quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Sobrenome Luna


"Tanto os genealogistas e heraldistas García Carraffa quanto o tratadista Bizén d'O Río Martínez, atribuem muita antiguidade a este sobrenome. Todos eles também são convergentes em afirmar que sua origem é aragonesa. A própria presença da linhagem em Aragão remonta ao século XI. Martínez também aponta que os Luna de Aragão são originalmente da vizinha Navarra, tendo fundado vários solares naquele antigo reino.

Em Aragão, houve os Condes de Luna. Segundo os García Carraffa, a linhagem aragonesa procede do famoso cavaleiro Dom Bocalla, que prestou fidelidade ao rei Dom Sancho Ramírez de Aragão, e sob as ordens deste monarca, conquistou dos mouros a vila de Luna, no distrito judicial de Egea de los Caballeros, na província de Zaragoza. Bocalla tornou-se governador da citada vila e incorporou o topônimo como alcunha passando a ser Dom Bocalla de Luna.

Os Luna foram uma das famílias pioneiras a se estabeleceram na Argentina, durante o período colonial."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Hinojosa


"Antigo sobrenome de origem toponímica, nascido a partir do nome de algumas distintas localidades que existem na Espanha como: Hinojosa del Duque, na província de Córdoba; Hinojosa do Douro, na província de Salamanca; Hinojosa de San Vicente, na província de Toledo; Hinojosa del Campo, na província de Soria; Hinojosa del Valle, na província de Badajoz; e outras localidades denominadas simplesmente 'Hinojosa' nas província de Teruel, Cuenca, Guadalajara e Soria.

Juan de Hinojosa foi um rico-homem, e Lope de Hinojosa comendador da Ordem de Santiago, que tão importante papel desempenhou nas lutas de Reconquista.

Álvaro de Hinojosa, senhor de Tozuelo, casou com Dona Beatriz Paredes Carvajal, sendo filha do casal, Francisca de Hinojosa y Paredes, chamada também de Francisca de Orellana, que obteve matrimônio com Diego Pizarro Carvajal, senhor de Alcollarín, vila do distrito judicial de Logrosán (Cáceres), e regidor de Trujillo, na mesma província. Deste tronco familiar procede a linhagem dos Hinojosa da Extremadura. Vários de seus membros provaram sua condição de fidalgos perante a Real Chancelaria de Granada.

Também conseguiram o status de fidalguia: Pedro de Hinojosa, de Écija, província de Sevilha, no ano de 1567; Pedro Hinojosa e seus irmãos, de Jerez de la Frontera, província de Cádiz, entre os anos de 1560 e 1565; Mateo Antonio de Hinojosa Bocanegra y Villalba, de Olvera, província de Granada, no ano de 1732; entre outros.

Em Granada, no ano de 1852, nasceu o eminente catedrático de História Antiga e Medieval Dom Eduardo Hinojosa y Naveros, falecido em Madrid em 1919. Membro do Partido Conservador, foi Governador Civil de Valencia e de Barcelona, e Diretor-Geral de Instrução Pública. Deixou numerosas obras escritas, dentre elas 'Los nuevos bronces de Osuna', de 1878.

Etimologicamente, Hinojosa procede de de 'hinojosa', sinônimo de 'hinojal', com o significado de 'lugar com muitos hinojos'. Hinojo é sinônimo de funcho (Foeniculum vulgare), em português."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Ibor


"Sobrenome singular e pouco difundido. Parece originário da província de Valencia, passando à província de Huesca, e desta à província de Barcelona e à comunidade de Madrid.

Segundo o Dicionário Catalão, Valenciano e Balear, obra do filólogo catalão Antoni Maria Alcover. Conforme os estudos de Alcover, o sobrenome Ibor ou Ivor, encontrado de ambas as formas, tem casas solares desde os fins do século XIX e início do século XX, nas localidades de Valencia, Sollana, Albal, Alfafar, Albatat de la Ribera, etc.

Pela sua parte, o também filólogo Gutierre Tibón, em seus estudos etimológicos, afirma que o sobrenome Ibor é uma redução do topônimo antigo Iborra ou Ivorra. Iborra ou Ivorra corresponde a um primitivo lugar na província de Lérida."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Mainar


"É um sobrenome muito antigo de origem aragonesa, originário do município de Mainar, no distrito judicial de Daroca, província de Zaragoza.

O historiador Enric Guinot, em sua obra 'Os Fundadores do Reino de Valência', em que elenca todos aqueles indivíduos que, procedentes principalmente de Aragão e Catalunha, participaram da conquista e repovoamento do antigo Reino de Valência, entre os séculos XIII e XV. Entre estes primitivos povoadores, encontra-se Bartomeu de Mainar, oriundo da província de Zaragoza, que ergueu uma morada na localidade de Gandía, em Valência. O dito fidalgo é arrolado nos censos oficiais de 1244 e 1249 como um dos pares do reino. Domingo Mainar, Jacme Mainar e Pero Mainar, também procedentes da província de Zaragoza e residentes no povoado de Orihuela, são citados também entre 1300 e 1314 no mesmo reino.

Posteriormente, no século XVIII, se documentou um casa de Infanção do sobrenome Mainar na vila de Mediana, na província de Zaragoza. A esta casa pertenceu Francisco Miguel Mainar, residente de Mediana, reconhecido como Infanção pela Real Audiência de Aragão no ano de 1786.

Ainda no século XVIII, uma linhagem dos Mainar de Mediana passou à Zaragoza, dando origem a uma ramal distinta.

Segundo Gutierre Tibón, Mainar é originário da palavra germânica magan ou main que significa 'força'; Mainar, Maynar ou Mainer significam 'exército forte', segundo o mesmo autor."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia. 

Sobrenome Juan


"Sobrenome patronímico simples do nome próprio Juan, que equivale a João em português.

As casas mais antigas deste sobrenome se achavam radicadas em Aragão, Valência e Alicante. Seus ramais se estenderão para outras regiões da Espanha. Também é muita antiga a família Juan estabelecida em Palma de Mallorca, pois vários cavaleiros desta linhagem participaram da conquista da ilha, no século XIII.

Entre os cavaleiros da medieval Coroa Catalã-Aragonesa, conta-se o valenciano Perot Juan, que no ano de 1337, participou do apoderamento do estado de Atenas, na Grécia, a mando do rei Pedro IV de Aragão.

Também se conta Fernando Juan, do vecindário de Almunia de Doña Godina, que interviu junto a Real Audiência de Aragão por seus pleitos civis entre os anos de 1799 e 1801."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A fábrica de guanos de Gustavo Hugo Elste


"A primeira e mais importante das fabricas de Pelotas, é sem duvida a do Sr. Gustavo Hugo Elste, na Costa, que abrio ao paiz uma nova valvula de exportação, e que utilisa materia prima, até hoje despresada e até nociva para a saude publica.

Ha tempos já demos aos leitores idéa do processo empregado pelo Sr. Elste, o mais incansavel e energico dos nossos industrialistas, e expozemos as vantagens resultantes de sua industria, que reduz o guano artificial (que tem optimo mercado na Europa) as forçuras e todos os outros restos animaes, que em tempos idos não eram aproveitados nas xarqueadas, sendo atiradas ao rio, onde empestavam o ar.

Graças á industria do Sr. Elste, hoje não se perde mais cousa alguma da rez. Suas lanchas a vapor (a fabrica possue 4) e outras embarcações percorrem constantemente as xarqueadas e recebem ali todos os restos animaes, que não eram aproveitados: figados, baços, buchos e tripas, beiços, orelhas, etc., e nem sequer se perde o proprio sangue, porque as embarcações da fabrica o apanham e fervem-n'o logo durante o trajecto, para cujo fim dispõem de caldeirões apropriados, chegando o sangue já fervido á fabrica.

Esta se acha estabelecida na costa e cobre um vasto arraial cercado de grandes e espaçosos edificios mui solidos. A immensa chaminé do estabelecimento de longe o indica.

A vasta área que fica entre os edificios é toda ladrilhada e tem canalisação subterranea, para estar sempre enxuta, porque n'ella se utilisa a acção do sol, n'uma das phases do processo.

Aos visitantes sorprehende á chegada a immensa bulha produzida pelos diversos machinismo, motores, etc. Duas machinas a vapor, ambas de grande força, trabalham ali constantemente. O Sr. Elste, que se acha sempre pessoalmente á frente do serviço, dirigindo tudo, recebe o seu visitante em mangas de camisa e com o suor do honrado trabalho cobrindo-lhe o rosoto, e de bom grado lhe mostra esta sua gigantesca creação, tanto mais apreciavel, quanto teve de luctar durante longos annos contra contrariedades sem fim. Só mesmo a energia, a tenacidade e immensa actividade do grande industrialista podiam vencer tantos obstaculos e chegar a um resultado tão imponente.

Acompanhemos o nosso guia, que com gesto energico, palavra incisiva e olhar intelligente nos explica o complicado mechanismo do seu estabelecimento, começando pelo trapiche junto ao qual ancora a sua esquadrilha a vapor, que recolhe nas xarqueadas das margens do Pelotas e do S. Gonçalo, os residuos que até ha pouco eram atirados ao rio.

Toda essa massa informe, uma vez desembarcada, é levada para o primeiro vasto edificio, onde se acha assente uma immensa machina a vapor, com tres grandes caldeirões de ferro, n'um dos quaes é fervida a massa dos residuos, ao passo que as outras servem para extracção de graxa dos ossos destinados á calcinação (porque o Sr. Elste continúa tambem a fabricar a afamada cinza de ossos); o liquido que sahe do caldeirão em que se ferve os residuos, é logo, por um canal levado ao rio; o condensador da graxa está no mesmo edificio e engenhosamente ligado á respectiva caldeira, sendo de systema inteiramente novo, e muito importante.

Até agora fazia-se esse serviço em tinas de madeira nas xarqueadas, com excepção da do Paredão da Cachoeira, ainda hoje assim é, levando-se 36 horas no processo que com caldeiras de ferro e emprego do vapor póde ser feito em 5 ou 6 horas.

Os residuos fervidos na caldeira são seccados na área, para o que utilisa-se a acção gratuita do sol; n'este estado passam depois para um outro vasto edificio, onde o motor de grande força move uma immensidade de machinas. A primeira d'ellas é o cortador; os grandes pedaços de massa taes como sahem da área, são ali cortados (com machinas) em tiras estreitas.

Depois são levadas ao torrador, uma vasta extensão de chapas de ferro com fogo subterraneo canalisado, em que a massa é cortada e perfeitamente torrada.

Uma vez torrada, é ella sempre mechanicamente levada ao soccador, uma outra machina que reduz os pedacinhos a pó; é engenhosissimo o systema pelo qual, dentro de um cano de madeira, este pó é levado ao alto do edificio, afim de ser despejado no moinho em que é moido e peneirado, sendo logo despejado em saccos que se enchem sem auxilio manual.

Termina ahi o processo; os residuos das xarqueadas se acham reduzidos a um finissimo pó de côr escura e sem cheiro algum, um phosphato que em qualidade nutritiva para o sólo, iguala absolutamente, se não excede, ao melhor guano das costa do Pacifico.

O Sr. Elste, cuja fabrica só agora está completa, e que até hoje trabalhava em proporções acanhadas, ainda assim já exportou 5 carregamentos de guano artificia, que acharam optimo mercado na Europa, e hoje que sua fabrica está completamente montaa, dispondo de innumeras machinas, promptificará um grande numero de carregamentos durante a safra, utilisando todos os residuos de 28 xarqueadas que trabalham em Pelotas.

É um importantissimo ramo de exportação que foi creado pelo Sr. Elste, em lucta com immensas contrariedades."

Fonte: REVISTA DE ENGENHARIA (Rio de Janeiro/RJ), ano III, número 02, 1881, pág. 27


terça-feira, 6 de agosto de 2019

A colônia de São Lourenço do Sul em 1885


"COLONIA S. LOURENÇO

RIO GRANDE DO SUL

Eis alguns dados sobre essa colonia:

Area. - 621,478 m. occupada... 383.723 m2 demarcada; não demarcada 200.105.332 m2.

Posição. - Municipio de Pelotas, ao norte; entre 9* e 9*15' longitude do Rio de Janeiro; lat. 31*20' e 31*28'.

Limites. - Ao N. a serra do Cangussú e terras particulares; á L. terras particulares; ao SE. a colonia da Santa Clara; ao S. colonia Santa Silvana e terras particulares; ao SO. a colonia Alliança, e terras particulares.

População. - 10,000 almas (allemães na totalidade).

Culto. - Ha duas igrejas catholicas e 33 templos protestantes (sendo cada um destes em uma das 33 picadas da colonia).

Instrucção publica. - Duas escolas creadas pelo governo e 22 particulares muito frequentadas.

Vias de communicação. - Cortam a colonia, em diversos sentidos, 33 picadas, que servem ás communicações internas, e o rio de S. Lourenço, que desagua na lagôa dos Patos.

Meios de transporte. - 600 carretas e embarcações para a navegação fluvial.

Commercio. - O movimento de exportação e importação eleva-se a cerca de 600:000$000.

Ha 25 casas commerciaes.

Producções. - Milho, feijão, batatas, manteiga, ovos, gallinhas, presuntos e salames, sendo estes os generos de exportação; vinho para o consumo local; em ensaios proveitosos, a cultura do trigo e congeneres.

Ha cerca de 5,000 cabeças de gado bovino.

Industria fabril. - Entre as principaes, notam-se: 4 cortumes, 4 tamancarias, 2 fabricas de cerveja, 1 serraria a vapor, 1 olaria.

Ha em cada uma das 33 picadas que cortam a colonia, 1 ferraria e respectivamente um estabelecimento das innumeras pequenas industrias.

Funccionam nas principaes fabricas 8 machinas movidas a vapor e 10 a agua, estando-se a montar uma outra das primeiras."

Fonte: JORNAL DO AGRICULTOR: PRINCIPIOS PRATICOS DE ECONOMIA RURAL (Rio de Janeiro/RJ), ano VII, tomo XIII, julho a dezembro de 1885, pág. 273
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