quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Sobrenome Tricas


"Singular e pouco difundido sobrenome de origem aragonesa que encontra-se distribuído principalmente nas províncias de Huesca, Barcelona e Zaragoza, mas também com ocorrências nas províncias de Madrid, Castellón, Lleida e Álava.

O sobrenome está diretamente associado à aldeia de Tricas, no município de Albella y Jánovas, no distrito de Boltaña, na província de Huesca. Portanto, um toponímico.

Segundo Bizén d'O Río Martínez, o primitivo núcleo familiar de Tricas teve uma casa solar muito antiga na vila de Nueno, na província de Huesca. Mais tarde seus ramais passaram a Huesca, Zaragoza e outras localidades aragonesas.

Também é encontrado na Espanha atual a forma Tricás."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Artigas


"Antigo sobrenome que teve ramais importantes, ora grafado como Artigas, ora como Artiga, em duas zonas geográficas distintas: uma no eixo Catalunha-Valência, outra no eixo País Basco-Navarra. Apesar disso, atualmente os sobrenomes Artigas e Artiga são verificados sobretudo em Aragão e Catalunha.

Os sobrenomes Artigas e Artiga são percebidos primeiramente no Principado da Catalunha em meados do século XVI, segundo dados documentais do Censo de 1553.

Os Artiga bascos, por seu turno, tiveram ramais principais nas províncias de Guipúzcoa e Navarra, com um solar conhecido na vila de Cestona ou Zestona. Houve também solares importantes nos municípios de Ernani e Irún, na mesma região.

Em Aragão, exatamente na cidade de Huesca se documenta Dom Francisco Artiga, citado como pintor por Dom Francisco Zapater y Gómez em sua obra 'Apontamentos Histórico-Biográficos sobre a Escola Aragonesa de Pintura', publicada em 1863. Francisco Artiga viveu no século XVII, tendo participado dos trabalhos de gravação da fachada da Universidade de Huesca.

A origem etimológica de Artigas remete ao período prérromano, sendo um vocábulo encontrado nas línguas aragonesa, catalã e occitana, e significa "terra artigada', isto é, arada, semeada. Existem vários topônimos na zona dos Pirineus com Artigas ou Artiga.

Uma importante família Artigas existiu em Zaragoza, tendo participado ativamente da colonização espanhola na América do Sul e em Cuba."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Villarroya


"Sobrenome de origem aragonesa, que tem origem em vários lugares que existiram com esse nome na época do antigo Reino de Aragão.

Em meados do século XVIII, houve o historiador e jurisconsulto José Villarroya, que estudou na Universidade de Valência, distinguindo-se no exercício da advocacia. Foi alcaide honorário da casa e corte da Academia de San Carlos. Publicou várias obras na área do Direito.

Também valenciano foi o escritor Tomás Villaroya. Colaborador do 'El Liceo Valenciano' entre os anos de 1841 e 1843, se notabilizou por sua poesias na língua valenciana, tendo como destaque seu poema 'Cançó'.

No Arquivo Geral Militar de Segóvia contam inúmeros expedientes militares com portadores deste sobrenome, dentre eles podem realçar os seguintes: Joaquín Villaroya, Comissário de Guerra, 1795; José Villaroya, Cavalaria, 1816, nobre; Joaquín Villaroya Matesta, Cavalaria, 1816, nobre."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Ureta


"Conforme os estudos dos genealogistas García Carraffa, o primitivo solar desta linhagem de origem navarra, foi o Palácio de Ureta, também conhecido como Casa de Uratorana ou Uraterena, que existiu na vila de Eneriz, no distrito judicial de Pamplona, com ramais em Obanos a partir de 1711.

Um ramal desta casa-palácio se estabeleceu na localidade de Zariquiagui, no ajuntamento de Zizur e distrito judicial de Pamplona. Outro ramal residiu na localidade de Llanteno, no distrito de Amurrio, província de Alava.

Existiu ainda uma casa na vila de Irún, na província de Guipúzcoa, bem como outra se assentou na vila de Gordejuela, no distrito judicial de Valmaseda, província de Guipúzcoa. Também em Burgos houve uma linhagem importante dos Ureta, linhagem esta que desempenhou papel importante na colonização do Peru, México e Chile.

Na Espanha, diferentes cavaleiros deste sobrenome obtiveram a condição de nobreza junto à Ordem de Calatrava (1785), à Real Chancelaria de Valladolid (1571, 1606, 1754, 1759, 1817, 1818 e 1828) e à Real Companhia de Guardas-Marinhas (1770, 1775).

Etimologicamente, Ureta é de origem basca e significa 'água do mar', 'enseada marítima'. Em Bilbao, há o monte Ureta (Uretamendi)."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

Sobrenome Arruga


"Sobrenome singular e pouco difundido de origem aragonesa, encontrado principalmente nas províncias de Zaragoza e Barcelona, mas também encontrado nas províncias de Gerona, Lérida, La Rioja, Huesca, Tarragona, Toledo e na Comunidade de Madrid.

Segundo o linguista catalão Francesc de Borja Moll, Arruga é derivado etimologicamente do adjetivo 'arrugada', que serve para descrever uma pessoa raquítica, débil fisicamente. Para o mesmo autor o vocábulo 'arruga' é derivado do termo latino 'ruga', com o mesmo significado.

Entretanto, de acordo com a obra 'Brasões e Linhagens do País Basco', Arruga seria uma contração do antigo sobrenome basco Arrugaeta. Este sobrenome é vinculado a um antigo solar que houve no vale de Orozko, no Senhorio de Viscaya.

Victor Ramón defende, contudo, que Arruga é uma aliteração do sobrenome encontrado nos séculos XV e XVI 'Arrua', na Cantábria."

Fonte: Real Sociedade Aragonesa de Genealogia.

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Eduardo Pereira de Campos


"Fallecimento

Em consequencia da ruptura de um aneurisma falleceu ás 11 horas da manhã de hoje o nosso co-religionario dr. Eduardo Pereira de Campos, engenheiro empregado na estrada de ferro de Porto Alegre a Uruguayana, desde o seu começo.

Era um cidadão geralmente estimado.

Penalisados por esse acontecimento, endereçamos á exma. familia do morto as expressões do nosso sentimento.

- O saimento se effectuará amanhã, ás 3 1/2 horas da tarde.

Ás 4 horas serão celebradas as cerimonias da encommendação, na Cathedral."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 11 de Maio de 1891, pág. 01, col. 04

Colônia Nossa Senhora da Piedade


"A COLONIA DE N. S. DA PIEDADE

Esta colonia compõe-se exclusivamente dos ex-escravos da fallecida condessa do Rio-Novo, que os deixou livres e deu-lhes condicionalmente (*) as terras de sua fazenda de Cantagallo, em Entre-Rios, no municipio da Parahyba do Sul, para serem divididas entre elles, ao mesmo tempo, que deixou a Irmandade de N. S. da Piedade, cuja sede se acha na Parahyba do Sul, outras porções de terras e os edificios principaes do estabelecimento e todos os instrumentos destinados ao beneficio ou tratamento industrial dos productos da lavoura, com a condição de ahi serem sempre beneficiados os productos dos colonos, mediante meação de café que deve ser todo ahi beneficiado. É das terras legadas á irmandade, e não das da colonia dos libertos, que trataremos, nos occupando das terras para a fixação de immigrantes, no correr d'este relatorio, sendo estas terras contiguas as dos libertos.

1o. - Consta a colonia de 30 lotes de terra, cada lote contendo um grupo natural de uma familia e adherentes prefazendo o numero total de colonos de ambos os sexos e de todas as idades pouco mais de duzentas pessoas (o numero exacto será em breve dado por um arrolamento que muito recommendamos á administração da colonia. O numero de libertos da condessa do Rio Novo era de 190 adultos e de perto de 40 ingenuos e menores. O facto de não podermos agora precisar as unidades que excedem de duzentas pessoas habitantes da colonia, acha-se nos recentes nascimentos e no numero ainda indeterminado de ingenuos, porquanto o numero exacto dos libertos de ambos os sexos, actualmente residentes na colonia, podemos dar, sendo estes 170. Entre elles só contam 70 casaes matrimoniaes, estabelecidos em suas respectivas habitações independentes, tendo-se ido os outros restantes colonos, segundo as tendencias naturaes de familia, de affeições ou de interesse, aggregar a esses nucleos.

Afóra esses libertos, fixados ao sólo da colonia como cultivadores, existem ainda 4 libertos homens e uma mulher (por doente, impropria ao serviço agricola), que se acham ao serviço da irmandade, no estabelecimento central da administração.

Nos lotes o agrupamento dos colonos foi feito, conforme eram crioulos e africanos, como facto geral: no mais seguem elles a gravida e social por familias, affeições e interesses mutuos, em geral em cada lote, tendo elles por isso edificado ou só uma ou mais de uma casa.

2o. - Desde a libertação dos escravos da condessa do Rio Novo até hoje falleceram sete individuos de ambos os sexos e de diversas idades. De entre os libertos retiraram-se logo após a recepção de sua liberdade oito individuos, todos do sexo masculino, e estes foram sómente dos que tinham officios e que preferiram exercel-os fóra da colonia, como mais rendosos. Foi interesse e não outro motivo que os fez emigrar.

Elles eram carapinas, ferreiros, pedreiros e cosinheiros. Estes retirantes deixaram de obter lotes na colonia, de harmonia com as disposições testamentarias, de sorte que em qualquer tempo que tenham de voltar á colonia, não têm mais direito a lotes de terras.

Não obstante, já se tem dado o facto significativo da volta de alguns d'esses libertos reclamando sua fixação na colonia e ainda no dia de nossa estada alli, um d'elles, que retirou-se para exercer o officio de cosinheiro em casa do Sr. visconde de Entre Rios, voltando casado á colonia, instava pela obtenção de um lote de terra para fixar-se como lavrador, ahi querendo edificar sua casa e estabelecer sua familia, composta apenas de sua esposa e de um filhinho.

Ainda convém notar que oito dos libertos, permanecentes na colonia, tendo officios diversos, exercem estes temporariamente fóra, attrahidos pelo maior interesse que isso lhes traz, não obstante serem proprietarios de lotes de terras, onde se acham estabelecidos com suas familias, lotes que elles alternativamente cultivam nos intervalos do exercicio exterior de sua profissão mecanica, notando-se ainda que alguns d'elles pagam a trabalhadores da colonia ou mesmo a trabalhadores livres e até brancos, de fóra, para beneficiarem seus cafesaes e roças durante sua laboriosa e interesseira ausencia.

Por estes factos fidedignos, se evidenciará que setamos na colonia de N. S. da Piedade um pouco longe da realisação das prophecias apocalypticas, que sempre precedem as reformas profundas.

3o. - Não se queixa a administração da colonia de que um unico dos libertos haja sonegado sequer, quando mais roubado, um grão de café, que elles colhem, e que devem levar ao beneficio industrial. Não se queixam nenhum visinho, nem ninguem na povoação, quer habitante fixo, quer viajante, de que os libertos da colonia tenham tirado objectos alheios, nem os viajantes se podem queixar de que elles lhes peçam cousa alguma, e menos que se entreguem á mendicidade na ruas e estradas, ou em illudir alguem com trapaças ou armadilhas á boa fé.

Quando visitamos as colonias, os homens achavam-se, pela maior parte, nos trabalhos do campo, e as mulheres em casa, occupando-se dos filhos e da sua economia domestica, rudimentar e mais que modesta ainda.

Penetramos em algumas habitações e reconhecemos o contentamento dos colonos por sua nova condição, mas todos se queixavam do que todos se queixam... da escassez de meios para realizarem seus desejos de melhoramentos.

Antes da libertação e da constituição da colonia, apezar da extrema bondade da condessa do Rio Novo, só havia oito casaes legitimos na fazenda; depois, porém de 20 de Janeiro de 1883 até hoje, dentro do espaço de um anno, ou desde a epocha em que foi constituida a colonia, realisaram-se mais 62 casamentos, a maior parte logo após a constituição da colonia, prefazendo ao todo 70 casamentos, ficando portanto a grande maioria dos colonos constituida em familias legaes e legitimando assim seus filhos aquelles que já os tinham antes do casamento.

(...)

6o. - A colonia contém 58 casas, feitas todas pelos colonos, depois de sua libertação e da constituição da colonia, depois de sua libertação e da constituição da colonia, isto é, de 20 de Janeiro de 1883, ou ha um anno exacto. Estas casas não se acham todas juntas, constituindo um povoado unico, mas separadas umas das outras e independentes. Ellas acham-se de preferencia dentro dos diversos lotes de terra.

Além dessas casas especiaes dos colonos, e por elles feitas, devemos mencionar duas casas maiores, já existentes antes da libertação, uma chamada Sítio e outra, Sant'Anna, constando de quatorze lances; ambas são cobertas de telhas, e ahi moram algumas familias de colonos.

Das 58 casas, 11 são cobertas de telhas, e apresentam já certa commodidade relativa, todas possuindo portas e janellas, e maior parte com caixilhos e entre ellas já havendo umas duas com portas e janellas pintadas, e alguns quartos soalhados."

Fonte: A IMMIGRAÇÃO: ORGÃO DA SOCIEDADE CENTRAL DE IMIGRAÇÃO (Rio de Janeiro/RJ), boletim 003, dez. 1883 a ago. 1884, pág. 10, col. 01, pág. 11, col. 01-02
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