segunda-feira, 25 de junho de 2018

Henrique Dias


"Patriota brasileiro do século XVII. Era filho de escravos libertos. Quando da invasão holandesa ofereceu-se para lutar e o fez sob o comando de Matias de Albuquerque, tendo participado de todas as ações de guerra, até a expulsão do invasor, em 1654: na Batalha dos Guararapes teve de amputar metade do braço esquerdo, mas nem por isso abandonou o campo de luta. Herói de ambas as Batalhas dos Guararapes e de Porto Calvo (foi quem decidiu a vitória luso-brasileira nessa batalha), além de perder a metade do braço esquerdo foi ferido gravemente oito vezes. Entre outras honrarias, recebeu a patente de cabo, o foro de fidalgo e o cargo de governador dos crioulos, negros e mulatos do Brasil, com o soldo de 40 cruzados."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

domingo, 24 de junho de 2018

A História dos Dias da Semana


"É bom que nos detenhamos neste assunto, porquanto nem todos os povos usaram ou usam os mesmos designativos.

Domingo - Primitivamente, o 'dia do Sol'. O astro-rei era tudo para o homem primitivo. Espantava as trevas, aquecia os membros entorpecidos, sazonava os frutos, amadurecia as colheitas, trazia para fora de seus covis as peças de caça, amornava as águas para o passeio dos cardumes. Sem ele no céu, reinava nos corações humanos o pavor pelas sombras e o temor da morte chegada nos azares das tempestades! Era forçoso amar e respeitar, até ao temor, aquela força infalível, poderosa. O Sol era deus. A ele cabiam as primeiras oferendas e homenagens. Assim identificado com Deus, o seu dia dedicado à Suprema Majestade. Desse 'Dies Dominica' ou 'dia do Senhor', surgiu o nosso domingo, o dimanche dos franceses, o domenica dos italianos. Mesmo entre os povos mais cultos, que medem do mesmo modo pelo qual medimos nós os dias da semana, o domingo lembra o culto ao Sol. Exemplos? Em alemão diz-se Sonntag, em inglês Sunday, ambos significando 'dia do Sol'.

O primeiro a chamar Domingo, isto é, dia do Senhor a um dia da semana foi São Justino, fundador da primeira escola cristã em Roma, onde veio a ser martirizado em 165. O Concílio de Elvira, no ano 300, punindo com excomunhão quem faltasse à missa em três domingos como que oficializava o domingo cristão, já de uso nos três séculos precedentes. O descanso dominical sofreu muitas alternativas e até foi condenado pelo Concílio de Orléans antes que um edito de Constantino proibisse o trabalho a algumas classes liberais.

Dia da Lua (Segunda-feira) - Depois do Sol e sempre no céu, a Lua era a impressão mais forte recebida pelo homem. Influía nas marés, no plantio, no corte de madeiras, talvez mesmo no nascimento das criaturas. Tão poderosa e influente nos destinos humanos que a imaginação dos primitivos fê-la também ser Prosérpina, a rainha dos infernos, e Diana, deusa solitária e caçadora. Com todas as honras, portanto, coube-lhe um dia da semana.

Dia de Marte (Terça-feira) - Na escala dos poderes que governavam céus, terras e criaturas humanas, Marte pontificava. Era o senhor da guerra e, portanto, dos destinos das nações e dos povos. Em Roma, onde lhe deram um mês inteiro (março), esse astro era invocado quando se decidiam as guerras e recebia ações de graças, depois das jornadas vitoriosas. O Rei Numa depositou aos pés desse deus os destinos da cidade e instituiu um corpo de sacerdotes - os sálios - para honrarem o poderoso superintendente dos destinos humanos. Tamanha honra teria lisonjeado a tal ponto o impressionável senhor dos céus, que, certo dia, fez cair um escudo de bronze junto do rei que orava. Numa entendeu a mensagem: a cidade e o reino que criara durariam tanto aquele escudo. Mandou fundir outros onze escudos em tudo iguais àquele descido do céu e confiou-os à guarda dos sálios. Ao deus protetor dedicaram desde então as preces de um dia especial da semana.

Com outros nomes e diferente apresentação, o senhor da força e da guerra merecia o mesmo culto de todos os povos. Era Tyr para os primitivos ingleses e batizou com seu nome a terça-feira - Tuesday. Tão potente quanto o romano tinha, no entanto, uma só mão. A outra, perdera-a ao prender Féuria, potência maligna que infestava a terra sob a forma de lobo e prometera deixar-se prender se um deus especialmente corajoso e forte descansasse a mão, por um momento, entre as suas mandíbulas. Tyr ousou e vencendo a fera perdeu a mão. Por esse e muitos outros atos de coragem em favor dos homens mereceu a veneração dos mortais e a honra de ver dedicado ao seu culto um dia da semana.

Dia de Mercúrio (Quarta-feira) - Mercarii verbo latino que traduzimos por comerciar, mercadejar, ligou-se a Mercúrio, deus do comércio, dos viajantes e dos...ladrões! Apresentava-se armado com uma vara de duas serpentes, e era positivamente amigo da rapidez e do voo, pois, além de ter asas nos pés, usava um chapéu alado. Mensageiro e arauto de Júpiter, protegia os negociantes e os seus negócios; operações e criaturas essas tão importantes em todos os tempos e lugares que, por fim, alcançaram para o deus a consagração de um dia da semana.

Os germanos quebraram a esta altura a tradição de aliar uma invocação divina a cada dia da semana. À nossa quarta-feira chamaram e chamam Mittwochi, ou seja, meio da semana. Já os ingleses mantiveram o costume denominando a este dia Wednesday, que parece referir-se a Odin, ou Wotan, o maior dos deuses das raças nórdicas. Vivia num palácio de ouro e prata, o Valhala, conhecendo o andamento das coisas do mundo pelas notícias que periodicamente lhe traziam dois mensageiros especiais. Eram dois corvos que, ou estavam viajando à procura de novidades, ou pousados sobre os ombros do deus relatando as bisbilhotices humanas.

Dia do Júpiter (Quinta-feira) - Jeudi, jueves ou giovedi - origina-se de Júpiter (jovis dies), honraria conferida ao pai dos deuses pagãos, comandante dos ventos e das tempestades, cujas mãos dirigiam os raios e liberavam os estrondosos passeios dos trovões.

A ideia quase necessária de homenagear e assim aplacar um deus totalmente poderoso esteve presente também no espírito de vários outros povos. Donnerstag (dia de Donner, o trovão) é a quinta-feira dos alemães. Na Escandinávia, as honras deste dia cabem a Thor, deus proprietário de um martelo tão pesado que só ele o podia manejar e que, ao ser vibrado contra a concavidade do céu, produzia os trovões semeadores de pânico entre os homens. E não só os homens se irritavam e temiam os trovões assim produzidos. Pois o forçudo gigante Thrym, um pouco enervado e roído de inveja, apoderou-se do martelo e ocultou-o. Surdo aos rogos e ameaças de Thor, resolveu devolver o martelo mediante um alto preço: permissão para casar com a deusa Friga. Era coisa que nem mesmo um deus tão poderoso como Thor poderia conceber. Mas como estaria desonrado sem o seu martelo, concebeu uma esperteza audaz: vestiu-se, adornou-se e perfumou-se como a própria Friga e foi ao encontro do gigante que lhe abriu a casa para uma recepção de gala. Mas durante o jantar o apaixonado Thrym assustou-se quando viu a suposta Friga engolir muito à vontade um boi inteiro e oito salmões de tamanho avantajado. Contentou-se, porém, com a explicação de que mesmo para uma deusa a jornada fora longa e o apetite era grande... Quando Thrym sentiu os efeitos do vinho e dos temperos. Thor livrou-se do disfarce, retomou o seu martelo e saiu a vibrá-lo contra o céu, provocando assustadoras trovoadas.

Dia de Vênus (Sexta-feira) - Nascida da espuma para distribuir belezas pelo mundo. Vênus, com este nome ou outro qualquer dos que lhe emprestaram os homens de vários países, traduziu para os pagãos os ideais da formosura, harmonia e amor. Desempenhando função assim importante na vida sentimental e estética dos homens, estava a merecer a homenagem de um dia. Veneris dies dos romanos resultou no venerdi dos italianos, no vendredi dos franceses, no viernes dos espanhois, quando o evoluir dos idiomas neolatinos deixara sepulto no rolar dos tempos as razões primeiras da terminologia romana.

Não só os latinos dedicaram esse dia à deusa do amor e da beleza. Entre os nórdicos ela se chamava Friga e em sua honra os ingleses chamam a este dia friday e os alemães freitag.

Sábado - O deus especialmente caro aos velhos romanos foi exatamente o único despojado, pelo uso e pelo tempo, da homenagem consistente em dar nome a um dia da semana. Isso ocorreu assim: segundo a escala da devoção popular o sexto dia caberia a Saturno. Este era um deus praticamente particular dos povos itálicos, ou melhor, dos romanos. Segundo as mais antigas lendas, Saturno era o senhor principal do Olimpo. Despojado por Júpiter de suas prerrogativas, foi procurar refúgio na região que mais tarde se chamaria Lácio (da palavra latina latere, que significa esconder-se, ocultar-se). Aos homens que acorreram a servi-lo ensinou a agricultura e inaugurou uma era que passou a ser apontada pelos romanos e italiotas como a Idade do Ouro. Sua presença na península emprestou à Itália o nome de Saturnia Tellus, isto é - Terra de Saturno. A mitologia ficou para trás, mas o culto dos romanos continuou. Entregaram ao deus a proteção das semeaduras e da agricultura, proteção essa que agradeciam e invocavam todos os anos com as grandes festas Saturnais celebradas em dezembro. Elas duravam quatro dias com tribunais cerrados, escolas vazias, soldados licenciados, escravos sentados à mesa com os seus senhores! No quarto dia, as honras da festa eram distribuídas entre o deus e a sua esposa Opi ou Rea, deusa identificada com a mãe terra, produtora da vida e da fartura. A festa não era mais do que um retorno imaginário e temporário aos bons tempos em que o deus Saturno reinara e ensinara todas as artes e técnicas aos homens do Lácio.

As festas perpetuaram-se, embora desvirtuadas, por toda a história romana. Mas a homenagem a Saturno correspondente a um dia da semana perdeu-se nas línguas latinas, substituídas pelo termo hebraico Shabbath, que traduz o repouso indicado na velha lei judaica como sendo o dia dedicado ao descanso e às orações.

O idioma inglês permaneceu fiel ao velho Saturno chamando ainda ao seu sábado Saturday."

Fonte: DONATO, Hernâni. História do calendário. São Paulo: Melhoramentos, 1993, pág. 22-26.

sábado, 23 de junho de 2018

Execução em Pelotas


"RIO GRANDE DO SUL
Rio-Grande, 28 de julho de 1847.

Execução dos tres réos sentenciados pelo jury da cidade de Pelotas, em sessão de 23 de março do corrente anno, pelo horroroso crime commettido a bordo do hiate brasileiro - Quibebe.

Na manhã de 22 do corrente mez o sino da matriz de S. Francisco de Paula, chamava a attenção do publico desta cidade a presenciar um acto exemplar da justiça.

Em um dos logares da cadeia se havia erigido o altar, aonde se achava exposta a imagem do Salvador, allumiada por quatro velas, e os réos condemnados á morte, Salvador, Bento e João, recebião as consolações religiosas na hora derradeira.

Os reverendos padres João Baptista Domingues, Pedro Puritany, Antonio Augusto da Assumpção e Souza, Manuel da Silva Lima e João Calisto, forão incansaveis em exortar os infelizes no seu derradeiro dia.

Serião 11 horas pouco mais ou menos, quando chegou a irmandade da misericordia para acompanhar os padecentes, e encontrou o Dr. Juiz municipal Amaro José d'Avila da Silveira, seguido do escrivão Francisco José Ferreira Lagôas, e officiaes de justiça e pregoeiro, e igualmente uma força  de 50 soldados do 8o. batalhão de caçadores, e 20 homens da policia, que postados esperavão para acompanhar os padecentes ao logar da sua execução.

Apenas se approximarão os irmãos da misericordia, os reverendos sacerdotes disserão aos réos que era chegada a hora em que devião marchar, afim de se cumprir a sentença que os condemnava a padecer: que se armassem de uma forte resignação para receberem o golpe fatal, e salvarem sua alma; um dos infelizes derramou copiosas lagrimas e os outros consternados, se entregarão nas mãos dos seus confessores.

Sahio o prestito funebre, e percorreo a rua chamada do Poço, seguindo a da Igreja.

A campa da agonia annunciava o transito dos desgraçados e os corações sensíveis se compungião ao vel-os caminhar ao supplicio.

De espaço em espaço o pregoeiro lia em voz alta a sentença do jury que os havia condemnado a morte.

Chegarão á igreja matriz na occasião em que se dizia a missa do dia, e ali de joelhos encommendarão sua alma a Deos.

Apenas tocou a Santos o prestito seguio ao logar chamado da Luz aonde, ao lado direito do cemiterio, se havia levantado a forca.

Mais de mil pessoas de todos os sexos e idades atulhavão a longa campina, e com um silencio funebre, e de um aspecto reverente observarão attentamente o cumprimento da lei.

O primeiro dos réos executados foi o preto João, que por incuria ou negligencia do carrasco, depois de com elle executar as operações usadas em similhantes casos, passou ao segundo, e logo que acabou deste, o primeiro fez alguns movimentos dando signaes de vida, tendo por isso de ser levado novamente a padecer, ficando pendurado até que se executasse o terceiro.

Não houve a pratica costumada em taes actos, feita pelo sacerdote disso encarregado, em consequencia do muito vento que fazia, e nada se poder ouvir.

A uma hora estava concluido.

Possa este exemplo servir de correcção aos malfeitores, e affastar da sociedade os crimes horroroso: a lei em taes actos faz estremecer os homens, porém a justiça cumpre um dever, punindo o deliquente, e a humanidade exulta, vendo punido o crime do agressor. 

(Do Rio-Grandense)."

Fonte:  O MERCANTIL (RJ), 31 de Agosto de 1847, p.01, c.03-04


sexta-feira, 22 de junho de 2018

A farda do marechal


"Existe na cidade de Pelotas, em poder do apreciavel cavalheiro, sr. coronel Urbano Martins Garcia, uma preciosa reliquia para a nossa existencia republicana - a farda que vestia, na manhã de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca, quando dirigiu o generoso movimento militar de que resultou o estabelecimento das instituições democraticas na nossa Patria.

Essa farda foi pelo glorioso soldado, cujo nome o Brasil ha de sempre recordar em homenagem de veneração, como tendo vínculo de amizade, ao sr. Cesar Pereira Navarro, que durante muitos annos residiu na referida cidade, onde exerceu a profissão de advogado."

Fonte: DIARIO DE MINAS (MG), 05 de Novembro de 1899, pág. 01, col. 02

quinta-feira, 21 de junho de 2018

A casa do imigrante italiano


"Com o florescimento das colônias, já no início do século XX, casas em pedra, com ou sem reboco, começaram a ser construídas: marcadas ainda estavam as características arquitetônicas das regiões de procedência. A tradicional casa colonial vêneta de dois ou três pisos pode ser vista nas mais diversas localidades de colonização italiana na serra gaúcha. Construída em três andares, a habitação era constituída de uma cantina no andar inferior, de uma zona diurna no nível intermediário e de uma zona noturna no último piso.

O andar mais baixo da moradia, muitas vezes abaixo do nível do terreno, servia para a conservação dos gêneros alimentícios, tais como queijos e salames, bem como para a produção do vinho. Imediatamente acima, tinha-se o espaço da vida social familiar e comunitária - era o lugar da cozinha e da 'sala de estar', onde a família se encontrava durante o dia e onde se recebiam os visitantes, especialmente nas noites de filò. O terceiro piso era onde se encontravam os quartos, era uma zona mais reservada e íntima da casa.

Algumas moradias, especialmente aquelas feitas em madeira, tinham a cozinha em um espaço fora da casa, construído a uma certa distância. Isso se devia grandemente ao perigo de incêndio que a precariedade dos antigos focolare trazia. Assim, a distância entre a cozinha e a habitação permitia uma segurança maior à família quando da utilização do fogo.

O espaço doméstico, além de ser o lugar da vida familiar do imigrantes, também é, por excelência, o locus da rememoração das experiências da trajetória da família e do grupo étnico. No interior da residência, as histórias coletivas são reinventadas e o mito civilizador da imigração italiana é edificado. Dessa forma, os preceitos religiosos são mantidos e enriquecidos pelos rituais quotidianos de orações, invocações, súplicas e ladainhas e a trajetória da imigração vai sendo revisitada, especialmente a partir das aventuras de Nanetto Pipetta."

Fonte: BENEDUZI, Luís Fernando. Conquista da terra e civilização do gentio: o fenômeno imigratório italiano no Rio Grande do Sul. In: Anos 90, Porto Alegre, v. 12, n. 21/22, ja./dez. 2005, p. 279-280.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Benjamin Constant


"Militar, professor e político brasileiro (1833-1891), que se notabilizou como um dos fundadores da República. Cursou a Escola Militar, dedicando-se, porém, mais à Matemática que às coisas das armas. Tendo sido um dos grandes discípulos de Augusto Comte no Brasil, fundou a Escola Normal Superior. Distinguiu-se por atos de bravura na Guerra do Paraguai, mas não participou dela até o fim: atacado por febres palustres teve de regressar ao Rio de Janeiro: logo depois fundaria nesta cidade o Instituto dos Meninos Cegos, posteriormente chamado Instituto Benjamin Constant. Já como tenente-coronel (1888), bateu-se ardorosamente pela República, tendo ocupado a pasta da Guerra durante o Governo Provisório. Atingiu o posto de general-de-brigada e foi ministro da Instrução Pública em 1890: foi quem ideou a divisa Ordem e Progresso para a Bandeira Nacional."

Fonte: Dicionário Cívico-Histórico Brasileiro, 1980.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Atentado maragato em Piratini em 1895


"- O Diario Popular de Pelotas teve as seguintes informações sobre um hediondo attentado que contra o cidadão Patricio Nunes, em Piratiny, praticou um grupo de revoltosos;

<<A proposito do assalto que os maragatos fizeram á casa do nosso amigo capitão Patricio, conta nos pessoa bem informada tudo o que se passou, minunciosamente.

Os miseraveis, á noite chegaram á casa do capitão Patricio, e, entre mil improperios, chamavam em altos brados indecentes - que abrisse a porta, para pagar o que em tempo fizera contra a familia Caldeira.

Como é natural, o capitão Patricio não satisfez a exigencia dos canalhas, e, então elles, que não recuam diante dos mais horrorosos crimes, ameaçaram incendiar a casa, o que realmente começaram a tentar, pelos fundos, n'uns contrafeitos.

Depois, voltaram á frente e amontoaram lenha e taboas na porta, com o fim de tambem alli atearem fogo.

Imagine se a situaçao das pessoas que se achavam no interior da casa: o capitão Patricio Rosalino Nunes, sua esposa, um seu cunhado e seu filhinho.

A mulher do capitão foi a primeira que tentou fugir, com seu filho, pensando, que em attenção ao seu sexo, os maragatos nada lhe fizessem.

Engano cruel; pois os crapulosos bandidos apunhalaram-n'a covardemente, matando a pobre criança com horrivel talho na cabeça!

O capitão Patricio e seu cunhado foram mais bem succedidos na fuga, tendo ambos conseguido escapar a muito custo, este sob o fogo dos bandidos e aquelle tendo de matar o criminoso que na janela por que elle saltou, quiz atacal-o.

Mais tarde, voltou o capitão á sua casa, conseguindo dominar o fogo que nella lavrava, graças á ausencia dos miseraveis.

A malóca que atacou a casa do capitão Patricio era composta de 23 galés.>>"

Fonte: MINAS GERAIS (MG), 05 de Fevereiro de 1895, pág. 05, col. 01
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