segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Coronel Maneca Pedroso



"Coronel Pedroso

(Do Diario Popular de Pelotas)

Na medonha hecatombe do Rio Negro, cilada covarde armada á lealdade do inclyto Izidoro, desappareceu o intemerato coronel Manoel Pedroso de Oliveira, homem generoso e de uma nobreza extraordinaria de caracter.

Como guerreiro, era temido pelos adversarios, que lhe recordavam o nome assombrados e tremulos, e era o idolo de seus soldados, que o acompanhavam confiantes nas mais temerarias emprezas.

Esta phrase que irrompia do peito de seus concidadãos era o seu mais brilhante padrão de gloria:

'Maneca Pedroso é a alma da campanha do Sul...'

E realmente era: um gesto seu reunia massas compactas de soldados destemidos; um grito de guerra que seus labios proferissem era o signal certo da derrota do inimigo.

Tal era o poder d'aquella voz electrisadora, que dava animo aos soldados e os conduzia á victoria.

Os inimigos traidores viam de longe o prestigio enorme que aureolava a figura altiva do gigante da nossa campanha e encolhiam-se assustados, tremendo, nos seus ninhos de abutres, sem coragem de atacal-o siquer.

Até Gomercindo Saraiva, o torvo assassino de Curral de Arroios, o ousado chefe da malta de degolladores que infestou este Estado, quando ouvia fallar no grande gaúcho de Piratiny, mudava de conversa, dizendo que seu desejo era nunca se encontrar com esse republicano.

O chacal tinha mêdo do leão."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 13 de Março de 1894, pág. 01, col. 02

domingo, 2 de janeiro de 2022

O Sete-Saco

 



Por Cláudia Regina Kawka (professora em Curitiba/PR)

Uma das maiores dificuldades para os imigrantes eslavos que vieram para a Gleba Orle, no Norte do Paraná, era o problema da comunicação. Como fazer para que os brasileiros conseguissem compreender o que eles queriam? Realmente não era fácil. Mas o mesmo problema ocorria com os brasileiros que queriam falar com os poloneses e ucranianos. Era difícil conseguir pronunciar os nomes e sobrenomes dos estrangeiros! Cada nome complicado!

Certa vez apareceu no sítio de um imigrante polonês um senhor brasileiro procurando um tal de Sete-Saco.

- Quem mesmo o senhor está procurando? - perguntou o imigrante.

- Estou procurando o Sete-Saco.

- Que saco? O senhor deixou algum saco aqui?

- Não. Eu quero falar com o Sete-Saco.

- É homem ou mulher?

- É homem.

- E como é o nome dele?

- É Sete-Saco, ué! E ele mora num desses sítios.

Depois de muito pensar, o imigrante percebeu que a pessoa com quem ele queria falar era o Szewczak!

Outra história engraçada aconteceu quando um polonês foi comprar alho na venda. Ele chegou lá e só viu cebolas penduradas, e nada de alho. O vendeiro, vendo que o estrangeiro estava procurando alguma coisa, logo perguntou:

- O senhor está querendo comprar o quê?

- Acho que aqui não tem o que eu quero.

- Mas o que é? É cebola?

- Não sabendo como dizer "alho" em português, ele tentou explicar à sua maneira:

- Eu quero é o "irmão da cebola"...

O vendeiro entendeu e trouxe para o alho procurado!

Fonte: CORREIO RIOGRANDENSE (Caxias do Sul/RS), 21 de Junho de 1995, pág. 15

sábado, 1 de janeiro de 2022

Os índios da Aldeia dos Anjos

 



(...) Dois mil desses índios se juntam perto de Rio Pardo. Resolveu-se abrigá-los. Escolheu-se uma localidade bem situada, num lugar alto - Gravataí, que é fundada em 08 de abril de 1763, a 33 quilômetros de Porto Alegre. Lá se estabelecem mais de mil índios. Constrói-se igreja, casas, cemitério...Para alimentá-los, determinou-se uma fazenda muito grande entre Palmares e São Simão.

Eram índios que vinham das missões, educados pelos jesuítas. Em Gravataí continua o processo jesuítico: terras comuns, caixa comum, etc. Cria-se um colégio para meninos, um recolhimento para meninas e um serviço pelo qual os índios aprendem a ser lavradores.

Em casa, esses índios falavam guarani, mas no colégio, os meninos e meninas só podiam falar o português, pois as autoridades queriam que eles esquecessem a sua língua, a guarani. Não se sabe o motivo desta obrigação. Apenas se deduz que seja por motivo de integração portuguesa. Aliás, precisaríamos saber se esta política não era de âmbito nacional.

Parece que os portugueses não conseguiram integrar os índios. Eles fugiam para a campanha, onde encontravam trabalho nas estâncias. Iam para as missões e de lá voltavam. Casavam e descasavam. Dizia-se que eram maus cristãos.

Com tantos índios em Gravataí não temos descendentes com os seus sobrenomes, porque as autoridades o obrigavam a adotar sobrenomes portugueses, como está amplamente referido neste livro. Vejamos um exemplo: o cacique Poty virou Narciso de Souza Flores. A família Carabauy deu origem a Dionísio Pereira, Dorotéia da Silva, Miguel Morais, Miguel Luiz Correa. A família Mandarica deu origem a Aniceto Pereira, Joana Maciel, Pedro de Oliveira, Filuta Maciel, etc. A família Nensum deu origem a Inácio Borges Pimenta, Maria Salomé, Lugência Borges Pimenta. A família Cunumipa origem a Inácio Xavier Cavalcanti, Maria Cavalcanti, etc. A família Ayecatu deu origem a João de Alencastre e Antônio de Alencastre...

Como havia dois colégios, também havia dois regulamentos, com suas diferenças e semelhanças. As crianças levantavam cedo e logo almoçavam. Ao meio-dia jantavam e à noite ceavam. Eram costumes diferentes. As moças eram tiradas para casar.

Os índios podiam ter seu trabalho, cujo salário era fixado pelas autoridades. Assim, um índio carreteiro recebia 3$000 por mês; um índio domador, 3$600 por mês; uma índia para servir em casa, 3$800; uma índia ama-de-leite, 3$000.

Deviam ser castigados os que tratassem os índios como escravos, com açoites ou castigos semelhantes.

As autoridades da aldeia eram eleitas. Havia corregedor, escrivão e meirinho.

Fonte: CORREIO RIOGRANDENSE (Caxias do Sul/RS), 10 de Outubro de 1990, pág. 08

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Feliz Ano Novo 2022!


Um Feliz Ano Novo de 2022 a todos os leitores, seguidores e colaboradores do blog. Desejamos um ano de muitas realizações, saúde e paz! Gratidão por nos acompanhar sempre!

 

Vila Nova, Porto Alegre

 



Para quem passa por Porto Alegre, ou vive na capital gaúcha, é difícil imaginar que a cidade já tenha abrigado um dos mais autênticos redutos da imigração italiana no Rio Grande do Sul. Um lugar onde se cultivaram parreirais, onde durante muito tempo se falou o dialeto vêneto, e onde foram realizadas pequenas Festas da Uva, muito antes deste conhecido evento ter subido a Serra Gaúcha. Tudo isso se passou na localidade de Vila Nova D'Itália, hoje um bairro de Porto Alegre.

A história de Vila Nova começa no ano de 1897. O imigrante italiano Vicente Monteggia, agrimensor e renomado técnico em construção de estradas, deixa a colônia de Alfredo Chaves (hoje Veranópolis) e se estabelece nos arredores de Porto Alegre, a convite do intendente José Montaury de Aguiar Leitão. Monteggia compra vinte hectares de terra e funda a colônia Vila Nova D'Itália.

A terra mostrava-se boa para o cultivo de uvas. Monteggia estimula a vinda de novas famílias do Norte da Itália e constrói um moinho de farinha de milho, aproveitando as águas do arroio Cavalhada. "A construção do moinho torna-se um fator de progresso para a vila, que passa a abastecer Porto Alegre", dia Lia Monteggia, neta do fundador de Vila Nova. Em pouco tempo, a localidade torna-se um centro de italianos, com vida própria. 

O mesmo fator de desenvolvimento da pequena colônia, no entanto, se encarrega de isolá-la nas décadas seguintes. O avanço da metrópole de Porto Alegre sufoca Vila Nova. Distante das demais colônias italianas do Estado, o povoado acaba perdendo suas referências culturais.

Hoje, pelas ruas do bairro Vila Nova, são tênues os traços de uma imigração outrora tão visível. Do dialeto restou apenas um leve sotaque. Do moinho construído por Monteggia ainda resistem alguns mecanismos de madeira. Outros sinais podem ser vistos no estilo da igreja e em duas casas: uma, de pedra, outra, decorada com lambrequins, ao melhor estilo da arquitetura colonial italiana.

Além destas marcas, restam apenas os sobrenomes italianos inscritos nas lápides do cemitério de Vila Nova.

Fonte: CORREIO RIOGRANDENSE (Caxias do Sul/RS), 11 de Junho de 1997, pág. 07

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Bolinhas de gude


 ...na região do Minho, antiga província no norte de Portugal, havia pedrinhas redondas e lisas às quais as pessoas chamavam "godes". Com o tempo, os minhotos foram fechando a boca e passaram de "gode" para "gude". Quando por lá chegou o jogo de bolinhas de vidro que correm no chão, o povo não teve dúvida: chamou de "bolinha de gude", o que é quase "bolinha de bolinha", mas tudo bem. O nome se espalhou por Portugal, de lá veio para o Brasil.

Fonte: DE SANTI, Alexandre & VAN DEURSEN (edição).Oráculo. São Paulo: Abril, 2014, pág. 23

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Sobrenomes Poloneses - Parte 54

 



1326. Grocholski - sobrenome toponímico relativo aos seguintes locais: Grocholice, anotado nos antigos condados de Szubin, Turek, Piotrków, Opatów e Sandomierz; Grocholy, no antigo condado de Sochaczew.

1327. Grochowalski - sobrenome toponímico referente a Grochowalsk - topônimo perdido que se encontrava outrora próximo a Bidgoszcz.

1328. Grochowski - sobrenome toponímico relativo aos seguintes lugares: Grochowo, verificado nos antigos condados de Varsóvia, Sokolowski, Turek, Kutnow, Maryampolski, Dzisienski e Rzeczyca; Grochowa, observado nos antigos condados de Zabkowicki e Grójecki; Grochowe, anotado nos antigos condados de Mielec e Trzebnica; Grochowy, no antigo condado de Konin.

1329. Grochulski - sobrenome com duas acepções possíveis: um tipo de chocalho de madeira pendurado no pescoço do gado; uma mistura de diferentes tipos de ervilhas (ou grãos, genericamente) vendida por preço baixo em tempos idos.

1330. Grod, Grodkiewicz, Grodzielik - sobrenome patronímico do nome eslavo Grodzislaw.

1331. Grodkowski - sobrenome toponímico relativo a diversos lugares na Polônia com as denominações de Grodków, Grodkowo, Grodkowice e Gródki.

1332. Gromacki - sobrenome toponímico relativo aos seguintes lugares: Gromada, vila e feudo outrora na freguesia de Bilgoraj, comuna de Puszcza, condado de Bilgoraj; também Gromadki, nas mesmas localidades citadas anteriormente.

1333. Gromny, Gromula, Gromysz - sobrenome metonímico que tende a significar enorme, grande, alto. Porém, pode também corresponder a barulhento, trovejante, estrondoso, chocante.

1334. Gron, Gronek - sobrenome que significa verde, mas pode ser estendido sem contradição para clareira, prado, área verde em espaço rochoso, montanha verdejante.

1335. Grondek - um lugar elevado e seco entre áreas pantanosas; solo mormente mais seco numa região úmida.

1336. Gronicki - cogumelos, porém mais acertadamente um toponímico relativo à aldeia de Gronitta (nome alemão Gronitten), no antigo condado de Olsztyn.

1337. Gronkowski - cachos (de uva, de fruta), bagas, videira. Mais provavelmente um toponímico referente à aldeia de Gronków, no antigo condado de Nowy Targ, e à aldeia de Górce, no antigo condado de Varsóvia.

1338. Gronostajski - arminho (animal), porém mais acertadamente um toponímico relativo a Gronostaje-Puszcza, aldeia no antigo condado de Łomża.

1339. Gronowski - sobrenome toponímico relacionado ao nome de local Gronowo, duas antigas vilas nas proximidades de Lidzbark.

1340. Gronowski (2a. vertente) - sobrenome toponímico relacionado a Gronów, no antigo condado de Sieradz, Gronowice, no antigo condado de Olesina, e Gronowo, nome de aldeia percebido nos antigos condados de Torun, Lubawa, Licbarski, Malbork, Elblag e Zadzbourski.

1341. Gropp - sobrenome toponímico relativo a Gropp (ou Grapa), uma antiga localidade na Silésia.

1342. Gros - sobrenome patronímico hipocorístico dos nome eslavos Grodzislaw e Gromislaw; também um patronímico do nome alemão arcaico Grausus; um metonímico para gordo, grande, avantajado.

1343. Grosendorf, Grossendorf, Grossendorff - sobrenome toponímico relativo à aldeia de Grossendorf, no antigo condado de Lidzbark.

1344. Gross - gordo, grande, avantajado; bruto.

1345. Grot - bulboso; pico volumoso de uma montanha que é difícil de contornar; pessoa cuja cabeça grande e pontuda e corpo magro assemelhasse a uma lança.

1346. Grotek - sobrenome silesiano para vendedor de lâmpadas, lamparinas; ou por extensão, o artesão que fabrica este tipo de produto. Também pode corresponder ao item anterior.

1347. Gröten - sobrenome associado aos dois itens anteriores, porém também pode ser um matronímico para Margaretha. Ainda, também se assemelha a uma palavra para gruta, caverna no baixo-alemão.

1348. Growe - sobrenome patronímico do nome alemão dialetal Growe (significa crescido, enaltecido, que se amplia).

1349. Groz - sobrenome patronímico curto do nome eslavo Grodzislaw.

1350. Gruca - corresponde a um cereal, porém dependendo da região, o termo foi usado para aveia (Avena L.) ou para trigo-sarraceno (Fagopyrum esculentum). Corresponde a um metonímico para um agricultor que cultiva um destes dois cereais. Também pode ser um toponímico relacionado à aldeia homônima que outrora existira próxima ao antigo condado de Vilnius.

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