segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Histórias Curiosas LXVII

Década de 1980 e o setor de Topografia da Prefeitura Municipal de Capão do Leão é encarregado de realizar a medição de uns terrenos no Cerro do Estado. Quatro profissionais executam o serviço e logo cedinho se dirigem na viatura da prefeitura ao local indicado. 

O trabalho começa e entre uma medição e outra, um dos topógrafos resolve fazer uma pegadinha com o motorista que os acompanhava. Saca uma revista Playboy da época, estrelada pela outrora lendária musa Isadora Ribeiro. Ao abrir a revista nas fotografias de nudez, o brincalhão encontra um sugestiva e apropriada foto em que a moça aparece tal como veio ao mundo tendo uma espécie de vegetação ao fundo. Armado de uma fita adesiva, o brincalhão fixa a revista com a foto em questão entre dois eucaliptos, num terreno que ainda precisava ser medido e com uma certa distância de onde se encontravam. Aponta o teodolito exatamente para a foto, de tal maneira que não se percebe o restante da vegetação ao fundo, somente o close na foto. Nisso, o brincalhão chama o motorista com todo o estardalhaço:

- Toninho! Toninho, vem cá ver! Tem uma mulher pelada no meio dos eucaliptos! A mulher está ali toda peladinha! Vem ver!

O incauto motorista não acredita de pronto no que o colega diz, mas é convidado a olhar pelo teodolito na imagem. Fica boquiaberto:

- Tchê, mas não é que a mulher tá pelada mesmo! Tá toda pelada! Será que é louca? Mas que mulher bonita!

Os outros sabendo da pilhéria, ainda o estimulam:

- Vai lá, Toninho! Quem sabe é teu dia de sorte! Ela nos viu aqui e deve estar querendo alguma coisa.

O pobre motorista toma coragem, depois de ver e rever a imagem sedutora através do teodolito, e na mais pura ingenuidade se dirige que nem louco ao matagal de eucaliptos. Fica com as pernas todas sujas, pois o terreno era lamacento.

Chegando lá, toma a surpresa. Em meio as gargalhadas, xinga até não poder mais os demais companheiros:

- Se-se-se-se-us, fia da-da-d-da p#t@! Não dá para confiar em vocês mesmos!

domingo, 16 de setembro de 2018

Gaúcho não denuncia

"Tarrafadas

GAÚCHO NÃO DENUNCIA

Na minha ultima tarrafada apanhei um exemplo da nobreza do santo, que foi D. Pedro II, em comparação com o procedimento dos republiqueiros de hoje.

Republiqueiros, digo bem, porque se sapateiro vive de sapatos, o carvoeiro do carvão, o leiteiro do leite, o republiqueiro vive da republica.

Depois que escrevi a ultima 'Tarrafada', optimista como sou, procurei descobrir ao menos um caso de nobreza, praticado em nossos dias.

Encontrei-o e afinal.

Eu estava em Pelotas, a rica e prospera cidade gaúcha, passeava pelo seu encantador jardim, quando encontrei com o dr. X, distinto gaúcho, juiz no Estado do Rio Grande, ali a passeio.

- Você, que conhece meio mundo em S. Paulo, sabe me dizer quem é Orlando Campos, que se diz amigo de um meu irmão que lá reside?

- Orlando Campos... - pensei, e respondi que deixara em S. Paulo, preso e operado, o meu amigo revolucionario tenente Orlando Leite Ribeiro, mais uma victima da propalada magnanimidade do sr. Washington Luis e da sanha do Supremo da Revista, que esperou a volta dos ingenuos para lhes augmentar a pena, uma das novas jurisprudencias do collendissimo.

Sahi em prós do meu mysterioso coestadano e lá fui topar, no hotel de um allemão, com o meu amigo Orlando Leite Ribeiro, ainda convalescente da séria operação a que se sujeitara.

Abracei satisfeito o meu amigo e sahi, afflicto, em procura do dr. X.

Encontrei-o e fui franco.

- Doutor, encontrei a pessoa de quem me falou: é o revolucionario tenente Orlando, que teve a imprudencia de procurar conhecel-o, sabendo-o irmão de um seu amigo.

Apello para o seu cavalheirismo, não denunciando o rapaz, pois só amanhã ou depois elle alcançará a fronteira, em busca da hospitalidade uruguaya.

E o dr. X respondeu-me:

- Vê-se logo que o senhor não conhece os rio-grandenses; gaúcho peleja em luta franca, e não é capaz de denunciar quem quer que seja!

- Aqui é commum procurar o vencido acoitar-se em casa de adversario, até que a situação se normalize... Póde ficar socegado: o papel não se rebaixa ao papel de delator.

Sahi com o meu coração duplamente satisfeito: confiante na salvação de um amigo e confortado pelo procedimento nobre de um patricio gaúcho.

FIDELIS LEAL"

Fonte: DIARIO NACIONAL: A DEMOCRACIA EM MARCHA (SP), 07 de Setembro de 1928, pág. 06, col. 01-02


Passagem dos cavalarianos do CTG Tropeiros do Sul no Instituto Histórico e Geográfico de Capão do Leão

Na tarde deste sábado, 15 de setembro, os cavalarianos do CTG Tropeiros do Sul estiverem em passagem e visita à sede do Instituto Histórico e Geográfico de Capão do Leão. O grupo estava conduzindo a Chama Crioula e as duas entidades possuem uma aproximação bem próxima, dado que enquanto o IHGCL está localizado na esquina da Avenida Narciso Silva com a rua Professor Agostinho, o CTG está no final da rua Professor Agostinho (menos de um quilômetro). Na ocasião, tradicionalistas foram recebidos pela diretoria do instituto e tiveram a oportunidade de conhecer a sede e as instalações do mesmo. O ato integra-se às comemorações da Semana Farroupilha 2018 em nosso município.



















sábado, 15 de setembro de 2018

Abertura da Exposição Memorial da Estação Férrea de Pelotas no IHGCL

Neste sábado, 15 de setembro, realizou-se à tarde, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Capão do Leão, a abertura da Exposição Memorial da Estação Férrea de Pelotas, com banners, videos, explanação e roda de conversas. O evento esteve sob a condução do doutorando em Antropologia pela UFRGS, Guillermo Stefano Rosa Gómez, e também contou com a presença do ferroviário aposentado Orlando Chagas. A exposição permanecerá na sede do instituto até outubro. É possível visitá-la terças e quintas-feiras no horário de atendimento do instituto ao público.













Histórias Curiosas LXVI

Amigo nosso de Arroio Grande conta-nos esta prosaica história curiosa acontecida em priscas eras na cidade vizinha, mais especificamente na Vila de Santa Isabel. Aqui reproduzimos para o folclore político gaúcho.

Candidato a vereador de Arroio Grande organiza um grande comício em Santa Isabel. Na época, tudo o que tinha direito é preparado: almoço, animação musical e distribuição de brindes. Cabos eleitorais não poupam esforços em deixar o ambiente mais atrativo para o eleitor. Na hora do discurso, o ilustre candidato a vereador critica acidamente as autoridades constituídas no município e o descaso com que o pobre povoado sofre nas mãos da administração local. O político empolga-se e passa a fazer uma espécie de jogral com o público que o assistia. Sobre o palanque, ele pergunta:

- Santa Isabel não tem energia elétrica, não é mesmo?

- Não! - respondia um coro meio tímido e desanimado.

- Não tem água encanada?

- Não! - repete a pequena aglomeração que se presta a ouvi-lo.

- Não tem telefone?

- Não tem estrada?

- Não tem segurança?

E o coro de negativas segue, impassivelmente. Após tanto ouvir a mesma resposta, o candidato esquece o decoro e emenda a pérola:

- Barbaridade! Mas Santa Isabel não tem m... nenhuma!

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Osvaldo Euclides de Sousa Aranha


"Osvaldo Euclides de Sousa Aranha (15/11/1894-27/01/1960) nasce em Alegrete. Inicia-se na política como intendente (equivalente a prefeito) de sua cidade natal e subchefe de polícia de Porto Alegre. Em 1927 elege-se deputado federal. Com a vitória do movimento revolucionário em 1930, negocia com a Junta Militar, no Rio de Janeiro, a entrega do governo a Vargas. É escolhido ministro da Justiça e Negócios Interiores, passa para a pasta da Fazenda em 1931 e é nomeado embaixador em Washington, de 1934 a 1937. Deixa o cargo em protesto contra o Estado Novo, mas se torna ministro das Relações Exteriores, de 1938 a 1944. Chefia a delegação brasileira na primeira Sessão Especial da Assembleia-Geral da ONU, em 1947, e luta pela criação do Estado de Israel. Volta ao Ministério da Fazenda em 1953. No governo Juscelino Kubitschek, retorna à ONU, à frente da delegação brasileira. Morre no Rio de Janeiro, aos 66 anos."

Fonte: ABRIL. Almanaque Abril: quem é quem na História do Brasil. São Paulo: Abril Multimídia, 2000, pág. 83.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Curioso caso de casamento em Canguçu em 1891


"PIPAROTES

Leio em um dos ultimos numeros da Epoca d'esta capital:

<<CASAMENTO DE DOIS HOMENS

O leitor não deve tomar por pilheria esta noticia, que é o que de mais verdadeiro póde haver.

Pessoa muito respeitavel, chegada ante-hontem no Mercedes e residente em Cangussú, informa-nos que em dias d'este mez celebrou-se ali um casamento civil entre dois homens, sendo que o que representou de noiva estava vestido de mulher.

Fez-se a competente habilitação pelo cartorio do juizo dos casamentos correram os proclamas e os nubentes assim preparados foram á presença do juiz de paz com grande e festivo acompanhamento.

O juiz de paz, nenhuma desconfiança teve e celebrou o casamento.

A noiva portou-se irreprehensivelmente; não lhe faltou a imprescindivel prudencia, o choro e a ternura ao se deixar abraçar pelas senhoras.

Não ficou aqui sómente o caso: finda a cerimônia, houve grande brodio nupcial, e só mais tarde, chegadas as cousas a certo ponto, e depois de beber muito vinho, é que o caso fez explosão.

Repetimos: o caso é verdadeiro.

Estes casamentos civis... só mesmo por troça.>>

Foi uma pilheria excellente, não ha duvida, e, como se vê, o meu collega encontrou, n'ella, opportunidade para chacotear de uma das mais fecundas instituições civis lançadas pela Republica.

No emtanto, a troça que se deu com o juiz de paz da roça, bem podia ter occorido co um reverendo bem intencionado, - como todos elles o são, - sem que a nenhum livre pensador ficasse bem exclamar: <<Estes casamentos religiosos... só mesmo por troça.>>

Nada tenho de caróla, e não costumo bravatear; mas garanto o seguinte: si um typo mettido a cebado, desrespeitasse por tal fórma, na minha presença, uma religião qualquer, não sei si me poderia conter...

Qual! dava lhe um tortôlho, que o virava.

Tal é a convicção que tenho de que não é licito a ninguem que se prese moralmente, pretender vilipendiar uma crença.

Pensa de modo contrario a Epoca, - tanto melhor para si e para os seus fieis..."

Fonte:  A FEDERAÇÃO (RS), 29 de Agosto de 1891, pág. 01, col. 05
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