domingo, 23 de junho de 2019

Dois filmes sobre a Guerra do Paraguay


O primeiro filme é Guerra do Brasil, de Sylvio Back. Um documentário em longa-metragem lançado em 1987, com a participação de vários historiadores e militares envolvidos dos quatro países envolvidos no conflito (Brasil, Argentina, Uruguay e Paraguay). Na película, também há cenas gravadas em locais diretamente envolvidos na guerra. A narração é de Hermano Henning. A obra foi premiada com o prêmio especial do júri no Rio-Cine Festival de 1987. Muito interessante! Principalmente se o estudioso do tema procura compreender a visão historiográfica paraguaia da contenda.



O segundo filme é Argentino hasta la muerte, de 1971, dirigido por Fernando Ayala. Trata-se de uma produção em língua espanhola, produzido como se intui na própria Argentina, e que, mostra a visão portenha sobre o conflito. O título do filme é inspirado numa trova popular do poeta romântico argentino Carlos Guido y Spano. A película rendeu ao diretor do filme o Condor de Prata por direção em 1972 (prêmio máximo do cinema argentino).


sábado, 22 de junho de 2019

Festa Alemã no Retiro em 1911


"Festa no Retiro. - A sociedade de Tiro, d'este local, realisou hontem a festa denominada Tiro do Rei.

Os magnificos mattos de propriedade da familia Brauner estavam replectos de familias, socios e convidados, os quaes desde a madrugada chegavam, organisando alegres acampamentos.

Ás dez horas, teve começo o torneio de tiro, que deu o seguinte resultado:

Rei - Henrique Halfen.

1o. cavalheiro - Carlos Reus.

2o. cavalheiro - João Steffenmundsberg.

Após, realisou-se o torneio do - Bello Sexo, - em que tomou parte grande numero de senhoras e senhoritas.

Esta foi a partida disputada e apreciada com verdadeiro interesse, pois terminou com dois empates para os segundos e terceiros premios e quatro empates para os tres premios restantes.

O primeiro lugar coube a senhorita Lina Brauner.

Feita a chamada para a partida desempatadora, foi esta muito renhida, principalmente por parte das Exmas. senhoras Luiza Leivas Barcellos e Thusnelda Lang, que fizeram quatro tiros com ponto igual!

Terminada esta emocionante prova de bom gosto do bello sexo pelo sport do tiro, foi proclamado o resultado, que obedeceu a esta ordem:

1o. premio - Srta. Lina Brauner.

2o. premio - Srta. Leopoldina Nebel.

3o. premio - Srta. Lili Krentel.

4o. premio - Sra. Thusnelda Lang.

5o. premio - Luiza Leivas Barcellos.

6o. premio - Srta. Leopoldina Brauner.

O grupo de atiradoras foi muito felicitado.

*****

No 3o. torneio, foram vencedores os Srs. Ernesto Lang, Henrique Holter, Felipe Kant, Oscar Brauner, Alexandre Grill e Carlos Lang.

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Ás seis horas da tarde, a directoria da sociedade, procedeu, com a solemnidade do costume, a distribuição das medalhas e premios, sendo n'essa occasião saudados calorosamente os victoriosos.

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Abrilhantou a festa a banda allemã, ao som da qual a mocidade dançou alegremente.

Á noite, no vasto salão da casa Brauner, teve lugar um baile, que correu animadissimo."

Fonte: A OPINIÃO PÚBLICA (RS), 16 de Janeiro de 1911, pág. 01, col. 01

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Sobrenomes Coreanos


Fonte: Bureau do Censo da República da Coreia, 2016.

1. Kim - ouro. Cerca de 10,6 milhões de pessoas.

2. Lee ou I - diferente; naquela; ameixeira. Cerca de 7,3 milhões de pessoas.

3. Park, Bak - casca de árvore. Cerca de 4,1 milhões de pessoas.

4. Jung, Jeong - peso; lei; Estado de Zheng; quarto. Cerca de 2,4 milhões de pessoas.

5. Choi - alto imponente. Cerca de 2,3 milhões de pessoas.

6. Cho, Jo - Estado de Zhao; grupo; aldeia. Cerca de 1,4 milhão de pessoas.

7. Kang - gengibre; mar; calmo; feliz. Cerca de 1,1 milhão de pessoas.

8. Jang - expandir, expansão; seção; regra; aldeia; terra arável; Estado de Jiang. Cerca de 1 milhão de pessoas.

9. Yoon, Yun - governar. Cerca de 1 milhão de pessoas.

10. Im - levar; aguentar; floresta. Cerca de 1 milhão de pessoas.

11. Shin - estender; cauteloso; picante; dificuldade. Cerca de 986 mil pessoas.

12. Yoo - armazém; machado; salgueiro; aprovar. Cerca de 963 mil pessoas.

13. Hahn, Han - país; líder. Cerca de 773 mil pessoas.

14. Oh, O - Estado de Wu. Cerca de 763 mil pessoas.

15. So, Seo - calmamente, silenciosamente; oeste. Cerca de 752 mil pessoas.

16. Jun, Jeon - inteiro, completo; arrozal; dinheiro, moeda. Cerca de 749 mil pessoas.

17. Kwon - poder, certo. Cerca de 706 mil pessoas.

18. Hwang - amarelo. Cerca de 697 mil pessoas.

19. Ahn, An - calmo. Cerca de 685 mil pessoas.

20. Song - dinastia Song; pinheiro; acusar. Cerca de 683 mil pessoas.

21. Hong - largo. Cerca de 558 mil pessoas.

22. Yang - árvore do álamo tremedor; ajudar; ponte; feixe. Cerca de 530 mil pessoas.

23. Go - alto. Cerca de 471 mil pessoas.

24. Moon, Mun - cultura; decoração. Cerca de 464 mil pessoas.

25. Son - neto. Cerca de 457 mil pessoas.

26. Bae - robe longo. Cerca de 400 mil pessoas.

27. Baek - branco. Cerca de 382 mil pessoas.

28. Huh, Heo - permitir. Cerca de 326 mil pessoas.

29. Noh, No - recipiente de arroz. Cerca de 315 mil pessoas.

30. Nam - sul. Cerca de 275 mil pessoas.

31. Shim - Estado de Shen. Cerca de 272 mil pessoas.

32. Ha - que. Cerca de 233 mil pessoas.

33. Joo, Ju - carmesim; meticuloso. Cerca de 232 mil pessoas.

34. Goo, Gu - possuir. Cerca de 208 mil pessoas.

35. Kwak, Gwak - muro da cidade, muralha urbana. Cerca de 203 mil pessoas.

36. Sung, Seong - ter sucesso. Cerca de 199 mil pessoas.

37. Woo, Wu - em (algum lugar); Yu, o grande. Cerca de 195 mil pessoas.

38. Cha - carruagem. Cerca de 194 mil pessoas.

39. Jin - velho; Estado de Qin; avançar. Cerca de 186 mil pessoas.

40. Min - instar, empurrar. Cerca de 171 mil pessoas.

41. Na - líquido. Cerca de 161 mil pessoas.

42. Ji - lagoa; sabedoria. Cerca de 160 mil pessoas.

43. Uhm, Um, Eom - estrito; vigoroso. Cerca de 144 mil pessoas.

44. Byun, Byeon - borda. Cerca de 138 mil pessoas.

45. Chae - coletar; tartaruga. Cerca de 131 mil pessoas.

46. Won, Wun, Weon - líder; cabeça. Cerca de 130 mil pessoas.

47. Chun, Cheon - rio. Cerca de 121 mil pessoas.

48. Bang - quadrado; região. Cerca de 96 mil pessoas.

49. Kong, Gong - buraco; abrindo. Cerca de 92 mil pessoas.

50. Hyun, Hyeon - profundo. Cerca de 88 mil pessoas.

51. Yu, Yo, Yeo - coluna vertebral. Cerca de 80 mil pessoas.

52. Hahm, Ham - juntos, unidos. Cerca de 80 mil pessoas.

53. Yum, Yeom - portão de aldeia; limpo. Cerca de 69 mil pessoas.

54. Sok, Suk, Seok - pedra; antigo. Cerca de 60 mil pessoas.

55. Choo, Chu - outono; cidade antiga. Cerca de 60 mil pessoas.

56. Doh, Do - cidade grande. Cerca de 57 mil pessoas.

57. Soh, So - alguns lugares na China Antiga, ou abreviaturas destes lugares. Cerca de 52 mil pessoas.

58. Sol, Sul, Seol - grama do pântano; absinto. Cerca de 45 mil pessoas.

59. Son, Sun, Seon - anunciar; primeiro. Cerca de 42 mil pessoas.

60. Mah, Ma - cavalo. Cerca de 39 mil pessoas.

61. Gil - sorte. Cerca de 38 mil pessoas.

62. Youn, Yon - esticar. Cerca de 34 mil pessoas.

63. Pyo - dividir; mostrar. Cerca de 30 mil pessoas.

64. Myung, Myong, Myeong - brilhante, claro. Cerca de 29 mil pessoas.

65. Ki, Gi - notável. Cerca de 29 mil pessoas.

66. Ban - água de arroz. Cerca de 28 mil pessoas.

67. Ra - líquido. Cerca de 25 mil pessoas.

68. Wang - rei. Cerca de 25 mil pessoas.

69. Geum - ouro. Cerca de 25 mil pessoas.

70. Ok - jade. Cerca de 25 mil pessoas.

71. Yook, Yuk - terra. Cerca de 23 mil pessoas.

72. In - marca, selo. Cerca de 22 mil pessoas.

73. Maeng - primeiro; eminente. Cerca de 22 mil pessoas.

74. Je - muitos. Cerca de 21 mil pessoas.

75. Moh, Mo - cevada; cabelo; pele. Cerca de 21 mil pessoas.

76. Namgung - palácio do sul. Cerca de 21 mil pessoas.

77. Tak - alta. Cerca de 21 mil pessoas.

78. Guk - dobrar, crisântemo. Cerca de 20 mil pessoas.

79. Uh, Eo - peixe. Cerca de 18 mil pessoas.

80. Kyung, Gyeong - cenário; celebração. Cerca de 16 mil pessoas.

81. Un, Eun - florescente. Cerca de 16 mil pessoas.

82. Pyun, Pyeon - lasca; peça. Cerca de 16 mil pessoas.

83. Yong - dragão. Cerca de 15 mil pessoas.

84. You - borda da água. Cerca de 13 mil pessoas.

85. Bongo - respeitar. Cerca de 12 mil pessoas.

86. Sa - história. Cerca de 10 mil pessoas.

87. Hwangbo - homem real. Cerca de 9 mil pessoas.

88. Ga - comerciante. Cerca de 9 mil pessoas.

89. Bok - vidente. Cerca de 9 mil pessoas.

90. Tae - ótimo; grande. Cerca de 9 mil pessoas.

91. Mok - pacífico; simpático. Cerca de 8 mil pessoas.

92. Hyung, Hyeong - um antigo estado chinês. Cerca de 7 mil pessoas.

93. Gye - canela, cássia. Cerca de 6 mil pessoas.

94. Pi - pele. Cerca de 6 mil pessoas.

95. Doo, Du - prevenir. Cerca de 6 mil pessoas.

96. Kam, Gam - doce, gostoso, saboroso. Cerca de 6 mil pessoas.

97. Dong - leste. Cerca de 5 mil pessoas.

98. Hoh, Ho - escolta real. Cerca de 5 mil pessoas.

99. Bin - bem criado. Cerca de 5 mil pessoas.

100. Jegal - muitos feijões. Cerca de 5 mil pessoas.

101. Um, Eum - escuro; secreto. Cerca de 5 mil pessoas.

102. Em - caloroso. Cerca de 5 mil pessoas.

103. Sakong, Sagong - toma conta de um lugar vazio. Cerca de 4 mil pessoas.

104. Shi - dar. Cerca de 4 mil pessoas.

105. Bum, Beom - abelha. Cerca de 3 mil pessoas.

106. Sunwoo, Seonwu - raro; fresco. Cerca de 3 mil pessoas.

107. Sung, Seung - herdar; subir. Cerca de 3 mil pessoas.

108. Jwa - esquerda. Cerca de 3 mil pessoas.

109. Paeng - um antigo país asiático. Cerca de 2 mil pessoas.

110. Kahn, Gan - lugar; entre (lugares). Cerca de 2 mil pessoas.

111. Sang - ainda assim, ainda. Cerca de 2 mil pessoas.

112. Kal, Gal - feijão. Cerca de 2 mil pessoas.

113. Somoon, Seomun - portão ocidental. Cerca de 2 mil pessoas.

114. Kyun, Gyeon - examinar. Cerca de 1 mil pessoas.

115. Tan, Dan - seção, peça. Cerca de 1 mil pessoas.

116. Soon, Sun - um antigo estado asiático. Cerca de 1 mil pessoas.

117. Dang - da dinastia chinesa de Tang. Cerca de 1 mil pessoas.

118. Ong - uma localidade em Guangxi. Cerca de 900 pessoas.

119. Hwa - flor. Cerca de 900 pessoas.

120. Bing - gelado. Cerca de 700 pessoas.

121. Jong - taça, copo, caneca. Cerca de 600 pessoas.

122. Dae - geração; grande, largo. Cerca de 600 pessoas.

123. Pung - galopar. Cerca de 600 pessoas.

124. Kung, Gung - palácio, templo; arco. Cerca de 500 pessoas.

125. Yup, Yop, Yeop - folha, página. Cerca de 500 pessoas.

126. Ah, A - parentesco, família. Cerca de de 500 pessoas.

127. Pyung, Pyong, Pyeong - plano, planície. Cerca de 500 pessoas.

128. Tokko, Dogko - o único. Cerca de 500 pessoas.

129. Nae - aguentar. Cerca de 300 pessoas.

130. Pan - julgar, concluir. Cerca de 200 pessoas.

131. Ri - ameixa. Cerca de 200 pessoas.

132. Cho - começar; um antigo estado feudal asiático. Cerca de 200 pessoas.

133. Mae - ameixa. Cerca de 200 pessoas.

134. Kwuk, Kwok, Gweok - fênix. Cerca de 100 pessoas.

135. Nang - onda, mar. Cerca de 100 pessoas.

136. Dongbang - região leste. Cerca de 100 pessoas.

137. Pil - ajudar; completar. Cerca de 100 pessoas.

138. Muk - tinta, escrita. Cerca de 100 pessoas.

139. Geun - machado. Cerca de 100 pessoas.


quinta-feira, 20 de junho de 2019

Histórico do Município de Timbé do Sul/SC


"A colonização da região de Timbé do Sul começa com os gaúchos Pedro Luiz Gonzaga e Schneider, que receberam do Governo Imperial uma sesmaria compreendendo a maioria das terras. Venderam-se as terras por volta de 1917 a colonos, na sua maioria italianos, considerados fundadores. Foram: José Marchesini, Pio Damiani, os irmãos Luiz Ernesto e Angelo Zanelatto, João e Mansueto Pelozatto, João Tramontin, Ãngelo Dal Pont, Francisco Búrgio, José Sávio e outros.

Em 1919 foi iniciada a abertura da estrada Araranguá-Rocinha, incrementando o crescimento da região. Em 1920 o Sr. Carlos Savi instalou a primeira casa comercial e a primeira serraria. Em 1927 foi construída a primeira escola e a primeira igreja. No ano de 1943 Timbé do Sul passou a distrito de Araranguá. Com a criação de Turvo passou a este município. Mas em 11 de maio de 1967, Timbé do Sul teve suas terras desmembradas de Turvo alcançando status de município. O primeiro prefeito foi o timbense Sr. Elviro Savi.

A economia está aberta para o turismo - o município de Timbé do Sul tem como característica de sua estrutura econômica, assim como a maioria dos municípios do Vale do Araranguá, o setor primário, o mais importante da economia com o predomínio de minifúndios - propriedades de até 50 ha. Em Timbé do Sul destacam-se também como de alta representatividade, as florestas naturais, que se localizam na Serra Geral, e que não representam possibilidade de expansão da fronteira agrícola, nem da exploração de madeira, mais sim, de desenvolvimento das atividades turísticas. O município possui um dos mais belos visuais físico-naturais, localizados nos Aparados da Serra Geral. Entre os pontos turísticos explorados, que contam com infra-estrutra, destacam-se o Poço do Caixão e Quedas do Rio Salto. A Serra da Rocinha, a Queda do Rio Molha Coco, a Queda do Rio Rocinha, Morros de Areia Branca, são outros pontos de atração para a exploração do turismo rural e/ou implantação de camping's em Timbé.

A economia do município é baseada em sua maioria na agricultura com produção de fumo, arroz, criação avícola e suínos."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 26 de Abril de 1999, pág. 06

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Exposição Museu da Destruição Nacional


Está acontecendo neste mês de junho de 2019, em três pontos diferentes do centro da cidade de Pelotas uma interessante exposição e mostra interativa que tem como título "Museu da Destruição Nacional". A iniciativa é do Curso de Bacharelado em Museologia da Universidade Federal de Pelotas e tem quatro mostras localizadas nos lugares a seguir: a "Cabine dos Patrimônios" no interior do Mercado Central; duas exposições no Hall da Prefeitura Municipal (Sala Frederico Trebbi); e o "Visor de Mundo" na "meia-lua" da Praça Coronel Pedro Osório (defronte ao Teatro Sete de Abril).

A proposta visa discutir a partir do recente incêndio do Museu Nacional a questão do patrimônio e identidade cultural. Vale a pena a visita! A entrada é franca.

As experiências sensoriais na "Cabine dos Patrimônios" e no "Visor de Mundo" são muito enriquecedoras. Na exposição do Hall da Prefeitura também é possível interagir e deixar sua mensagem.


















Salteadores & Bandoleiros no Rio Grande do Sul em 1871


"Ladrões.

As quadrilhas de ladrões que ha mais de dous mezes infestão o districto de Capivary, roubando o gado, assaltando as casas e tentando contra a vida do cidadão e animadas pela impunidade de todos os seus crimes, redobrão de ousadia, e engrossão todos os dias o grupo com novos sequases.

Ao principio composta esta malóca de 12 salteadores, já se acha, hoje elevada ao numero de 22, os quaes depois de terem andado a roubar e estragar tudo o que encontravão nas immediações da estancia do Curral-Alto, consta-nos que ha 4 dias investirão contra esta mesma estancia, não só roubando gado e o mais que encontrarão á mão, como levando o arrojo á assaltarem mesmo a casa, onde morava o respeitavel cidadão o Sr. João Ferreira Pinto, um dos seus proprietarios e irmão do nosso distincto amigo o Exm. Sr. Barão do Cahy. As autoridades fazem por cumprir o seu dever, não lhes falta vontade de punir tão atrevidos ladrões, não têm porém força policial á sua disposição, nem se tem curado de fornecel-a, e assim ficão á mercê, os cidadãos, de seus proprios recursos.

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Mais ladrões.

A serie de attentados contra a vida e a propriedade do cidadão ainda não está esgotada. Elles multiplicão-se e reproduzem-se por toda a parte. Já não é só no Cerrito do Ouro, ou no Capivary, ou no Curral Alto que elles apparecem fazendo as suas correrias. Na Vaccaria, theatro antigo de suas façanhas, estão hoje como nunca estiverão. Achão-se organisados, com uma força regular, prompta a bater-se com quem se lembre de os perseguir. Não contão com a perseguição da autoridade local que vive desajudada pela que aqui na capital lhe podia obter força, e eil-os zombando da ordam e tranquilidade publica.

Esta provincia precisa de um chefe de policia que tenha acção e energia para prover a segurança da vida e propriedade á que tem direito o cidadão, e não de chefes que vivão de expedientes da secretaria. Eis o que vimos referido em uma carta dirigida á um amigo nosso:

<<... como sei que tem intimas relações de amisade com o Dr. Brusque, chefe de policia, me parece que lhe transmittindo as noticias que lhe vou dar, elle de certo acreditará e alguma cousa providenciará em favor d'este infeliz lugar, onde presentemente me acho exposto á soffrer algum desacato, e talvez a perder a vida, porque já se não escolhem as victimas. No dia 3 de Março proximo passado, quando eu atravessava o lugar denominado S. Joaquim, recolhendo-me á casa, cahião em uma coxilha, longe de minha estrada legoa e meia, em occasião de umas carreiras, dous moços filhos de um homem de nome Theodoro de tal Chaves, feridos pelo tenente Luiz Telesphoro Teixeira, que por seu turno cahiu morto pelo dito velho Theodoro, em desagravo de seus filhos.>>

<<De proposito passarei por alto factos subsequentes que se derão por occasião de instaurar-se o processo ao velho Theodoro. Dias depois nas visinhanças de um lugar chamado - Taimbezinho - na Vaccaria, em uma casa de negocio de um moço allemão, genro de outro allemão de nome Christianno Hoffman, entrou um réo de policia, natural e morador em Cima da Serra, no lugar denominado - Cédro - conhecido pelo nome de Anginho, e ali, depois de beber, attacou o dono da casa á espada, cutilando-o impunentemente, e depois sahio. Este negociante recorreo á autoridade da Vaccaria, fez auto de corpo de delicto, deu sua queixa, gastou noventa e tanto mil réis, e depois teve de desistir de fazer parte, porque o réo não foi pegado, e elle queixoso bem sabe qual a sorte que o espera. Dias depois um fazendeiro de idade avançada de nome Estanisláo Rodrigues de Campos, morador no Capão-Grande, longe da freguezia da Vaccaria 3 1/2 legoas, tendo vencido uma demanda sobre campos de sua propriedade com uns poucos de irmãos de nome Lisbôa, aos quaes fôra intimado o despejo dos lugares que individamente tinhão invadido, foi acordado alta noite ao clarão do incendio de sua casa, e no acto de sahir, como era natural, para livrar-se e salvar o que ainda pudesse, soffreo uma descarga de que cahio morto.

<<Á mesma hora era incendiada a casa em que residia, pouco distante, mas no mesmo campo, um filho do dito Estanisláo, de nome Marcolino, que não morreu por não estar em casa.

Pelo mesmo tempo era attacado á noute em sua casa, um casal de velhos, moradores nas pontas do arroyo Santa Rita, districto da Lagôa Vermelha, cujos nomes ignora, pedindo-se-lhes o dinheiro que havia; e como só apparecesse uns 40 ou 50 bolivianos, foi o velho cruelmente ferido, e consta-me que ainda existe: Estes quatro factos são acontecidos todos no mez de Março.

<<Além d'estes factos que mencionei e que provão de mais a nenhuma segurança que aqui ha pelo desrespeito á autoridade, que além de ignorar os seus deveres, nenhuma força tem em que se apoie, sendo ella mesma a que mais receio tem de intervir nas occasiões, accresse a existencia de uma espantosa reunião de malvados, ladrões e assassinos conhecidos que se achão agrupados á 6, 8 e 10 conforme a occasião nas immediações do lugar denominado - Costa - entre a serra das Antas e a de Pelotas, e ao alcance das estancias Carauno e Ausentes, onde fazem suas correrias á luz do dia e de onde se supprem de gado e de cavalhada, sem que seus proprietarios possão oppor-se. Esta reunião de malvados que actualmente infesta este lugar é composta de homens conhecidos no atroz assassinato de João Ramos e sua familia; alguns que ainda não forão presos e outros que farão inocentados no jury de Santo Antonio, e de outros que escaparão á ultima perseguição que lhes fez aqui um alferes de policia, genro do Dr. Moraes por occasião do incendio da casa de Ignacio Velho e tambem de alguns fugados d'essa cidade depois de serem presos pelo tenente-coronel Moraes em Novembro do anno proximo passado quando aqui esteve.

Um soldado de policia da collectoria que atravessou em serviço para a Agencia dos Auzentes e Santa Victoria no dia 10 ou 11 de Março foi rodeado por essa quadrilha, e depois de bem perguntado, deixarão-n'o seguir. No dia 18 ou 20 do mesmo mez, outro moço com um companheiro ao atravessar da estancia de Athanagildo Telles para os Auzentes os encontrou em numero de 8 ou 10 apeados em uma taberna isolada que ha no - Capão Bonito - ponto escolhido para a sua reunião por ser indispensavel passar-se ali tendo de ir de Santa Victoria para os Auzentes e vice-versa. Esta taberna do Capão Bonito só é frequentada por essa quadrilha. Nenhum viandante, por mais corajoso que seja, terá a lembrança de tocar n'aquella casa. Quando aqui andou o alferes de que acima fallei, tinha-se ha pouco queimado aquella taberna, mas como o ponto é necessario foi de novo edificada e está habitada por gente da quadrilha...>>

Veja o Sr. conselheiro presidente que se tem tanto empenhado em moralizar a administração publica que tão desmantelada encontrou a sua chegada, se attende para estes factos faz com que a autoridade competente desperte do lethargo em que jaz, e faz com que as garantias de vida e propriedade que dá a lei aos cidadãos, deixa de ser uma ficção."

Fonte: O CONSTITUCIONAL (RS), 20 de Abril de 1871, pág. 03, col. 01-02

terça-feira, 18 de junho de 2019

A colonização polonesa em Dom Feliciano


"Após a Proclamação da República, em 1889, o Governo Brasileiro, precisando de novos braços que substituíssem os escravos para continuar a garantir o equilíbrio econômico, fez campanha para vinda de agricultores europeus. Comprometera-se a custear as despesas com a travessia e doar terras aos que quiserem vir ao Brasil.

Antes porém, dessa publicidade, vieram algumas famílias por conta própria. Chegando ao Rio de Janeiro, rumaram para Porto Alegre, de onde viajando de lancha até São Jerônimo, desceram até a Sede da Colônia de São Feliciano.

Em 1890, assumiu a direção da colonização o Dr. Alfredo da Silveira e a partir daí toda a extensão destas terras cobertas com densas florestas foram destinadas à Imigração Polonesa.

As primeiras famílias encaminhadas para São Feliciano, custeadas pelo Governo, vieram nos navios Planeta, Estrela, Mayrink e Arlinda, nos anos de 1890 e 1891. Eram em sua totalidade católicos, sendo 1554 originários da Polônia, 1923 originários do território polonês sob a dominação da Rússia e 93 alemães.

Sem medirem as consequências que os aguardavam no futuro, apressaram-se a abandonar sua terra natal na esperança de conseguirem um padrão de vida mais humano, cansados que eram de serem explorados. No entanto, eram elementos sadios, trabalhadores, religiosos, satisfazendo plenamente as exigências das leis governamentais brasileiras. Foi assim que o Departamento de Terras e Colonização, sediado em Porto Alegre. não titubeou em encaminhá-lo para cá.

Iniciaram a sua longa jornada: uns a pé, uns em carroções puxados por juntas de bois e outros conduzindo burros carregados de balaios, foram abrindo picadões até chegarem ao coração da Colônia de São Feliciano.

Não conseguindo-se documentação exata, há dúvidas para saber por onde chegaram até aqui. Há duas proposições: primeira - subiram o Rio Jacuí até São Jerônimo descendo para a Colônia; segunda - viriam costeando a Lagoa dos Patos até o Porto de Vianez na desembocadura do Rio Camaquã, por onde poderiam subir em barcos durante as cheias, margeando o Arroio Sutil chegariam à Sede da Colônia.

Cada família recebeu um lote colonial de vinte e cinco hectares de terra, cujo título de propriedade lhes seria fornecido após o pagamento em prestações a longo prazo, de acordo com a quota estabelecida em lei. Além disso foi fornecida para cada família a quantia de cinquenta mil réis, para que, no decorrer de três meses, pudessem construir suas residências. As mesmas foram construídas de madeira. As sementes de cereais foram gratuitamente fornecidas para o primeiro ano de plantio. Tiveram que aceitar as condições e com desassombrosa coragem enfrentar as intempéries, a mata virgem, derrubar gigantescas árvores, abrir clareiras, construir suas moradias, enfim: começar vida nova na pátria adotiva.

Nesta época era Chefe da Comissão de Terras e Colonização o Sr. Alfredo de Araújo Borges, responsável por três núcleos de colonização: São Feliciano, Mariana Pimentel e Barão do Triunfo. Este em nada facilitava a vida dos colonizadores.

Iniciaram o povoado fixando-se à margem direita do Arroio Sutil, ou mais precisamente, à margem direita do Arroio Forqueta, afluente do Sutil, onde iniciaram a formação das chamadas 'Linhas', surgindo as seguintes: Evaristo Teixeira, Lopo Neto, Júlio de Castilhos, Amaral Ferrador, Correa Neto, Laurentino Freire, Perdiz, Assis Brasil, Carlos Ferreira, Felipe Noronha, Euzébio Dorneles, Pederneiras, Dr. Bozano, Anápio Silveira, Dr. Flores, Apolinário e Tomás Flores onde, desde o início, por conta própria, os poloneses se organizaram e em cada Linha formaram uma comunidade, construindo sociedades que serviam como escola e capela.

Assim, a caminhada inicial desses desbravadores poloneses foi árdua e heróica, pois embrenhavam-se nas matas para dela arrancar o sustento para suas famílias. A situação deles era de extrema pobreza. Os frutos de seu suor foram abençoados pois as primeiras colheitas de cereais foram fartas, mas infelizmente, na hora da exportação não tinham estradas bem compradores para os produtos que também não tinham preços. Todos esses fatores prejudicaram em muito o desenvolvimento da colonização.

Entre os imigrantes poloneses agricultores havia alguns profissionais como pedreiros, carpinteiros, ferreiros, artistas e outros. Eram os que auxiliavam no início fazendo ferramentas, construindo moradias.

Um problema aflitivo que, pensando hoje, não sabemos como a nossa geração assumiria: não possuindo o que comer, nem mesmo o pão, pois de onde tirariam a farinha? Os cereais que conseguiam eram moídos em moinhos de pedra movidos manualmente. A farinha era transformada em bolos que após eram assados em pedras aquecidas pelo fogo. Tempos depois iniciaram a construção de moinhos movidos a água, mas estes estavam, as vezes, muito distantes. Na falta de animais para transportar os cereais para serem moídos, precisavam carregá-los nas costas. Tudo era lento, demorado, feito manualmente. Devemos lembrar-nos sempre daqueles tempos a não lamentar-se tanto.

O comércio era raro. Os colonos trocavam seus produtos por sal, açúcar, café, pano para vestuário e outros. Começaram a criação de animais domésticos: até isto precisavam defender dos animais selvagens.

Os imigrantes, ao virem para o Rio Grande do Sul, estavam desacompanhados de sacerdotes. Logo ao chegarem, reclamaram ao Bispo de Porto Alegre, D. Claudio José Gonçalves Ponce de Leão, um sacerdote que lhes desse assistência espiritual. Foi erguida uma capela provisória, de madeira, localizada na zona baixa, perto do Arroio Forqueta. O primeiro padre, Martiniano Madrzejewski, franciscano, chegou aqui a 15 de novembro de 1891, fazendo batizados e abençoando casamentos. Voltou para a Europa em 25 de junho de 1892. O êxito da colonização deve-se, em grande parte, à atuação pastoral do clero e, logicamente, a grande fé dos poloneses em Deus e na força de seus braços.

Em 1908, a Sede contava com 153 pessoas e trinta casas das quais oito eram de comércio, um moinho, uma ferraria, uma olaria, uma escola, uma estação telegráfica, uma agência dos correios e um posto pluviométrico."

Fonte: TWORKOWSKI, Irene & RAKOWSKI, Zeno. Dom Feliciano. Dom Feliciano/RS: edição independente, 1985, pág. 12-14.
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