Um disco passou por Ibirama
Ibirama, município catarinense do Alto Vale do Itajaí, recebeu no último dia 14 uma visita inesperada: um disco voador. O fato foi presenciado por diversos moradores daquela cidade nos chegou ao conhecimento através da carta que nos foi enviada pelo nosso leitor Abelardo Souza, transcrita abaixo:
Na noite chuvosa do dia 14 do corrente mês, depois de uma descarga elétrica, que atingiu um pé de eucalipto, assistimos, eu e diversas pessoas, um fenômeno da natureza, raríssimo. O caso foi o seguinte:
Eram 21 horas. Estávamos sentado em um banco, debaixo da marquize, na frente do Cinema "BOEHM", aguardando que a luz voltasse. Havia sido desligada devido a trovoada. Queríamos assistir ao "Os 7 cavaleiros do Diabo". Toda a cidade estava às escuras. Observamos a forte chuva e os relâmpagos, quando num momento vimos um risco característico da faísca elétrica descer em direção à terra. Com o clarão do relâmpago vimos que tinha sido atingido um pé de eucalipto. Ouviu-se no momento um grande estouro.
O eucalipto que ficava num morro distante uns 800 metros logo, apareceu flamejante. Aparecia fogo nele de vez em quando apesar da água que caía. Minutos depois vimos com espanto surgir um objeto luminoso a pouca altura, talvez 50 metros, passando em nossa frente, talvez menos de 100 metros de onde nos encontrávamos.
No princípio parecia um vagalume. Depois se viu que não era, devido ao tamanho daquela luz que não se apagava. Aquela coisa luminosa, de um azul brilhante, seguiu em linha reta acompanhando a rua e desapareceu atrás do morro onde se acha a igreja protestante, distante do cinema uns 900 metros. Um vagalume não se enxergaria de uma distância daquelas. O que era aquilo então? Si o céu estivesse límpido poderíamos confundir com um satélite, mas com aquela chuva...
São testemunhas do fato as seguintes pessoas, além de mim: Otto Boehm, proprietário do cinema local; Otavio Tomasi, cunhado do sr. Prefeito Manoel Marchetti; Edgar Wloch, ex-proprietário do Hotel Polar; Osni Amorim, e outros que não seu os seus nomes.
Fonte: O ESTADO DE FLORIANÓPOLIS (Florianópolis/SC), 28 de dezembro de 1965, pág. 01

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