terça-feira, 15 de abril de 2008

Bairro Jardim América - Parte VIII


No termo de um loteamento que se desenvolveu lentamente nos primeiros anos de sua história e permaneceu com uma característica agrária, o Jardim América possuía um contexto sócio-econômico marcado pela extração de lenha, a orizicultura, a produção leiteira e a pequena agricultura familiar. Além destas atividades, a economia local também se movia em função de areais, olarias e marchanterias.
O areal mais notório dos arredores fica nas proximidades da Cosulati e pertence à Família Pinheiro. Entretanto, o que poucos sabem é que a extração de areia no local é uma atividade bastante antiga, remontando a antes da criação do bairro. A área, que media aproximadamente 2 e ½ hectares, pertencia ao Sr. Osmir Ribas, cuja entrada de sua estância corresponde a atual Rua Pedro Bachini Sobrinho (Corredor da Cosulati). Posteriormente, passou às mãos da Família Berchon, antes de pertencer ao atual proprietário.
As olarias, por outro lado, constituíam uma alternativa de emprego para vários moradores do bairro em épocas de falta de trabalho no arroz e no aspargo. Muitos jovens principalmente, encontravam o início de sua vida profissional nelas. Nomeadamente nas décadas de 1960 e 1970 houve um boom da produção de tijolos e o ofício do oleiro multiplicou-se. No final dos anos 60, por exemplo, tivemos cerca de cinco olarias funcionando a pleno vapor na região. O solo argiloso de determinadas áreas favorecia a abundância de matéria-prima. As olarias a que temos conhecimento são as seguintes: uma pertencente ao Sr. Homero Guido, no Corredor da Embrapa, onde hoje se encontra o Loteamento Campestre; uma no Horto Florestal, bem mais antiga e que tinha a melhor estrutura; uma nas proximidades da BR-293, de propriedade do Sr. Juvenal Albuquerque Costa; uma anexa ao armazém do Sr. Ernani da Rosa, de propriedade do mesmo, na Avenida Três de Maio; uma na área onde hoje é o Loteamento Olaria, de propriedade do Sr. Belisário Rocha, mas que teve outros donos, quase que certamente arrendatários durante o decorrer dos anos. Essas olarias produziam o tijolo maciço, sendo praticamente desconhecido o tijolo furado. Com exceção da olaria do Horto Florestal, não se produzia telhas. Cerca de toda a produção de tijolos era vendida em Pelotas em lojas de construção ou diretamente ao consumidor.
As marchanterias (matadouros) completavam o cenário econômico do bairro e se desenvolveram até 1977 – ano em que uma lei estadual impediu o abate de animais fora dos frigoríficos. Na esquina das avenidas Três de Maio e Eliseu Maciel funcionou uma marchanteria que inicialmente pertencera aos srs. Belisário Rocha e Evaldo Fagundes e que fora adquirida depois pelo Sr. Oriente Brasil Caldeira. Outra marchanteria importante ficava na esquina das ruas 1º. de Maio e Cidade de Rio Grande (onde está o Salão Ducarinho Eventos) e pertencia ao Sr. Valpírio Valerão. Mais adiante, já na região do Parque Fragata, havia a marchanteria do Sr. Clodomiro Quadros. Todas elas movimentavam uma intrincada engrenagem dos quais participavam desde pecuaristas que forneciam o gado, transporte, abate e fornecimento. No auge das marchanterias, cerca de oitenta açougues
em Pelotas eram abastecidos com carne abatida no Jardim América e Parque Fragata.

Um comentário:

Arthur Victoria Silva disse...

Trabalho Fantástico! Parabéns!

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