quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Moradores de Pelotas em 1891



 Distante de ser um recenseamento completo dos moradores de Pelotas no período, nosso esforço foi o de, através de consulta aos jornais da época disponíveis na web, listar o quanto fosse possível de nomes relacionados à cidade, bem como inserindo as informações adjuntas que encontramos. Todavia, na maior parte dos casos, encontramos somente os nomes. De forma geral, quando usamos a denominação "morador" queremos dizer literalmente isso: apenas constatamos que o indivíduo citado viveu em Pelotas, mas não encontramos mais dados sobre sua ocupação, nacionalidade ou outros. A propósito, quando listamos "Fulano de Tal & Fulana de Tal", justamente com o uso do "&" queremos dizer que os indivíduos são casados. Esperamos contribuir de alguma forma para pesquisas genealógicas e historiográficas, mesmo que de modo muito modesto. Obs.: respeitamos a grafia encontrada na época.


Periódicos consultados para este período: A Federação (Porto Alegre/RS); Almanak Litterario e Estatistico do Rio Grande do Sul (Porto Alegre/RS); Annuario Militar: Para uso das forças de Guarnição no Estado do RGS (Porto Alegre/RS); Congresso Rio-Grandense (Porto Alegre/RS); A Epoca: orgão do Partido Catholico do Rio Grande do Sul (Porto Alegre/RS);

1891

Adão Gonçalves, alienado; remetido para tratamento em Porto Alegre.

Adelina Isabel Vieira, moradora, filha de João Bonifacio Vieira (já falecido).

Adolpho Garrido, morador.

Adolpho Pless, francês, 17 anos, pedreiro.

Affonso Pinheiro Teixeira, professor da cadeira do sexo masculino da colônia Santo Antônio, a partir de Junho de 1891.

Alberto Gonçalves Ferrugem, morador.

Alberto Rodrigues Rosa, vice-presidente da Câmara Municipal.

Albina Zaida Ribeiro Tubino, moradora.

Alexandre Cassiano do Nascimento, membro do Partido Republicano.

Alexandre P. Wilson, morador.

Alfredo Barreto Esteves, morador.

Alfredo Bittencourt, membro do Partido Republicano.

Alvaro Drummond de Macedo, alfaiate.

Amadeo Roque, italiano, dono de uma oficina de sapataria à Rua 24 de Outubro entre as ruas Andrade Neves e General Osório.

Amado João, preso.

America Soares de Abreu, professora da cadeira do sexo feminino da Boa Vista.

Americo Octaviano Gomes, 1o. sargento do 29o. Batalhão de Infantaria.

Anacleto Barcellos, comerciante, membro do Partido Republicano.

André de Mello, morador à Rua Gonçalves Chaves, empregado da ferraria de José d'Oliveira.

Anna Barcellos de Moura, moradora.

Anna Lopes Palhares, moradora.

Anselmo Wenceslau do Espírito Santo, oficial de justiça.

Antenor Barcellos Amorim, capitão, comandante da Guarda Nacional em Pelotas.

Antero Victoriano Leivas, delegado da Inspetoria de Higiene, até Agosto de 1891.

Antonio Argilo, morador.

Antonio Candido da Silva Job, maior de 60 anos, capitão da Guarda Nacional, natural de Triunfo, veterano da Guerra do Paraguay; comendador da Ordem da Rosa; maçom; ex-dono do Jornal do Commercio de Porto Alegre.

Antonio Ferreira Cardoso Junior, morador, irmão de Anna Ferreira Cardoso.

Antonio Joaquim da Silva Maia, morador.

Antonio Jorge, 28 anos, árabe, natural do Império Turco-Otomano, mascate.

Antonio José Ferreira de Campos, poeta.

Antonio Lopes Rios, morador.

Antonio Manoel Centeno, morador.

Antonio Marques, dono de casas de aluguel.

Antonio Martins Pinheiro, Domingos Martins Pinheiro, irmãos, sócios na firma Pinheiro & Irmão (curtume).

Antonio Moreira da Costa, sócio da firma A.M. Costa & Cia. (comércio de louças, cristais e artigos de bazar), em comandita com José Fernandes Duval e Felix Antonio Gonçalves.

Antonio Pereira Rodrigues, português, morador.

Antonio Rodrigues de Souza, redator-chefe do jornal Diario Popular.

Antonio Vianna da Silva, vendedor de bilhetes de loteria.

Augusto Cezar de Castro Bandeira, telegrafista da estação de Pelotas, a partir de Março de 1891.

Augusto Delphim Corrêa, servente do agente do Correio.

Augusto José Duarte, sapateiro, casado, com filhos.

Aureliano Bento Vianna, vulgo Eduardo Garrido, natural de São Paulo, desertor do 13o. Batalhão de Infantaria de São Paulo, criminoso.

Barão de Acton, vice-cônsul da Itália em Pelotas e cônsul interino da Itália no Rio Grande do Sul.

Barão de Itapitocay, proprietário e médico.

Belmiro Rodrigues, preso.

Benito Maurell Filho & Ophelia Montier Maurell, moradores.

Benito Maurell Y Lamas, cônsul do Uruguay.

Benjamin Leitão, membro do Partido Republicano.

Bernardino Alves Bastos, professor da cadeira do sexo masculino da colônia Santa Silvana, até Agosto de 1891.

Bernardino Braulio de Almeida, morador.

Bernardino Centeno & Henriqueta da Costa, ambos negros, amasiados, moradores à Rua Barroso número 6.

Bernardino de Oliveira Castro, preso.

Bernardo de Oliveira Pinto, 62 anos, morador.

Bernardo Garcia Pires, tenente-coronel, veterano da Revolução Farroupilha.

Bernardo Taveira Junior, escritor e poeta.

Bilitarda Herculana de Leivas, 91 anos, moradora.

Boaventura Setembrino Barcellos, 2o. suplente do juiz de paz do 2o. distrito.

Candida Abreu, poetisa.

Candida Rosa Dias, moradora.

Candido Ferreira de Abreu, engenheiro da comissão de terras em Pelotas.

Carlos Alberto Rodrigues da Silva, morador.

Carlos Antonio Palma, almoxarife de 3a. classe do hospital de Pelotas.

Carlos Bandeira Renault, morador.

Carlos Echenique, proprietário da Livraria Universal.

Carlos Ritter, dono da cervejaria C. Ritter & Irmão, à Rua São Jerônimo número 78, em sociedade com Henrique Ritter e Henrique Ritter Filho.

Casemiro Beltrão, espanhol, 31 anos, caixeiro da Alfaiateria Joven España, de Raphael Bassols.

Christovam Maia, proprietário.

Cincinato Ignacio Duarte, preso.

Clarimundo Adalberto Nepomuceno da Silva, tenente do 29o. Batalhão de Infantaria.

Claudino Henri Blarc, professor da cadeira do sexo masculino da colônia Santo Antônio, até Junho de 1891.

Clementino Rodrigues Vieira & Severina Teixeira Vieira, agricultores na Buena.

Cypriano Corrêa Barcellos, jornalista do Diario Popular.

Desiderio Celestino de Castro, proprietário de terras.

Dionysio de Oliveira Silveiro, juiz de direito da comarca de Pelotas, a partir de 06 de Fevereiro de 1891.

Domingos da Silva Pinto, farmacêutico, fabricante do Peitoral de Angico.

Domingos Pereira Monteiro, alienado; remetido para tratamento em Porto Alegre.

Domingos Pinho de Oliveira, morador.

Dorothéa Maria de Pinho, moradora.

Edmundo Berchon des Essarts, membro do serviço de Inspeção de Saúde.

Eduardo Laranja, chefe da estação telegráfica de Pelotas.

Eduardo Wilhelmy, morador.

Emilia Cardoso Fernandes, moradora.

Emilio Francisco Pereira, pardo, morador.

Epaminondas Piratinino de Almeida, agente da imigração na cidade de Pelotas.

Ernesto Augusto Gernsgross, procurador fundiário.

Ernesto Ribeiro Tobino, professor da cadeira do sexo masculino sediada na Picada do Umbú, Arroio das Antas e Arroio do Ouro. Trasnferido para cadeira do sexo masculino do Morro Redondo, em Outubro de 1891.

Estevão Casanova, morador.

Felicidade Mascarenhas, maior de 60 anos, moradora.

Felicissimo Manoel Amarante, vereador.

Fernando Luiz Osorio, proprietário.

Francisca Assumpção, moradora.

Francisco Antunes Maciel, conselheiro.

Francisco Antunes Maciel, empregado da Companhia Hydraulica Pelotense.

Francisco da Silva Azevedo Junior, professor da cadeira do sexo masculino da localidade denominada Assumpção.

Francisco de Paula Guedes, dono de minas de caulim no Guabiroba.

Francisco de Paula Moreira, proprietário.

Francisco de Paula Orion, negro, morador.

Francisco José de Souza Bravo, professor da cadeira do sexo masculino da colônia Santa Silvana, até Setembro de 1891 e, a partir daí, professor da cadeira do sexo masculino da colônia Arroio do Padre.

Francisco Nogueira, cocheiro.

Francisco Soares Paneira, dono de uma venda à Rua Santa Bárbara esquina Rua Bento Gonçalves.

Gervasio Alves Pereira, presidente da Câmara Municipal.

Graciano Lopes de Vasconcellos, proprietário na Serra dos Tapes.

Guilhermina Buscks, alemã, 18 anos, moradora.

Guilhermina Carvalho, moradora; tia de Carlos Echenique e Guilherme Echenique.

Gustavo Konow, agente da cerveja Marca-Porco.

Helena Marques de Faria, 80 anos, morador.

Heleodoro de Azevedo e Souza, proprietário de terrenos.

Hemeterio Pereira de Campos, dono de um curtume além do Santa Bárbara.

Henrique Chaves, vereador.

Herval Bernardino Alves Bastos, professor da cadeira do sexo masculino da Picada do Umbú, Arroio das Antas e Arroio do Ouro, a partir de Outubro de 1891.

Honorato Alves da Costa, 3o. suplente do subdelegado do 6o. distrito, até Abril de 1891.

Honorina Tubino, moradora.

Honorio Rôxo, membro da guarda cívica.

Ildefonso Corrêa, presidente da União Republicana.

Isaías Rodrigues Mendes, morador.

Ismael Simões Lopes, membro do Partido Republicano.

J.J. da Cunha Pôjo, dono de uma companhia de transporte de cargas para Porto Alegre e Rio Grande.

Jacob Aiúb, árabe, natural do Império Turco-Otomano, mascate.

James Davies, inglês, 62 anos, capitão de um lúgar que faz transporte de cargas a Rio Grande.

João A. Pinheiro, proprietário.

João Antonio Primeiro, oficial de justiça.

João César Sampaio, tenente-coronel, comandante do 29o. Batalhão de Infantaria, a partir de Abril de 1891.

João Chaves Campello, médico.

João da Silveira Rosa, 62 anos, casado, conferente da Mesa de Rendas.

João dos Santos Souza, português, negociante; irmão de José dos Santos Souza, residente em Portugal.

João Francisco da Silva Ferro, marceneiro.

João Francisco Machado da Silveira, juiz municipal e de órfãos.

João Francisco Menna Barreto, capitão, & Rosa Zuberan Menna Barreto, 35 anos, pais de cinco filhos. Chegaram em Pelotas em Fevereiro de 1891, sendo procedentes de Rio Pardo.

João Gonçalves, 25 anos, sargento contra-mestre da banda de música do 29o. Batalhão de Infantaria.

João Jacintho de Mendonça, promotor público da comarca de Pelotas.

João José da Silva Braga, 3o. suplente do subdelegado do 2o. distrito,  a partir de Fevereiro de 1891.

João José Maysonave & Joanna Maysonave, moradores.

João Martins Guimarães, morador no Cascalho.

João Ouriques, morador.

João Pereira da Conceição & Eufrasia Barbosa da Conceição, moradores.

João Py Crespo, membro do Partido Republicano.

João Rezende Filho, proprietário.

João Rodrigues Esteves, morador, ancião, vulgo João Fanha.

João Sattamini, capitão quartel-mestre da Guarda Nacional.

Joaquim Abreu Freire, morador.

Joaquim Augusto de Assumpção, vereador.

Joaquim Carneiro, português, charuteiro.

Joaquim dos Martellos, dono de uma venda no Retiro - ponto de parada para carreteiros.

Joaquim José da Silva, tabelião de notas e escrivão do júri e execuções criminais do termo de Pelotas, até Setembro de 1891.

Joaquim Luiz Crizel, proprietário de terras na Serra dos Tapes.

Joaquim Mourão, africano, 110 anos, morador.

Joaquim Pedro Beruy, 3o. suplente do 6o. distrito, a partir de Abril de 1891.

Joaquim Pereira de Miranda, português, antigo morador da cidade.

Joaquim Rasgado, membro do serviço de Inspeção de Saúde; médico.

Joaquim Rodrigues da Silva, morador; cunhado de Antonio Lopes Rios.

José Acacio de Magalhães, vulgo José Valente, vendedor de carne verde e miúdos de rês em carroça; cunhado de Valeriano da Costa.

José Alvares de Souza Soares, farmacêutico, fabricante do Peitoral de Cambará.

José Alves Coelho da Silva, 1o. tenente reformado, delegado da capitania do porto de Pelotas, a partir de Setembro de 1891.

José Bonifácio da Costa, morador.

José Brusque, médico, adepto do cumberlandismo.

José Cabrera, 24 anos, espanhol, morador.

José Candido Alves, dono da casa comercial Bon Marché.

José Carlos Pereira, administrador da Mesa de Rendas Gerais, & Conceição Maia Pereira; ela filha de Antonio José da Silva Maia, capitalista (já falecido).

José Cypriano Nunes Vieira, membro do serviço de Inspeção de Saúde.

José da Libania, 35 anos, solteiro, marítimo, natural de Pernambuco.

José da S. Villalobos, proprietário.

José de Azevedo Souza Junior, tradutor público juramentado.

José de Castro Antiqueira, coronel, proprietário.

José de Laura Rezende, 58 anos, casado, morador.

José de Souza Machado, morador.

José Diogo Brochado, proprietário.

José d'Oliveira, dono de uma ferraria.

José dos Santos Oliveira Madail, morador.

José Ferreira Alves Guimarães, tenente da Guarda Nacional.

José Ferreira Bonfim, alienado; remetido ao Hospício São Pedro em Porto Alegre.

José Fonseca, dono de uma venda na Rua Voluntários da Pátria esquina Rua Marquês de Caxias.

José Gonçalves Chaves, 67 anos, português, vulgo Zé da Negra.

José Lassala, médico.

José Maria Barcellos, professor da cadeira do sexo masculino da colônia Arroio do Padre, até Setembro de 1891.

José Maria Moreira, proprietário.

José Maria Reis, negociante.

José Pereira Machado, agente da linha fluvial-lacustre de passageiros que vai até Santa Isabel, Jaguarão e Santa Vitória do Palmar.

José Rodrigues de Araujo, inspetor escolar do distrito da cidade de Pelotas, até Fevereiro de 1891.

José Simões Lopes, 3o. suplente do delegado de polícia, a partir do Maio de 1891.

José Simões Tavares, empregado no comércio.

José Thomaz de Campos, 2o. suplente do subdelegado do 2o. distrito, até Fevereiro de 1891.

Josepha Pereira de Barcellos, professora da cadeira mista da colônia Santa Silvana, a partir de Setembro de 1891.

Julio José da Silva, agente do Cognac Bisquit, Dubouché & Cia. em Pelotas.

Julio Soeiro, morador.

Leopoldo Haertel, proprietário de uma cervejaria.

Licerio Ferreira Guimarães, negociante.

Lino Chagas, morador.

Lino dos Santos Ferreira Coelho, co-proprietário da firma Ferreira Coelho & Cia. (Loja da India, Rua de São Jerônimo numero 4C, comércio de chá, cêra, sementes e miudezas), em sociedade com José Coelho Caldas.

Luiz Carlos Massot, 1o. suplente do juiz de paz do 2o. distrito.

Luiz de Azevedo e Souza, morador.

Luiz Gomes de Carvalho, proprietário.

Luiz Juvencio da Silva Leivas, empreiteiro.

Luiz Kraemer Walter, comerciante.

Manoel Barboza de Menezes, subdelegado do 6o. distrito, até Abril de 1891.

Manoel Duarte, morador.

Manoel Ignacio Martins, subdelegado do 6o. distrito, a partir de Abril de 1891.

Manoel Marques Ferreira Coelho, morador.

Manoel Martins, espanhol, morador.

Manoel Monteiro Sampaio, morador.

Manoel Passos, morador na costa do São Gonçalo.

Manoel Tavares Ribeiro, 2o. suplente do subdelegado do 2o. distrito, a partir de Fevereiro de 1891.

Marcellino F. Ribeiro, agente da linha de diligência até Canguçu, estabelecido à Rua General Victorino número 69.

Marcolino da Maia Firmo, pároco de Pelotas.

Marcolino José de Souza Sobrinho, 2o. escriturário do Hospital Militar de Pelotas.

Maria do Carmo Molina, moradora.

Maria Emilia da Cunha Garrido, moradora.

Maria Joaquina da Rosa, proprietária de terras.

Maria Peres Morotó, moradora.

Mathias José de Freitas Guimarães, secretário do Lyceu Rio-Grandense de Agronomia e Veterinaria, & Luiza Cavalcanti Guimarães, poetisa e prosadora.

Mathilde de Souza Silveira, 85 anos, viúva, residente no Monte Bonito; mãe de Antonio Olegario da Silveira.

Miguel Antonio dos Santos, morador.

Miguel Barcellos Filho, membro do Partido Republicano.

Miguel Gonçalves da Silva, oficial-alfaiate da Alfaiateria Cidadão.

Miguel Rodrigues Barcellos Filho, tabelião.

Octacílio A. Camará, médico.

Olavo Alves, membro do Partido Republicano.

Olavo Ferreira, morador.

Ovidio José Cypriano, 19 anos, morador.

Paulino Teixeira da Costa Leite, proprietário.

Pedro Luiz da Rocha Osorio, vereador, & Maria Cecilia Alves Pereira, ela filha de Gervasio Alves Pereira.

Pedro Manetes, morador.

Pedro Uhalt, 3o. suplente do delegado de polícia, até Maio de 1891.

Possidonio Mancio da Cunha, proprietário; membro do Partido Republicano.

Rafael Zamorano, comerciante.

Raphael Bassols, espanhol, dono da Alfaiateria Joven España.

Raphael Geraldo Silva, morador.

Regulo Vizeu, negro, morador.

Ricardo de Souza Marques, português, 39 anos, morador.

Rodolpho Duarte de Lemos, agente da linha de diligências até Bagé.

Romão Prieu, armeiro, estabelecido à Rua Andrade Neves.

Romualdo de Abreu e Silva, engenheiro da Câmara Municipal, & Laurinda de Campos Abreu e Silva, ela 41 anos, o casal, 10 filhos.

Romulo Carpena, morador.

Salvador Aniuto & Amalia Carolina de Campos Aniuto, moradores.

Saturnino Gomes de Oliveira, casado, 51 anos, conferente da Mesa de Rendas, natural de Rio Grande; filho de Desiderio Antonio de Oliveira (já falecido).

Sebastião Figueiredo, morador.

Severino José Teixeira, alienado; remetido ao Hospício São Pedro em Porto Alegre.

Sudario Pedro dos Reis, alferes.

Theodora Rodrigues Soares, alienada; remetida para o Hospício São Pedro em Porto Alegre.

Theodosio de Menezes, proprietário do jornal Diário Popular.

Thomaz Fitzgerald, irlandês, morador.

Thomaz Pereira da Silva, morador.

Tito Chaves, morador, septuagenário.

Tito da Silva Paranhos, fiscal da estrada de ferro Pelotas-São Lourenço.

Tito Villalobos, alferes-aluno do 29o. Batalhão de Infantaria.

Urbano de Carvalho, tenente-coronel, delegado da área central.

Urbano Garcia, coronel, membro do Partido Republicano.

Utaliz Lupi, membro do Partido Republicano.

Vasco Diniz, morador.

Vicente Cypriano da Maia, médico.

William Lange, alemão, 28 anos, casado, pai (número de filhos não-especificado), natural de Planen, Alemanha.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Morro das Cruzes



"Morro das Cruzes

Lendo hontem no Jornal do Commercio, em artigo assignado pelo cidadão Mucio Teixeira, uma breve noticia sobre o Morro das Cruzes e o monge fundador d'ellas, tomei logo a resolução de dar noticia mais completa sobre o tal morro, e seus mysterios, que não deixam de ter opportunidade, hoje, quando todo o mundo procura nos banhos frios remedio para todas as molestias.

Em janeiro de 1848 appareceu n'esta cidade um italiano com uma longa barba que se extendia até o peito, já um pouco nevada por uns cincoenta annos de idade, vestido com uma sotaina de saragoça, e os pés nús sob uns sapatões rusticos.

Era o monge.

Logo de chegada apresentou-se em palacio, pedindo uma audiencia cia [sic] ao general Andréa, que então presidia a provincia.

Apresentando-se a s. ex. inclinou-se humildemente.

O general Andréa, mirando-o de alto a baixo com aquelle ar de soberbia, que infundia não só respeito, como medo ás partes que procuravam fallar-lhe, perguntou ao extranho personagem:

- Quem é você? o que quer? de onde veio? Como se chama?

- Sou italiano; natural de Roma; ando em peregrinação cumprindo uma promessa feita á santa mãi de Deos; chamo-me João Maria Agostim.

- Que mais quer?

- Venho pedir a v. ex. um santo.

- Os santos procuram-se no céo, onde, segundo a nossa crença, ha muitos. Explique-se melhor.

- Em uma igreja dos Sete Povos de Missões, que está em ruinas, existe uma bella imagem de S. Antão; eu venho pedir a v. ex. essa imagem para construir-lhe uma capella.

- Vá ter com o padre Thomé que é quem governa a igreja: eu nada tenho que ver com essas cousas.

O italiano inclinou-se como para beijar a mão do general, que retirando-se, assim o despediu.

Sumiu-se.

E lá se foi o monge em procura do padre Thomé.

O que se passou com o padre nada transpirou.

O monge desappareceu d'aqui, indo sentar o seu acampamento no campestre de Santa Maria, onde formou do morro - um templo.

A sua longa barba e o habito attraiam os simples que o tomavam por um novo Messias. Fazia predicas ao povo todos os dias. Dizendo-se inspirado de Deus, attraia ao lugar uma multidão de crentes, que o adoravam.

Copiou as acções do primeito Christo.

Descobrindo uma vertente abundante dentro do matto, na fralda do monte, fez d'ella a base de seu poder mysterioso, de seus milagres.

Fez abrir uma picada do lado opposto ao em que estava a vertente, pelo morro acima, fazendo d'esta via dolorosa o seu calvario; collocando em pequenas distancias grandes cruzes de madeira toscamente trabalhadas, em numero de 17.

No alto do morro, em um plan'alto, construiu a chamada capella de S. Antão, onde em altar bem preparado jazia a bonita imagem do santo.

Por espaço de trinta e cinco dias permaneci ali, (de setembro a outubro de 1848) a estudar aquelles mysterios.

Junto á primeira cruz, ao entrar-se na picada, depois do sol posto, quando desciam as primeiras sombras da noute, era o povo, que já contava cerca de duzentas pessoas, chamado á oração com o signal de um tiro de pistola.

Ajoelhados todos em frente áquelle symbolo da religião christã rezavam o terço, depois do qual, quando se achava presente o monge, havia a pratica do mesmo aconselhando ao povo a pratica de todas as virtudes christãs; que com fé pedissem a Deus e á mãe santissima o termo de seus males com a applicação d'aquella agua milagrosa de que estavam fazendo uso.

O paciente ao transpor a entrada da picada tirava o calçado e com os pés nús e a cabeça descoberta encetava a marcha por aquella ingremidade só comparaval com a serra das Antas, havendo prezas ás arvores cordas de lonca para ajudar a subida ás pessoas velhas ou fracas.

Ao pé de cada cruz parava o doente, devendo ajoelhar-se para fazer oração.

Para se vencer as 17 cruzes e ainda as orações resadas em cada uma, gastava-se mais ou menos uma hora; chegando-se ao alto, onde se achava o santo em sua capellinha construida de madeira tosca, era estylo tomar assento em um tosco banco, onde se descançava: d'ahi descia-se precipitadamente para o lugar onde apparecia a vertente que saia da rocha a um metro de altura.

Junto á bica havia um cepo onde o doente se ajoelhava para receber a agua que era despejada por qualquer pessoa com uma caneca de metal ali existente, presa por uma corrente. 

Por sobre a cabeça do paciente, ajoelhado, despejava-se a agua com vagar, na porção que cada um queria, mas sempre em numeros impares.

Acabada a operação subia-se ás pressas afim de agitar novamente o corpo.

A roupa só era mudada depois de enxuta naturalmente.

Fico aqui hoje: amanhã porei diante do leitor os diversos doentes que ali foram em busca da saude e o resultado que alcançaram.

Porto Alegre, 14 de março de 1895.

FELICISSIMO M. AZEVEDO."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 15 de Março de 1895, pág. 01, col. 03-04

"Morro das Cruzes II

Já viu o leitor por que fórma se apresentou na provincia o monge João Maria Agostini; como foram plantadas as cruzes, que deram nome ao morro, e modo por que se banhavam os doentes que recorriam ao campestre junto ao morro.

Visitemos agora o singular acampamento.

Cada visitante, á laia dos que frequentam as praias do mar na época dos banhos, armava sua barraca onde e como queria, formando como um labyrinto, onde era difficil encontrar-se uma pessoa que se procurasse.

Uns tinham barracas de algodão como as dos soldados em campanha, outros iam ao matto onde cortavam madeiras de que construíam choupanas cobertas de sapé, e ainda outros, que tinham carretas, se abrigavam dentro ou por baixo d'ellas.

Reinava ali perfeita fraternidade; a maior decencia e respeito ás familias.

Era bonito de ver-se ao clarear do dia a romaria penitenciaria a subir o morro, ajoelhando-se diante das cruzes a fazer oração. As senhoras, em desalinho, descalças, trilhando um caminho agreste e pedregoso com seus pés delicados; os cabellos soltos, fluctuantes.

A capella regorgitava de devotos, que todos, mais ou menos, depositavam em um cofre forrado collocado no lado do altar o seu obulo. Este cofre era fechado com tres chaves, das quaes uma era guardada pelo monge e as outras duas por dois clavicularios de nomeação e confiança do monge. De tempos a tempos era aberto o cofre, em presença do monge, que depois de recolher o que era precisa para ás despezas do culto, o resto distribuía pelos pobres.

Examinemos os doentes. Ahi vinham em grande quantidade os asthmaticos, que se restabeleciam em poucos dias para serem novamente atacados depois que de lá se retiravam attribuindo á santidade da agua o milagre da cura.

A alguns d'estes que encontrei depois em Porto Alegre, atacados do mesmo mal, perguntava eu, porque não faziam aqui o mesmo remedio. A agua não é a mesma e nem tem as virtudes da do monge.

Os rheumaticos em grande numero apresentaram melhoras sensiveis ou mesmo se restabeleciam. Ainda outros com grandes inflammações nos olhos curavam-se em poucos dias.

Sobre estes doentes da vista preciso aqui abrir um parentheses.

Em 1832 hospedava-se em casa de José Borges da Costa, á rua da Candellaria, um commerciante de Santa Catharina só lhe applicavam remedios em pura perda. Em occasião em que o doente se lastimava, desanimado, apparece á porta de loja de José Borges um pobre velho a pedir esmola, o qual ouvindo o que o catharinense dizia: disse-lhe: não desespere, porque eu ensino-lhe um remedio com o qual o senhor fica bom em oito dias.

- Vejamos, redarguiu o doente.

- Levante-se bem cedo, antes de sair o sol, vá ao chafariz do Paço, colloque a cabeça debaixo da bica do chafariz, deixando jorrar agua sobre a nuca por espaço de cinco a dez minutos, e eu lhe affianço que com oito applicações o senhor estará curado.

E se foi o pobre, depois de ter recebido dois vintens de esmola.

No dia seguinte lá estava o catharineta no chafariz aparando a agua na cabeça, e tal como predissera o pobre, com oito applicações estava radicalmente curado.

Vamos aos outros: ahi vinha um pobre diabo todo syphilitico, com a maior fé, invocando a S. Antão, pedindo ainda o auxilio da Virgem e só lograra a graça de voltar a seus penates com a molestia augmentada; assim os tuberculosos, os de lesões do coração, e outras molestias intestinaes.

Havia tambem uma classe de doentes que restabelecia-se immediatamente; era o dos scismaticos.

Estes, confortados pela fé, rodeados dos mysterios infundidos por aquelle templo augusto que tinha por tecto a abobada celeste, apoderados daquelle respeito religioso consideravam-se curados das molestias imaginarias que tinham na mente.

Havia ainda o barro santo: este barro consistia na lama que se juntava em torno do cepo, onde se ajoelhavam os doentes para receber a agua na cabeça.

Este barro fazia milagres na cura de feridos de todas as especies.

Quem entende um pouco de medicina sabe que basta barrear uma pustula para fazel-a recolher.

Vi ali doentes dissolverem um pouco daquelle barro em um cópo de agoa e beberem; d'esse mesmo barro onde os pustulentos estavam encataplasmando as pernas.

Horror!

Depois de estabelecida esta mixordia no campestre de S. Maria, veiu o monge para a serra de Botucarahy, onde estava estabelecendo novo acampamento.

Na minha volta, quando embarcava no vapor que devia trazer-me a Porto Alegre, appareceu o monge, com duas ordenanças, que vinha a chamado do presidente Andréa.

Chegado aqui foi recolhido ao quartel da polícia, onde permaneceu até a partida do paquete, para o Rio; aqui embarcou recommendado por Andréa ao ministro da justiça, que o mandou ao chefe da policia com recommendação especial.

Li após isto a resposta do chefe de policia ao ministro, dizendo que o monge João Maria Agostini se asylara na rua do Cattete n. 13, com prohibição de curar e fazer predicas. Sic transit gloria mundi.

Porto Alegre, 15 de Março de 1895.

Felicissimo M. Azevedo."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 18 de Março de 1895, pág. 01, col. 03-04


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Peste aviária em Taquari



"Refere o
Taquariense:

'A epocha é das pestes.

E não é só a humanidade que está pagando o pesado tributo da morte imposto pela peste bubonica; tocou tambem a vez das aves.

No interior deste municipio as gallinhas estão sendo dizimadas por uma peste que - mata em 24 horas. A doença consiste na dilatação do fígado, que torna-se rijo e adquire proporções taes que admira ter estado no corpo de uma ave relativamente pequena.

Sabemos que essa peste já appareceu no Riacho desta cidade, onde tem deixado gallinheiros que eram povoados com cincoenta e muitas aves, reduzidos à meia duzia dellas apenas."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 04 de Novembro de 1899, pág. 01, col. 04

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Linchamentos na América do fim do século XIX



"O LYNCHAMENTO

Uma pequena estatistica sobre o lynchamento nos Estados-Unidos, de 1885:

N'esse anno foram lynchados, 148 individuos, em 1886 foram despachados 196. Em 1892 o balanço sóbe a 235, em 1893 a 240 e no anno seguinte os carrascos voluntarios fizeram 166 execuções.

Nove decimos dos assassinados são homens de côr.

O anno passado um pardo foi lynchado por ter escripto um bilhete amoroso a uma senhora branca.

Uma mulher foi morta a pedradas por não ter querido comparecer como testemunha perante um juiz.

O que é mais curioso é que os lynchadores nunca são processados.

Em Clarendon, no mez de abril do anno passado, um pastor negro foi accusado de ter empurrado a mulher de um lavrador.

O pobre ministro foi enforcado a uma arvore e crivado de balas pelos lynchadores.

O pardo pastor morreu do mesmo modo.

O 'São Francisco Chronicle' noticiando esses crimes atrozes, termina assim:

'Pois que?!... Quando os proprios indios selvagens já não dançam em torno de um holocausto humano, ha cidadãos americanos que commettam crueldades horriveis em criminosos e em innocentes!'

A mesma folha dá tambem a noticia de que quatro indios haviam sido amarrados a um moirão, e que depois de untarem-lhes os corpos com petroleo, deitaram-lhes fogo.

O grupo de lynchadores que fazia roda áquella fogueira, dava gritos de alegria.

Uma hora depois do crime ficou verificado que os pobres selvagens eram innocentes do attentado que lhes imputavam os seus algozes."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 22 de Setembro de 1899, pág. 01, col. 02

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Entrudo em Pelotas em 1860



"Entrudo. - Consta-nos que para os dias de entrudo se está organisando um bando de mascaras que executará uma graciosa dança em casas particulares.

Approvamos essa idéa que arrancará a nossa cidade durante os dias de carnaval á sua habitual monotonia."

Fonte: O BRADO DO SUL (Pelotas/RS), 15 de Fevereiro de 1860, pág. 01, col. 01
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