segunda-feira, 27 de julho de 2015

O Caminho Assombrado da Palma


O Centro Agropecuário da Palma, também conhecido como Fazenda Experimental da Palma ou simplesmente Fazenda da Palma, juntamente com o Horto Florestal e Botânico Irmão Teodoro Luiz, compõem uma grande porção de terras contínuas à margem meridional da rodovia BR-116 no município de Capão do Leão, pertencente à Universidade Federal de Pelotas. Pois bem, existe uma estrada de chão batido que liga a Vila do Horto Florestal à sede da Fazenda da Palma, que também é área da universidade. Neste caminho, que não é muito longo a pé, podemos ver às suas margens o campo de futebol da Sociedade Recreativa Palmeiras, alguns pequenos bosques de eucaliptos e de outras árvores de lenha e alguns pomares de pereiras, macieiras e pessegueiros - que são projetos agronômicos na fazenda.

O tal caminho é evitado por andarilhos à noite, pois desde muito tempo, conta-se ali várias histórias sobre assombrações e visagens. Uma das mais comuns é a aparição de uma mulher vestida inteiramente de branco, que muitos traduzem como uma noiva. Quem já presenciou a aparição, diz que a mulher passa pelo andarilho sem dizer nada ou esboçar nenhuma reação, mas parece que está flutuando e, quando passa próximo ao andarilho, o sujeito sente uma sensação de frio arrepiante. Quando olha para trás, não vê mais a noiva, fato que leva muitos a fugirem correndo apavorados. Diz-se também que a tal mulher possui uma pele bem clara e tem cabelos loiros bem claros também e o corte de cabelo parece "daqueles antigos". cujos fios caem aos ombros e são longos.

Outras histórias falam das risadas de bruxas em altas horas da noite, normalmente acompanhadas de cavalos que relincham desesperadamente e correm trôpegos. O folclore da região narra que as bruxas adoram enrolar as crinas e colas (rabos) dos cavalos e é possível constatar o fato nos próprios animais logo que amanhece. Um relato curioso sobre as tais bruxas foi me contado por um antiga moradora do local na década de 1980 que dizia que, quando era "novinha" (época de infância/adolescência), havia uma bruxa que rodeava sua casa e durante a madrugada dava batidas na porta e nas paredes de madeira, como se estivesse querendo entrar a qualquer custo. Segundo ela, sua mãe tinha por hábito colocar uma carreira de sal no chão junto às portas da casa para impedir que a bruxa entrasse, ritual acompanhado de muitas orações protetivas.

Tal como existe o relato da mulher vestida totalmente de branco, também existe o relato de um homem vestido de preto ou homem preto que aparecia nos caminhos perto da meia-noite. Trata-se de uma visagem, pois nenhum relato informa que o tal homem interage com os passantes de alguma forma. Ele simplesmente aparece e logo desaparece, sem ninguém saber quem é, de onde veio ou para onde vai. Alguns comentam que ele traja igualmente um longo chapéu de aba reta e capa de tropeiro.

Por fim, talvez a mais enigmática e assustadora história envolva a grande figueira de longos e retorcidos galhos que se depara não muito longe do portão da fazenda. Os relatos são diversos, mas indicam que em noites escuras é possível avistar vultos dependurados nos galhos mais altos, como se fossem espíritos de enforcados e, mais precisamente, de escravos enforcados. Sempre acompanhada a visão de uma espécie de litania muito macabra que aterroriza qualquer um que passe por ali altas horas da noite.





2 comentários:

Danilo Lima disse...

Tchê, moro hoje na cidade Lucas do Rio Verde no estado do MT e gostaria de dizer que é sempre muito bom relembrar esses relatos que enriquecem a história da cidade e afloram a imaginação dos leonenses que assim como eu tem muito orgulho de ser dessa terra querida.

Joaquim Dias disse...

Obrigado pela visita e comentário!

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