domingo, 28 de junho de 2015

Fotos de Capão do Leão

Jardim América, Capão do Leão
Fotografia: Marco Vitale

Jardim América, Capão do Leão
Fotografia: Marco Vitale
Entardecer no Capão do Leão
Fotografia: Scarlett Escobar
Prédio do Instituto de Matemática no campus da UFPel
Fotografia: Michel Halal
Figueira em Capão do Leão
Fotografia: Lilian Gonçalves
Campo nas proximidades do campus da UFPel
Fotografia: Jéssica Michel
Trem se aproximando da Estação em Capão do Leão
Fotografia: Fágner Araújo
Capela Santa Luzia no Cerro do Estado
Fotografia: Daniel Moraes
Ponte do Teodósio
Fotografia: Aéverton Vieira Júnior
Estação Ferroviária de Capão do Leão
Fotografia: Adenauer Yamin
Banco de praça no Campus da UFPel
Fotografia: Natália Silcor

Fotografias selecionadas a partir do site http://www.photopile.me/ por seu aspecto estético e reproduzidas somente para mera divulgação cultural do município de Capão do Leão.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Projeto para a preservação do patrimônio cultural da Pedreira do Cerro do Estado

Notícia recentemente  publicada no site da Superintendência do Porto do Rio Grande: http://www.portoriogrande.com.br/site/noticias_detalhes.php?idNoticia=1679&idPai=34


Esperamos sinceramente que o projeto renda bons frutos e não seja feita a transferência do material para Rio Grande, dado todo o complexo da Pedreira do Cerro do Estado em Capão do Leão possuir um grande significado cultural para toda a comunidade ao seu redor e para o próprio município.

Segue a notícia abaixo:


Apresentado projeto para o Patrimônio Cultural da Pedreira

Complexo fica localizado na cidade de Capão do Leão e faz parte da estrutura da SUPRG
2015-05-20
O Superintendente do Porto do Rio Grande, Janir Branco recebeu na manhã de quarta-feira, 20, a Professora Drª Carmem Schiavon da Universidade Federal do Rio Grande que apresentou uma proposta de projeto que irá realizar um levantamento do patrimônio da Pedreira de Capão do Leão. A proposta de cooperação técnica do Inventário do Patrimônio Cultural do Porto do Rio Grande: memórias e narrativas portuárias visa propor uma intervenção direta em três edificações do complexo. A Casa de Pedra e dois galpões de 1912 tem grande apelo para a comunidade local. O programa apresentado busca mapear, registrar e valorizar a memória e o patrimônio portuário do complexo realizando entrevistas com trabalhadores e ex-funcionários do local. “Esse projeto atende a uma demanda da instituição a fim de preservar seu patrimônio histórico cultural. O projeto além de buscar toda a memória material e imaterial do local ainda irá dar ao espaço um objetivo”, afirma a servidora da SUPRG, Gladis Rejane Ferreira. O projeto também tem o intuito de criar um Centro de Memória que irá reunir material fotográfico, bibliográfico e de bens do local. “Assim que assumi tive a preocupação de conhecer a situação da pedreira. Fui até lá acompanhado do diretor de infraestrutura e nós possuímos um rico espaço que pode ser utilizado e precisa ser preservado dentro da sua história e riqueza ambiental”, afirma o superintendente Janir Branco. O projeto foi apresentado pelo Instituto de Ciências Humanas e da Informação através do Programa de Pós-Graduação em História. Após iniciado, o trabalho do grupo acadêmico terá duração de 24 meses.


Veja também o contato entre a Prefeitura Municipal de Capão do Leão e a Superintendência do Porto de Rio Grande: http://www.portoriogrande.com.br/site/noticias_detalhes.php?idNoticia=1699&idPai=34 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Sociedade Beneficente Lealdade (Loja Maçônica)

Nota do blog: a Sociedade Beneficente Lealdade ou Loja Maçônica Lealdade teve sua sede onde hoje se encontra a EMEF Barão de Arroio Grande. Abaixo a transcrição do extrato dos estatutos da sociedade, publicada no jornal porto-alegrense A FEDERAÇÃO, na edição de 28 de fevereiro de 1909, página 03.

Extracto dos estatutos da Sociedade Beneficente <<Lealdade>>, approvados em sessão de assembléa geral, em 20 de fevereiro de 1909

1o. - A Sociedade Beneficente <<Lealdade>>, fundada em 1 de julho de 1903, é composta de numero illimitado de socios que possuam as qualidades exigidas pelos seus estatutos, sem distincção de nacionalidade, religião e politica; sua duração será por tempo indeterminado.
Seus fins são: beneficiar, proteger e soccorrer os seus associados, suas esposas e filhos menores. Exercer a caridade tanto quanto lhe seja possivel. Fomentar a instrucção por meio de escolas, bibliothecas, conferencias publicas e outros meios.

DA ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE
A sociedade será administrada por uma directoria composta de um presidente, 1o. e 2o. vice-presidente, secretario, orador e thesoureiro, cujo mandato terá a duração de um anno, podendo entretanto serem reeleitos.

DA REPRESENTAÇÃO DA SOCIEDADE
A sociedade será representada activa e passivamente em juiso e em geral nas suas relações para com terceiros, pelo seu presidente, orador e secretario, aos quaes são confiados todos os poderes geraes e especiaes necessarios, inclusive o de substabelecel-os ou delegal-os em uma ou mais pessoas.
O dominio, posse a acção sobre o patrimonio social que compete a sociedade em geral e a cada socio em particular, não se transmitte a seus herdeiros e termina pelo fallecimento do socio, sua retirada voluntaria ou expulsão da sociedade.
Os socios não respondem subsidiariamente pelas obrigações contrahidas pela directoria em nome da sociedade, que só poderá obrigar o patrimônio social até onde elle chegar, si para isso fôr auctorisada em assembléa geral, por dois terços dos votos presentes, em cujo caso poderá alienar, hypothecar ou empenhar.
Ficam, por tanto, em vigor desde esta data, os referidos estatutos.

Capão do Leão, 4a. districto do municipio de Pelotas, 20 de fevereiro de 1909.

Silvestre de Fontoura Galvão, presidente.


Henrique Frederico Wetzel, orador.

Manoel Geminiano da Luz Costa, secretario."




segunda-feira, 22 de junho de 2015

Sociedade Francesa de Beneficência de Pelotas

Fonte das informações: A FEDERAÇÃO, 26 de Abril de 1908, página 02, coluna 05

Encontrei o interessante texto dos estatutos da Sociedade Francesa de Beneficência de Pelotas, de 1890, que foi publicado no jornal porto-alegrense "A Federação". A tal sociedade era uma espécie de associação de socorro mútuo direcionada a franceses e filhos de franceses residentes na cidade. O conteúdo do estatuto em si reservo-me o direito de não transcrevê-lo, pois é longo e não traz nenhum detalhe especial diferente de um estatuto de uma sociedade beneficente. A sociedade aparece ainda existindo em Pelotas no ano de 1908. Transcrevo, entretanto, a lista dos membros fundadores, os quais considero de relevância para estudos sobre a imigração francesa em nossa região.

"ESTATUTOS DA SOCIEDADE FRANCEZA DE BENEFICENCIA DE PELOTAS,
fundada em mil oitocentos e noventa

(...) [corpo do estatuto intencionalmente suprimido por nós]

Estes estatutos foram approvados aos dez dias do mez de setembro de mil oitocentos e noventa pelos socios presentes abaixo assignados:
Seguem as assignaturas: Leopoldo Jouglard, Lucien Jouglard, Moysés Gompertz, Ambroise Perret, G. Minssen, Myrtil Franck, Mathieu Levy, Auguste Hormain, Alfred Etchalus, Romain Prieu, Alexis Castre, Elie Boulard, Amedie Gastal, Dominique Villard, Bernard Dulauran, Louis Chevalier, Marcel Moureau, Adrien Moysés, Gustave Ribes, Oscar Bedu, L. Lahorque, A. François Taddey, Martin Etchebert, Jérome Dreyfus, Auguste Amoretty Messeder, Joseph Maisonnave, Fernand Rochefort, Charles Ruelle, Guillaume Montier, Léon Bastide, Gregoire Récart, Jacques Pérez e Jean Pérez.

Certifico ser traducção fiel do seu original do que dou fé.
Pelotas, 20 de abril de 1908.
Paulo H. Fuchs, tradutor publico juramentado."

sábado, 20 de junho de 2015

Mastofauna em Capão do Leão

Tatu-mulita
Espécie de morcego mais comum no Rio Grande do Sul

Graxaim-do-campo ou Sorro
Trechos extraídos de: ISLAS, Camila Alvez. Identificação da mastofauna de médio e grande porte e suas relações com moradores no entorno da UFPel, Capão do Leão, RS. Capão do Leão/RS: Monografia (Conclusão de curso), Faculdade de Ciências Biológicas, Instituto de Biologia/UFPel, 2013.
Graxaim-do-mato
 "A percepção coletiva da comunidade sobre os mamíferos silvestres baseia-se nas mais diversas situações. Cada animal apresenta uma relação diferenciada,

sendo que o mesmo animal pode despertar mais de um tipo de percepção ou relação com os moradores. Primeiramente, percebe-se que os animais possuem diferentes nomes populares. Alguns até mesmo geram confusão, como a “Raposa”, que ora refere-se ao graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus) ou graxaim-do-mato (Cerdocyon thous), ora refere-se ao gambá (Didelphis albiventris). Conhecer os nomes populares dos animais é fundamental para o desenvolvimento de atividades educativas ou de material educativo, pois a população deve entender e sentir-se familiarizada com os animais (SAIKI; GUIDO; CUNHA, 2009). Não é interessante utilizar o termo “Graxaim”, por exemplo, para uma localidade
Gambá-de-orelha-branca
onde as pessoas o conhecem, apenas, como “Sorro”. Embora os entrevistados saibam diferenciar os mamíferos silvestres da região, detalhes específicos que diferenciam espécie do mesmo morfotipo, não são percebidos nos casos de animais como os canídeos e felídeos da região. No exemplo do gato-do-mato, são conhecidas três espécies desse animal para a região (MAZIM; DIAS; SCHLEE JR., 2004), porém os moradores chamam qualquer uma das espécies de gato-do-mato ou jaguatirica, sendo que este último é o nome popular de apenas uma das três espécies,
Leopardus pardalis. Para uma melhor exemplificação dos locais onde os animais são avistados na região, a Fig. 11 apresenta um mapa das áreas de estudo, onde os locais citados pelos entrevistados estão identificados por números, discriminando suas nomenclaturas populares na legenda da figura. Um dos conflitos comuns citados é o hábito de alimentar-se de animais domésticos, pois, novamente, os mamíferos silvestres são identificados pela sua ocorrência nos galinheiros da região.
Leopardus pardalis
Os sujeitos reconhecem os mamíferos silvestres como dispersores de sementes de coqueiros nativos, ocorrência registrada por Avila (2011) no HBITL. O zorrilho (
Conepatus chinga) e o gambá causam dúvida na população, que não consegue definir qual destas espécies de animais que possuí o odor ruim característico, que alguns acreditam ser decorrente da urina. Esta confusão é comum por que alguns veículos de comunicação, principalmente os televisivos, apresentam uma espécie norte americana com característica de odor desagradável e que, visualmente, assemelha-se ao zorrilho, com o nome de gambá (especialmente em desenhos animados). Assim, a população desenvolve a ideia errônea de que o gambá tem aparência e características de zorrilho, muitas vezes sequer tomando conhecimento da aparência que possui um gambá regional.


Animais como o ouriço e o mão-pelada (Procyon cancrivorus) são citados como animais que eram avistados em épocas anteriores. Destaca-se essa informação por apontar uma probabilidade de redução nas populações destes animais na região. Salienta-se que o mão-pelada foi encontrado no levantamento de mamíferos deste trabalho.
Zorrilho
O gambá é reconhecido como um animal sinantrópico, que tem muito contato
com as pessoas, o que causa uma série de conflitos como será discutido a seguir. A característica deste animal ser um marsupial e possuir uma bolsa para carregar seus filhotes é conhecida pelos entrevistados, demonstrando novamente um conhecimento mais específico sobre a biologia destes animais. Cabe salientar que o gambá não é tão conhecido por este nome (como já foi dito o zorrilho é chamado de gambá), mas sim como raposa. Uma informação que merece atenção é a de que existem alguns espécimes de cervos que são relatados pelos moradores. A questão é que existe a dúvida se estes animais são nativos da região ou se são animais que viviam em cativeiro e acabaram fugindo, pois há relatos de moradores que os criavam como animais de estimação. A família Cervidae teve registros no levantamento de mamíferos na região, porém são necessários maiores estudos sobre suas populações.
Mão-pelada
As capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) e os ratões-do-banhado (Myocastor coypus) são animais citados por terem explosões populacionais durante as enchentes, informação que deve ser levada em conta para o manejo, já que nestes períodos podem entrar em conflito com a população. Esta informação se mostra importante na tomada de decisão de órgãos ambientais, que, quando necessitam de informações imediatas podem utilizar o conhecimento da população para realizar o controle populacional das espécies. Na análise quantitativa das expressões, percebe-se que a maior parte dos sujeitos relata que os animais silvestres aparecem (Fig. 12), confirmando a ideia presente neste DSC. O DSC2 reflete o discurso dos moradores que não percebem os mamíferos silvestres no entorno de suas casas e nas matas da região. É inquestionável que os mamíferos ocorrem na área, no entanto, é possível que algumas espécies silvestres sinantrópicas estejam presentes apenas durante a noite próximas das moradias. Além disso, fatores ambientais que diferem entre as residências, especialmente ausência das fontes de alimento já citadas e presença de cães, não permitam sua presença em algumas das casas, ou simplesmente esses moradores dispensem menor atenção à presença de animais ou aos ecossistemas do entorno." (p. 44-47)

Ratão-do-banhado
Capivara
(...)


"A partir da tabela podemos perceber que alguns animais que não foram encontrados durante o levantamento de mamíferos são citados pelos entrevistados como, por exemplo, Sphiggurus spinosus (ouriço-cacheiro) e Galictis cuja (furão). Com esses animais ocorrem as seguintes situações: podem existir em pequenas populações; não existir mais, devido à caça e a fragmentação de habitat; ou nunca ter estabelecido populações nas áreas estudadas (MAZIM; DIAS; SCHLEE JR, 2004).
Ouriço-cacheiro
Myocastor coypus (ratão-do-banhado), Lontra longicaudis (lontra), Chiroptera (morcegos) e Cavia sp. (preá) são espécies que provavelmente existam nos locais de estudos, porém como não foram utilizadas metodologias específicas para mamíferos aquáticos, mamíferos voadores e pequenos mamíferos, não se obteve registros destas espécies. Para informações mais detalhadas sobre populações destes animais é necessário um estudo de campo mais aprofundado, porém, a partir do relato dos moradores, já é possível desenvolver hipóteses sobre a existência destes animais nos locais de estudo. Também se percebe que embora alguns animais como Didelphis albiventris (gambá-de-orelha-branca) e Hydrochoerus hydrochaeris (capivara) tenham sido pouco registrados no levantamento de mamíferos, são muito citados entre os entrevistados.
Lontra sul-americana
Esse resultado nos mostra que mesmo que estes animais sejam aparentemente
pouco abundantes nas matas de região, aparecem próximo às residências. A capivara é um animal de banhado, por isso foi pouco encontrada nas parcelas de areia, porém o gambá é considerado sinantrópico e de hábitos alimentares generalista (ALÉSSIO; PONTES; SILVA, 2005) Esse comportamento propicia mais conflitos com os moradores, pois como foi visto anteriormente o gambá-de-orelha branca é o animal mais citado em conflitos com a razão principal de ataques aos galinheiros. Quando se observam os dados referentes à Dasypodidae (tatu), Canidae (sorro) e Procyon cancrivorus (mão-pelada), percebe-se que obtiveram muito mais registros na pesquisa de campo do que citações nas entrevistas. Isto provavelmente decorre do fato destes animais apresentarem hábitos noturnos e serem menos tolerantes à presença humana (MARQUES-
Preá

AGUIAR et al., 2002).
Consequentemente, são animais menos citados em conflitos com os moradores. Estas informações são importantes para determinar quais espécies são mais envolvidas em conflitos com a população e assim, definir ações educativas que busquem a minimização desses conflitos." (p. 59)








Furão



sexta-feira, 19 de junho de 2015

A colonização europeia na região da Serra dos Tapes

Brasão de Armas da Pomerânia
Trecho extraído de: SALAMONI, Giancarla; WASKIEVICZ, Carmen Aparecida. Serra dos Tapes: espaço, sociedade e natureza. Tessituras, Pelotas, v. 1, n. 1, p. 73-100, jul./dez. 2013. (trecho das páginas 81 a 86)


A partir de 1848, a colonização passa a ser incentivada pelo Governo Geral, o qual cedeu certa quantidade de terras com o fim de formarem-se colônias agrícolas. Em princípio, essa ação do governo não foi bem vista pelos latifundiários, porém muitos desses proprietários de terras aderiram à política de colonização, parcelando porções das propriedades que não eram propícias ao desenvolvimento da pecuária, ou seja, as áreas de matas e de relevo mais íngreme. Assim, no sul do estado do Rio Grande do Sul a colonização também esteve amparada em iniciativas particulares, ainda que os Governos Imperial e Provincial tivessem o controle oficial sobre o processo de instalação de colônias, com base na imigração europeia não portuguesa. Com isso, ocorreu a introdução dos primeiros colonos na zona da mata da Serra dos Tapes. Diante deste contexto, surgem as iniciativas particulares de colonização, contribuindo para o parcelamento da terra (desconcentração fundiária), para a diversificação produtiva e, não menos importante, para a formação da diversidade étnico-cultural da Serra dos Tapes. Por outro lado, Grando (1989) esclarece que os estancieiros-charqueadores viram nesse processo de colonização mais uma oportunidade de enriquecimento, participando diretamente da especulação fundiária. Nas palavras da autora: “apossavam-se das terras de mato contíguas as suas propriedades e transformavam-nas em colônias a serem vendidas aos imigrantes, retendo para si, todavia, as terras planas. O sistema de colonização privada juntouse, assim, à colonização oficial” (GRANDO, 1989, p. 18).  Em 1849, tem-se a criação de colônias, em Pelotas, de caráter particular, como a colônia D. Pedro II, que se formou a partir da atuação da Associação Auxiliadora da Colonização. As colônias Nova Cambridge e Monte Bonito são fundadas em 1850, respectivamente, por irlandeses e alemães prussianos. Com relação à formação desta última colônia, Peñafiel (2006) diz que: Assim, outros empreendimentos foram surgindo.

Nesse mesmo período, Thomaz José dos Campos pediu licença ao Governo Provincial (referindo-se à província de São Pedro do Rio Grande) para contratar famílias de imigrantes irlandeses e obter financiamento para poder subsidiá-los nos primeiros anos nas terras da colônia Monte Bonito. Assim, entre o período compreendido entre 1850 e 1858, 14 empreendimentos privados foram realizados, resultando em 16 novos núcleos coloniais agrícolas (PEÑAFIEL, 2006, p. 49).

A colonização com imigrantes franceses se dá a partir de 1879, também na região da Serra dos Tapes, formando a Colônia Santo Antônio, por iniciativa do comerciante João Pinheiro. Sobre essa colônia, Salamoni (1992) explica que:

A importância histórica dessa colônia – Santo Antônio – é patente, haja vista que ela representa a origem da produção familiar de frutas e sua ação artesanal abriu caminho para a formação das primeiras indústrias rurais, no município de Pelotas. Atualmente, esta região  constitui-se na maior região produtora de pêssego do Brasil e apresenta o maior Complexo Agroindustrial de Doces e Conservas Vegetais do País (SALAMONI, 1992, p. 38).

Mais tarde, entre 1883-1887, é fundada a colônia São Simão, por Simão da Rocha, que contava, inicialmente, com 10 lotes e 23 moradores. Ullrich (1984) escreve que:  

Os habitantes são todos brasileiros, com exceção de uma família italiana. Não existe uma comunidade. Na entrada da colônia localiza-se um moinho e uma olaria, ambos pertencentes ao italiano. O fundador da colônia possui uma grande plantação de uva e, como único no sul deste estado, um canavial de açúcar, juntamente com a destilaria, a qual produz um excelente produto (ULLRICH, 1984, p. 4).

Em 1881, o Governo Imperial criou algumas colônias, sendo que a que obteve êxito foi a Colônia Maciel, que em 1883 passa a receber imigrantes italianos. Com imigrantes alemães, foi criada a Colônia Municipal, administrada pela Câmara Municipal de 1880 a 1886.  Ainda no início dos anos 1880, foi criada a colônia Santa Coleta, por Capitão Ribeiro, constituída por imigrantes alemães e, entre 1885-87, a Colônia de Domingos, formada por famílias brasileiras, portuguesas e originárias das Ilhas Canárias. Posteriormente, ainda por iniciativa do Governo Imperial, foram criadas as colônias de Arroio do Padre, Terrenos do Machado, Terrenos dos Chaves. Entre 1885-90 e 1893, respectivamente, criaram-se as colônias Zacarias e Batista, pelo Governo Imperial, e Santa Aura, fundada por iniciativa particular.  Em 1892, foi fundada a Colônia Santa Helena, pelo Barão Von Schlegel, composta por moradores alemães. Em 1893, a Colônia São Manoel (Fazenda Três Barras) é criada por Pedro Toledo, composta, em maior proporção, por alemães e pomeranos, sendo apenas duas as famílias de brasileiros e italianos. Ainda, em 1893, João Schild funda a colônia de Santa Maria, formada majoritariamente por alemães (ULLRICH, 1984). 

Até 1909 esse processo de colonização influenciou a organização da estrutura fundiária, fracionando os latifúndios e caracterizando a região montanhosa pela implantação da produção familiar em pequenas propriedades por imigrantes europeus não portugueses e, nas áreas de relevo plano, a ocupação por grandes proprietários luso-brasileiros. Esta diferença étnica na ocupação do território influencia, ainda na atualidade, uma diferenciação na organização espacial das duas porções de relevo dos municípios de Pelotas e São Lourenço do Sul. Ou seja, grandes propriedades nas terras de planície, ocupada pelos portugueses, e as pequenas propriedades na Serra dos Tapes, ocupada pelos colonos. Ainda, marcada pela presença da produção de arroz e gado de corte nas terras baixas da Planície e uma maior diversidade produtiva na região serrana, de base familiar, com produção de milho, batata, hortaliças, feijão, entre outros produtos agrícolas. Lima (2006) explica que:

Em termos históricos de ocupação do solo, cabem as seguintes observações: as terras baixas foram ocupadas primeiramente pelos portugueses, que se dedicaram à atividade pecuária, para a produção de charque e as terras dobradas, da chamada Serra dos Tapes, foram ocupadas a partir de 1858, pelos imigrantes alemães/pomeranos, que favoreceu a diversificação da produção (LIMA, 2006, p. 16).

A porção da Serra dos Tapes, no atual município de São Lourenço do Sul, recebeu imigrantes pomeranos e alemães para a formação de suas colônias. Assim, em 1856, após ter obtido autorização do Governo Imperial para a compra de terras, a iniciativa do empresário alemão Jacob Rheingantz, em sociedade com o lourenciano Cel. José Antonio de Oliveira Guimarães, deu início a colonização europeia não portuguesa. Conforme palavras de Coaracy (1957):

Hoje o próspero e rico município de São Lourenço do Sul celebra o primeiro centenário de sua fundação e origem, a Colônia de São Lourenço, que a 15 de janeiro de 1858, Jacob Rheingantz estabeleceu nas solidões agrestes da Serra dos Tapes, a margem do curso sinuoso do rio Camaquã (COARACY, 1957, p. 27).

Cabe ressaltar, que a então denominada Colônia de São Lourenço fazia, no ano de 1858, parte do município de Pelotas. Assim, os descendentes dos imigrantes distribuíram-se, posteriormente, pela região serrana dos municípios de Canguçu e Pelotas. A formação histórica de São Lourenço do Sul remonta à doação de uma sesmaria de terra ao capitão José Cardoso Gusmão, em 1786, pelo rei de Portugal. Assim, inicialmente as ocupações humanas foram representadas por portugueses/açorianos (século XVIII), que ocuparam as terras em torno da Capela de Nossa Senhora do Boqueirão, construída em 1807. Mais tarde, em 1830 foi construída a igreja, ano em que ocorreu o desmembramento do município de Pelotas do município de Rio Grande6.  Até meados do século XX São Lourenço do Sul era uma vila tipicamente portuária e esse fortalecimento do comércio e crescimento do porto elevou-a a categoria de cidade, em 1938. O êxito da colonização na Serra dos Tapes foi reconhecido em menos de cinco anos, quando os imigrantes pomeranos e alemães já produziam milho, feijão, batata, ovos, leite, entre outros gêneros alimentícios, destinados tanto ao autoconsumo das famílias rurais quanto ao abastecimento do mercado local e regional. Assim, reforçando as características da diversificação agrícola e do trabalho familiar, Salamoni (2001) ressalta que:

O tipo de economia colonial implantada pelos imigrantes alemães teve como característica marcante o estabelecimento da policultura a qual, segundo a tradição alemã, deveria solidificar o caráter independente dos colonos. Ao lado disso, o trabalho familiar serviria para reforçar essa ideia de independência, uma vez que não se utilizava mão de obra externa entre os colonos. Todos os membros da família envolviam-se nas tarefas domésticas e na produção agrícola a fim de alcançar a autonomia econômica (SALAMONI, 2001, p. 8).

Antes da chegada dos portugueses, a ocupação do município de Canguçu esteve ligada a presença dos índios Tapes, mencionados anteriormente. Por volta de 1756, inicia-se a colonização portuguesa, pela qual as terras foram distribuídas a militares a serviço da Coroa, na forma de sesmarias. Segundo Silva Neto e Basso (2005), a formação de uma estância pecuarista, com tamanho correspondente a uma sesmaria (13.000 hectares), poderia envolver a criação de 4.000 a 5.000 cabeças de gado. No entanto, por quase duas décadas as terras ficaram sob o domínio espanhol, sendo somente retomadas pelo exército português em 1777. As áreas destinadas à formação das estâncias foram, principalmente, as zonas de campo, localizadas ao norte do município e que possibilitaram o desenvolvimento da pecuária extensiva. 

Por outro lado, as áreas de floresta da Serra dos Tapes, abrangendo os municípios de Canguçu, Pelotas e São Lourenço do Sul, tiveram sua ocupação relacionada à presença dos imigrantes, em três momentos distintos:   1º (1756): concedidas datas de terras (cerca de 272 hectares) a famílias açorianas;  2º (1850): chegada de imigrantes alemães e pomeranos. Essa ocupação se deu como processo de expansão das fronteiras agrícolas, mais especificamente da colônia de São Lourenço do Sul;  3º (1875): destinados lotes de 20 hectares de terras a famílias italianas. Com o passar do tempo, os rendimentos obtidos com a atividade agrícola propiciaram a compra de mais terras para os filhos desses imigrantes (COTRIM, 2003). Além destes, podem ser mencionadas as ocupações de pequenos espaços destas áreas por escravos e seus descendentes, seja por doações de terras ou por posse, tanto de escravos libertos quanto fugitivos (ZARTH, 2002; RUBERT e SILVA, 2009). Neste sentido, expressando a organização espacial nas áreas de pequenas propriedades agrícolas, Salamoni (2001) escreve que:

Por meio da pequena propriedade familiar e da produção de gêneros alimentícios diversificados, introduziu-se um novo padrão econômico e sociocultural no Sul do Império. Da mesma forma, o fato de os imigrantes terem ocupado a mesma condição de colonos, determinou a estruturação de uma organização social original, nessa mesma porção do território nacional (SALAMONI, 2001, p. 7).

A colonização na Serra dos Tapes enfrentou algumas dificuldades para a implantação dos cultivos agrícolas. Desde os condicionantes físicos, representados por um relevo íngreme, coberto por mata densa, até a precariedade da infraestrutura oferecida aos colonos (falta de instrumentos de trabalho e péssimas condições de moradia). Assim, inicialmente, os colonos derrubaram a mata e implantaram a rotação de terras, caracterizando um sistema primitivo de cultivo, também denominado de “roça” (WAIBEL, 1979).  As informações obtidas sobre o sistema agrário das primeiras colônias mostram indícios da primitividade dos meios de produção utilizados nas atividades agrícolas. O isolamento em que se encontravam, aliado à falta de iniciativa governamental no sentido de criar as bases para o desenvolvimento nas colônias, provocou um rebaixamento no padrão técnico do imigrante, em relação ao utilizado na Europa. Muitos colonos abandonaram o uso do arado e passaram a empregar apenas instrumentos para trabalhos manuais. Grando (1989) confirma as condições sob as quais a natureza foi apropriada pelos colonos no município de Pelotas, quando diz que estes adotaram “um sistema de culturas sobre queimadas, após a derrubada do mato virgem ateavam fogo e em seguida preparavam a terra só com o uso da enxada” (GRANDO, 1989, p. 66). As terras de matas foram consideradas o centro de expansão das colônias na Serra dos Tapes e, não importando qual tenha sido o agente colonizador, nem a natureza étnica do povoamento nessas áreas, a implantação e consolidação da propriedade agrícola familiar enfrentou a mesma série de dificuldades. 

As restrições de ordem técnica e econômica também se deveram, em parte, ao isolamento geográfico das colônias. Em Pelotas, esse último fator foi amenizado com a construção de um ramal ferroviário, no inicio do século XX, que ligava Porto Alegre com a fronteira argentina, a oeste, criando a possibilidade de integrar as áreas coloniais situadas na Serra dos Tapes com o restante da região (SALAMONI, 2001). Nas palavras de Grando (1989, p. 78), “os colonos sentiam-se atraídos pelas terras da Serra dos Tapes, pela certeza da boa qualidade dos solos e da facilidade de colocação da produção agrícola nas cidades de Pelotas e Rio Grande-onde se situa o único porto marítimo do Rio Grande do Sul”. 

Desse modo, essa região colonial esteve, desde cedo, numa posição privilegiada, dada a proximidade de dois importantes mercados consumidores e exportadores – os núcleos urbanos de Pelotas e Rio Grande. Assim, os colonos encontraram incentivos para desenvolver, imediatamente à sua instalação na Serra dos Tapes, uma produção de caráter comercial, baseada em sistemas de cultivo voltados à semiespecialização agrícola. Esta tendência representou um avanço: os colonos substituíram o sistema primitivo sobre queimadas, baseado no uso de ferramentas manuais, por sistemas que empregavam a tração animal.  Nos anos que se seguiram à colonização, a fisionomia natural da Serra dos Tapes foi sensivelmente modificada, pois, os grupos humanos nela fixados imprimiram, sobre o espaço, formas de adaptação às condições do meio físico. O modo particular de organização social e econômica dos colonos pode ser associado ao que Sorre chama de “gênero de vida”, ou seja, “[...] através do qual o modo do habitat, a estrutura agrária, partilha e forma dos campos - o tipo de propriedade e exploração - inscrevem no solo, em traços materiais, o funcionamento do gênero de vida” (SORRE, 1963, apud SALAMONI, 2001, p. 37)
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