sábado, 7 de julho de 2018

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira


"Brasileiro, 1910-1989, filólogo

Aurélio, no Brasil, virou sinônimo de dicionário, como Webster nos EUA, ou Caldas Aulete em Portugal. O contista, poeta e tradutor Aurélio Buarque de Holanda Ferreira passou a dedicar-se aos dicionários, a 'caçar palavras, como um caçador de borboletas', como dizia, a partir de 1952, quando assumiu a coordenação da revisão do Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa, que fora editado pela Civilização Brasileira em 1941. Aurélio era encarregado dos brasileirismos, a língua viva. Em 1966, começou a elaborar um grande dicionário para a editora Delta, que não foi adiante, e o projeto foi comprado pela editora Nova Fronteira em 1970, que o ampliou e nele aplicou US$ 1,5 milhão. O dicionário tornou-se o maior best-seller da editora, o mais popular dos dicionários de português, teve uma segunda edição acrescida de 30 mil vocábulos, 25 impressões, edições escolares e de bolso, uma versão para microcomputador e foi exportado para Portugal e países africanos de língua portuguesa. Aurélio nasceu em Passo do Camarajibe, Alagoas, e tem parentesco com os Buarque de Holanda de São Paulo. Em 1961 entrou para a Academia Brasileira de Letras".

Fonte: ISTO É/THE TIMES. 1000 que fizeram o século 20. São Paulo: Editora Três, 1999, p. 41

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Inauguração da Placa em homenagem ao Dia do Poeta Leonense






Camillo Barcellos (filho do poeta homenageado Florisbello Garcia Barcellos) agradece à homenagem e tece algumas considerações - à direita
Glei Rodales (vereador proponente da lei do Dia do Poeta Leonense em Capão do Leão) - à centro-direita
Gustavo Domingues (secretário de Educação e Cultura) - à direita
Gilciane Saens Baldassari (vice-prefeita de Capão do Leão) fala da importância do monumento
Éverson Maré (diretor municipal de Cultura, Desporto e Turismo) ao centro
Pedra com a placa em homenagem ao Dia do Poeta Leonense, pouco antes do começo da cerimônia de inauguração
Jairo Costa (presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Capão do Leão) e Carlos Eugênio Costa da Silva (popular "Vacaria") momentos antes do início da cerimônia de inauguração da placa em homenagem ao Dia do Poeta Leonense - 05 de julho



Anhanguera


"Nome por que ficou conhecido o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o primeiro a penetrar os sertões de Goiás, em 1682. Notabilizou-se pelo ardil de que valeu para forçar os indígenas a lhe revelarem o local de uma jazida de ouro: pôs fogo a uma porção de aguardente, ameaçando incendiar os rios de toda a Terra se os índios se negassem a obedecê-lo. Os silvícolas, amedrontados, viram no artifício artes de outro mundo e lhe puseram o nome de Anhanguera, que quer dizer Diabo Velho. Houve um segundo Anhanguera, filho deste Bartolomeu Bueno da Silva e também bandeirante: fundou a cidade de Goiás, no atual Estado do mesmo nome."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Pelotas em 1888


"A Cidade de Pelotas. - Até o mez de Setembro do anno findo existiam na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, 3,946 edificios, havendo mais 76 em construcção.

Por esta estatistica official, conta hoje a cidade de Pelotas 4,022 predios em 6,000 fogos, o que composta, a razão de 5 pessoas por um, população superior a 30.000 habitantes.

Em 1870 havia apenas 2.000 predios e 12.000 habitantes.

A mesa provincial arrecada annualmente 65:019$400 de imposto de decimas urbanas."

Fonte: CEARENSE (CE), 11 de Fevereiro de 1888, pág. 01, col. 04

quarta-feira, 4 de julho de 2018

O Namoro de Bufarinheiro


"Uma vez que, na Idade Moderna, erótico designava 'o que tivesse relação com o amor', como essa definição se materializaria em práticas? Há registros de estratégias de sedução que soariam pouco familiares e mesmo pueris aos olhos de hoje. É o caso do 'namoro de bufarinheiro', descrito por Júlio Dantas, corrente em Portugal e no Brasil, ao menos nas cidades. Consistia em passarem os homens a distribuir piscadelas de olhos e a fazerem gestos sutis com as mãos e bocas para as mulheres que se postavam à janela, em dias de procissão, como se fossem eles bufarinheiros a anunciar seus produtos. É também o caso do 'namoro de escarrinho', costume luso-brasileiro dos séculos XVII e XVIII, no qual o enamorado punha-se embaixo da janela da moça e dizia nada, limitando-se a fungar à maneira de gente resfriada. Caso a declaração fosse correspondida, seguia-se uma cadeia de tosses, assoar de narizes e cuspidelas. Escapa-nos, sobremaneira, o apelo sedutor que os tais 'escarrinhos' poderiam ser naquele tempo, mas sabe-se que até hoje, no interior do país, o namoro à janela das moças não desapareceu de todo."

Fonte: DEL PRIORE, Mary. História íntima. São Paulo: Planeta do Brasil, 2011, pág. 45-46.

terça-feira, 3 de julho de 2018

A Nobreza Gaúcha - Parte 03


" - Visconde de Serro Alegre
João da Silva Tavares.

Nasceu em Erval, RS, em 1792, e morreu em Bagé, RS, em 1872.
Militar, combateu contra os farroupilhas no Rio Grande do Sul. Deputado e estancieiro. Já perto dos 70 anos, combateu na Guerra do Paraguai.
Pai do Barão de Itaqui e do Barão de Santa Tecla.
Recebeu o título de Barão, em 1866, e o de Visconde, em 1871, de Dom Pedro II.

- Visconde de Serro Azul
João Antônio Pereira Martins.

Nasceu em Ponte Lima, Portugal, no ano de 1768, e morreu em Pelotas, RS, em 1847.
Foi o maior latifundiário de toda a história do Rio Grande do Sul.
Suas estâncias começavam em Piratini e Bagé, entrando pelo Uruguai adentro. Por isso, podia ir do Rio Grande do Sul até Montevidéu viajando pelas suas terras.
Participou das lutas da Banda Oriental (Uruguai) e Guerra Cisplatina. Foi ferido na Batalha do Passo do Rosário, onde morreu o Barão de Cerro Largo.
Colaborava com obras de caridade e contribuía para comprar armas.
Recebeu o título, em 1826, de Dom Pedro I.

- Visconde de Serro Formoso
Francisco Pereira Machado.

Nasceu em Rio Pardo, RS, no ano de 1806, e morreu em Porto Alegre, RS, em 1888.
Comandante da Guarda Nacional. Grande proprietário. Durante a Guerra do Paraguai mandou para a luta os quatro filhos e cinquenta escravos.
Durante a campanha abolicionista, libertou todos os seus escravos.
Barão em 1872, Visconde em 1885, títulos recebidos de Dom Pedro II.

- Barão de Três Serros
Aníbal Antunes Maciel.

Nasceu em Pelotas, RS, em 1838, e morreu em 1887, na mesma cidade.
Grande proprietário.
Membro de destaque na sociedade pelotense. Advogou muitos anos.
Recebeu o título, em 1884, de Dom Pedro II.

- Barão de Viamão
Hilário Pereira Fortes.

Nasceu em Rio Pardo, RS, em 1810, morreu em Cachoeira do Sul, RS, em 1889.
Foi grande proprietário e Coronel da Guarda Nacional.
Recebeu o título de Dom Pedro II, em 1871.


Fonte: BELLOMO, Harry Rodrigues. A Nobreza Titulada Gaúcha. In: NEUBERGER, Lotário. RS no contexto do Brasil. Porto Alegre: CIPEL/EDIPLAT, 2000, p. 219-221.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A Colônia de São Lourenço do Sul em 1876


"SUL DO IMPERIO

(...)

- O Paiz, jornal de Pelotas, apresentou em um de seus ultimos numeros o seguinte esboço a respeito da colonia de S. Lourenço, que bem deixa de ver o estado florescente em que marcha aquelle moderno estabelecimento, que tão util já nos tem sido, e muito cooperará para o engrandecimento de Pelotas, em cujo município se acha situado:

Os primeiros colonos chegaram aqui no dia 18 de Janeiro de 1858.

Tem a colonia 734 fogos com 5.130 habitantes, dos quaes professam 430 a religião catholica e 4.700 a religião protestante.

Existem 16 escolas particulares, seus mestres são pagos pelos colonos.

Não ha aula publica.

Ha completa falta de igrejas, e existe na colonia só um padre protestante, que celebra as ceremonias de seu culto nas casas das escolas.

Ha umas igrejas catholicas que ainda não estão acabadas.

Os productos de exportação são: milho, feijão, batatas, trigo, centeio, cevada, estes três ultimos em grão e em farinha; manteiga, banha, toucinho, ovos, galinhaas, lenhas e madeiras de construcção; a exportacção tem sido pouca ou quasi nenhuma este anno, em consequencia dos estragos causados pelos ratos que tem havido na Serra dos Tapes, e em logar de exportar, tiveram os colonos de comprar de outros logares, principalmente milho, como também feijão e batatas; assim foi este anno muito infeliz para os moradores da Serra de Tapes.

A saude publica foi satisfactoria.

Ha um medico e uma botica.

Existem na colonia cinco moinhos movidos por agua e um a vapor, todos muito pouco tiveram que fazer em consequencia dos estragos feitos pelos ratos.

Casas de negocio ha 16, e ha os seguintes officios: 10 ferreiros, 12 carpinteiros, 5 alfaiates, 10 sapateiros, 12 (ilegível), 4 correeiros, 4 curtidores, 3 pedreiros e uma fabrica de cerveja.

Tendo havido no anno de 1875 uma exportacção no valor de 350:000$, pouco mais ou menos, mas neste anno o valor dos productos exportados nem chega para as despezas das diversas familias. 

Ha como 320 carretinhas, de quatro rodas puxadas por cavallos, pertencentes aos mesmos colonos, que levam seus productos a Pelotas, no porto de S. Lourenço e para o interior da campanha até Bagé, para vendel-os.

É para lamentar-se a falta de ordem, e enormes abusos que tem havido nesta colonia por parte das autoridades policiaes."

Fonte: DIARIO DO RIO DE JANEIRO (RJ), 26 e 27 de Dezembro de 1876, p.01, c.05-06




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