domingo, 7 de abril de 2019

História da Tequila


"A tequila leva o nome da cidade homônima situada no estado de Jalisco, assim como o champanhe tem o nome dessa região da França. Embora alguns outros estados também a reclamem, foi em Jalisco que a tequila nasceu e é onde as melhores são produzidas. A tequila resulta da destilação do agave azul, uma espécie de cacto azulado. Plantações de agave a perder de vista cobrem vales e encostas, criando um imenso tapete azulado. Pelo fenômeno e pela tradição, as plantações foram declaradas Patrimônio da Humanidade pelo UNESCO.

Ao contrário do que se pensa, a tequila não deve ser 'engolida', tampouco acompanhada de suco de limão. Deve ser bebida devagar em copo alto ou em taça bojuda. É a única maneira de apreciar o seu sabor. Conforme já citado, há três tipos principais de tequila: a branca, a reposada e a añeja. Elas variam quanto à cor e ao sabor, ambos adquiridos por processos de envelhecimento - a branca é a mais jovem.

Originalmente apresentada ao mundo em sua versão mais elegante como margarita, a tequila é encontrada em todo o país; mas para provar as mais autênticos não só existem destinos e haciendas especiais, como também uma ferrovia específica. O Tequila Express é um trem conhecido em todo o México. Para atravessar as plantações de agave azul do Vale de Amaltitlan, o trem parte de Guadalajara (a capital de Jalisco) com destino à Hacienda San Jose del Refugio. A viagem dura cerca de uma hora e meia.

San Jose del Refugio tem séculos de trabalho e tradição; seus pátios e jardins convidam o visitante a embarcar em uma viagem ao passado. A fábrica original está situada em um lugar mágico e é considerada um dos melhores destinos da tequila em todo o México. A Hacienda San Jose del Refugio é a sede de uma das principais marcas, a Casa Herradura, hoje conhecida internacionalmente pelo sabor refinado e pela alta qualidade. A apenas 40 minutos de Guadalajara, nas belas montanhas de Jalisco, esta a fazenda Mundo Cuervo. Por 200 anos aí viveu a família Cuervo. Hoje em dia, é possível fazer passeios vip que percorrem o processo tradicional da fabricação da tequila e as antigas instalações de Cuervo, onde nasceram o aroma, o sabor e a cor da aguardente. O passeio termina na destilaria, onde os hóspedes podem degustar a bebida em seu próprio ambiente. Tendo ao fundo as matas de Puerto Vallarta e da baía de Banderas, desviando um pouco do caminho chega-se à plantação de agave do Rancho Indio. Aqui, os visitantes acompanham todo o ciclo da planta, do plantio à colheita, processo que dura cerca de dez anos. Aí está também a Hacienda Quinta Sauza, do século 17, onde vivia outro nome importante da fabricação da bebida, a família Sauza. Famosa não só pela qualidade da bebida, mas pela autenticidade de sua cozinha, a hacienda está envolta em história e cultura da aguardente nacional. A visita à destilaria La Perseverancia encerra o passeio. Aqui, você pode acompanhar o processo de destilação e até tomar mais um gole da melhor aguardente do México."

Fonte: KASTELEIN, Barbara; NICHOLS, Richard; TAN, Anette; ZEE, Foo Mei. Guia México chic. São Paulo: Publifolha, 2008, pág. 34-35.

sábado, 6 de abril de 2019

Dois casos de bandoleirismo em 1858


"Uma folha de Jaguarão diz o seguinte a respeito do departamento do Serro Largo, no Estado-Oriental:

<<Por pessoa hontem chegada da villa de Mello, tivemos conhecimento de haver o chefe politico coronel Oliveira assumido o commando do departamento e um de seus primeiros actos foi capturar o celebre assassino Nico Coronel, e fazel-o recolher á cadêa, mandando-lhe deitar por cautella um par de machos aos pés.

<<Na madrugada de 24 foi assaltada a prisão por 20 e tantos bandidos ao mando do celerado José Nobre, havendo sido no conflicto mortos a sentinella e mais 4 soldados da guarda da referida cadêa e ficando mais 5 feridos.

<<Apossados, que foram os assassinos da cadêa franquearam a soltura a Nico e mais 15 presos; e depois de que dirigiram-se a casa do chefe politico e contra elle disparam-lhe alguns tiros, conseguindo evadir-se o referido coronel pelo quintal da casa onde habitava.

<<Até a occasião de sahir daquella villa a pessoa, que nos deu sciencia deste acontecimento, se ignorava o destino que havia tomado o coronel Oliveira.

<<Os bandidos hoje reunidos em numero de 30 a 40 consta se haverem retirado para as pontas do Arroio Mello. Em seu transito acommetteram a casa de um brazileiro Pinto, que com antecedência conseguio escapar-se com sua familia aos golpes homicidas dos assassinos.

<<O susto e o receio tem sido levado em summo gráo ao seio das familias e dos pacificos habitantes daquelle departamento.

<<Este estado de cousas não póde continuar. O desespero e a raiva se tem apoderado em tão alto gráo do animo dos brazileiros alli residentes, que cremos ver em breve tomarem as armas para repellir com justos motivos as agressões dessa horda de bandidos!...>>

Uma outra de Pelotas dá o seguinte:

<<Acaba de ter lugar a captura do famigerado Joaquim Machado de Lima, conhecido por Quinca Machado, criminoso sentenciado e evadido da cadêa desta cidade ha oito ou dez annos, em cujo periodo se tem conservado nas matas da Serra, trazendo os moradores do 2o. districto em continuos sustos, pelas suas carreiras de atrocidades.

<<A justiça e a sociedade deve este heroico feito á actividade e bons desejos do inspector do 7o. quarteirão João Pereira da Silva, o qual além das requisições que tinha do digno sr. delegado Alexandre Vieira da Cunha, e subdelegado do 2o. districto o sr. Domingos Mascarenhas tambem por si nutria empenho por alliviar a sociedade daquelle cancro.>>"

Fonte: A PATRIA (Niterói, RJ), 17 de Setembro de 1858, pág. 01, col. 01-02

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Histórico do Município de Farroupilha/RS


"A história de nossa cidade se confunde com a própria história da Colonização Italiana no Rio Grande do Sul. As famílias de Stefano Crippa, Luigi, Sperafico e Thomazzo Radaelli deram início a imigração, no ano de 1875, estabelecendo-se no loca denominado Barracão, hoje Nova Milano - 4o. Distrito de Farroupilha, transformando esta comunidade em Berço da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul.

Em 1910, com a construção da estrada de ferro e, no ano seguinte, da estrada Júlio de Castilhos houve um consequente desenvolvimento dos novos povoados.

Nova Vicenza foi a denominação primitiva de Farroupilha, até sua emancipação através do Decreto Estadual no. 5779, de 11 de dezembro de 1934, assinado pelo Interventor Federal do Estado, Senhor José Antônio Flores da Cunha.

Desde então, pioneirismo parece ser uma palavra que faz parte da própria história da cidade, Farroupilha, prosperou com rapidez. Os caminhos percorridos pela cidade para conquistar a sua atual posição comprovam sua vocação pioneira para o progresso. Saindo do estágio artesanal para disputar em áreas diversificadas a liderança de mercado industrial.

Neste pedaço de Europa, em terras brasileiras, Farroupilhas iniciou suas atividades econômicas no setor agrícola, principalmente na fruticultura, com a produção de uvas, pêssegos, kiwis, maçãs, ameixas, caquis e morangos.

Introduzir novas variedades e conquistar novos mercados é o lema do município, atualmente, o cultivo do exótico kiwi projetou Farroupilha como maior produtor desta fruta no estado.

Dando continuidade ao progresso, investiu nos setores da indústria calçadista, metalúrgica, moveleira, malhas e confecções, comprovando o empreendedor farroupilhense."

Fonte: ATLÂNTICO (RS), 08 de Março de 1999, pág. 03

quinta-feira, 4 de abril de 2019

A Balança - uma quadrilha feminina em São Paulo na década de 1920


"A <<Balança>>, a fortaleza feminina da Quarta Parada

Uma quadrilha de ladras com acampamento montado nesta capital - O rocambolesco bando existia ha dois annos - A prisão de seis ladras

Causará surpresa ha muita gente a noticia da existencia nesta capital de uma verdadeira quadrilha de mulheres ladras.

Entretanto, o facto é inteiramente authentico. Uma quadrilha, com o seu acampamento montado, com chefe para dirigir o 'serviço' e vinte componentes foi hontem descoberta pelos inspectores da delegacia de Roubos.

Infelizmente os 'argutos' dectetives do dr. Climaco Pereira não merecem de todo os nossos parabens porque a descoberta foi muito tardia.

Ha dois annos que a 'Balança' assim se denominava o acampamento, se encontrava montada na Quarta Parada.

Os furtos, os roubos, principalmente pelas vizinhanças se succediam sem que a policia conseguisse descobrir os autores.

Algumas das ladras, hontem capturadas, já contavam passagens pelo Gabinete de Investigações por latrocinio, mas isso em época remota, e não como componentes da quadrilha feminina, que conseguiu durante muito tempo zombar da policia.

O mais interessante da historia, porém, é que os inspectores que se atreveram a passar 'a muralha da fortaleza' se encontraram em face de uma reacção pela qual não esperavam.

As ladras, todas mulheres pretas, se atiraram de unhas e dentes aos tres inspectores, que tiveram que empregar o maximo das forças, mas assim mesmo ainda sahiram com alguns arranhões.

No calor da luta as mais espertas conseguiram fugir, sendo capturadas sómente seis das camponentes do criminoso bando.

A DESCOBERTA DA 'BALANÇA'

Foi quasi fortuita a descoberta do acampamento das ladras installado na Quarta Parada.

Alguns inspectores da delegacia de Roubos, que estavam encarregados da perseguição de um perigoso ladrão, foram ter, seguindo uma pista, á Quarta Parada.

O perigoso larapio, que ao que parece, era conhecedor da existencia da fortaleza, conseguiu evadir-se, mas ao mesmo tempo fez um signal, por meio de um assobio, ao pessoal da 'Balança', avisando de que havia 'mouros na costa'.

O estranho aviso, surpreendido pelos inspectores, chamou-lhes a attenção e elles deram uma immediata 'batida', encontrando fortes reacção.

Vencida afinal a resistencia e já avisada a delegacia de Roubos foram transportadas as seis ladras para o Gabinete da rua dos Gusmões.

AS MULHERES CAPTURADAS

Maria Francisca Justina, Beatriz David Oliveira, Felisbina Maria Conceição, Jandyra Marcondes Oliveira, Geralda Augusta de Souza e Tercilia Maria de Jesus foram então interrogadas pelo dr. João Climaco Pereira, delegado de Roubos.

No depoimento que prestaram contaram scenas interessantes da existencia da quadrilha e confessaram varios furtos e roubos comettidos.

A HISTÓRIA DA QUADRILHA

Algumas ladras profissionaes idealizaram a fundação da 'Balança' e montaram o acampamento num terreno adrede escolhido.

Armaram ali as suas tendas e começaram a viver da rapinagem.

Aos poucos outras foram apparecendo. Eram pretinhas de 14 ou 15 annos levadas pelas companheiras e que facilmente se acostumaram áquelle meio de vida.

Dormian em 'ninhos', sordidos molambos, e além do roubo se entregavam aos mais baixos vicios.

Obedeciam todas a uma chefe, e a sua autoridade era cegamente respeitada.

As menores eram encarregadas de furtos na cidade, praticados durante o dia, e as mais habeis de assaltos, perpretados durante a noite.

O produto do roubo era repartido por todos os membros da quadrilha, attendendo sempre o que era resolvido pela chefe.

PROSEGUEM AS DILIGENCIAS

A delegacia de Roubos, bem succedida na diligencia de hontem, proseguirá em suas investigações, afim de capturar o restante do bando.

As de maior idade serão devidamente, processadas e as outras entregues ao Juiz de Menores."

Fonte:  DIARIO NACIONAL (SP), 12 de Dezembro de 1929, pág. 01, col. 01-02

terça-feira, 2 de abril de 2019

Sobrenomes judaicos - Parte 18 - sobrenomes magrebinos e do Norte da África


Sobrenomes judeus magrebinos e do norte da África. Salientando, porém, que nem todos os sobrenomes são EXCLUSIVAMENTE judaicos. Neste caso específico, observa-se a grande influência da língua árabe.


Fonte adaptada para a língua portuguesa: http://www.terrepromise.fr/

101. Attoun, Atton - nome que vem do árabe âtâ que significa "quem dá". O sufixo ûn corresponde à forma aumentativa, por isso o significado é pessoa muito generosa.

102. Ayache, Aiach, Aiache, Ayachi, Ayiche, Benayache, Benayiche - nome derivado do termo árabe ayyaâsh que significa vivo, vívido, cheio de vida.

103. Ayoub, Ayoubi - nome árabe equivalente ao Jó bíblico (Ayyub em árabe, Iyyov hebraico).

104. Ayoun, Hayon, Hayoun, Hayoune - variante berbere do nome hebraico Chaim (do termo hayîm que significa vida). Também pode ser um superlativo do vocábulo árabe hayy que significa também vivo; por isso: vivaz, vivíssimo, cheio de vigor.

105. Azancot, Azencot - nome de origem berbere que significa gazela. Entretanto, a hipótese mais plausível é que seja um toponímico referente aos seguintes locais: Aqa Izekad, ksar de Sketana, Oued Draa, Marrocos; Izenkad Oules, tribo Ida Oultit, Marrocos.

106. Azar, Azaria, Azria, Azoura - do nome hebraico Azaria (=Deus ajudou), também um nome bíblico (cf. II Reis 21:23-24).

107. Azeroual - da palavra berbere ghzel que designa aquele que tem os olhos azuis.

108. Aziza, Haziza - nome que deriva do árabe 'aziz que significa honrado ou amado. Também pode fazer referência à tribo berbere Aziza em Taher, perto de Bougie, Argélia.

109. Azoulai, Azoulay - do nome berbere izil que significa bom. Também pode denominar um nome de origem em Tazoulait, região de Braber, Marrocos.

110. Azogui, Azoug, Azzoug - do vocábulo cabila aezzug que significa surdo.

111. Azuelos - toponímico referente ao município de Azuelo, província de Navarra, comunidade autônoma de Navarra, Espanha.

112. Azzagury, Zagouri, Zagury, Zagron - toponímico referente à cidade de Zagoura ou Zagora, no sul do Marrocos.

113. Baadache, Badach - nome que indica uma origem tribal relacionado a dois povos do norte da África: os Awlâd Badâs, na Tripolitânia, Líbia; os Bani 'Adâs, nômades da Argélia.

114. Bacri - nome de origem ítalo-árabe derivado do termo bekhor, significando literalmente o filho mais velho. Dependendo da raiz, também poderia significar criador de bovinos ou revendedor de gado.

115. Bahloul - nome árabe argelino que significa rir ou brincalhão. Provém do termo buhlûl com o mesmo sentido.

116. Barazani - nome de origem árabe, da raiz barzân que significa trompetista.

117. Barda, Bardaa, Berda, Berdah, Berdaa - nome árabe para designar o seleiro, fabricante de selas, ou genericamente quem usa burros ou mulas para transporte de mercadorias. Também pode ser um toponímico relacionado a Henchir el Berdaa, perto de Souk el Arba, Tunísia.

118. Barkats, Barkatz, Barkat - deriva do termo árabe baraka ou barakat que significa benção.

119. Baron - uma forma contraída judaica para Bar-Aaron, isto é, filho de Aarão.

120. Barouch, Barrouk, Baroukh, Baruk - do nome hebraico barukh que significa abençoado.

121. Bassan - duas interpretações possíveis. Um toponímico relacionado ao município de Bassan, departamento de Hérault, região do Languedoc, França, onde existiu uma importante comunidade judaica na Idade Média. Um nome relacionado ao termo árabe bassan que significa sorrir.

122. Bchiri, Bsiri - nome construído sobre a palavra árabe bashâra, que significa boas notícias; portador de boas notícias.

123. Bedoucha, Bedossa, Bedoussa - nome árabe composto formado de (homem) e dûssa (pacote de mercadorias, feno, qualquer mercadoria embalada de forma compacta para facilitar o seu manuseio e transporte). Por isso e provavelmente um mercador de feno, algodão ou de mercadorias agrícolas.

124. Beïda - do árabe byâd que significa branco.

125. Belahcen, Bellahsen, Belhassen - duas interpretações possíveis. A primeira seria uma aglutinação do termo árabe norte-africano bel que significa filho e hacen que significa barbeiro, por isso, filho do barbeiro. Entretanto, hacen também pode ser um superlativo de hassan (o melhor), por isso, pessoa muito boa, pessoa excelsa, pessoa que se notabiliza por suas qualidades. Hassan pode corresponder tanto um a metanímico quanto a um patronímico.

126. Belilcha, Bellicha, Benlicha, Licha, Liscia - formas patronímicas associadas ao nome hebraico Elisha (Elias em português).

127. Belladina - do termo italiano belladona (bela dama). Pode ser entendido como uma indicação literal, bem como corresponder a planta homônima e, por isso, um boticário ou herbologista.

128. Belaham, Bellahem, Belahem, Bellahmy, Bellami - nome composto do sufixo bel (filho) com a palavra hebraica laham (pão). Por isso, entende-se que seja uma forma de designar o ofício de padeiro ou tão somente filho do padeiro.

129. Bellity - da junção dos termos bel (filho) e 'aty (aquele que dá), por isso, generoso ou tão somente filho do generoso.

130. Benadiba - nome de origem árabe composto dos termos ben(filho) e adiba (educado, letrado, alfabetizado). Pode significar uma pessoa letrada, dentro do contexto histórico alguém capaz de ler e escrever em hebraico ou árabe. Pode também tão somente significar filho de uma pessoa letrada.

131. Benahem, Benahim, Benaim, Benayim, Benhaim, Bennaim - nome de dupla interpretação. O sufixo ben (filho) pode estar associado ao nome próprio hebraico Haim ou Chaim (do termo hayim = vida, vivaz), ou ao nome próprio árabe Nahim (bonito, agradável). Nos dois casos, trata-se de um patronímico.

132. Benamara - toponímico referente à cidade de Amara, às margens do rio Tigre, Iraque.

133. Benamosi, Benamouzi, Benamozeg, Benamozegh - patronímico resultado da união do termo ben (filho) e do nome próprio berbere Amouzig ou Amouzeg (significa úbere animal e por extensão generoso, generosidade).

134. Benamou, Benaimou, Benhamou - da união dos termos árabes ben (filho) e 'âmu (sogro), por isso: filho do sogro ou, de modo figurado, cunhado. Também pode ser um patronímico relacionado ao hipocorístico Hamou (do nome hebraico Chaim ou Haim). Por último, pode ser um toponímico relacionado a Aït Hamou, Oued Draa, Dades, Marrocos.

135. Benarola - nome formado a partir dos termos árabes ben (filho) e 'arola (visão). Nome com simbolismo religioso.

136. Benassafaj, Benassefaj, Benassfadj, Sfadj, Sfej, Sfez, Sefaj - nome berbere derivado da palavra saffâj que corresponde a um tipo de biscoito ou pão seco típico do Magreb. Por isso, designa um vendedor deste tipo de produto. Também pode ser um toponímico relacionado à aldeia de Jebel Nefoussa, Líbia.

137. Benayoun, Benhayoun - nome composto do prefixo árabe ben (filho) e do nome próprio Hayoun ou Ayoun - ambos são formas berberes do nome hebraico Chaim ou Haim (vida, vivaz). Hayoun também pode ser um superlativo do árabe hayy (vivo).

138. Benchamoune - nome composto árabe, unindo ben (filho) e Chamoun (nome próprio que significa divertido, brincalhão, alegre). Também pode ser um patronímico de Samîn que significa grande.

139. Benchaya, Chaya - patronímico do nome hebraico Isha'yah (Isaías em português).

140. Benchemoul, Chemoul - patronímico do nome hebraico arabizado Shamu-el (Samuel em português).

141. Benchemoun, Benkemoun, Chemoun, Chemouni, Chemouny, Kemoun - patronímico do nome hebraico arabizado Chemoun (Shimon em hebraico, Simão em português).

142.  Benchimol - o prefixo ben significa filho. Já o termo hebraico ha-shem quer dizer "o nome" - forma metafórica para se referir ao nome inefável de Deus na teologia hebraica. Portanto, um sobrenome com sentido religioso.

143. Bendadoun, Bendoudoun, Bendoudoun, Dadoun, Doudoun - pode ser um patronímico vinculado ao nome próprio Dâwd (forma arabizada do hebraico David). Também pode ser um toponímico relacionado a Oulad Doudoun des Ida Ou Blal, Marrocos.

144. Bendaoud - patronímico do nome hebraico arabizado Dâwd (Davi em português).

145. Bendavid - patronímico do nome hebraico David.

146. Bendayan - nome de origem hebraica, da aglutinação dos termos ben (filho) e dayyan (juiz).

147. Bendrao, Bendraou - nome de origem árabe, proveniente do termo drâ (forte) mais o prefixo ben (filho). Significado: quem recebe tudo pela sua força, personalidade forte, pessoa que conquista objetivos.

148. Bendrihen, Bendrihem -  nome composto pelo termos árabe ben (filho) e drihem (moeda, dinheiro). O sobrenome tipicamente marroquino serve para designar o cobrador de impostos.

149. Benfredj, Benfresch, Farache, Farachi, Harache, Frech, Fredj - do termo árabe farachar, que corresponde ao ato de transformar o linho-cânhamo de sua forma bruta em linhas suscetíveis de serem usadas em tecelagem. Por isso, um profissional encarregado deste tipo de ofício. Também pode ser um toponímico relacionado a Farache, província de Múrcia, Espanha.

150. Bengio, Bendjo, Benjio, Benjo, Bengo, Bonjua - nome proveniente do catalão benjuí (benjoim), podendo designar um perfumista ou um fabricante de incensos. Também pode ser um toponímico relacionado à cidade de Jaú, província de Granada, ou ainda Jou, província de Lleida, ambos os locais na Espanha.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Sobrenomes judaicos - Parte 17 - sobrenomes magrebinos e do Norte da África


Sobrenomes judeus magrebinos e do norte da África. Salientando, porém, que nem todos os sobrenomes são EXCLUSIVAMENTE judaicos. Neste caso específico, observa-se a grande influência da língua árabe.


Fonte adaptada para a língua portuguesa: http://www.terrepromise.fr/

51. Alghrabi, Elgrabli - nome de origem árabe, da união do artigo al (o) e do substantivo ghrabli (peneira). 

52. Alia - provém do árabe aliya que significa sublime, de espírito elevado, ilustre, nobre.

53. Allal, Allali - pode estar associado ao termo hebraico hillel que significa louvor. Outra possibilidade é que seja um toponímico referente a Ouled Allal, Argélia. Também pode derivar do árabe allâl que significa tanto o cantor cerimonial de casamentos ou alguém caloroso, cativante.

54. Allouche, Allouch - palavra dialética árabe de origem moabita (região de M'zab no sul da Argélia). Alush significa cordeiro.

55. Alloul, Aloul - nome de origem árabe derivado do vocábulo alûl que significa rico, próspero.

56. Almaalam, Elmaalam, Maalam - nome de origem árabe derivado do vocábulo ma'alem que significa o chefe.

57. Almosnino, Elmosnino, Elmoznino, Mosnino, Ouchnino, Elmouchninou - nome de origem espanhola que significa aquele que dá esmola, da palavra limosnero. Também pode estar relacionado ao termo árabe minshninu que pode ser interpretado como falante, orador. Uma família de rabinos Almosnino viveu em Salônica no século XVI.

58. Alphan, Auphan - sobrenome de origem mediterrânea e judaico-árabe derivado da palavra berbere alfan que significa branco, alvo.

59. Alfandary, Alphandery - nome de origem árabe, da palavra alfandari, que designa o coletor de taxas de uma praça comercial.

60. Amamou, Mamou - refere-se à tribo berbere de Mamou, nômades da região de Oujda, leste do Marrocos.

61. Amar, Amor - nome de origem árabe relacionado ao termo amâr que significa perseverante, fiel, ou ainda construtor, agricultor. Também pode significar antigo, velho em árabe.

62. Amghar - nome de origem berbere que designa o mais antigo, o mais velho. Este nome é ainda dado hodiernamente aos chefes tribais entre os tuaregues.

63. Amiel - nome de origem hebraica, da locução am-el, que significa pessoa de Deus.

64. Amlal, Mlili, Melloul - origem diversa. Pode estar vinculado ao termo berbere melûl que significa branco. Ou ainda, um toponímico relacionado a três lugares no Marrocos: Igherm Meloul, Oued Draa Dades, Ait Meloul ou Oued Ait Tameldou.

65. Amouyal - natural de Moya, província de Cuenca, comunidade autônoma de Castilla-La Mancha, Espanha.

66. Amozegh - nome proveniente da palavra berbere amazigh que significa homem livre, um nobre.

67. Amram, Benamram - nome de origem hebraica - amram - que significa muitas pessoas. Também um personagem bíblico descrito em Êxodo 6:20.

68. Amsallag, Amzalag, Amzallag, Amzaleg - nome de origem berbere da palavra azlag que designa colar ou corda. O prefixo am significa fabricante. Pode designar um joalheiro, fabricante de rendas (tecidos) ou cordoeiro.

69. Amsallem, Amsalam, Amsalem - nome construído a partir da raiz árabe slm (paz), precedido pela palavra hebraica 'am (pessoas). Por isso: pessoa de paz, pessoas de paz, pacífico.

70. Ancry, Ankri, Lancri, Lancry - denominação para quem é natural de Láncara, província de Lugo, comunidade autônoma da Galícia, Espanha.

71. Anidjar, Najar, Nedjar, Nejar, Nijar - da palavra árabe najjar que significa marceneiro ou carpinteiro.

72. Annabi - toponímico referente à Annaba ('Anâba), no leste da Argélia.

73. Anqawa, Encaoua - nome de origem árabe - da palavra 'kawa - que significa limpeza, ato de limpar.

74. Anoun, Announ, Hannoun, Hanouna - nome proveniente do árabe hani que significa terno, amoroso, compassivo.

75. Aouchiche - nome de origem berbere que significa bravo ou agradável.

76. Aoudi, Aoudaï - tripla interpretação. Pode ser um nome formado a partir do termo árabe awd, que significa substituto - normalmente um nome dado a uma criança nascida após a morte de seu irmão ou irmã. Outra possibilidade é que seja um nome construído a partir de 'awd que significa cana, porrete, alaúde ou temperamento. Já no Marrocos e na Argélia, o nome significa cavalo, designando um criador de cavalos (ou comerciante), ou mesmo uma denominação figurada para a força de alguém.

77. Arbib, Arbibe - nome proveniente do árabe rabîb que significa filho de pai ou mãe que enviuvaram e casaram novamente.

78. Arich - nome de origem berbere que significa grande sela, designando portanto um seleiro ou um artesão em couro. Também pode ser um toponímico relacionado a Rich, cidade perto de Meknes, Marrocos. Finalmente, não se descarta que se vincule ao vocábulo 'arish que é um diminutivo de 'arsh (tribo), por isso: pequena tribo.

79. Arki -  nome proveniente do árabe harkî que designa manobra ou homem de dor. Possível interpretação refere-se a um aspecto comportamental.

80. Arnavi - nome de origem árabe, proveniente do termo arneb, que significa coelho.

81. Aroche, Harroche, Benaroche, Benarroche - duas possíveis origens. Pode sr derivado da palavra árabe 'aroch que significa amargo; ou do vocábulo hebraico rôsh que significa cabeça no sentido de chefe.

82. Aron, Arron, Arroun, Harone - patronímico do nome bíblico Aaron (Aharon em hebraico, Harun em árabe, Aarão em português), o irmão de Moisés, sacerdote hebreu.

83. Arous, Benarous - nome proveniente do árabe arûs que significa recém-casado ou noivo.

84. Arrouas, Rouas, Rouach - nome proveniente do árabe ruwwâs que pode significar tanto um comerciante de ovinos quanto um mercador ou cozinheiro de carne de ovelha.

85. Arroyo - toponímico relacionado a Arroyo - nome de lugar que se repete seis vezes na Espanha.

86. Ashkenazi, Askenazi, Askinazi, Eskenazi, Eskenazy, Secnaji, Secnasi, Secnazi - de Asquenaz, nome bíblico, filho de Gomer (Gênesis 10:3), considerado o antepassado direto dos judeus da Europa Central e Oriental.

87. Assabag, Sabbagh, Sebag, Sebba, Sebbagh - nome de origem árabe (sabbagh) que significa tintureiro.

88. Assabti, Sebti, Essebti - de Sabta - nome árabe da cidade de Ceuta, no estreito de Gibraltar. Um toponímico.

89. Assal, Assol - nome que provém do árabe assel que significa mel. Designa o apicultor ou vendedor de mel.

90. Assan, Hassan, Azan - derivado do hebraico hazan (cantor) ou tesoureiro da comunidade. Também pode ser um patronímico do nome árabe Hassan.

91. Assaraf, Azeraf, Benassaraf, Benazeraf - nome derivado do árabe sârf que significa dinheiro. Designa um banqueiro ou cambista.

92. Assayag, Essayag, Sayag, Benassayag - nome de origem árabe, do termo sayyâgh que significa joalheiro, ourives. 

93. Assoued, Assued, Souied, Soued, Sued, Suid - nome de origem árabe derivado do substantivo suad que significa preto. Pode ser uma referência à cor do cabelo ou à da pele. Entretanto, entre os povos árabes, o nome é dado a uma criança com a crença para afastar o mau-olhado.

94. Assouline - toponímico referente a Aït Tizgui N'Opasouline, na região da tribo de Glaoua, na cordilheira do Atlas, Marrocos.

95. Assoun, Hassoun, Hassoune - nome de origem árabe que significa pintassilgo (hassun) ou muito bonito, muito bom (variante de hassan). 

96. Assous - nativo de Sous (Sûs), cidade no sul do Marrocos.

97. Atias, Attia, Attias - nome originário do árabe 'tiya que significa presente, doação, dom.

98. Atlan, Attelan, Atlani - vem do árabe 'atlân que significa nascimento nobre, de nascimento nobre.

99. Attal, Attali, Attala - nome árabe que se origina do vocábulo 'atal que significa porteiro, vigia, sentinela.

100. Attar, Benattar - do árabe attar que significa perfume ou especiaria. Designa o comerciante de perfumes e especiarias, ou mesmo um boticário ou herbologista.


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