domingo, 2 de fevereiro de 2020

Incidentes na eleição estadual de Montenegro


"Façanhas dos colligados

Trazemos hoje, para a historia da fraude eleitoral que a Reforma está publicando, uns subsidios dignos de consideração.

A isenção d'animo com que o orgam mais velho da malfadada colligação historia os factos, auctorisa-nos a acreditar no apreço em que ella vai ter as seguintes notas de façanhas praticadas pelo opposicionismo, por occasião do pleito eleitoral de 5 do corrente.

Em S. João do Montenegro, Manoel Rodrigues Machado alliciou-se no Maratá 30 ou 40 individuos e armou-os.

O pretexto d'esse alliciamento foi uma medição.

Esse magote de desordeiros, de que faziam parte Bernardo Castelhano e Juca Lemos, acampou nas immediações da villa, carneou rezes, e saía ao encontro de cidadãos que se encaminhavam para a localidade, afim de suffragarem a chapa do partido republicano, ameaçando-os e aggredindo-os.

Ainda na mesma villa o chefe colligado Antonio Ignacio de Oliveira e um filho de Felippe Diefenthäler atacaram o eleitor republicano José Kneip, pretendendo obrigal-o a votar com a opposição, e, afinal, que esse cidadão lhes entregasse o seu título.

Apezar d'esses attentados, do apparato bellico dos colligados, a eleição correu calma, fiscalisada por opposicionistas nomeados pelo juiz de paz Juca Ignacio, inimigo do governo.

E o partido republicano saiu victorioso no municipio com uma maioria superior a 706 votos, dando o tiro de misericordia no poderio do chefão Antonio Ignacio de Oliveira, desabusado caudilho orleanico que, com a sua familia, punha e dispunha de S. João do Montenegro nos tempos do imperio."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 19 de Maio de 1891, pág. 01, col. 06

sábado, 1 de fevereiro de 2020

As experiências hipnóticas do Tenente-coronel d'Aiglun


"Experiencias hypnoticas

O correspondente londrino da Gazeta de Noticias, escreveu a esse jornal sobre as experiencias hypnoticas do tenente-coronel de Rochas d'Aiglun, administrador da Escola Polytechnica de Paris. Effectuaram-se nos ultimos mezes de 1891 e primeiros d'este anno e produziram, entre outros, os seguintes resultados:

'N'uma vez que o coronel d'Aiglun fez, com força, um gesto sobre o hombro de um magnetisado, mas a alguma distancia d'elle, o magnetisado sentiu a mão assentar pesadamente sobre o seu corpo.

D'outra vez que o ar era agitado pelas mãos do coronel, em frente da cara de um dos seus magnetisados, este queixou-se, indignado, de que lhe estavam dando bofetadas.

Um e outro se mostravam entretanto de todo inconscientes, si o coronel lhes tocava realmente os braços ou a cara.

O coronel d'Aiglun magnetisa na fórma conhecida dos magnetisadores romanticos, por meio de passes, procurando influir pelas mãos, á distancia, como que o ar ambiente, a athmosphera especial que parece estabelecer se entre o magnetisador e o magnetisado. É assim que os magnetisados passam pelas tres phases hoje classicas e como officiaes da lethargia, da catalepsia, do somnabulismo, para irem mais além e entrarem n'uma quarta phase, particularmente lucida, de mais intima communicação, com o magnetisador, de mais absoluta insensibilidade cutanea, de mais transcendente hypnose, por assim dizer, em que começam a manifestar se os phenomenos agora confirmados no hospital da Charité pelo dr. Luys.

N'este grau elevado de hypnose, ou de magnetisação, a sensibilidade transporta-se ao ar que cérca o magnetisado, em camadas mais ou menos sensiveis, segundo a distancia a que ellas estão do magnetisado, e que este vê e descreve, como envolucros fluidos distinctos do ar, especificamente luminosos, tendo fócos, nucleos, centros especiaes, como os que se observam em todas as ondulações vibratorias.

Por meio dos mesmos passes que adormecem o magnetisado, transporta-se a sua sensibilidade para a agua contida em um copo. Si em seguida se lança uma gotta d'esta agua no fogo, o magnetisado sente a impressão de uma queimadura. Da mesma sorte se communicou uma vez a sensibilidade de um ramo de violetas que logo se levou para um quarto proximo, onde o magnetisado não podia vel-o: tudo que antes se fez a esse ramo, foi sentido e descripto pelo paciente dono da sensibilidade transmittida.

A 14 de março ultimo, o coronel d'Aiglun transmittiu a sensibilidade de um magnetisado a uma porção de agua, onde se havia dissolvido um sal até á completa saturação.

N'esta agua lançou-se logo depois um crystal do sal dissolvido, em volta do qual este começou a consolidar-se, ao passo que, acompanhando esta mudança de estado no liquido sensivel, a pessoa que lhe havia fornecido a sensibilidade se debatia nos movimentos de uma crise nervosa tão violenta, que teve de combater-se por meios medicos."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 02 de Dezembro de 1892, pág. 01, col. 02


A machadinha de Xiririca


"MACHADINHA DE BRONZE

Da Provincia de S. Paulo:

De Xiririca enviaram ao engenheiro sr. Henrique Bauer, residente em Iguape, uma machadinha de bronze em perfeito estado, que fôra encontrada a um metro debaixo do solo na Primeira Ilha d'aquelle termo, por occasião, ha pouco tempo, em que se cavava a terra para fincar o esteio de uma casa.

A machadinha reune perfeição de arte, é de bronze endurecido e aliado e presta-se ao córte de qualquer corpo duro.

O sr. Bauer, de posse d'essa raridade antiguissima, levou o facto ao conhecimento do presidente da directoria geral do Museu Nacional da côrte, e este, por meio de uma carta que lhe dirigio, disse-lhe que a machadinha, representa uma idade remotissima, e o facto de ser ella de bronze dá-lhe enorme valor, pois liga aos artefactos ás civilisações asteca, maya e inca, confirmando, assim, uma das suas hypotheses de que vieram ter ao Brazil algumas facções d'aquellas nações."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 06 de Fevereiro de 1886, pág. 02, col. 03

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Tito Raymundo de Carvalho


"Registro mortuario

Em Jaguarão, depois de soffrer muito d'uma lesão organica falleceu o capitão Tito Raymundo de Carvalho, ajudante do 3o. batalhão de infantaria.

Era um distincto militar, muito estimado pela sociedade jaguarense, onde deixa viuva e filhinhos."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 01 de Dezembro de 1892, pág. 02, col. 02

Francisca Bezerra Heinzelmann


"Registro mortuario

Falleceu hoje, n'esta capital, a exma. sra. d. Francisca Bezerra Heinzelmann, a quem a sociedade porto-alegrense muito considerava, pelas suas excellentes virtudes.

As cerimonias do enterramento annunciam-se para amanhã, devendo o saimento effectuar-se ás 8 1/2 horas do dia, do predio n. 29, da rua 13 de Maio.

Nas praças 15 de Novembro e General Marques haverá carros á disposição dos convidados.

- Á exma. familia da morta apresentamos os nossos pezames."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 03 de Março de 1892, pág. 01, col. 02

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Hermenegilda Beatriz de Oliveira


"Registro mortuario

Falleceu hoje a exma. sra. d. Hermenegilda Beatriz de Oliveira, respeitavel mãi do cidadão Pedro Benjamin de Oliveira, socio da firma Peixoto & C. Successores.

As ceremonias do enterramento se effectuarão amanhã, saindo o feretro do predio n. 379 da rua Voluntarios da Patria, as 4 1/2 horas da tarde, afim de ser encommendado meia hora depois, na capella do Senhor dos Passos.

Nas praças 15 de Novembro e Senador Florencio haverá carros á disposição das pessoas que desejarem assistir a esses actos funebres.

✤✤✤✤✤

A 7 do corrente falleceu no Passo Fundo o nosso dedicado co-religionario Antonio de Oliveira Luna, pertencente a importante familia d'aquelle municipio.

✤✤✤✤✤

Em D. Pedrito falleceu d. Maria José Rodrigues, irmã do sr. Genuino José Rodrigues."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 29 de Novembro de 1892, pág. 02, col. 05

Joaquina Barbosa dos Aydos


"Fallecimento

Á noite passada falleceu, victima do typho, a exma. sra. d. Joaquina Barbosa dos Aydos, esposa do cidadão João Aydos, negociante d'esta praça, e filha do cidadão João Ferreira Barbosa e Silva, residente na Cachoeira.

A inditosa moça, que apenas contava 29 annos de idade, deixa na orphandade duas filhinhas.

Deplorando o acontecimento, apresentamos os nossos pezames á familia da morta."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Maio de 1891, pág. 01, col. 03
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...