quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Nós apoiamos o Plebisul!


No próximo sábado, 07 de Outubro de 2017, nos três estados da região sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, estará acontecendo, entre às 8 e 17 horas, uma consulta informal sobre a possibilidade de separação política dos três estados do restante do Brasil. Em Capão do Leão haverá dois locais de votação: um na Avenida Três de Maio, no bairro Jardim América, no CTG Herança Campeira, e outro na Avenida Narciso Silva 1903, bairro Centro. É necessário levar o título de eleitor.

Queremos expressar que apoiamos plenamente o movimento e sugestionamos a nossos leitores que possam se informar mais a respeito, independente de suas convicções. Importante  também é a participação do maior número possível de eleitores, mesmo daqueles que se posicionam contrários à ideia.

Nossa opinião a favor da formação de um novo país não está relacionada a uma suposta ojeriza a outras regiões do país e seus habitantes. Entendemos, porém, que a ideia de uma nação brasileira falhou em seus propósitos, vivenciamos um centralismo político e econômico asfixiante e uma estrutura pública gigantesca, porém ineficiente. Na verdade, com todo o respeito às opiniões contrárias, acreditamos que também são legítimos outros movimentos de separação da União, como o paulista e o nordestino. Cremos que cada região poderia se auto-gerir e governar melhor em territórios mais compactos, com vocações sócio-econômicas melhor exploradas e com caminhos de desenvolvimento mais particularizados. 

Não consideramos que o sul é o melhor que o restante. Nossos posicionamentos a favor da separação são políticos. Cada região daquilo que chamamos Brasil possui suas riquezas, tanto do ponto de vista econômico quanto cultural. Mas é evidente que o projeto de nação nunca deixou completamente a tendência a uma forte centralização - herança desde os tempos dos colonizadores.

Estaremos lá no sábado votando SIM, mesmo que o movimento seja não-oficial. Esta é nossa opinião sobre o assunto. De qualquer forma, participe!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Histórias Curiosas LVII


Fonte: NERY, Sebastião. Folclore político, 3. Rio de Janeiro: Record, 1978, p. 49.

"Borges de Medeiros acabava de disputar a presidência do Estado (antes de 1930 não era governador, era presidente) pela quinta vez. Apesar do bico de pena, das atas falsas, da fraude, não dava para ganhar. E o velho oligarca lá no palácio, inabalável como uma coluna romana.

Getúlio Vargas, Flores da Cunha e Osvaldo Aranha sentiram que daquela vez não havia como falsear mais o resultado das urnas, foram em comissão conversar com Borges para convencê-lo a reconhecer a derrota e a aceitar a hora da aposentadoria. Getúlio seria o porta-voz do partido. Chegam lá, cumprimentam-no, sentam-se, Getúlio está inseguro:

- Dr. Borges, estamos aqui numa missão difícil, mas convencidos de que prestando um grande serviço ao Rio Grande e ao país...

- Já sei. Vocês vieram me comunicar que mais uma vez me pesa sobre os ombros a árdua missão de governar o Rio Grande do Sul. Como é um encargo e não apenas um cargo, aceito. Quando é a posse?

Getúlio olhou Osvaldo e Flores, acabou a frase:

- É isso mesmo, Dr. Borges. O Rio Grande se orgulha de ser comandado mais cinco anos pelo seu grande líder. Esta é a vontade do povo.

Borges de Medeiros foi dormir em paz com o Poder e com a vontade do povo. Como um vice-líder da Arena."

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Beerfest - I Festival de Cerveja Artesanal

Ocorre no dia 29 de Outubro, a partir das 10hs da manhã, na Casa Grupelli, no distrito do Quilombo, zona rural de Pelotas, o "Beerfest - I Festival de Cerveja Artesanal". O evento contará com diversas cervejarias da cidade de Pelotas e do Rio Grande do Sul, almoço colonial, atrações musicais e gastronomia variada. Para mais informações acesse a página da promotora do evento no facebook: https://www.facebook.com/yesmulticomunicacao/

domingo, 1 de outubro de 2017

Joaquim Jacintho de Mendonça


Por A. Pôrto Alegre

"Filho de João Jacintho de Mendonça e D. Florinda Luiza da Silva Mendonça. Nasceu nesta cidade (nota nossa: Pelotas) a 20 de maio de 1828. Fêz os estudos preparatórios no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para S. Paulo onde bacharelou-se em 1850. Filiou-se ao Partido Conservador, a que pertencia tôda a sua família. 

No ministério presidido pelo Visconde de Rio Branco, foi-lhe oferecida a pasta da Marinha, que não aceitou por insistência da dissidência conservadora, chefiada por Paulino de Souza, Andrade Figueira e outros. Magistrado, administrador, político - de qualquer modo foi êle sempre de uma respeitabilidade enorme. Quando exerceu o lugar de promotor público, a Justiça não teve mais nobre representante; quando governou Sergipe e a sua terra natal, era o bem público a sua única preocupação; na Assembléia Provincial e na Câmara temporária, a sua palavra elegante apadrinhou sempre as causas justas e do interêsse de todos. Sem que excedesse as faculdades potentes de seu saudoso irmão João Jacintho, o Dr, Joaquim Mendonça, entretanto, soube honrar na tribuna política e judiciária o nome do Rio Grande, ilustrando o pôsto em que tantas glórias conquistaram Gaspar Martins, Amaro da Silveira, Félix da Cunha e tantos outros. 

Ao inaugurar-se a situação liberal de 1889, entendeu o Govêrno do país, por iniciativa de Silveira Martins, testemunhar o seu aprêço ao nobre adversário, conferindo-lhe o título de conselheiro. O desgôsto irreparável da perda de sua extremosa espôsa, que era uma digníssima senhora, agravou os antigos padecimentos do rio-grandense ilustre, que no retraimento a que de último se votara, ainda assim passou sempre rodeado de solicitude daqueles que o sabiam prezar pelo muito que apreciavam as jóias de seu caráter e as virtudes de seu coração. Faleceu em Pelotas a 1. de janeiro de 1891."

sábado, 30 de setembro de 2017

Relação dos Trabalhadores da Pedreira do Cerro do Estado, Capão do Leão/RS em 1928

Lista de empregados da Compañia Americana de Construcciones y Pavimentos, S.A.

1. Giorgios A. Deinos, admissão 12-12-1927, nascido em 12-05-1891, Oreus, Província de Enoia, Grécia, filho de Antonio Deinos e Quiriana Deinos, Solteiro, Capataz.

2. Rosa Coralles, admissão 01-02-1928, nascida em 24-06-1910, Pedras Altas/RS, filha de Benjamin Coralles e Anna Avelina Pereira, Solteira, Telephonista.

3. Nahir Coralles, admissão 01-02-1928, nascida em 13-04-1913, Pedras Altas/RS, filha de Benjamin Coralles e Anna Avelina Pereira, Solteira, Telephonista.

4. Luiz Gonçalves Pereira, admissão 15-03-1928, nascido em 20-07-1908, 2o. distrito de Herval/RS, filho de Seraphim Pereira e Corina G. Pereira, Solteiro, Canteiro.

5. Julio Sorteli, admissão 26-12-1927, nascido em 22-04-1899, 4o. districto de Pelotas/RS, filho de Constantino Sorteli e Imilhana dos Santos Sorteli, cazado, Ligador de pedras.

6. Balbino Leivas, admissão N/C, nascido em 30-03-1908, Herval/RS, filho de Zeferino Leivas e Cerafina R. Leivas, Solteiro, Canteiro.

7. Doralicio Bueno, admissão 09-11-1927, nascido em 08-07-1915, Monte Bonito/RS, filho de Manoel Bueno e Maria Preciosa, Solteiro, Rocha do guindaste.

8. Manoel V. Quadrado, admissão 21-12-1927, nascido em 17-08-1913, Capão do Leão/RS, filho de Arielcio Quadrado e Francisca Quadrado, Solteiro, Carregador de ferramentas.

9. Orestes de Lima Silva, admissão 02-01-1928, nascido em 15-03-1905, Capão do Leão/RS, filho de Francisco Pedro da Silva e Amabilia Lima da Silva, Cazado, Canteiro.

10. Algemiro Leivas, admissão 01-07-1926, nascido em 02-12-1902, Herval/RS, filho de Zeferino Leivas e Cerafina B. Leivas, Cazado, Canteiro.

11. Giorgios Psarás, admissão 03-03-1928, nascido em 17-01-1885, Válta Cassándras Hale, Grécia, filho de Atanasios Psarás e Higdalini Psarás, Viúvo, Canteiro.

12. Constantino Asiótis, admissão 03-03-1928, nascido em 19-09-1904, Iráclion Critis, Grécia, filho de Theodoro Asiótis e Alexandra Asiótis, Solteiro, Canteiro.

13. Demetrios Gefos, admissão 17-01-1928, nascido em 23-04-1900, Asarliné, Província Larissa, Grécia, filho de Stergios Gefos e Niratza Gefos, Solteiro, Ferramenteiro.

14. Soterio Vergias, admissão 03-03-1928, nascido em 02-08-1880, Liguidista Província Tripohilia, Grécia, filho de Constantino Vergias e Eugenia Vergias, Cazado, Canteiro.

15. Haralabos Litropoulos, admissão 03-03-1928, nascido em 12-12-1900, Crisavitz Tripoalis, Grécia, filho de Constantino Litropoulos e Thiari Litropoulos, Solteiro, Canteiro.

16. Giorgios Pirgeótis, admissão 03-03-1928, nascido em 18-01-1896, Hautejauz Província Cardístsis, Grécia, filho de Spiros Pirgeótis e Vasilissi Pirgeótis, Cazado, Canteiro.

17. Giorgios Karivalis, admissão 03-03-1928, nascido em 16-01-1881, Tarsan Província Korintha, Grécia, filho de Nicolaos Karivalis e Kalliope Karivalis, Viúvo, Canteiro.

18. (ilegível) Christopoulos, admissão 03-03-1928, nascido em 19-04-1899, Sparta Província Laconia, filho de Apollo Christopoulos e Helena Christopoulos, Cazado, Canteiro.

19. Antonio Lupsiotis, admissão 28-03-1928, nascido em 17-06-1900, Loritza Província Castoria, Macedonia, Grécia, filho de Theodecios Lupsiotis e Jauulla Lupsiostis, Cazado, Canteiro.

20. Basilios Seraparis, admissão 28-03-1928, nascido em 17-05-1898, Loritza Província Castoria, Macedonia, Grécia, filho de Juva Seraparis e Maria Seraparis, Cazado, Canteiro.

21. Constantino Kosquiaris, admissão 28-03-1928, nascido em 09-03-1899, Costriaziou Província Kastoreiza, Grécia, filho de Zisis Kosquiaris e Ecaterini Kosquiaris, Cazado, Solteiro.

22. Themistoclis Siropoulos, admissão 28-03-1928, nascido em 01-03-1904, Basiliká Província Thessalonika, Grécia, filho de Alexandre Siropoulos e Maria Siropoulos, Solteiro, Canteiro.

23. Nicolau Vulos, admissão 28-03-1928, nascido em 01-03-1928, nascido em 01-03-1901, Vratzical Província Castoria, Macedonia, Grécia, filho de Demetrios Vulos e Zuitza Vulos, Cazado, Canteiro.

24. Haralabas Marchileas, admissão 28-03-1928, nascido em 01-01-1893, Petrovizaii Província Laconia, Grécia, filho de Periclis Marchileas e Garifalia Marchileas, Cazado, Canteiro.

25. Panagiotis Marchileas, admissão 27-03-1928, nascido em 01-11-1896, Kardamili Província Laconia, Grécia, filho de Periclis Marchileas e Garifalia Marchileas, Cazado, Canteiro.

26. Demetrios Karpazas, admissão 28-03-1928, nascido em 15-08-1904, Salonica, Grécia, filho de Joan Karpazas e Theodora Karpazas, Solteiro, Ferreiro.

27. Hugo Silva da Cunha, admissão 24-12-1928, nascido em 31-08-1916, Santa Izabel, Arroio Grande/RS, filho de Arcirio G. da Cunha e Manoela S. da Cunha, Solteiro, Escriptorio.

28. Albert Day, Directoria, nascido em 18-08-1878, Brockton, Massachusetts, Estados Unidos da América, Cazado.

29. (ilegível) Habekorn, Engenharia da Expedicção, nascido em 13-08-1874, New Paltz, Nova York, Estados Unidos da América, Cazado.

30. Paul Francis Spencer, Directoria, nascido em 18-08-1881, Providence, Rhode Island, Estados Unidos da América, Cazado.

31. Ioannis Anastassakis, admissão 14-04-1928, N/C, N/C, N/C, Província Macedonia, Grécia, N/C.

32. Apollo Maropiz, admissão 14-04-1928, N/C, N/C, N/C, Província Macedonia, Grécia, Canteiro.

33. Paulo Tavoularis, admissão 14-04-1928, N/C, N/C, N/C, Província Macedonia, Grécia, Canteiro.

34. Stefanos Vecris, admissão 14-04-1928, N/C, N/C, N/C, Província Macedonia, Grécia, Canteiro.

35. Leonides Antolis, admissão 14-04-1928, N/C, N/C, N/C, Província Laconia, Grécia, Foguista.

36. Felipe Karisotis, admissão 14-04-1928, N/C, N/C, N/C, Província Macedonia, Grécia, Canteiro.

37. Antonio Psilatis, admissão 14-04-1928, N/C, N/C, N/C, Província Kalcis, Grécia, Ferreiro.

38. Cassios Xantis, admissão 14-04-1928, N/C, N/C, N/C, Província Macedonia, Grécia, Canteiro.

39. Sokratis Manos, admissão 14-04-1928, N/C, N/C, N/C, Província Macedonia, Grécia, Canteiro.

40. Antonio Maroulis, admissão 14-04-1928, N/C, N/C, N/C, Província Macedonia, Grécia, Canteiro.

41. Juan Jose Fuentes, Estafeta, nascido em 12-11-1902, Buenos Aires, Argentina, Cazado.

42. Mark Smith, Directoria, nascido em 01-08-1880, New Jersey, New Jersey, Estados Unidos da América, Cazado.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Um castigo aos escravos em Pelotas

Trecho extraído de: BENTO, Cláudio Moreira. O negro e descendentes na sociedade do Rio Grande do Sul (1635-1975). Porto Alegre: Grafosul, Instituto Estadual do Livro, 1976, p. 267.

"O autor (Michael G. Mulhall - nota nossa) ao parar numa estalagem distante cerca de 2 léguas de Pelotas, na encruzilhada para Jaguarão e Canguçu, observou o seguinte:

'Pouco depois de deixarmos a estalagem, começamos a sentir o calor do sol e fiquei com pena de alguns negros que, com pequenos cestos na cabeça, dirigem-se penosamente à cidade.

Fiquei sabendo que este era um dos castigos que seus amos davam, por alguma falta cometida, ao invés de surrá-los.

Como eles não se importam com o sol, a única dificuldade era a de terem de caminhar 10 milhas em cada sentido para buscar, digamos, uma libra de açúcar ou um jornal.

Estes escravos não raro escapam pela fronteira com a Banda Oriental (Uruguai) e voltam 2 anos depois, porque, passado esse período, nenhum amo pode reclamá-los."


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Maragatos e Pica-Paus


Fonte: PESAVENTO, Sandra Jatahy. A Revolução Federalista. São Paulo: Brasiliense, 1983, p. 84-91.

"Durante a Monarquia, vigorava um esquema de bipartidarismo, no qual liberais e conservadores se alternavam no poder. Com a República, subiram no Rio Grande os republicanos, que passaram a perseguir o objetivo de manter afastada do poder político aquela parcela da classe dominante que fora derrubada.

Tanto no período que decorreu entre a ascensão de Castilhos como governante constitucional do Rio Grande, em 1891, até a sua queda, no final do ano, quanto no decorrer do 'governicho', começaram a registrar-se atos de violência e arbitrariedades no estado.

Por um lado, deve-se ter em conta que a sociedade sulina sempre conviveu com a violência, desde o seu período formativo, marcado pelas guerras contínuas com o castelhano pela posse da terra e do gado. Todavia, em nenhum período de sua história se registraram atos tão bárbaros, com requintes de crueldade, como neste período da história gaúcha. O Rio Grande experimentou a fase de maior radicalização política já vivida pela região.

Dependendo das fontes de consulta, as arbitrariedades e matanças começaram deste ou daquele lado.

É bem verdade que, quando os castilhistas subiram ao poder, 'varreram' os liberais dos seus cargos e os perseguiram; por sua vez, quando do 'governicho', foi a vez dos republicanos serem perseguidos, registrando-se assassinatos em revide aos crimes praticados pelo PRR [nota nossa: Partido Republicano Rio-Grandense].

Com o retorno dos republicanos ao poder, abriu-se um novo período de violências e perseguições, que mais fizeram recrudescer a radicalização política.

Enquanto o PRR reorganizava a Guarda Civil, transformando-a em Brigada Militar e aumentando a dotação orçamentária estadual para os aparatos da repressão, os federalistas, no exílio, armavam-se e preparavam-se para a invasão. Esta tarefa lhes era facilitada, tendo em vista que muitos possuíam propriedades no Uruguai.

Alguns incidentes isolados registraram-se no decorrer do segundo semestre de 1892. Tentativas de aproximar os dois líderes para evitar o enfrentamento fracassaram.

Os republicanos continuaram a sua perseguição sistemática aos federalistas, obrigando-os a uma emigração maciça para além da fronteira. Estes, por sua vez, viam na guerra civil a única forma de inverter a situação política do estado, uma vez que o apoio de Floriano a Castilhos não lhes dava esperança de uma intervenção federal em seu favor.

A 2 de fevereiro de 1893, deu-se a primeira invasão, quando os revoltosos, vindos do Uruguai, pretenderam tomar a cidade de Bagé. Começava a Revolução Federalista.

As tropas federalistas eram constituídas, basicamente, dos estancieiros da Campanha com seus homens, na maioria civis, ex-liberais e ocupantes de postos e/ou cargos políticos municipais no período imperial. Sendo comandantes da antiga Guarda Nacional, recebiam o título de coronéis, sem terem, contudo, outra formação militar do que aquela adquirida nas guerras de fronteira com os platinos. Desde o ponto de vista militar, as tropas rebeldes lutavam com precariedade de recursos, se comparadas com os republicanos. Afeitos às lides do campo e ao uso da montaria, seus piquetes eram dotados de grande mobilidade e atacavam de surpresa, a cavalo, portando lanças.

Desde o início, os federalistas receberam de seus adversários a alcunha de 'maragatos'. A atribuição do nome tem diferentes interpretações. A mais aceita atribui esta designação ao fato de os revoltosos contarem em seus efetivos com muitos elementos oriundos de uma província uruguaia que fora povoada por espanhóis vindos de Maragateria. Ao atribuir esta designação aos federalistas, os castilhistas tentaram depreciá-los, dando-lhes a conotação de 'invasores estrangeiros' do Rio Grande. Os federalistas, contudo, adotaram a designação, que, ao lado do lenço vermelho, se tornou o seu distintivo corrente.

Pelo seu lado, atribuíram aos republicanos a alcunha de 'pica-paus', em alusão ao uniforme das tropas do Exército que lutaram no estado em auxílio a Castilhos e que constava de roupa azul e quepe vermelho.

Diferentes no seu ideário e proposta política, os dois blocos partidários rivais agora também distinguiam-se na designação popular e no símbolo visual: 'maragatos' eram os do lenço vermelho, 'pica-paus' eram os do lenço branco.

Uma vez desencadeada a Revolução, os 'pica-paus' contaram não apenas com o apoio integral do Exército federal, posto à disposição do governo gaúcho por Floriano, como também do governo paulista, que passou a dar auxílio material para a causa endossada pelo presidente do país.

É sintomática, no caso, a união daqueles grupos mais interessados na preservação da República, notadamente daquele que seria o mais beneficiado com a consolidação do regime.

As forças republicanas também contavam, tal como as federalistas, com o recurso das tropas fornecidas pelos coronéis com seus homens. Alguns deles, como Pinheiro Machado, arcavam com o sustento material de armas e roupas de seus efetivos.

De um lado e de outro, figuravam nomes dos principais clãs rio-grandenses e elementos de destaque na política local.

Os federalistas, tendo como comandante supremo o general 'Joca Tavares' e como líder político Gaspar Silveira Martins, tiveram ainda nas suas hostes o destacado general maragato Gumercindo Saraiva. Típico gaúcho da fronteira, estancieiro abastado, com ligações econômicas e políticas no Uruguai, notabilizou-se nas campanhas militares contra os 'pica-paus', atuando com extrema mobilidade em ataques-relâmpago.

Do lado dos 'pica-paus', destacavam-se os generais Pinheiro Machado, Manoel Nascimento Vargas, Firmino de Paula e João Francisco Pereira de Souza.

Os atos de violência e barbárie, que já vinham se registrando desde antes do deflagrar da Revolução, após a invasão de fevereiro de 1893 atingiram uma escala nunca vista até então.

Como já se disse, os cronistas da época são extremamente tendenciosos, porque partidários de uma ou outra facção.

O certo é que de ambos generalizou-se a prática da 'degola', forma de execução rápida e barata, uma vez que não requeria o emprego de arma de fogo. Consistia, na sua maneira mais usual, em matar a vítima tal como se procedia com os carneiros: o indivíduo era coagido a, de mãos atadas nas costas, ajoelhar-se. Seu executor, puxando sua cabeça para trás, pelos cabelos, rasgava sua garganta, de orelha à orelha, seccionando as carótidas, com um rápido golpe de faca.

Uma vez desencadeada a violência, a barbárie se deu num crescendo. A cada piquete aprisionado e degolado, o adversário vingava-se com uma atrocidade maior.

Ainda hoje, no Rio Grande, uma expressão popular lembra esta prática sanguinária. Quando se quer significar que uma coisa não vale a pena, diz-se 'isso é gastar pólvora em chimango!'. Chimango, no caso, foi a alcunha que os republicanos receberam na época de Borges de Medeiros, sucessor de Júlio de Castilhos no governo do Rio Grande. Quanto ao 'gastar pólvora', significa - na concepção de um maragato - que, para dar cabo de um republicano, não valia a pena gastar um tiro; vai na faca mesmo, que é mais simples e barato...

No decorrer dos combates de 1893, os maragatos contavam com o recurso de homens, armas e cavalos do Uruguai. Da mesma forma, os republicanos contratavam também soldados: mercenários do outro lado da fronteira para engrossar suas hostes. Quando da prisão de um piquete, para identificar dentre os cativos quais eram os uruguaios, era pedido que pronunciassem a letra J ou a palavra 'pauzinho', ambas difíceis de serem ditas corretamente pelos platinos. Uma resposta imperfeita significava a degola instantânea.

Talvez os incidentes que se tornaram mais tristemente famosos pelos atos de terror foram os do Rio Negro e Boi Preto. No combate de Rio Negro, próximo a Bagé, o chefe maragato Joca Tavares, vencendo os castilhistas e as tropas federais que os auxiliavam, mandou degolar mais de 300 homens jogando os cadáveres nos rios. Como represália, o chefe republicano Firmino de Paula, na batalha do Boi Preto, ordenou a degola de aproximadamente o mesmo número de federalistas. O mesmo Firmino de Paula, após a morte de Gumercindo, mandou desenterrar seu cadáver e degolá-lo.

Os mandantes de tais degolas - e de outros crimes usuais da época, como estupros, castrações, ou dos saques e incêndios de propriedades eram os chefes políticos, exacerbados no calor da guerra pela radicalização política extrema a que chegara o estado. Entretanto, os executores de todos estes atos eram membros da massa rural empobrecida.

Peões de estância, 'crias' de fazenda, agregados dos senhores de terra, marginais do campo, despossuídos: foi toda uma massa coagida a lutar por interesses completamente alheios. Acostumados a obedecer, a viver na dependência de coronéis, sem opção de vida, sem terra, sem recursos, brutalizados, a população anônima dos campos executou atos cruéis e habituou-se ao crime.

Muitos deles tornaram-se matadores profissionais, hábeis degoladores, requisitados pelos chefes políticos em função dos serviços que podiam prestar.

Se, entre os membros da oligarquia, destacou-se como mandante de inúmeros atos de violência o coronel castilhista João Francisco (alcunhado 'degolador do Cati', local onde morava), a história guardou também o nome de um certo Adão Latorre, mulato que prestava seus hábeis serviços de degola para os maragatos."

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