quinta-feira, 13 de julho de 2017

Sobrenomes pomeranos - Parte 01


Reproduzimos aqui em forma de lista os sobrenomes pomeranos pesquisados por Edward Breza, que incluem sobrenomes encontrados em suas pesquisas nas voivodias (províncias) polonesas da Pomerânia, Pomerânia Ocidental e Cujávia-Pomerânia, mas não sabemos dizer se incluem sobrenomes presentes no estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia. Vale lembrar que a antiga região da Pomerânia incluía territórios majoritariamente poloneses na atualidade e uma porção menor hoje pertencente a Alemanha. Há menos de 100 anos, toda essa região era ainda parte do Império Alemão e retornando ainda 200, 250 anos a Pomerânia fazia parte do Reino da Prússia (embrião da Alemanha moderna). Segue, pois, a lista simples dos sobrenomes pesquisados por Breza, de acordo com o pesquisador polonês Janusz Stankiewicz.

Para tanto, tomamos a liberdade de fazer alguns melhoramentos e adições para melhor compreensão dos leitores de língua portuguesa, principalmente fazendo uso das versões em língua alemã e língua polonesa da Wikipedia, assim como do Wikcionário também das respectivas línguas. Também fizemos uso do Dicionário Geográfico do Reino da Polônia e outros países eslavos (no original polonês Slownik geograficzny Królestwa Polskiego i innych krajów slowianskich). 

Edward Breza (nasc. 1932) é professor emérito de Humanidades da Universidade de Gdansk, na Polônia. Com formação em Filosofia e Teologia e mestrado em Filologia. Suas principais áreas de estudo constituem a história da língua polonesa, linguagem, onomástica, dialetologia, especialmente sobre as etnias cassúbia e pomerana. Dentre suas várias obras sobre Onomástica, destaca-se Os Nomes dos Pomeranos - Origem e Mudança (no original polonês Nazwiska Pomorzan - Pochodzenie i Zmiany), de 2001, publicada pela própria universidade em que leciona, que lhe valeu um prêmio especial do Ministério da Cultura da Polônia. Breza também é membro do Comitê Internacional de Onomástica.




1. Aaschendorf - toponímico que significa aldeia das cinzas, remetendo a uma localidade na Baixa Saxônia e outra na República Tcheca.
2. Abend, Abent - na língua alemã significa noite.
3. Achrem, Achremczik, Achremczyk, Achremienia, Achremko, Achremowicz, Achren, Achrom, Achromowicz, Achromkin, Achronowicz, Achrymienia - são patronímicos presentes no grupo de línguas eslavas orientais que significam filho de Ephraïm (Efrém ou Efraim em português).
4. Achtenberg, Achterberg - significa parte de trás da montanha, isto é, aquele que habita a parte de trás da montanha.
5. Achteri, Achtery - significa parte de trás, isto é, aquele que habita a parte de trás.
6. Adler, Adlerski - significa águia. Adler era além de uma denominação familiar, de casa, ou associado a uma casa nobre, também um nome próprio.
7. Adlersztajn, Adlerstein, Adlersztein - significa pedra da águia.
8. Afeld, Afelder, Afeldt, Afelt, Afeltowicz, Afelstowski, Affeld, Affeldt, Affelt - significa literalmente a partir do campo, mas deve ser entendido como campo arável, aquele que possui ou habita um campo arável.
9. Ajchler, Ajchmann - significa literalmente bolota (fruto do carvalho - gênero Quercus), homem-bolota. Pode se referir a uma característica física ou a uma ocupação profissional.
10. Alaburda - alabarda, uma espécie de lança. Vide link.
11. Albeck, Albecker, Albecki, Albeker, Albekier, Albiki, Albicki - toponímico que se refere à cidade de Ahlbeck (antiga Aalbeck) no estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia, na fronteia atual com a Polônia.
12. Alhoff - toponímico que se refere a várias aldeias homônimas que existiam no território da atual Polônia e que possuíam população majoritariamente alemã, sendo as quais nos distritos de Walcz, Kozle, Braniewo, Lidzbark, Olsztyn, Pasleckim, Raciborz, Wroclaw, entre outros.
13. Alt - na área da língua pomerana significa mulher de voz baixa ou aquele que tem voz baixa e aguda como uma mulher. No alemão, significa antigo, ancião, velho.
14. Altenchof, Altenhof, Altenhoff, Altof, Altoff, Atchoff, Athof, Athoff - significa aproximadamente lugar antigo, rincão antigo. É um topônimo comum a várias aldeias na Polônia.
15. Amenda, Amende, Amendy, Amed - significa aquele que vive no fim da aldeia.
16. Andrel, Andrich, Andrych, Andrychewicz, Andrychiewicz, Andrychowicz, Andrychowski, Andrychow, Andryk, Andrik, Andryka, Andrykajtis, Andrykajtys, Andrykiewicz, Andrykowicz, Andrys, Andrzel, Andrzewski, Andrzjewski, Andrzych, Andrychowski, Andrzyk - são patronímicos presentes no grupo de línguas eslavas orientais que significam filho de Ander (André em português).
17. Andrew, Andrzejewski, Andrzejowski, Andrzejow - toponímico que se refere à cidade de Andrzejewo, na província polonesa da Mazóvia.
18. Anflik, Anflink - ágil, disposto.
19. Anger, Angerer, Angier, Angierski - pasto, pastagem, campo usado em pecuária.
20. Anhalt, Anholt - toponímico que se refere ao principado (1212-1863) e posterior ducado (1863-1918) de Anhalt, no centro-norte da Alemanha.
21. Apelbaum, Apelman, Apelski, Apelsztajn, Apfel, Apfelbaum, Appelbaum, Appelblom, Appelblum, Appelkvist, Appelman, Appelmann, Appelmen - maçã, macieira (Malus domestica); ou ainda homem-maçã, homem da maçã.
22. Apostal, Apostel, Apostol, Apostoli, Apostolidis, Apostolidu, Apostolik - significa apóstolo, todavia deve ser entendido dentro de seu contexto medieval. As regiões da atual Pomerânia, o norte da Polônia e região do Báltico passaram por um processo de evangelização mais tardio que as regiões ocidentais, por isso o significado tende a ser cristão ou aquele que professa o cristianismo, aquele que faz parte da igreja, eclesiástico, crente, fiel.
23. Aar, Ar, Arend, Arendt, Arentowicz - águia.
24. Archut, Archutowski - patronímico que é uma adaptação do nome alemão Herrnhut (significa cuidado de Deus, proteção de Deus), usado a partir do século XVII em terras polacas graças ao trabalho de missionários pietistas alemães.
25. Argut - forma polaca para o primeiro nome alemão Herrgott (significa Senhor Deus), sendo um patronímico.
26. Arkuschewski, Arkus, Arkusz, Arkuszewski, Arkuszynski, Arkuszinski - patronímico do antigo primeiro nome masculino polaco Arkadiusz (Arcádio em português).
27. Arman, Armanko, Armanowicz, Armanowski, Armanski - são patronímicos a partir do primeiro nome polaco antigo Arman (Herrman em alemão, Hermano ou Armínio em português). O significado de Arman é guerreiro, soldado, homem do exército.
29. Artun - bravo, destemido.
30. Aschik, Assik, Aszyk - patronímicos que são aliterações de Jaszyk - uma forma polaca antiga para o alemão Johann (João em português).
31. Asmus, Asmusz, Asmuz, Asmuss - patronímico próprio das línguas eslavas orientais que significam filho de Erasmus (Erasmo em português).
32. Auga, Auge, Augier - olho. Pode se referir a uma característica física ou a uma característica topográfica.
33. Augebraun, Augenbraun, Augenszbraun - olho castanho, olhos castanhos.
34. Augof, Augoff, Augowski - significa terra do olho, lugar do olho, possivelmente denotando uma característica topográfica.
35. Babbel, Babel, Babela, Babelek, Babelis, Babelewski, Babelski, Bebel, Bebelski, Bebeluk - literalmente significa Babilônia, mas seu real significado é coisa confusa, confusão, desordem, coisa difícil de entender, podendo ainda corresponder em caso restrito a pessoa que fala língua estranha, estrangeiro.
36. Bach - riacho.
37. Bachus, Backhaus, Bakaus, Bakhus, Bakus, Backhus, Bakuszka - casa de forno.
38. Bäcker, Baker, Bakersz, Bekier, Bekierz, Bekiersz - padeiro.
39. Badzmiera, Badzmer, Bandzmer - patronímico do primeiro nome polaco Bedzimir, registrado desde 1273.
40. Baier, Bajer, Bajerczak, Bajerski, Bajerkiewicz - toponímico que significa bávaro, procedente ou nascido na Baviera.
41. Baisen, Bajsen, Bajzen - toponímico referente à cidade de Bazyny, Wármia-Masúria, Polônia.
42. Bald, Balda, Balde, Baldowski, Belt, Belter - valente, corajoso.
Balerstet, Balersztadt - toponímico que se refere a uma cidade na Saxônia-Anhalt, Alemanha.
43. Balk, Balka, Balko, Balke, Balkus - branco.
44. Balkow, Balkowski, Bialkow, Bölkau, Belkow, Beelkow - toponímico que se refere a cidade de Bielkowo, Pomerânia, Polônia.
45. Bambenek, Bambonek, Benbenek, Beben, Bebenek, Bebenowicz, Bebniak, Bebniarz, Bebniec, Bebnik, Bebnista, Bebnowicz - literalmente quer dizer tambor, mas figurativamente significa glutão, beberrão. Ainda pode corresponder a tina, recipiente para líquidos.
46. Bamber, Bamberek, Bamberger, Bamberowicz, Bamberski, Bambierski, Banberger - o significado seria aproximadamente rico camponês de Poznan (cidade na província da Grande Polônia). O termo tomou este significado a partir do século XVII, quando imigrantes de Bamberg, Alta Francônia, Alemanha, se estabeleceram na região como colonos agrícolas. O uso era pejorativo.
47. Banach, Banasik, Banaszek, Banaszkiewicz, Bendick, Bendict, Bendig, Bendik, Bendiks, Bendinger, Bendych, Bendyk, Bendykowski, Bendyks, Bendykta, Bendyktowicz, Benedek, Benedick, Benedig, Benedik, Benedych, Benedyk, Benedyko, Benging, Benk, Benke, Benker, Benkert, Benkier, Benkowski, Biang, Bieniek, Bien, Bienko, Bieszek, Bieske - patronímico de Benedictus (Bento ou Benedito em português).
Banc, Bancer, Bancerewicz, Bancerowicz, Bantz, Bantzer, Banz, Banzer, Banzerewicz - toponímico que se refere a migrantes da antiga cidade de Banz, Baviera.
48. Bangard, Bangart, Bangartner - triste. Ou provavelmente silvicultor.
49. Barba - significa barba. Sua origem se deve a missionários espanhóis que estiveram na região nos séculos XVI e XVII.
50. Barc, Barcz, Barz, Bartz, Barthel, Bartel, Bartelik, Bartelmes, Bartelmus, Bartelmuss, Bartsch - patronímico curto presente em línguas eslavas orientais que significa filho de Bartholomäus (Bartolomeu em português).
51. Barda, Bardarz, Bardarsz, Bardo, Bardycz - possui dois significados possíveis: cume de montanha rochosa; ou tipo de tecelagem primitiva que se usa um pente para desfiar e fiar. Por isso, pode aludir tanto a uma característica topográfica como a um ofício profissional.
52. Bardon, Bardonia, Bardonski - um tipo de alaúde polaco antigo e tradicional; refere-se ao tocador deste instrumento.
53. Barembruch, Barenbruch - toponímico que se refere a uma antiga cidade de igual nome, hoje cidade de Nowogard, Pomerânia Ocidental, Polônia.
54. Barent, Borenthe, Borenten, Borenthu, Borent, Borenthy, Barentowicz - pode ser um patronímico ou nome clânico relacionado ao antigo primeiro nome Boret, Borzeta ou Borat, ou ainda um toponímico referente a uma vila no município de Lichnowy, Pomerânia, Polônia. É típico da etnia cassúbia.
55. Bargancki, Barganski, Bargencki, Bargecki, Bargedzki, Bergensin - toponímico referente a cidade de Bargedzino, Pomerânia, Polônia.
56. Bark, Barke, Barkowiak, Barkowicz, Barkowski - ombro ou parte superior da mão.
57. Bart - barba.
58. Bartnicki, Bartnik - apicultor.
59. Barzowski, Barzwitz - toponímico referente à cidade de Barzowice, Pomerânia Ocidental, Polônia.
60. Barzuj, Barzy, Barzyk, Barzykowski, Barzysz - rápido, apressado, impetuoso.
61. Barzynski, Bazynski - toponímico referente á localidade de Barzyna, província de Opole, Polônia.
62. Bas, Basa, Basara, Basenda, Basendowski, Baska, Baske, Bassek, Bastek, Bassmann, Basman, Bastian, Baseda, Basse, Base, Basz, Baszek,  - formas patronímicas em línguas eslavas orientais de Sebastian (Sebastião em português) ou Basilius (Basílio em português).
63. Bastuba, Bastubka - tuba, tocador de tuba.
64. Bauer, Bauerek - agricultor, camponês.
65. Baugart, Baugartner, Baugertner, Baumgard, Baumgardt, Baumgart, Baumgarten, Baumgarter, Baumgartner, Baumgertner, Baumgort, Baumgrat, Baumghat, Bagard, Bagardt, Bagart - se relacionado à raiz semântica alemã significa silvicultor, madeireiro; entretanto, no caso de possuir uma raiz semântica pomerana, é um toponímico referente à localidade de Bagart ou Baumgarth, província da Pomerânia, Polônia.
66. Bausz, Bausza, Buslaw, Budak, Budek, Budko, Budlo, Budno, Budz, Budza, Budzek, Budzich, Budzik, Budziszek, Budziszko, Budzk, Budzo, Buchel, Bucho, Busz, Buszak, Buszek, Buszko, baudak, Baudek, Budziareck, Budziarek - patronímico do nome polaco Budzislaw - nome cujo significado é aquele que ganha fama, aquele que granjeia fama por seus feitos.
67. Bawar, Bawarczyk, Bawor, Baworowski, Bayer, Baysen, Bayssen, Beger, Begger, Bejer - toponímico que se refere à Baviera ou procedente da Baviera (bávaro), região histórica e atualmente estado da República Federal da Alemanha.
68. Baczek - bote.
69. Bedel - zelador ou funcionário de uma universidade que carrega um cetro a frente do reitor (costume medieval).
70. Beeg, Beek, Beke, Beeger, Beeker - ribeiro, riacho, córrego.
71. Behrend, Behrendt - patronímico do primeiro nome polaco Biernat (Bernardo em português).
72. Bek, Beka - pode corresponder a enxada, picareta, denotando um ofício profissional que utilize algumas destas ferramentas, bem como indicar balido, significando assim pastor de ovelhas.
73. Bekers, Bekesinski, Bekessy, Bekesz, Bekesza, Bekeszczuk, Bekiesch, Bekiesz, Bekiesza, Bekieszczuk, Bekieszy, Bekisch, Bekisinski, Bekisz, Bekiszczuk, Biekiesinski - casaco de pele, peludo, pele longa, pelos.
74. Belegard, Belgard, Belgardt, Belgart, Belgerdt, Belgert, Bellgart, Bellgardt - toponímico que se refere à cidade de Bialogard, Pomerânia Ocidental, Polônia. É  pouco provável que se relacione à cidade de Belgrado, Sérvia.
75. Belgram, Belgran, Belgrau, Belgraun, Belgron, Bellgran, Bellgrau - montanha branca, montanha nevada.
76. Belling - toponímico que se refere a um distrito na cidade de Pasewalk, Mecklemburgo-Pomerânia, Alemanha.
77. Benc, Bencer, Bencerz, Bencz, Bence, Bentzel, Bentzen, Bentzer, Benzer, Benziger, Bence, Bens, Benz - toponímico referente à cidade de Bienice, Pomerânia Ocidental, Polônia.
78. Benewitz, Bennewicz, Bennewitz - toponímico que se refere à localidade de Bieniewice, Mazóvia, Polônia.
79. Berda - fardo. Sobrenome próprio da etnia cassúbia.
80. Berensdorf, Berensdorff, Bernsdorf, Bernsdorff, Bernstorff - toponímico que se refere à antiga cidade de Bernsdorf, nome alemão (na época da expansão prussiana) da atual cidade de Ugoszcz, Pomerânia, Polônia.
81. Berent, Biernacki, Biernat, Biernatek, Biernatowicz - patronímico de Biernat (Bernardo em português).
82. Bereza, Berezovsky, Bierioza - sobrenomes de origem ucraniana que significam bétula (gênero Betula).
83. Berk, Berka, Berkau, Berke, Berko, Berkow, Birk, Birke, Birka, Birkowski - toponímico que se refere a inúmeras localidades na Alemanha e na Polônia, bem como em outras regiões da Europa Central, pois sua raiz semântica é birk que significa bétula (gênero Betula).
84. Berkan - tetraz (Tetrao urogallus).
85. Bernau, Bernauer - toponímico que se refere a inúmera localidades na Alemanha, Polônia, Áustria, República Tcheca e Suíça, por isso de difícil precisão de origem. Bernau aproximadamente quer dizer terra do urso.
86. Bernstein, Bernstejn, Bernsztajn, Bersztejn - âmbar.
87. Besiekirski, Besierkierski, Biesiekirski, Biesierkierski, Biessikirski - toponímico que se refere à cidade de Besiekiery, província de Lodz, Polônia.
88. Best, Besterda, Besht, Beszt, Besztarda, Beszter, Beszterda, Beszterdo - melhor, o melhor, excelente, aquele que faz bem feito, hábil, capaz, competente.
89. Betaner, Betania, Betanik, Betanski, Beteni - sobrenome religioso que faz referência à cidade bíblica de Betânia, Palestina. Obviamente não significa procedente deste lugar, mas possivelmente é um sobrenome patronímico ou ainda um sobrenome relacionado a uma igreja ou abadia.
90. Bedzemierowski, Bedzmirowski - toponímico referente à localidade de Bedzmierowice, município de Czersk, Pomerânia, Polônia.
91. Bialke, Bialk, Bialka, Bialach, Bialak, Bialaszek, Bialkowicz, Bialkiewicz, Bialkowski, Bialoglowski, Bialoglowy, Bialoglow - o sentido é duplo pois indicar loiro ou cabeça branca, grisalho. Não há uma diferenciação precisa, depende da situação em que é empregado.
92. Bib, Biba, Bibow - bêbado, beberrão.
93. Bichow, Bichowski - toponímico referente à localidade de Bychowo, município de Zmigrod, Baixa Silésia, Polônia.
94. Bielau, Bilau - toponímico referente à cidade de Biala Nyska, província de Opole, Polônia.
95. Bigaj, Bigajczyk, Bigajlo - carro sobre duas rodas, biga.
96. Bigos, Bigosinski, Bigosz, Bigoszewicz, Bigoszewski, Bigoszynski, Bigus, Bigusz, Biguszewski - o sentido verdadeiro tende a ser desordem, confusão, denotando assim um aspecto comportamental, todavia também pode significar molho e também o substantivo bigos denomina uma série de pratos típicos das culinárias polonesa, lituana e bielorrusa.
97. Bikielec - espinhas (na pele), rosto com espinhas.
98. Biszmin - homem que vive no bosque.
99. Bitau, Bitaw, Bitoff, Bitowski, Bittau - toponímico referente à cidade de Bytow, Pomerânia, Polônia.
100. Bladzki, Blendzki, Blecki, Bledzki - toponímico referente à localidade de Blenna, Cujávia-Pomerânia, Polônia.
101. Blanck, Blancki, Blank, Blanka, Blanke, Blankiewicz, Blankowski - branco, brilhante.
102. Bland, Blandzinski - lisonjeiro, atento.
103. Blandau, Blando, Blandow, Blandowski - toponímico referente à localidade de Bledowo, município de Barciany, Wármia-Mazúria, Polônia.
104. Blar, Blarowski, Blarski, Blore, Blork - tubo, corneta.
105. Blejk, Blek - rugido, choro, balido de animais.
106. Blick, Blik, Bliczkowski, Bliczynski, Bliek, Blikacz, Blikowski, Bliksztejn - caolho, míope.
107. Blida - alegre.
108. Blige, Bliger - uma espécie de peixe europeu (Blicca bjoerkna).
109. Blindow - toponímico referente a uma localidade em Prenzlau, Brandemburgo, Alemanha.
110. Blisse, Blis, Bliz, Blisz - perto, próximo, vizinho.
111. Blomberg, Blomberk, Blomberkowski, Blumberg, Blumenberg - montanha das flores, montanha florida; ou ainda um toponímico referente à localidade de Blumenberg, na cidade de Wanzleben-Börde, Saxônia-Anhalt, Alemanha ou ainda à localidade homônima no norte de Colônia, Renânia do Norte-Westfália, Alemanha.
112. Blawaciuk, Blawacki, Blawat, Blawath, Blawod - pode designar a flor denominada centáurea (Centaurea cyanus), bem como pode vincular-se a um vocábulo para indicar tecido de seda, denotando assim um ofício profissional.
113. Blad, Bladzinski - erro, errado.
114. Blotni, Blotny - lagoa lamacenta, lama, pântano.
115. Bochentin, Bochentyn, Bochentysz - etimologia obscura sem significado conhecido.
116. Bocian, Bociany, Bocianiak, Bociankiewicz, Bociankowski, Bocianowicz, Bocianowski, Bocianski, Bociek, Bocjan - significa cegonha, mas também pode corresponder a um toponímico referente a uma localidade em Kolno, Wármia-Masúria, Polônia, ou ainda a localidade homônima em Strzelce, província de Lodz, Polônia.
117. Bogacki - toponímico referente à aldeia de Bogacica, município de Kluczbork, distrito de Kluczbork, província de Opole, Polônia.
118. Bogomolec, Bogomolov, Bogonos, Bogorodzic, Bogorodzicz, Bogorodzki, Bogorodz, Bogowicz, Bogowski, Bogurodz, Bohorodycz, Bohorodzicz - peregrino, mas semanticamente quer dizer bogomilo - seita cristão com origem na Bulgária e que chegou à região da atual Polônia no século XIII.
119. Bogutym, Bogutyn, Boguslaw, Bogoslaw, Bohuslaw, Bogslaw, Bogdal, Bogdaj, Bogda, Bogdan, Bohdan, Bogodar, Boguchwal, Boguslav, Bogislav - patronímico do antigo primeiro nome masculino Boguslaw que significa louvor de Deus ou ainda aquele que elogia o (próprio) destino.
120. Boiek, Boik, Boika, Boike, Boiko, Bojk, Bojko, Bojka, Bojke, Boyk, Boyka, Boyko, Boyek, Boyke - pode significar pessoa tímida, pessoa medrosa, bem como aludir a antigo tribo dos boikos - originários dos Cárpatos ucranianos.
121. Bojan, Bojana, Bojanek, Bojaner, Bojon, Bojonek, Bojonko - toponímico que pode se referir a localidade de Bojanowo, sendo que uma existe no município de Skorcz, Pomerânia, Polônia, e outra é uma cidade na província da Grande Polônia.
122. Bokse, Boszk, Boszka, Boszkiewicz, Boszko, Boszkowicz - pode ser um patronímico curto de Boleslaw ou Boguslaw - antigos nomes masculinos eslavos.
123. Bold, Bolda, Bolde, Boldo, Bolt - corajoso, valente, destemido.
124. Bolin, Bolina, Boling, Bolinger, Bolingier, Bolinowski, Bolinski, Boll, Bolla, Bollien, Bollin, Bollinger, Bolinko - patronímico do nome próprio tipicamente eslavo Boleslaw - cujo significado é grande, glorioso.
125. Bombas, Bombasz, Bombis, Bombos, Bombosz, Bomboszcz - tecido de seda, tecido de lã, bicho-da-seda.
126. Bomberda - bombardeio, arma que bombardeia, catapulta.
127. Bonkor, Bonkord - boa corda, bom acordo, boa aliança, bom enlace.
128. Bonnefoi, Bonnefoy - de origem francesa, significa boa fé.
129. Borch - estupidez, estúpido.
130. Borczikowski, Borczyk, Borczykowski, Bork, Borka - pequena floresta.
131. Borda, Bordo, Bordowski - carga, carregamento, que conduz a carga.
132. Borek, Borenda, Borendt, Borent - patronímico do nome próprio eslavo Borzyslaw ou Borislav - que significa aquele que ganhou fama em batalha.
133. Borkenhagen - toponímico referente a localidade homônima no município de Kalkhorst, Mecklemburgo-Pomerânia, Alemanha.
134. Borkowski - toponímico referente a uma série de lugares na Polônia com o nome de Borkowo ou Borkowice (são inúmeros).
135. Borsucki, Borsuk, Borsukow, Borsukiewicz - texugo (Meles meles).
136. Borzeta - patronímico do nome próprio polaco Borzymir - que significa aquele que luta pela paz.
137. Bosa, Bosa Noga, Bosaczek, Bosak, Bosakiewicz, Bosakowski, Bose, Bosek, Bosiak, Bosiakowski, Bosy - literalmente quer dizer de pés descalços - eufemismo para pobre, miserável, humilde.
138. Bozedaj, Bozedajek, Bozemuj - chamado de Deus.
139. Braatz, Brac, Braca, Bracanowicz, Brach, Bracik, Bracikowski, Bracisiewicz, Braciszewicz, Braciszewski, Braschek, Brasek, Brasewicz, Bras, Bratz - patronímico do nome próprio polaco Bratumil, Bratomil, Bratmil, Bretomil, Bretmil, Bratomir, Bratumir - cujo significado é aquele que é bom para sua família, para seus parentes, bom irmão.
140. Bracha, Brache, Braga, Brage, Braha, Brahe - bebida de cevada, cerveja.
141. Braj, Braja - lama.
142. Brajtfeld, Breitenfeld - toponímico referente a antiga cidade de Breitenfeld, hoje Makowice, província de Opole, Polônia.
143. Brandt, Brandys, Brandysiak, Brandysiewicz, Brandysiok, Brant - patronímico do primeiro nome alemão Hildebrandt (Hildebrando em português) - que significa aquele que luta com a espada.
144. Branek, Branik - patronímico do primeiro nome croata Branimir.
145. Brat, Braty, Bras, Bratasz, Bratek, Bratke, Brattke, Bratnicki, Bratkowski, Bratos, Bratun, Bratownik, Bratro, Bratuszewski, Bratus, Bratyszewski - irmão.
146. Brauer, Braunek - cerveja.
147. Brechel, Brechelek, Brechelka, Brechelke - máquina artesanal utilizada na tritura do linho.
148. Breda (vertente no dialeto cassúbio), Brede, Bredek, Bredel, Breder, Bredl, Bredzicki, Bredlich, Bredli, Bredlu - mentiroso, conversa fiada.
149. Breda (vertente toponímica), Bredau, Brody, Bredow, Bredowski - toponímico referente a antiga localidade de Bredow, hoje Drzetowo, situada na cidade de Szczecin, capital da Pomerânia Ocidental, Polônia.
150. Breja, Brejski - lama, lamaçal, alagado.
151. Brela - bloco.
151. Brem, Bremer, Bremerski, Bremmer, Bremmers, Bremski - possui dois sentidos possíveis: toponímico referente a importante cidade de Bremen, Alemanha; ou ainda significa surdo.
152. Bres, Bresan, Bresch, Brescha, Breschka, Breschke, Bresiewicz, Bresik, Breska, Breske, Breskiewicz, Breskim, Bresko, Bresko, Breskott, Breskowski, Bresmann, Brezen, Brezman, Brezmen, Breze - patronímico de Ambrose (Ambrósio em português).
153. Breza, Brezak, Brezanc, Brezecka, Brezowski, Brezyk, Brezny, Brisk, Brisou, Briss, Brys, Brisse - bétula (gênero Betula). Sobrenomes de origem sérvia.
154. Brikowski - brincadeira, traquinagem.
155. Bril, Brill, Brillowska, Brilowski, Bryla - fixo, sólido, bloco.
156. Bring, Brings, Brink, Brinke, Brinken, Brinker, Brinkiewicz, Brinkis, Brinkmann - topográfico comum para pasto ou colina gramada.
157. Brischke - vidoeiro (Betula pendula).
158. Broda - barba, barbudo.
159. Bronek, Bronika, Bronislaw, Bronisch, Bronisz, Bronk, Bronka, Bronko, Bronkowski, Brunke, Brunk - patronímico do nome próprio masculino de origem eslava Bronislaw - que significa famoso defensor.
160. Bronk-Borkowski - toponímico referente a Borkowo - nome de lugar comum na antiga Polônia.
161. Bronk-Gowinski - toponímico referente a Gowino, município de Wehjerowo, Pomerânia, Polônia.
162. Bronk-Krepiechowski - toponímico referente a Krepiechowic, município de Lebork, Pomerânia, Polônia.
163. Bronk-Lubiatowski - toponímico referente a Lubiatow, município de Lebork, Pomerânia, Polônia.
164. Bronk-Lublewski - toponímico referente a Lublewa, município de Lebork, Pomerânia, Polônia.
165. Bronk-Msciszewski - toponímico referente a Msciszewice, município de Kartuzy, Pomerânia, Polônia.
166. Bronk-Niepoczolowski - toponímico referente a Niepoczolowice, município de Wehjerowo, Pomerânia, Polônia.
167. Bronk-Piechowski - toponímico referente a Piechowa, município de Kóscierzyna, Pomerânia, Polônia.
168. Bronk-Niesiolowski - toponímico referente a Niesiolowice, município de Kartuzy, Pomerânia, Polônia.
169. Bronk-Pierszczewski - toponímico referente a Poerszczewa, município de Kartuzy, Polônia.
170. Bronk-Puzdrowski - toponímico referente a Puzdrowa, município de Kartuzy, Pomerânia, Polônia
171. Bronk-Wesierski - toponímico referente a Wesior, município de Kartuzy, Pomerânia, Polônia.
172. Bronk-Zdunowski - toponímico referente a Zdunowice, município de Kartuzy, Pomerânia, Polônia.
173. Browar, Browarczik, Browarczik, Browarek, Browarski, Browarz - cerveja, cervejaria.
174. Bruchajzer, Bruchajzler, Brucheiser, Brucheizer, Bruchhausen, Bruchhausen - toponímico referente a antiga cidade de Bruchhausen, hoje cidade de Smogolice, Pomerânia Ocidental, Polônia.
175. Bruchwald, Bruchwalski - floresta do pântano.
176. Bruder, Bruderek, Bruders - irmão.
177. Bruk, Brukowic, Brukwica, Brukwicz, Brukwitz - lajeado de pedra, superfície de pedra.
178. Bryde, Bryda, Brydak, Brydek, Brydko, Brydlo, Brydniak, Brydniewski, Brydowski, Brydun, Brydzinski, Brydziuk, Brydziun, Brydzki, Brydzynski - sobrenomes próprios da etnia cassúbia, significando mentiroso, mentira, conversa fiada ou ainda rugido de veado.
179. Bryja, Bryjak, Bryjan - lama, lamaçal, lugar alagadiço.
180. Bryk, Brykala, Brykowicz, Brykowski - brincar, brincadeira, agitação.
181. Bryl, Bryll, Brylowski, Bryllowski, Bryla - bloco, fixo, sólido.
182. Brzosa, Brzosza, Brzoza, Brzosek, Brzoska, Brzoskiewicz, Brzosko, Brzoskowski, Brzosowski, Brzozak, Brzozczyk, Brzozecki, Brzozinski, Brzozkiewicz, Brzozowiec, Brzozowicz, Brzozowski, Brzoski, Brzoskiewicz, Brzoszczyk, Brzuski, Brzuskniewicz, Brzusko, Brzuskowski, Brzuska, Brzuze, Brzuza, Brzuzek, Brzuziewski - bétula (gênero Betula).
183. Bublic, Bublicki, Bublitz - toponímico referente a Bobolice, Pomerânia Ocidental, Polônia.
184. Buchenfeld, Buchenfelde, Buchenwald, Buchwald, Buchwaldek, Buchwalt, Buchwal - toponímico referente a Bukowina ou Bukowiec - nomes de lugares comuns na Polônia e leste europeu.São versões germanizadas.
185. Buchholc, Buchhold, Buchholdz, Bucholtz, Buchholz, Bucholc, Buchold, Bucholdz, Bucholec, Buholc, Buholz, Bukolt - significa floresta da faia (gênero Fagus). É um topônimo comum na Europa Oriental e Central.
186. Buclaw, Buclaf, Buda, Budal, Budau, Budo, Budz, Budzicz, Budzin, Budzinski, Budzis, Budzk, Budzki, Budziarek, Budzisch, Budzislawskie, Budzisz, Budzis, Budzkus - patronímico do primeiro nome polaco Budzislaw - que significa aquele que ganha ou granjeia fama, famoso.
187. Buczek, Buczowski - faia (gênero Fagus).
188. Budnick, Budnicki, Budniki, Budnik, Budnikiewicz, Budnikowski, Budniok - espécie de cabana ou choupana primitiva; também corresponde a uma espécie de galpão.
189. Bugaj, Buhaj, Bujak, Bujakiewicz, Bujakowski - topônimo comum na Polônia; também significa moita.
190. Bukolczyk - toponímico referente a Bukowiec - nome de lugar comum na Polônia.
191. Bula, Bulaczak, Bulaczek, Bulczak, Bulczek, Bulk - boi. É próprio da etnia cassúbia.
192. Bur, Bure, Bura - camponês.
193. Burand, Burandt, Burant, Burclaf, Burtzlaf, Burtzlaff, Burzlaf, Burzlaff - patronímico do primeiro nome polaco Borzyslaw - que significa aquele que ganhou fama em batalha.
194. Burczyk, Burczykowski - pequena floresta.
195. Burd, Burde, Burda, Burdak, Burden, Burdenski, Burdin, Burdinski, Burdyniewicz, Burdyn - possui dois significados possíveis: aquele que luta, aquele que briga, lutador, brigador; ou ainda aventureiro, nômade, viajante.
196. Burka, Burk, Burke - um tipo de jaqueta ou colete medieval.
197. Buro, Burow - toponímico referente a Borowo - nome de lugar comum na Polônia.
198. Burstein, Burstin, Bursztajn, Bursztein, Bursztejn, Bursz, Bursztyn, Bursztyniak, Bursztynik, Bursztyniuk, Bursztynka, Bursztynowicz, Bursztynowski, Bursztynski - âmbar.
199. Busz, Busza, Buszac, Buszan, Buszek, Buszewicz, Buszka, Buszko, Butz, Budz, Butzlaf, Butzlaff, Budin, Butzlaw, Buzlaff, Buzlaf - patronímico do primeiro nome polaco Budzislaw - que significa aquele que ganha ou granjeia fama, famoso.
200. Buszma, Buszmak, Buszman, Buszmann, Buszmanowicz, Buszmar, Buszmicz - homem da floresta.
201. Bychau, Bychowski - toponímico referente à localidade de  Bychowo, município de Wehjerowo, Pomerânia, Polônia.
202. Byk - touro.
203. Bytof, Bytoff, Bytow - toponímico referente a Bytowo - nome de lugar comum na Pomerânia.
204. Bzdiel, Bzdzioch, Bzdzion, Bzdziuch, Bzdziuk - flato.




























































terça-feira, 11 de julho de 2017

Quando Pelotas tremeu...


Fonte: ROSA, Mário. Geografia de Pelotas. Pelotas/RS: Ed. UFPel, 1985, p. 35.

"O Dia em que Pelotas tremeu

Alguns fenômenos geológicos têm grande amplitude e por isso, por exemplo, não podemos ficar totalmente indiferentes ao que ocorreu na Cordilheira dos Andes. Afinal, em termos continentais, a região andina não fica muito distante de Pelotas.

É sabido que o surgimento dessas montanhas, na Era Terciária, modificou um pouco, rejuvenescendo, o relevo de Pelotas. Quanto aos dias atuais, sabe-se que Pelotas, como o Brasil, em geral, recebe ondas sísmicas refletidas dos terremotos que ocorrem nos Andes. Normalmente, são ondas muito suaves, só perceptíveis por sismógrafo. Excepcionalmente, em 1979, quando houve um terremoto em San Juan, Argentina, as ondas refletidas foram muito fortes e sentidas nitidamente em Pelotas, principalmente nos edifícios mais altos."

Obs.: não foi esta a última ocasião em que um terremoto na América do Sul reverberou na cidade de Pelotas. Recentemente, em 2015, um terremoto no Chile também foi sentido na Princesa do Sul, bem como em várias partes do estado do Rio Grande do Sul. Veja o link com a notícia: http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/cidades-gauchas-registram-tremor-apos-terremoto-no-chile-147558.html


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Os Canibais de Garanhuns


Excelente vídeo-documentário do ótimo canal Freak TV, sobre o caso dos "Canibais de Garanhuns" que acontecem há pouco tempo atrás em Pernambuco. Vale a pena conferir!

terça-feira, 4 de julho de 2017

A execução de Belizário


Trecho extraído de: BENTO, Cláudio Moreira. O negro e descendentes na sociedade do Rio Grande do Sul (1635-1975). Porto Alegre: Grafosul, Instituto Estadual do Livro, 1976, p. 203-204.

"O major Thomaz da Costa, delegado de Polícia de Pelotas, na época, assim descreveu a execução de um escravo de nome Belizário, ocorrida naquela cidade em 1857:

'Foi levado à forca o preto Belizário, que vibrou grande número de punhaladas no senhor e na senhora, deixando-os caídos como mortos.

As vítimas foram D. Manoel Montano (espanhol) e sua esposa.

Esse crime deu-se na área do prédio atualmente no. 164, à Praça da República.

Julgado criminoso, Belizário foi condenado à morte. Sua execução teve lugar à esquerda da antiga ponte de madeira, hoje de cimento armado, à rua Riachuelo, além do Arroio Santa Bárbara, onde existe atualmente uma barraca de couro, LOCAL ONDE FOI LEVANTADA A FORCA.

O condenado saiu da cadeia pela rua Sete de Setembro até a Marechal Deodoro e, por esta a Riachuelo, por onde desceu até o local da forca. Em seguida subiu ao patíbulo. Foi executado.

Para assistir ao horrível ato, o povo, ávido de curiosidade, em todo o trajeto desde a Cadeia até esse local, seguia o condenado, formando volumoso séquito, sob a cadência lúgubre do cerimonial, assim o acompanhando até seu último instante de vida, indo ELE REVESTIDO DA FATAL TÚNICA ALVA DOS ENFORCADOS.

O condenado era também acompanhado pelo Santíssimo Sacramento, pálio, sacerdotes que repetidamente entoavam o memento, irmandade com bandeira de misericórdia, carrasco e tropa'.

Acreditamos que este fato tenha marcado profundamente a população negra de Pelotas.

Talvez uma injustiça pairasse no ar sem explicação.

O suplício de Belizário havia sido adiado durante mais de 6 anos, em razão de conflito de jurisdição surgido entre o delegado e o juiz.

O local de seu suplício passou a ser ponto de encontro nos domingos e dias santos, do meio-dia à noite, da população negra de Pelotas, segundo se conclui de relato do major Thomaz Costa a Fernando Osório.

Fernando Luiz Osório refere-se a mais três execuções de escravos, ocorridas na Praça da Constituição, além do Santa Bárbara, de 1854-1857."

terça-feira, 27 de junho de 2017

As "Chinas" na História do Rio Grande do Sul


Trecho extraído de: RIBEIRO, Niamara Pessoa & alii. O papel da mulher na Revolução Farroupilha. Porto Alegre: Tchê, Casa Masson, 1983, p. 108-110.

"Eram as mulheres que acompanhavam as tropas em seus deslocamentos, e permaneciam nos campos de combate cuidando do soldado enquanto a mulher legítima aos olhos de Deus e da sociedade patriarcal - a mãe, a esposa, a filha - permaneciam em casa, tomando conta do lar, dos filhos, da estância e dos negócios do homem ausente, aguardando ansiosa o desfecho da guerra e o retorno do guerreiro.

Conhecidas por 'vivandeiras' ou 'chinas de soldado', eram de variada procedência, mistura de luso com índias ou com negras escravas muitas vezes. Saint-Hilaire em sua Viagem ao Rio Grande do Sul, entre 1820-1821, lhe faz diversas referências, como esta:

'Quase todos os milicianos acantonados nesta parte da fronteira meridional são amasiados com índias. A facilidade com que estas mulheres se entregam, sua docilidade, sua bronquice mesmo, são atrativos para esses homens rudes que não visam nada além de um instrumento de prazer.'

Não existia o Serviço de Intendências dos Exércitos, e por isso essas mulheres atendiam a toda a sorte de necessidades dos milicianos: cozinhavam, lavavam, cuidavam da farda, pregavam o galão que a luta arrancou, improvisavam recursos em suas barracas ou carretas, onde à noite abrigavam o corpo esfomeado do soldado.

Sua presença anônima e incorporada à própria história da formação geo-expansionista da Província, onde adquire papel importante na formação demográfica de nosso povo:

'Quase todos (os milicianos) tinham arranjado suas mulheres entre as índias; alguns casaram-se com elas e levaram-nas com os respectivos filhos; outros abandonaram as amásias e seus filhinhos; e enfim, houve uma centena deles que ficaram, pelo único motivo, digamos, de não se poderem separar das índias, as quais não podiam ser apresentadas às suas famílias.' (Saint-Hilaire)

Lothar Hessel, em seu romance Brava gente, descreve invasão do chinaredo à freguesia de Taquari, quando do combate entre legalistas e farroupilhas, em abril de 1840. À cata de comida, pilharam a bodega local, servindo-se de bolachas, cachaça e rapadura enquanto aguardavam impacientes o desfecho da luta para saquear mortos e feridos. Impedidas pelos lanceiros da companhia dos libertos sob o comando do general Canabarro, acabaram churrasqueando algum cavalo tombado na luta, para saciar a fome.

Da passagem destas 'chinas bravias' por Taquari, resultou a permanência de algumas, confinadas na Aldeia, denominação do subúrbio meretrício local, e que passou ao arroio e ao passo local.

As vivandeiras estavam presentes em todos os escalões militares, anônimas quase sempre. Fez exceção a "Papagaia', mulher do "Dr. Gaiola', apelidos com que passaram à História a branca (as chinas eram em sua maioria índias ou mulatas) Maria Ferreira Duarte, nascida em S. Antônio da Patrulha no ano de 1803, e seu marido boticário, natural do Rio de Janeiro, João Ferreira Duarte, cirurgião improvisado do exército farroupilha. Porque o cirurgião, amante de pássaros, costumava carregar um papagaio engaiolado às costas, e porque sua mulher o traía abertamente com o general David Canabarro, o casal foi mal visto pela soldadesca merecendo os alcunhas acima.

O casal Duarte foi aprisionado no combate de Porongos que em 1844 o brigadeiro Francisco Pedro de Abreu, o 'Moringue', efetuou de surpresa sobre o extenuado exército farroupilha, que já aguardava ansioso pelas negociações de paz. Soltos, retornaram a Taquari, onde faleceram idosos, ele aos 85 anos, em 25 de janeiro de 1887, e ela aos oitenta anos a 4 de outubro de 1894, sepultados respectivamente nas catacumbas nos. 122 e 548 do cemitério local. A viúva Duarte tornara-se pessoa de respeito, segundo necrológico dos jornais locais.

Merecem ainda guarida neste capítulo aquelas mulheres que, embora pessoalmente ausentes do campo de luta, assumiram deliberadamente atitudes que as posicionaram claramente a favor do partido político que abraçaram.

Assim, por exemplo, a viúva de Lino de Brum, a heroína de Caçapava, sem prenome conhecido, que, tendo perdido o marido em combate, enviou seus dois filhos homens para substituí-lo."

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Feira do Rolo - Edição Capão do Leão


No próximo sábado, dia 01 de Julho de 2017, acontece na Praça João Gomes, centro de Capão do Leão a Feira do Rolo - Edição Capão do Leão. O evento ocorrerá à tarde, entre 14h e 18h30min. 

A Feira do Rolo é uma oportunidade para o público em geral realizar troca e venda de roupas, acessórios, alimentos e arte. Para mais informações, acesse o link da promotora do evento no facebook: https://www.facebook.com/feiradorolopelotas/ 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Como era uma charqueada?


Trecho extraído de: QUEVEDO, Raul. As estâncias e as charqueadas. Porto Alegre: Livraria do Globo; Dom Pedrito: Pedritense/Cotrijuí, 1986, p. 45-47.

"Como se tem visto ao longo desta narrativa, as primeiras charqueadas funcionaram em campo aberto, sem as mínimas condições de higiene e também sem qualquer preocupação para com o sofrimento dos animais, que eram sacrificados através de meios bárbaros. Comumente, os animais recebiam um golpe de lança (que tinham a forma de meia-lua) no jarrete (garrão), o que os impossibilitava de manter-se de pé. Assim expostos, eram presa fácil ao sangrador e aos esfoladores, que desempenhavam a missão de retirar o couro.

Nos primeiros tempos da 'economia do boi', notadamente nos países do Prata, o couro despertava interesse único. Era comum o sacrifício de milhares de reses para aproveitamento exclusivo do couro. É fácil imaginar a quantidade de animais sacrificados em pleno campo, com os esqueletos expostos às aves carniceiras.

A fundação da Colônia do Sacramento, em 1680, pelos portugueses, na margem esquerda do rio da Prata, foi a mola propulsora do interesse econômico pelos couros. Os embarques de couros desde o porto de Buenos Aires foram constantes, legal ou ilegalmente. Relata Alfredo Juan Montoya, em seu livro 'Cómo evolucionó la ganadería en la época del virreinato', que em 1674 foram embarcados em três navios - Santa Maria de Lubeque, La Soledad y el Rosario e San José - um total de 40 mil couros. Como se vê, seis anos antes da fundação da Colônia.

Depois o sacrifício do gado aumentou. Segundo o mesmo autor argentino, em 1790 as matanças alcançaram a soma de um milhão de cabeças, conforme documento existente na Biblioteca Nacional, Buenos Aires, de no. 238. Toda matança só para aproveitar o couro.

Ao passar dos anos, o sistema de aproveitamento das reses foi aperfeiçoado. As charqueadas, ou estabelecimentos coureiros - que alguns autores confundem, até hoje, com charqueadas 'pioneiras', foram cedendo lugar aos saladeiros, que vieram até o século XX. Mas os métodos permaneceram mais ou menos os mesmos.

Louis Couty, biólogo francês, contratado pelo governo imperial para lecionar na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, esteve no Rio Grande do Sul no ano de 1878. No relato que fez das charqueadas pode-se notar que os métodos de matança não se diferenciavam muito daqueles usados pelos primitivos habitantes. Por outro lado, também a infra-estrutura dos abatedouros - sua arquitetura e métodos de trabalho, eram iguais aos do século XVIII, e muito provavelmente, inferiores aos que foram instalados pelo espanhol Francisco Medina, em seu estabelecimento 'del Colla', em 1786, às margens do arroio 'del Sauce'.

Vejamos o relato de Louis Couty:

'Os animais eram guardados nas mangueiras, de vésperas (...). Em pequenos grupos de 30 a 60 cabeças, eram repassados para o curro ou brete. Na extremidade do brete o laçador, posto sobre uma plataforma de madeira, laçava pelas guampas do animal. O laço era atado a uma polia manejada por dois homens, ou era passado através de uma roldana e atado a um cavalo com montaria ou a uma parelha de bois.

O animal escolhido para o sacrifício era assim arrastado até o fim do brete, já sobre um pequeno vagão de madeira, com rodas de ferro ao nível do solo: a zorra. O matador (desnucador), às vezes o próprio laçador, abatia a besta atingindo-a com um estilete de ferro na nuca (sic).

Levantando-se horizontalmente a porteira de saída do brete, o animal que havia caído sobre a zorra era transportado para a cancha. A zorra, puxada por alguns trabalhadores, corria sobre os trilhos de ferro.

A cancha era o coração da charqueada. Tratava-se de um piso retangular de cimento alisado, levemente inclinado e contornado por pequenas canaletas. Todo o conjunto era protegido por um galpão aberto nas laterais e coberto de telhas. Os trilhos da zorra, que passavam ao lado da cancha ou a cortavam pelo meio, possibilitavam que os animais, retirados do veículo, caíssem diretamente sob as mãos dos charqueadores (carneadores).

Na cancha, o animal começa a ser 'trabalhado' pela cabeça, perdendo imediatamente o couro. É nesse momento que o carneador poderá sangrá-lo com um golpe certeiro no coração. Toda a operação dura apenas alguns minutos. Passa-se à divisão do animal em vários pedaços. A manta e os membros são levados para um galpão adjacente; a cabeça, as vísceras e o tronco, etc. são retirados rapidamente para fora da cancha, para a entrada da zorra em retorno com outro animal a ser trabalhado.

O início da produção (preparo) começa com o ato de charquear as carnes, ou seja, uniformizá-las em pedaços de igual espessura. A seguir, passa-se à salgação. As carnes são transportadas para mesas especiais onde serão impregnadas de sal e depois levadas para a 'empilha'.

Uma pilha de charque pode conter de cem bois até 1.200, o que demonstra que suas dimensões pode ser as mais variadas. As carnes, superpostas uma sobre as outras, continuavam recebendo borrifadas de sal nas camadas intermediárias. Essas pilhas permaneciam dois dias, em média, para absorver completamente o sal, sendo retiradas após esse prazo para os varais de seca.

Os varais formavam uma visão peculiar às charqueadas. Constituíam-se de estacas cravadas na vertical, com varas na horizontal correndo paralelas e cobrindo longas extensões. Dependendo do tamanho das charqueadas, podiam cobrir milhares de metros quadrados.

As carnes ficavam estendidas sobre os varais por cerca de cinco a seis dias (dependendo do clima), ficando prontas para a comercialização. À noite, para não ser atingida pelo orvalho, era empilhada em pequenos montículos, chamados burras, e recobertas.

No dia seguinte, a face exposta para o sol será a que repousava anteriormente sobre o varal. Passado o estágio de secação, a carne será separada e empilhada na espera do embarque'.

Como se vê o relato de Louis Couty, essa charqueada vista no ano de 1878, quando já se trabalhava charque em termos industriais há cem anos, mostra que os métodos de abate e charqueação eram em muito semelhantes aos praticados nos primitivos saladeiros, como se pode ver nas crônicas de Saint-Hilaire, Nicolau Dreys, Arsène Isabele e outros, que viram quase que o nascimento dessa indústria."

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