terça-feira, 16 de março de 2021

Moradores de Pelotas em 1896

 



Distante de ser um recenseamento completo dos moradores de Pelotas no período, nosso esforço foi o de, através de consulta aos jornais da época disponíveis na web, listar o quanto fosse possível de nomes relacionados à cidade, bem como inserindo as informações adjuntas que encontramos. Todavia, na maior parte dos casos, encontramos somente os nomes. De forma geral, quando usamos a denominação "morador" queremos dizer literalmente isso: apenas constatamos que o indivíduo citado viveu em Pelotas, mas não encontramos mais dados sobre sua ocupação, nacionalidade ou outros. A propósito, quando listamos "Fulano de Tal & Fulana de Tal", justamente com o uso do "&" queremos dizer que os indivíduos são casados. Esperamos contribuir de alguma forma para pesquisas genealógicas e historiográficas, mesmo que de modo muito modesto. Obs.: respeitamos a grafia encontrada na época.

 

Periódicos consultados para este período: Farrapo: Jornal Democrata (Quaraí/RS); Cidade do Rio Grande: orgam do Partido Republicano (Rio Grande/RS); Jornal do Commercio (Rio de Janeiro/RJ); O Paiz (Rio de Janeiro/RJ); Gazeta da Tarde (Rio de Janeiro/RJ);

 

1896

 

Abrelino Moncorvo, jornalista.

 

Abrelino Pinto Bandeira, aluno da Escola Militar do Rio Grande do Sul.

 

Adalberto Lupi, morador.

 

Affonso Nunes, anistiado político.

 

Alberto Peixoto, barbeiro estabelecido à Rua XV de Novembro, na quadra entre Sete de Setembro e General Netto.

 

Alberto Roberto Rosa, proprietário; tenente-coronel, comandante da Guarda Nacional.

 

Alfredo Araujo, proprietário.

 

Alfredo Moutinho, comerciante, representante da Praça de Comércio.

 

Agostinho Bento Nobre, marchante.

 

Americo Corrêa de Souza & Georgina Silveira Gomes, moradores.

 

Anacleto da Costa Barcellos, morador.

 

Antero Victorino Leivas, candidato eleito ao cargo de intendente municipal.

 

Antonio de Araujo Corrêa, empregado de casa comercial Granja & Irmão.

 

Antonio dos Santos Castro, comerciante.

 

Antonio dos Santos Fagundes, major, ajudante de ordens da Guarda Nacional.

 

Antonio Leivas Leite, farmacêutico.

 

Antonio Lopes Rios, capitalista.

 

Antonio Pereira da Conceição, contador da agência local do Banco da Província.

 

Antonio R. da Silva Porto & Maria Luiza Souza, moradores; ela, filha de Antonio Matia de Souza, brigadeiro em Jaguarão.

 

Arthur Hammeister, redator do jornal A Opinião Pública.

 

Augusto Amoretty, proprietário de uma oficina fotográfica.

 

Augusto Cassiano do Nascimento, deputado.

 

Augusto Nogueira, corretor de tropas na Tablada.

 

Augusto Xavier Nogueira, fabricante de couros.

 

Augusto S. da Silva, médico.

 

Ataliba Borges Ribeiro da Costa, charqueador.

 

Barão de Correntes, proprietário.

 

Barão de São Luís, proprietário.

 

Bartholomeu Costa, morador.

 

Bernardino Alegre, criminoso.

 

Bruno Chaves, proprietário.

 

Candido Rosalino Cabral, uruguaio, morador na Guabiroba.

 

Carlos Echenique, Guilherme Echenique, sócios-proprietários da Livraria Americana.

 

Carlos Ritter, proprietário da Cervejaria Ritter.

 

Cesar Dias, diretor do Correio Mercantil.

 

Cypriano Barcellos, candidato eleito ao cargo de vice-intendente municipal.

 

David Kraft, comerciante.

 

Delfino de Miranda Vianna, carteiro privativo da agência de Correios.

 

Domenico Stanisci, fabricante de tijoletas mosaicos.

 

Domingas Delabory, proprietária.

 

Domingos da Silva Pinto, farmacêutico; fabricante do Peitoral de Angico.

 

Domingos Guilherme da Costa, candidato eleito ao conselho municipal.

 

Duarte Calmon de Araujo Góes, alferes graduado.

 

E.J. Lefebvre, gerente da agência local do London Bank.

 

Eduardo Cavalcante, maestro da orquestra do 28º. Batalhão de Infantaria.

 

Eduardo Chapon, litógrafo.

 

Emilio Leão, engenheiro.

 

Ernesto Gentillini & Mariana Berbieri, moradores.

 

Exuperio Gonçalves de Mello, 23 anos, alferes do 16º. Batalhão de Infantaria, natural da Bahia.

 

Faustino Trapaga, comerciante.

 

Feliciano Xavier, comerciante.

 

Felippe David, árabe, mascate e vendedor ambulante.

 

Felix Teixeira Machado & Maria Paulicia Barbosa, amásios, moradores.

 

Fernando Osório, deputado; proprietário.

 

Francisco de Paula Leivas, proprietário.

 

Francisco de Paula Pires, morador.

 

Francisco Maciel, conselheiro municipal.

 

Francisco Moreira, candidato eleito ao conselho municipal.

 

Francisco Ribas Filho, negociante.

 

Francisco Xavier Gonçalves, empregado da Southern Brazilian Railway.

 

Frederico Bastos, juiz da comarca de Pelotas.

 

Gaspar Gutierrez, espanhol, morador.

 

Gervasio Alves Pereira, intendente municipal.

 

Guilherme Sauter, morador.

 

Gustavo Kraemer, morador.

 

Heleodoro de Moraes, morador.

 

Henrique Chaves, vice-intendente municipal.

 

Henrique Maurell, advogado.

 

Ignacio Teixeira Machado, morador.

 

Ismael Maia, candidato eleito ao conselho municipal.

 

Ismael Simões Lopes, deputado estadual.

 

Ivo Leite de Salles, alferes de Cavalaria.

 

Jacintho Vieira da Cunha, membro do Partido Federalista.

 

Jeronymo Ribas, preso de guerra.

 

Joanna Ferreira Cardoso, moradora.

 

João Affonso de Freitas Amorim, capitalista, comendador.

 

João Antonio Pinheiro, candidato eleito ao conselho municipal.

 

João Cesar Sampaio, coronel, comandante do 29º. Batalhão de Infantaria.

 

João Corrêa, estudante; filho de Carlos Corrêa, fazendeiro em Quaraí.

 

João Correia Peixoto, ourives.

 

João da Silva Silveira, farmacêutico; membro do Partido Republicano.

 

João Francisco Acosta, 16 anos, morador nas proximidades do arroio Santa Bárbara.

 

João Francisco de Oliveira Aguiar, português, proprietário e negociante.

 

João Gonçalves de Miranda, comerciante; pai de Damasceno de Miranda, médico.

 

João Ignacio de Souza, morador.

 

João Moura, gerente do jornal A Opinião Pública.

 

João Pinto Bandeira, morador.

 

João Rezende, candidato do “partido operário” ao cargo de intendente municipal.

 

João Simões Lopes Netto, candidato eleito ao conselho municipal.

 

Joaquim Thomaz dos Santos Silva Filho, capitão da Artilharia.

 

John Easton, vice-cônsul da Venezuela em Pelotas.

 

Jorge Zaca, árabe, mascate.

 

José Alvares de Souza Soares, fabricante do Peitoral de Cambará, & Maria da Assumpção Leite Brochado, portuguesa, natural de São Pedro de Athayde, concelho de Amarante.

 

José Candido Correia, membro do Partido Federalista.

 

José Christovão de Leão, proprietário.

 

José da Costa Lessa, vulgo Lambuja, comerciante de roupas e fazendas.

 

José Dias d’Almeida Pires, médico clínico.

 

José Ferreira Cardoso, comerciante.

 

José Francisco Corrêa, comerciante.

 

José Francisco Gomes Pires, carteiro de 2ª. Classe.

 

José Francisco Pinho, comerciante.

 

José Thomaz de Campos, proprietário; major.

 

José Zeferino Torres, chefe da Mesa de Rendas estadual.

 

Julio Hermenegildo de Faria, criador e industrialista.

 

Justino Barbosa, mestre de linha da Estrada de Ferro.

 

Lucio da Rosa Dutra, comerciante de gado oriundo de rebanhos de Piratini.

 

Luiz Carlos Massot, diretor-gerente do Diario Popular, diretor do Lyceu Rio-Grandense, deputado estadual.

 

Luiz Firpo, comerciante de fumos.

 

Manfredo Fernandes de Mello, 2º. Tenente de Artilharia.

 

Manoel Alves da Conceição Junior, morador; sobrinho de José Joaquim de Queiroz & Amelia Borges de Queiroz, residentes no Rio de Janeiro.

 

Manoel Ignacio Fernandes, candidato eleito ao conselho municipal.

 

Manoel José Alves Corrêa, morador.

 

Martim Bidart Filho, morador.

 

Miguel Antonio dos Santos, morador.

 

Miguel Pinto Fontes & Carolina Almeida, moradores.

 

Miguel Rodrigues Barcellos (Barão de Itapitocay), médico.

 

Miguel Silveira & Maria Candida Pereira, moradores.

 

Nicoláo Avila Silveira, agente do Correio.

 

Olavo Antonio Alves, morador.

 

Olympo Agobar, capitão.

 

Otto Chaves, promotor público.

 

Pedro Norasco & Valeria Norasco, poloneses, moradores.

 

Pedro Osorio, proprietário, membro do Partido Republicano.

 

Plotino Amaro Duarte, representante de navegação.

 

Pompêo Mogetti, italiano, alambrador.

 

Porphyrio Joaquim Pereira, fazendeiro no Monte Bonito.

 

Ricardo Souza, criminoso.

 

Rosauro Zambrano, agente de loterias.

 

Salvador Lemos, morador.

 

Secadia Gomes de Assumpção, moradora.

 

Serafim José Rodrigues de Araujo, proprietário; médico.

 

Silveria Rosa da Conceição, moradora.

 

Theodosio Menezes, redator do jornal A Opinião Pública.

 

Thomaz Borges, diretor do jornal Correio Mercantil.

 

Tobias Meirelles, corneteiro-mór da Guarda Municipal.

 

Urbano Martins Garcia, presidente da Associação Comercial.

 

Vicente Cypriano da Maia, médico.

 

segunda-feira, 15 de março de 2021

Ataque à vila de São João do Duro


"Por proprios chegados da campanha, o
Diario Popular de Pelotas teve noticias da marcha tomada pela horda de maragatos, que, ha dias, passou por Cangussú.

Vadeando o rio Camaquam, esses faccinoras puzeram á saque a villa de S. João do Duro, onde commetteram as maiores atrocidades, degollando inofensivos cidadãos, que arrancaram do seio de suas familias.

E, não contentes de tantos horrores, os miseraveis apoderaram-se de algumas senhoras e conduziram-n'as para o seu acampamento, onde, sem duvida, as sujeitaram aos mais ignobeis tratos, sem respeito ás lagrimas das victimas, que viam assim ultrajado o seu pudor.

Retrocedendo, por lhes constar a approximação de forças nossas, voltaram novamente em direcção á Cangussú, sendo, n'esse trajecto, vivamente hostilisadas pela brigada do coronel Savaget, que logrou alcançar-lhe a retaguarda, uma legua distante d'aquella villa, fazendo-lhes algumas baixas e apprehendendo-lhes cerca de quatrocentos cavallos.

Á vista da decisão da força republicana, os bandidos mudaram de direcção, seguindo para a Coxilha do Fogo.

Faltam pormenores, que o collega pretende aguardar, para, mais detalhadamente, narrar a passagem d'esses perversos assassinos, que a sanha dos inimigos da Patria lançou contra a familia rio-grandense."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 04 de Março de 1895, pág. 01, col. 02


domingo, 14 de março de 2021

A Imigração no Paraná



"No Paraná, os imigrantes vinham sob a condição de colonos e tinham de formar as lavouras a partir da abertura das picadas na mata, bem como fazer suas próprias moradias. Neste Estado, o objetivo primordial era fomentar o cultivo da agricultura de subsistência, para manter abastecidos os centros urbanos que já passavam por raleamento de produtos agrícolas. Para tornar possível essa circulação das novas forças de trabalho, as estratégias estatais deveriam, em primeiro lugar, criar condições propícias a fim de que o território a ser ocupado se tornasse uma 'área de atração' aos imigrantes.

Até o começo do século XVIII, a população da região onde hoje se configura o Paraná era constituída de portugueses, vindos do Reino, castelhanos, índios, negros africanos e de nativos descendentes dessas três raças. A mão de obra constituía a maior dificuldade para o desenvolvimento do território. Nesse contexto, a imigração passou a ser vista como solução para o problema. Assim, os primeiros imigrantes foram trazidos, justamente, para povoar e defender um dos pontos de 'pouso' das tropas que demandavam do Rio Grande do Sul para São Paulo.

Algumas medidas tomadas no ano de 1808, pela presença da corte portuguesa no Brasil, foram essenciais para o desenvolvimento da imigração e colonização do país, como a abertura dos portos e a segurança ao estrangeiro em relação à propriedade territorial. Se, inicialmente, a imigração foi considerada fórmula ideal para a substituição da mão de obra escrava, posteriormente, passou a ser considerada importante para a ocupação de vazios demográficos, ocupação do solo e empreendimentos agrícolas. Dessa maneira, conforme afirmação de Balhana, Machado e Westphalen, inaugura-se, na América, a tradição da 'porta aberta' para os imigrantes de todas as procedências e culturas.

O início da imigração para os Estados do Sul do Brasil data da década de 1820, quando foram fundadas, por grupos de alemães, as primeiras colônias nas atuais cidades de Itajaí (Santa Catarina), Rio Negro (divisa entre os Estados de Santa Catarina e Paraná) e de São Leopoldo (Rio Grande do Sul).

O Ato Adicional de 1834, porém, deu novo estímulo ao programa imigratório, já que o Governo Imperial delegou aos governos provinciais competência para 'promover e estimular, em colaboração com o poder central, o estabelecimento de colônias'.

Em 1847 o médico francês, Jean Maurice Faivre, fundou, nas proximidades do rio Ivaí, a colônia Tereza Cristina. Com 87 imigrantes franceses, essa colônia tinha princípios do socialismo utópico (buscava viver sem promover lucros), mas acabou fracassando.

Com o fim do tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queirós, 1850), com a lenta diminuição dos escravos e com a elevação do preço do café e sua expansão no Estado de São Paulo, parte considerável da população escrava paranaense foi vendida para cafeicultores paulistas, provocando uma relativa crise no abastecimento agrícola, uma vez que eles se constituíam na principal fonte de mão de obra rural.

Os documentos oficiais da época enfatizam a necessidade de se estimular a imigração no território paranaense. No Relatório do Presidente da Província, do ano de 1854, o Presidente Góes e Vasconcellos afirmou ser essencial 'encher de população ativa o vasto território [...] onde o europeu se depara com um clima análogo ao do país natal'. No Relatório de 1855 fica clara a ideia de se 'promover a imigração de colonos morigerados e laboriosos', ou seja, de colonos considerados de bons costumes e trabalhadores. O Relatório apresentado pelo Vice-presidente da Província, em 1857, esclarece que, se o governo desejasse promover a 'colonização', deveria proceder 'por meio da venda de terras devolutas'.

Em 1860, foi fundada, pelo governo da província, com o apoio do governo imperial, a Colônia Assungui, atual município de Cerro Azul, região de Curitiba. Porém, a falta de infraestrutura deixava-a em condições de isolamento, fazendo com que muitos imigrantes a abandonassem.

Nos anos de 1875-1877, o Presidente da Província do Paraná, Adolpho Lamenha Lins, permitiu a formação de várias colônias. Sua intenção era que os imigrantes pudessem adquirir em condições facilitadas bons lotes de terras; para isso induziu a construção de meios físicos, como estradas e pontes, para permitir o melhor escoamento da produção, evitando o isolamento socioeconômico do imigrante.

As colônias Orleans, Tomás Coelho, Santo Inácio, Rivière, D. Pedro, Dom Augusto, Lamenha e Santa Cândida, localizadas, na sua maioria, a Oeste de Curitiba, resultaram dessas iniciativas de Lamenha Lins. Não é sem sentido, também, que essa política de implantação de colônias para estrangeiros recebeu diversas críticas, sobretudo daqueles que defendiam que as colônias deveriam ser organizadas para colonos pobres nacionais.

O processo imigratório no Paraná apresenta algumas particularidades que o tornam diferente, em parte, dos processos ocorridos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Como relata Maria Tereza Petrone, poucos foram os núcleos de colonização compacta, com uma só etnia. Em geral, os núcleos acabavam sendo formados por duas ou mais etnias. Essa heterogeneidade de nacionalidades impediu uma colonização mais homogênea, apesar de os grupos tentarem, constantemente, preservar sua identidade cultural única.

A entrada de imigrantes acabou auxiliando, posteriormente, a expansão industrial, mas contribuiu, também, para mudanças nas relações de trabalho, mesmo quando a escravidão ainda era vigente. Foi sendo construída, principalmente nos núcleos urbanos, uma cultura de trabalho assalariado, mesmo que em pequenas empresas.

Aliás, um dos aspectos que é importante salientar é essa gradativa transferência de descendentes de imigrantes para os centros urbanos. Muitos fatores colaboraram para isso, como a proximidade das colônias com as cidades, a religião, pois muitos imigrantes começaram a fazer parte das cerimônias, sacramentos e corais, e as dificuldades e falta de condições estruturais para o trabalho no campo.

O contraste entre as propagandas realizadas na Europa e as dificuldades encontradas pelos imigrantes em terras paranaenses levavam muitos colonos a abandonarem a província. Conforme Machado, a falta de apoio aos colonos, a existência de terras inférteis e ausência de infraestrutura básica causaram um impacto negativo na imigração paranaense. Tanto que houve uma crise de imigração no final da década de 1870 e início da de 1880. O processo foi retomado com mais ênfase a partir de 1885, quando o então Presidente da província, Alfredo d'Escragnolle Taunay, recuperando a política imigratória do Presidente Lamenha Lins, incentivou e subsidiou a vinda de colonos estrangeiros.

Apesar das dificuldades, o Paraná recebeu milhares de imigrantes. No ano de 1934 haviam adentrado no Paraná cerca de 47.731 poloneses, 19.272 ucranianos, 13.319 alemães, 8.798 italianos e 9.826 grupos de outras nacionalidades, compondo um número total de 101.331 imigrantes.

Os alemães foram os primeiros imigrantes a chegar ao Paraná, no ano de 1829, fixando-se em Rio Negro. Essa iniciativa coube ao fazendeiro, comerciante e tropeiro João da Silva Machado, que depois se tornou o Barão de Antonina. Os alemães tiveram longa história de imigração no Paraná, que se estendeu desde as primeiras décadas do século XIX, até meados do século XX. Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial parcelas significativas se radicaram no Paraná. Os alemães trouxeram consigo suas atividades tradicionais (agricultura, olaria, marcenaria e carpintaria) e com isso ajudaram no desenvolvimento das cidades, sobretudo no comércio e indústria. As maiores concentrações alemães do Estado encontram-se em Rolândia, Cambé, Rio Negro e, principalmente, Marechal Cândido Rondon.

Os imigrantes espanhóis formaram suas colônias em Jacarezinho, Wenceslau Braz e Santo Antônio da Platina. O movimento imigratório para o Paraná tornou-se mais intenso no período compreendido entre os anos de 1942 e 1952, possibilitando uma fixação também na cidade de Londrina. Suas principais atividades estão ligadas ao comércio e à indústria moveleira.

Os holandeses vieram para o Estado por volta de 1909 e se fixaram nas proximidades de Irati. Algumas famílias, não se adaptando à região, acabaram voltando para a Holanda, enquanto que aquelas persistiram dirigiram-se para a região dos Campos Gerais (Carambeí), fundando uma Cooperativa Holandesa de Laticínios em 1925, a qual é destaque até os dias atuais.

Os italianos contribuíram muito para o trabalho nas lavouras de café e, posteriormente, em outras culturas. A maior concentração italiana do Estado está em Curitiba, na Lapa, no Litoral, em Palmeira e, também, em Morretes. No Norte do Paraná, praticamente não há cidade sem a presença dos italianos, que primeiramente se radicaram no Estado de São Paulo e, depois, se transferiam para o Paraná, acompanhando as frentes de ocupação e a cultura do café.

Os poloneses chegaram ao Paraná por volta de 1871, transmigrados de Brusque, Santa Catarina. Fixaram-se, principalmente, nas áreas de Mallet, Cruz Machado, Ivaí, Reserva, São Mateus do Sul, Rio Claro e em Curitiba, onde residem, em maioria, nos bairros de Santa Cândida e Abranches.

Os ucranianos vieram para o Paraná entre os anos 1895 e 1897, formando suas colônias entre Mallet e Prudentópolis. Além destas cidades, estão também espalhados por Pato Branco, Roncador e União da Vitória.

Os árabes instalaram-se primeiramente em Paranaguá, ocupando depois, as cidades de Londrina, Maringá, Curitiba, Araucária, Lapa, Ponta Grossa, Guarapuava, Serro Azul e Foz do Iguaçu, que, hoje, abriga a maior colônia desses imigrantes. Além da forte influência gastronômica, os árabes, no Paraná, se ligaram à arquitetura, à música e à dança.

A imigração portuguesa também representa seus traços fortes no Estado. A presença dos lusos no país sempre foi marcante e intensa por toda a conjuntura da história do Brasil ligada a Portugal. No Paraná, a cidade de Paranaguá, a qual servia de porta de entrada, possui a maior concentração de imigrantes portugueses. Também houve interesse dos lusos pelas regiões de Maringá, Londrina, Campo Mourão e Umuarama, durante o auge do ciclo do café. No Norte do Paraná, ainda hoje os portugueses se destacam, por suas atividades comerciais.

Por fim, entre os grupos que merecem destaque estão também os japoneses. Maringá, Londrina, Uraí e Assaí são os grandes núcleos de presença japonesa, e as duas últimas cidades originaram-se como colônias fundadas por japoneses. Em 2008 tivemos as comemorações do centenário da imigração japonesa para o Brasil. Nesse longo século, os imigrantes que chegavam dirigiam-se, principalmente, às lavouras cafeeiras do Estado de São Paulo e Paraná. Além da cultura tropical, os japoneses se empenharam na piscicultura, cultivo de hortaliças, fruticultura e na introdução da criação do bicho-da-seda no Estado."

Fonte: AMÂNCIO, Silvia Maria; IPÓLITO, Veronica Karina; POMARI, Luciana Regina; PRIORI, Angelo. História do Paraná: séculos XIX e XX [livro eletrônico]. Maringá: Eduem, 2012.
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