quarta-feira, 7 de junho de 2017

Leandro Karnal estará em Pelotas em julho


Leandro Karnal, professor doutor de História da América da Universidade Estadual de Campinas, estará em Pelotas no dia 06 de julho, no Theatro Guarany, em Pelotas, proferindo a palestra "A Vida Que Vale a Pena Ser Vivida". O evento é promovido pela Applaus (página no facebook) e tem início às 19h30min com a palestra de Othon Gama que tem como tema "Você Aceita Mudar o Brasil?". 

Os ingressos para o evento estão disponíveis no link a seguir: https://minhaentrada.com.br/evento/leandro-karnal-em-pelotas-7095


segunda-feira, 5 de junho de 2017

A História da Feijoada


Trecho extraído de: NARLOCH, Leandro. Guia politicamente incorreto da história do Brasil. São Paulo: Leya, 2011, 2a. ed., p. 162

"Um fenômeno muito parecido com o da folclorização do samba aconteceu com a feijoada. O prato ganhou a cara de comida de negros, mesmo tendo pouquíssima influência africana. Muita gente repete que a feijoada nasceu nas senzalas, criada pelos escravos com feijão e carnes desprezadas na casa-grande. Eis um daqueles mitos que de tão repetidos se tornam difíceis de derrubar. A feijoada tem origem europeia. Quem diz é o próprio folclorista Câmara Cascudo.

Conforme o que ele conta no livro História da Alimentação no Brasil, nem índios nem negros tinham o hábito de misturar feijão com carnes. A técnica de preparo vem de mais longe: o Império Romano. Desde a Antiguidade os europeus latinos fazem cozidos de misturas de legumes e carnes. Cada região de influência romana adotou sua variação: o cozido português, a paella espanhola, o bollito misto do norte da Itália. O cassoulet, da França, criado no século 14, é parecidíssimo com a feijoada: feito com feijão branco, linguiça, salsicha e carne de porco. Com o feijão preto, espécie nativa da América que os europeus adoraram, o prato virou atração entre os brasileiros mais endinheirados. A citação mais antiga que restou sobre a feijoada mostra a refeição bem longe das senzalas. No Diário de Pernambuco de 7 de agosto de 1833, o elegante Hotel Théâtre, de Recife, informa sua nova atração das quintas-feiras: 'Feijoada à brasileira."

sábado, 3 de junho de 2017

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 58


876. Peglow: sobrenome toponímico referente à aldeia de Gogolewo (nome alemão Pegelow), município de Marianowo, distrito de Starogard, Pomerânia Ocidental, Polônia. Designa portanto a pessoa procedente desta localidade. É tipicamente pomerano.
Variantes:
Pegelow, Pekelow, Peklow, Pegelau, Peglau - variantes comuns.

877. Rhein: sobrenome toponímico que significa procedente do Reno (rio). O rio Reno é um dos principais rios europeus, cuja nascente se encontra nos Alpes, no cantão suíço de Grisões. De importância histórica, cultural, econômica, geográfica enorme na Alemanha, corta o país em sua metade ocidental, de norte a sul. Na Alemanha, o sobrenome se concentra principalmente no oeste do país, com pequena concentração no norte de Baden-Württemberg e sudeste da Renânia-Palatinado. Data aproximadamente do século XVI.
Variantes:
Rein - variante simples.
Rain, Rhain - variantes comuns, também encontradas no dialeto romanche.
Rhin - variante na língua francesa.
Reno - variante na língua italiana.
Rijn - variante na língua holandesa.
Rheiner, Reiner, Rainer, Rhainer - variantes derivadas.

878. Dombrowski: sobrenome toponímico germanizado do original polaco Dabrowski, que significa procedente de Dabrowka. Dabrowka é um nome de lugar muitíssimo comum na Polônia, se repetindo mais de 100 vezes em diferentes províncias. O topônimo também pode ser encontrado na Ucrânia, República Tcheca e Lituânia. Também pode ser um toponímico de Dabrowa - outro nome de lugar extremamente comum na Polônia (igualmente mais de 100 locais diferentes). Tanto Dabrowka quanto Dabrowa significam corneta
Na Alemanha, a forma Dabrowski é encontrada desde 1386. A forma Dombrowski é atestada primeiramente em 1674.
Domborwski na Alemanha é um sobrenome concentrado no norte, principalmente no noroeste da Saxônia-Anhalt, sul da Baixa Saxônia e centro e centro-norte de Mecklemburgo-Pomerânia.
Variantes:
Dabrowski - variante polaca imediata.
Dombrowsky, Dombrovsky, Dombrovski - variantes comuns.
Dabrowsky - variante polaca anglicizada nas Américas.
Dombrovskis - variante comum na região do Báltico.
Dumbrowski - variante encontrada no norte da Polônia.

879. Kolmar: sobrenome toponímico que significa procedente de Kolmar ou procedente de Kollmar. No caso, o topônimo pode se referenciar a diferentes locais, os quais:
1. O município de Kollmar, no distrito de Steinburg, Schleswig-Holstein, Alemanha.
2. O antigo condado de Kolmar (ou Colmar), na Alsácia-Lorena.
3. Um antigo condado denominado de Kolmar-in-Posen, que existiu entre 1821 e 1920, onde hoje se encontra a cidade de Chodziez, província da Grande Polônia, Polônia.
Na Alemanha, o sobrenome encontra-se distribuído no oeste e no norte do país, com pequena concentração na região de Berlim e Brandemburgo.
Variantes:
Kollmar - variante comum.
Colmar, Collmar - variante mais comum nas zonas próximas à fronteira franco-alemã, com concentração no Sarre.
Kulmer, Kullmer, Kulmar, Kullmar, Külmer, Kuelmer - variantes do oeste da Alemanha, com concentração no Sarre, Renânia-Palatinado e norte de Baden-Württemberg.
Kolmer, Kollmer - variante encontrada no centro-sul da Alemanha.

880. Bosenbecker (1a. vertente): sobrenome poligenético que significa aproximadamente padeiro ruim, padeiro fraco. É uma aglutinação dos termos do alto alemão medieval bose (ruim, fraco, inútil) e becke (pão, frumento). A forma Bosenbecker e a maioria de suas variantes indicam uma origem comum na antiga Prússia.
Bosenbecker (2a. vertente): sobrenome toponímico relacionado a Bosenbach - um município no distrito de Kusel, Renânia-Palatinado. A derivação correta é Bosenbacher. A forma Bosenbecker seria também uma aliteração encontrada no leste.
Variantes:
Bosenbeck, Bosembeck - variantes curtas.
Bosembecker, Bosenbecke, Bosembecke, Bozenbecker, Bozenbecke - variantes comuns.
Bosembacher, Bosenbach, Bosembach, Bosenbacker, Bosembacker - outras variantes.

881. Wortmann: sobrenome poligenético que significa homem que vive num monte. Essa versão é sustentada por Hans Markus Thomsen. Mais especificamente pode designar uma atribuição específica do contexto feudal a uma pessoa dentro da comunidade aldeã que habita numa elevação para vigiar tempestades que podem ocasionar inundações em zonas mais baixas. No noroeste da Alemanha, por exemplo, é comum encontrar antigas casas em montes dentro de uma comunidade que se assemelham a pontos de sentinela. O wortmann também poderia estar encarregado de avisar sobre possíveis invasões.
O sobrenome é resultado da aglutinação dos termos wurt (monte, morro, colina) e mann (homem).
Woortmann também pode estar associado à palavra do alto alemão medieval woord que significa o centro de uma cidade ou aldeia. 
Em ambas as acepções, o significado é convergente, pois várias cidadelas alemãs possui o seu "centro histórico" em zonas mais elevadas.
O sobrenome está concentrado no oeste da Alemanha, com forte ocorrência em toda a Renânia do Norte-Westfália. Data do século XV.
Variantes:
Wortman - variante comum.
Wurtmann, Wurtman, Wurthmann, Wurthman, Würtmann, Würtman, Würthmann, Würthman, Wuertmann, Wuertman, Wuerthmann, Wuerthman - variantes comuns.
Würth, Wuerth, Wurth, Würt, Wurt, Wuert - variantes curtas que significam monte.
Woordmann, Woordman - variantes arcaicas.
Woortmann, Woortman - variantes longas próprias do noroeste da Alemanha e Países Baixos.
Worde - variante encontrada em Herzfeld.
Worden - variante encontrada em Werne.
Wordemette- variante encontrada em Welbergen.
Wordemann - variante encontrada em Dülmen, Everswinkel, Goldenstedt, Harsewinkel, Nordkirchen, Selm, Stromberg, Warendorf e Werne.
Wordemanns - variante encontrada em Harsewinkel e Warendorf.
Worden - variante encontrada em Dolberg, Dülmen, Rheine e Welbergen.
Wordt - variante encontrada em Darfeld e Havixbeck.
Wort - variante curta encontrada em Amelsbüren, Borken, Darup, Dülmen, Haltern-am-See, Havixbeck, Hebern, Legden, Nordwalde Rheine e Vreden.
Wortbroke - variante encontrada em Billerbeck.
Worth - variante encontrada em Dülmen.
Worthenneke - variante encontrada em Herzfeld.
Wöhren, Wöhrden - variantes do noroeste e centro-norte da Alemanha.
Worthmann - variante encontrada na Baixa Saxônia e Renânia do Norte-Westfália.
Vortmann - variante do sul da Alemanha, Suíça e Áustria.
Fortmann - variante considerada uma aliteração comum a imigrantes alemães nas Américas.

882. Bohr: sobrenome com três acepções possíveis:
1. Uma forma patronímica curta do nome eslavo Borislav ou Boris;
2. Uma derivação do antigo termo eslavo borti que significa lutador, guerreiro;
3. Um profissional que usa ou trabalha com brocas, o que no contexto da Idade Média, aponta para um profissional moveleiro.
Na Alemanha, o sobrenome se concentra na Renânia-Palatinado e Sarre. Data do século XI.
Variantes:
Boro - variante arcaica.
Borisen, Borisch - variantes arcaicas encontradas no norte e leste da Alemanha.
Bohrer, Borer - variantes derivadas do norte da Alemanha.
Börer, Böhre, Bohre, Bohren, Bohrin, Böhrer, Boehr, Boehrer, Boehre - variantes relacionadas.
Boer - variante incerta.

883. Klump: sobrenome poligenético com quatro interpretações possíveis:
1. No alto alemão medieval, uma forma para designar caroço, coisa aglomerada, sendo figurativamente usado para designar homem áspero ou corpulento;
2. Também pode corresponder a torrão, pilha, podendo designar alguém que mora ao lado de um torrão ou pilha, ou ainda alguém que empilha algo (mormente um lenhador ou telheiro);
3. Uma forma na área do baixo alemão para designar moita;
4. Um toponímico para o nome de lugar Klump - que se repete quatro vezes na Alemanha.
5. No norte da Alemanha, uma forma regional para designar torta (de comer).
O sobrenome concentra-se no norte da Alemanha e data do século XV.
Variantes:
Klumb - variante simples.
Klumpp, Klumbb, Klumpe, Klumpen, Klumben - variantes relacionadas.

884. Rieth: sobrenome que pode ser um metanímico ou toponímico, com maior possibilidade no segundo caso. Rieth é um nome de lugar que se repete três vezes na Alemanha:
1. Um distrito de Erfurt, Turíngia.
2. Um distrito de Luckow, Mecklemburgo-Pomerânia.
3. Um distrito de Hildburghausen, Turíngia.
Quanto ao seu significado metanímico, o termo pode derivar como uma aliteração do termo "reet" ou "riet" que no baixo alemão quer dizer pântano, zona alagadiça.
Ocorre principalmente no sul do Hesse, centro-noroeste de Baden-Württemberg e sul da Renânia-Palatinado.
Variantes:
Riet, Riett, Rieth, Reet, Reith, Reeth - variantes relacionadas.





Museu Histórico Farroupilha promove concurso de fotografias


O Museu Histórico Farroupilha, de Piratini/RS, promove entre 03 de junho e 03 de julho de 2017 o concurso de fotografias "O Singelo no Pampa Gaúcho". O concurso se divide em duas categorias: amador e profissional.  As fotos devem ser inéditas. A premiação do concurso ocorrerá no dia 08 de julho, às 15 horas, no Museu Histórico Farroupilha, em Piratini.

Para maiores informações, com o edital e a ficha de inscrição do concurso, acesse o link: http://mhfarroupilha.blogspot.com.br/2017/06/edital-012017-concurso-defotografias-1.html 


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Homenagem à memória de Enedino Silva


Amanhã, às 11 horas, na Praça João Gomes, a Família Silva estará homenageando a memória do ex-emancipacionista e vereador leonense Enedino Silva (1916-1983). Na ocasião, será inaugurada uma placa em sua memória. 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O Pistoleiro de Serra Talhada


Primeira parte do vídeo da reportagem do Globo Repórter em 1977




Segunda parte do vídeo da reportagem do Globo Repórter em 1977

Encontrei por acaso estes dois vídeos no YouTube e fiquei muito admirado pela trama que se desenvolve na história. Posso afirmar que assisti com muito interesse a reportagem sobre Vilmar Gaia - o pistoleiro de Serra Talhada, no sertão de Pernambuco. Compartilho aqui aos leitores do blog pelo interesse histórico que a reportagem traz e por mostrar um sertão do país ainda marcado pelo banditismo e violência. 

Seguem abaixo dois links com mais informações:



sábado, 13 de maio de 2017

Poloneses em Pelotas



Trecho extraído de: Diário de Notícias, 25 de Julho de 1958, pág. 10

"Poloneses em Pelotas

A bela, culta e hospitaleira 'Princesa do Sul', recebeu os imigrantes poloneses embora em menor número, na mesma época que os recebeu a vizinha cidade do Rio Grande. Em 1898 encontramos, ali, perfeitamente radicadas, cêrca de 30 famílias debaixo da tutela espiritual do Revdo. Padre Jan Zblewski. Em 1924 residiam em Pelotas cêrca de 300 poloneses, segundo nos informa o ex-consul, Dr. Kazimierz Gluchowski, o que sem dúvida, constitui um grupo muito menor do que na vizinha cidade portuária. Não obstante tal fato, foi organizada, também, uma sociedade cultural, sob o nome do consagrado escritor de fama universal Henryks Sienkiewicz, que agrupou, inicialmente 14 famílias residentes na cidade. Embora o patrimônio da referida sociedade fosse na época, apenas de Cr$ 2.000,00, eram bastante ativas e originais às suas atividades, segundo veremos pelo relato pessoal feito em junho do corrente ano, pelo ex-presidente Sr. Leonardo Klemowski: 'A Sociedade Henryk Sienkiewicz', teve seu início em 1904. As poucas famílias existentes em Pelotas, compunham-se na sua maior parte de operários, tais como: tecelões, marceneiros, mecânicos, carpinteiros, etc. que prestavam os seus serviços profissionais às diversas indústrias e empresas espalhadas pela cidade.

A idéia de uma sociedade surgiu em face do natural desejo de se reunirem em grupo, afim de evocarem as suas tradições e concorrerem, dentro de suas modestas possibilidades econômicas, para auxiliarem o Governo Polônes no exílio, cuja sede, se encontra na cidade suíça denominada Rapesville. A iniciativa desta campanha fora feita pelos Srs. Antonio Wolski, Jan Dobrzynski, Piotr Olendzki, que costumavam reunir-se na casa do Sr. Teodor Brzeski. Embora em pequeno número, porém movidos por uma causa nobre ou seja pela liberdade de sua pátria, que nesta época era subjugada e tiranizada por cruéis invasores - aquêles bravos pioneiros, nunca esmoreceram ante as dificuldades ou desilusões. Organizaram festas, reuniões e bailes em casas dos amigos e parentes, cada vez em outro local. Dêste modo surgiu definitivamente a 'Sociedade Polonêsa Henrique Sienkiewicz', com estatutos e séde própria. Vivem dias de intensa atividade social e cultural, apresentando festivais, teatros, organizando recepções a visitantes ilustres como o foram Sua Excelência Reverendíssima Dom Dr. Teodor Kubina, famoso e prestigioso prelado polonês, e Dr. Tadeusz Grabowski, que fôra Ministro Plenipotenciário e Enviado Extraordinário da Polônia no Brasil.

Lamentavelmente, durante a campanha de nacionalização, sem motivo algum, passou a vegetar, até o corrente ano. Há poucos meses ressurgiu novamente, com a séde reformada, e com estatutos também modificados de acôrdo com a época e a realidade nacional. Merecem destaque especial as atividades desenvolvidas há meio século, pelos Srs. Stanislaw Szafarski, Josef Lugowski, Roman Murowaniecki, Ludwik Skrzesinski e Wladyslaw Nasilewski, Stefan Lange, bem como do nosso informante, Sr. Kleinowski.

A séde própria, sómente tornou-se realidade em 1920, graças à generosidade e cooperação de tôda a colonia radicada em Pelotas.

No pequeno cenário da etnia polonesa no sul do Rio Grande, projetam-se, ainda, o prof. SILVIN DERENGOWSKI, na qualidade de lente da cadeira de Geometria Descritiva e Desenhos da 'Escola Eliseu Maciel' e o professor CZESLAW MARJAN BIEZANKO, do qual nos ocuparemos em especial, numa reportagem separada. O prof. DERENGOWSKI, falecido em 1937, segundo informações prestadas pelo ilustre Eng. Agrônomo Biezanko: 'deixou uma gratíssima lembrança entre os seus colegas e alunos. Os seus filhos concluíram brilhantemente as escolas militares e pertencem hoje, ao patrimônio ativo do Exército Nacional."



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