sábado, 16 de janeiro de 2016

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 38


591. Schlee: sobrenome poligenético que significa que significa abrunho (Prunus spinosa). Provém etimologicamente do alto alemão medieval sle com o mesmo sentido. O sobrenome denomina alguém que vive num local com muitos abrunheiros ou em sentido figurativo pessoa de baixa estatura, pessoa pequena. Ou ainda um nome de casa. Aparentemente originou-se no século XIV na região renana. Atualmente concentra-se justamente na Renânia do Norte. Pode ser um sobrenome vinculado a algumas famílias judias.
Variantes:
Schle - variante simples, porém pouco comum.
Schlehe - variante mais comum, encontrada sobretudo na Renânia do Norte-Westfália e Baixa Saxônia.
Schleemann - variante derivada encontrada no centro-noroeste da Alemanha.
Schlehdorn, Schlehedorn - variantes que significam literalmente abrunheiro na língua alemã.
Schlebusch, Schlehebusch, Schlebom, Schlehbom, Schlehebom, Schlebaum, Schlehbaum, Schlehebaum - variantes que também significam abrunheiro, ocorrendo com mais frequência no norte e noroeste da Alemanha.
Sloe, Scheehe, Schleeh, Slehe, Sleh, Schleh, Schlech, Slee, Schleen, Schlen, Schlenn, Schlön, Schloen, Schlöhen - variantes do alto alemão.
Schlehlein, Schlelein, Schelhele - variantes derivadas típicas do sul da Alemanha.

592. Hoch (1a. vertente): sobrenome poligenético que significa alto, elevado. Provém etimologicamente do gótico hauhs, por sua vez também aparentado com o saxão antigo hoh, ambos com o mesmo sentido. Serve para denominar um indivíduo que habita no lugar mais alto de uma vila, burgo, povoado ou aldeia. Figurativamente também designa pessoa orgulhosa, pessoa nobre, pessoa pretensiosa. Em alguns casos pode se referir a uma característica física.
Hoch (2a. vertente): sobrenome poligenético que significa jovem, menino. Etimologicamente está relacionado a uma palavra homônima da língua tcheca que possui o mesmo sentido. Neste caso, seria uma forma originária do sudeste da Alemanha.
O sobrenome é comum em toda a Europa de língua alemã e seus primeiros registros são do século XIV.
Variantes:
Hoh - variante arcaica.
Hochs, Hoches - variantes no genitivo e no plural da língua alemã.
Höch - variante no dialeto alemânico.
Höchst, Hoechst - variantes que significam literalmente maior.
Høgh, Høegh, Hoegh - variantes na língua dinamarquesa.
Hoche - variante comum no centro e oeste da Alemanha.
Hoog - variante do noroeste da Alemanha e Países Baixos.
Höjd, Hög - variantes na língua sueca.
Höchner, Hoechner - variantes derivadas comuns no centro e norte da Alemanha.
Höhe - variante que significa literalmente altura.
Anhöhe - variante que significa literalmente encosta.
Höher - variante que significa literalmente elevado.

593. Kratz: sobrenome patronímico que significa filho de Pankratius. Pankratius (Pancrácio em português) é um primeiro nome da língua alemã que remete a um santo católico homônimo de origem frígia que foi mártir em Roma no século IV. O santo historicamente é venerado com veemência entre os católicos alemães, sendo inclusive recordado seu nome na Igreja Luterana (não com caráter de veneração). Seu dia de festa é 12 de Maio (meados da primavera no hemisfério norte), o que inspirou ditos populares sobre esta data: "Se no dia de São Pancrácio congela, a horta e o jardim estão arruinados"; "Dia de São Pancrácio agradável, bom vinho se há de ver." 
A forma Kratz é uma redução do nome que se consagrou como mais abundante entre as variantes do patronímico, sendo originada no alto alemão. O sobrenome é comum em toda a Europa da língua alemã, mas concentra-se principalmente no Hesse e Renânia-Palatinado. Data do século XIII.
Variantes:
Pankratius - variante original.
Pancrace - variante na língua francesa.
Pancratius - variante na língua holandesa.
Pankracy - variante na língua polonesa.
Pankrácij - variante na língua eslovena.
Pankrác - variante na língua tcheca.
Pankraz - variante comum do leste da Alemanha.
Kratzel - variante derivada do alto alemão.
Krätzig - variante da Silésia.
Kraz - variante encontrada em Wüttemberg.
Kraaz, Kraatz - variantes do norte e nordeste da Alemanha.
Craz, Cratz - variantes mais comuns na região dos Alpes, principalmente Suíça.
Graz, Gratz - variantes mais comuns no sul da Alemanha e sobretudo Áustria.
Pankratz - variante encontrada em Brandemburgo.
Kratzl, Gratzl, Gratzel - variantes encontrada no Hesse, Suábia, Francônia e Baviera.
Kretz - variante do centro da Alemanha e região renana.
Pangratz, Pankrath, Pankrat, Pankratt, Bangratz, Pongratz, Bongraz, Bongratz, Pongraz, Kratzer, Gradl, Grätz - outras variantes relacionadas desde o noroeste da Alemanha até à Áustria.
Grätzel - variante encontrada na Áustria.
Kretzel, Kretzl - variantes do Hesse e Renânia-Palatinado.

594. Zöllner: sobrenome poligenético que significa cobrador de impostos. Provém etimologicamente do alto alemão medieval zolnaere com o mesmo sentido. A profissão é detalhada desde o século XI com a grafia atual, entretanto o sobrenome data do século XIII. Ocorre em toda a Alemanha, mas com concentrações na Renânia-Palatinado, Renânia do Norte-Westfália, Hesse, Turíngia e região de Berlim. Atualmente, o termo é utilizado mais especificamente para o oficial aduaneiro.
Variantes:
Zoellner - variante do centro-oeste da Alemanha.
Zollner - variante comum.
Zoelner, Zölner, Zolner - variantes simples.
Söll, Soll, Söllner, Sollner, Söller, Soller - variantes comuns, mas o "S" inicial é considerado uma grafia arcaica.
Zöller - variante muito comum em toda a Europa de língua alemã.
Zoeller - variante do oeste da Alemanha.
Zolleinnehmer - variante que se refere à grafia usual da profissão.
Czoelner - variante do leste da Alemanha, principalmente Silésia.
Zöllers, Zoellers, Zöllners, Zoellners, Söllners, Söllers- variantes no plural.
Zella - variante encontrada em Westerwald.
Zollhaus - variante que significa literalmente casa de impostos.
Zollern, Zöllern, Zoellern - variantes derivadas.
Zölle, Zöll, Zoelle - variantes curtas.

595. Emmerich: sobrenome patronímico que significa filho de Emmerich. Emmerich é um primeiro nome da língua alemã originário da aglutinação dos termos rihhi do alto alemão antigo que significa poder, governo; e amals do gótico que significa poderoso, admirável. Por isso, o significado do nome é governante poderoso, governante admirável. O sobrenome data aproximadamente do século XIII e é comum no centro e no sul da Alemanha.
Variantes:
Emerich - variante comum.
Emmerichs, Emerichs - variantes no plural.
Emerca, Emerka, Embrico, Imbreka, Emmercho, Imbrecke - variantes arcaicas muito antigas provavelmente extintas.
Emmerich (toponímico) - uma cidade na Renânia do Norte-Westfália.
Emrich - variante do centro-sudoeste da Alemanha.
Emericus - variante latinizada.
Emric - variante arcaica da Turíngia.
Emig - variante curta encontrada na Baviera.
Ermanrich - variante arcaica descrita no século XII.
Emmrich - variante encontrada no Hesse e Turíngia.
Emmerick - variante encontrada na Baixa Saxônia.
Emmerig - variante no dialeto alemânico.
Emrich - variante do oeste da Alemanha.
Emrick - variante do norte da Alemanha.
Emrik - variante arcaica do norte da Alemanha.
Emery, Emich, Ehmig, Emrig - variantes curtas do sul da Alemanha.
Amrich, Ammerich, Americh, Americk, Ammerick, Amrig - variantes com aliteração da região renana e Hesse.
Ermanarich - variante na língua gótica.
Irmin - variante relacionada do leste da Alemanha.
Embrecht - variante encontrada na região renana.
Emmelrich, Amelrich, Amalric - variantes da região renana.
Emmel, Emmlein, Emmelmann, Emelmann - variantes típicas da região do Alto Reno.
Emcke, Emke, Emkke, Ehmcke, Emeke, Eimke - variantes do norte da Alemanha.
Emmery, Ammery, Emery, Amery, Imer, Amori, Amory, Emary, Emery, Emory, Emberry, Embrey, Embry, Embury, Imbery, Imbrey, Imbrie, Imery, Imray, Imrie, Hemery, Hembrey, Hembry - variantes históricas e arcaicas listadas oficialmente pela Genealogia Alemã. Aparentemente estariam vinculadas e distribuídas por toda a zona ocidental alemã, mas sendo possível que sejam também compartilhadas pela Suíça, França e Países Baixos. Existem igualmente homônimos encontrados como sobrenomes ingleses.
Emeric, Emmericque, Amauri, Amaury - variantes francesas.
Amrico, Amerigo, Emrico, Amauri - variantes italianas.

596. Post: sobrenome poligenético que literalmente significa carteiro, agente postal, todavia sua real origem remonta a Idade Média e com uma explicação diferente. Seu real significado seria carpinteiro de acordo com o Dicionário Alemão de Grimm, vinculando-se a um termo homônimo presente no baixo alemão e na língua holandesa que possui este sentido. O substantivo reaparece mais ao sul, na Baixa Francônia, com idêntica correspondência. O sobrenome remonta ao século XIV e ocorre principalmente no oeste da Baixa Saxônia, no centro-oeste e na região de Berlim.
O fato do sobrenome não corresponder ao agente postal se deve à data da criação do serviço de correios na Alemanha ter acontecido somente em 1490 e se generalizado somente dois séculos depois.
Variantes:
Poste - variante arcaica.
Postlo - variante arcaica encontrada na Westfália e Flandres.
Postt - variante do extremo noroeste da Alemanha.
Posth - variante do centro-norte da Alemanha.
Posthius - variante latinizada.
Poster - variante derivada comum no sul da Alemanha e Áustria.
Posten - variante no plural.

597. Wächter: sobrenome poligenético que significa guarda, vigia, sentinela. Atualmente designa o guarda civil comum nas cidades alemãs. Na Idade Média, o Wächter era primeiramente o vigia ou sentinela noturno, encarregado de percorrer as ruas e vielas dos burgos anunciando o toque de recolher, bem como o responsável por dar o alarme em caso de invasões próximas. A função do Wächter também varia regionalmente na Alemanha e na Áustria. Em algumas cidades, o Wächter possui poder de polícia, em outros lugares é meramente o guarda noturno, em outras áreas ainda pode simplesmente salvaguardar prédios públicos. Etimologicamente provém do termo do alto alemão medieval wahtäre com o sentido de vigia, sentinela. O sobrenome é difundido em toda a Europa de língua alemã, mas de forma irregular. Data aproximadamente do século XIV.
Variantes:
Waechter - variante comum.
Wachter - variante simples.
Altwächter, Aldwächter, Altwaechter, Aldwaechter - variantes que significam velho guarda, velho sentinela, no sentido de mais experiente, mais graduado.
Burgwächter, Burgwaechter, Burkwächter, Burkwaechter - variantes que significam guarda do burgo. É uma composição comum.
Wacht, Wart, Ward - formas curtas associadas.
Nachtwächter, Nachtwaechter - variantes que significam guarda noturno, vigia noturno.
Wächters, Waechters - variantes no genitivo da língua alemã.
Wächtern, Waechtern - variantes no plural da língua alemã.
Wache, Wacha, Wachen - variantes com o mesmo significado que são mais comuns no centro e sul da Alemanha.
Wärter, Waerter, Warter, Werter, Wärterin - variantes relacionadas.
Wachmann - variante com o sufixo mann.
Wack, Waack, Wak, Waak - formas curtas do norte da Alemanha e Países Baixos.

598. Stratmann: sobrenome poligenético que significa homem que vive na rua, homem que vive na estrada, andarilho. Provém do baixo alemão strate (rua, estrada, via) ou straote (sentido idêntico). Acrescenta-se o sufixo mann (homem). O sobrenome concentra-se no centro-noroeste da Alemanha, em particular nas regiões da Westfália, Enger, Baixa Saxônia, Vest Recklinghausen e Stift Essen. Data aproximadamente do século XIV.
Variantes:
Strathmann - variante mais comum na Baixa Saxônia.
Stratman - variante comum.
Stratmanns - variante simples no plural.
Stratmans - variante encontrada em Wesel.
Stratemann, Strateman, Straotemann, Straoteman, Straotmann, Straotman - variantes arcaicas.
Strassmann, Strassman, Strasmann, Strasman - variantes mais recentes do ponto de vista histórico, com origem aproximada no século XVIII.
Strat, Stratt, Straot, Straott, Strass, Strath - variantes curtas.

599. Palm: sobrenome poligenético que literalmente significa palmeira, mas provavelmente sua correspondência histórica e genealógica mais provável seja bálsamo. Todavia, não se exclui que Palm signifique palmeira, pois uma família nobre de Esslingen am Neckar ostenta em seu brasão justamente esta planta. 
Para dirimir a questão, há quatro acepções possíveis para o significado do sobrenome:
1 - Quer dizer palmeira, mas que se relaciona a um aspecto religioso cristão: a celebração do Domingo de Ramos.
2 - Significa bálsamo, denotando o ofício de boticário ou farmacêutico.
3 - Do alto alemão medieval balme que significa rocha ou caverna, designando assim um habitante de um lugar rochoso ou próximo a uma caverna.
4 - Derivado do termo homônimo usado em séculos passados para denominar um soldado sueco na Europa Central. Neste caso, seria uma forma pejorativa.
O sobrenome, seja de qual linhagem for, parece ter sua origem na Idade Moderna. Concentra-se especialmente no sudoeste do Palatinado, região de Rhein-Lahn e região de Aachen.
Variantes:
Palme - variante comum no norte da Alemanha.
Balm, Balme - variantes relacionadas do sul da Alemanha.
Palms - variante no genitivo da língua alemã.
Palmen - variante no plural da língua alemã.

600. Hopfner: sobrenome poligenético que significa fazendeiro ou agricultor de lúpulo (Humulus lupus). O termo é próprio do sul da Alemanha, Áustria, República Tcheca e Eslováquia, sendo desconhecido ou pouco usado mais para o norte. Consequentemente, esta área concentra a maior parte das famílias com esse sobrenome e suas variantes, sobretudo na Áustria. Data do século XV.
Variantes:
Hoepfner, Höpfner, Hoepffner - variantes muito comuns no sul da Alemanha e Áustria.
Hopf, Hopfen - variantes curtas que significam literalmente lúpulo.
Hopfer - variante comum na Áustria.
Hopffer - variante comum na Baviera.
Höppner, Hoeppner, Höpner, Hoepner - variantes comuns no Hesse, Palatinado, Baden-Württemberg, Baviera e no Tirol, Áustria.
Hoeppener - variante comum no sudeste e leste da Alemanha.
Heppner, Hepner - variantes comuns na região dos Alpes Austríacos.

601. Krohn (1a. vertente): sobrenome poligenético que significa coroa ou guindaste. Pode significar alguém que exerce uma função de chefe ou alguém que possui uma cabeça grande ou cabelos espessos e volumosos. Nesta vertente, sua origem é a região de Hamburgo, no noroeste da Alemanha.
Krohn (2a. vertente): sobrenome poligenético de origem lituano-prussiana que significa cravo (Dianthus caryophyllus). Sua explicação como sobrenome se relaciona a aspectos religiosos pré-cristãos na Europa Central, provavelmente vinculados à nobreza.
O sobrenome aparece com mais frequência no norte da Alemanha. Data do final da Idade Média.
Observação: as variantes deste sobrenome podem igualmente corresponder a cantor, pois há um termo aproximado na língua alemã que significa cantarolar (croon).
Variantes:
Crohn - variante documentada na Pomerânia polonesa.
Kron - variante encontrada no noroeste da Alemanha e oeste da Polônia.
Kroon - variante encontrada nos Países Baixos e Escandinávia.
Cron - variante encontrada no centro-leste da Alemanha.
Croon - variante encontrada no norte da Alemanha, região renana e Países Baixos.
Gron, Grohn, Grohne, Gröhne, Groehne - variantes encontradas no norte da Alemanha, principalmente região de Hamburgo e Países Baixos.
Kronas - variante da região báltica.
Kronis, Kronies - variantes de origem prussiana.
Kröner, Kroener, Kronert, Krönertin, Kroenertin, Kronys - variantes relacionadas.
Kroehner - variante encontrada na Saxônia-Anhalt.
Kroenke - variante encontrada em Mecklemburgo-Pomerânia.

602. Morgenstern: sobrenome poligenético que significa estrela-da-manhã, estrela-d'alva. Possui uma vertente judia conhecida que corresponde a um patronímico de Mordechai (Mardoqueu). Entretanto, pode ainda designar um sobrenome de vinculação religiosa cristã conforme Apocalipse 22:16 que compara Cristo a estrela-da-manhã. Contudo, a vertente que explica universalmente este sobrenome se refere a um tipo de arma medieval homônima que trata de um bastão de madeira ou ferro que possui numa de suas extremidades uma proeminência repleta de espinhos pontiagudos, o que lembrava uma estrela. A Morgenstern foi usada até aproximadamente o século XVII e tinha um processo de fabricação deveras simples, sendo uma das armas preferidas pelos camponeses alemães. Por isso, o sobrenome pode também significar um artesão que fabrica este tipo de arma ou alguém que usa preferencialmente este tipo de arma. Não desconsiderando também que o sobrenome possa ter um aspecto figurado, como no caso de se referir ao formato dos cabelos de um indivíduo.
Quanto ao sobrenome, ele é mais comum no sul da Alemanha, principalmente na Baviera. Data do século XII.
Variantes:
Morgenstjerne - variante na língua dinamarquesa.
Morgenster - variante na língua holandesa.
Morgonstjärnan - variante na língua sueca.

603. Rogge: sobrenome poligenético que significa centeio (Secale cereale), designando assim o plantador de centeio ou ainda o padeiro que produz pães de centeio. Data do século XV e ocorre principalmente no norte da Alemanha, principalmente em Brandemburgo, Mecklemburgo-Pomerânia, Schleswig-Holstein e Baixa Saxônia.
Variantes:
Roggen - variante que significa literalmente centeio na língua alemã, mas essa forma se tornou menos comum, sendo mais frequente Rogge. Na Alemanha, ocorre com mais força na Renânia do Norte-Westfália.
Roge, Rogen - variantes simples.
Rocke, Roke, Rokke - variante de Schleswig-Holstein que possuem parentesco relacionado com o termo original.
Roggenbauer - variante que significa agricultor de centeio.
Roggenbäcker, Roggenbecker - variantes que significam padeiro de centeio.

604. Lewandowski: sobrenome de origem polonesa com boa distribuição na Alemanha, principalmente devido às migrações correntes entre as duas regiões desde a Idade Média. O sobrenome provém etimologicamente do polaco lawenda ou lewanda que quer dizer lavanda em português, acrescentado do sufixo wski que denota o pertencimento a um clã ou linhagem familiar. Em outras palavras, o sobrenome quer dizer plantador de lavandas ou aquele que vive próximo a uma plantação de lavandas, alfazemas.
É um sobrenome comum no norte da Alemanha e que, neste país, passou a abundar a partir do século XIX.
Variantes:
Lewandowsky - variante simples.
Lewandawsky, Lewandawski - variantes comuns.

605. Ziege: sobrenome poligenético que significa cabra. Provém etimologicamente do alto alemão medieval ziga com o mesmo sentido. Designa o criador de caprinos. Figurativamente pode também corresponder a indivíduo de pernas finas ou ainda um indivíduo de pés tortos. Ocorre principalmente no sul e sudoeste de Brandemburgo. Data do século XIII.
Variantes:
Ziegen - variante simples no plural.
Ziegenfuss - variante comum, originária da região do vale do Ruhr no século XV, principalmente Eichsfeld e Odenwald.
Ziegenbein - variante que significa de forma figurada perna de cabra.















sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Erro Folclórico

Trecho extraído de: CAMPOS SOBRINHO, Fernando de Ávila. O Aprendiz de Jornalista: casos curiosos de trinta anos de jornalismo. Porto Alegre: Arte Literária, 1998, p. 68.

"O Darci Pino lá de Pelotas foi outro que protagonizou um dos casos memoráveis da radiofonia gaúcha. Era por volta de 72, 73 e a imprensa local cobria com muito interesse as filmagens da película nacional 'O Negrinho do Pastoreio' que estavam sendo rodadas na cidade e estrelada pelo ator Grande Othelo. A Rádio Universidade Católica mandou o Darci até a Fazenda da Gruta para realizar a cobertura 'in loco' das filmagens e entrevistar o ator. 
O ator combinou de receber o repórter num intervalo das locações na própria fazenda. Darci começou a entrevista fazendo uma série de perguntas ao ator que, pacientemente, respondia-as com muita gentileza. Foi então que o Darci emendou:
- Senhor Grande Othelo, uma das dúvidas que temos sobre o magnífico filme que está sendo rodado aqui em Pelotas, até mesmo para deixar nossos ouvintes mais tranquilos, qual tipo de truque cinematográfico o senhor está se valendo para esconder a perna?
Muito espantado e sem entender direito o que repórter queria, Grande Othelo responde:
- Meu caro amigo, eu vou atuar no filme do Negrinho do Pastoreio, não do Saci-Pererê!"

Nota: A Fazenda (ou Estância) da Gruta fica no distrito do Pavão, atualmente parte do município de Capão do Leão. Serviu como locação a várias cenas do filme Negrinho do Pastoreio de 1973.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Saudoso Vivo

Trecho extraído de: SILVEIRA, Assis Brasil. Balaio de Causos - Volume 2. São Leopoldo/RS: Palotti, 2012, p. 28.

"O ex-prefeito do Capão do Leão Getúlio Vitória sempre foi um mestre em gafes mas se justificava com a alegação de que não tivera condições de estudar, como foi no caso quando tentou revogar a Lei da Gravidade, com a meritória intenção de levar água do Sanep para o município.
Certa vez, num determinado evento quando estavam presentes Fernando Manta e seu pai João Manta, ambos falecidos, Getúlio fez uso da palavra e resolveu rasgar todas as sedas possíveis para os visitantes.
A primeira homenagem foi para o empresário Fernando Manta, que foi muito elogiado pelo prefeito:
 - Faço questão de registrar a presença do nosso grande empresário Fernando Manta, que está chegando neste momento, juntamente com esta bela figura que é o seu saudoso pai.
João Manta subiu as paredes de brabo e esbravejou:
 - Qual é a desse prefeito fdp querendo me matar?
E aí teve que ser acalmado pelo filho." 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 37


576. Backhaus: sobrenome poligenético que significa casa do forno. Na Idade Média, no Sacro Império Romano-Germânico, em determinadas comunidades se generalizou o costume de construir fornos comunitários. Atestadas desde o século XIV, as casas de forno surgiram por meio de éditos imperiais para evitar incêndios nas habitações rústicas da população. Generalizaram-se desde então, sendo considerado um prédio público obrigatório a partir do século XVII. Enquanto sobrenome designa o oficial responsável por uma casa do forno. Ocorre principalmente no noroeste  e centro-oeste da Alemanha, em regiões como o norte do Hesse, Westfália, centro e sul da Baixa Saxônia e oeste da Turíngia. Data justamente do século XIV.
Backhaus também é um topônimo comum na Alemanha.
Variantes:
Backhauser - variante derivada.
Backes - variante no baixo alemão.
Bakhus - variante arcaica.
Backaus, Backhus - variantes relacionadas.

577. Hannemann: sobrenome que pode ser uma derivação do patronímico de Johannes, porém em Brandemburgo pode designar o homem que habita nas terras de sua esposa ou da família de sua esposa. Ocorre com mais frequência no norte da Alemanha.
Variante:
Hanemann, Hanneman, Haneman - variantes comuns.
Hahnemann - variante encontrada no noroeste e região renana.
Hannebauer - variante relacionada.

578. Wüst: sobrenome poligenético que significa desolado, deserto. Provém etimologicamente do alto alemão medieval wueste ou wuoste com o mesmo sentido. Designa portanto o habitante de um lugar desolado, deserto. O sobrenome ocorre com mais frequência na Renânia-Palatinado, sul do Hesse e norte de Baden-Württemberg. Data do século XIV.
Variantes:
Wüste - variante que significa literalmente deserto na língua alemã, porém não é um sobrenome muito comum, sendo predominante realmente a forma Wüst. É mais comum como topônimo.
Wust - variante comum.
Wiest - variante comum no sudeste de Baden-Württemberg. É própria da língua alemânica.
Wieste - variante do centro-sul da Alemanha. É próprio da língua alemânica.
Wiestner - variante comum no sul da Alemanha.
Wüstner - variante mais comum na Baviera.
Wustner, Wistner - variantes relacionadas.

579. Küpper: sobrenome poligenético que significa o oficial portuário responsável pela conferência, controle e armazenamento de mercadorias. A forma usual é Küper, porém Küpper é mais corrente como sobrenome. O substantivo é próprio do baixo alemão e da língua holandesa. Atualmente, o sobrenome ocorre com mais frequência na Renânia do Norte-Westfália, sendo raro ou inexistente no sul e leste da Alemanha. Data do século XIV.
Variantes:
Cuyper, Cuypers, Cuipers, Cuiper, Cuijper, Cuijpers, Cupper, Cuppers, Cuppen, Kuiper, Kuipers, Kuper, Kupers, Küppers, Küper, Küpers, Kuijpers, Kupenmaker - variantes comuns no baixo alemão e na língua holandesa.
Küpker - variante no frísio oriental.
Küppenbender - variante encontrada em Düren, Renânia do Norte-Westfália.
Küver - variante do alto alemão.
Cuvelier - variante na língua francesa.

580. Hölscher: sobrenome poligenético que significa sapateiro de tamancos de madeira. É um sobrenome como substantivo típico da Westfália, sendo que o ofício surgiu de forma independente no século XV. Particularmente, o sobrenome ocorre fortemente no noroeste, principalmente Westfália, Baixa Saxônia e Hamburgo.
Variantes:
Holzschuhs - variante no baixo alemão.
Holscho, Holschou, Holtsche, Holsche, Holsch - variantes curtas arcaicas encontradas no noroeste da Alemanha.
Hoelscher - variante comum.
Holtschomaker, Holtschomeker, Holtschen, Holtschen, Holschenmaker, Holschen, Holschumacher, Holschumahcher, Holschenmacher, Holschemacher, Holschmacher - variantes que significam sapateiro de madeira.
Holtschumekere, Holtschomeker, Holscomeker, Holtschoster - variantes arcaicas.
Holzschuster - variante comum.
Hölschke, Hölske, Holtsche, Holtsch, Holschke, Holtschke - variantes do norte da Alemanha.

581. Kowalski: sobrenome poligenético que significa ferreiro ou filho de um ferreiro. Etimologicamente é um termo de origem eslava, proveniente de kowal que significa ferreiro. Atualmente é um sobrenome de ocorrência significativa na Alemanha, principalmente devido às migrações polonesas para o país durante boa parte do século XIX. Ocorre com frequência no vale do Ruhr, Renânia do Norte-Westfália e na área de Berlim. 
Variantes:
Kowalska - variante feminina.
Kowalscy - variante no plural.
Kowalczyk, Kowalerowski, Kowalwitz, Kowalewski, Kowalik, Kowalkowski, Kowall, Kowal, Kowallik, Kowol, Kowoll, Kowollik - variantes comuns encontradas na Alemanha.

582. Weslch: sobrenome poligenético de origem muito antiga que corresponde à forma com que as tribos germânicas se referiam às populações romanas e celtas romanizadas da Europa Ocidental. Welsch tende a significar estrangeiro, indivíduo de língua incompreensível. Na Idade Média, as populações germânicas chamavam as regiões da França e da Itália atuais como Welschland - "terra dos estrangeiros". Aliás, na Baixa Idade Média o termo Welsch foi quase que um sinônimo para denominar alguém procedente da Península Itálica.
O uso do sobrenome é muito antigo, pois era um diferencial importante na sociedade medieval alemã. Encontra-se espalhado (bem como suas variantes) em toda a Europa de língua alemã.
Variantes:
Welsche - variante mais comum.
Welschen, Welzen, Welches, Waelsch, Walech, Wahl, Wahle, Wahlen, Wahlich, Wallisch, Walke, Walko - variantes encontradas em toda a Alemanha, também na Suíça e Áustria, variando conforme dialetos regionais.
De Waal, Waal, De Waele, Waele, Waelhens, Swalen, Swelsen - variantes na língua holandesa, mas que também são encontradas no noroeste da Alemanha.
Welsh, Welch, Walsh, Walch - variantes na língua inglesa, mas que também correspondem a galês, procedente de Gales.
Vlaco, Vlako, Vlah - variantes eslavas.
Wloch, Wlochy, Woloch, Wolos, Woloszyn, Woloszek, Woloszczak, Woloszczuk, Boloch, Boloz - variantes na língua polonesa.
Blasius - variante latinizada medieval.
Wälchli, Wale, Walsch - variantes da Suíça.

583. Reif: sobrenome poligenético que significa literalmente geada. Porém pode corresponder a diversas acepções:
1 - Um nome de casa.
2 - O ofício de fabricante de cordas.
3 - O ofício de fabricante de aros para barris, consequentemente uma denominação figurativa para tanoeiro.
4 - O ofício de estalajadeiro ou taberneiro no norte da Alemanha.
5 - O ofício de fabricantes de rodas de madeira.
6 - Alguém com cabelos grisalhos.
7 - O ofício de operador de tear.
Os itens 3, 6 e 7 são considerados mais aceitáveis pela Genealogia.
O sobrenome é comum em toda a Alemanha. Data do século XIV.
Variantes:
Reiff - variante comum.
Reife - variante arcaica.
Reyfe, Reyffe, Reyff - variantes do noroeste da Alemanha.
Reifer, Reifering, Reifinger - variantes derivadas.

584. Aigner: sobrenome poligenético de origem bávara que significa proprietário de terras. Juridicamente na sociedade medieval feudal, o Aigner pode ser entendido como o camponês livre que não possuía seus bens como feudo mas como área própria. O sobrenome data do século XIII e ocorre principalmente na Baviera e Áustria.
Variantes:
Aign, Aigen, Eigner, Aignmann, Aigenmann, Eigenmann, Eigen - variantes comuns da Baviera e sul da Alemanha.
Eigenherr, Aigenherr, Eigenher, Aigenher - variantes com o sufixo herr (senhor).

585. Berner: sobrenome toponímico que significa habitante ou procedente da cidade de Berna ou do cantão de Berna, Suíça. Figurativamente o vocábulo também servia para denominar pessoa lenta. Há três concentrações da família na Alemanha: no centro de Baden-Württemberg, na região de Dresden, Saxônia, e em Mecklemburgo-Pomerânia. Porém, o sobrenome é corrente em toda a Alemanha, datando do século XV.
Variantes:
Berners - variante no genitivo da língua alemã.
Bärner, Barner - variantes no suíço-alemão e no dialeto alemânico.
Bernois - variante na língua francesa.
Bernais - variante no dialeto romanche.
Benenczyk, Berenczyk - variantes na língua polonesa.
Bern - variante que corresponde literalmente à cidade ou ao cantão.
Berne - variante curta.
Berna - variante encontrada na região do Reno.

586. Bormann: sobrenome poligenético que significa habitante da fonte ou aquele que habita junto a uma fonte. É originário do centro-norte da Alemanha. Etimologicamente compõe-se da aglutinação dos termos do alto alemão medieval born (fonte) e mann (homem). O sobrenome data do século XIII e concentra-se principalmente na Baixa Saxônia.
Variantes:
Bornemann - variante arcaica.
Borman - variante comum.
Bohrmann - variante comum encontrada na região renana e centro da Alemanha.
Borrmann - variante do norte e nordeste da Alemanha.
Boremann, Borremann, Boremanns, Borremanns, Bormanns, Bormans - variantes relacionadas.

587. Armbruster: sobrenome poligenético que significa fabricante de bestas ou balestras (arma medieval). A besta ou balestra é um tipo de arco de flechas usado na posição horizontal que é acionado por gatilho. O sobrenome concentra-se no sul da Alemanha e ocorre principalmente em Baden-Württemberg e data do século XV.
Variantes:
Armbrust - variante que significa literalmente besta ou balestra.
Armbrüster - variante do norte e leste da Alemanha.
Armbruester - variante encontrada no centro-sul da Alemanha.

588. Bolz: sobrenome poligenético que significa literalmente pino ou parafuso. Provém etimologicamente do alto alemão medieval bolze com o mesmo sentido. O sobrenome pode ter duas explicações aceitas pela Genealogia conforme a região:
1 - No sul da Alemanha figurativamente designa uma pessoa desengonçada, de andar cambaleante ou engraçado.
2 - Na Áustria e na Silésia tende a designar o besteiro ou fabricante de bestas.
O sobrenome data do século XIV e ocorre irregularmente no norte da Alemanha.
Variantes:
Boltz - variante mais comum na Renânia-Palatinado.
Polz, Poltz - variantes causadas por aliteração, mais comuns no leste da Alemanha.
Polcz - variante da Silésia.
Bolze, Boltze - variantes derivadas.
Bols - variante incerta.

589. Mangold: sobrenome poligenético que significa acelga (Beta vulgaris var. cicla). Tal como se aplica no caso de outros sobrenomes que remetem a vegetais, o sobrenome é compreendido como alcunha para plantador de acelgas ou tão somente horticultor. O sobrenome ocorre em toda a Alemanha, com uma especial concentração no noroeste. Data do século XV.
Variantes:
Mangolt - variante mais comum no sul e leste da Alemanha.
Mangoldt - variante mais comum no norte e nordeste da Alemanha.

590. Scheel: sobrenome poligenético que significa tanto caolho quanto vesgo, estrábico. Etimologicamente está aparentado com o vocábulo dinamarquês skeel com o mesmo sentido. Atualmente está distribuído em toda a Europa de língua alemã, concentrando-se especialmente na região de Werther e Bielefeld. Também é um sobrenome muito antigo, pois remonta ao ano de 1050, vinculado a uma família nobre da Dinamarca.
Variantes:
Skeel - variante que corresponde ao original na língua dinamarquesa.
Scheil, Scheile, Schiele, Schielen, Scheele - variantes comuns, encontradas sobretudo no norte e oeste da Alemanha.



VI Levante da Canção Gaúcha de Capão do Leão


Juntamente com a realização da 11a. Festa da Melancia e Potencialidades Regionais de Capão do Leão, estará ocorrendo o já tradicional festival nativista "Levante de Canção Gaúcha em Capão do Leão" nos dias 04 e 05 de Março de 2016.
As inscrições para o festival estão abertas até 28 de Janeiro.
Para maiores informações, seguem os links:

E-mail de contato: levantedacancao@gmail.com 

Obs.: Não fazemos parte da organização do evento, esta é apenas uma divulgação. 

sábado, 9 de janeiro de 2016

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 36



561. Lauterbach: sobrenome toponímico alemão, isto é, refere-se a um lugar que deu o originou. Todavia, é um sobrenome de ampla acepção, pois existem cerca de 50 lugares na Alemanha e na Áustria com essa denominação. É o típico caso de um sobrenome que só pode ser indicada a sua raiz familiar mediante um estudo genealógico profundo. Lauterbach aproximadamente quer dizer rio acima, rio alto, riacho de lugar elevado. Data do fim da Idade Média.
Variantes:
Lautebach, Lauterbacher - variantes comuns.

562. Henn: sobrenome patronímico que é uma forma curta própria do dialeto alemânico que significa filho de Johann (João em português), principalmente na região setentrional de Baden-Württemberg. O sobrenome ocorre muito concentrado na região de Neckar-Odenwald, justamente no norte de Baden-Württemberg. O sobrenome também ocorre com algum destaque na Renânia-Palatinado e na Renânia do Norte. Data do fim da Idade Média.
Variantes:
Hen - variante simples.
Henne, Hene - variantes derivadas.
Henner, Henning - variantes relacionadas.

563. Gottwald: sobrenome patronímico que significa filho de Gottwald. Gottwald é um primeiro nome da língua alemã que é resultado da aglutinação dos termos do alto alemão clássico got (Deus) e walt (força, poder). Os primeiros registros do sobrenome datam do século XIV e o mesmo ocorre principalmente na Turíngia e Baviera, mas é comum em toda a Europa de língua alemã.
Variantes:
Gottwalt - variante mais comum no norte da Alemanha.
Gotwold, Gotewold, Gotbold, Gotebold, Gotefold, Godovald, Godolt, Godot - variantes arcaicas, principalmente encontradas em registros do fim da Idade Média e início da Idade Média. Aparecem relacionadas ao centro da Alemanha inicialmente, mas também são encontradas na região renana.
Gotboldus - variante latinizada encontrada na Saxônia.
Gotbolt - variante encontrada em Schweidnitz.
Gottewold, Gottewoldis - variantes encontradas na língua sorábia.
Gotwald - variante encontrada em Glatz.
Kottheboldus - variante latinizada arcaica.

564. Niemeyer: sobrenome poligenético que significa novo prefeito ou novo governador de um burgo. A forma é própria do baixo alemão medieval, sendo que no alemão clássico vigora a forma Neumeier ou Neumeyer. O sobrenome é muito concentrado na Westfália e oeste da Baixa Saxônia, bem como no norte da Renânia. No sul e leste da Alemanha é um sobrenome raro. Data do século XIV.
Variantes:
Neumeier, Neumeyer - variantes do alto alemão clássico.
Nygemeyer - variante arcaica.
Niemeier - variante comum.
Neumaier, Neumayer - variantes comuns no sul da Alemanha, Suíça e Áustria.
Neumair, Neumayr - variantes mais comuns no sul da Alemanha, principalmente Baviera e Baden-Württemberg. Também ocorre com destaque na Áustria.
Najmajer - variante encontrada na Áustria e que denota influência eslava.

565. Mende: sobrenome poligenético originário da região da Lusácia que significa aproximadamente aquele que vive no final da aldeia ou no final da rua. Data do século XV e ocorre principalmente na Saxônia e região de Berlim.
Mende também pode ser um sobrenome toponímico francês referente a uma área do departamento de Lozère na região de Languedoc-Rousillon. 
Por isso, são duas linhagens distantes: a alemã e a francesa.
Variantes:
Mendel - variante da Baixa Silésia.
Mendele - variante encontrada no centro-leste da Alemanha.

566. Volkmann: sobrenome poligenético que significa literalmente homem do povo, mas como deve ser entendido dentro de seu contexto histórico, o significado mais preciso é dono de casa, no sentido de alguém que é proprietário livre, mesmo que seja de uma pequena área. O sobrenome data do século XV e ocorre principalmente no norte da Alemanha, com especial concentração na tríplice fronteira entre a Turíngia, Baixa Saxônia e Saxônia-Anhalt.
Variantes:
Volkman, Folkmann, Folkman - variantes comuns.
Folcman - variante arcaica.

567. Hille: sobrenome com várias acepções possíveis, pois obviamente é um forma curta. Pode ser um patronímico dos nomes próprios Hildebrandt ou Hildebrecht ou ainda um matronímico de Hildegard ou Hildegund. O Deutsch Onomastik também elenca como provável origem do sobrenome um vocábulo existente no baixo alemão medieval que corresponde a pessoa ansiosa, pessoa apressada. Igualmente pode estar relacionado a um tipo de instrumento musical de percussão da região do Alto Harz, na Baixa Saxônia, designando assim o músico tocador deste tipo de instrumento.
Hille também é uma outra forma para Hiehle. Hiehle é um tipo de casa típica da região da Baixa Saxônia que se assemelha a uma grande construção de madeira como um salão com dois estandes basilares. Neste caso, Hille ou Hiehle estaria vinculado ao profissional construtor deste tipo de casa.
O sobrenome concentra-se principalmente na Baixa Saxônia, Saxônia-Anhalt, Brandemburgo, Saxônia e região de Berlim. Data aproximadamente do século XIV.
Variantes:
Hile, Hiller, Hiler - variantes relacionadas.
Hiehle, Hiele - variantes associadas à profissão de construtor de casas-salão (Hallenhaus).
Hille (toponímico) - uma comunidade na Renânia do Norte-Westfália.

568. Herz: sobrenome poligenético que significa coração. Provém etimologicamente do alto alemão clássico herza que significa tanto coração, quanto ânimo, força, resistência, dureza, sentimento, entre outros. O sobrenome deve ser compreendido por isso dentro de seu contexto medieval: aproximadamente quer dizer aquele que tem um grande espírito, um grande coração, sendo assim aquele que é notável por seus atos ou por sua nobreza. Nesta interpretação, um indivíduo pode ter sido alcunha de Herz (ou Herza) por qualidades tão díspares quanto o heroísmo, a virtude moral ou a determinação (mesmo que essa não tenha sido usada eticamente). É provável que, dependendo da região da Europa Central que o sobrenome tenha se originado (e lembrando que ele é um poligenético: surge em diferentes lugares como apelido), os significados iniciais do termo sejam diferentes. Em um lugar Herz pode ter sido usado para designar alguém com um temperamento passional, em outro pode ter sido usado para denominar alguém com força, resistência física, ao mesmo tempo que num terceiro lugar poderia corresponder a uma pessoa misericordiosa, piedosa.
O sobrenome aparece mais concentrado no sul da Alemanha e, em especial no sudeste da Baviera. Data do século XV.
Variantes:
Hertz - variante mais comum no norte da Alemanha.
Herzes - variante no genitivo da língua alemã.
Herzen - variante no plural da língua alemã.
Herza - variante arcaica original.
Herze - variante comum, mais concentrada na Turíngia.
Herta - variante na língua saxônica.
Hertzen, Hertzes - variantes do norte da Alemanha.
Hert - variante na língua frísia.
Hjarta - variante na língua norueguesa.
Hjärta - variante na língua sueca.
Hjerte - variante na língua dinamarquesa.
Herte - variante mais comum em Schleswig-Holstein, regiões de Hamburgo e Hannover e Baixa Saxônia.
Hertze - variante relacionada.
Häerz - variante na língua luxemburguesa.
Hers - variante causada por aliteração que ocorre nos Estados Unidos da América.
Herzchen - variante derivada do leste europeu.
Hart - variante na língua holandesa.

569. Körber: sobrenome poligenético que significa cesteiro, fabricante de cestas de palha trançada. Na Europa Central, comumente se usa a palha de salgueiro na ocupação profissional. O sobrenome ocorre principalmente no noroeste da Baviera, centro-leste da Baixa Saxônia e região de Berlim, mas é comum em toda a Europa de língua alemã. Data do século XIV.
Variantes:
Koerber - variante comum.
Korber - variante encontrada na Turíngia.
Korb - variante curta mais concentrada no oeste da Alemanha, mas que também é um topônimo frequente na Alemanha.
Korp - variante curta mais frequente no leste da Alemanha e leste europeu, principalmente República Tcheca.
Korbe, Korpe, Corb, Corbb, Corbe, Corbbe, Corp, Corpp, Corpe, Corppe - variantes relacionadas irregulares que aparecem principalmente nas regiões de língua alemânica, no Hesse e Renânia-Palatinado.
Kerber - variante da região da Silésia.
Korbmacher - variante que significa literalmente fabricante de cestas.
Korbflechter - variante austríaca.
Körbler, Koerbler, Kerbler - variantes do sul da Alemanha e Áustria.
Körver, Koerver, Körfer, Koerfer - variantes da região do Baixo Reno.
Kurb, Kurbe, Kurbel - variantes derivadas encontradas na região renana.
Korff - variante curta no baixo alemão.
Körfgen - variante encontrada na Renânia do Norte-Westfália.
Korf - variante curta da região renana.

570. Lerch: sobrenome poligenético que significa cotovia (família Alaudidae). Provém etimologicamente do gótico lawerka, passando pelo alto alemão medieval lerche com o mesmo significado. O sobrenome denomina criadores ou comerciantes de cotovias. Também pode designar figurativamente pessoas alegres, pessoas simpáticas. O sobrenome data do século XIV e concentra-se principalmente no Hesse.
Variantes:
Lerche - variante comum na Renânia do Norte-Westfália.
Lerchen - variante mais comum na Baviera.
Lercha - variante mais comum na Saxônia.
Lärche, Larche, Laerche, Laerch - variantes mais comuns no norte da Alemanha.
Larcher - variante do sul da Alemanha.
Lerchner, Lercher - variantes do oeste e do sul da Alemanha.
Larch - variante comum na região renana.

571. Jonas: sobrenome patronímico que significa filho de Jonas. Jonas é um primeiro nome comum na forma que se apresenta em grande parte das línguas europeias devido ao profeta hebreu homônimo. A forma Jona também é comum na língua alemã. Como o sobrenome é um patronímico, ele ocorre com frequência em toda a Europa de língua alemã. Há somente uma concentração um pouco maior nas regiões de Hamburgo e Berlim. Data do século XIII.
Variantes:
Jona, Jonah - variantes comuns.
Jonasse - variante no plural.
Jonassen, Jonasen, Jonassohn, Jonasson, Jonason - variantes acrescidas do sufixo sen/sohn, mais comuns no norte da Alemanha.
Jo - variante curta do centro-norte da Alemanha.
Jonsch - variante derivada.
Jöni - variante na língua alemânica.
Jönu - variante da região dos Alpes.
Jöggu - variante da Baviera.
Jones, Jönes - variantes do sul da Alemanha.
Joanen - variante encontrada na Baixa Saxônia.
Joan, Jonno, Jonzi - variantes relacionadas.

572. Rahn: sobrenome poligenético que significa magro, fino, esbelto. Provém etimologicamente do termo homônimo do alto alemão medieval com o mesmo sentido. Pode ainda estar relacionado a uma palavra para beterraba vermelha do baixo alemão, designando assim um agricultor que cultiva este vegetal. O sobrenome aparece mais relacionado à região do Reno e data do século XIV.
Variantes:
Rahne - variante do noroeste da Alemanha.
Rahns - variante no plural.
Ran - variante mais comum nos Países Baixos e na região do Alto Hesse.
Rank - variante na língua dinamarquesa.
Ranke, Ranck, Rancke - variantes do norte da Alemanha.
Raohm - variante no dialeto da Francônia.
Ron - variante do Hesse.
Ranig - variante da Baviera.
Rahm - variante que significa literalmente creme, mas que ocorre no suíço-alemão com o sentido de magreza, qualidade de esqualidez. 
Rahner - variante encontrada no Alto Palatinado.
Rhana - variante encontrada na Saxônia-Anhalt.
Rahnen, Ranen - variantes relacionadas, encontradas no norte e nordeste da Alemanha.

573. Budde: sobrenome com várias acepções possíveis, dentre elas:
1 - De acordo com o Zoder Lexikon, designa um ofício profissional que é o fabricante de cubas, vasilhas e tigelas, podendo também estar à ocupação de tanoeiro.
2 - Derivado da palavra do baixo alemão medieval buten que significa de fora, ar livre, lugar remoto, lugar distante, correspondendo assim a alguém que habita num lugar com essas características. Um outro sentido aproximado é "do outro lado, além", quando se refere a um lugar além de um acidente geográfico - montanha, rio, lago, etc.
3 - Um patronímico do primeiro nome Bodo, comum na língua alemã.
4 - Relacionado a uma palavra do baixo alemão que significa fantasma, monstro, bicho-papão, sendo usado figurativamente para alcunhar uma pessoa assustadora, de aparência esquisita.
O sobrenome concentra-se muito fortemente no noroeste da Alemanha, principalmente nas regiões de Bremen e Oldenburg. Data aproximadamente do final da Idade Média.
Variantes:
Bude - variante comum.
Buddeus - variante latinizada.
Budden - variante no plural.
Büdde, Böde, Bode, Bödde, Boedde, Bodde - variantes relacionadas ao primeiro item.
Bodo, Buoto, Buodo, Bodden, Boden - variantes relacionadas ao terceiro item, por isso patronímicos.
Buiten, Butten, Buten, Biuten, Büten, Bouten, Budn - variantes relacionadas ao segundo item, muito comuns na região de Hamburgo, Baixa Saxônia e Schleswig-Holstein.

574. Schiffer: sobrenome poligenético que significa capitão, chefe ou comandante de qualquer embarcação naval. Relaciona-se ao substantivo schiff que significa barco, embarcação. Por isso, em sentido amplo, Schiffer também pode corresponder a barqueiro, trabalhador naval, marujo, marinheiro. Todavia, como o sobrenome parece relacionado à região do Reno e norte da Alemanha, historicamente o termo assumiu a denominação clássica para capitão de navio.
O sobrenome é comum em toda a Europa de língua alemã, mas concentra-se especialmente na Renânia do Norte. Data do século XIII.
Variantes:
Schifer - variante simples
Schiffern - variante no plural.
Schiff - variante que significa literalmente barco.
Shiffel, Schiffel - variantes mais comuns no sul da Alemanha e Suíça.
Schiffen - variante comum.

575. Zeidler: sobrenome poligenético que significa coletor de mel selvagem. O Zeidler não é necessariamente o apicultor que cria abelhas melíferas, mas o encarregado de estritamente coletar mel de colmeias em bosques e florestas. O Zeidler também extraía a cera das colmeias. Na Idade Média, a profissão era reconhecida e valorizada na Europa Central e havia corporações oficiais. 
O sobrenome é comum em toda a Alemanha, mas concentra-se no leste do país, principalmente na Saxônia. Data do século XIII.
Variantes:
Zeidlers - variante no genitivo de língua alemã.
Zeidlern - variante no plural de língua alemã.
Zeitler - variante comum no sul e sudeste da Alemanha.
Zeidel, Zeitel. Zeidelmeister - variantes derivadas.
Zeidl, Zeitl - variantes curtas da região da Francônia.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Sobre o Carnaval e Outras Bossas



O ano mal começou em Capão do Leão e já tivemos a primeira polêmica incendiando as redes sociais: a notícia que o Carnaval está oficialmente cancelado este ano. Uma das explicações é a escassez de recursos municipais e a necessidade de investimentos mais prioritários, como é o caso da área da saúde. Além disso, o recente cancelamento do carnaval em Pelotas, poderia ocasionar um aumento substancial de público por aqui - demanda da qual o município não estaria preparado para responder. Todavia, não estamos aqui para debater isso, mas para focar sobre a outra questão que cerceia o assunto.

Percebemos que houve inúmeras manifestações críticas nas redes sociais sobre o cancelamento do Carnaval. Algumas extrapolam, mas notamos que a maioria (senão a totalidade!) não atenta para o novo fato que irá determinar a realização do Carnaval em Capão do Leão daqui por diante. Estamos falando da Lei Federal 13.019/2014 que estabelece regras mais rígidas para o repasse de verbas para entidades culturais. Isso significa que sem atender uma série de exigências legais, entidades culturais que até então estavam acostumadas a receber aquele aporte "certo" em determinado época do ano, não irão ter mais esse direito.

Sinceramente, por mais efeitos restritivos que a nova lei possa ter, entendemos que ela é necessária e, de certo modo, fundamental para quebrar uma prática viciosa que existe nas relações poder público e entidades culturais nos pequenos municípios. Vamos nos explicar. Inúmeras vezes nos passa a impressão que parte da opinião pública cria a "obrigatoriedade legal" do "tem que ajudar, do tem que dar dinheiro" para as entidades. O incômodo que sentimos é o seguinte: ninguém nega o papel do poder público como promotor, incentivador e subvencionador da cultura de modo geral. Entretanto, mais do que um dever legal, essa "obrigatoriedade" de repasse de verba assume uma roupagem imperativa. Independente das condições que aconteça. Se determinados grupos ou associações são irregulares, isso não importa. Tem que receber o dinheiro e pronto! - assim pensam alguns.

Olha, tem muita gente séria que se envolve com o carnaval. Mas também tem a parcela de picaretagem. Assim fica fácil! O sujeito só começa a pensar em carnaval em dezembro, fica esperando a bendita verba da prefeitura e apresenta nos dias da folia um produto muito aquém do esperado. Um ano depois, volta para retirar mais valores, mas apresenta uma prestação de contas que no mínimo conta com alguns itens "estranhos". Aliás, anos atrás uma prestação de contas detalhava vários gastos com material de construção. Foi justificado que era para o barracão do bloco. Só que ninguém nunca viu o tal barracão. E tem mais, mesmo que fosse para a construção de um barracão, o mesmo teria que ter sido construído num terreno da associação jurídica que nomeia o bloco, não num terreno particular de pessoa física. 

Mas para explicar melhor o que queremos dizer, sem nos atermos esterilmente em críticas: falta organização! Tem que haver entidades mais sólidas e planejadas durante o ano que se propusessem a fazer o carnaval, até mesmo para que pudessem estar adequadas a nova legislação. E isso depende da própria sociedade e da parcela de população que aprecia o carnaval em apoiar e se envolver. O poder público tem que apoiar, tem que incentivar? Sim, óbvio. Mas depende muito mais das pessoas envolvidas quererem uma organização mais séria.

Vou dar um exemplo. Pode-se falar o que quiser das entidades tradicionalistas gaúchas em Capão do Leão, mas menos que elas só se mobilizam em setembro em razão da Semana Farroupilha. De janeiro a dezembro, mesmo quem não goste, sabe que tem bailes, tem rodeios, tem apresentações artísticas, te oferecem um rifa para comprar para ajudar tal invernada, te convidam para um bingo no ctg tal, etc. E assim vai. Isto é, é um segmento cultural que está sempre em atividade. Receberam até ano passado também repasses municipais. Mas não se fiam somente nisso. Até mesmo porque o valor recebido é muito mais um auxílio, do que uma subvenção permanente. 

Concluindo: é necessário evoluir o pensamento sobre como algumas coisas são feitas por aqui. Elas devem ser feitas? Sim. Mas de modo organizado, planejado e racional. Não dá mais para querer fazer as coisas por mera "obrigatoriedade" induzida. Veja o exemplo da recente edição da Feira do Livro em dezembro. Só temos a aplaudir. Houve mobilização, houve intenção sincera e seriedade em fazê-la. Ficou muito bom!

Este artigo não pretende ser somente crítico, mas um apelo à atenção sobretudo.
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