quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 24



406. Walz: sobrenome poligenético que corresponde a uma tradição medieval dos artesãos alemães de qualquer tipo que era a obrigatoriedade de incursionar em regiões exteriores às suas, oferecendo seus serviços, logo após a conclusão do tempo de aprendizado, como requisito principal para posteriormente alçar o título de mestre. O vocábulo Walz é um substantivo derivado do verbo walzen que quer dizer vagar, rolar, circular. Em alguns casos, estes jornaleiros errantes eram contratados em locais por quais passavam e não retornavam às suas corporações de ofício originais, sendo por isso uma provável explicação para a origem do sobrenome. A prática surgiu no fim da Idade Média e é conhecida como Wanderjahre, sendo que o artesão errante é denominado Walz.  A Wanderjahre é oficialmente reconhecida como Patrimônio Imaterial Cultural da Alemanha desde 2014.
O sobrenome é mais comum no sul da Alemanha, principalmente Baden-Württemberg.
Variantes:
Waltz, Wals - variantes comuns.

407. Specht: sobrenome poligenético que significa pica-pau (família Picinae).  O termo era usado na Idade Média para denominar figurativamente pessoas tagarelas. Ou ainda um nome de casa. É um sobrenome com mais ocorrência no sul da Alemanha.
Variantes:
Spechte - variante simples no plural.
Speth, Späth, Spaeth, Speith, Spiess, Spies - variantes relacionadas, algumas arcaicas.
Von Specht - variante de uma família nobre de Einbeck, Baixa Saxônia, surgida no século XVII.

408. Geier: sobrenome poligenético que significa abutre. Provém etimologicamente do termo do alto alemão medieval gir com o mesmo sentido. Figurativamente era usado na Idade Média para denominar pessoa gananciosa, pessoa ambiciosa. Suas primeiras formas são registradas no século XIII. Atualmente, ocorre com mais frequência no nordeste de Baden-Württemberg, leste da Baviera e região de Berlim.
Variantes:
Gaier - variante mais comum em Baden-Württemberg, principalmente na região de Stuttgart.
Geyer - variante relacionada à Suábia.
Gayer - variante mais comum à Baviera.
Gir, Gyr, Gyren - variante arcaica.
Geier (toponímico) - variantes relacionadas à montanhas no Tirol, Áustria.

409. Junker: sobrenome poligenético com muitas interpretações históricas comprovadas e vasta literatura sobre sua origem que significa literalmente jovem senhor ou jovem cavaleiro. Provém etimologicamente do alto alemão medieval juncherre com o mesmo sentido. Entre todas as acepções, admite-se que a denominação para jovem cavaleiro seja a mais corrente do ponto de vista histórico, dadas as diversas vertentes, e também com maior abrangência geográfica na Europa de língua alemã. 
Vamos, porém, a todas as acepções:
1 - Jovem cavaleiro de família nobre sem título oficialmente reconhecido, sendo por isso normalmente o segundo ou terceiro filho de uma linhagem.
2 - Um funcionário jovem de uma corte real ou imperial: jovem camareiro, jovem caçador, jovem cozinheiro, etc. O costume estaria associado ao hábito de algumas famílias nobres mais poderosas receberem por "adoção temporária" jovens afim de "educá-los".
3 - Um posto militar (Fahnenjunker) do século XVII na Alemanha, correspondente ao cadete da hierarquia militar moderna.
4 - Um membro político do partido aristocrático na formação do II Reich (Império Alemão a partir de 1870). Vale lembrar que não havia partidos políticos na época institucionalmente da forma que conhecemos, mas sim grupos organizados que podemos identificar como defensores ideológicos dos interesses da nobreza.
5 - Um denominação genérica para os proprietários rurais do Reino da Prússia no século XIX. Poderosa nobreza terratenente que influenciava decisivamente a política prussiana.
6 - No fim da Idade Média e durante a Idade Moderna, o termo junker foi também identificado para designar homens solteiros com idade tardia para os padrões da época. Em outras palavras, um metáfora para solteirão.
7 - Na Áustria, o vocábulo igualmente denominava figurativamente pessoas egoístas. Seria uma comparação com a antiga nobreza terratenente da Prússia e seus interesses pouco humanitários.
O sobrenome ocorre numa pequena área da Renânia do Norte, e muito esporadicamente no restante do País, com alguma expressividade maior sempre no oeste da Alemanha. Data do século XIII na sua forma mais antiga.
Variantes:
Junkers - variante no plural também comum na região renana.
Junkerer - variante arcaica.
Juncker - variante relacionada à região da Saxônia.
Jonker, Joncker - variantes mais comuns na Baixa Saxônia, região de Hamburgo, Saxônia-Anhalt e Brandemburgo.
Junckers, Jonkers, Jonckers - outras variantes simples no plural.
Jonkheer - variante própria da Bélgica e Países Baixos.
Junk - variante curta.
Jonk - variante relacionada ao noroeste da Alemanha e Países Baixos.
Jonck, Junck - outras variantes curtas.

410. Prinz: sobrenome poligenético que significa príncipe. A origem do sobrenome possui duas explicações possíveis, ambas consensuais na Genealogia:
1 - Um habitante de um principado ou um servo qualquer de um príncipe.
2 - Alguém arrogante ou garboso como um príncipe.
O sobrenome é comum em toda a Alemanha, mas com maior concentração no sul da Alemanha e Áustria. Em alguns casos é relacionado a famílias judias com um significado religioso bíblico.
Variantes:
Printz - variante mais comum no norte e leste da Alemanha.
Prinze - variante relacionada ao centro-norte da Alemanha.

411. Schick (1a. vertente): sobrenome poligenético que significa decente, razoável, bom. Provém etimologicamente do substantivo schicklick do baixo alemão oriental medieval com o mesmo sentido.
Schick (2a. vertente): sobrenome judeu alemão (ashkenazi) que é um hipocorístico de Jehoshua/Joshua.
Variantes:
Chick, Tschik, Tschick - variantes comuns.

412. Klotz: sobrenome poligenético que significa matéria irregular, massa irregular, toco (de madeira). Provém etimologicamente do alto alemão medieval kloz com o mesmo sentido.  Pode ter duas explicações para a sua origem. A primeira uma forma figurada para descrever pessoas rudes, grosseiras. A segunda um ofício profissional secundário na Idade Média que era o catador de tocos, galhos e restos vegetais em áreas de silvicultura com o objetivo de fornecer revestimentos para o chão de choupanas e casebres.
O sobrenome ocorre em toda a Alemanha, mas principalmente na região de Berlim, oeste da Baviera e noroeste de Baden-Württemberg. Data do século XIII.
Variantes:
Kloz - variante simples.
Klocz - variante relacionada ao leste da Alemanha.
Kloc - variante relacionada à Polônia.
Glotz - variante típica da Áustria e regiões meridionais da Alemanha.
Klötze, Kloetze, Klötz, Kloetz - variantes no plural conforme variações regionais.

413. Haller: sobrenome poligenético que significa salineiro, comerciante de sal, explorador de minas de sal. Seria provavelmente derivado de um termo homônimo na língua suábia que, por sua vez, associado ao vocábulo halez do antiga língua boêmia, igualmente com a mesma correspondência. 
O sobrenome data do século XII e é mais comum no Tirol, Áustria e na Suíça.
Variantes:
Haller (nobre) - cinco famílias distribuídas na Alemanha, Luxemburgo, Polônia e Suíça em diferentes épocas.
Haller (toponímico) - um rio na Baixa Saxônia e mais três localidades menores.
Haler - variante simples.
Halle, Hale - variantes curtas.
Hallert - variante incerta.

414. Kölner: sobrenome toponímico que significa habitante de Köln (Colônia em português). Colônia é atualmente a quarta maior cidade da República Federal da Alemanha com mais de um milhão de habitantes e capital do estado da Renânia do Norte-Westfália. Possui um significado histórico, cultural e econômico enorme na Alemanha. Suas origens remontam ao Império Romano, fundada no ano 50 de Era Cristã com o nome de Colonia Claudia Ara Agrippinensium. Durante a Idade Média foi a maior cidade alemã por cerca de 500 anos e um dos principais centros comerciais da região do Reno. Dada a sua influência sempre destacada no centro-norte e centro-oeste da Alemanha, o habitante de Colônia sempre foi identificado no restante da Europa Ocidental e Central de forma ímpar. 
Curiosamente, o sobrenome é mais abundante atualmente no sul da Alemanha. Data do século XII.
Variantes:
Koller - variante muito comum fortemente concentrada no centro-leste da Baviera.
Colsche - variante do baixo alemão.
Colonia, Colne, Kolnere, Colnere, Kolnesche - variantes do norte da Alemanha, principalmente Lübeck, Hamburgo e Bonn.
Collen, Coln, Cöllen, Cöln, Köln - variantes do norte da Alemanha, principalmente na região de Altes Land que engloba parte de Hamburgo e parte da Baixa Saxônia.
Köllner - variante mais comum no Hesse.
Köllmann - variante encontrada em Lüneburg, Baixa Saxônia.
Colnn, Collen - variantes encontradas na região de Boizenburg, Mecklemburgo-Pomerânia.
Colnerus, Colonus, Colner - variantes encontrada em Greifswald, Mecklemburgo-Pomerânia.
Collen - variante encontrada em Riga, Letônia.
Colich - variante encontrada no leste da Alemanha e Polônia.
Coelne, Colne - variantes encontradas em Coesfeld, Renânia do Norte-Westfália.
Colniss, Coelen, Colsch - variantes em Neuss, Renânia do Norte-Westfália.
Kollens, Kollen, Kollener, Kollene, Kolsche, Kölle, Köllers, Cölnn - variantes encontradas em Ostfalen.
Kollenz - variante encontrada na Áustria e em Darmstadt, Hesse.
Kollin - variante encontrada em Leipzig, Saxônia.
Kolnarin - variante encontrada em Esslingen Am Neckar, Baden-Württemberg.
Kölnerin, Kolnerin, Kelnner, Kelner - variantes comuns em Baden-Württemberg.
Cholner - variante dialetal da Baviera.
Kulner - variante relacionada à região dos Sudetos, República Tcheca.

415. Drescher: sobrenome poligenético que corresponde a uma antiga profissão agrícola da Europa Medieval que era o debulhador de grãos. Para tanto se usava um instrumento conhecido como mangual - o qual servia para o processo artesanal. O mangual era denominado drischel no alto alemão medieval, daí o vínculo com o sobrenome.
É um sobrenome típico do norte da Alemanha e data do século XIII.
Variantes:
Troschelarius - variante latinizada arcaica do século XIII.
Trescher - variante arcaica.
Dreschler - variante mais comum no centro-sul da Alemanha.
Dresser - variante mais comum na região renana.
Dreschel - variante do centro da Alemanha e Baviera.
Droscher - variante do norte da Alemanha.
Dröscher - variante mais comum em Schleswig-Holstein.
Droescher - variante mais comum na Baixa Saxônia.
Drexler - variante relacionada ao noroeste da Alemanha, em especial à região de Hamburgo.

416. Kempf: sobrenome poligenético que significa lutador, guerreiro, porém sendo conservado o seu sentido original a palavra que melhor definiria o vocábulo seria campeador, aquele que luta no campo (de batalha). Etimologicamente é derivado do alto alemão antigo kempfo e também se relaciona ao termo do alto alemão medieval kemp, ambos originados do substantivo latino campus
O sobrenome é muito antigo, seguramente quase milenar e seu primeiro registro é da região da Turíngia. Seja como for, é um sobrenome comum na Europa de língua alemã. Mais ou menos esta forma e suas variantes tendem a uma concentração no centro-sul e centro-sudeste da Alemanha, mas não é incomum que ocorra concentrações destacadas em outras áreas como a Baixa Saxônia, Renânia do Norte-Westfália e Berlim. Também está listado entre os sobrenomes mais comuns da Suíça.
Variantes:
Kempe - variante mais frequente na Saxônia, Hamburgo e região de Solling.
Kempff - variante encontrada com mais frequência em Brandemburgo e Saxônia-Anhalt.
Kaempff - variante encontrada na Baixa Saxônia, Saxônia-Anhalt e Brandemburgo.
Kämpf - variante comum no sul da Alemanha, Suíça e região renana, também com alguma ocorrência irregular em alguns distritos do norte.
Kämpff - variante mais comum na Baviera, Baden-Württemberg, Turíngia e Áustria.
Kempes, Kemps, Kempps, Kempiss - variantes comuns no plural.
Kampf, Kampfe - variante mais comum nas Américas causadas por aliteração linguística.

417. Schirmer: sobrenome poligenético que significa escudeiro. Provém etimologicamente do alto alemão medieval schirmaere que corresponde aproximadamente ao mesmo. Todavia, o substantivo Schirmer (escudeiro) é um termo militar em essência e dependendo da época e da região poderia querer dizer diferentes ocupaçãos:
1 - Um posto da cavalaria imediatamente inferior ao de cavaleio, sendo por isto também o acompanhante auxiliar do cavaleiro.
2 - Um arqueiro situado na primeira fileira do campo de batalha componente de um tropa de flecheiros encarregados em abrir flancos na primeira linha de escudos inimigas.
3 - Um membro da infantaria de retaguarda ou da infantaria lateral componente de um tropa encarregada de realizar o "segundo ataque" após o ataque inicial.
Não se encontra na literatura, que Schirmer fosse um produtor de escudos.
O sobrenome tem sua origem no século XII no sudoeste do Vale Superior do Reno. Sua ocorrência maior atualmente é na Turíngia, oeste da Saxônia, norte da Baviera e no distrito de Biberach, em Baden-Württemberg.
Variantes:
Schirma, Von Schirma, Schirmau - variantes relacionadas à Saxônia e Silésia.
Schermer - variantes do sul da Alemanha.
Schir - variante curta incerta.
Shirmer, Shermer - variantes irregulares causadas por aliteração.

418. Faber: sobrenome poligenético que significa ferreiro. É a forma latinizada do substantivo Schmied que quer dizer a mesma coisa. É datado do século XIII e ocorre com mais frequência nos seguintes locais: Karlsruhe, Pforzheim e Durlach, Baden-Württemberg; Lautertal, Alta Francônia; distrito de Oderland, Brandemburgo; Bad Hersfeld e Kassel, Hesse; Cloppenburg e distrito de Holzminden, Baixa Saxônia; distrito de Grevenbroich, Renânia do Norte-Westfália; Dornburg e distrito de Sonneberg, Turíngia.
Variantes:
Farber - variante relacionada a imigrantes alemães nos Estados Unidos da América.
Fabricius - variante latinizada.
Fabr - variante curta de Fabricius.

419. Schnabel: sobrenome poligenético que significa literalmente bico (de ave). Todavia o substantivo é usado coloquialmente para denominar boca ou nariz. Por isso, admite-se que uma é uma forma para designar pessoas com a boca grande ou pessoas com o nariz grande. Todavia, a literatura documental da Idade Média faz crer que também tenha o sentido de falador, tagarela. O sobrenome é acusado desde o século XV e ocorre com mais frequência no centro-leste da Alemanha.
Variantes:
Schnabl - variante do centro-norte da Alemanha.
Schnaneln - variante simples no plural.
Snabil - variante arcaica.

420. Berlin: sobrenome toponímico que significa habitante ou procedente de Berlin. Berlin (Berlim) é a capital da República Federal da Alemanha e também um dos dezesseis estados alemães. A mais antiga menção a Berlim data de 1237, como uma fortificação da Marca de Brandemburgo. Em 1701, Berlim tornou-se a capital do Reino da Prússia, posteriormente do Império Alemão (II Reich) até 1945, quando foi dividida pelos Aliados e somente a zona sob ocupação soviética passou a ser capital da República Democrática Alemã (ex-Alemanha Oriental).
Na Genealogia Alemã, considera-se que é um sobrenome recente do ponto de vista histórico, dado durante a Idade Média, Berlim ser uma mera localidade às margens do rio Spree. Os primeiros registros são da Idade Moderna, no século XVII.
Atualmente, é um sobrenome com mais ocorrência no norte da Saxônia-Anhalt.
Variantes:
Berlim - variante comum nas Américas.
Berliner - variante que significa berlinense.









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