terça-feira, 21 de abril de 2026

Alienígenas nas ruas de Porto Alegre em 1953

 



SEGUNDO AS SENSACIONAIS DECLARAÇÕES DO SR. CENON FERNANDES AO JORNAL DO DIA:

TRIPULANTES DOS "DISCOS-VOADORES" NAS RUAS CENTRAIS DE PÔRTO ALEGRE!

Dois homens e uma mulher, os marcianos vistos nas ruas da metrópole gaúcha - Características e movimentos dessas estranhas pessoas - Mistério dentro da noite - Palpitantes indicações colhidas por nossa reportagem sôbre o controvertido assunto dos "Discos-Voadores" - Descrição completa e detalhada colhidas com fidelidade

(Texto: FLORIANO CORRÊA - Fotos: SOARES FILHO - Ilustrações: GERALDO SPERB)

Muito tem se lido a respeito de "Discos-Voadores", objetos estranhos que, segundo dizem os entendidos já eram vistos em tempos bíblicos, mais que de uns anos a esta parte estão frequentando mais assiduamente os céus de tôdo mundo.

Pois esta reportagem realizada pelo JORNAL DO DIA em colaboração com a Rádio Gaúcha focaliza justamente este controvertido assunto, não para dar-lhe um cunho de veracidade e muito menos para desmenti-lo. É inegavelmente um bom assunto jornalístico e está interessando realmente a todos. Sem sensacionalismo, sómente com a intenção de registrar uma narração de uma pessôa que não conhecíamos até bem pouco, mas que tendo sido apresentada pelo colega e grande amigo que é o radialista Darcy Reis Nunes durante uma visita resolvem tocar neste assunto, tendo contado com uma riqueza tal de detalhes um facto estranho mas com todas as características de verdadeiro que não podemos fugir à tentação de transformar uma simples visita em uma entrevista jornalística e radiofônica. Os nossos leitores e os ouvintes da Rádio Gaúcha depois de lerem e ouvirem esta detalhada narrativa, tirem suas conclusões, como tiramos as nossas.

O que podemos adiantar é que o personagem central desta entrevista que, devido aos aspectos que apresenta é sua característica excepcional, deixa de ser um entrevista para tornar-se numa verdadeira reportagem vívida, chama-se Cenon Fernandes, está com 45 anos de idade, não é nenhuma criança, portanto, é um cidadão casado com Dna. Maria Ester Fernandes e, muito embora na época em que o fato se passou fôsse motorista profissional, possuindo um carro na Praça Ely... está atualmente estabelecido com um pequena indústria de roupas feitas, negociando com varejo de roupas também.

Quanto à sua personalidade, sempre deu-nos a impressão de ser um cidadão sem mania de exibicionismo, moderado, calmo e incapaz de fazer uma narrativa como a que se segue por simples brincadeira, mesmo, porque, como todos notarão as minúcias da narração sómente podem correspondem a algo realmente vivido ou intensamente estudado... Nesta segunda hipótese não acreditamos usar de todos os artifícios para comprovar a sinceridade do nosso interlocutor, devendo confessar que saímos satisfeitos a este respeito.

Feitas estas ressalvas vamos procurar reproduzir o que ouvimos do Sr. Cenon Fernandes em presença de várias testemunhas numa palestra que ficou gravada e que foi realizada na própria residência do atual negociante e industrialista à Av. Bento Gonçalves no Partenon.

Vamos reproduzir algumas perguntas que fizemos e que correspondem à curiosidade que qualquer pessoa sentiria em vista de tal narrativa e as respostas que recebemos. Portanto aqui está a história...

"Meus patrícios... Neste momento eu tenho a satisfação de fazer estas declarações aos representantes do JORNAL DO DIA e da Rádio Gaúcha dentro da minha casa, sôbre algo que me aconteceu há três anos, onze mêses e dezenove dias exatamente (quarta-feira, dia 11 de setembro de 1957). Relacionam-se com os 'Discos-Voadores'.

Eu guardei sêgredo absoluto durante todo êste tempo do que aconteceu comigo, porque naquele tempo, ainda êstes aparelhos eram considerados para nós como verdadeiros fantasmas. Hoje, porém, já estamos muito mais familiarizados e me tomando por base o depoimento daqueles pilotos da Varig e ao mesmo tempo e que sucedeu com aquêle professor de São Paulo (prof. João de Freitas Guimarães), criei coragem para revelar este segrêdo que há muito guardava só para mim. Tomando por base a atitude dêsses três homens e que me atrevo a contar o que comigo aconteceu e que não tomei como coisa sobrenatural, pois que sendo bastante viajado e vi muita coisa em minha vida. Aliás, eu já tinha muita vontade de vêr um 'Disco Voador', desde aquêle caso com o astrônomo de nacionalidade polonesa naturalizado americano e que muita gente por certo também leu ou ouviu falar."

O INÍCIO DE TUDO

Assim começou própriamente a narrativa do caso: "Em 1953, eu trabalhava na praça, como motorista profissional, com um carro de minha propriedade na Praça Ely no Caminho Novo esquina Conceição.

No dia 25 de dezembro de 1953, às 17 horas, quando voltava de um serviço lá para o lado da Azenha, fui atacado por três pessoas que estavam paradas na esquina da Faculdade de Medicina. Parei o carro, encostei no cordão da calçada, tendo o homem mais velho do trio se dirigido a mim, em espanhol, falando muito mal, muito embora eu não fale bem aquêle idioma e o compreenda pouco também, mas notei que falava com bastante dificuldade. Ele falava o trivial, assim como eu compreendo o trivial.

O trio era composto de dois homens e uma mulher. Um dos homens apresentando 50 anos, o outro com uns 25 ou 26 anos e a moça também jovem, não consegui fazer uma idéia de sua idade. Aliás, a moça era bastante bonita mas não tinha nada de mais nem de menos das moças comuns, Bem desenvolvida, com aparência saudável e muito cordial. A roupa que usavam era igual. Uma espécie de macacão de carpinteiro, com bolsos e tudo o mais, porém de uma matéria que não era fazenda, parecia assim como um bexiga de boi, exatamente, dando a impressão de ser bem macia.

O mais velho dos três, como disse, foi o que falou, pedindo que os conduzisse a uma bôa livraria. Depois de se acomodarem no banco de trás, eu os conduzi até a esquina da Borges com a rua da Praia, depois ter ido até a Prefeitura e subido novamente a Borges, tendo estacionado na calçada fronteira à Varig. Dali apontei para a Livraria do Globo, dizendo que lá encontrariam o que precisassem."

PRIMEIRAS OBSERVAÇÕES

"Desceram, então, o homem mais velho, vamos tratá-lo assim para facilitar, e a moça, dirigindo-se à livraria, tendo atravessado a Borges normalmente, atendendo inclusive ao sinal. Eu fiquei no carro com o passageiro mais moço. Fiquei calado, mas o passageiro puxou conversa, tendo se mostrado interessado nas côres das vestes dos passantes. Posteriormente se interessou pelo bonde, achando-o muito pesado assim como os edifícios. Logo a seguir êle observou que os pedestres fôssem separados do trânsito de veículos. Disse que os veículos deveriam passar pelo alto e os pedestres por baixo. Tive a impressão de que êle vivia em um país onde aquelas inovações já existiam.

A seguir, o casal que foi em direção à Livraria do Globo voltou. Eu até não os tinha visto, só notei sua volta quando chegaram à porta do carro. Êle trazia uns pacotes quadrados que tive a impressão exata de serem livros e ela conduzia quatro volumes cilíndricos que tenho a convicção de que eram mapas, trazendo também um vidro de perfume.

Ele mostrou-se muito alegre, tendo entrado com seus companheiros na porta de trás, mas em seguida, saiu e entrou pela porta dianteira, tendo sentado ao meu lado. Depois, por brincadeira, colocou perfume em si a nós dois companheiros tendo colocado perfume também em mim.


QUAL A DIREÇÃO

Respondendo a uma pergunta sôbre qual direção que queriam, aquelas pessoas que me pareciam traquejadas e desembaraçadas me pareceram estar desorientadas dentro da cidade. O mais velho explicou que queria ir por uma estrada estreita, que seguia em direção ao mar. Liguei logo o seu pedido à estrada de Tramandaí tendo para lá me dirigindo. A moça então pediu que fôsse numa marcha bastante moderada, pois queria observar tudo, tendo eu atendido.

Quando passei pelo Passo da Mangueira, logo adiante, quando as casas começaram a rarear, êles conheceram perfeitamente a estrada, tendo ficado bastante contentes.

IDIOMA DESCONHECIDO

Foi neste momento que êles começaram a conversar entre si num idioma que francamente eu nunca ouvi. Palavras curtas, como se todas fôssem dissílabas. Além disso, eu nada mais de anormal notei naquelas pessoas, tendo-me familiarizado de imediato com êles, porque eram na verdade pessoas simpáticas e muito agradáveis, apesar de pouco falarmos. Mas o modo de me tratarem dava a impressão de que nos conhecíamos há muito tempo. Nas poucas vêzes em que nesta viagem me dirigiram a palavra, foi para perguntarem banalidades que eu não guardei. De minha parte, muito embora a impressão que eu tivesse era de que fôssem forasteiros, eu não procurei puxar assunto com êles, estava cuidando a estrada, que é estreita e movimentada.

PRIMEIROS FATOS ESTRANHOS

Assim, fomos, passamos por Gravataí e logo adiante, num lugar chamado Passo dos Ferreiros, num ponto totalmente deserto, foi onde o homem mais velho pediu que eu parasse o carro. Eram exatamente oito horas da noite. Encostei o carro para a direita e parei. Eles se prepararam para descer e ali, vendo a estrada deserta sem qualquer condução para os meus passageiros, estranhei mas continuei sem fazer perguntas, pois tinha a convicção de que estava tratando com gente boa.

O mais velho dos homens dirigiu-se a mim novamente, dêsta vez para saber se eu não tinha qualquer outro compromisso e eu disse que não, pois não costumava trabalhar à noite. Ficamos, então, estacionados com êles conversando no idioma estranho e de vez em quando me dirigiam uma palavra qualquer e, assim, ficamos até às 22 horas. Antes, porém, descarregaram os oito pacotes de livros e mapas, colocando-os ao lado da estrada. O mais velho perguntou-me quanto me devia. Fiz meus cálculos e apresentei uma conta de 600 cruzeiros, tendo o passageiro metido a mão na altura do peito e tirou o dinheiro, tendo feito o pagamento com 50 pesos uruguaios. Sabedor do valor do pêso, quis fazer o troco, porém êle não aceitou. Eu insisti, pois não costumava aceitar gorgetas, mas não adiantou e tive que guardar os 50 pesos.

MISTÉRIO DENTRO DA NOITE

Depois de ter recebido, fiquei estacionado esperando que êles saíssem primeiro, pois não tinha idéia de para onde iriam. Pensava que estavam esperando alguma condução, mas não perguntei nada. Fazia questão que saíssem antes de mim, pois como forasteiros eu tinha a impressão que o caso era o mesmo de uma visita na casa da gente.

Neste momento, a moça voltou até a porta do carro e me perguntou se eu não tinha compromisso para o dia seguinte com o carro. Eu respondi que não. Ela voltou para perto dos dois companheiros e palestrou um pouco no idioma deles e posteriormente pediu que no dia seguinte eu estivesse à mesma hora e no mesmo lugar onde êles haviam embarcado no carro.

Possivelmente para me agradar, a moça naquele momento presenteou-me com uma pedra, uma pedra comum, como estas que vêm no cascalho, mas que tem a forma de um coração. Disse que aquela pedra era para que trouxesse felicidade, informando que era das cordilheiras. Não explicou que cordilheira. De minha parte nunca mandei examinar essa pedra e mesmo não queria provocar perguntas a respeito, etc.

A seguir se despediram de mim, tendo o homem mais velho dito que no dia seguinte a viagem seria mais longa. Imediatamente enquanto eu começava a manobrar, até meteu a mão novamente na altura do peito e retirou algo de lá.

Notei que era algo como uma lata de graxa de sapato. Espalmando o objeto o homem ergueu o braço, virou a palma da mão para cima e fêz sair do aparelho um facho de luz fortíssimo. Luz esta que não iluminava para os lados e sim produzia uma luz forte para cima, como se fôsse uma lanterna com proteção dos lados.

VÉSPERA DE NATAL DE 1953

Às 17 horas e treze minutos estava estacionando o carro em frente a Faculdade de Medicina, a fim de atender ao meu compromisso com os forasteiros, após tê-los preparado para uma viagem mais longa, conforme é comum acontecer.

Sabia que eram 17,13 horas - disse o Sr. Cenon, atendendo a uma das inúmeras perguntas que vínhamos fazendo durante esta narrativa, e desta vez com o sentido de esclarecer a precisão com que êle sabia todos os horários - por uma questão de hábito. Todo o motorista de praça em geral cuida muito do relógio, pois o tempo tem grande valor. Procurando ser pontual, eu já arrancara da praça calculando chegar na hora marcada, mas cheguei um tanto cedo, ou seja, dois minutos antes da hora.

Em seguida, porém tive o prazer de ver os meus passageiros que vinham, vindo e já me acenavam de longe. Procediam do Parque Farroupilha, ao que me pareceu. Fiquei contente, pois não é raro passageiros marcarem hora e não aparecerem. Chegaram e me cumprimentaram cordialmente. Reparei, então, que traziam umas sacolas feitas do mesmo material das roupas e que estavam cheias do que me pareceu ser terra ou pedregulho, sendo que o mais velho continuava como no dia anterior, com uma máquina fotográfica a tira-colo, um aparelho que eu, apesar de não conhecer máquinas penso que era de alta precisão, em vista do estojo fino em que estava.

RUMO AO OCEANO

Acomodaram-se no carro, a moça na frente, ao meu lado, ficando os dois homens atrás. Perguntei, então, qual direção que queriam tomar. Quem respondeu, como sempre, foi o mais velho, que disse que queriam ir pela mesma estrada, porém até o oceano.

Novamente a moça pediu que eu fôsse o mais devagar possível, pois que ela queria observar, como no dia anterior. Dei partida e fui rodando estrada a fora, em direção a Tramandaí. Em Santo Antônio estacionei para colocar gasolina e encher o radiador. Quando abri o capô, aconteceu algo interessante. O homem mais moço veio espiar o motor e ficou muito interessado pelas velas do carro, perguntando detalhes a respeito, que eu ia respondendo como podia. Ele ficou satisfeito.

Continuamos a viagem, então, até Tramandaí. Em lá chegando, perguntei qual o rumo a seguir. Foi então que o mais velho dos passageiros pediu que eu descesse até a praia. Tomei por uma rua ao lado de uma bomba de gasolina e fui até uns 50 metros da praia, onde a areia começava a ficar mais fina. Ali estacionei.

Nesta altura, como é lógico, eu comecei a desconfiar de que iria deparar com algo esquisito. Comecei a observar para todos os lados a procura de alguma condução. Nada se via. Manobrei o carro dando o lado direito para o mar, por causa do vento, assim permanecendo.

A moça desceu em seguida e foi direito à praia, tendo se sumido na escuridão. Demorou um pouco e voltou em seguida. Entrou no carro e assim ficamos. O carro estava por conta dos meus passageiros e eu tinha que me sujeitar. Confesso, entretanto, que nesta altura eu já estava, como se diz, com a pulga na orelha, mas me mantinha em guarda, esperando os acontecimentos. Não estava nervoso, não receando nada, pois a minha convicção era a de que tratava com gente bôa.

MENSAGEM ÀS AUTORIDADES


Ficamos ali parados por algum tempo, quando o homem mais velho se dirigiu a mim, com estas palavras: "Nós somos de paz. Estamos procurando uma aproximação com vocês aqui da Terra, porque habitamos muito longe. A nossa maior dificuldade, em virtude da língua, tornando-se difícil as comunicações. Mas estamos nos preparando e, muito breve, voltaremos em comissões. A terra está ameaçada de um grande mal e, nesta ocasião, nós queremos ser úteis. Queremos fazer alguma coisa, para depois pedirmos um favor".

Foi neste ponto é que eu perguntei a primeira e única coisa aos meus passageiros. Perguntei: Que favor? O homem mais velho não me disse que favor seria, porém disse que o lugar em que habitavam era muito pequeno e êles tinham uma grande população. Deduzi, daí, que êles querem, para o futuro, estabelecer uma imigração para a Terra, com certeza. Sõbre o motivo que fez com que o homem rompesse o silêncio, suponho, está explicado pelo que êle a seguir me disse. Naturalmente êle não me falou onde habitavam, sómente tendo dito que moravam longe, muito longe, mesmo porque eu não perguntei. O motivo de suas palavras talvez esteja contido nas palavras que a seguir êle pronunciou: "Tudo o que observou e que ainda vai ver, assim que retornar à cidade, procure contar às suas autoridades".

PRESENTES FORÇADOS 

Posteriormente, o passageiro mais môço que em Santo Antônio havia ficado interessado nas velas do carro, voltou a tocar no assunto, pedindo que eu lhe presenteasse com uma vela daquelas. Casualmente eu tinha três velas novas no guarda-luva do carro, marca Champion, tendo dado uma para o passageiro.

O mais velho não ficou atrás. Vendo uma bússola que eu tinha no painel do carro, aliás uma bússola de grande estimação e que muito tinha me servido quando viajava no interior de Santa Catarina, êle se mostrou interessado. Eu fiquei meio triste com aquilo, porque já estava adivinhando o que iria acontecer. Primeiro me pediu algumas explicações sôbre a bússola e depois pediu a própria bússola. Relutei em atender e êle desistiu, porém eu resolvei e dei a bússola de presente. Peguei uma chave de fenda, desaparafusei a bússola e a entreguei ao homem, tendo êle se interessado pela chave e pelo próprio parafuso, terminando por levar tudo consigo, enrolados numa estopa que êle também me pediu.

A moça que estivera folheando uma revista "Cruzeiro" daqueles dias pediu que lhe desse. Atendi e atendi também aos seu pedido para escrever meu nome na capa da revista.

Nesta altura - prossegue o senhor Cenon Fernandes - eu já estava preparando o meu espírito para o que o mais velho havia dito que ainda haveria de ver, muito embora estivesse calmo, quieto e pensando.

Já se aproximavam as 24 horas, foi quando, me foi pedida a conta. Fiz minhas contas, calculei preço, horário e mais aquela viagem morosa e aquela espera, tendo cobrado mil e quinhentos cruzeiros. Êle, para surpresa minha, me deu três notas de mil cruzeiros. Dinheiro nosso, portanto. Eu não quis receber. Ele insistiu. Então, levando em consideração o fato de que êles me levaram uma vela e a minha bússola de estimação, resolvi guardar os três mil cruzeiros.

À meia-noite em ponto, sei bem porque nesta altura estava com tôda a atenção no tempo, o mais velho desceu do carro e pegou o mesmo objeto que havia usado no dia anterior, lá no Passo dos Ferreiros. Fêz o mesmo movimento, na mesma posição, e fêz o mesmo sinal de luz que já descrevi. Um facho de luz de forma cônica, sem iluminar os lados.

GIGANTE ALADO

Pouco depois, senti uma falta de ar dentro do carro, com um enorme deslocamento de ar em redor. Meti a cabeça para fora do carro para ver o que se passara. Foi aí, então, que deparei com a grande surpresa da minha vida. Vi aquilo que eu tinha mais vontade de ver. Notei que por cima do carro havia um grande aparelho, que me representou ser um chapéu de abas largas com a copa virada para baixo.

Imediatamente abri a porta do carro e saltei para fora e, automáticamente, pulei no guarda-lama do carro, para ver se encostava a mão naquela máquina, para ver se não era nenhuma miragem o que estava vendo. Mas quando eu fiz o movimento de subir no para-lama, o passageiro mais moço me puxou por uma perna e disse: "Não toque, está em alta rotação". A moça imediatamente me fêz a mesma advertência de que havia ali alta rotação. Caminhei, então, para mais longe, de forma a que eu pudesse ver o aparelho por cima. Verifiquei que o que me representava uma copa do chapéu virada para baixo, tinha continuidade na parte de cima, sendo uma esfera, um globo, portanto, tendo a forma do Planeta Saturno, mais ou menos.

Notei, também, que o globo estava parado, mas que as abas tinham uma rotação exagerada, pois eu sentia a rotação exagerada, pois eu sentia a rotação com o deslocamento do ar e pelo silvo agudo que dali provinha. Também notei que a aba expelia uma luz esverdeada e fosca, de aparência fosforescente, que eu acredito que fôsse o atrito da aba em alta rotação com o ar. Era, portanto, o falado "Disco Voador". Encontrava-se ali, a poucos metros de mim, suspenso no ar, já que não se apoiava em nada, permanecendo flutuando e com grande equilíbrio, por certo em virtude de incrível rotação daquele disco representado pela aba.

Notei, também, que por fóra do globo havia um anel preso ao corpo esférico por uns braços. Por fora deste aro é que girava a aba, estando o globo completamente parada. A aba também não me pareceu inteiriça, mas sim com grande quantidade de pás, como uma veneziana.

NOVAS SURPRESAS

Repentinamente, no globo, na parte inferior à aba, abriu-se uma porta atenciosamente e desceu uma pequena escada. Em virtude da proximidade com o carro, a escada bateu no capô, provocando um amassado. Até quando eu vendi aquêle carro, o amassado ainda existia. O homem mais velho subiu no capô do meu carro e subiu pela escada até o interior do globo, de onde regressou pouco depois com um homem muito mais velho do que êle, com longas barbas e cabelo louro, comprido. Apesar da idade que aparentava, notava-se que era um homem muito saudável e forte.

O quarteto começou a palestrar no idioma que eu não sei qual seja. Em seguida, o homem que havia descido do "disco" veio me examinar. Escutou meu coração, tomou a pulsação, escutou minhas costas e colou seu ouvido no meu. Notei, sua respiração, o seu calor e todas as outras particularidades que revelavam ser um homem como qualquer outro embora também vestisse daqueles macacões.

Logo após o quarteto conversou mais um pouco, tendo o mais velho dos meus passageiros dito que eu me encontrava em perfeita saúde, calmo: enfim, êle sómente faltou dizer que eu não estava com medo. E, de fato, não sentia qualquer receio.

O ADEUS

Nesta altura, conquanto eu estivesses maravilhado com tudo e que estava assistindo, notei que eram passados da meia-noite, 24 minutos. Êles então começaram a se despedir de mim, com muita cordialidade me agradeceram, tendo os três, de um a um, seguido pela escada para o interior do globo, para onde o cidadão bem velho e de barbas longas já havia ido logo após examinar. Subiam ao capô do meu carro e pulavam para a escada e de lá mergulhavam no interior do "disco".

A escada foi recolhida, então, silenciosamente. A porta também fechou sem ruído algum. Imediatamente o aparêlho aumentou a rotação e começou a produzir uma luminosidade esverdeada e fosca cada vez maior, à proporção que aumentava a rotação, tendo subido numa velocidade indescritível.

Notei, então, que o aparêlho subiu verticalmente, deixando uma estêira luminosa atrás de si, tendo ao chegar a uma determinada altura tomado o rumo de Pôrto Alegre, sempre em grande velocidade e deixando aquela estêira luminosa para trás.

Foi tudo o que presenciei naquela oportunidade, podendo acrescentar que o tamanho total do "Disco Voador" era enorme, pois, fazendo uma comparação com o meu carro que estava em baixo da aba um Ford 1946, eu tive a impressão que a largura da aba era equivalente ao comprimento de uns quatro carros iguais, postos atrás do outro. "Um gigante do ar".

E aqui encerramos esta reprodução das palavras do senhor Cenon Fernandes. Nada temos a acrescentar e pensamos que nem isto é necessário.

Fonte: JORNAL DO DIA (Porto Alegre/RS), 15 de setembro de 1957, pág. 02 e 20







segunda-feira, 20 de abril de 2026

sábado, 18 de abril de 2026

Disco voador em Lages

 


Outro disco voador

LAGES, 3 (V.A.) - dia 21, às 20 horas, nas proximidades desta cidade, foi visto pelo sr. Liborio Shamedech, de profissão madeireiro, pessoa de absoluta idoneidade, um "disco voador" que permaneceu por alguns segundos, deslocando-se depois em alta velocidade em direção ao Sul. Toda a família do informante teve também ocasião de ver o estranho objeto e a base aérea de Florianópolis foi imediatamente avisado do acontecimento pelo próprio sr. Liborio.

Fonte: O ESTADO DE FLORIANÓPOLIS (Florianópolis/SC), 04 de novembro de 1954

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Sobrenome Thieler

 



THIELER, THIEL, THIELE, TILER, THIELS, THILL, TILL - do vocábulo do alto alemão medieval thilo que significa colina ou ainda topo da colina. Designa o morador de um lugar com essa característica de relevo. Maiores concentrações: Baixa Saxônia, Saxônia, Turíngia, Schleswig-Holstein, Saxônia-Anhalt e Brandemburgo.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Sobrenome Starshiwzen

 



Esse sobrenome foi nos pedido por um visitante do blog, mas é mais provável que a grafia correta seja STARSCHIW  e "zen" seja um sufixo de derivação. STARSCHIW corresponde ao antigo e extinto posto militar de alferes-sênior no Leste Europeu (principalmente em Belarus, Ucrânia e Rússia) em zonas que tiveram influência da expansão alemã e prussiana, entre os séculos XVI e XVIII.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Sobrenome Schliemann



 SCHLIEMANN, SCHLIEMAN - sobrenome com origem na região de Schleswig. Refere-se primeiramente ao procedente à região do estreito de Schlei, no estado alemão de Schleswig-Holstein, junto ao Mar Báltico. Todavia, como o mais antigo registro deste sobrenome é de 1347 (grafia arcaica SCLIVEMAN), é provável que também seja uma derivação do termo medieval slae, este por sua vez proveniente do termo saxão slia que significa água lamacenta ou água com plantas aquáticas viscosas. Portanto, um morador deste tipo de relevo.

O sobrenome é muito distribuído na região setentrional da Alemanha, tendo um importante núcleo na Frísia e em Schleswig.

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