sábado, 3 de outubro de 2015

As estâncias de gado bovino no Rio Grande do Sul no século XIX

Trecho extraído de: SANTOS, Corcino Medeiros dos. Economia e sociedade do Rio Grande do Sul - século XVIII. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1983, p. 85.


"Em 1811, o município do Rio Grande possuía 746 estâncias que contavam com um rebanho de 1.298.379 cabeças de gado de rodeio com uma produção anual de 204.865 reses. Se considerarmos que o rebanho declarado em 1787 era 639.164, concluímos que no espaço de 24 anos o rebanho gaúcho pelo menos triplicou.

  Pelos informes de 1859, Bagé apresentava o maior número de estabelecimentos rurais (260), declarando um rebanho de 66.455 reses. Seguia-se Jaguarão, com 239 estâncias povoadas e 531.640 vacuns." O Rio Grande ocupava o terceiro lugar com 89 estâncias lotadas com 289.000 cabeças. Vinham a seguir Piratini, com 63 estâncias e 35.210 bovinos; Canguçu com 51 estâncias e 61.129 cabeças; e Pelotas com 44 estâncias e 59.600 cabeças de gado vacum."

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Mapa da Faixa de Fronteira no Brasil de 1941

O mapa, na ocasião elaborado pelo Conselho Nacional de Geografia do IBGE, inclui a região da zona sul do estado do Rio Grande do Sul, consequentemente, hoje, o município de Capão do Leão.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Vento Minuano

Trecho extraído de: SOUZA, Bernardino José de. Dicionário da Terra e da Gente do Brasil. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1939, p. 257-258.

"Minuano: nome de um vento frio e seco, vindo do sudoeste, e que sopra violentamente no inverno. É oriundo dos Andes, e, por passar na região primitivamente habitada pelos ameríndios Minuanos,tomou esta designação. Segundo alguns o nome provém da sua fereza, semelhante à dos Minuanos, destemidos selvícolas. Segundo Callage, "esse vento é quase sempre sinal de bom tempo, pois só costuma soprar depois de muitas chuvas e temporais nos meses de julho e agosto. Recebido de frente, nas coxilhas e escampados, o minuano é navalhante, cruelmente frio. O gaúcho recebe-o, porém, com satisfação, adivinhando nele duros dias de inverno, mas de tempo firme e seco. O minuano é hoje um símbolo do Rio Grande, um admirável preparador de resistências". Entretanto, temos uma informação do Prof. Alberto Rodrigues, de Pelotas, de que o minuano já é hoje raro, tão mudado está o clima do Rio Grande do Sul. Procedente dos Andes, as suas primeiras rajadas, segundo o mesmo informante, sopram em maio, ao entrar do inverno. "Entre um e outro havia, entretanto, uma diferença desse tamanho, na resistência física, na maneira como era recebido o saudável minuano das quebradas, alma errante das velhas energias da raça que por aí anda assoprando destemor ao homem, encorajando-o e fortalecendo-o para a luta" (Roque Callage Quero-Quero, pág. 113).


   Minuano sujo: além do vento minuano propriamente dito, há o que designam por este nome, que é aquele que traz consigo uma impertinente chuva fina e miúda, contra a qual, diz o Pe. Geraldo Pauwells, nosso informante, meia duzia de guarda-chuvas não protegem. Lemos também uma referência ao minuano sujo num artigo sob o título "O mato protetor dos animais", publicado na edição do Correio do Povo de Porto Alegre de 26 de janeiro de 1928: "Este é o quadro que se apresenta na campanha nos dias em que o minuano sujo fustiga, com a sua chuva glacial, semelhante à saraivada fina, os animais que não podem fazer outra cousa senão aguentá-la, inermes e estoicos em sua paciência. Um pouco melhor torna-se a situação para o gado, quando o minuano claro varre os campos, apesar de o gado nesses dias, ainda assim, sofrer muito com o frio seco". Vê-se nesta citação que o gaúcho distingue o minuano sujo e o minuano claro, sendo que este parece ser o próprio minuano, vento frio e seco, como o caracterizam todos os vocabularistas do Rio Grande."

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Papa-areia e Papa-sebo

Trecho extraído de: SOUZA, Bernardino José de. Dicionário da Terra e da Gente do Brasil. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1939, p. 297.


"Papa-areia: alcunha dada aos habitantes da lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, pelos filhos da cidade de Pelotas, por eles denominados — papa-sebo.
(...)

Papa-sebo: alcunha jocosa que os habitantes das margens da lagoa dos Patos dão aos pelotenses; certamente por motivo das charqueadas (Cornélio Pires — Meu Sambará — pág. 22)."

domingo, 27 de setembro de 2015

Modelo de Brasão do município de Capão do Leão usado entre 1984 e 1988

Usado em documentos oficiais como timbre, percebe-se que ele busca adaptar graficamente os elementos presentes no brasão oficial. Devemos compreender, sobretudo, que naquela época não havia os recursos de desenho gráfico que temos atualmente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Os doces de Pelotas na mesa de Dom Pedro II

Trecho extraído de: CALMON, Pedro. Princesa Isabel "A Redentora". Rio de Janeiro: Companhia Editora Nacional, 1941, p. 55.

Nota do autor do blog: curioso registro da presença dos doces pelotenses na visita do Imperador Dom Pedro II à Caçapava, um dos seus destinos de viagem, logo após a eclosão da Guerra do Paraguay, quando sua Majestade Imperial veio ao Rio Grande do Sul. Isso aconteceu em 1865, o que indica que já naquela época os doces produzidos em Pelotas possuíam alguma fama, a ponto de se dizer que "resplandeciam" sobre a mesa farta.


 "Foi em 15 de agosto que chegou a Caçapava, unindo-se ao Imperador.
   O contraste de temperamentos começou aí a definir-se.
   Com a independência de sua observação de forasteiro o príncipe espantava-se dos erros, achava a guerra desordenada, arrepelava-se de surpresas tristes.
   D. Pedro II não tinha tempo para divagações: mandava, concitava, corrigia - de chapéu desabado, o "poncho" agaloado sobre os ombros, de botas altas como um gaúcho loiro e enorme a quem os capitães guascas, de chilenas retinindo na estrada, saudavam com assombro.
   Hospedara-o um deles com fartura de mesa em que resplandeciam os doces de Pelotas, os manjares finos... O Imperador, que tinha fome, pediu feijão e carne. Explodiu a surpresa do súdito: - Que! Pois vossa majestade come carne?! Disseram-me que as pessoas reais só se tratavam a bicos de rouxinol e doces e pasteizinhos... Porque não disse antes, senhor?... Com trezentos diabos!... Ora esta!..." E serviu-lhe o churrasco.
"

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