terça-feira, 14 de junho de 2022

Encontro de quilombos



 - Domingo 10 de Fevereiro, os negros que formão o quilombo, que existe nas montanhas das larangeiras, derão muitos tiros d'espingarda: hum negro que se prendeu nessa noite, e na occasião em que levava huma vacca, que acabava de furtar, o qual tambem era socio do quilombo, disse que os tiros erão em honra da reunião do seu quilombo com outro. Corre que o Sr. Intendente Geral da Policia exigira do Senado da Camara huma lista dos Capitães do Matto, afim de combinar com elles hum ataque geral contra os quilombos, que inspirão bem fundados receios a todos os proprietarios circumvisinhos.

Fonte: O UNIVERSAL (Ouro Preto/MG), 10 de Março de 1828, pág. 04, col. 01-02

domingo, 12 de junho de 2022

O Brasil Independente e a visão nacional sobre os países vizinhos

 



Corria por certo no Rio de Janeiro a sahida do ultimo Correio, que a Republica de Buenos-Ayres tinha declarado guerra ao Imperio do Brasil pela occupação da Provincia Cisplatina, e pertendida Invasão da Provincia de Chiquitos. Custa a crer, que essa insignificante Republica, sempre desolada pelos Indios, e que não consta mais de cento e cincoenta mil almas ouse desafiar o vasto, rico, e poderoso Imperio do Brasil: pagará bem caro sua ousadia!!

He agora tempo de fazer o que há muito se devera ter feito Santa Fé, e Corrientes na Provincia de Entre Rios são pontos militares da maior importancia para a defeza do Imperio do Brasil; mas não basta a occupação destes pontos he preciso mais. Neembuco a margem do Paraguay ao Norte de sua junção com o Paraná he o estaleiro, em que se constroem os Corsarios de Buenos-Ayres: he preciso queimar-se tal espelunca, e na minha opinião toda á banda oriental do Rio Paraguay deve ficar pertencendo ao Imperio, e para esta conquista se devem dirigir as forças do Imperio. Devemo-nos convencer de huma verdade, e he que o Brasil será sempre incommodado por tão máos visinhos, em quanto não tomar estes pontos, e não castigar os Selvagens visinhos a ponto de os fazer perder todas as suas esperanças.

Fonte: O UNIVERSAL (Ouro Preto/MG), 28 de Dezembro de 1825, pág. 288, col. 01-02

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Ataque dos índios Uaymiris

 



AMAZONAS. - (...)

Tinhão-se recebido em Manáos noticias desagradaveis do Rio-Negro: o Amazonas narra-as do seguinte modo:

"Os Uaymiris, selvagens bravios do rio Jauapery, descêrão ás praias e dominão a margem esquerda do Rio-Negro, desde o quarteirão de Anna-Vilhana até a embocadura do Rio Branco. A população, sobresaltada, procurou asylar-se na margem direita, nos districtos de Ayrão e de Moura, onde não é provavel que os selvagens vão, porque não são navegadores, e nem as ubás, de que usão, se prestão ás grandes travessias. Apenas servem para se transportarem para as ilhas pelo lado mais estreito, e nesses ilhas passão o verão por causa da abundancia de ovos e peixe que ha na secca do rio.

O tenente Souza Lobato, que segue para o Rio-Branco, acha-se parado em Moura e receioso de proseguir em sua viagem.

De bordo do vapor, distinguiu-se perfeitamente na praia da ilha do Jacaré um magote de gentios, a mui curta distancia, tanto que houve quem contasse até ao numero de 14 seres.

Todos os annos, os Uaymiris fazem suas correrias, e o mais é que, tão proximo da capital, ainda se não pôde extinguir essa horda de selvagens, cuja indole perversa e sanguinaria tão tristes resultados tem dado.

Ha bem pouco tempo, derão elles cabo de uma familia de 14 pessoas, escapando apenas uma, que pôde fugir em uma pequena montaria. O anno passado, atacárão a embarcação do Venezuelano d. André Level, ferindo e matando-lhe algumas pessoas de equipagem, além do roubo e prejuizo que soffreu em suas mercadorias."

Fonte: DIARIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 27 de Dezembro de 1871, pág. 01, col. 02

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Refugiados de guerra em Jaguarão

 



Lê-se no Onze de Junho, folha de Jaguarão, de 2 do corrente:

"O distincto coronel Manoel Amaro Barbosa, em virtude dos avisos e ordem do governo imperial, apresentou-se hontem voluntariamente ao commando da guarnição desta cidade, dando assim uma prova de obediencia ao governo, e proferindo em todo o caso antes de ser brasileiro, a perder todos os seus interesses no Estado-Oriental."

Os jornaes de Jaguarão, recebidos na capital, dizião que havia ali ajuntamentos, a todas as horas do dia, e com mais liberdade á noite, de gaúchos emigrados do Estado-Oriental, aos quaes se reunião escravos e outras pessoas da população; estes factos, que erão muito frequentes, despertavão apprehensões na cidade.

A Reforma, do Jaguarão, diz que se tinha apresentado em uma das guardas da nossa fronteira uma força de 80 a 100 homens, pertencentes ao governo de Montevidéo, e que se refugiára no territorio brasileiro, acossada pelas tropas da revolução. A força entregou as armas.

Na tomada de Artigas fôra morto o oriental José Bibiano Salgado, cujo nome era estimado em Jaguarão, pelo auxilio que prestou outr'ora á defesa desta cidade.

Fonte: DIARIO DE SÃO PAULO (São Paulo/SP), 24 de Setembro de 1871, pág. 02, col. 04-05

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