domingo, 8 de dezembro de 2019

Mirlitons envenenados


"Dá-nos uma folha esta noticia sobre o veneno nos assobios para creanças:

A policia de Bruxellas fez um sequestro singular.

Por mandado judicial apprehendeu nas lojas de brinquedos todos os mirlitons (assobios) que n'ellas encontrou. Os mirlitons eram accusados de envenenar as creanças.

Alguns medicos bruxellenses tinham observado a frequencia de envenenamentos, de que creanças da sua clinica eram victimas.

Indagou-se dos habitos, da alimentação e até dos brinquedos preferidos pelas creanças, e descobrio-se que escolhiam habitualmente os mirlitons. A junta de hygiene comprou alguns d'elles e mandou examinal-os.

Os peritos descobriram que o papel forrava os tubos continha grande quantidade de arseniato de cobre.

É mais um exemplo do cuidado constante que se deve ter com as creanças."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 07 de Maio de 1885, pág. 01, col. 02


sábado, 7 de dezembro de 2019

População escrava no Brasil em 1884


"POPULAÇÃO ESCRAVA

Eis o recenseamento da população escrava no Brazil, segundo as ultimas estatisticos:

Rio de Janeiro e Municipio neutro.......... 304,399

Minas-Geraes.......... 279,010

S. Paulo.......... 170,808

Bahia.......... 99,718

Pernambuco.......... 84,700

Rio Grande do Sul.......... 61,908

Maranhão.......... 60,059

Alagôas.......... 29,349

Sergipe.......... 26,173

Pará.......... 25,393

Espirito Santo.......... 20,717

Parahyba do Norte.......... 20,717

Piauhy.......... 18,691

Santa Catharina.......... 11,049

Rio Grande do Norte.......... 10,051

Paraná.......... 7,559

Matto Grosso.......... 7,051

Goyaz.......... 6,899

Total........... 1.243,151"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 04 de Agosto de 1884, pág. 01, col. 04

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Faroeste amazônico


"HORROROSA HECATOMBE

Do Commercio de Amazonas:

<<De envolta com o regresso do dr. Jansen Ferreira, presidente da provincia, veio-nos uma noticia sanguinolenta, uma tragedia horrorosa de que foi theatro o lugar Carapanatuba, no rio Madeira.

<<Historiemos. Telesphoro Salvatierra, ex-socio de Alvaro Cezar, dirigio-se a este, em sua casa commercial, para o fim de liquidarem, ambos, certos negocios.

<<Alvaro Cezar entendeu de si para si nada ter a liquidar com aquelle cidadão boliviano.

<<T. Salvatierra, porém, julgando-se esbulhado do direito que lhe assistia, retirou-se para seu barracão, tendo antes declarado voltar para o tão apregoado ajuste de contas.

<<De facto voltou, mas acompanhado por quarenta de seus aggregados, amplamente armados, e, com elles, assaltou a casa de Cezar, que se entrincheirou com seus trabalhadores, resistindo por meio de fogo e de balas ao ataque, do qual resultou a morte de seis pessoas e o ferimento grave de mais de quinze.

<<Entre os feridos acha-se o proprio aggressor T. Salvatierra!

<<É para lastimar que ande tão tresmalhada do direito e da moral a população do rio Madeira.

<<Infelizmente esse mal horrivel e divergene da civilisação a que temos direito não é um cancro localisado; suas raizes estendem-se por outros rios da nossa provincia e são uma consequencia da pirataria posta em circulação pelos nossos amaveis visinhos do Pará.

<<O testemunho valioso do dr. Jansen Ferreira, perturbado nas impressões de sua viagem pittoresca pela tragedia, cujas peripecias acabamos de dar á leitura dos nossos assignantes, talvez sirva de estimulo á policia para syndicar do facto de que nos occupamos, sem os aprestos bellicos e arreganhos nauticos do Affonso Celso...

<<Dos quinze feridos já estão a medicar-se n'esta capital 7, inclusive o sr. T. Salvatierra.>>"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 18 de Abril de 1885, pág. 02, col. 03

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Histórico do Município de Canoas/RS


"Canoas, a 16 quilômetros de Porto Alegre, no centro geográfico da Região Metropolitana, foi originalmente ocupada pelos índios Tapes. Em 1733, o conquistador e povoador Francisco Pinto Bandeira, por razões estratégicas para o Reino Português, radicou-se na paragem Guaixim-Sapucaia dos Campos de Viamão. Esta propriedade foi chamada Fazenda Gravataí, correspondendo, hoje, a área ocupada pelo 1o. Distrito de Canoas.

O nome da cidade deve-se ao fato de que, quando da construção de uma estação de veraneio, seu proprietário à época, Vicente da Silva Freira, construiu algumas canoas para realizar serviços junto ao cais do Sobrado, no Rio dos Sinos.

Em março de 1938 Canoas deixou de ser sede do 4o. Distrito de Gravataí para ser elevada a condição de Vila. O desenvolvimento que se seguiu a partir de então proporcionou o nascimento de um forte movimento emancipatório, liderado pelo Capitão Miguel Lampert. Após a aprovação do General Flores da Cunha, Interventor Federal do Estado, em 27 de junho de 1939 criou-se o Município de Canoas."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 05 de Janeiro de 1999, pág. 05

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

O grande desastre da Ilha Sangihe


"Espalhou-se ha mais de uma semana na Europa a noticia que o telegrapho transmittiu a todo mundo ter desapparecido, com os seus 12000 habitantes, a ilha de Sangir [nota nossa: esta é uma outra denominação utilizada para o mesmo local. Vide artigo na Wikipedia em inglês: https://en.wikipedia.org/wiki/Sangir_Island], por effeito de um vulcão.

Não é exacto. É verdade que o antigo vulcão Awa teve repentinamente uma enorme erupção, que destruiu umas poucas aldéas, causando grandes desgraças, mas a ilha não desappareceu.

Foi no dia 17 de julho, ás 6 horas da tarde, que Awa, sem ter havido o menor indicio que fizesse prever a catastrophe, principiou a arrojar rios de lavas e a vomitar enormes pedaços de rochedos calcinados, sepultando na lava e nas cinzas duas povoações, como outr'ora foram sepultadas Pompeia e Herculanum.

Além d'essas duas aldeias que desappareceram completamente, outras soffreram muito por causa dos rochedos que o vulcão arremessava.

Calcula-se em 600 o numero de victimas.

A erupção durou poucas horas no seu estado de violencia.

É o que consigna um jornal que acabamos de receber."

Fonte: A FEDERAÇÃO(Porto Alegre/RS), 22 de Novembro de 1892, pág. 01, col. 03

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Quinta do Bom Retiro


"Quinta do Bom Retiro, em Pelotas

São conhecidos por todos quantos têm visitado o pavilhão de Pelotas e pelas notícias da imprensa, os magnificos vinhos do operoso e intelligente industrial de Pelotas, sr. Ambrosio Perret.

Recentemente, deu elle mais desenvolvimento aos seus adeantados trabalhos de cultura, segundo se vê da seguinte noticia do apreciado Diario Popular:

<<QUINTA DO BOM RETIRO

O incansavel e intelligente commerciante e industrialista desta praça sr. Ambrosio Perret, proprietario da notavel Quinta do Bom Retiro, que elle tem sabido valorisar e aformosear pela variedade, abundancia e escolha das plantações, acaba de receber da Europa uma grande remessa de mudas e bacellos de parreiras em excellentes condições.

Vimos hontem o grande caixão em que vém as mudas, acondicionadas em musgo humido, e podemos calculal-as em dez mil, mais ou menos.

Para se avaliar da variedade e importancia desta encommenda, cujo preço foi bastante elevado, como se póde imaginar, basta reproduzir a lista das especies recebidas e que são as seguintes:

Rupestris monticola.

Syrah sobre rupestris monticola.

Malbec.

Cabernet Sauvignon.

Merlot.

Gamay noir.

Euillade.

Portugueza azul.

Pineau noir.

Sauvignon.

Semillion.

Frankental.

Panse.

Alicante.

Alicante rupestris terras.

Hybride Fournier.

Hybride Franc.

Hybride Auxerrois Pardes.

Hybrides Seibel n.1.

Othelo.

Noah.

Jacquez.

Senasqua.

Brandt.

Prunella gris.

Chasselas de Montauban.

Aramon gris.

Vert de Madeira.

Karabournoux.

Chasselas violet.

Esparenc.

Precoce de Saumur.

Juntamente vieram chromos lindissimos, mostrando claramente o que serão os cachos destas escolhidas parreiras, entre os quaes bellos exemplares de uvas roxas, verdes, gris, etc.

Felicitamos o sr. Perret pela valiosa acquisição que fez e temos verdadeiro prazer em ver introduzidas em nosso municipio especies tão raras e finas da impagavel planta que nos dá o vinho.>>"

Fonte:  A FEDERAÇÃO (RS), 08 de Abril de 1901, pág. 01, col. 02

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Colonos no tronco


"O Diario Mercantil de S. Paulo traz os seguintes pormenores sobre o facto da fazenda Mont'Alverne, em Belém do Descalvado, pormenores transcriptos do Diario de Campinas e trasmittidos pela Sociedade Central de Immigração ao ministro da Justiça:

<<Chegou a Campinas o colono Alesio Francesco, que referio o facto do mesmo modo que o informante brazileiro.

<<Os nomes dos colonos que foram amarrados no tronco e castigados com bolos são: Giacomo Marcuzzi, Luigi del Guerccio, Giuseppe Brambilla, Alesio Francesco e Frederico de tal.

<<Os quatro primeiros são italianos e o ultimo allemão. O facto foi testemunhado por diversas pessoas.

<<Giacomo soffreu, além dos outros castigos, uma surra de couro e acha-se ferido.

<<Os colonos não tinham commettido desacato algum.

<<O crime commettido pelos colonos consistio em estarem se divertindo e cantando reunidos dentro de uma de suas casas.>>

O Diario pergunta se será procedendo d'este modo que havemos de chamar para o Brazil a desejada immigração."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 30 de Março de 1885, pág. 02, col. 02
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