terça-feira, 18 de março de 2025

Sobrenome Alecrim

  


Sobrenome brasileiro de origem toponímica. Remete a uma antiga fazenda no Ceará.

Fonte: SERAINE, Florival. Relação entre os fatos históricos e a onomástica no Brasil. In; Revista do Ceará, 1964.

segunda-feira, 17 de março de 2025

domingo, 16 de março de 2025

Tio Pedro

 



Batida a uma casa de feiticeiro

O sub-intendente do 1o. districto, tenente-coronel João Leite Pereira da Cunha, fez hontem uma diligencia á rua Sá Brito, n. 9, onde tem sua residencia um feiticeiro conhecido por Tio Pedro.

Cercada a casa por força publica, a auctoridade penetrou no interior do antro do feiticeiro, encontrando ahi muitas bugigangas e correspondencia de pessoas que recorriam aos sortilegios do embusteiro. D'esta nos foram confiados uma carta e um bilhete, que inserimos a seguir, a título de curiosidade, si é que, de um d'elles, pelo menos, não tire a policia algum subsidio em prol da justiça.

Eis a carta, conservadas a orthographia e a pontuação original:

Snr. Pedro.

Tem por fim esta communicar-vos á triste e desagradavel noticia que hontem me fizéra sabedôra o noivo de J. dizendo que o irmão delle (Snr. J.) decidiu-se muito breve seguir para a Europa logo que venda a casa de negocio ou mesmo ja que elle não venda, elle segue e deixa os negocios aqui (não quer é demorar-se creio ou pelo dicto do B., nem mais um mez elle pretende demorar-se aqui. Más eu como tenho muita fé na Nossa Senhora Sta. Bárbara estou certa que elle não partirá d'aqui sem cazar-se comigo comforme o Snr. dissera que era minha sôrte. Espero que o Snr. faça com que elle não parta d'aqui sem cazar-se comigo, ao que pesso que me responda ao que aqui eu mando pedir-lhe com bastante fé na Nossa Senhora Sta. Bárbara.

Recomende-me á todos de casa e acceite as mesmas de todos aqui da casa.

Esperando vossa resposta sua criada obda. - C.A.C.

(Julgamos conveniente, quanto aos nomes envolvidos n'esta carta, conservar-lhes apenas as iniciaes; assim tambem relativamente á assignatura, por extenso, da supersticiosa e leviana creatura que confiou a sua sorte á magia grosseira de um negro ignorante; deixamos-lhe apenas aas iniciaes.)

✥✥✥✥✥ 

O signatario do bilhete foi mais cauteloso: um simples L, eis tudo quanto elle poz no final de sua laconica e tenebrosa missiva, que aqui vai reproduzida:

O portador deste é um Preto que se em carega de fazer de zaparecer o sogeito o por uma vez o a borecer porém não lhes pagues nada sem o serviço feito e a dispeza que fizeres eu Pago o que eu quero é verme livre dele.

Comversa com ele e trata de Por as cozas em andamento Saio amanhã.

teu L.

✥✥✥✥✥

Entre os acessorios da feitiçaria de Pedro foram encontrado trapos, camisas de homem e de mulher, tudo cheio de nós apertados.

✥✥✥✥✥

Fonte: A FEDERAÇÃO/RS, 10 de maio de 1895, pág. 02, col. 04

sábado, 15 de março de 2025

Darcy Cazarré

 



Nasceu em Pelotas, RS. Radicado no Rio de Janeiro, começa a carreira como ator no Teatro de Comédias, com a esposa Déa Selva. Fundam a Companhia Déa/Cazarré e percorrem o Brasil, apresentando sempre nomes importantes como Alda Garrido, Delores Caminha, Alma Flora, etc. Estreia no cinema em 1935 no filme Bonequinha de Seda, seguindo-se outros como Aves sem Ninho (1939) e O Noivo de Minha Mulher (1950). É pai dos comediantes Older e Olney Cazarré. Morre em 1953.

Filmografia:

1935 - Bonequinha de Seda; 1936 - O Jovem Tataravô; João Ninguém; 1939 - Anastácio; Aves sem Ninho; Um Apólogo - Machado de Assis (1839-1939) (CM); 1948 - Poeira de Estrelas; É com este que eu vou; 1949 - Não me Digas Adeus (No Me Digas Adiós) (Brasil/Argentina); Escrava Isaura; 1950 - O Noivo da Minha Mulher.

Fonte: SILVA NETO, Antonio Leão da. Astros e estrelas do cinema brasileiro. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010, pág. 111.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Sobrenome Cirioba



Sobrenome brasileiro de origem indígena, verificado desde a época colonial.

Fonte: SERAINE, Florival. Relação entre os fatos históricos e a onomástica no Brasil. In; Revista do Ceará, 1964.

quinta-feira, 13 de março de 2025

A Lenda da Crôa-Canga



 Nota nossa: O mito também é conhecido como Cumacanga ou Curacanga.

Crôa-Canga 

(Por Maciel de Alverne)

Há uma lenda muito interessante

nos campos da minha terra:

méte mêdo ás creanças,

assustando os seus crentes,

- uma coisa que nem mesmo sei dizer o que é. -

Só aparece de noite,

Crôa-Canga, é o seu nome.

É de fôgo, e não queima,

não tem aza, mas vôa,

não tem vida e, no entando,

corre atraz do novilho

e do homem tambem.


Muita gente acredita

que é cabêça de velho,

que tem néto

e bisnéto.

Crôa-Canga não é nada, 

mas é tudo, no campo.

O vaqueiro não anda sosinho de noite.

Ele acha que a bicha

é Mãe-d'agua que sae do riacho encantado.


Crôa-Canga não existe,

mas a gente do campo acredita em sua vida.

E ninguem a convence

de isso ser fôgo-fátuo.


Essa lenda que vem de milenios,

está firme:

O cabôclo acredita,

tal e qual o politico baixo,

- Crôa-Canga que é de poder,

que por mais derrotado que seja,

com a derrota jamais se convence.


Crôa-Canga é a politica "dele"

que o ilúde, o convence, o engana,

como aquele cabôclo do campo

que por mais que se explique a verdade,

vive cégo e enganado na vida

crendo firme na lenda encantada

que a desgraça da tal Crôa-Canga,

foi na vida, mulher de algum padre.


Fonte: O COMBATE/MA, 11 de Outubro de 1933, pág. 03, col. 01

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