quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 31


496. Teichmann: sobrenome poligenético que significa aproximadamente piscicultor. O sobrenome é originário da Silésia, região que já no século XIV desenvolveu o criação comercial de peixes de água doce em lagoas e açudes. O Teichmann seria o profissional responsável por estes viveiros aquáticos. Etimologicamente o sobrenome é uma aglutinação dos termos do alto alemão medieval tich (dique) e mann (homem). Por isso em alguns casos, o Teichmann pode significar também o oficial responsável por um dique. Todavia, a Genealogia considera a vertente silesiana mais comum como explicação para o sobrenome. O sobrenome ocorre principalmente na Silésia, Saxônia, sendo igualmente comum em toda a Alemanha.
Variantes:
Deichmann - variante comum.
Tiche, Tyche, Ticho, Tycho - variantes arcaicas.
Teichgräber - variante com o mesmo sentido.
Teich - variante comum na Saxônia.
Teiche - variante mais comum no leste e nordeste da Alemanha.
Teicher, Teichert - variantes mais comuns no Hesse, Turíngia e Renânia-Palatinado.
Deich, Deiche, Deichert - outras variantes.

497. Schönfeld: sobrenome toponímico que significa belo campo, bonito campo, formoso campo. Enquanto topônimo refere-se a cerca de 60 lugares na Alemanha, Áustria, Polônia e República Tcheca. É um sobrenome comum em praticamente todas as regiões da Europa de língua alemã.
Variantes:
Schönfeldt, Schonfeld, Schoenfeld, Schönefeld, Schoenefeld, Schenefeld, Schönfelde, Schoenfelde, Schönfelder, Schoenefelder - variantes relacionadas encontradas em diversas regiões da Europa de língua alemã.
Schönfeldt (nobre) - um família nobre da Saxônia surgida no século XIII.

498. Späth: sobrenome poligenético que significa espeto, lança. É um sobrenome com origem no Baixo Reno que pode designar um ofício profissional, um topônimo ou uma característica física corporal (cabelo, magreza, etc.). Sua maior ocorrência indica ser a Renânia-Palatinado, mas existem outras concentrações do sobrenome em diversas regiões da Europa de língua alemã.
Variantes:
Spaeth - variante simples.
Spät, Spaet - variantes relacionadas a Baden-Württemberg.
Spath, Spaight, Spat, Speth, Spett, Spet, Spatt, Spith, Spitt, Spit - variantes relacionadas.
Spethmann, Spettmann, Spathmann, Spaethmann, Spattmann, Spitmann, Spittmann - variantes derivadas encontradas ao longo da região renana até a Suíça.
Spatz - variante do leste da Alemanha.

499. Pfister: sobrenome poligenético que significa padeiro. Provém do alto alemão medieval phistur/pfistur, por sua vez derivado do original latino pistor que significa exatamente o mesmo. O sobrenome é próprio do sul da Alemanha na Idade Média e data do século XIII. Atualmente ocorre com frequência no próprio sul - Baviera, Hesse e Baden-Württemberg.
Variantes:
Pistor - variante latina original.
Fister - variante comum.
Phister - variante na região renana.
Pfisterei, Phisterei - variantes derivadas.

500. Zink: sobrenome poligenético que significa aproximadamente forcado, ferramenta com pontas. Etimologicamente provém do alto alemão antigo zinko que significa dente, pino, pico, isto é, objeto pontudo, objeto com ponta e alongado. O sobrenome parece relacionado ao centro da Alemanha em sua origem e pode designar:
1 - Um trabalhador que usa um forcado (ferramenta).
2 - Alguém com nariz grande.
3 - Alguém que habita numa região de picos, de serras ásperas.
O genealogista norte-americano Glenn W. Sink considera que o termo também possa corresponder a sumidouro no alto alemão central medieval.
O sobrenome ocorre com mais frequência em Baden-Württemberg, Hesse, Baviera e Turíngia e data aproximadamente do século XIV. Não deve ser confundido com o elemento químico zinco que assim foi nomeado somente no século XVI.
Variantes:
Zinke - variante arcaica, mas também comum no norte da Alemanha.
Zing, Zingg, Zinge, Zingge - variantes típicas do dialeto bávaro e do suíço-alemão.
Zinken - variante no plural.

501. Mader: sobrenome poligenético que significa roçador, ceifador. Etimologicamente provém do verbo mâd do alto alemão medieval que significa cortar, roçar, ceifar a plantação, o campo. O sobrenome data do século XIII e ocorre principalmente na Baviera e em Baden-Württemberg.
Variantes:
Mäder - variante muito comum no sul da Alemanha e Suíça.
Maeder - variante comum no sul da Alemanha e região renana.
Meder - variante também comum no sul da Alemanha, mas expressiva igualmente na Áustria.
Möder - variante encontrada na Turíngia.
Moeder - variante do sul e sudoeste da Alemanha, mas também para o norte ao longo da região renana.
Meeder - variante na região da Francônia.
Mehder - variante relacionada.
Mahder, Maehder, Mähder - outras variantes comuns no centro, sul e oeste da Alemanha.

502. Balzer: sobrenome patronímico que significa filho de Balthasar. Balthasar (Baltazar em português) é um primeiro nome comum na língua alemã derivado do homônimo hebraico. Balzer é uma forma curta que também pode ser um hipocorístico.
O sobrenome ainda pode ter origem na palavra balsa do antigo prussiano que significa voz, gemido, relacionando-se ao contexto militar.
O sobrenome data do século XV e ocorre com mais frequência no Hesse, na Saxônia e na região de Berlim.
Variantes:
Baltzer - variante comum no sul da Alemanha, Suíça e Áustria.
Balzert - variante mais comum na região do Sarre.
Balthasar - forma patronímica original.
Palczar - variante identificada como originalmente prussiana.
Balski - variante do nordeste e leste da Alemanha.
Balzereit - variante derivada.
Balzers - variante no plural. 
Baltser, Baltsers - variante encontrada em Liechtenstein.
Balze - variante simples.
Balz - variante curta da região renana.
Baltz, Bälzle - variantes relacionadas.

503. Westermann: sobrenome toponímico que significa homem do Oeste, homem do Ocidente. É um sobrenome que surge durante os processos migratórios no Sacro Império Romano-Germânico no fim da Idade Média. Atualmente, concentra-se particularmente no norte da Alemanha.
Variantes:
Westerman, Vestermann, Vestermann - variantes comuns.
Wester - variante curta.

504. Bosch: sobrenome poligenético que significa bosque, pequena floresta. Etimologicamente provém do termo homônimo do alto alemão medieval oriental. Data do século XIV e ocorre principalmente em Baden-Württemberg e nos Países Baixos.
Variantes:
Posch - variante do leste da Alemanha.
Boscher, Poscher - variantes derivadas.

505. Engelhard: sobrenome patronímico que significa filho de Engelhard. Engelhard é um primeiro nome da língua alemã derivado do nome medieval tribal Angilhart que no alto alemão quer dizer forte anglo (povo). O sobrenome data do século XIII e ocorre principalmente na Baviera e Baden-Württemberg.
Variantes:
Engelhart, Engelhardt - variantes comuns.
Engelhardt (nobre) - família da nobreza prussiana estabelecida em Riga, Letônia.

506. Schleicher: sobrenome poligenético que significa aproximadamente caminho secreto, caminho oculto, lugar oculto, espreita, coisa oculta, coisa secreta. Provém etimologicamente do alto alemão medieval slichaere apresentando os mesmos sentidos. Literalmente significa espreitadela. Designa aquele que vive num lugar oculto, que vive num lugar de difícil acesso. O sobrenome data do século XII e ocorre principalmente no Hesse e na Turíngia.
Variantes:
Schleich - variante curta simples.
Slicher, Sleycher - variantes arcaicas.
Schleiche, Schleichert - outras variantes.
Schleicher (toponímico) - um local em Baden-Württemberg e um distrito na Baviera.

507. Kaminski: sobrenome de origem prussiana oriental, atualmente típico da Polônia, mas que tem muita ocorrência na Alemanha. Possui as seguintes acepções:
1 - Derivado do termo lituano-prussiano kamienas que significa tronco, caule de árvore, podendo assim designar um sobrenome com relação geográfica, isto é, aquele que vive em uma floresta.
2 - Derivado do termo do prussiano oriental kamine que significa abelha selvagem, designando assim o ofício de apicultor ou alguém de temperamento irascível.
3 -  Derivado do termo do prussiano antigo kamenis que quer dizer chaminé, designando assim alguém que vive num local com chaminé ou mesmo um construtor de chaminés e/ou lareiras. Também pode corresponder a coluna.
A etimologia das palavras que servem como possíveis interpretações para o sobrenome é convergente no que diz respeito à forma daquilo que quer se dizer: um objeto cilíndrico e comprido. Por isso, constata-se que pode denominar tronco, caule, chaminé, coluna, vara, etc.
O site Genealogie Ahnenforschung considera que o sobrenome também possa derivar do termo kamien que significaria pedra no antigo polonês, designando assim alguém que vive num lugar rochoso. 
Acrescente-se que este sobrenome pode ser um poligenético quanto um patronímico.
Atualmente na Alemanha, o sobrenome Kaminski ocorre com expressividade em Mecklemburgo-Pomerânia, Brandemburgo, região de Berlim e Baixa Saxônia. Os primeiros registros datam de 1364.
Variantes:
Kaminsky - variante mais comum.
Kaminska - variante matronímica.
Kaminscy - variante no plural da língua polonesa.
Camyn, Camynes, Camynen - variantes do oeste da Polônia.
Kamin - variante que significa literalmente lareira na língua alemã.
Kamcke, Kamke, Kameke, Kamike, Kamerau, Kamerow, Kamintki, Kamintky - variantes concentradas na região fronteiriça polonesa-alemã que se distribuem de leste a oeste nas regiões circunvizinhas.
Camin - variante encontrada na Saxônia-Anhalt. Também pode ser um homônimo na língua italiana com outra raiz semântica.

508. Eisele: sobrenome patronímico que significa filho de Isenhart ou filho de Eisenhart. Isenhart ou Eisenhart são primeiros nomes medievais alemães com a mesma origem semântica que significam aquele que é duro ou resistente como ferro, isto é, literalmente ferro-duro. 
O sobrenome pode ainda ser uma derivação de Eisen (ferro) e designar a profissão de ferreiro ou construtor de esquadrias metálicas. 
O sobrenome data do século XIII e ocorre principalmente no centro da Alemanha.
Variantes:
Eisenhart, Eisenhardt, Eisenhard - variantes do nome.
Isenhart, Isenhardt, Isenhard - variantes do nome.
Iseli, Isely, Isenli, Eisen, Eisener, Eiselen, Eiseler, Iseler, Iselen - variantes relacionadas.

509. Kirchhoff: sobrenome poligenético que significa cemitério ou numa acepção mais precisa terreno de igreja. Provém do alto alemão medieval kerkhoff.  Na Idade Média, as pessoas eram enterradas na área externa junto às igrejas, de mesma forma ocorria que existiam várias moradias agrupando diferentes tipos de servos ou artesãos vinculados a uma igreja. Acrescente-se a isso o fato que a instabilidade política medieval, repleta de guerras civis e feudais, além de constantes invasões, fez nascer as kirchenburgen, isto é, igrejas que eram fortificadas como um burgo. Por isso, compreende-se que embora no alemão moderno o termo corresponda a cemitério, a explicação mais verossímil para o sobrenome é aquele que habita junto a uma igreja fortificada. Pode ainda, entretanto, designar o antigo ofício de guarda ou porteiro de cemitério, em casos reduzidos. O sobrenome data aproximadamente do século XIV e ocorre em toda a Europa de língua alemã.
Variantes:
Kirchhof - variante simples.
Kirchhof (toponímico) - refere-se a quatro lugares na Alemanha (dois na Baviera, um no Hesse e um na Saxônia).
Kirchhofen - variante comum no sul da Alemanha, principalmente em Baden-Württemberg.
Kirchhofer - variante comum no sul da Alemanha e Suíça.
Kirchhoven - variante toponímica referente a um lugar no distrito de Heinsberg, na Renânia do Norte-Westfália.
Kerchove, Kirchoff, Kerchoffs - variantes arcaicas.
Kerkhof, Kerkhoff, Kerkhove, Kerkhoven, Kerckhoven- variantes dos Países Baixos e Bélgica.
Kerckhoff - variante mais comum na Renânia do Norte-Westfália e Baixa Saxônia.
Kerkhofs, Kerkhoffs, Kerckhof, Kerckhofs - outras variantes comuns aos Países Baixos e noroeste da Alemanha.
Kerkhecker - variante encontrada em Bielefeld, Renânia do Norte-Westfália.

510. Reiss (1a. vertente): sobrenome poligenético que significa arroz. Designa o agricultor que cultiva arroz ou orizicultor. Etimologicamente provém do alto alemão medieval rîs que significa ramo, arbusto. Por este fato, compreende-se que na língua alemã a planta arroz recebeu uma denominação por seu aspecto (ramo). Como o arroz só chegou a Europa no século VIII e na região do Sacro Império Romano-Germânico somente no século XIII, sendo um produto de algum consumo destacável nesta região somente a partir do século XVIII, compreende-se que a próxima vertente seja a mais aceita para a maioria destes sobrenomes em língua alemã.
Reiss (2a. vertente): sobrenome poligenético que significa ramo, arbusto, e também rasgo, fenda e lágrima. Por isso, compreende-se que o sobrenome se origine para designar aquele que vive num lugar de muitos arbustos, aquele que vive numa fenda (vale, depressão, desfiladeiro, margem de rio) ou aquele que vive próximo a uma nascente ou olho d'água. Esta vertente é considerada mais aceitável para explicar o sobrenome, sem desconsiderar as outras.
Reiss (3a. vertente): sobrenome patronímico que é uma forma contraída para filho de Zacharias. Nesta vertente, a maioria das linhagens seriam judias.
O sobrenome ocorre principalmente no Sarre, Renânia-Palatinado e Hesse. Data do século XIII.
Variantes:
Reis - variante pouco comum na Alemanha moderna, mais associada a imigrantes alemães nas Américas.
Reisz - variante mais comum no leste e norte da Alemanha.
Reihs - variante mais comum no sul da Alemanha e Áustria.
Rais - variante encontrada na Suíça e República Tcheca.
Ris, Riss, Riess, Ries, Reys, Reuss, Raiss, Reus, Risz - outras variantes que se apresentam em formas dialetais da Renânia do Norte, Hesse, Baviera, Francônia e alguns cantões suíços.







quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A Invasão dos Morcegos


Essa curiosa história teve enorme repercussão na época, inclusive sendo noticiada em todo o Brasil por meio de jornais, rádio e televisão. Pelo que pudemos constatar, o fato foi noticiado até no Jornal Nacional, mas infelizmente não encontramos o vídeo na internet. O recorte a seguir é da edição de 01 de Março de 1974, do jornal O Globo, do Rio de Janeiro.


TRANSCRIÇÃO DO TEXTO:

CIDADE DO RIO GRANDE DO SUL É INVADIDA POR DEZ MIL MORCEGOS

PORTO ALEGRE (O GLOBO) - Os morcegos que há cinco anos abandonaram as cavernas existentes em uma pedreira localizada a um quilômetro da Vila Capão do Leão, no Município de Pelotas, e foram se instalar nas velhas casas de madeira da cidade, são hoje mais de dez mil e estão assustando os oito mil habitantes da localidade.

Seu principal refúgio é o prédio do Grupo Escolar Dario da Silva Tavares, onde se escondem entre as tábuas do forro e resistem a todas as tentativas feitas para retirá-los. As aulas deveriam recomeçar no dia 6 de março, mas os alunos só poderão ir à escola se os morcegos forem exterminados ou afugentados.

Ontem à tarde, atendendo solicitação da diretora do grupo escolar, Maria Linch da Cunha, uma equipe da Secretaria da Agricultura começou a pulverizar os locais onde estão os morcegos, utilizando o inseticida "Rhodiatox".

A escola foi interditada e, segundo os técnicos, nos próximos dias as cavernas que eram habitadas pelos morcegos a algumas furnas poderão ser dinamitadas, para que sejam liquidados definitivamente os animais.

Apesar do grande número de morcegos, ainda não foi registrado nenhum ataque a moradores da vila e as crianças já se acostumaram com os animais, a quem chamam de "ratinhos com asas" e gostam de brincar com eles.

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 30



481. Trautmann: sobrenome poligenético que significa homem forte. Provém etimologicamente do alto alemão medieval trut (forte) com o acréscimo do sufixo mann (homem). Data do século XIV e ocorre em toda a Alemanha, mas principalmente no sul do Hesse, norte de Baden-Württemberg e Turíngia.
Variantes:
Trautman, Trauthmann - variantes simples.
Trauth, Traut - variantes curtas.

482. Amann: sobrenome poligenético que corresponde aproximadamente a oficial de justiça, meirinho. Etimologicamente provém do termo ambetman do alto alemão medieval. Na Idade Média, o Amann era um título nobiliárquico que tinha por funções a administração territorial de propriedades, castelos e aldeias de um senhor feudal a quem estava subordinado. Ele residia na Amtshaus que seria uma espécie de gabinete administrativo de um feudo, domínio e região. O Amann cobrava impostos, organizava as forças de segurança e aplicava a justiça. O Amann não era um juiz (Richter), mas o executor das decisões judiciais. Com o tempo, o termo Amann se resumiu cada vez mais às suas funções jurídicas e gradualmente menos às funções administrativas e fiscais.
Variando de cada região alemã, o cargo de Amann variava de atribuições. Vejamos:
1 - Em Holstein, no tempo do domínio dinamarquês (até 1864), o Amann também acumulava a função de juiz secular.
2 - Na Suíça, o Amann é eleito pelos cidadãos em cada canto e suas funções são mais administrativas do que jurídicas, normalmente lhe é atribuído a presidência da câmara ou conselho municipal. Em Davos, por exemplo, sua ocupação é sinônimo de prefeito.
3 - Nos antigos reinos da Westfália e Hannover, o Amann era meramente o juiz de primeira instância, ao mesmo tempo que acumulava a função de oficial de justiça.
Atualmente, na República Federal da Alemanha e na Áustria, o Amann corresponde somente ao cargo de oficial de justiça.
O sobrenome ocorre no sul da Alemanha, na Baviera e Baden-Württemberg, Suíça e Áustria. O mais antigo registro do sobrenome é de 1272.
Variantes:
Ammann, Aman, Amman, Amtmann, Amtman, Ahmann, Ahman - variantes comuns.

483. Lück: sobrenome com muitas interpretações que pode se comportar como poligenético, patronímico e toponímico. Entre as diferentes acepções do sobrenome podemos listar:
1 - Um patronímico do nome medieval alemão Liutgard.
2 - Um patronímico do nome típico da região renana Lüdekke.
3 - Um patronímico do nome medieval Ludolf.
4 - Um patronímico do nome Ludwig (Luís).
5 - Um patronímico do nome Lucas.
6 - Derivado do termo do alto alemão medieval lucke que significa lacuna, fosso, buraco, terra baixa, designando assim um habitante de um lugar baixo, de uma depressão, de um vale.
7 - Derivado do termo do alto alemão medieval luege que significa mentira, engano, designando assim aquele que é enganador, mentiroso.
O sobrenome data do século XVI e a Genealogia considera os itens 2, 5, 6 e 7 como mais prováveis, sem desconsiderar os demais. O sobrenome ocorre em toda a Alemanha, mas principalmente na Renânia do Norte-Westfália, Brandemburgo e região de Berlim.
Variantes:
Lücke - variante com mais frequência no norte da Alemanha.
Lueck, Luecke - variantes do oeste e norte da Alemanha.

484. Nitsche: sobrenome patronímico que significa filho de Nikolaus (Nicolau em português). Nitsche é uma forma curta surgida por volta do século XIV nas regiões orientais da Europa para o primeiro nome alemão Nikolaus, segundo os estudos de Hans Bahlow. Na Alemanha, o sobrenome ocorre principalmente na Saxônia e em Brandemburgo.
Variantes:
Nietsch -variante encontrada no norte da Alemanha, com maior ocorrência em Schleswig-Holstein e Baixa Saxônia.
Von Nitsche - uma família nobre de Görlitz.
Nietzsche - variante encontrada no norte da Alemanha, com maior ocorrência na Saxônia-Anhalt e Brandemburgo.
Nitsch - variante do norte da Alemanha, com maior ocorrência na Baixa Saxônia e Mecklemburgo-Pomerânia.
Nitzsch - variante mais comum na Saxônia e Saxônia-Anhalt.
Nitz - variante curta comum.
Nitschke, Nitzschke - variantes do norte da Alemanha, com maior ocorrência em Mecklemburgo-Pomerânia, Brandemburgo e região de Berlim.

485. Damm: sobrenome poligenético que significa barragem. Provém etimologicamente do alto alemão medieval damme com o mesmo sentido. Damm em alemão é qualquer tipo de elevação de terra ou pedra que serva como muro ou anteparo a águas ou como divisor de terrenos, podendo ser também um dique ou um caminho artificialmente construído sobre montanhas. A característica principal é sempre servir como dique ou barragem, mas pode também separar terrenos secos. Por isso, o sobrenome quer dizer aquele que vive próximo a uma barragem ou aquele que constrói barragens.
O sobrenome é muito comum no Hesse, mas ocorre em toda a Alemanha. Data do século XII.
Variantes:
Dämme, Dammes, Daemmes, Damms - variantes simples.
Dam - variante que significa literalmente barragem.
Damm (toponímico) - refere-se a mais de 15 localidades na Alemanha, Áustria e Polônia.
Tamm, Tam, Thamm, Tham, Thamme, Thammes, Thame, Thames - variantes que se distribuem a partir do norte da Alemanha, mas podem ocorrer no leste (caso da Saxônia), na Polônia, República Tcheca e Eslováquia.
Thám - variante encontrada na República Tcheca.
Damme, Tamme, Dame, Tame - variantes relacionadas à Bélgica e Países Baixos.
Tammo, Dammo - variantes arcaicas.

486. Kurt: sobrenome patronímico que pode significar filho de Konrad ou filho de Kunibert. Kurt também é considerado um primeiro nome comum na língua alemã cujo significado é bravo conselheiro ou o valente dentre os homens do conselho (tribal). Ocorre principalmente na região renana e data do século XIV.
Variantes:
Curt, Curth, Kurth, Cord, Curd - variantes relacionadas, com ocorrência maior na região renana e centro da Alemanha.

487. Groth: sobrenome poligenético que significa grande. Provém etimologicamente do termo do alto alemão meridional medieval grot com o mesmo sentido. Refere-se a uma característica física. Ocorre em toda a Alemanha e data do século XIII.
Variantes:
Groht - variante encontrada em Schleswig-Holstein.
Grotius - variante latinizada que surge no século XV.
Groot - variante típica dos Países Baixos e Bélgica.
Grot - variante curta simples.
Grott - variante curta mais comum no leste da Alemanha e Polônia.
Crot, Crott, Crotte - variantes encontradas em alguns cantões da Suíça, mas que também pode ter homônimos nas línguas francesa e italiana.
Kroth - variante do sul da Alemanha.

488. Just: sobrenome patronímico que significa filho de Just. Just (Justo em português) é um primeiro nome da língua alemã derivado do nome medieval latinizado Justus que significa justo. Just pode ainda derivar do nome latino Justinus. O sobrenome concentra-se na região centro-leste da Alemanha num círculo geográfico que envolve a Turíngia, Saxônia, Saxônia-Anhalt, leste da Baixa Saxônia e sul de Brandemburgo. Data do século XIV.
Variantes:
Justus, Justinus - variantes latinas originais relacionadas ao norte da Alemanha.

489. Wacker (1a. vertente): sobrenome poligenético que significa acordado, desperto, corajoso, capacitado. Provém do termo do alto alemão medieval wakkar aproximadamente com o mesmo sentido. Seria um sobrenome conferido dentro do contexto militar.
Wacker (2a. vertente): sobrenome poligenético que significa lajeado (de pedras). Pode se referir a um afloramento de rocha mais ou menos plano numa planície ou numa região montanhosa, ou ainda um afloramento de rocha que serve como passagem de um riacho ou rio pouco profundo. Nestes casos, o sobrenome denominaria um habitante de um lajeado de pedras, isto é, junto ou próximo a um lajeado.
O sobrenome ocorre com mais frequência em Baden-Württemberg e data do século XIV.
Variantes:
Wacke - variante curta.
Wakcher - variante encontrada em Regensburg.

490. Huth: sobrenome poligenético que significa chapéu, capacete, todavia seu significado mais preciso é guarda (de um burgo, fortaleza, castelo, etc.). O sobrenome relaciona os antigos capacetes medievais à profissão de guarda, sentinela, vigia. Provém etimologicamente do alto alemão medieval hout com o mesmo sentido. O sobrenome data do século XIII e ocorre em toda a Alemanha, mas principalmente no Hesse e nas regiões de Hamburgo e Berlim.
Variantes: 
Hut - variante simples que significa literalmente chapéu.
Hutt - variante simples do noroeste da Alemanha.
Hot, Hoth - variantes arcaicas.
Hud - variante do sul da Alemanha.
Hout - variante encontrada em Rottenburg.
Huthmann, Huttmann, Hutmann - variantes derivadas mas que também podem ser variantes de Huther (chapeleiro) que é um outro ofício profissional.
Hutha - variante encontrada na Saxônia.

491. Strauch: sobrenome poligenético que significa arbusto. Provém etimologicamente do termo struch do alto alemão medieval com o mesmo sentido. Corresponde a alguém que mora num local com muitos arbustos ou cercado de arbustos, bem como pode se referir a um nome de casa ou a uma característica física como cabelo ou barba. O sobrenome data do século XII e ocorre principalmente no norte da Alemanha.
Variantes:
Struch - variante arcaica.
Schtrauch - variante encontrada no leste europeu.
Strauche - variante pouco usual.

492. Stenzel: sobrenome patronímico que significa filho de Stenzel. Stenzel é um primeiro nome de origem eslava germanizado na região da Silésia no fim da Idade Média que corresponde a Stanislaus ou Stanislaw. Não há dados sobre sua distribuição geográfica.
Variantes:
Stentzel - variante comum.
Stencel - variante encontrada entre imigrantes alemães do Brasil e Argentina.

493. Hornung: sobrenome poligenético que corresponde ao mês de fevereiro no antigo calendário pagão germânico, mas também pode se relacionar ao termo da antiga língua franca horning que quer dizer bastardo, filho ilegítimo. Se no caso corresponder ao mês de fevereiro serve para designar alguém que nasce neste mês, mas também, devido às condições meteorológicas da Europa nesta época, ser um atributo figurado para pessoa fria, pessoa difícil. O sobrenome data do século XI e ocorre principalmente em Baden-Württemberg e Baviera.

494. Lau: sobrenome com três acepções possíveis:
1 - Derivado do alto alemão medieval laz que significa grilhão, designando assim um oficial responsável pela escolta de prisioneiros ou mesmo um carcecereiro.
2 - Uma forma contraída do nome eslavo Ladislaw.
3 - Derivado do termo báltico laukas que significa campo áravel.
O sobrenome ocorre com mais frequência no norte e leste da Alemanha.
Variantes:
Lauk, Lauken, Laugk, Laugken, Lack, Lak, Lakk, Lacken, Laken, Lakken - variantes relacionadas à terceira acepção.

495. Sperling: sobrenome poligenético que significa pardal (Passer domesticus). Provém etimologicamente do alto alemão medieval sparo. Na Idade Média, era um substantivo usado figurativamente para designar pessoas ágeis ou irriquietas. Data do século XIII e ocorre principalmente em Brandemburgo, região de Berlim, Saxônia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia.
Variantes:
Sperlinge - variante no plural.





segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Significado e origem de sobrenomes alemães - Parte 29


466. Dreher: sobrenome poligenético que significa torneiro, aquele que trabalha com torno. O termo provém do alto alemão medieval centro-setentrional dreger. O sobrenome ocorre muito fortemente no sul de Baden-Württemberg e na Renânia-Palatinado. Data do século XIV.
Variantes:
Dreiere - variante arcaica.
Dreyer - variante simples.
Dreger - variante encontrada na região do dialeto alemânico.
Dreherr - variante relacionada.
Drehers - variante no genitivo de língua alemã.

467. Junge: sobrenome poligenético que significa menino, garoto. Está relacionado a dois aspectos: alguém jovem que ainda carrega traços físicos infantis ou possui um comportamento infantil; o outro, bem mais comum, é quando se alcunhava um herdeiro de uma propriedade feudal que era ainda muito jovem para as responsabilidades de seus domínios. O fato não era incomum na nobreza medieval europeia, principalmente devido à grande mortandade ocasionada pelas guerras intestinas feudais. Sobre o fato de haver herdeiros muito jovens ocupando uma posição nobiliárquica, devemos lembrar nosso imperador Dom Pedro II que assumiu o trono do "Império do Brazil!" com quinze anos de idade ainda incompletos.
O sobrenome concentra-se principalmente no Sarre, Renânia-Palatinado e Renânia do Norte-Westfália e data do século XIII.
Variantes:
Junges - variante no plural.
Juvenil - variante latinizada que surge no século XV.
Iunge - variante arcaica.

468. Erhard: sobrenome patronímico que significa filho de Erhard. Erhard é um primeiro nome comum na língua alemã derivado de uma aglutinação dos termos do alto alemão medieval era (honra, reputação) e harti (duro, forte, resistente). A popularidade do nome na Idade Média se deve a um santo católico homônimo que viveu entre os séculos VII e VIII e foi bispo de Regensburg, na Baviera. Também é considerado padroeiro dos sapateiros na Alemanha. O seu uso como sobrenome data do século XII. Ocorre principalmente na Baviera e no Hesse.
Variantes:
Erard - variante arcaica, porém encontrada ainda em distritos do sul da Baviera.
Ehrhard - variante mais comum no Baixo Reno.
Ehrhart - variante relacionada à Renânia-Palatinado.
Erhardt - variante mais comum na Silésia, Brandemburgo e Saxônia.
Ehrhardt - variante comum no centro-leste.
Ehrharti - variante encontrada na Turíngia.
Errard - variante mais relacionada à França.
Erhart - variante arcaica encontrada em Bielefeld.

469. Matthias: sobrenome patronímico que significa filho de Matthias. Matthias (Matias em português) é um primeiro nome comum da língua alemã e igualmente bastante usado no Ocidente que alude ao apóstolo cristão que substituiu Judas Iscariotes, após a traição e suicídio deste, conforme os Atos dos Apóstolos. O seu uso como nome remete ainda à Antiguidade Tardia, no período de cristianização da Germânia. O sobrenome vai aparecer no final do século XII. Ocorre em toda a Alemanha, mas principalmente na região de Berlim e na Baixa Saxônia.
Observação: inúmeras variantes do sobrenome Matthias podem ser também variantes do sobrenome Matthäus (Mateus). A proximidade fonética e semântica entre os dois nomes e sobrenomes é muito estreita nas línguas europeias de forma generalizada. Todavia, na Alemanha Matthias como primeiro nome masculino é mais usado que o nome Matthäus, embora este também possua sua expressividade considerável.
Variantes:
Mathias - variante simples.
Matias - variante simples encontrada no oeste e noroeste da Alemanha.
Mattias - variante simples mais comum no norte da Alemanha.
Matthes - variante mais comum na região de Berlim, Saxônia e leste da Turíngia.
Mathes - variante mais comum no sul e sudoeste da Alemanha.
Mates - variante simples, mas que também pode ter origem lituana e corresponder à natureza, terra, pátria.
Mattes - variante mais comum no sul da Alemanha e Áustria.
Matte - variante comum no sul da Alemanha, mas também pode designar campo de forrageiras no dialeto alemânico. 
Matthis -variante encontrada em Neuenmark e Bélgica.
Mathis - variante mais comum na Suíça, mas com ocorrência em diversas partes da Europa, como o oeste da Bélgica e mesmo a região de Königsberg.
Matis - variante mais comum nos Países Baixos, Bélgica e noroeste da Alemanha.
Mattis, Mathys, Matthys - variantes mais comuns fora da Alemanha, distribuídas irregularmente nos Países Baixos, Bélgica, Suíça, França e Estados Unidos da América.
Mathi - variante da região do Piemonte, Itália.
Mati, Matti - variante mais comum como forma de Matthias nas línguas estoniana, letoniana, lituana, finlandesa, norueguesa e sami.
Matthies, Mathies, Maties, Matties - variantes encontradas em Brandemburgo, Saxônia-Anhalt, Mecklemburgo-Pomerânia, região de Berlim e Baixa Saxônia.
Mattheis, Mattheiss, Matheis, Matteis - variantes encontrada ao longo da região renana, ocorrendo também no Palatinado, Hesse, Baden-Württemberg e Baviera.
Matz, Mätz - variantes curtas simples.
Matzki, Matzke - variantes encontrada na Silésia, Saxônia, Brandemburgo e Mecklemburgo-Pomerânia.
Theisen, Theissen, Theiss, Thies, Thiess, Thissen, Thyssen, Thiessen, Tiwissen, Thywissen, Thewissen, Tewissen - variantes curtas encontradas em diversos locais da Europa de língua alemã, mas também com ocorrência na Bélgica, Países Baixos, Polônia e Dinamarca.
Mathiesen, Matthiesen, Mattiesen, Mathiessen, Mathissen, Mathisse, Matisse, Mattiesen, Matiesen, Matthiessen, Mathissen, Mathiesson, Matthiesson, Mathiesohn, Matthiason, Matthiasohn, Matthiasson - variantes encontradas em toda a Europa de língua alemã, mas também na França, Países Baixos, Luxemburgo, Suíça, Bélgica e Dinamarca. São acrescidas do sufixo sen/son que significa filho de.
Mätty, Mätthi, Mäthi, Mäti, Mätti, Maetti - variantes curtas de diferentes regiões da Alemanha.
Mätthu, Mättu, Mätu, Mäthu - variantes mais características da Finlândia e Escandinávia, mas que podem ocorrer em alguns dialetos alemães.
Matt, Mats, Matts, Matz, Mätharl, Mait, Mattätz, Mäde, Matse, Mattse, Mattsen, Matze, Matzi, Matti, Matthi, Maeti, Maetiges, Maate - variantes curtas de diferentes regiões e dialetos da Europa de língua alemã.
Hias, Hiasi, Heis, Hiasl, Huis, Moartl, Hiasei, Hiesl, Hysly, Hiesel, Hisel - variantes curtas relacionadas, provavelmente formas próprias do sul da Alemanha e principalmente Áustria. Também na República Tcheca e Eslovênia.
Tisu, This, Thies, Thes, Tisi, Tissi, Ti, Tias, Thias, Thees, Tees, Theiss - variantes curtas relacionadas principalmente na Áustria e Suíça, mas como ocorrência em toda a Alemanha, igualmente República Tcheca e Países Baixos. Como são formas curtas derivam de raízes semânticas por vezes totalmente diversas.
Tewes, Tews, Täis, Matten - variantes no dialeto plattdeustch.
Matijs, Mathijs, Mattijs, Matthijs, Thijs - variantes na língua holandesa.
Matthies, Mathies, Mads, Madz, Madts - variantes na língua dinamarquesa.
Maciej, Maciek - variantes na língua polonesa.
Matvei, Matfei, Matwei, Matweij, Motya - variantes na língua russa.
Matej, Mateja - variantes na língua tcheca.
Matjaz, Matevz, Matej, Mateja, Matija - variantes na língua eslovena.
Matijas, Mato, Matko, Matek, Matan - variantes na língua croata.
Macij - variante na língua sorábia.
Mattea - variante na língua iídiche.
Matyas, Máté - variantes na língua húngara.

470. Matthäus: sobrenome patronímico que significa filho de Mätthaus. Mätthaus (Mateus em português) é um primeiro nome comum na língua alemã que faz alusão ao apóstolo e evangelista cristão sobejamente conhecido. O sobrenome é comum em toda a Alemanha, com uma concentração maior no norte do Hesse e na região de Eisleben, Saxônia. 
Observação: inúmeras variantes de Matthias também são variantes de Mätthaus (veja o tópico anterior).
Variantes:
Mathaeus, Mathaei, Matthaeus, Matthaei, Mäthaus, Matheus, Mateus - variantes relacionadas.
Maffei - variante própria de uma família da Alta Baviera.

471. Klug: sobrenome poligenético que significa sábio, inteligente. Provém etimologicamente do alto alemão medieval kluoc com o mesmo sentido. O sobrenome data do século XIV e ocorre numa região central da Alemanha que inclui o norte da Baviera, o sul da Turíngia e o leste do Hesse.
Variantes:
Kluge - variante mais comum na Saxônia, sudeste da Saxônia-Anhalt e sul de Brandemburgo.
Kloke - variante mais comum na Westfália.
Cluge - variante mais comum na Baixa Saxônia.
Klugert, Clugert - variantes do centro e norte da Alemanha.
Kluk, Kluke, Klukk, Klukke - variantes do norte da Alemanha.
Klok, Klokk, Kloke, Klokke - variantes da região renana, oeste da Alemanha de forma geral.

472. Kunkel: sobrenome poligenético que significa roca de fiar. Provém etimologicamente do alto alemão medieval kunchela, por sua vez derivado do termo latino conucla, ambos com o mesmo sentido. O sobrenome pode corresponder a alguém que usa a roca de fiar. Mormente mulheres. 
Todavia, o termo Kunkel na Idade Média era usado figurativamente para designar o gênero feminino em contratos legais e no direito feudal. Por isso, Kunkel seguramente quer dizer aquele que herda algo (terra, bens, títulos) por matrilinearidade, isto é, pela mãe, pela mulher. 
Data do século XV e ocorre principalmente no Hesse e Baden-Württemberg.
Variantes:
Kunckel, Kinkel, Kunckell - variantes comuns.

473. Steinmetz: sobrenome poligenético que significa pedreiro, profissional que trabalha com pedras. Corresponde ao profissional que durante a Idade Média trabalhava na tarefas pesadas da construção de castelos, igrejas, pontes, muros, etc. Acrescenta-se também a seu ofício o trabalho de lapidação e escultura em pedras de forma geral para a construção civil. Isto é, havia igualmente uma produção artesanal com objetivo decorativo, ornamental. 
O sobrenome data do século XII e ocorre regularmente em toda a Europa de língua alemã.
Variantes:
Steinmetzin, Steinmetzer, Steimetz - variantes comuns.

474. Heitmann: sobrenome poligenético que significa homem da charneca. Provém etimologicamente da aglutinação dos termos do alto alemão medieval hede (charneca) e mann (homem). O sobrenome data do século XIII e ocorre principalmente no noroeste, nas regiões de Hamburgo, Hannover, Bonn, Bremen, Baixa Saxônia e parte de Schleswig-Holstein.
Variantes:
Heidmann, Heidemann, Heitemann, Heidtmann, Heidermann - variantes comuns.
Heit - variante curta.
Heimann - variante mais comum na Renânia-Palatinado, Renânia do Norte-Westfália e Baixa Saxônia.
Heiman - variante arcaica da Baixa Saxônia.
Heymann, Haimann, Heyman, Hainmann, Haymann - outras variantes relacionadas.

475. Bahr: sobrenome poligenético que significa filho. Pode ser uma variante de Bär (urso), mas individualizamos este sobrenome pois pode ser uma derivação de bare que é um termo do alto alemão medieval central que quer dizer filho. O sobrenome data do século XIII e ocorre principalmente no nordeste de Schleswig-Holstein e na região de Berlim.
Variantes:
Bare - variante simples.
De Bare - variante arcaica.

476. Augustin: sobrenome patronímico que significa filho de Augustin. Augustin (Agostinho em português) é um primeiro nome comum na língua alemã que faz alusão ao homônimo santo católico da Antiguidade Tardia que viveu no norte da África. O uso do sobrenome data do século XIII e ocorre regularmente em toda a Alemanha.
Variantes:
Augustine - variante matronímica.
Augustyn - variante mais comum na Polônia e República Tcheca.
Augustiny - variante encontrada em Schleswig-Holstein.
August, Gust, Gustke, Augst, Aust, Auste, Austen, Austs - variantes curtas.
Augustus - variante latinizada.
Augustien - variante do norte da Alemanha.
Augustat - variante lituana-prussiana.
Stinnes, Stings, Sting - variantes encontradas na região do Baixo Reno.

477. Augstein: sobrenome poligenético que significa topo, cume, lugar mais alto. Provém etimologicamente do termo do antigo prussiano ocidental augstan com o mesmo sentido. O sobrenome é pouco comum na Alemanha, a não ser nas regiões orientais de Mecklemburgo-Pomerânia e Brandemburgo. O sobrenome data do século XVI e compartilha variantes semânticas com o sobrenome Augustin.
Variantes:
Augsteinis - variante arcaica.
Augstien, Augsten, Augstin - variantes comuns.

478. Höhne: sobrenome poligenético que significa aproximadamente pessoa irritada, pessoa zangada, pessoa zangada. Etimologicamente a palavra se aproxima do verbo do alemão moderno höne que quer dizer afiar, aprimorar. Poderia portanto se referir à profissão de afiador, todavia historicamente na língua alemã o termo mais usado para este ofício profissional é schleifer. O sentido do termo seria aproximadamente aquele que possui um temperamento afiado. 
O sobrenome também pode ser um patronímico do primeiro nome medieval Huni, hoje completamente em desuso e raríssimo.
Variantes:
Höhnen - variante encontrada na Westfália.
Höne - variante mais comum no norte da Alemanha.
Hoene - variante encontrada na Turíngia, Saxônia e Brandemburgo.
Hunecke, Hönecke, Hoenecke, Huneck, Höneck, Hoeneck, Hunecker, Huneke, Huneker, Hönecker, Hoenecker, Höneker, Hoeneker - variantes derivadas.
Hone, Hoen, Hön - variante curtas relacionadas.
Hoyne, Hane, Hoehn, Hoehne - variantes do noroeste da Alemanha.
Hönemann, Hoenemann - variantes acrescidas do sufixo mann.

479. Hering: sobrenome poligenético que significa arenque (gênero Clupea). Provém etimologicamente do alto alemão medieval haerinc com o mesmo sentido. Designa o pescador ou comerciante de arenques, bem como era usado figurativamente na Idade Média para pessoas frágeis, fracas. O sobrenome data do século XII e ocorre em toda a Alemanha, mas principalmente na Renânia-Palatinado, Saxônia e região de Berlim.
Variantes:
Herring - variante mais comum no norte da Alemanha.
Heringer - variante derivada encontrada ao longo da região renana.
Häring, Haering- variantes mais comuns no sul da Alemanha, Suíça, Áustria e República Tcheca.
Haring - variante encontrada nos Países Baixos e também no sul da Alemanha.
Herinch, Heringk, Herungk - variantes arcaicas.
Herung - variante encontrada na Baixa Saxônia.
Hering (toponímico) - um distrito no Hesse.

480. Hellmann: sobrenome poligenético que significa homem brilhante. Provém etimologicamente da aglutinação dos termos do alto alemão medieval helle (brilhante) e mann (homem). A Genealogia entende que o adjetivo "brilhante" na maior parte das vezes se refere a cor dos cabelos e não a uma qualidade moral. Assim como pode se referir a outra característica física que remeta a "brilhante".
O sobrenome ocorre em toda a Alemanha, com uma concentração maior no sul da Renânia-Palatinado.
Variantes:
Hellmanns - variante no plural.
Hellemann - variante encontrada na Baixa Saxônia.
Helmann, Helemann, Hilmann, Hillmann - variantes derivadas.
Hellun - variante arcaica.
Helle, Hele, Hell, Hel - variantes curtas.






domingo, 20 de dezembro de 2015

Código de Honra

Notoriamente sabe-se da ligação do gaúcho com seu cavalo e a relação quase filial que se estabelece entre os dois na lida de campo. O cavalo é o companheiro inseparável do gaúcho, como se fosse o seu braço direito que está presente nos momentos mais diversos de sua vida. Apesar de alguns falsos gaúchos que não tratam o cavalo com o respeito devido, a grande maioria o tem em alta estima. Por isso, há uma espécie de código de honra no tratamento com estes animais que envolvem desde pequenas regras até alguns tabus sobre o cavalo. Um destes tabus é o consumo da carne equina, hábito considerado bárbaro e grosseiro mesmo por gaúchos mais interioranos. Mesmo equinos que morrem naturalmente nas estâncias ou são sacrificados, normalmente tem seus cadáveres enterrados. 

Neste final de semana, ouvi uma história bem interessante sobre este tabu sulista referente a um caso que aconteceu não há muito tempo numa das estâncias do Pavão, em Capão do Leão. Quis fazer o registro para que não se perca na memória.

Por volta do ano de 2001, um empresário australiano do ramo agropecuário esteve em visita à Pelotas para tratar de negócios e foi hospedado por uma família de posses que tem a sua morada no distrito do Pavão. Tendo vindo para ficar aproximadamente uma semana, a dona do local resolveu lhe oferecer um típico churrasco gaúcho no domingo e antecipadamente lhe comunicou das iguarias e diversos tipos de carne que iriam ser servidas. O tal australiano mostrou-se muito entusiasmado com o convite e perguntou à dona se haveria carne de cavalo na grelha - especialidade que ele aprecia muito em sua terra natal. A dona da estância respondeu que não é hábito no Rio Grande do Sul o consumo deste tipo de carne. Mas disse que poderia providenciar o produto. 

Na sexta-feira ordenou a um dos seus peões que sacrificasse um dos cavalos da tropa que existe na parte de trás da estância para ser servido no tal churrasco. O peão prontamente negou-se a fazer o abate, num gesto não muito usual de rebeldia. Irritada, chamou outro funcionário da fazenda e a negativa se repetiu. Assoberbada pelos preparativos do tal churrasco, protelou a busca pela carne de cavalo e tentou resolver no dia seguinte. Bateu na estância vizinha e a mesma negativa se repetiu: "Cavalo não se mata para comer"! Na outra, a mesma coisa. E assim foi. Procurou em açougues e frigoríficos e nada. No fim do dia, achou dois quilinhos de carne equina numa casa de carnes especializada que existia em Pelotas na época. Pagou os olhos da cara por uma carne que também não era procedente do Rio Grande do Sul, mas que ostentava um selo de uma empresa paulista.

O churrasco, aliás, foi um sucesso. O tal australiano se empaturrou de picanha e carne de ovelha. E a carne de cavalo, especialmente preparada para ele, ficou na grelha num canto da churrasqueira artesanal. Exceto o australiano e alguns da família da dona da estância, nenhum dos outros presentes se atreveu a provar sequer um naco!
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