sexta-feira, 2 de junho de 2023

Sobrenome Mildemberg

 



MILDEMBERGER - aquele que é originário de Miltenberg (nome francônio Mildemberg; nome latino Mildenburgum), cidade na Baixa Francônia, Baviera, Alemanha). O significado de Miltenberg é "montanha benevolente" ou "montanha da bondade".

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Sobrenomes Brasileiros - Parte 16

 



Lista de sobrenomes brasileiros indígenas verificados a partir de 1979 até 1996. Considerados sobrenomes a partir do momento que constam em registros de nome civil. 

Fonte: Jornal o Mensageiro (Belém/PA)

Achefô - verificado no Pará em 1990.

Acuahuku - verificado no Pará em 1990.

Aicríro - verificado no Mato Grosso em 1987.

Aije - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Aijepa - verificado no Mato Grosso em 1995.

Aikewar - verificado no Tocantins em 1998.

Aikimim - verificado em Minas Gerais em 1986.

Akai - verificado no Pará em 1985.

Amawi - verificado em Rondônia em 1993.

Anambé - verificado no Pará em 1986.

Anhanga - verificado na fronteira brasileiro-peruana em 1988.

Aniká - verificado em Roraima em 1989.

Anipiri - verificado no Amazonas em 1989.

Apacano - verificado no Mato Grosso em 1985.

Apalai - verificado no Amapá em 1986.

Apatso - verificado no Pará em 1990.

Apiaka - verificado no Mato Grosso em 1990.

Aputê - verificado em Rondônia em 1993.

Ararawytingi - verificado no Mato Grosso em 1980.

Aroe - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Aruman - verificado no Tocantins em 1998.

Assurini - verificado no Amapá e Pará em 1986.

Atapire - verificado em Roraima em 1996.

Aturuwa - verificado no Mato Grosso em 1995.

Axeno - verificado em Roraima em 1996.

Ãweetekãto'i - verificado no Mato Grosso em 1984.

Babaté - verificado no Mato Grosso em 1998.

Babati - verificado no Mato Grosso em 1996. 

Bakairi - verificado no Pará em 1982.

Baniwa - verificado no Amazonas em 1993.

Baré - verificado no Amazonas em 1991.

Benity - verificado em São Paulo em 1995.

Biboy - verificado no Pará em 1997.

Bijãtpu - verificado no Pará em 1996.

Bingó - verificado em Pernambuco em 1991.

Bira - verificado em Roraima em 1988.

Bororo - verificado no Pará em 1985.

Brame - verificado no Mato Grosso em 1995.

Burum - verificado no Pará em 1982.

Cabá ou Kabá - verificado no Pará em 1982.

Cabixi - verificado no Mato Grosso em 1979.

Cahiacãn - verificado na Bahia em 1989.

Canela (vale lembrar que vem de etimologia ameríndia) - verificado no Maranhão em 1993.

Canoé - verificado em Rondônia em 1988.

Canoeiro - verificado no Mato Grosso em 1984 entre os rikbaktsa.

Capinoá ou Kapinoá - verificado no Mato Grosso em 1991.

Ccorobo (sic) - verificado no Acre em 1986.

Čerae - verificado no Mato Grosso em 1995.

Cibaeikare - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Crixi ou Krixi - verificado no Pará em 1982.

Curuaia - verificado no Pará em 1993.

Datxe ou Datié - verificado no Mato Grosso em 1986. Verificamos também a forma Datiê em 1990.

Dbaksêkô - verificado no Pará em 1996.

Dubtwoé - verificado no Mato Grosso em 1988.

Eibajiwudo - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Enaureu - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Ekureu - verificado no Mato Grosso em 1995.

Ewororo - verificado no Pará em 1981.

Fokei ou Fócãe - verificado em Santa Catarina em 1979.

Galibi - verificado no Pará em 1980.

Gavião - verificado em Rondônia em 1991.

Guajajara - verificado no Maranhão em 1980.

Guarani - verificado em sua vertente indígena em 1982, porém remonta como alcunha ao século XVIII.

Hakai - verificado no Pará em 1979.

Hapor - verificado em Goiás em 1991.

Hicupi - verificado no Pará em 1986.

Ilkabakaraia - verificado em Rondônia em 1987.

Ikatu - verificado no Tocantins em 1998.

Ikupi - verificado no Amazonas em 1986.

Imbiriba - verificado em Pernambuco em 1987.

Irantxe - verificado no Mato Grosso em 1981.

Iredian - verificado no Mato Grosso em 1980.

Iserenhi'omo - verificado no Mato Grosso em 1988.

Isipi'radi - verificado no Mato Grosso em 1988.

Islike - verificado em Roraima em 1996.

Itabira - verificado em Rondônia em 1985.

Japeca - verificado no Amazonas em 1998.

Jekupe - verificado em São Paulo em 1995.

Juma - verificado no Amazonas em 1993.

Juré - verificado no Pará em 1985.

Juruna - verificado em 1980.

Jutu - verificado no Pará em 1986.

Kadojeba - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Kafure - verificado no Mato Grosso em 1990.

Kaha - verificado no Maranhão em 1993.

Kahera - verificado em Roraima em 1996.

Kaihy - verificado em Goiás em 1991.

Kaingang - verificado no Rio Grande do Sul em 1979.

Kaiowá - verificado no Mato Grosso em 1983.

Kaleri - verificado em Roraima em 1996.

Kamunu - verificado no Mato Grosso em 1990.

Kanajó - verificado no Mato Grosso em 1995.

Kanaú - verificado no Acre e no Amazonas em 1988.

Kanhôk - verificado no Pará em 1992.

Kaiowá - verificado no Mato Grosso do Sul em 1996. 

Kaitona - verificado no Amapá em 1996.

Kajejewu - verificado no Mato Grosso em 1995.

Kanajó - verificado no Mato Grosso em 1995.

Kaorewyei - verificado no Amazonas em 1997.

Kapinawá - verificado em Pernambuco em 1985.

Karajá - verificado no Pará em 1982.

Kare - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Karipuna - verificado no Amapá em 1979.

Karitiana - verificado em Rondônia em 1994.

Karú - verificado no Mato Grosso em 1986.

Kãxãnãpio - verificado no Mato Grosso em 1984.

Kaxuayana ou Kaxuyana - verificado no Pará em 1986.

Kayabi - verificado no Mato Grosso em 1984.

Kayapó - verificado no Pará em 1986.

Keché - verificado no Pará em 1990.

Kiri - verificado em Roraima em 1996.

Kiriri - verificado na Bahia em 1991.

Koayutheri - verificado em Roraima em 1994.

Kodo-kodo - verificado em Mato Grosso em 1982.

Komaoro'i - verificado no Mato Grosso em 1984.

Kopenawa - verificado em Roraima em 1989.

Kontxá - verificado no norte de Goiás em 1987 (possivelmente Tocantins).

Koran - verificado no Tocantins em 1998.

Korina'i - verificado no Amazonas em 1997.

Krahô ou Krahó - verificado no Pará em 1982.

Krenak - verificado em 1981.

Kretã - verificado no Paraná em 1980, entre os caingangues.

Krikati - verificado no Maranhão em 1996.

Krôkrôk - verificado no norte de Goiás em 1987 (possivelmente Tocantins).

Krukwañe - verificado no Tocantins em 1990.

Krunõmri - verificado no Tocantins em 1990.

Kudu - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Kujibo - verificado no Mato Grosso em 1995.

Kulina - verificado no Amazonas em 1986.

Kurãpã'i - verificado no Mato Grosso em 1984.

Kurigup - verificado no Pará em 1990.

Kuriti - verificado em Roraima em 1996.

Kuru - verificado no Pará em 1991.

Kutchuwy - verificado entre os guaranis em 1982.

Maamatheri - verificado em Roraima em 1991.

Mabe - verificado em Rondônia em 1993.

Macuxi  ou Makuxi - verificado em Roraima em 1979.

Madija - verificado no Acre em 1986.

Maintedí - verificado no Pará em 1990.

Mairá - verificado no Tocantins em 1998.

Manhuari - verificado no Amazonas em 1986.

Manchinery - verificado em Roraima em 1998.

Manhuri - verificado no Amazonas em 1986.

Mapadadi - verificado em Rondônia em 1993.

Marubo - verificado no Amazonas em 1992.

Matanho - verificado no Mato Grosso em 1982.

Maturuca - verificado em Roraima em 1999.

Mauuxiutheri - verificado em Roraima em 1991.

Maxakali - verificado em Minas Gerais em 1984.

Mequém - verificado em Rondônia em 1993.

Merenadó - verificado no Mato Grosso em 1990.

Meriekureu - verificado no Mato Grosso em 1985.

Merimã - verificado no Mato Grosso em 1984.

Merimoi - verificado no Mato Grosso em 1984.

Metutire ou Mentuktire - verificado no Pará em 1986.

Mikaho - verificado no Amapá em 1998.

Mikiles - verificado no Pará em 1988.

Miranha - verificado no Amazonas em 1982.

Miriacureu ou Miriacuru - verificado no Pará em 1985.

Mirin (sic) - vericiado em São Paulo em 1994.

Mirkopté - verificado no Tocantins em 1990.

Moha - verificado no Mato Grosso em 1990.

Morimã - verificado no Mato Grosso em 1984.

Morimá - verificado no Mato Grosso em 1984.

Mugureu - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Muiuçu - verificado no Amazonas em 1989.

Mundurucu ou Munduruku - verificado no Pará em 1982.

Mutsie - verificado em Mato Grosso em 1984 entre os rikbaktsas.

Nambikwara ou Nambiquara - verificado em Rondônia em 1993.

Nivénkao - verificado em Santa Catarina em 1996. 

Nonda - verificado no Mato Grosso em 1985.

Ocoy - verificado no Paraná em 1994.

Ofaiê - verificado no Mato Grosso do Sul em 1988.

Opãrãxowi - verificado no Mato Grosso em 1984. 

Opikitheri - verificado em Roraima em 1994.

Õribwe - verificado no Mato Grosso em 1990.

Orobone -verificado em Rondônia em 1988.

Pacaás - verificado em Rondônia em 1998.

Pagu (u anasalado) - verificado no Pará em 1991.

Paiakan - verificado no Pará em 1985.

Paiaré - verificado no Tocantins em 1998.

Paihu - verificado no Pará em 1989.

Pankararú - verificado em Pernambuco em 1988.

Painiu ou Painhu - verificado no Pará em 1987.

Palikur - verificado no Pará em 1980.

Parakanã - verificado na Paraíba em 1984.

Parakatejê - verificado no Tocantins em 1998.

Parawan - verificado em Rondônia em 1998.

Pareci - verificado em 1979.

Paritsi'ê - verificado no Mato Grosso em 1990.

Pasikoa - verificado em Roraima em 1996.

Pataxó - verificado na Bahia em 1979.

Pataxó Hã-Hã-Hãe - verificado na Bahia em 1991.

Pauaka - verificado no Pará em 1982.

Paygo - verificado no Pará em 1982.

Payô - verificado em Rondônia em 1993.

Pikote - verificado em Roraima em 1996.

Porantim - verificado no Pará em 1992.

Potiguara - verificado no Nordeste em 1985, porém é de uso corrente desde o período pós-Independência.

Prataty - verificado no Amazonas em 1989.

Pudata - verificado no Mato Grosso em 1985.

Punluk - verificado no Maranhão em 1993.

Puxu - verificado no Pará em 1989.

Quirini - verificado no Mato Grosso em 1994.

Rikbaktsa - verificado no Mato Grosso em 1985.

Roaribo - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Rontê - verificado no Tocantins em 1998.

Sabanés - verificado em Rondônia em 1993.

Sakyrabiar - verificado em Rondônia em 1993.

Saterê - verificado no Amazonas em 1979. Sateré verificado em 1993.

Sau ou Saú - verificado no Pará em 1982, mas com registro desde 1976.

Saurecug - verificado no Pará em 1990.

Saw - verificado no Pará em 1997.

Sirnãrê - verificado no Pará em 1995.

Soiti - verificado em Tocantins em 1990.

Sõpré - verificado em Tocantins em 1990.

Sôti - verificado em Goiás em 1982.

Sukê - verificado no Tocantins em 1991.

Suruí - verificado em Rondônia em 1997.

Tapeba - verificado no Pará em 1999.

Tapirapé - verificado no Mato Grosso em 1986.

Tariano - verificado em 1992.

Tasuohaweré - verificado no Mato Grosso em 1980.

Tauré - verificado no Amazonas em 1989.

Tawaya - verificado no Amapá em 1998.

Tawe - verificado no Pará em 1982, entre os munducurus.

Tawy'i - verificado no Amazonas em 1997.

Tchu'wana - verificado no Amapá em 1998.

Tembé - verificado no Pará em 1981.

Tenose - verificado em Roraima em 1996.

Terena - verificado no Mato Grosso em 1979.

Tewit - verificado no Mato Grosso em 1991.

Tikuna - verificado no Pará em 1984.

Timbira - verificado no Pará em 1991.

Tiriyó - verificado no Pará em 1985.

Tiriwa - verificado no Amapá em 1998.

Tolaba - verificado em 1993.

Tolk - verificado no Maranhão em 1993.

Toreke - verificado em Roraima em 1996.

Tremembé - verificado no Ceará em 1990.

Tserenhi'omo - verificado no Mato Grosso em 1988.

Tsibasibata - verificado no Mato Grosso em 1985.

Tsupto - verificado no Mato Grosso em 1988.

Tuahuê - verificado no Pará em 1979.

Tukano - verificado no Amazonas em 1979.

Tupã-y - verificado em São Paulo em 1982.

Tupepiwa - verificado no Amapá em 1998.

Tuxaua - verificado no Amazonas em 1990.

Txy-txy - verificado em Rondônia em 1987.

Ubtuwó - verificado no Mato Grosso em 1988.

Uia - verificado no Mato Grosso em 1995. 

Urubíté - verificado no Mato Grosso em 1990.

Uribiti - verificado em Mato Grosso em 1987.

Urubom - verificado em Rondônia em 1988.

Ururãm - verificado em Rondônia em 1993.

Vitú - verificado no Mato Grosso em 1986.

Wa'awé - verificado no Mato Grosso em 1988.

Wa'morã - verificado no Mato Grosso em 1988.

Waadatite - verificado no Mato Grosso e Pará em 1990.

Wai Wai - verificado em Roraima em 1998.

Waiãpi - verificado no Pará em 1987.

Waikaine - verificado em Goiás em 1982.

Wakathautheri - verificado em Roraima em 1991. 

Wakathawlheri - verificado em Roraima em 1991.

Wakzemy - verificado no Pará em 1990.

Wariniay'i - verificado no Amazonas em 1997.

Waritirre - verificado em 1982.

Waro - verificado no Pará em 1997.

Watay - verificado no Pará em 1979.

Watoritheri - verificado em Roraima em 1991.

Wayana - verificado no Pará em 1987.

Wera - verificado em São Paulo em 1994.

Woopok - verificado no Maranhão em 1993.

Yakoto - verificado em Roraima em 1996.

Yanomami - verificado em Roraima em 1986.

Yawanawa - verificado no Acre em 1984.

Yaúka - iniciado em 1971 com o indígena Myky de Yaúka, da etnia myky, em Córrego Rico, no oeste do Mato Grosso.

Yébébektheri - verificado em Roraima em 1994.

Xãdok - verificado no Amapá em 1992.

Xair - verificado em Roraima em 1996.

Xakriabá - verificado em Minas Gerais em 1985.

Xaopoko'i - verificado no Amazonas em 1997.

Xario'i - verificado no Amazonas em 1997.

Xavante - verificado no Mato Grosso em 1979.

Xawapare'ymi - verificado no Amazonas em 1997.

Xehitaria - verificado no Mato Grosso do Sul em 1998.

Xenipau - verificado em Roraima em 1996.

Xerente - verificado em Goiás em 1982.

Xiriana - verificado no Amazonas em 1986.

Xitãnha - verificado no Mato Grosso em 1992.

Xywãeri - verificado no Mato Grosso em 1982. Xiwaerí grafia de 1991.

Xokó - verificado em Sergipe e Alagoas em 1980.

Xucuru - verificado em Pernambuco em 1996.


terça-feira, 30 de maio de 2023

Sobrenome Sieben

 



SIEBEN - literalmente "sete" em alemão. No contexto da língua alemã, está associado a engodo, mentira, trapaça. Encontrei que simbolicamente nas áreas meridionais é uma alcunha para "filho bastardo".

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Sobrenome Lahmann

 



LAHMANN - do termo do baixo alemão medieval "lo", "loge", "lage" que significa "mato", "floresta", ou ainda "prado da floresta", "campo na borda de um bosque" mais o termo "mann" (=Homem). Portanto, alguém que habita um relevo com essas características. É um sobrenome com origem e concentração no norte da Alemanha: Baixa Saxônia, Renânia do Norte-Vestfália e Mecklemburgo-Pomerânia.

domingo, 28 de maio de 2023

A eleição do Presidente Médici

 



A confusão era geral, com sucessivas reuniões do Alto Comando das Forças Armadas, do Exército, Marinha e Aeronáutica. Ficara evidente que Costa e Silva não poderia reassumir. Assim, começava-se a tentar ordenar o caos. Era preciso escolher outro presidente da República, claro que um general, e com uma peculiaridade: deveria iniciar novo mandato, não apenas completar o de Costa e Silva. Onde buscaram essa singular fórmula jurídica não se sabe até hoje, mas, como já tinham impedido Pedro Aleixo de assumir, tudo o mais seria permitido.

Então, os Altos Comandos decidiram fazer uma "eleição direta" para presidente - cujo nome deveria vir do Exército. Só que com um detalha: não seria o povo, completamente alheado de tudo, a escolher. Poderiam votar apenas os generais, almirantes e brigadeiros do serviço ativo. Organizaram as Forças Armadas em seções eleitorais. De início, os três integrantes da Junta comprometeram-se a não se candidatar. Existiam, porém, diversos candidatos que negavam ser candidatos.

Custariam a ser conhecidas as regras "eleitorais" para a escolha do sucessor de Costa e Silva. Era campo minado por todo lado. Afinal, qual general de quatro estrelas deixaria, lá no fundo, de se imaginar com possibilidade de ser o presidente?

Decidiram os Altos Comandos das três forças - com o respaldo do Alto Comando das Forças Armadas - que Exército, Marinha e Aeronáutica selecionariam três preferidos para o posterior encontro de decisões. Marinheiros e aviadores sabiam que o escolhido teria de ser do Exército, maior e mais forte, detentor do poder desde 1964. Ainda assim, os 69 almirantes da ativa deram catorze votos ao almirante Augusto Rademaker, que ficaria em segundo entre os mais sufragados pela Marinha, atrás do general Afonso Albuquerque Lima, que recebera 37 votos. Também foram lembrados o general Orlando Geisel, com doze votos, e o general Antônio Carlos Muricy, com seis.

Na Aeronáutica, três nomes com igualdade de votos: Garrastazu Médici, Orlando Geisel e Afonso Albuquerque Lima.

Estava armado o barraco, porque se, no Exército, Albuquerque Lima fosse um dos três mais votados, seria difícil impedi-lo, pois selecionado nas três forças. A Junta Militar planejou garfá-lo, tanto por ser general de divisão, com três estrelas, disputando com generais de Exército, de quatro estrelas, quanto porque seu nome se apresentara como de contestação, nacionalista e disposto a imprimir nova linha ideológica e econômica no país. Talvez mais ditatorial, se tal fosse possível. Atribuíam-lhe a intenção de, se eleito, mandar prender os ministros Delfim Netto e Mario Andreazza, além de abrir inquérito contra D. Yolanda. Não era verdade, mas a boataria apavorara ainda mais a Junta Militar.

Sabedores de que o general Afonso detinha forte apoio no Exército, armaram-lhe uma arapuca. Ele seria, sem dúvida, um dos três mais votados nos quatro Exércitos, e talvez até liderasse a votação. Era preciso, entretanto, que não chegasse entre os três primeiros, de modo que logo se criaram novas "sessões eleitorais", mesmo que com poucos generais: os diversos departamentos do Ministério do Exército, o gabinete do ministro, a Escola Superior de Guerra, o Estado-Maior do Exército e o Estado-Maior das Forças Armadas - para cada um, uma "sessão". Mesmo com muito menos generais do que os quatro Exércitos, fizeram valer a regra de que todas as "sessões eleitorais" teriam peso igual. Resultado: obtiveram que os três primeiros colocados no Exército fossem Garrastazu Médici, Orlando Geisel e Antônio Carlos Murici, excluindo Afonso Albuquerque Lima.

Como Médici fora o mais votado entre seus colegas de farda, virou o futuro presidente da República. Comandava o III Exército, no Rio Grande do Sul, e chefiara o SNI, onde se destacou por defender o AI-5 seis meses antes de sua decretação.

Escaramuças ainda aconteceriam para que aceitasse. Indagou aos colegas se seria obedecido, e todos disseram que sim, mesmo os mais antigos. O Alto Comando do Exército, contudo, não concordaria com sua sugestão para que o almirante Augusto Rademaker fosse vice-presidente, lembrando o compromisso de os três integrantes da Junta não aceitarem nada. Nessa hora, Médici levantou-se e disse que, se era para não ser obedecido, não aceitaria a indicação e voltaria para o seu comando, em Porto Alegre. Foi um "deus nos acuda", que obrigaria o chefe do SNI, general Carlos Alberto da Fontoura, a voar à capital gaúcha para convencer o "candidato" de que seria obedecido e informá-lo de que Rademaker seria o seu vice, além de alertá-lo para o fato de que, se a sucessão melasse, poderia haver guerra civil, já que os partidários do general Afonso Albuquerque Lima ameaçavam insurgir-se por conta da rasteira que levara.

No fim, tudo se ajeitou. O brigadeiro Márcio Mello permaneceria no Ministério da Aeronáutica e o general Lyra Tavares, como "missão", seria designado embaixador do Brasil em Paris.

Fonte: CHAGAS, Carlos. A ditatura militar e os golpes dentro do golpe: 1964-1969. Rio de Janeiro: Record, 2014, pág. 427-429 [recurso eletrônico].

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