segunda-feira, 7 de maio de 2012

Como era uma escala ferroviária na Estação do Capão do Leão


O texto refere-se seguramente a lembranças de uns cinqüenta anos atrás. Achei curioso porque ele fala dos tabuleiros – fato amplamente verificado em nossa cultura oral.

COSTA, Marta de Sousa. Tempo de Soltar as Amarras. Porto Alegre; Ed. Age Ltda., 2003.
“o trem Maria Fumaça, com seu apito angustiado, parava em diversas estações – Capão do Leão, Passo das Pedras, Pedro Osório -, e em cada uma os moleques do lugar chegavam à janela para oferecer saquinhos com bergamotas ou pastéis e bolinhos de coalhada em tabuleiros cobertos com guardanapos branco.” (p. 72)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Capão do Leão - 30 Anos de Emancipação


Selo oficial comemorativo ao 30o. Aniversário de Emancipação de Capão do Leão
Capão do Leão comemora neste 03 de Maio, trinta anos de emancipação política. Fato que merece ser lembrado, afinal o município atinge um estágio importante de sua história. Já não é mais “recém-emancipado” como fora outrora. Uma vez fui perguntado a respeito sobre a história do município e suas etapas, procurei aventar meus limitados conhecimentos para tentar balizar alguns marcos temporais. Identifiquei, portanto, três períodos distintos da história desta terra, que se colocam a seguir: do final do século XVIII até aproximadamente 1880, quando ocorrerá a ocupação européia do relevo leonense, surgiram as charqueadas e os tropeiros e a grande maioria dos habitantes viviam esparsos num ambiente agrário e inculto; de mais ou menos 1880 até a década de 1950, quando Capão do Leão converter-se-á em local de veraneio das elites pelotense e riograndina, a atividade mineradora adquiri inevitável destaque e a fruticultura de clima temperado desponta como importância econômica; o último, de mais ou menos 1950 aos nossos dias, corresponderia à intensa migração, ao crescimento populacional, às grandes culturas agrícolas (arroz, soja, trigo), à pecuária leiteira e a frigorificação da produção de carne e a necessidade de autonomia política cada vez mais evidente – exemplificada pelos movimentos emancipacionistas de 1963 e 1982.
Entre outras coisas, a emancipação política de Capão do Leão era um processo premente, mas que teve uma característica ímpar: a nova cidade para ser cidade teve que ser “inventada” no que tange ao seu território. A Vila do Capão do Leão possuía relações econômicas e políticas muito perceptíveis com o que é hoje a sua zona rural (Passo das Pedras, Cerro das Almas, Hidráulica, etc.), até mesmo com outras zonas que hoje compõem os municípios de Morro Redondo e Pelotas (Santo Amor, Micaela, Capela da Buena, etc.), mas teve duas porções de terra incorporadas à sua área territorial que não se identificavam claramente com a sede – o Pavão e o complexo do Jardim América (inclusa a área do campus da UFPel).
Pode parecer estranho a inclusão do distrito do Pavão em minha análise, mas compreendo ali uma área historicamente dotada de uma identidade própria, cuja matriz será muito mais o Canal São Gonçalo e suas cercanias do que qualquer outro aglomerado populacional. Aliás, o Pavão é ímpar! Vasta planície, grandes propriedades rurais identificadas com a pecuária (hoje o boi é a soja!), certo isolamento, imensidão que pode alcunhá-lo de “Capão do Leão Oriental”. Todavia, hoje está muito integrado ao cenário sócio-econômico leonense, seja porque depende da estrutura pública, seja porque a construção da rodovia Pelotas-Jaguarão o tornou “acessível à civilização” (ironia poética!).
O Jardim América, por sua vez, poderia ser definido como uma espécie de “prolongamento” do bairro Fragata de Pelotas. Tanto na questão de serviços públicos, relações econômicas e sociais, quanto na sua divisão política pré-emancipação, era um lugar cujas afinidades com a Vila do Capão do Leão poderiam ser definidas sem exagero como secundárias. Entretanto, se a emancipação custou ao Jardim América a perda do status de “bairro pelotense”, a mesma lhe trouxe um poder de barganha político considerável que dificilmente seria conquistado caso pertencesse ainda à Princesa do Sul. Outro item interessante é que, com a emancipação, as relações do bairro com a sede e outras áreas tornaram-se mais intensas e importantes. Muitas das conquistas políticas do próprio município tiveram origem e foram conquistadas pelo próprio bairro. A questão do saneamento é um exemplo. Hoje se discute um plano de abastecimento d’água municipal que é resultado das demandas históricas que o próprio bairro apresentou. Na minha modesta opinião, entre pertencer a Pelotas ou a Capão do Leão, o Jardim América ganhou muito mais do que perdeu sendo incorporado ao novo município. Lembre-se da terrível virada dos anos 80 na Princesa do Sul e suas conseqüências econômicas até a atualidade. Embora, nem tudo sejam flores, pergunto que bairro pelotense pode eleger a maioria dos vereadores para sua Câmara Municipal e ser decisivo na escolha do prefeito?
Imagino e desejo, sinceramente, uma quarta etapa para a nossa história e sei que esse é o esforço e igual vontade de muitos cidadãos desta terra, de diferentes grupos e opiniões. Temos que aproveitar o enorme potencial estratégico de nossa proximidade com o Porto de Rio Grande, o entroncamento rodoviário, nossas pedreiras, nossa agricultura, nossa gente.
De qualquer modo muito já foi feito e conquistado e Capão de Leão e seu povo estão de parabéns. Se estes primeiros trinta anos foram marcados pela estruturação do nosso município, que os próximos trinta sejam coroados pelo êxito social e pelo desenvolvimento econômico.
Parabéns Capão do Leão!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Luto: Morte de Juliano Vergara

Nossa homenagem ao amigo Juliano Vergara, encontrado morto na data de hoje em sua casa à Rua Prof. Agostinho (rua do CTG Tropeiros do Sul). Juliano era enfermeiro da Prefeitura Municipal de Capão do Leão, exercendo recentemente seu ofício no CAPS Casa Vida. Alegre, sociável, camarada, idealista, era pré-candidato do Partido Socialismo e Liberdade à prefeitura. Grande e  chocante perda! Vai em paz, irmão!

domingo, 15 de abril de 2012

Lideranças Negras em Capão do Leão

Extraído de: SANTOS, José Antônio dos. Etnicidade, Nação & Culturas: Intelectuais Negros - Educação e Militância.Obs: Este trabalho foi originalmente desenvolvido, com ligeiras modificações, como um sub-capítulo da dissertação“Raiou A Alvorada: intelectuais negros e imprensa, Pelotas (1907-1957)”, defendida em 2000/2 junto ao PPG de História da Universidade Federal Fluminense. 

"Acreditamos que Antonio Baobab, mais velho que os demais, com toda a experiência acumulada na liderança operária, professor e líder da comunidade negra, onde ocupou cargo na diretoria do Asilo São Benedito, foi o iniciador e principal mentor da criação do jornal A Alvorada. Segundo Xavier no último artigo citado, era “Inteligência lúcida e trabalhada por si própria, autodidata, bastante orientou os primeiros passos da ‘Alvorada’. A morte o arrebatou quando dele muito se esperava”. Em maio de 1907, Baobab assumiu o cargo de auxiliar de redação junto com Juvenal Augusto que era o redator do jornal, teria iniciado então, verdadeiracampanha de alfabetização dos negros na cidade, interrompida de forma prematura em julho deste ano, quando morreu aos 49 anos.
Durval e Juvenal Morena Penny, considerados pelos articulistas os donos do jornal, foram alunos particulares de Baobab. No ano de fundação do hebdomadário, os irmãos trabalhavam como gráficos nas oficinas do jornal O Arauto, onde, após o expediente, começaram a organizar o pequeno jornal que se chamava A Alvorada. Durval fez parte desde muito jovem de inúmeras associações da comunidade negra pelotense, aplicado nos estudos, formou-se por correspondência em Medicina no Instituto Nacional de Ciências do Rio de Janeiro em 1914. Ele possuía farmácia e consultório médico no centro da cidade de Pelotas, onde era considerado “médico da pobreza”. Segundo seu filho, Durval foi o primeiro negro a ter carro na cidade, o que lhe facilitava o deslocamento até o terceiro distrito de Capão do Leão, local em que possuía outra farmácia, pois na cidade de Pelotas os clientes brancos eram escassos. Conforme sabemos o racismo era muito presente naquela cidade nas décadas de vinte, trinta, quarenta e cinqüenta, desta forma, não devia ser fácil para um médico negro trabalhar em Pelotas, o que pode ajudar a explicar a “opção” de Durval Penny pela pobreza. Ele facilitava o pagamento com gêneros alimentícios para obter clientes, opção que o levou até Capão do Leão, distrito de Pelotas formado por colonos alemães e negros camponeses que trocavam sua produção (galinhas, porcos e frutas) por consultas médicas." (p.07-08)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Capão do Leão na década de 1940 no relato de um viajante


Extraído de: LOPES, Francisco de Paula Chirico. O Solar dos Meiras. Local indeterminado, Juvenal & Irmãos Livreiros, 1948, p. 121-123.

“Decerto, o distrito de Capão do Leão já nos fora mais agradabilíssimo em outras épocas e a Luiza preferia voltar à capital logo nos primeiros dias. Diante de minha relutância, ficamos hospedados na chácara do Dr. Fernando até que as coisas se resolvessem. (...) O Capão do Leão já teve seus tempos coroados por causa dos franceses e da grande obra da Barra do Rio Grande do Sul. Hoje, a pedra ainda faz a riqueza do lugar, assim como o aroma dos cítricos. Falava-nos o Dr. Fernando que muitos foram embora depois das enchentes que marcaram esta década. Paralelo, vieram para o lugar esta gente sarará, mista de alemães e negros, que impressiona pela pele escurecida e pinguinhos de sardas ao redor de olhos que insistem em ser verdes.[grifo nosso] No passado, o senhor gerente do hotel descia com sua Ford Machine em direção ao Fragata. Agora, os cascos de bois pisam o solo da estrada, deixando-a como uma pequena renda tradicional, com seus rococós. (...)
No domingo, após termos feito rápido e frugal lunch na casa do Dr. Fernando, eu e Luiza e nosso anfitriões subimos rumo à estação, onde havia-se preparado prodigiosa festa para receber o juiz Magalhães e seu séquito. Os meninos descalços nos ofereciam bergamotas e laranjas a preços módicos. O aroma do café também pairava no ar. Certa aristocracia do lugar recepcionava os ilustres visitantes. Isto fez as preocupações de Luiza cessar, ao menos naquele instante.
(...)
Notável obra de engenharia a Ponte do Sr. Gastaud, junto ao Teodózio. O pic-nic ali denotava ao pequeno arroio um status de local para o swinning.”

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Propaganda Eleitoral 1994

Propaganda eleitoral de candidato à Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul nas eleições de 1994. Na foto, o Sr. Eurico Pegoraro, político da Zona Sul do estado e com grande ligação política com Capão do Leão no início da década de 1990. Pegoraro foi candidato à prefeito nas eleições municipais de 1992, a mais surpreendente de nossa história, onde o "azarão" Getúlio Victória surpreendeu os dois candidatos considerados "franco favoritos" Vilmar Schmitt e o próprio Pegoraro. A campanha de Pegoraro para prefeito em 1992 foi uma das mais intensas que já vi na história do Capão do Leão, com grande movimentação e inúmeros apoios. Todavia, a multipolarização observada naquele ano permitiu um cenário completamente diferente como resultado final e Pegoraro ficou em segundo.
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