúdo do canal é muito interessante e o vídeo que trata sobre Dona Amelia de Leuchtenberg (segunda imperatriz brasileira) é muito instrutivo. Acompanhe!

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Jerônimo de Albuquerque Maranhão


"Patriota Brasileiro (1548-1618). Nascido em Olinda (PE), notabilizou-se no combate aos franceses que sob o comando de Daniel de la Touche se estabeleceram no Maranhão em 1612. O então governador do Brasil, Gaspar de Sousa, encarregou Albuquerque de organizar uma jornada contra os invasores. Em agosto de 1613 ele partiu de Pernambuco e fundou na Baía das Tartarugas o Forte Nossa Senhora do Rosário, de onde iniciou o ataque. Malogrando essa primeira investida, organizou uma segunda, erguendo o Forte de Santa Maria, perto de São Luís. Os franceses foram derrotados, mas permaneceram no Maranhão, sendo expulsos mais tarde, quando Gaspar de Sousa mandou reforços a Albuquerque, sob o comando de Alexandre de Moura. Depois da retirada dos franceses, Jerônimo de Albuquerque foi nomeado governador da capitania e acrescentou ao seu nome o cognome Maranhão."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Duarte Coelho


"Militar português que teve atuação marcante na História do Brasil. Em 1498 viajou na armada de Vasco da Gama, e, em 1500, na de Pedro Álvares Cabral. Designado donatário da Capitania de Pernambuco, chegou ao Brasil em 1535. Fundou Olinda e iniciou com êxito a cultura de cana-de-açúcar: entrou em contato com mercadores de Lisboa para a efetivação das primeiras plantações e a construção de engenhos. Teve dois filhos em 1537, e que o substituiu na direção da Capitania, e Jorge Duarte de Albuquerque Coelho, também ali nascido, em 1539, e que se destacou na luta contra os índios. Seu cunhado, Jerônimo de Albuquerque, o Torto, foi pai de vinte e quatro filhos e durante meio século foi a grande figura da Capitania de Pernambuco, a mais importante do século XVI. O historiador Malheiro Dias chama Duarte Coelho de 'construtor da nação' e legítimo 'fundador da dinastias'. Morreu em Lisboa, em 1554."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

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