domingo, 8 de julho de 2018

A loteria e o menino pagão


"Historia lugubre - Com este titulo narra o Correio Mercantil de Pelotas o seguinte facto:

<<Boiando aguas abaixo pelo rio S. Gonsalo, passaram dous cadaveres, um homem e um menino, pae e filho. Foram victimas da superstição, da ignorancia, dos contos populares, que nem sempre trazem o cunho da circumspecção e do bom senso, apezar de sanccionados pela tradicção.

<<E' uma historia compungente. Nas margens do S. Gonsalo, além desta cidade, vivia uma pobre famila. E nessa familia havia um menino que ainda não estava baptisado. O chefe sempre ouvira dizer que - si um pagão comprasse bilhete da loteria, tiraria a sorte grande.

<<Imbuido neste pensamento, dominado de ambição, metteu-se em uma lancha, com aquelle filho pagão e uma innocente filha. Chegaram a Pelotas e compraram tres bilhetes da loteria da provincia. Cada um tinha o seu.

<<E lá se foram, pae e filhos, em demanda do lar domestivo, enlevado aquelle pela fagueira esperança de conduzir comsigo a <sorte grande>.

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<<Na quarta-feira da semana passada regressava de Jaguarão o vapor Mirim. De bordo viu-se nas aguas do S. Gonsalo, vagando á tôa, uma lancha. Tinha a bordo uma gentil menina de tenra edade. Aproximaram-se e dirigiram-lhe a palavra:

<<- que fazes aqui sózinha? - Espero o papae. - Onde foi? - Buscar o maninho. - Aonde? - Aqui.

<<E apontou para a agua junto á lancha. Comprehendeu-se tudo. O menino tinha cahido e o pae fôra buscal-o. Morreram ambos.

<<Tratou-se de os procurar, porém foi em vão todo o trabalho.

<<Veiu a menina para esta cidade e no domingo seguiu para a sua residencia.

<<Os dous cadaveres passaram hontem aguas abaixo pelo rio S. Gonsalo.

<<Eis as consequencias da superstição e da ignorancia.>>

Depois de escriptas estas linhas, tivemos as seguintes informações:

<<O infeliz pae era vulgarmente conhecido por Antonio da Paulina, portuguez, e empregava-se como porteiro do Sr. Jacintho Antonio Lopes. O filho que com elle perreceu afogado tinha dous annos incompletos, e a menina salva pelo vapor Mirim dez annos de edade.>>"

Fonte: O MONITOR (BA), 29 de Agosto de 1878, pág. 01, col. 07-08


sábado, 7 de julho de 2018

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira


"Brasileiro, 1910-1989, filólogo

Aurélio, no Brasil, virou sinônimo de dicionário, como Webster nos EUA, ou Caldas Aulete em Portugal. O contista, poeta e tradutor Aurélio Buarque de Holanda Ferreira passou a dedicar-se aos dicionários, a 'caçar palavras, como um caçador de borboletas', como dizia, a partir de 1952, quando assumiu a coordenação da revisão do Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa, que fora editado pela Civilização Brasileira em 1941. Aurélio era encarregado dos brasileirismos, a língua viva. Em 1966, começou a elaborar um grande dicionário para a editora Delta, que não foi adiante, e o projeto foi comprado pela editora Nova Fronteira em 1970, que o ampliou e nele aplicou US$ 1,5 milhão. O dicionário tornou-se o maior best-seller da editora, o mais popular dos dicionários de português, teve uma segunda edição acrescida de 30 mil vocábulos, 25 impressões, edições escolares e de bolso, uma versão para microcomputador e foi exportado para Portugal e países africanos de língua portuguesa. Aurélio nasceu em Passo do Camarajibe, Alagoas, e tem parentesco com os Buarque de Holanda de São Paulo. Em 1961 entrou para a Academia Brasileira de Letras".

Fonte: ISTO É/THE TIMES. 1000 que fizeram o século 20. São Paulo: Editora Três, 1999, p. 41

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Inauguração da Placa em homenagem ao Dia do Poeta Leonense






Camillo Barcellos (filho do poeta homenageado Florisbello Garcia Barcellos) agradece à homenagem e tece algumas considerações - à direita
Glei Rodales (vereador proponente da lei do Dia do Poeta Leonense em Capão do Leão) - à centro-direita
Gustavo Domingues (secretário de Educação e Cultura) - à direita
Gilciane Saens Baldassari (vice-prefeita de Capão do Leão) fala da importância do monumento
Éverson Maré (diretor municipal de Cultura, Desporto e Turismo) ao centro
Pedra com a placa em homenagem ao Dia do Poeta Leonense, pouco antes do começo da cerimônia de inauguração
Jairo Costa (presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Capão do Leão) e Carlos Eugênio Costa da Silva (popular "Vacaria") momentos antes do início da cerimônia de inauguração da placa em homenagem ao Dia do Poeta Leonense - 05 de julho



Anhanguera


"Nome por que ficou conhecido o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o primeiro a penetrar os sertões de Goiás, em 1682. Notabilizou-se pelo ardil de que valeu para forçar os indígenas a lhe revelarem o local de uma jazida de ouro: pôs fogo a uma porção de aguardente, ameaçando incendiar os rios de toda a Terra se os índios se negassem a obedecê-lo. Os silvícolas, amedrontados, viram no artifício artes de outro mundo e lhe puseram o nome de Anhanguera, que quer dizer Diabo Velho. Houve um segundo Anhanguera, filho deste Bartolomeu Bueno da Silva e também bandeirante: fundou a cidade de Goiás, no atual Estado do mesmo nome."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Pelotas em 1888


"A Cidade de Pelotas. - Até o mez de Setembro do anno findo existiam na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, 3,946 edificios, havendo mais 76 em construcção.

Por esta estatistica official, conta hoje a cidade de Pelotas 4,022 predios em 6,000 fogos, o que composta, a razão de 5 pessoas por um, população superior a 30.000 habitantes.

Em 1870 havia apenas 2.000 predios e 12.000 habitantes.

A mesa provincial arrecada annualmente 65:019$400 de imposto de decimas urbanas."

Fonte: CEARENSE (CE), 11 de Fevereiro de 1888, pág. 01, col. 04

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O Namoro de Bufarinheiro


"Uma vez que, na Idade Moderna, erótico designava 'o que tivesse relação com o amor', como essa definição se materializaria em práticas? Há registros de estratégias de sedução que soariam pouco familiares e mesmo pueris aos olhos de hoje. É o caso do 'namoro de bufarinheiro', descrito por Júlio Dantas, corrente em Portugal e no Brasil, ao menos nas cidades. Consistia em passarem os homens a distribuir piscadelas de olhos e a fazerem gestos sutis com as mãos e bocas para as mulheres que se postavam à janela, em dias de procissão, como se fossem eles bufarinheiros a anunciar seus produtos. É também o caso do 'namoro de escarrinho', costume luso-brasileiro dos séculos XVII e XVIII, no qual o enamorado punha-se embaixo da janela da moça e dizia nada, limitando-se a fungar à maneira de gente resfriada. Caso a declaração fosse correspondida, seguia-se uma cadeia de tosses, assoar de narizes e cuspidelas. Escapa-nos, sobremaneira, o apelo sedutor que os tais 'escarrinhos' poderiam ser naquele tempo, mas sabe-se que até hoje, no interior do país, o namoro à janela das moças não desapareceu de todo."

Fonte: DEL PRIORE, Mary. História íntima. São Paulo: Planeta do Brasil, 2011, pág. 45-46.

terça-feira, 3 de julho de 2018

A Nobreza Gaúcha - Parte 03


" - Visconde de Serro Alegre
João da Silva Tavares.

Nasceu em Erval, RS, em 1792, e morreu em Bagé, RS, em 1872.
Militar, combateu contra os farroupilhas no Rio Grande do Sul. Deputado e estancieiro. Já perto dos 70 anos, combateu na Guerra do Paraguai.
Pai do Barão de Itaqui e do Barão de Santa Tecla.
Recebeu o título de Barão, em 1866, e o de Visconde, em 1871, de Dom Pedro II.

- Visconde de Serro Azul
João Antônio Pereira Martins.

Nasceu em Ponte Lima, Portugal, no ano de 1768, e morreu em Pelotas, RS, em 1847.
Foi o maior latifundiário de toda a história do Rio Grande do Sul.
Suas estâncias começavam em Piratini e Bagé, entrando pelo Uruguai adentro. Por isso, podia ir do Rio Grande do Sul até Montevidéu viajando pelas suas terras.
Participou das lutas da Banda Oriental (Uruguai) e Guerra Cisplatina. Foi ferido na Batalha do Passo do Rosário, onde morreu o Barão de Cerro Largo.
Colaborava com obras de caridade e contribuía para comprar armas.
Recebeu o título, em 1826, de Dom Pedro I.

- Visconde de Serro Formoso
Francisco Pereira Machado.

Nasceu em Rio Pardo, RS, no ano de 1806, e morreu em Porto Alegre, RS, em 1888.
Comandante da Guarda Nacional. Grande proprietário. Durante a Guerra do Paraguai mandou para a luta os quatro filhos e cinquenta escravos.
Durante a campanha abolicionista, libertou todos os seus escravos.
Barão em 1872, Visconde em 1885, títulos recebidos de Dom Pedro II.

- Barão de Três Serros
Aníbal Antunes Maciel.

Nasceu em Pelotas, RS, em 1838, e morreu em 1887, na mesma cidade.
Grande proprietário.
Membro de destaque na sociedade pelotense. Advogou muitos anos.
Recebeu o título, em 1884, de Dom Pedro II.

- Barão de Viamão
Hilário Pereira Fortes.

Nasceu em Rio Pardo, RS, em 1810, morreu em Cachoeira do Sul, RS, em 1889.
Foi grande proprietário e Coronel da Guarda Nacional.
Recebeu o título de Dom Pedro II, em 1871.


Fonte: BELLOMO, Harry Rodrigues. A Nobreza Titulada Gaúcha. In: NEUBERGER, Lotário. RS no contexto do Brasil. Porto Alegre: CIPEL/EDIPLAT, 2000, p. 219-221.
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