segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 87 - Topônimos alemães na Polônia


Muitos sobrenomes de origem alemã são toponímicos (isto é, indicam a procedência de um lugar) que estão vinculados à área do antigo Império Alemão (1871-1919). Pois bem, o Império Alemão ou II Reich (de acordo com a historiografia germânica) abarcava territórios que hoje correspondem a vários países da Europa Central e Oriental (além da própria República Federal da Alemanha, hodiernamente), dentre eles a Polônia. Este fato é  importante, pois tanto a Pomerânia, quanto a Prússia Oriental (também um bom pedaço da Prússia Ocidental) - duas importantes províncias do Reich - estavam majoritariamente, em termos territoriais, na terra polonesa da atualidade. Segue uma lista de antigos nomes alemães para lugares na época do Império Alemão e seus correspondentes atuais na Polônia.

2201. Gollnow, condado de Naugard, Pomerânia - Goleniów, cidade na Pomerânia Ocidental.
2202. Gollnowshagen, condado de Naugard, Pomerânia - Bialun, vila rural no município de Goleniów, Pomerânia Ocidental.
2203. Gollubien (entre 1938 e 1945 Unterfelde, condado de Goldap, Prússia Oriental - Golubie, aldeia extinta na 2a. Guerra Mundial que existiu na área do município de Dubeninki, Vármia-Masúria.
2204. Gollubien (A/B), condado de Lyck, Prússia Oriental - Golubie, aldeia no município de Kalinowo, Vármia-Masúria.
2205. Gollubien Ksp. Czychen (entre 1938 e 1945 Friedberg), condado de Oletzko/Treuburg, Prússia Oriental - Golubie Wezewskie, aldeia no município rural de Kowale Oleckie, Vármia-Masúria.
2206. Gollubien Ksp. Marggrabowa (entre 1938 e 1945 Kalkhof), condado de Oletzko/Treuburg, Prússia Oriental - Golubki, aldeia no município rural de Kowale Oleckie, Vármia-Masúria.
2207. Gollupken (entre 1938 e 1945 Lübeckfelde), condado de Lyck, Prússia Oriental - Golubka, comunidade no município de Kalinowo, Vármia-Masúria.
2208. Golschowitz (entre 1936 e 1945 Goldenau), condado de Neustadt, Alta Silésia - Golczowice, aldeia no município de Glogowek, voivodia de Opole.
2209. Gonschor (entre 1938 e 1945 Gonscher), condado de Sensburg, Prússia Oriental - Gasior, cidadela no município de Ruciane-Nida, Vármia-Masúria.
2210. Gonsken (entre 1938 e 1945 Herzogskirchen), condado de Oletzko/Treuburg, Prússia Oriental - Gaski, aldeia no município de Olecko, Vármia-Masúria.
2211. Gonswen (entre 1938 e 1945 Gansen), condado de Sensburg, Prússia Oriental - Gazwa, vila no município de Mragowo, Vármia-Masúria.
2212. Goradze (entre 1935 e 1945 Waldenstein), condado de Gross Strehlitz, Alta Silésia - Gorazdze, vila no município de Gogolin, voivodia de Opole.
2213. Görchen - Miejska Górka, cidade na voivodia da Grande Polônia.
2214. Gorczitzen (entre 1928 e 1945 Deumenrode), condado de Lyck, Prússia Oriental - Gorczyce, aldeia no município de Prostki, Vármia-Masúria.
2215. Gordeyken (entre 1938 e 1945 Gordeiken). condado de Oletzko/Treuburg, Prússia Oriental - Gordejki, aldeia no município de Olecko, Vármia-Masúria.
2216. Gorek ou Gorrek(entre 1936 e 1945 Kleinberg), condado de Oppeln, Alta Silésia - Górki, vila no município de Prószków, voivodia de Opole.
2217. Göritz, condado de Schlawe, Pomerânia - Gorzyca, vila no município de Malechowo, Pomerânia Ocidental.
2218. Göritz, condado de Weststernberg, Brandemburgo - Górzyca, vila e sede do município homônimo, voivodia de Lubúsquia.
2219. Görke a.d.R., condado de Greifenberg, Pomerânia - Górzyca, vila no município de Gryfice, Pomerânia Ocidental.
2220. Görken, condado de Mohrungen, Prússia Oriental - Górki, aldeia no município de Stary Dzierzgon, Pomerânia.
2221. Gorlen (entre 1938 e 1945 Aulacken), condado de Lyck, Prússia Oriental - Gorlo, aldeia no município de Stare Juchy, Vármia-Masúria.
2222. Görlitzer Neisse - Nysa Luzycka, rio afluente do rio Oder, que percorre a Alemanha, majoritariamente a Polônia (oeste e sudoeste) e a República Tcheca.
2223. Gorlowken (entre 1938 e 1945 Gorlau), condado de Lyck, Prússia Oriental - Gorlówko, aldeia no município de Stare Juchy, Vármia-Masúria.
2224. Görlsdorf, condado de Königsberg/Neumark, Brandemburgo - Góralice, aldeia no município de Trzcinsko-Zdrój, Pomerânia Ocidental.
2225. Gornow, condado de Greifenberg, Pomerânia - Górnowo, aldeia no município de Banie, Pomerânia Ocidental.
2226. Görshagen, condado de Schlawe, Pomerânia - Górsko, vila no município de Postomino, Pomerânia Ocidental.
2227. Görtelsdorf, condado de Landeshut, Baixa Silésia - Gorzeszów, distrito do município rural de Kamienna Góra, Baixa Silésia.
2228. Gorzekallen (entre 1938 e 1945 Gortzen), condado de Lyck, Prússia Oriental - Gorzekaly, pequena comunidade no município de Orzysz, Vármia-Masúria.
2229. Goschütz (entre 1936 e 1945 Meisenbuch), condado de Cosel, Alta Silésia - Goszyce, localidade no município de Bierawa, voivodia de Opole.
2230. Goslawitz (entre 1936 e 1945 Goselgrund), condado de Guttentag, Alta Silésia - Goslawice (local indeterminado).
2231. Goslawitz (entre 1936 e 1945 Ehrenfeld), condado de Oppeln, Alta Silésia - Goslawice, distrito da cidade de Opole, voivodia de Opole.
2232. Gossow, condado de Königsberg/Neumark, Brandemburgo - Goszków, aldeia no município de Mieszkowice, Pomerânia Ocidental.
2233. Gottberg, condado de Pyritz, Pomerânia - Boguszyny, vila rural no município de Pelczyce, Pomerânia Ocidental.
2234. Gottesberg, condado de Waldenburg, Baixa Silésia - Boguszów, distrito-sede do município de Boguszów-Gorce, Baixa Silésia.
2235. Gottesgnade, condado de Heiligenbeil, Prússia Oriental - Strzeszkowo, aldeia no município de Miescisko, voivodia da Grande Polônia.
2236. Gottesgnade, condado de Preussisch Eylau, Prússia Oriental - Gniewkowo, cidadela no município de Górowo Ilaweckie, Vármia-Masúria.
2237. Gottschimm, condado de Friedeberg/Neumark, Brandemburgo - Góscim, vila no município de Drezdenko, voivodia da Lubúsquia.
2238. Gottschimmerbruch, condado de Friedeberg/Neumark, Brandemburgo - Góscimiec (local incerto).
2239. Götzendorf, condado de Konitz, Prússia Ocidental - Gockowice, aldeia no município de Chojnice, Pomerânia.
2240. Graase, condado de Falkenberg, Alta Silésia - Gracze, aldeia no município de Niemodlin, voivodia de Opole.
2241. Grabine (entre 1936 e 1945 Gershain), condado de Neustadt, Alta Silésia - Grabina, 
2242. Grabnick, condado de Lyck, Prússia Oriental - Grabnik, aldeia no município de Stare Juchy, Vármia-Masúria.
2243. Grabnick, condado de Senburg, Prússia Oriental - Grabnik, comunidade no município de Mikolajki, Vármia-Masúria.
2244. Gräbnitzfelde, condado de Saatzig, Pomerânia - Grabnica, aldeia no município de Dobrzany, Pomerânia Ocidental.
2245. Grabow - Grabowa, rio na voivodia polonesa da Pomerânia Ocidental.
2246. Grabow (entre 1936 e 1945 Weissbuchen), condado de Gross Strehlitz, Alta Silésia - Grabów, vila no município de Izbicko, voivodia de Opole.
2247. Grabow, condado de Regenwalde, Pomerânia - Grabowo (local incerto).
2248. Grabowen, condado de Goldap, Prússia Oriental - Grabowo, aldeia no município de Goldap, Vármia-Masúria.
2249. Grabowen (entre 1938 e 1945 Grabenhof), condado de Sensburg, Prússia Oriental - Grabowo, vila no município de Mragowo, Vármia-Masúria.
2250. Grabowken (entre 1929 e 1945 Buchenhagen), condado de Sensburg, Prússia Oriental - Grabówka, vila no município de Mikolajki, Vármia-Masúria.

domingo, 4 de novembro de 2018

Nossa visita à II Oktoberfest de Pelotas












Tivemos a oportunidade de visitar a segunda edição da Oktoberfest Pelotas, realizado no Centro Internacional de Cultura e Eventos, junto à rodovia BR-116. Estivemos rapidamente no evento na tarde deste sábado, 03 de Novembro. 

Muito importante a iniciativa!

Um caso de escravidão


"Escravidão de pessoas livres. - Diz o Diario de Pelotas:


<<Chegou a esta cidade, procedente de Bagé, conduzindo tres crianças para vender, Fileno Alves da Costa.

<<Estas crianças, segundo informações fidedignas que tivemos, são livres, apezar da matricula que seu intitulado senhor mostra, e de outros documentos que diz possuir, mas que não apresenta.

<<Sendo atroz o crime de reduzir pessoas livres á escravidão, denunciamos Fileno Alves da Costa como incurso nelle e pedimos ás autoridades competentes severas providencias, mesmo porque nos consta já ter Fileno vendido, como escravas, outras crianças que se acham nas mesmas condições destas a que nos referimos.

<<A mãi destas crianças é livre e reside no Arroyo Melo, Estado-Oriental, e podem attestar a verdade de nossas informações os seguintes membros da familia de Fileno, residentes em Taquarembó: Luiz dos Santos Fagundes, Flora Virginia dos Santos, Anna Alves dos Santos, Antonio Alves, Eufrasia Alves da Luz, Rita Alves, tenente-coronel Valeriano Pedro de Menezes, Annibal dos Santos, Gregorio Alissi e Marcos Moralez.

<<O delegado de policia depositou provisoriamente essas crianças em casa de Carlos Thomaz Pinto, até que Fileno prove a propriedade que tem sobre ellas; mas, não sendo isso ainda bastante, esperamos que o sr. dr. promotor publico, na qualidade de orgão da justiça publica e de curador geral dos orphãos, proseguirá na investigação da verdade, requisitando por intermedio das autoridades de Taquarembó o depoimento das testemunhas que acima apontamos, para que bem provado fique que essas crianças e seus irmãos já vendidos são livres, e que Fileno cometteu o negro e horrivel crime de reduzir pessoas livres á escravidão.>>"

Fonte: CORREIO DA BAHIA (BA), 29 de Agosto de 1878, pág. 01, col. 06

sábado, 3 de novembro de 2018

Manuel Beckmann


"Fazendeiro (mais propriamente, senhor de engenho), que se notabilizou como revolucionário em 1684. Nascido em Lisboa, era filho de pai alemão e mãe portuguesa, donde o seu nome. Estabeleceu-se com seu irmão Tomás em São Luís do Maranhão, fazendo-se proprietário do Engenho Mearim. Muito popular e benquisto, tinha o apelido de Bequimão e ele mesmo assim escrevia o seu nome, aportuguesando-o. Contudo, segundo o costume da época, utilizava indígenas para o trabalho forçado em seu engenho, e por isso vivia em desavenças contínuas com os jesuítas, que protegiam os nativos. Por interferência do jesuíta Pe. Antônio Vieira, resolveu Portugal fundar em 1682 a Companhia do Comércio do Maranhão, através da qual pretendia importar escravos negros, que substituiriam os indígenas; além disso, a Companhia recebia o monopólio de inúmeros produtos, controlando-lhes os preços. Os maranhenses irritaram-se com a fundação dessa Companhia (a lei que instituíra automaticamente proibia a escravização dos índios, que lhes interessava mais que a compra de escravos negros; e o controle de preços lhes era igualmente prejudicial); com apoio dos carmelitas e franciscanos, rivais dos jesuítas, puseram-se em pé de guerra: em 24 de fevereiro de 1684, Manuel e Tomás Beckmann à frente de seus homens prenderam o Capitão-Mor Baltasar Fernandes; no dia seguinte apoderaram-se dos armazéns da Companhia de Comércio e organizaram uma Junta Geral, representada por membros do clero, da nobreza e do povo. Logo foram presos e remetidos para Portugal vinte e sete jesuítas e Tomás embarcou para Lisboa, a fim de pedir a aprovação das medidas aqui tomadas.

Em Portugal, contudo, Tomás foi preso e recambiado ao Maranhão na expedição que trazia o novo governador da Capitania, Gomes Freire de Andrade. Manuel Beckmann fugiu, mas, traído por um seu afilhado, Lázaro de Melo, foi preso: em 02 de novembro de 1685 enforcaram-no, bem como a um outro membro da Junta, Jorge Sampaio (Tomás Beckmann foi deportado para Pernambuco). 

Essa revolta é importante porque se constituiu no primeiro movimento de reação aos processos da Metrópole, contribuindo para a formação da nacionalidade brasileira."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Histórias Curiosas LXX

Eleições municipais de 1988 em Pelotas, numa época em que ainda não existia segundo turno, os meios de comunicação como jornais impressos e rádios cobriam com interesse os desdobramentos do pleito. Na ocasião, uma conhecida rádio local tinha vários programas e radialistas que abordavam o assunto, desde semanas antes do dia das eleições, projetando cenários de disputa e debatendo sobre o potencial dos candidatos. Até aí tudo normal. 

O dia das eleições naquela época acontecia no dia 15 de Novembro, feriado que cairia numa terça-feira naquele ano. No domingo anterior a eleição, à noite, um conhecido programa de debates da citada rádio reuniu vários radialistas da empresa que abordavam como assunto principal a eleição municipal. De acordo com as pesquisas anunciadas na televisão, despontavam como favoritos à cadeira do paço municipal o candidato do PDS, Adolfo Fetter Júnior, e o candidato do PMDB, Irajá Andara Rodrigues. Analisando as possibilidades de cada um, o jornalista Humberto Campos (nome fictício) lembra rapidamente à mesa que o terceiro colocado nas pesquisas, Anselmo Rodrigues (PDT) não podia deixar de ser considerado também como um nome com certa força. Cita, entre outras coisas, ter presenciado uma boa aceitação do candidato trabalhista nas vilas mais pobres. Conciliador, o âncora do programa, Rui Souza (nome fictício), elogia a lembrança do colega de profissão e ainda ressalva que realmente o resultado das urnas só será conhecido de fato após a apuração final. Neste momento, Chico Müller (outro nome fictício), claramente identificado com o candidato do PDS, ironiza a fala do colega e inicia-se uma discussão. Outros dois e três que estavam na sala entram no debate e o programa tem que ser interrompido por um preocupado Rui Souza - extremamente zeloso em manter o nível do programa.

Entram os comerciais e na sala de debates da rádio, os comunicadores ainda resmungavam suas divergências, e sem querer o microfone é aberto. Entre um palavreado aleatório, o irritado Chico Müller solta uma expressão bem chula que vai ao ar:

- Se o Anselmo for eleito, eu dou meu c* para o Camarguinho no dia seguinte!

Camarguinho (nome fictício) era um mendigo negro que vivia nos arredores e muito costumeiramente ia à porta da rádio para receber refeições e roupas (aqui e ali, também uma cachacinha), o que os radialistas e funcionários davam sem problema. Não tinha uma personalidade violenta e era infelizmente muito mais um "pobre coitado". Inclusive, em inúmeras ocasiões, davam-lhe banho também e faziam-lhe a barba. Foi nessas ocasiões de asseio pessoal, que muitos da rádio conheceram um aspecto peculiar da anatomia de Camarguinho: um descomunal órgão genital. A história virou brincadeira jocosa entre os funcionários da rádio que gozavam um a outro com expressões como "cuidado com o Camarguinho", "o Camarguinho vai te pegar", "tás esperando para dar banho no Camarguinho", etc.

Após essa explicação, os leitores compreendem que o Chico Müller havia feito um desafio que beirava ao absurdo porque, em sua mente, Anselmo Rodrigues era carta fora do baralho. Ou seja, ou ganharia seu preferido, Fetter Júnior, ou venceria Irajá Rodrigues, o principal rival. 

Mas, voltemos ao fato acontecido no programa. Após a gafe cometida por Müller, um envergonhado Rui Souza faz de conta que nada foi falado e tenta dar um ar sério ao debate. O programa segue até seu final, mas a infeliz fala de Chico Müller fica registrada na memória auditiva de muitos ouvintes em toda a Pelotas.

Chega o dia da eleição, a rádio faz a cobertura do pleito. Vem o momento da apuração que, naquela época, ainda com a votação em cédula de papel, acontecia somente no outro dia, era manual e os boletins parciais eram anunciados bem mais vagarosamente ao longo do dia. As rádios locais geravam a atenção dos ouvintes desde às oito horas da manhã até o fim da tarde e sempre com muita expectativa: "estão chegando as urnas da colônia!", "começaram a apurar as urnas das Três Vendas", "agora são urnas do Fragata e Guabiroba", e assim ia durante todo o dia. Cada parcial era acompanhada com muito interesse: "Fulano de Tal está na frente", "Beltrano está encostando", etc.

No fim da apuração das eleições municipais de Pelotas de 1988, o resultado é peremptório: o terceiro colocado nas pesquisas eleitorais, Anselmo Rodrigues, do PDT, surpreende e vence a eleição. Na rádio anunciam o resultado final e os vereadores eleitos, ainda à noitinha daquele dia. Chico Müller não estava no momento.

No outro dia, a rádio está em sua rotina normal e o Chico Müller inicia seu trabalho diário apresentando um programa a partir das dez horas da manhã em que abordava problemas da comunidade, recebia convidados e informava notícias dos bairros. Não deu outra! O programa começa e os telefones da rádio não param. Vários ouvintes da rádio, eleitores de Anselmo Rodrigues, entram no ar e soltam a pérola para o inconformado Chico:

- E o Camarguinho, Chico!? E o Camarguinho? O Camarguinho te mandou um abraço, hein, Chico! - entre outras provocações.

Foi o último programa de Chico Müller na rádio durante um bom tempo (parece que voltaria cerca de um ano depois a ter um programa no ar). A diretoria da rádio resolveu prudentemente transferir Chico Müller para a redação. Para não gerar mais problema. A aposta? Obviamente não foi paga, mas foi motivo de muita gozação nos corredores da rádio durante um bom tempo.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Manuel Dias de Abreu


"Médico e cientista brasileiro (1894-1962). Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1914; dois anos depois viajou para a Europa; foi diretor do Laboratório Central de Radiologia da Santa Casa de Paris. Regressando ao Brasil em 1922, passou a dirigir o Departamento de Raios X da Inspetoria de Profilaxia de Tuberculose, no Rio de Janeiro, onde aprofundou estudos de fotografia dos pulmões. Esses estudos culminariam na criação do processo de microrradiografia que leva seu nome: abreugrafia, reconhecida pela Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro em 1936 e hoje adotada em todo o mundo."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

A primeira colônia alemã no Brasil


"A partir de 1818, com a fundação da colônia Leopoldina no extremo sul da Bahia, uma história distinta e particular começava a ser contada neste estado: os primeiros contingentes de alemães eram estabelecidos em território brasileiro, caracterizando os esforços ainda tímidos do então governo real para atrair imigrantes europeus para o país. A literatura disponível sobre o tem dá conta de que o empreendimento de atrair imigrantes alemães (também suíços e outras etnias europeias) para o estado da Bahia, além de refletir os primeiros resultados da abertura dos portos promovida por D. João VI no início do século XIX, tornou-se viável também a partir do matrimônio do príncipe D. Pedro I com a arquiduquesa austríaca D. Leopoldina. A então futura imperatriz do Brasil emprestou seu prestígio aos principais entusiastas da ideia, alemães que já haviam estado no Brasil desde antes de sua chegada.

No entanto os assentamentos aqui referidos, na análise de autores como Roche (1969), Fouquet (1964), Schneider (1974), Seyferth (1999; 2002), não caracterizariam genuína colonização alemã, uma vez que ocorreram em sesmarias concedidas a empresários alemães, suíços e brasileiros. Não tinham o caráter de povoamento nos moldes verificados no Sul brasileiro e neles contava-se majoritariamente com mão-de-obra escrava para sua manutenção e desenvolvimento, sustentando as unidades produtivas que se organizaram neste modelo colonial. Estas iniciativas malograram em sua quase totalidade, as condições precárias em que se deram os assentamentos, condenaram os empreendimentos e, consequentemente, muitos dos imigrantes que deles fizeram parte. As iniciativas, vale recordar, malograram, não sendo possível verificar mais que traços destes empreendimentos no interior do estado da Bahia.

A primeira colônia, Leopoldina, assim denominada em homenagem à futura Imperatriz, foi estabelecida às margens do rio Peruípe, no extremo sul da Bahia; seus fundadores foram, segundo registros de Frederico Edelweiss, publicado em 1970, o cônsul de Hamburgo na Bahia, Pedro Peycke, os naturalistas Freyreiss e Morhardt, de Frankfurt-am-Main e os suíços Abraão Langhans e David Pasche. Os números divulgados por Tölsner, em 1858, informam que a atividade agrícola principal era cultura do café com uma produção estimada em 100.000 arrobas/ano, maior parte da qual exportada, lembrando que esta funcionou em um modelo de empresa, dividida em fazendas e contando com mão-de-obra escrava. Além disto, a preocupação em povoá-la com imigrantes pareceu ser algo secundário tendo em vista as precárias condições oferecidas por ocasião do assentamento dos imigrantes e de sobrevivência após a formação do núcleo. Os dados disponíveis pouco informam sobre os primeiros anos desta colônia, o que parece justificar a relativa pouca atenção de pesquisadores da imigração alemã no Brasil no que diz respeito a estas iniciativas. De todo modo, não está claro, apesar do evidente malogro, o período de existência desta colônia.

No mesmo ano de 1818, outra colônia foi implantada por Weyll e Saueracker, à margem esquerda do rio Cachoeira, entre Ilhéus e Itabuna, contando com 28 famílias (totalizando 161 indivíduos). Aparentemente sofrendo de males semelhantes àqueles verificados na colônia Leopoldina, a denominada São Jorge dos Ilhéus, teve seu destino selado por uma série de contratempos: ausência, de estrutura adequada para a instalação dos colonos, epidemias, fome e a incapacidade dos empresários e do governo provincial de auxiliar devidamente na solução dos problemas, resultaram em óbitos da maioria dos indivíduos e dispersão. A visita do príncipe Maximiliano da Áustria, em 1860, nos dá uma ideia aproximada do que se tornara esta colônia e seus colonos, cujos '[...] meninos magros, de cara pálida e descolorida, olhos azuis de miosótis, cabelo amarelo-pálido, arrepiados' e, ao tentar se comunicar com eles, Maximiliano não conseguiu evitar o 'sentimento de indignação' ao percebê-los 'totalmente brasileiros', já que não falavam a língua dos pais, motivo ao qual atribuiu a melancolia destes últimos e a 'secreta dor' que todos os imigrantes alemães pareciam carregar. E, foi mais além, ao concluir, à época, que '[...] não é de se admirar que nunca adquiram uma posição independente, em vez de dominarem, encontram-se numa espécie de coisa intermediária, entre escravos e homens livres'.

Não muito distante da colônia Leopoldina, estabeleceu-se por volta de 1822 a colônia Frankenthal, em terras de Georg Anton von Schäffer, que as adquirira com a intenção de fixar-se como colonizador. A administração ficou a cargo de um amigo, Philippe Henning, alemão de Wertheim. Apenas 20 indivíduos viviam nesta colônia em 1824. Após o afastamento de Schäffer da corte, em 1828, o oficial francônio teria ido viver seus últimos dias em Frankenthal.

Em 1859, em razão da criação da Imperial Companhia Metalúrgica do Ouro, destinada a explorar a mina de Açuruá - entre os rios Verde e São Francisco - foram trazidas 50 famílias, segundo Overbeck (1923), em um total aproximado de 150 indivíduos. Para chegar ao seu destino, segundo, Fouquet (1974), percorreram grande parte da distância (cerca de 500 km) desde São Félix, caminhando. A seca e as altercações ocorridas entre os imigrantes e a direção da companhia contribuíram para o rápido insucesso de mais esta iniciativa. Eram estes alemães provenientes de Klausthal e Zellerfeld, norte da atual Alemanha e não permaneceram por mais de dois anos na localidade onde se deu esta tentativa de assentamento; ali passou a existir, posteriormente, a vila que recebeu o nome de Gentio do Ouro, hoje município baiano."

Fonte: RABELLO, Evandro Henrique. Deutschtum na Bahia: a trajetória dos imigrantes alemães em Salvador. Salvador/BA: Dissertação de Mestrado em Antropologia, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, 2009, pág. 47-49.
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