domingo, 21 de outubro de 2012

A4 ONG - Associação dos Amigos dos Animais Abandonados

Pessoal, superimportante o trabalho realizado em nosso município. Quem quiser colaborar disponibilizo os links, vale a pena!


No site estão informações diversas para contato e doação. Ali também você poderá conhecer o trabalho extraordinário realizado pela Prof. Eliane Diniz.

COMO AJUDAR
 Atualmente são cerca de 150 cães abrigados na ONG.
Doação de ração, caixas de transporte, casinhas, medicamentos, coleiras e acessórios caninos, potes para água e comida, produtos de limpeza, entre outros;
Doação de determinada quantia mensal;
Apadrinhamento de um ou mais animais da ONG se responsabilizando pelos gastos do animal até este ser adotado;
ADOÇÃO de cães;
Veterinários que se disponham a auxiliar os animais da ONG.Todos os animais da ONG são devidamente desverminados, vacinados, castrados (filhotes precisam atingir a idade adequada para serem castrados) e em breve serão microchipados.

Trecho retirado do informativo do site.

Arroio Padre Doutor

Trecho extraído de: CUCHIARA, Cristina Cuchiara1,; BORGES, Clarissa de Souza;BOBROWSKI, Vera Lucia. Biomonitoramento da Qualidade da Água do Arroio Padre Doutor (Capão do Leão,RS). Anais do XVI Congresso de Iniciação Científica. UFPel, Pelotas/RS, 2007

"O Arroio Padre Doutor encontra-se na cidade de Capão do Leão, atravessa zonas industriais, urbanas e rurais, refletindo as conseqüências do impacto antrópico e da utilização incoerente dos recursos hídricos. No entanto, suas águas destinam-se ao abastecimento, recreação, uso industrial, irrigação e diluição de despejos domésticos e industriais. A Universidade Federal de Pelotas também consome água do Arroio Padre Doutor. Devido a essa grande utilidade do mesmo, muitos estudos vêm sendo realizados devido ao crescimento da população do campus e conseqüente aumento do consumo tornando-se necessário o controle das condições da água tratada utilizada pela população (Cuchiara, 2007).
(...)
Os dados observados nesta pesquisa permitem concluir que os resultados físico-químicos observados nas diferentes estações do ano estão dentro das especificações do CONAMA e através do bioensaio realizado utilizando o Allium teste não foram detectados efeitos genotóxicos significativos nas diferentes estações do ano."

Calçamento da Rua XV de Novembro, em Pelotas

Trecho extraído de: DEVANTIER, Vanessa da Silva & SANTOS, Carlos Alberto Ávila. A Rua XV de Novembro: espaço de comércio, cultura e lazer. Pelotas, 1870-1931. p.04
"Na Figura 1, salientamos o calçamento da Rua XV com paralelepípedos de granito, extraídos das jazidas do antigo distrito pelotense do Capão do Leão. Notam-se ainda, os trilhos dos bondes e os passeios, nas laterais da rua. As casas enfileiradas em seqüência, delimitando a via, possuem platibandas que escondem os telhados e as calhas que esgotam as águas das chuvas. Em 1871, através do Código de Posturas os vereadores de Pelotas determinaram o uso obrigatório de “platibandas nas frentes das ruas” (SANTOS, 2007, p. 182, cf. BPP Livro de Atas da Câmara dos Vereadores, 1871). Ainda na fotografia, as fachadas apresentam vãos fechados por portas e não por janelas, são prédios destinados ao comércio. Como são casas em fita, todas iguais, provavelmente tenham sido construídas sob encomenda de um único proprietário e destinadas para aluguel. Destacam-se os postes com as fiações do telégrafo e do telefone, os sobrados com suas platibandas, frontões e balcões, são construções de uso misto: comercial no térreo e residencial no segundo pavimento. Por último, a rua é um espaço masculino. Note-se a moda nas vestimentas e chapéus, uma maneira elegante de se mostrar nos espaços coletivos da cidade."

Informações sobre a origem de algumas escolas do município de Capão do Leão

Trecho extraído de: OLIVEIRA. M.A. & TAMBARA, E. ANÁLISE DO PAPEL DA EDUCAÇÃO NO GOVERNO DO DR. AUGUSTO SIMÕES LOPES (1924-1928), ATRAVÉS DOS RELATÓRIOS INTENDENCIAIS. Faculdade de Educação/UFPel, página 4.


"Segundo a afirmação de Augusto Simões Lopes, no Relatório de 1928, com outras verbas e através da lei especial n.º 174, votada pelo Conselho Municipal a 21 de Dezembro de 1925, que autorizou a conversão em apólices do patrimônio da “Fundação D.ª Antonia Chaves Berchon des Essarts” e da lei de n.º 136 que permitiu em 1926 uma nova operação de crédito com a Exma. Sra. D. Maria Francisca de Mendonça de Assumpção, foram construídos os dois grupos escolares “Dr. Joaquim Assumpção”, “D.ª Antonia”, na cidade, e as escolas “Mauá”, no Passo dos Negros; “Álvaro Berchon”, no Passo das Pedras; “D.ª Maria Antonia”, na Barbuda; “João da Silva Silveira”, no Monte Bonito; “Bernardo Taveira Junior”, na Colônia Santa Eulália; “Professor Affonso Massot”, no Quilombo; “Ministro Fernando Osório”, nas Três Vendas; “Bibiano de Almeida”, na Vila Gastão Duarte, “Jacob Brod”, nas Terras Altas e “Garibaldi”, na Colônia Maciel.
Além desses, de acordo com o intendente, a Municipalidade adquiriu os seguintes edifícios para escolas rurais: na Cascata, onde foi instalada a escola “Luiz Pennafiel”; no Areal, onde passou a funcionar a escola “Dr. Piratinino de Almeida” e no Capão do Leão, onde foi instalada a escola “Barões de Santa Tecla”. Instalou-se, também, no edifício cedido pela Maçonaria após os necessários melhoramentos, a escola “Barão de Arroio Grande”, no “Theodosio”. As escolas rurais n.º 15, 16, 18 e 20 foram estabelecidas em prédios alugados.
Além disso, Augusto Simões Lopes afirmou, no mesmo relatório, que a Municipalidade promoveu a criação de escolas subvencionadas especiais, no Passo do Retiro e na Colônia Santa Silvana (denominada “Dirceu Moreira”). Auxiliou na construção e posteriormente municipalizou a escola “Raphael Brusque”, na Colônia Z 6."

Obs.: todos os grifos são nossos.

Petrografia em Capão do Leão

Trecho extraído de: PHILIPP, Ruy Paulo & MACHADO, Rômulo. Suítes Graníticas do Batólito Pelotas no Rio Grande do Sul: Petrografia, Tectônica e Aspectos Petrogenéticos. In: REVISTA BRASILEIRA DE GEOCIÊNCIAS, n.31, v.3, set.2001, p.263


"Suíte Intrusiva Erval (SIE) Esta suíte, definida por Philipp (1998), estende-se até o Uruguai e perfaz cerca de 20% da área do batólito. Ocorre na sua extremidade sul e apresenta forma alongada na direção NE-SW. Engloba maciços graníticos situados a sul do alinhamento estrutural que balisa as cidades Capão do
Leão,Pedro Osório, Basílio e Pedras Altas (Fig.2). As rochas desta suíte são homogêneas, textural e composicionalmente, com predomínio de monzogranitos e sienogranitos subordinados. Nos domínios não afetados pela deformação, apresentam estruturas magmáticas preservadas, como alinhamento de cristais euédricos de feldspatos numa textura equigranular hipidiomórfica. São granitos cinza claro, com plagioclásio prismático acinzentado, feldspato potássico subédrico branco a rosado, quartzo amebóide e biotita em lamelas euédricas intersticiais. Próximo de Arroio Grande ocorrem, no contato com mármores, zonas métricas de rochas sieníticas e quartzo-sieníticas com anfibólio e clinopiroxênio. Estas rochas são consideradas como produtos de assimilação da rocha carbonática pelo magma granítico. Isto ocorre também a leste de Erval, onde a assimilação de anfibolitos é responsável pela presença de anfibólio em granitos da suíte. Esta suíte acha-se intensamente afetada por zonas de cisalhamento de alto ângulo, dúcteis (D2) e rúptil-dúctil (D3). Dentre elas, destacam-se: Zona de Cisalhamento Erval (ZCE), Zona de Cisalhamento AyrosaGalvão (ZCAYG) e Zona de Cisalhamento Arroio Grande (ZCAG) (Machado et al. 1995). A ZCAG, com largura de cerca de 4 km, é a mais importante delas e afeta sobretudo os granitos da SIE, desenvolvendo protomilonitos e milonitos de orientação N65-75°E. As ZCAYG e ZCE são caracterizadas por milonitos e ultramilonitos com orientação N50-60°E (Fig. 2).A SIE contém xenólitos da SIPM e é intrudida pelas SIV (Granito Chasqueiro) e SGDF."

sábado, 20 de outubro de 2012

Interessante artigo sobre o trabalho dos graniteiros no Cerro do Estado

Trabalho muito bem elaborado por Cátia Simone da Silva, publicado no blog Antropologia Social. O texto que se segue retirei do link A transmissão do saber fazer nas pedreiras do bairro Cerro do Estado/Capão do Leão/RS. Traz  informações sobre o quotidiano dos trabalhadores, os procedimentos na exploração de pedra e faz uma qualitativa leitura sobre a condição atual dos graniteiros.

A transmissão do saber fazer nas pedreiras do bairro Cerro do Estado/Capão do Leão/RS

Por Cátia Simone da Silva
Esse diário de campo fez parte da pesquisa sobre “A transmissão do saber fazer nas pedreiras do bairro Cerro do Estado”, município de Capão do Leão, ao Sul do Rio Grande do Sul/Brasil. Aqui encontra-se o segundo maior bloco de granito do mundo (capaodoleaohistoriaecultura.blogspot.com.br), sendo a extração mineral uma das principais fontes de renda, juntamente com o cultivo do arroz e a pecuária. O resultado da pesquisa foi apresentado na última avaliação da disciplina de “Família e Parentesco”, ministrado pela Profa. Dra. Flávia Rieth, no 6º. Semestre do curso de Antropologia da UFPel.
A metodologia empregada foi o uso do “diário de campo”, recursos audio-visuais (fotografia e filmagens), que constituirão parte de um “documentário etnográfico” e também: um questionário semi-estruturado com perguntas a partir dos problemas em questão: “trabalho, gênero…”.
Como nasci e moro no local, sou portanto uma nativa, devo segundo Magnani (2002) “estranhar o familiar”, e o estranhamento se deu na medida que ia sendo conduzido as entrevistas, pois foram surgindo expressões e palavras que eu não conhecia ainda.
A pesquisa tem como foco a categoria trabalho, o qual está imbricado com a territorialidade, e é uma das principais constituições identitárias do grupo. Desta forma não poderia deixar de comentar a etmologia da palavra “trabalho”, conforme Cunha:
“Trabalho tem o sentido de torturar, derivado de tripalium (instrumento de tortura). Dá idéia inicial de “sofrer” passou-se à idéia de esforçar-se, lutar, pugnar e, por fim trabalhar; ocupar-se de um míster, “exercer o seu ofício”. Do latim: Tripalire – entrada no português, século XIII).” (NOGUEIRA, 2001. P. 38 APUD: cunha, 1987. P. 204).
No primeiro sentido de “torturar”, pode ser percebido aqui nas atividades, pois os trabalhadores ficam expostos a vários tipos de acidentes. Existem casos de mutilações dos dedos, perda da visão por lascas de pedras ou ferro, e acidentes de toda a ordem, inclusive casos de óbitos. Além das persuações das políticas públicas ambientais, vulnerabilidade econômica, sendo na maioria dos casos um trabalho informal. Mas também é visto pelos interlocutores como ocupando-se de uma atividade, e exercendo a sua profissão.
Pela manhã  do dia 19 de junho de 2012 sai como o flâneur 1 de Walter Benjamin, (ROUANET, 1993), sem um horizonte claro para as minhas caminhadas, deixando a intuição e os acontecimentos à minha volta me conduzirem no caminho que eu deveria seguir. Saindo nesse dia com dois problemas a descobrir e mais um terceiro que surgiu durante as entrevistas.
Minha primeira dúvida é o significado do termo “marroeiro”, porque num blog sobre “A história do Capão do Leão”,  dizia que o termo graniteiro é utilizado para os que trabalham fora do DEPREC2, pois nessa empresa os trabalhadores no passado e até hoje possuem a denominação de “marroeiro”.
A outra era sobre gênero, gostaria de saber sobre o trabalho das mulheres nas pedreiras, ou se era feito só por homens, se já teve mulher, quando, e qual era a participação delas na atividade, além de auxiliarem em casa e cuidarem dos filhos.
Então, com as sensações do antropological blue fui em direção à casa da Sra. Maria da Conceição, esposa do Sr. Teodoro Alves Pereira (85 anos), o graniteiro mais velho do município, no caminho encontrei Joel (marroeiro) e disse que estava fazendo um trabalho para a faculdade e perguntei se ele poderia me ajudar numa dúvida sobre a profissão de marroeiro dentro do DEPREC, indaguei sobre qual a diferença que existia entre marroeiro e graniteiro.
Para ele: “Marroeiro ou graniteiro é a mesma coisa, cortam pedra”. Me explicou rápido, e quando eu perguntei se poderia anotar e gravar, simplismente disse-me que o Paulo Antônio me daria uma explicação melhor, e já pegou o celular e ligou para o colega de serviço explicando o que eu queria e dizendo “ela já está indo aí”.
Quando cheguei no escritório do DEPREC, o Sr. Paulo Antônio também me explicou muito rápido e quando perguntei se ele permitia uma gravação, ele disse, “O Jairo já está chegando e é ele que vai te explicar melhor”.
O Sr. Jairo Umberto Pereira Costa, é o administrador da Superintendência do Porto de Rio Grande aqui no bairro, local onde se deu as entrevistas. Ficou contente quando eu disse que privilegiava as histórias orais contadas pelos próprios atores  envolvidos nas temáticas de pesquisa: aqui são os graniteiros, suas cônjuges e ou outros.
A partir de uma pergunta com a filmadora desligada, eu conversava com o Sr. Jairo. Somente após as explicações é que eu gravava a minha pergunta e a explicação dele. Essa técnica eu descobri na hora, com a alteridade senti que assim ficava melhor para ele se preparar com a resposta. Conforme o desenrolar das respostas eu já observava e preparava outras perguntas que estavam contidas naquela resposta, solicitando mais detalhes.
Subjetivamente o Sr. Jairo expressava no presente uma memória coletiva do passado, onde foram narrados dados históricos da empresa Compagne Française Du Port do Rio Grande do Sul, que chegou e originou o bairro no início do século XX, e após foi sucedida por uma empresa americana e duas brasileiras.
Comentou: “Nós temos aqui equipamentos franceses e americanos, essas empresas trouxeram especialistas em pedra para cá, foram geólogos alemães, italianos, americanos que contribuiram com o desenvolvimento da técnica do corte do granito aqui no município, pois antes era feito com cunha de madeira e depois passaram a usar o ponchote”.
Também narrou fatos da sua vida pessoal e de outros que diziam respeito sobre a profissão de cortador de pedra. Seu início na profissão deu-se desde cedo, aprendeu com o pai, e aos 18 anos entrou como funcionário do DEPREC2, tinha a função de “marroeiro”, disse-me que todos que cortam pedras são graniteiros e dentro desta profissão existem várias funções; foguista, marroeiro, cortador de pedra,… explicou cada uma delas. “A denominação marroeiro, se dá porque os trabalhadores usavam uma ferramenta chamada “marrão” para bater e amiudar as pedras”.
Explicou os nomes das ferramentas utilizadas para o corte da pedra: o ponchote, ponteiro, recaladeira, marrão, maceta…, e suas utilizações, alguns nomes ainda em francês, herança da empresa francesa de extração mineral.
Indaguei ao Sr. Jairo sobre como identificam o veio da pedra, ele me respondeu:
_ “O veio da pedra aqui na nossa região é identificado no sentido que nasce o sol, do leste para o oeste teremos o “seda”, em oposto, sentido norte – sul, teremos o “trincante”, e outros…”.
O Sr. Jairo me forneceu várias informações que eu precisava e auxiliou-me muito na minha pesquisa, nos despedimos pois já era quase meio-dia.
À tarde, fui conversar com o casal de vizinhos, a Sra. Maria da Conceição Pereira, mais conhecida por “Negrinha”e o Sr. Teodoro Alves Pereira, também conhecido como “Doro”, ele é “o graniteiro mais velho do município”,  com ele busquei a sua história de vida e também informações a respeito da sua profissão, já que está com 82 anos e trabalhou até poucos anos atrás.
Ele explicou que iniciou na profissão desde cedo, pois na escola brigou com uma colega e chamaram o seu pai,  que era o maquinista do trem e funcionário do DEPREC. E disseram: “Pantaleão ou é tú no DEPREC ou o Teodoro no colégio”. O Sr. Teodoro lembra da decisão que o pai tomou: “Ah, o meu pai não pensou duas vezes, me falou amanhã tú pega a panela com comida e vai pro Cerro das Almas trabalhar nas pedreiras”.
“Desde os 13 anos corto pedra, aprendi com três amigos, a gente aprende a fazer todo o serviço sozinho, eles te riscavam uma pedra, te diziam e depois não falavam mais e aí o cara tinha que fazer”.
Pensando na relação com gênero conversei com a Sra. Maria da Conceição e ela comentou que “Além de criar os dez filhos, lavar-roupa e fazer todo o serviço da casa ainda ajudava o marido na pedreira, criei os meus filhos com o dinheiro das pedreiras.”
Ela exercia várias funções ao mesmo tempo: “cortava paralelepípedos, separava montes de pedra de obra, irregular,… ajudava a colocar as pedras para cima do caminhão… e no serviço da pedreira tinha a ajuda de todos os filhos mais velhos.”
Ainda sobre as questões de gênero, todos os meus interlocutores conheceram algumas mulheres que exerceram a profissão, uma chamada Flor, outra Noemi, Maria da Conceição, suas filhas Tânia e Vera, entre outras que não sabiam o nome.
Durante as entrevistas na casa do Sr. Teodoro, o seu filho mais velho Roberto Almeida Pereira me disse: “Vai lá na pedreira, estamos fazendo um furo”. Fui e encontrei o Roberto e Luiz Fernando da Cruz Joaquim, mais conhecido por “Luizinho” e vi como eles abrem uma pedreira,  perguntei para o Roberto o que eles estavam fazendo no momento, ele é marteleteiro e foguista, e me explicou: “estamos furando a pedreira para detonar”. O  furo era feito com uma marreta batendo em cima de uma broca, depois de terem atingido vários centrímetros de profundidade, encontraram uma “genda”. Roberto explicou que “Teriam que passar pela genda e cortar bem, senão estariam ralados…”.
A pedreira era do Luizinho, através da reciprocidade o Roberto está ajudando-o a fazer o furo no “trincante de plumo”, outro amigo o Silvio Medeiros estava só olhando. Eles disseram “Uns ajudam os outros, pois quando precisamos sempre temos com quem contar”.
Após umas 6 horas o furo estava pronto, com uma réqua foi traçado o trincante, que depois foi perfurado com os ponchotes, essa ferramenta dá direção ao corte na hora em que a rocha for dinamitada. Explicaram também que esse processo manual dependendo leva até um dia, e se pedissem para o patrão furar com o compressor, levaria uns 10 minutos.
No entanto, outros graniteiros me explicaram que mesmo obtendo a ajuda do patrão, eles dependerão da hora que o patrão poderá ir, e também se revestirá em uma espécie de compromisso com o patrão, que irá determinar o que será cortado e o valor que custará.
A dificuldade de possuírem um compressor é o valor, que para eles é muito caro, Luiz Fernando comentou:
“Um usado custa em torno de R$ 5.000.00 à R$ 6.000,00 e a broca uns R$ 80,00. Na ponta da broca tem uma vídia de diamante que perfura a rocha, e isso os mais baratos que são feitos com motor de um caminhão Scania, pois existem outros bem mais caros”.
Também  obtive dados pessoais sobre as suas inserções na atividade, com quem aprenderam, idade que iniciaram… sua função, e assuntos referentes a atividade em questão.
Após algumas horas de gravações, ainda tinham que fabricar a pólvora para dinamitar a pedreira, infelizmente não pude permanecer e despedi-me agradecendo, na hora Luizinho e Roberto disseram “tomara que tú tenha trazido sorte para nós”,  e eu disse que tinha levado sim. Após algumas horas em casa ouvi o barulho da explosão, e em alguns dias depois descobri que haviam dado um bom corte.
Notas:
1 –  A ideia do flâneur, passeando e vai descrevendo o que vê, a duração do passado dentro do presente, percorrendo e descrevendo um lugar dentro das suas temporalidades. Pois os dados não são só coletados, mas também construídos. Benjamin, vem com a ideia de bricouleur, onde o flâneur coletando imagens, registrando memórias, fotografando e produzindo imagens  busca uma lógica  a esses fragmentos.
2 -  DEPREC – Significa: Departamento de  Portos Rios e Canais.
Referências bibliográficas:
ROUANET, Sérgio Paulo. A razão nômade. Walter Benjamin e Outros viajantes. Rio de Janeiro: UFRJ: 1993. Parte 1 – Viajando com Walter Benjamin. Cap. 1: “Viagem no Espaço: a  Cidade” (pp. 21-62).
MAGNANI, José Guilherme Cantor. 2001 “De perto e de dentro: notas para uma etnografia urbana”. Revista Brasileira de Ciências Sociais. São Paulo, ANPOCS/Edusc, vol. 17, no. 49, pp. 11-29. [Disponível tb pportal do Capes]
Capão do Leão História + Cultura: Historia da pedreira do Cerro do Estado. Disponível em: http://capaodoleaohistoriaecultura.blogspot.com.br/2010/05/historia-da-pedreira-do-cerro-do-estado.html acessado em 19 maio 2011.

domingo, 14 de outubro de 2012

Instituto Histórico e Geográfico do Capão do Leão

Hoje, 14 de Outubro de 2012, oficialmente foi fundado o Instituto Histórico e Geográfico do Capão do Leão, que terá como sede provisória uma parte do antigo casarão sito à Avenida Narciso Silva número 2025, na esquina com a Rua Professor Agostinho, no centro da cidade. Após uma reunião preparatória no dia 07 do mesmo mês, no mesmo local, na data de hoje tivemos a oportunidade de reunir os cinco membros fundadores e definir uma diretoria. Diretoria esta formada por mim, Joaquim Dias (presidente), Gilmar Maciel (vice-presidente), Luiz Teixeira (secretário-geral), Arthur Victória (tesoureiro-geral) e Bruno Farias (relações-públicas). Este é apenas o primeiro passo, todavia digno de registro, pois queremos sinceramente contribuir com a cultura, a história, a memória e o conhecimento em nosso município. Vale a pena, porém, recapitular a jornada que nos levou até a data de hoje.
Em setembro de 2005, por ocasião das festividades da Semana Farroupilha, Luiz Teixeira e Gilmar Maciel se conheceram no CTG Tropeiros do Sul - tradicional associação tradicionalista em Capão do Leão. Houve trocas de ideias e Gilmar Maciel manifestou interesse em participar de uma ong da qual Luiz Teixeira tinha fazido parte em seu início. Um dos remanescentes da ong também era eu e assim conheci Gilmar Maciel. Objetei na época que tivemos problemas no registro da ong, além do fato da mesma ter sido esvaziada após um início em que encontramos algumas dificuldades. Todavia, de comum acordo, Maciel nos convidou a participar no esforço da elaboração de um projeto para recuperação de um prédio antigo e centenário que existe na área do CTG Tropeiros do Sul - o tal prédio tinha sido sede da antiga subprefeitura de Capão do Leão por mais de quarenta anos. Elaboramos um projeto e agregaram-se outras pessoas e instituições. Formava-se assim o Grupo Pró-Cultura do Capão do Leão, integrado pela ong, pelo CTG Tropeiros do Sul e pela Chácara Rincão Dourado. Isso mais ou menos se deu em novembro de 2005. 
Em 2006, o Grupo Pró-Cultura realizou a I Cavalgada Cultural "Conhecendo Capão do Leão" em maio (que mais tarde originaria um piquete próprio) e o I Concurso Cultural "Conhecendo Capão do Leão" em setembro (como atividade alusiva à Semana Farroupilha no ctg). Ao mesmo tempo, em conjunto iniciavámos incursões, encontros com pessoas, visitas à lugares e busca de informações e documentos sobre nossa história. Eu já desenvolvia alguma coisa diletantemente pois era cursando de História na UFPel. Com os dois, Luiz e Maciel, passamos a realizar várias atividades juntos, pois também tínhamos o mote de buscar informações para a recuperação da antiga subprefeitura.
Paralelo a nossos empreendimentos, Arthur Victória em Porto Alegre, em razão de uma pesquisa escolar de seu filho sobre a história de sua família, acabou se interessando muito pela história de sua cidade natal Capão do Leão. E passou a reunir documentos, fotos e informações sobre o município. Em março daquele ano, por meio da plataforma Blogger, ele colocava na web o blog "História do Capão do Leão" no qual passou a compartilhar seus achados. Foi rápido para que tomasssemos conhecimento do Arthur. Em maio, por ocasião das festividades do Aniversário de Emancipação do Capão do Leão, ele esteve palestrando na Casa de Cultura Jornalista Hipólito José da Costa. O Luiz estava presente e daí foi um passo para que iniciassémos a amizade. No mesmo mês, de certa forma plagiando (risos) o amigo Arthur e aproveitando a facilidade e a gratuidade da Plataforma Blogger, criei este blog e desde então tenha postado o que pesquiso e descubro aqui. 
Passamos a nos corresponder e nos encontrar com uma frequência maior. Em junho de 2007, assumi uma coluna no  Jornal Tradição, onde contribui com textos sobre a história do município até julho de 2008. Tivemos a ideia de uma publicação o Almanaque Leonense, cujo projeto iria se tornar realidade anos mais tarde. 
Em meados de 2008, um estudante da Faculdade de Jornalismo da Universidade Estácio de Sá em Santa Catarina, esteve em Capão do Leão buscando informações sobre a cidade. Acabou sabendo de nossos nomes. Era o amigo Bruno Farias, que viria a compilar seus achados e pesquisas que também contribuiram muito para a memória desta cidade no blog Memórias Leonenses. Antes disso, o trabalho de conclusão de curso do Bruno já tinha explorado o tema Capão do Leão com muita propriedade, nos legando um trabalho de grande riqueza cultural.
Em pouco tempo, os cinco já se conheciam e compartilhavam saberes entre si. Ás vezes em conjunto, outras vezes em dupla ou trio, fizemos várias "empreitadas" Capão do Leão afora (e até além): pessoas, lugares, zona rural, etc. O Bruno, mesmo, fez um excelente trabalho de divulgação dos geóglifos da metade sul do nosso estado, com ênfase em Capão do Leão e tivemos nossa cidade em reportagens de importantes jornais, revistas e sites da região e do estado.
Neste ano, o Bruno deu a sugestão de pensarmos seriamente em nos reunirmos e propormos uma solução para o material que tínhamos juntado com o tempo. O Arthur gostou da ideia e mobilizou a todos em torno deste objetivo: a criação de um instituto histórico e geográfico.
Registro todos estes acontecimentos, pois fazemos parte de um movimento já de algum tempo. Meditamos muito antes de dar esse passo - necessário e fundamental. Sem pretensões maiores a não ser a preservação de nossa cultura e história, contamos com o apoio de toda a comunidade local para podermos fazer desta empreitada um sucesso. Entretanto, munidos de muita prudência sabemos dos desafios da criação da entidade. Não temos pressa e também não queremos ser demasiadamente lentos para isso. Gradualmente os objetivos serão alcançados.
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