terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Maria das Dores Telles Ribeiro


"Registro mortuario

Hoje, ás 2 horas da tarde, finou-se, n'esta capital a exma. sra. d. Maria das Dores Telles Ribeiro, contando 80 annos de idade.

Esta respeitavel matrona era muito estimada em nossa sociedade, e sogra do cidadão Agostinho de Menezes Freitas, official do thesouro do Estado.

Apresentamos os nossos pezames á exma. familia da morta.

- As cerimonias da encommendação effectuam-se amanhã, na Cathedral, ás 5 horas da tarde, devendo meia hora antes sair o feretro do predio n. 75, da rua da Republica."

Fonte: A FEDERAÇÃO(Porto Alegre/RS), 25 de Novembro de 1892, pág. 02, col. 04

Cidreira em 1892


"Na Cidreira

Um frequentador dos banhos da Cidreira organisou umas interessantes notas estatisticas das pessoas que este anno concorreram áquella estação balnear, dos ranchos ali levantados, dos vehiculos que conduziram os banhistas, etc., destinando-as a esta folha.

Agradecendo ao amigo a gentileza, passamos a reproduzir o seu trabalho:

Frequentadores dos banhos da Cidreira em janeiro e fevereiro de 1892 (as familias vão designadas pelos nomes dos respectivos chefes):

Manoel Eufrasio, Francisco Rodrigues Funchal, João Dill, dr. Arsenio, Jesuino Joaquim da Silva, Baptista Lisboa, Antonio Moura Gonçalvel Bastos, Antonio Ribeiro da Silva, Jorge Joaquim Moura, Pedro Faminke, Miguel Teixeira de Carvalho, d. Francisca Teixeira, Pasqual de Venuto, major João Antunes da Cunha Netto, Antonio dos Santos Rocha, Manoel José da Silva Guimarães, Dario Dias, Joaquim F. Lestris, Ernesto Schneiders, Americo Antunes Pinto, Venancio de Oliveira Gonçalves, Manoel Floresto da Rocha, José Antunes Pacheco, David Francisco da Silva, Quirino José Lopes, João Lartigau, Antonio Francisco da Silva, d. Guilhermina da Costa Barbedo, Arnaldo Barbedo, Pedro Ignacio Teixeira, Salvador Pires da Silva, d. Carolina Canabarro, José Bernardo da Costa, Romiro Vieira de Aguiar, José Augusto Teixeira, Nicolau Vicente Pereira, d. Luiza, dr. Barcellos Filho, Avelino Reis, Frederico Christoffel, Carlos Daudt, J. Mastraldi, Guilherme Pinheiro, Antonio de Souza Machado, d. Justina Canabarro, José de Azevedo Paes, Francisco Simon, Antonio Firmino, Serafim Martins, João Andrade Fialho, Zeferino Antonio de Oliveira, Leonel Cabral, coronel Felisberto Porfirio de Souza.

A maior parte d'essas familias já regressou á cidade.

✤✤✤✤✤

Recenseamento da população da Cidreira, feito em 2 de fevereiro de 1892:

Familias................... 51
Ranchos................... 46
Carros e carretas que conduziram banhistas........... 112
Homens.................. 112
Mulheres................ 126
Crianças................. 131
Criados.................. 90

Total.................... 668"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 01 de Março de 1892, pág. 02, col. 04

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Alfredo Amancio de Mello


"Registro mortuario

No Rio Grande finaram-se:

O cidadão Alfredo Amancio de Mello, commerciante ali e irmão dos srs. Rodolpho e Antonio Emiliano de Mello; o cidadão José Thomaz de Oliveira, ex-fiscal da Companhia Carris Urbanos; José Vignolli, maestro muito conhecido n'esta capital, victimado por uma atroz enfermidade, o qual gosava n'aquella sociedade de numerosas sympathias; Firmina Carvalho de Oliveira, de 75 annos, esposa do sr. Gabriel José de Oliveira; Joaquim Antonio Ramos, antigo morador d'aquella cidade.

(...)

Em Pelotas:

O nosso estimado co-religionario José Virgilino Lopes, de 35 annos, estabelecido com correeiria; o cidadão José Ferreira da Silva, de 27 annos, solteiro, e o cidadão Felisberto Ferreira Soares.

(...)

O cidadão Guilherme Kluve, fallecido sexta-feira ultima n'esta capital, era pai e genro dos nossos co-religionarios Carlos Kluve e Zacharias Teive, a quem apresentamos os nosso pesames."

Fonte: A FEDERAÇÃO(Porto Alegre/RS), 24 de Novembro de 1892, pág. 02, col. 05

João Alves de Almeida Porto


"Obito

Hontem á noite finou-se o cidadão João Alves de Almeida Porto, em consequencia de uma infecção purulenta.

Era antigo professor de piano e contava 50 annos de idade.

As nossas condolencias á sua familia."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Maio de 1891, pág. 01, col. 02

domingo, 26 de janeiro de 2020

O cometa que iria devorar a Terra


"SEMPRE É DESCOBRIR

✤✤✤✤✤

No dia 13 do corrente, ao meio dia, mais ou menos, ouvimos gritos de admiração e surpreza que partiam da torre da Igreja.

Procurando saber o que havia, informaram nos que, lá se achavam alguns curiosos que, munidos de oculos tinham ido observar a apparição do formidavel cometa que devia devorar a Terra, n'aquelle dia; immediatamente mandamos um de nossos companheiros de trabalho, saber a causa de similhante alarma e, imagine o leitor, qual não foi a nossa surpreza, ao ouvirmos o nosso companheiro relatar o seguinte:

As pessoas que se achavam na torre da Igreja, haviam descoberto, com auxilio dos oculos de que se achavam munidos, a umas 3 leguas da superficie da terra, um enorme aerostato, tripolado por 5 militares e tendo arvorado um grande pavilhão que lhes pareceu de côr encarnada, e alguns affirmaram que havia, na parte superior do pavilhão, um quadro asul marinho com raios encarnados.

A principio duvidamos, porém, o nosso companheiro, que é homem serio e que nunca viu si quer o Quaresma nos affirmou que era exacto porque elle tambem havia visto o tal balão e que até se lhe afigurava que elle tendia á cahir muito perto.

Á vista de tal, affirmação não tivemos outro remedio sinão por de parte todas as nossas duvidas e começamos a fazer mil conjecturas a cerca do inexperado apparecimento do aerostato...

Primeiro pensamos que fosse alguem que fazia experiencias a fim de descobrir a direcção do balão, mas esse pensamento lógo se disfez ao lembrar-nos que o tal aerostato era tripolado por militares...

Já não sabiamos o que pensar quando nos occorreu o seguinte:

- Remetemo nos aquelles aerostatos d'algum acampamento das tropas inglezas em opperação no Transwall e, perdeo se em consequencia de algum temporal ou cousa similhante, veio dar até nós.

E, procurando fundamentar a nossa idéa pensamos na côr do pavilhão, que o maravilhoso balão trasia arvorado, e ficamos convencidos de que elle era de facto inglez, e sinão partia dos acampamentos inglezes no Transwall, era naturalmente de inglezes que seguiam d'aqui para lá a fim de auxiliarem o seu governo na lucta que actualmente mantém com a gente do tio Paulo.

Ha muitas pessoas, que são capazes de attestar por escripto, o que ahi fica dito."

Fonte: A RAZÃO: ORGAM POPULAR (Encruzilhada do Sul/RS), 19 de Novembro de 1899, pág. 02, col. 01-02

Fenômeno celeste em Jaguarão


"Phenomeno celeste

Em Jaguarão foi observado um phenomeno celeste.

Era uma enorme mancha preta, como um balão que se estendia do nascente ao poente, grosso e compacto na base e, á proporção que a cauda se extendia no espaço, tornava-se mais transparente.

Um nosso collega diz que foi visto esse phenomeno talvez por espaço de mais de meia hora."

Fonte: A FEDERAÇÃO(Porto Alegre/RS), 24 de Novembro de 1892, pág. 02, col. 04

Barbárie em Rio Grande


"O Diario do Rio Grande, dá, nos seguintes termos, noticia de um espancamento na cadêa civil d'aquella cidade:

Informam-nos que ha poucos dias foi barbaramente espancado na cadêa, com ordem e na presença da autoridade policial, um escravo que tivera a infelicidade de incorrer no desagrado de seu senhor.

O paciente foi amarrado e castigado, até que, exhausto de forças e com as carnes trituradas pelo açoite, cahio sem sentidos!

Apezar d'isto, porém, o carrasco recebeu ordem para proseguir na sua repugnante tarefa!

Foi então que o inferior que commandava a guarda da cadêa, indignado por tanta crueldade, impedio que o espancamento continuasse, dizendo que preferia soffrer as consequencias de seu acto, por mais duras e penosas que fossem, a permittir que continuasse um castigo tão bárbaro.

As consequencias a que alludia o generoso militar não se fizeram esperar, pois que, segundo tambem nos informam, foi elle rebaixado de posto em castigo por ter poupado as dôres de um seu semelhante.

Voltamos, pois, aos bons tempos em que as cadêas eram simples succursaes das senzalas e dos eitos.

E, mesmo diante d'estas scenas de deshumanidade e vergonha, ainda ha quem preste apoio á causa maldita da escravaria!"

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 27 de Janeiro de 1886, pág. 02, col. 04

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