quinta-feira, 12 de abril de 2018

Cuca Colonial


" 1/2 kg de farinha de trigo
65 g de margarina
65 g de banha
150 g de açúcar
3 ovos
1 pitada de sal
1 tablete de fermento de pão (Fleischmann)
casca ralada de limão

1o. Dissolva o fermento com um pouco de água morna e uma colher de açúcar; deixe levedar.

2o. Misture os ovos e o açúcar; bata bem.

3o. Peneire a farinha e abra uma cavidade no centro; coloque o fermento e a mistura dos ovos, a casca ralada do limão e o sal; misture tudo bem e sove bem a massa; deixe crescer pelo dobro. Coloque nas formas e deixe crescer de novo.

4o. Pincele, antes de levar ao forno, com uma gema desmanchada com uma colher de leite, e, por fim, polvilhe com o Streusel, que se faz da seguinte forma:

Streusel:

1 xícara de farinha de trigo
4 colheres de açúcar
1 colher de canela em pó
2 colheres de margarina
Misturar tudo e esfarelar bem."

Fonte: MÜLLER, Telmo Lauro. Os imigrantes alemães e sua cozinha. Porto Alegre/RS: Consulado Geral da República Federal da Alemanha, 2001, 2a.ed., p. 34.



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Henrique Martins Chaves


Por Araújo Pôrto Alegre

"Nasceu na cidade de Pelotas, onde veio a falecer a 13 de fevereiro de 1902, em pleno vigor dos anos. Aí mesmo estudou os preparatórios, seguindo depois para S. Paulo, onde se bacharelou na Faculdade de Direito, deixando um bom nome entre os lentes e colegas, pela sua conduta irrepreensível e pelo seu belo talento. Era um republicano sincero, ardoroso e bem-intencionado.

Fêz parte do Clube Vinte de Setembro, que havia sido criado pelos nossos patrícios, que freqüentavam a academia. Concluído os estudos, voltou logo à terra natal, pondo o seu brilhante talento ao serviço do partido que o tinha em alta conta. No período mais agudo da revolução de 1893, exerceu, em Pelotas, o cargo de Intendente do município, não permitindo que fôsse cometida a mais leve violência contra os adeptos da revolta. Em quadra tão delicada e tão espinhosa, os inimigos do Govêrno viviam tranqüilos, confiantes no espírito tolerante do ilustre rio-grandense. 

Apesar das múltiplas preocupações do momento crítico em que se via o nosso Estado, o Dr. Henrique Chaves imprimiu a todos os seus atos o cunho da mais louvável moderação. E administrou o município com zêlo e probidade, bem podendo a sua conduta servir de modêlo aos que sobem os degraus do Govêrno, esquecendo, quase sempre, nas alturas, as mais ligeiras noções do dever. Que estas nossas últimas palavras não sejam esquecidas pelos moços de hoje - que serão os governantes de amanhã."

terça-feira, 10 de abril de 2018

Os diferentes tipos de migração


Vídeo bem informativo sobre a questão da migração e seus diferentes tipos. Do excelente canal BláBláLogia, o qual recomendamos a inscrição. Confira o vídeo!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A gastronomia portuguesa


"Mesmo em tempo de globalização (ou até por conta deles, como uma forma de reação), os portugueses se mostram muito ligados às suas origens, seu local de nascimento ou o de seus antepassados. Reconhecem-se como 'minhotos', 'algarvios', 'beirões', 'alentejanos', 'transmontanos' ou 'ilhéus', por exemplo.

A temática regional é algo muito atraente para os pesquisadores acadêmicos. E 'recuperar as raízes', conhecer a região, a cidade ou a aldeia 'da família' é atividade que entusiasma profissionais e amadores em Portugal.

A valorização das identidades regionais também está nos corações e mentes de emigrantes portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo. No país hospedeiro, além da Casa de Portugal, costumavam fundar e ainda mantêm 'Casas' do Minho, da Beira, do Alentejo... Tais 'Casas' são associações culturais, desportivas e sociais que procuravam reunir os portugueses que vivem fora de Portugal, esforçando-se por manter tradições trazidas 'lá da terrinha'.

A gastronomia regional portuguesa tem, entre os portugueses e estrangeiros, um forte apelo. Além de reforçar identidades locais, tem servido como estímulo ao turismo, sendo, por isso, uma importante fonte de divisas. A diversidade interna do pequeno país tem atraído estrangeiros de várias partes do mundo; os pratos típicos de cada localidade estão entre os carros-chefe do marketing turístico.

Dos inúmeros pratos salgados à rica doçaria, somados aos famosos vinhos nacionais, Portugal, tem, de fato, muito a oferecer.

O ingrediente mais conhecido da gastronomia portuguesa entre os brasileiros é o bacalhau. Em Portugal, ele é chamado de 'fiel amigo', por estar presente na 'mesa do rico e na do pobre', em muitas ocasiões, especialmente nas comemorações natalinas. Na véspera do Natal, a 'Consoada', receita que tem o bacalhau como base, é o prato escolhido 'por nove entre dez portugueses'.

Os portugueses 'descobriram' o bacalhau no século XV, na época das grandes navegações. Seus primeiros apreciadores haviam sido os vikings, muitos séculos antes. No século IX, já existiam fábricas para processamento de bacalhau na Islândia e na Noruega. O preapro, contudo, consistia em apenas deixar o peixe secar ao ar livre até que perdesse quase todo seu peso e endurecesse como uma tábua, para que pudesse ser consumido em pedaços por um longo tempo. O bacalhau curado, salgado e seco, tal como costumamos comprar no Brasil, foi criação de habitantes dos Pirineus (entre a Espanha e a França) que passaram a comercializá-lo por volta do ano 1000. A nova forma de preparo agradaria os navegadores portugueses, quatro séculos mais tarde, por garantir uma melhor conservação do produto. Eles precisavam de alimentos que suportassem as longas viagens marítimas. O ingrediente logo se popularizou e, no início do século XVI, o bacalhau já correspondia a 10% do pescado comercializado em Portugal. Incorporou-se aos hábitos alimentares dos portugueses e virou parte importantíssima da tradição. Em carta enviada no século retrasado ao historiador e político Oliveira Martins, o famoso escritor Eça de Queirós declarou:

Os meus romances, no fundo, são franceses, como eu sou, em quase tudo, um francês - excepto num certo fundo sincero de tristeza lírica que é uma característica portuguesa, num gosto depravado pelo fadinho, e no justo amor do bacalhau de cebolada!

O amor é tanto que, atualmente, os portugueses são os maiores consumidores de bacalhau do mundo.

Em Portugal podemos saborear o bacalhau preparado de infinitas maneiras, para além da nossa conhecida 'Bacalhoada' com batatas, cebolas, ovos e pimentões, que - graças aos portugueses - também é prato tradicional no Brasil, apreciado especialmente na Sexta-Feira Santa e no Sábado de Aleluia.

A cozinha lusa pode agradar paladares exigentes, mas também intimidar estômagos sensíveis. Pratos tradicionais pesados e calóricos como 'Rojões à moda do Minho' ou 'Papas de sarrabulho' podem se tornar uma aventura gastronômica inesquecível! Os tais rojões são feito à base de carne de porco, cortada em cubos e temperada na banha e no vinho, levam ainda tripas, fígado de porco e sangue cozido. Nas 'Papas de sarrabulho' vão fígado de porco, bofes de porco, goelas de porco, coração de porco, osso da suã de porco, galinha gorda, carne de vaca, sangue de porco cozido e farinha de milho peneirada.

Os pratos fortes do Norte estão associados às carnes, aos 'enchidos', às 'alheiras', 'às morcelas' (feitas com o sangue de porco) e aos 'chouriços'.

Trás-os-Montes é o berço da 'posta a mirandesa': carne de vaca temperada com sal grosso e grelhada em brasas, servida com 'batatas ao murro', assadas no sal com a casca, e 'grelos salteados'. Essas batatas têm inúmeras receitas e a mais comum é a que recomenda lavar as batatas e, em seguida, cozinhá-las por cerca de 30 minutos em fogo médio. Ao saírem do fogo, devem ser colocadas em um pano de prato, onde estão prontas para receber o 'murro' (é um soco mesmo!). Depois, são temperadas com azeite, sal grosso e alecrim e levadas ao forno em uma assadeira por 15 ou 20 minutos. Os grelos são os talos ou as hastes de legumes, como nabo e couve-flor, por exemplo. 'Saltear' é uma forma de cozinhar pequenos pedaços de alimentos em lume (fogo) alto com pouca gordura.

Os 'enchidos' são feitos com carne e gordura de porco, carne de aves, pão de trigo, azeite e banha condimentados com sal, alho e colorau (doce ou picante). Podem ainda incluir carne de caça, a carne de vaca, salpicão e/ou presunto. Os 'enchidos' têm formato de cilindros curvados como ferraduras, seu invólucro é de tripa natural (de vaca ou de porco) e o recheio é composto pelas carnes desfiadas unidas por uma pasta fina.

A origem das 'alheiras' remete às artimanhas que os judeus desenvolveram para escapar das perseguições impostas pela Inquisição. Como os israelitas religiosos não comem carne de porco, para escapar à repressão da Igreja Católica substituíam esse ingrediente por outras carnes (como vitela, coelho, peru, pato, galinha ou perdiz) envolvidas por uma massa de pão que lhes conferia consistência. Assim, como todos os vizinhos, eles também defumavam seus 'enchidos', não atraindo as suspeitas dos demais. Mais tarde, a receita acabaria por se popularizar também entre os cristãos, embora estes acrescentassem carne de porco ao preparo.

No Alentejo, um dos pratos típicos é a 'carne de porco à alentejana', em que a carne é preparada com banha, vinho, alho e ameijoas (mariscos). Esse prato é preparado cozido em fogo brando na cataplana, uma espécie de panela composta por duas partes côncavas que se encaixam com auxílio de uma dobradiça.

As sopas estão em praticamente todas as refeições dos portugueses. A mais conhecida é o 'caldo verde', feito à base de batata, couves e chouriços.

Por último, uma especialidade gastronômica incorporada há poucas décadas nos bares portuenses: a 'francesinha', uma novidade trazida por conta da emigração portuguesa para a França. A 'francesinha' é uma sande (sanduíche no pão de forma) recheada com carne de vaca, linguiça de porco, salsicha fresca e fiambre (presunto cozido) e coberta com queijo e um molho especial chamado 'molho de francesinha', que leva cerveja, caldo de carne, folhas de louro, margarina, Brandy ou Porto, farinha maisena, polpa de tomate, tomate fresco, leite e piri-piri (um tempero picante)."

Fonte: SCOTT, Ana Silvia. Os portugueses. São Paulo: Contexto, 2012, p. 85-87.

domingo, 8 de abril de 2018

A Batalha do Rio da Prata

"Em 1939, no meio da via fluvial mais larga do mundo, o rio da Prata, uma massa de aço de 186 metros de comprimento, pesando quase 16 mil toneladas, afundou depois de duas fortes explosões. No lamacento fundo do rio que separa o Uruguai da Argentina, ficou imobilizado para sempre o poderoso encouraçado 'de bolso' da Kriegsmarine - a Marinha de Guerra alemã -, o Admiral Graf Spee.

Depois de ter protagonizado uma das últimas batalhas navais clássicas da história (sem a presença de aviões ou porta-aviões), o Graf Spee foi afundado por Hans Langdorff, seu próprio capitão. O motivo: evitar que a tecnologia naval alemã - na época, uma das mais avançadas do mundo - caísse nas mãos da inimiga marinha britânica, que a esperava na foz do rio da Prata.

O Graf Spee era um dos orgulhos da frota do Terceiro Reich. No dia 3 de setembro de 1939, dois dias após o início da Segunda Guerra, começou sua tarefa: afundar navios mercantes possíveis no Atlântico Sul, como forma de estrangular a economia e o abastecimento dos Aliados.

Em cem dias de atividade frenética, comandado pelo astuto capitão Langsdorff, o Graf Spee colocou a pique nova mercantes (sem causar a morte de nenhum dos tripulantes das embarcações inimigas) e distraiu a atenção de dezenas de navios de guerra ingleses e franceses do principal cenário de guerra, o Atlântico Norte.

Quando navegava perto da costa uruguaia, entrou em combate com três navios britânicos, ação que entrou para a História com o nome de Batalha do Rio da Prata. Langsdorff conseguiu atingi-los duramente. No entanto, teve que se retirar para consertar os danos sofridos pelo Graf Spee, e seguiu para o porto neutro de Montevidéu (que, embora neutro, não era amigável com os alemães, mas sim com os ingleses).

O embate levou dezenas de milhares de pessoas em Montevidéu e em Buenos aires às respectivas avenidas beira-rio, para aguardar a aproximação dos navios com a esperança de assistir de 'camarote' ao duelo entre as mais poderosas marinhas de guerra do mundo. Durante dias, a Segunda Guerra Mundial esteve presente neste recanto longíquo da América.

Finalmente, depois de ouvir os rumores de que mais navios britânicos se aproximavam do rio da Prata, Langsdorff percebeu que o lugar era um beco sem saída. E desistiu.

Após enterrar 36 marinheiros no cemitério da capital uruguaia, zarpou do porto. A sete quilômetros de distância da costa, ordenou que os marinheiros abandonassem o navio. Cargas explosivas detonaram no fundo do encouraçado, que afundou.

A tripulação alemã refugiou-se em Buenos Aires, porto neutro (mas amigável com o Reich). Posteriormente, grande parte dos marinheiros foram para província de Córdoba. Outra parte retornou à Alemanha para continuar a guerra.

No entanto, Langsdorff não retornou à Alemanha. Em seu quarto do City Hotel, ao lado da Praça de Maio, o capitão deitou na cama. Enrolado na bandeira alemã - não a nazista com a suástica, mas sim a velha insígnia imperial, já que ele próprio não se considerava um nazista -, suicidou-se com um tiro.

Nos anos seguintes, os capitães aliados - seus inimigos - foram unânimes em defini-lo como 'um cavalheiro'.

Langsdorff foi enterrado no setor alemão do cemitério de La Chacarita, em Buenos Aires."

Fonte: PALACIOS, Ariel. Os argentinos. São Paulo: Contexto, 2013, p. 114-115.


sábado, 7 de abril de 2018

Jantar Dançante dos 90 anos da Escola Barão de Arroio Grande

Divulgação.

Imigração em São Paulo - Parte 03


"Em São Paulo, os imigrantes instalaram-se nos bairros próximos às residências de seus contemporâneos ou em vilas operárias, conferindo distintos contornos culturais à geografia da cidade: os italianos se concentraram no Brás, Moóca e Bexiga; os espanhóis preferiram o Cambuci; os japoneses, a Liberdade; os portugueses se estabeleceram em Santana; os ucranianos ocuparam a região do ABC, e os alemães, buscaram as áreas distantes do bairro que hoje é Santo Amaro.

É preciso ressalvar que nem todos os imigrantes eram camponeses e miseráveis. Muitos eram artesãos ou comerciantes e alguns tinham recursos para se estabelecer com pequenas indústrias. Este foi o caso de Francesco Matarazzo, fundador das Indústrias Matarazzo, que começou a vida no Brasil negociando banha de porco e que, em pouco mais de trinta anos, comandava um complexo de 365 fábricas. Outros, como os Scarpa, por exemplo, ascenderam da condição de operário de fábrica de tecidos para a de industrial.

(...)

Os imigrantes foram responsáveis por mudanças cruciais na vida política, social e cultural do país, sobretudo no Estado de São Paulo. Além de colonizar as áreas da Região Sul e contribuir para a expansão da lavoura cafeeira, também são responsáveis por uma formidável expansão de atividades artesanais como a marcenaria, carpintaria, construção, ourivesaria, litografia, costura, etc. A mão-de-obra imigrante também foi a força propulsora da industrialização. E tiveram participação ativa na formação do movimento operário brasileiro: as greves que pipocaram em São Paulo, em 1910, e a greve geral de 1917, por exemplo, tiveram impressões digitais de italianos e espanhóis anarco-sindicalistas.

A vida cultural paulista, desde o início do século, incorporou tradições trazidas pelos imigrantes através de espetáculos teatrais, circenses, musicais, ou da introdução de novos hábitos, crenças e valores. Os imigrantes e seus descendentes, hoje, são parte integrante da paisagem cultural do Sul e do Estado de São Paulo."

Fonte: UMA América por fazer. Horizonte Geográfico - A emoção de descobrir o mundo. São Paulo, ano 13, número 67, p. 67.

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