sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Club de Atiradores da Linha Araripe

 



Nova Petropolis

Escreveram-nos da Linha Araripe de Nova Petropolis:

"No dia 10 do corrente realisou-se a imponente festa da benção da bandeira do Club de Atiradores da Linha Araripe, de Nova Petropolis.

Estiveram presentes quatro sociedades e muitos habitantes desse districto, em tudo mais ou menos seiscentas pessoas, que foram cumprimentadas pelo digno presidente do mencionado Club, capitão João Wazlanvick. A uma hora da tarde subiu a tribuna o tenente-coronel Alfredo Steglich, rei dos atiradores da povoação de Nova Petropolis, e pronunciou longo discurso, consagrando a nova e bonita bandeira, pregando o primeiro prego na honra em honra ao Estado do Rio Grande do Sul.

Os padrinhos da bandeira foram os clubs dos atiradores da Linha Nova e da Povoação, os quaes offereceram, como prenda, duas finas fitas de seda.

Nesta occasião usaram da palavra o presidente dos Atiradores da Povoação, Augusto Dunher, e o representante dos da Linha Nova, o tenente-coronel Alfredo Steglich. Falaram ainda José Weingarten, Henrique Drecheler, José Neumann Filho e a estimada filha do sr. Alberto Sorgotz, que foram muito applaudidos.

De noite houve baile, que foi muito animado".

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 29 de Maio de 1903, pág. 01, col. 07

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

O Vaudeville no Polytheama

 



Theatros e diversões

Comedia e vaudeville

Como estava annunciado, fez hontem sua estréa, no Polytheama, o grupo artístico de vaudeville, comedia, etc., da empresa Peixoto, Assis & C., que pilhou verdadeira enchente, como ha bom tempo ali não ha.

Subia á scena o vaudeville, em tres actos, de Desvalliéres e A. Mars, musica de L. Roger - Maridos na corda bamba - peça interessantissima, repleta de situações as mais complicadas e accentuadamente comicas, que conservam a platéa em constante hilaridade, tal o verdadeiro embrulho, afinal desembrulhado no acto ultimo, que forma o bem combinado entrecho.

Do desempenho... salientou-se unicamente o popular e apreciado actor Peixoto, alma e vida do grupo artistico e que com a costumada sem ceremonia perante uma platéa que tão bem elle conhece, conservou sempre os espectadores na mais franca hilaridade.

O grupo apresentou-se excessivamente modesto, pobre mesmo de guarda-roupa, que já teve época e moda em tempos que longe vão.

A orchestra obedece á regencia do maestro Assis Pacheco.

Genero de diversão tão ao sabor do publico que frequenta os espectaculos do Polytheama, o vaudeville proporcionou applausos á troupe estreante e especialmente ao actor Peixoto.

Amanhã, será representado o vaudeville, em 3 actos, de Paul Gavult e Georges Berra, traducção do Arthur Azevedo, intitulado - Quasi!

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 22 de Agosto de 1902, pág. 02, col. 02

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Escavação no Forte de Santa Tecla

 



Forte de Santa Tecla

Lê-se no Commercio de Bagé:

"Em companhia de varios amigos fizemos ante-hontem uma visita ao local do antigo forte de Santa Tecla, onde o sr. Bagini Garibaldi está fazendo excavações, de accôrdo com o proprietario do campo onde se acha a velha fortaleza, sr. Manuel Dutra Filho.

A legua e meia a nordeste da cidade, no cabelo mais saliente da serra de Santa Tecla, e a poucas quadras das nascentes do Pirahysinho, encontra-se a lendaria fortificação dos jesuítas, apresentando ainda, depois de quasi dois seculos de destruição, os seus contornos nitidos, as possantes massas de terra de seus baluartes mal disfarçados sob a gramma e a sua praça com os vestigios ainda apreciaveis dos quarteis e outras edificações.

Um quadrilatero abaluartado, com uma area não inferior a 8 mil metros quadrados, assente em um ponto perfeitamente defensavel para as armas de então, deveria ter sido um poderoso elemento da dominação missioneira e hespanhola nestas paragens e por isso de calcular-se de quanta bravura não foi elle theatro até a sua destruição pelos nossos antepassados.

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O sr. Garibaldi, nas suas pesquizas, encontrou uma entrada subterranea, e a 12 metros de profundidade, sob o centro do forte, vasto paiol de abobada, entulhado de ossamenta e lodo de que já começou a extracção.

É possível que feita a necessaria limpeza, e como espera o sr. Garibaldi, outras galerias dahi partam, em harmonia com o systema de edificações da Companhia de Jesus.

Não alimentamos, porém, a crença do sr. Bagini, que espera tirar grandes lucros da sua obra, mas acreditamos que seu trabalho não será de todo perdido para o Rio Grande".

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Fevereiro de 1901, pág. 01, col. 06

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Gatos Pelados vs. Galinhas Gordas


 PE-GON, o clássico estudantil da cidade

As disputas futebolísticas entre os Colégios Pelotense e Gonzaga, que ficaram conhecidas na cidade como Pe-Gon's, marcaram a vida esportiva de Pelotas, principalmente entre as décadas de 1930 e 1960. Eles estão fartamente documentadas nas atas de reuniões dos Grêmios, na imprensa diária local, nos periódicos estudantis e nas entrevistas, realizadas para este estudo, com pessoas que vivenciaram esse tempo.

Como se pode observar pela note, em um jornal local, bem antes da década de 1930 já existiam competições entre as duas escolas: " Foot-Ball: teve lugar, ontem, no 'ground' do Sport Club Pelotas, o 'match' entre os 'teams' infantis dos Gymnasios Pelotense e Gonzaga. O jogo teve grande entusiasmo de ambas as partes. [...] o resultado foi 0 x 0 (zero a zero)" (CORREIO MERCANTIL, 02.12.1911). Assinala-se que esse jogo, provavelmente, tenha sido um dos primeiros Pe-Gon's.

Nessa época, diante da inexistência dos grêmios estudantis, os jogos de futebol entre as duas escolas, nos anos vinte, eram organizadas pelo Sport Club Gonzaga e o Sport Club Pelotense, também do mesmo período. Eram entidades estudantis que possuíam diretoria própria, eleita todos os anos, e que não eram necessariamente constituídas somente por alunos.

Até a década de 1960, as maiores disputas esportivas entre o Pelotense e o Gonzaga ocorriam nos campos de futebol, embora houvesse, também, competições em outras modalidades de esportes como basquete, voleibol, atletismo e xadrez. Mas era nos jogos de futebol que se podia nitidamente constatar a rivalidade entre os dois estabelecimentos escolares. Rivalidade esta que não era demonstrada somente por alunos, mas por toda a comunidade escolar que eles representavam, e que acabava por dividir a própria comunidade pelotense. A defesa das cores dos dois colégios não se limitava, portanto, somente aos membros de cada. Havia uma efetiva participação da população da cidade nos jogos, junto às torcidas e nos posteriores debates que dividiam opiniões sobre os dois times. A cada jogo que ocorria, esse era um assunto que ganhava destaque nos cafés, nos bares, nas emissoras de rádio e nos jornais locais.

Daí decorre, portanto, o significado da análise de tais disputas frente aos objetivos desse trabalho, uma vez que buscar-se-á o significado dessas práticas esportivas considerando-as como práticas culturais de um contexto escolar e urbano. Contexto esse permeado pela influência maçônica na cidade e pelos desdobramentos da crescente organização e influência político-ideológica da Igreja Católica em nível nacional e local. E que tinha, também, como pano de fundo, marcadamente a partir da década de 1930, o conflito entre os defensores do ensino público e do ensino privado, em sua maioria, católico.

Os jogos eram previamente combinados entre os representantes das duas equipes. Além do local, horário, juiz, regras específicas para o jogo, os alunos determinavam, também, a destinação dos valores recolhidos na bilheteria, os times convidados para jogar a partida preliminar, a localização das torcidas, o troféu e as medalhas a serem distribuídas aos vencedores. Era comum que nos Pe-Gon's se realizasse o "melhor de três", ou seja, ocorriam três partidas de futebol, geralmente no final do ano, e as medalhas, os troféus e os prêmios eram entregues somente no último jogo ao time campeão. No período entre os jogos havia muitas notícias e debates, veiculados pela imprensa diária e estudantil, sobre o condicionamento físico e preparo técnico dos atletas e, logicamente, sobre a organização das torcidas.

Fonte: AMARAL, Giana Lange do. Gatos Pelados x Galinhas Gordas: desdobramentos da educação laica e da educação católica na cidade de Pelotas (décadas de 1930 a 1960). Porto Alegre: Tese de Doutoramento do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2003, pág. 225-226.

domingo, 19 de novembro de 2023

Sobrenome Fietz

 



FIETZ é um termo para qualquer membro de uma tripulação marítima sem patente, isto é, qualquer marítimo que se ocupa com os ofícios próprios de uma embarcação sem possuir a formação de um oficial da Marinha. Porém, isso não é um depreciativo. Boa parte das tripulações marítimas, não somente nas regiões germânicas, mas bem como em toda a Europa, não era formada por "profissionais", mas por homens que adquiriam conhecimentos náuticos pela prática e vivência. Quase todas as embarcações de cunho mercantil, por exemplo, eram repletas de fietz, principalmente nos trabalhos de convés e cordas.

Em certa medida, Fietz pode ser também entendido como marítimo da Marinha mercante.

Uma outra denominação para a mesma ocupação profissional é BESTMANN.

Enterrado vivo em São Luiz Gonzaga



Enterrado vivo!

Do Estado, de 11 do corrente:

"Na ultima edição d'esta folha noticiamos haver fallecido o nosso co-religionario Joaquim Chaves Cavalheiro, digno official do corpo provisorio da Brigada Militar estacionado em S. Luiz.

Pessoas procedentes d'aquella localidade informam-nos agora que o desventurado moço - é horrivel de dizer-se! - fôra enterrado vivo.

Ao montar a cavallo para effectuar uma diligencia no Passo do Quaresma - narram os nossos informantes - Joaquim Chaves Cavalheiro teve uma syncope, sendo recolhido á sua residencia.

Isto no da 3 ou 5 de junho ultimo.

Como melhorasse, tentou o official seguir viagem, quando foi outra vez accommettido de nova syncope, não dando mais signal apparente de vida.

Fizeram, então, preparar o caixão mortuario, onde collocaram o infeliz Chaves, que foi velado durante a noite.

Na tarde do dia seguinte realisaram-se as ceremoniras do enterramento.

Collocado o caixão na carneira, retiraram-se as pessoas que compunham o sequito funebre.

No cemiterio apenas ficaram dois pedreiros.

Concluiam estes a sua tarefa quando ouviram gemidos e gritos abafados que partiam da carneira.

Homens rusticos, supersticiosos, largaram os instrumentos do trabalho e fugiram aterrados.

Levada a noticia á villa, diversas pessoas, inclusive o general Salvador Pinheiro Machado, encaminharam-se incontinente para o cemiterio, um tanto distante, e, ahi chegados, procederam á exhumação.

Joaquim Chaves Cavalheiro era cadaver.

A tampa do caixão, porém, quebrada, dilacerado o panno que a revestia, contrafeita a posição do corpo, tudo, tudo denotava a tremenda lucta, a morte horrivel em que se debatera o infeliz!

Havia sido enterrado vivo!

Catalepsia?

Não nos souberam dizer.

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Julho de 1900, pág. 01, col. 06


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