sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Carnaval de 1954



São dois trechos extraídos de jornais que separei e percebi o alcance do fato. O Carnaval leonense de 1954 possui uma importância ímpar: foi o primeiro que teve à disposição iluminação pública permanente até a madrugada. Nota-se que havia uma participação muito ativa da comunidade na organização da festa, igualmente. Abaixo a reportagem do "Diário Popular" de 13 de fevereiro de 1954:
Carnaval no Capão do Leão
No amplo salão do sr. Manoel Selmo, na Vila do Capão do Leão, será realizado, hoje, à noite, grande festa carnavalesca, em homenagem ao Fluminense F.C., das Pedreiras do Estado. As danças serão ritmadas pelo "Jazz Royal", não sendo permitido o uso de máscaras, podendo os rapazes tomarem parte com camisetas esportes. De Pelotas haverá ônibus, às 21 horas, saindo do Abrigo Municipal, fila do Capão do Leão.
Este seria o "baile oficial" da vila. Mais adiante, observar-se-á as comemorações ao ar livre na terça-feira de Carnaval (Diário Popular, 18 de fevereiro de 1954):
Carnaval no Capão do Leão
Também promete revestir-se de muita alegria o carnaval na populosa Vila do Capão do Leão, sempre entusiamada com os festejos do Momo. Para isso, a Comissão Carnavalesca daquela localidade pretende ornamentar a Praça João Gomes, por onde desfilarão os blocos e cordões burlescos, os quais participarão de um concurso, conforme tem acontecido anualmente.
A propósito recebemos o seguinte ofício da Comissão de Carnaval do Capão do Leão: " Capão do Leão, 15 de fevereiro de 1954. Ilmo. Sr. Redator do 'Diário Popular', Pelotas. Presado Senhor. - Temos o prazer de levar ao conhecimento de de V.S. de que esta sociedade consoante ao que vem realizando nos anos anteriores organizou a seguinte programação para este período carnavalesco."
1) - Ornamentação da Praça João Gomes, nos dias de carnaval.
2) - Realização do concurso entre os blocos e conjuntos locais, com prêmios aos primeiros colocados.
Neste ano o carnaval do Capão do Leão promete um movimento e animação inusitada, contribuindo em muito para isso a iluminação provisoria que já será feita pelos motores da Prefeitura Municipal.
Os blocos que saíram á rua no ano passado, inclusive o "Urso da Bica Municipal", vencedor do concurso de 1953, vêm se reunindo regularmente, tendo sido realizados diversos bailes como fonte de recursos para maior brilhantismo do carnaval leonense.
O vencedor do concurso, além de fina taça, terá conduções á disposição para participar do desfile promovido pela Comissão de Carnaval.
Sem outro motivo de momento aproveitamos o grato ensêjo para reiterar a V.S. os protestos de elevada estima e distinta consideração, com que nos subscrevemos, atenciosamente - Maximo Aquini Begeres, presidente.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Lugares III


Ponte (antiga) sobre o Arroio Fragata
Divisa entre os municípios de Capão do Leão e Pelotas
Foto da época da construção da rodovia que vai à Bagé

Pedra da Bandeira: destruída por quê?

Segundo informações do Sr. José Alaor Azambuja, houveram vários interesses para que a Pedra da Bandeira fosse implodida, o que aconteceu em 1972.
Um símbolo leonense que se perdeu para sempre, era uma referência de Capão do Leão. Disse-nos que assim o era, pois como a Vila tinha uma larga fama na produção e comercialização de frutas, as pessoas de fora tinham interesse em comprar aqui estes produtos. Quem embarcava no trem em Bagé, por exemplo, ouvia falar sobre as frutas de Capão do Leão. Como as pessoas não sabiam identificar o lugar pelo nome, pediam alguma indicação. Normalmente, a informação dada era esta: "Olha, quando estiveres te aproximando de Pelotas, verás uma grande pedra em cima de um morro, parece que foi colocada com a mão; ali é Capão do Leão." As pessoas ao olharem aquele colossal monumento geológico, sabiam onde estavam e sabiam que ali poderiam comprar frutas de qualidade na estação.
Pois bem, o que de fato ocorreu para que a Pedra da Bandeira fosse destruída?
Na época, final dos anos 60 e início dos anos 70, a Pedreira de Capão do Leão teve uma recuperação econômica substancial. O número de empregados cresceu, vieram máquinas modernas (para a época!) e a atividade mineradora tornou-se intensa. Isso não ocorrera por acaso. Estava em construção àquela época, o Conjunto Habitacional da Tablada, em Pelotas. Necessitou-se de muita granito para a construção de casas e pavimentação. O prefeito pelotense Ary Alcântara tinha interesse que a obra fosse concluída logo, pois ela iria ser inaugurada durante a visita do presidente da República, Ernesto Geisel. Para que não tivesse maiores problemas e pudesse estar com a Tablada pronta a tempo, intensificou-se a exploração de pedras em Capão do Leão. Isto foi feito de modo meio predatório, sem muito planejamento. A estrutura geológica que sustentava a Pedra da Bandeira foi abalada pelas constantes explosões, daí surgindo o risco que uma grande detonação pudesse fazer com que ela rolasse morro abaixo, atingindo a vila. Outro fator que imperou para que a Pedra da Bandeira fosse implodida era o seu tamanho. Era uma enorme fonte de granito, o que, na ocaião, importava muito economicamente.
Mesmo com os protestos da Vila do Capão do Leão pela não-destruição da pedra, com atuação destacada do vereador Elberto Madruga e da Comissão de Ginasianos da Escola Castelo Branco, o resultado final foi a sua perda irreparável.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Histórias Horripilantes I


No tempo em que não haviam cercas que separavam as estâncias, diz-se, que no interior do município havia um peão que era trabalhador de uma delas.
Criado a campo, o dito peão era um dos homens de confiança do patrão, álias, grande pecuarista da região. Estava prestes, este peão, a tornar-se capataz da estância, pois o antigo estava muito velho e sofria com um câncer na garganta, agonizando na cama da bolanta. Entretanto, o peão Juvêncio (vamos chamá-lo assim!) era conhecido tanto por sua competência quanto por sua crueldade para com os animais. Era violento com cavalos, bois, galinhas, cães, o que viesse pela frente. Esse lado negativo seu nutria histórias que contavam que ele era capaz de torcer o pescoço de galinhas com uma mão só e quebrar os cascos das tartarugas-tigres com pedras enormes, só por prazer sádico. Embora o patrão soubesse disso, advertia-o com timidez, pois sabia que ele, para o serviço, era homem de confiança.
Foi então, uma vez, que o patrão comprou seis vacas de um outro estancieiro lindeiro da fazenda. Pediu ao Juvêncio para buscá-las, o que o peão prontamente atendeu. Juvêncio não achou necessário montar o flete, pois como a distância não era muita, poderia ir a pé. Era um dia quente de verão, o tempo "armado" para chuva. Juvêncio saiu por volta das cinco da tarde e já pegou certo pingo grosso no caminho, atravessando um arroio não muito largo, mas que costumeiramente inundava. Chegou na estância do outro estancieiro e disse que iria pegar as vacas. Os gaudérios que ali estavam aconselharam Juvêncio a ficar, pois a tormenta se avizinhava e, pelo caminho de volta, ele teria que passar pelo passo do arroio, que poderia estar cheio e não dar possibilidade de translado. Juvêncio respondeu que não, que não era do seu feitio descumprir ordem do patrão e que iria levar as vacas, pois esperava chegar antes que escurecesse na estância. Os gaudérios não fizeram muita questão de contrariá-lo e ele se foi, tocando as vacas. Entretanto, é aí que começa a parte trágica da história.
No meio do caminho, antes de cruzar o arroio, a chuva veio tipo tempestade de verão. Os animais começaram a empacar buscando abrigo numa tapera velha que estava por perto. O Juvêncio louco com aquilo, cobria as pobres vacas com relhaço e mais relhaço, buscando fazer com que seguissem caminho. O Juvêncio batia com toda a força, machucava, torturava. A muito custo chegaram o Juvêncio e as vacas à beira do arroio. Só que agora o arroio mais parecia um rio bravio do que um simples riachinho. A correnteza era forte, pois ainda chovia muito. Os animais não quiseram cruzar o arroio - instinto natural. O Juvêncio bateu mais ainda nas vacas e diz-se que, no seu esforço quase esquizofrênico, entrou numa mistura de raiva e desespero. De tanto bater com um relho (que tinha pequenas esferas metálicas afiadas na ponta, extremamente cortantes) nos animais fez os bichos sangrarem. (A lenda conta ainda que ele teria "pelado" as vacas de tanto bater). O fato é que os animais foram definhando, a noite adentrou, e o Juvêncio na sanha louca de cruzar o arroio a qualquer preço. Chuva, chuva e chuva. Quando o Juvêncio já estava por cansar de tanto bater, um dos animais, com o rosto colorido de sangue, num instinto de defesa, avançou sobre Juvêncio e deu-lhe uma chifrada certeira nas costelas, que abriu-lhe tremenda ferida. Juvêncio caiu no chão e bateu a cabeça, ficando desacordado. Horas depois, já não estaria neste mundo.
No outro dia, o patrão de Juvêncio acordou com o dia já firme. Não procurou Juvêncio. Deduziu que com a chuvarada, ele teria ficado na outra estância. Foi fazer seu serviço e esperou até o meio-dia para falar com Juvêncio. Só que Juvêncio não apareceu. O patrão já praguejou e foi ver o que tinha acontecido. Chegando à estância do homem que tinha lhe vendido as vacas, perguntou pelo peão desaparecido. Lá disseram-lhe que Juvêncio tinha arriscado e saído com o temporal. O patrão não pensou o pior e achou que Juvêncio pudesse ter se abrigado no caminho. Só que caiu a tarde e Juvêncio não veio. No outro dia, o patrão fez a busca pelo desaparecido com mais alguns peões e encontrou um corpo a alguns metros do arroio. Era Juvêncio, estirado no caminho, escondido pelo mato. Tinha morrido de febre em razão do ferimento. As vacas foram encontradas logo adiante, também mortas, duas ainda agonizando. Estavam feridas, algumas com membros quebrados.
Diz-se que Juvêncio não teve descanso por suas maldades contra os animais. Próximo ao arroio Itaita, nas noites de chuva, dizem alguns que, nas coxilhas, avista-se uma figura tocando seis vacas não se sabe para onde. Há uma espécie de fosforescência em torno daquele conjunto e se alguém chega perto o homem e as vacas somem diante dos próprios olhos. Os mais velhos são taxativos: triste fado de alguém que, quando em vida, não teve compaixão nenhuma pelas criaturas da estância.

domingo, 20 de agosto de 2006

Loteamento Zona Sul

Surgiu por volta de 1975, por iniciativa do Sr. Oriente Brasil Caldeira. Segundo dados da Revista Zona Sul, número 1, de maio de 1989, o Sr. Oriente loteou uma área às margens da BR-116 em 300 espaços territoriais. Ao que tudo indica a área anteriormente era dedicada ao cultivo de arroz. É também de iniciativa do Sr. Oriente o loteamento de terrenos na avenida Eliseu Maciel, nos fundos do Motel Vila Rica e na rua José Maciel, no Jardim América.
A escola situada na área do Loteamento Zona Sul, fundada em 24 de maio de 1984, recebe o nome de sua mãe: Laura Alves Caldeira.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Assentamento da Palma

Trecho extraído da revista acadêmica História em Revista, do Núcleo de Documentação Histórica da Universidade Federal de Pelotas, número 02, ano 1996. Fornece algumas informações sobre o assentamento agrícola da Palma. Os autores: Beatriz Ana Loner, Lorena Almeida Gill, Paulo Mattos, César Reis Gomes e Rodrigo Dias. O artigo é o seguinte:
O Assentamento da Palma:
a individualização do coletivo
"Esse artigo é resultado de um projeto de pesquisa desenvolvido durante 1993 e 1994, junto aos colonos assentados na Fazenda da Palma, propriedade da UFPel, no município de Capão do Leão, RS." (pág. 65)
"Normalmente, as ocupações são realizadas em terras de particulares consideradas improdutivas pelo movimento. Entretanto, para o final da década de 80, começam a invadir também terras da União, numa tentativa de pressionar mais diretamente a Administração Federal e cobrar soluções para o problema da Reforma Agrária. É dentro desta perspectiva que se colocam as duas invasões sofridas pelo Centro Agropecuário da Palma (Fazenda da Palma), estação agro-experimental pertencente a Universidade Federal de Pelotas e situada no Município de Capão do Leão, utilizada para fins de ensino e pesquisa da UFPel.
A primeira invasão ocorreu em 23 de novembro de 1987, quando grupos de colonos, vindos da Fazenda Anonni, instalam-se no local. O significado político da invasão era evidente: dar uma resposta à UDR, que sempre reclamava pelo fato dos colonos só invadirem propriedades particulares; pressionar o governo federal, para que este agilizasse a solução para os problemas da terra, além de tentar formas de colaboração entre colonos e instituições ligadas ao poder federal, daí o motivo da invasão de uma Fazenda Experimental. A proposta dos colonos era serem assentados, em parte das áreas da fazenda e desenvolverem um projeto agrícola conjunto com professores e pesquisadores da UFPel. Entretanto, apesar do apoio de vários setores, dentro e fora da universidade, os colonos tiveram que lutar contra a posição da Reitoria e do Governo, contrários ao assentamento, além de fortes correntes na cidade de Pelotas e regiões vizinhas que viam no acampamento o perigo de transferir-se para a Zona Sul as conturbações ocorridas em outras regiões do Estado pela atuação do MST. Derrotados nos Conselhos Superiores da UFPel, os colonos perderam a possibilidade do assentamento, tendo que se retirar do local em maio de 1988.
A segunda invasão deu-se em 12 de março de 1993, por um grupo de famílias vindas de acampamento na Fazenda Santa Marta, em Bagé. Fazia parte de uma estratégia responsável pela invasão, no mesmo dia de outras duas áreas de terra no Estado. Tal ação justificava-se no fato de que naquele dia, o presidente da República estaria no Estado abrindo a colheita do arroz e assim, estes acontecimentos teriam ampla repercussão nacional, fazendo parte da estratégia de pressão sobre a União para que esta efetivasse suas promessas de redistribuição de terras. Esta segunda invasão novamente dividiu opiniões na universidade e na região. Entretanto, desta vez contou com uma conjuntura mais propícia internamente, devido a Reitoria, sob a direção do Dr. Amilcar Gigante, ter assumido uma posição favorável à projetos conjuntos com colonos sem terra. Também a direção do INCRA se posicionou favoravelmente ao projeto de assentamento apresentado pelos colonos com a colaboração de setores ligados à universidade. Desta forma, o projeto foi aprovado pelos órgãos superiores da UFPel, ficando destinado uma área de quase 500 hectares da Fazenda para sua implantação, onde os colonos, distribuídos em 26 famílias (perto de 90 pessoas) devem desenvolver trabalhos de agricultura e pecuária, sob assessoria de técnicos e professores ligados à instituição, com a colaboração do INCRA e outros órgãos do governo quanto ao financiamento. A propriedade da terra continua sendo da universidade, tendo os colonos direito a sua utilização em regime de comodato durante 15 anos." (pág.68-70)
"Logo que começamos as entrevistas na Palma, uma das questões que nos chamava a atenção foi justamente a expectativa que tinham os assentados no processo de coletivização não só vinculado a esfera da produção, quanto da reprodução. Pensava-se em uma vida praticamente conjunta, como se o assentamento pudesse se constituir em um 'embrião' daquela sociedade igualitária, justa e fraterna, que a esquerda preconizava." (pág. 72)
"Em entrevistas iniciais, sentimos que esta mentalidade impregnava de tal forma as idéias dos colonos que, por exemplo, alguns entrevistados afirmaram que até as galinhas que criavam como sua propriedade individual, junto às casas, seriam colocadas no galinheiro coletivo, tão logo este estivesse pronto. Entretanto, hoje em dia, com o galinheiro já pronto e o criadouro de porcos também em funcionamento, continuamos a ver muitas destas pequenas criações no acampamento que persistem como propriedade individual." (pág. 73)
"O assentamento tem uma estrutura deliberativa formada por todos os colonos, com decisões tiradas em assembléia. Nestas, tem direito à voto os maiores de 16 anos. Além disso, tem uma direção, eleita por um ano, com direito à reeleição." (pág. 76)
"Contudo, aquela grande expectativa inicial do trabalho conjunto, levou-os apresentar, nos primeiros tempos, uma atitude de certa passividade, de paciente espera frente a resolução de alguns problemas. O exemplo da habitação é o mais ilustrativo, na medida em que passaram-se 2 anos até que resolvessem eles próprios construir as casas, mas aí ainda podemos acreditar que confiavam na palavra de autoridades que garantiram o financiamento do projeto. Mas que dizer de problemas menores, como a questão da assistência médica no acampamento? Algumas mulheres engravidaram enquanto esperavam que os anticoncepcionais fossem trazidos ao acampamento, mas poderiam tê-los conseguidos em postos médicos da região." (pág. 81)

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Associação dos Trabalhadores do 4o. Distrito


Situado na avenida Narciso Silva, o prédio abriga atualmente três secretarias municipais: Finanças, Administração e Obras, Urbanismo e Meio Ambiente. Entretanto, antes da emancipação (1982), era sede social da Associação dos Trabalhadores do 4o. Distrito de Pelotas, o Capão do Leão. Não pude precisar quando foi construído, mas a Associação dos Trabalhadores data de 05 de novembro de 1956. Seu último registro aparece em 1984, quando se chamava apenas Associação dos Trabalhadores de Capão do Leão.
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