História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2021
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
Ded Moroz - o Papai Noel da Rússia
A Rússia e outros países eslavos, particularmente na Europa Oriental, têm sua própria versão do Papai Noel, chamado Ded Moroz.
Ded Moroz é muito semelhante em muitos aspectos ao Papai Noel, mas pode ser muito diferente. Por exemplo, Ded Moroz carrega um bastão e usa uma longa barba branca. Sua roupa às vezes é vermelha, mas na maioria das vezes é azul. Ele usa botas altas de valenki (espécie de bota tradicional de feltro) para protegê-lo do frio. Em vez de oito renas, Ded Moroz emprega três cavalos que conduzem sua troika (trenó) russa. Os presentes são entregues no Ano Novo em vez de ser no Natal, um resquício da preferência soviética por feriados seculares, em oposição ao antigos feriados religiosos. Em vez do Pólo Norte, o Ded Moroz tem sua morada oficial numa propriedade na cidade russa de Veliky Ustyug, região de Vologda.
O Ded Moroz remonta à mitologia eslava, onde era conhecido como Pai Gelo, Avô Gelo ou Morozko. No folclore popular de antanho, ele era uma espécie de espírito das neves, descrito como "um poderoso herói e ferreiro que acorrentava a água com suas nevascas de 'ferro". Também dizia-se que, ao invés de dar presentes, na verdade, ele sequestraria crianças e só as devolveria quando seus pais lhe dessem presentes.
Sob influência da Igreja Ortodoxa e de escritores russos do século XIX (aproximadamente por volta de 1840), Ded Moroz foi convertido numa figura mágica mais gentil e menos bárbara que, ao invés de sequestrar crianças, lhe dá presentes na véspera do Ano Novo.
Com o sucesso da Revolução Bolchevique de 1917, Ded Moroz foi totalmente banido por ser considerado "burguês" e um mito prejudicial à educação das crianças. Todavia, durante o governo de Josef Stálin, em meados da década de 1930, Ded Moroz foi reabilitado como figura infantil que trazia presentes na véspera do Ano Novo. Curiosamente, para diferenciá-lo do Papai Noel ocidental (o Santa Claus da tradição norte-americana), os soviéticos preferiram retratá-lo na cor azul. Além disso, também em contraste ao seu rival capitalista, Ded Moroz não é gordo e rechonchudo, porém representado de forma mais esguia e com um comportamento mais viril.
Usado como parte da propaganda soviética durante o regime stalinista, Ded Moroz era visto visitando crianças em toda a União Soviética na véspera do Ano Novo, distribuindo presentes e terminando sua palestra com a inevitável pergunta: "Para quem temos todas coisas boas em nossa sociedade socialista?" Ao que, dizem, as crianças respondiam em coro: "Stálin!"
De acordo com a tradição, Ded Moroz tem cerca de 2000 anos e celebra seu aniversário em 18 de novembro. Sempre aparece com seu bastão, que é feito de prata ou cristal. As crianças devem esperar seus presentes debaixo de um abeto (considerada a árvore de Ano Novo). Ele tem uma assistente, que na realidade é sua neta, Snegurochka (pode ser traduzido como Donzela das Neves), acompanhando-o em suas visitas às crianças.
Com o colapso da ex-União Soviética em 1991, a tradição do Ded Moroz foi completamente abandonada em países da Europa Oriental e ex-repúblicas soviéticas, com a maioria criando versões próprias de um personagem natalino, baseadas em suas próprias tradições, ou simplesmente aderindo ao Papai Noel do Ocidente. Mesmo na Rússia, como era um personagem ainda associado ao período comunista, houve um pequeno período de descrédito da tradição, porém o Ded Moroz foi reabilitado a partir dos anos 2000, agora dissociado da ideologia política e tratado mesmo como um personagem folclórico. Na verdade, mesmo com suas peculiaridades, o Ded Moroz recebeu alguma influência recente do Papai Noel, representado mesmo com um ar mais gentil e bonachão e passando usar o vermelho de forma mais comum.
Fontes adaptadas:
https://magazines.gorky.media/oz/2003/1/ded-moroz-i-snegurochka.html
quarta-feira, 22 de dezembro de 2021
Povo Novo, Rio Grande/RS
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
Nigromancia em Pelotas do século XIX
segunda-feira, 20 de dezembro de 2021
A Escravidão nas Charqueadas
Há uma unanimidade sobre a larga e fundamental utilização do trabalho escravo nas charqueadas. Isto pode ser observado nos relatos de cronistas e viajantes do século passado, nos relatórios e correspondências oficiais e nos inventários post-mortem. Conforme indicam os inventários, as maiores concentrações de escravos estavam justamente nesses estabelecimentos. Estudiosos do assunto, como Mário Maestri e Fernando Henrique Cardoso, chegam a afirmar que a escravidão era fundamental principalmente nessas indústrias da carne.
A técnica de charquear a carne bovina é conhecida na região do Prata desde o século XVII, pelo menos segundo uma indicação do padre jesuíta Antônio Montoya sobre uma exportação desse produto feita por Buenos Aires, em 1603. No Rio Grande do Sul, as primeiras indústrias de certo porte surgiram no final do século XVIII, em Pelotas. O ano de 1780 é dado como o de início do desenvolvimento dessa atividade, que se tornaria a mais importante atividade econômica do Sul até fins do século XIX.
Estudos bastante complexos e atualizados sobre as charqueadas foram realizados pelos historiadores Mário Maestri e Berenice Corsetti, além do clássico trabalho de Fernando Henrique Cardoso. Por se tratar de uma indústria de caráter mais urbano do que rural, vamos nos limitar a algumas análises que nos parecem importantes para o conjunto deste estudo. Destacamos a alta concentração de escravos nestes estabelecimentos e o grau de especialização do trabalho existente. Tomemos, como exemplo, o inventário da charqueada do Coronel Thomaz José de Campos, de 1851, no qual consta 66 escravos divididos segundo as seguintes profissões: 3 campeiros; 15 carneadores; 3 salgadores; 17 serventes; 13 marinheiros; 2 cozinheiros; 2 carpinteiros e 10 pedreiros. Essa especialização dos trabalhadores é também observada em outros inventários e até no Relatório de Louis Couty.
No estudo de Berenice Corsetti, os escravos chegam a atingir até 34% do valor do inventário de uma charqueada, em 1862. A média de escravos por charqueada é de 64, alcançando 158 no caso da empresa do Barão do Butuhy. Um levantamento organizado pela autora, a partir de inventários do período 1827-1881, revela que os charqueadores possuíam escravos com vinte e seis profissões diferentes. Com essa constatação, a autora questiona a tese da impossibilidade da divisão técnica do escravismo defendida por Fernando Henrique Cardoso.
Após o final do tráfico de escravos, as charqueadas passaram a empregar cada vez menos mão-de-obra escrava. Berenice Corsetti afirma que, na década de 1860, os escravos já não tinham a mesma importância anterior para a indústria do charque. Mário Maestri chama atenção para a diminuição dos escravos de uma charqueada de Jaguarão, que em 1868 contava com apenas 21 cativos contra os 60 e 80 encontrados nos anos anteriores em estabelecimentos semelhantes. Estas afirmações coincidem com o movimento geral observado na província no sentido de utilização de mão-de-obra livre.
Louis Couty analisa esta tendência de substituição do trabalho escravo nas charqueadas de Pelotas. Segundo o autor, os charqueadores compreendiam as dificuldades da mão-de-obra escrava diante dos concorrentes do Rio da Prata e tratavam de contratar trabalhadores livres, num processo de substituição gradativa. Desse modo, os homens livres eram contratados para as tarefas mais importantes, pois, conforme explicação de Couty, a mistura de operários livre e escrava gerava múltipla inconveniente. Uma alternativa à falsa de operários livres era o pagamento aos próprios escravos por tarefa, como forma de incentivar a produtividade, num ensaio para a transformação dos próprios escravos em trabalhadores livres.
A necessidade de transformação nas relações de trabalho era reconhecida pelos empresários, mas as condições objetivas não permitiam uma mudança repentina, principalmente em função da falta de mão-de-obra habilitada e sujeita a aceitar as condições de trabalho Louis Couty escreve, nesse sentido, que "as condições de uma semelhante transformação são complexas; e, como me disse o Sr. Costa, é preciso ter em conta um grande número de fatores".
Fonte: ZARTH, Paulo Afonso. Do arcaico ao moderno: o Rio Grande do Sul agrário do século XIX. Ijuí/RS: Ed. Unijuí, 2002, pág. 125-129.
domingo, 19 de dezembro de 2021
Cemitério Santo Antônio dos Franceses, Pelotas/RS
sábado, 18 de dezembro de 2021
Manoel Luiz de Medeiros
"No dia 13 do mez proximo findo cessou de viver, no seu estabelecimento do Passo da Laranjeira, 2o. districto do termo de Santa Maria da Bocca do Monte, o nosso venerando amigo e co-religionario Manoel Luiz de Medeiros, cidadão de conducta exemplar.
