domingo, 6 de fevereiro de 2022

Barão de Pinto Lima

 



Hontem pela madrugada entregou a alma a Deus o conselheiro Francisco Xavier de Pinto Lima, barão de Pinto Lima, membro notavel da politica liberal no tempo do imperio e que por vezes mereceu a honra de occupar elevados cargos de eleição popular.

Nunca se impoz o finado por principios de intolerancia politica como os que levam o espírito de partidarismo até a exclusão irrevogavel do adversario.

Conciliador por natureza, conseguiu elle atravessar sempre as crises, estimado e respeitado por todos, porque acima da politica viam os admiradores do barão de Pinto Lima o amigo dedicado e o cavalheiro, por tantos titulos recommendavel.

Os ultimos annos de sua vida, passou-os elle fóra das agitações partidarias.

O barão de Pinto Lima nasceu a 20 de fevereiro de 1832.

Aos 22 anos formou-se em direito pela Faculdade de Olinda.

Varias vezes foi eleito deputado provincial, chegando a occupar o cargo de presidente da assembléa.

Era presidente da camara municipal de Maragogipe quando foi eleito pela primeira vez deputado provincial.

Em 1856 foi eleito deputado geral e de 1858 a 1864 occupou o cargo de juiz de orphãos na Bahia.

Por essa época foi nomeado tambem ministro da marinha.

Em 1866 foi nomeado juiz de direito na comarca de Itapemirim, no Espírito Santo.

Em 1868 foi eleito deputado geral pela segunda vez.

Em 1870 foi nomeado presidente do Estado do Rio Grande do Sul; em 1872, de S. Paulo, e do Rio de Janeiro em 1871.

Foi director do banco do Brasil durante muitos annos; em 1888, a princeza regente fel-o barão, sendo que por essa epocha elle representava o Estado de Santa Catharina na Camara.

Era condecorado com a ordem da Rosa, Villa Viçosa e Leão Neerlandez.

Seu enterramento sahirá hoje ás 10 horas da rua do Cattete n. 120 para o cemiterio de S. João Baptista.

Á sua Exma, familia apresentamos as mais sinceras condolencias.

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 10 de Agosto de 1901, pág. 02, col. 04

sábado, 5 de fevereiro de 2022

A Fera de Rivera

 



Com o titulo A Féra e o sub-titulo Mais Crimes, encontramos o seguinte no Echo do Sul, de 12 do corrente:

Em seu numero de 1o. do corrente, o nosso collega O Canabarro, de Rivera, noticiou, nos seguintes termos, mais um crime commettido pela gente do celebrisado João Francisco:

"Não ha ainda quinze dias, noticiámos que Juvencio Torres, com trinta homens que lhe dera João Francisco, ameaçava vir a este departamento buscar federalistas emigrados, para o que tinha uma lista onde figuravam os nomes de trinta e tantos ou quarenta co-religionarios nossos.

Pois bem, já começou a operação: Candido Ferreira, um dos da lista, morador neste departamento e peão de Roque Moura, sahiu de sua casa em procura de um cavallo e approximou-se da linha, onde foi agarrado por um grupo de homens, conduzido para o Brasil e alli barbaramente degollado!

Os bandidos cortaram uma orelha do infeliz moço e puzeram-lhe fogo no corpo.

O crime foi commettido na divisa do campo do Sr. Elizerio Campos, entre Galpões e Capão do Inglez.

O inspector de quarteirão fez auto de corpo de delicto e mandou sepultar o cadaver que os bandidos haviam deixado insepulto."

Fonte: GAZETA DE NOTICIAS (Rio de Janeiro/RJ), 21 de Janeiro de 1900, pág. 02, col. 02

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Fenômeno curioso no Campo da Aclamação

 



PHENOMENO CURIOSO

Hontem por volta das 10 e tres quartos da noite algumas pessoas que achavam-se no campo da Acclamação, presenciaram um curioso phenomeno meteorologico.

Nas immediações do edificio do senado, á pequena altura appareceu repentinamente um corpo luminoso, da configuração de uma grande estrella.

A luz era excessivamente brilhante e o phenomeno offerecia espectaculo imponente.

Descrevendo uma grande curva tomou a direcção da rua do Senhor dos Passos, mas conservando-se sempre em pequena elevação. Ao chegar talvez á altura da rua dos Andradas o espectaculo foi ainda mais surprehendente. Como se fôra uma grande bomba, o foco de luz arrebentou e desfez-se em myriadas de pequenas estrellas, derramando um clarão brilhante e illuminando o espaço.

É possivel que do observatorio do Castello tenham observado o phenomeno e nos ministrem descripção minuciosa do mesmo.

Fonte: O CRUZEIRO (Rio de Janeiro/RJ), 08 de Fevereiro de 1878, pág. 01, col. 03

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O macaco no cafezal

 



Lê-se na Revista de Horticultura:

A Gazeta Rio Clarense diz existir na fazenda do Dr. Domingos Jaguaribe um colono por nome Franco, possuidor de um macaco por elle amestrado e empregado na colheita do café, e lembra a conveniencia de empregar-se nesse serviço os innumeros quadrumanos que vagam nas nossas florestas... A idéa nem é má nem é nova porquanto já antigamente foram elles empregados em serviços identicos pelos egypcios.

Fonte: O CRUZEIRO (Rio de Janeiro/RJ), 01 de Janeiro de 1878, pág. 02, col. 02

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Linoco Soares

 



Lê-se na Reforma do Jaguarão:

Eis um nome celebre nos nossos annaes criminaes. Lino Soares, vulgarmente chamado Linoco, é filho do Arroio Grande, em cujo districto tem casa, mulher e filhos. Ainda muito moço aprendeu a degollar seus semelhantes, e, assim industriado dentro de pouco tempo commetteu porção de assassinatos.

Foi processado, e já ha muito tempo que está pronunciado.

Homisiou-se no Estado Oriental, depois de ter matado um dos soldados da escolta que o perseguiu antes de emigrar.

Até ha bem pouco tempo conservou-se pelo Estado Oriental, e se alguma vez passou á este lado, o fez muito furtivamente, e ás escapadellas.

Logo porém que o Dr. Sertorio, actual presidente da provincia, houve por bem mudar as autoridades policiaes do termo, nomeando para esses cargos Bernardo Vargas, veiu para este lado o assassino Lino Soares, e ahi vive tranquillo em casa, mostrando-se por toda a parte, sem receio de perseguição, e já na mesma senda fatal de crimes horrorosos.

Ainda no dia 9 do corrente estando uma moça lavando umas vasilhas de tirar leite, em uma cacimba na costa do Arroio Grande, foi accommettida por Lino Soares, que bastante a maltratou no criminoso intento de forçal-a, o que felizmente não conseguiu por ter a desventurada moça escapado das garras do seu algoz, refugiando-se na casa, que estava perto.

É filha de Bernardo Pereira das Neves, o qual n'essa manhã tinha sahido de casa, deixando sua familia sosinha, sem a companhia de homem algum.

É este mais um crime horroroso com que Lino Soares augmentou o seu negro cathalogo. E desgraçadamente uma féra d'estas anda livremente entre nós, sem que o delegado de policia, o carniceiro Bernardo Vargas, e o subdelegado do Arroio Grande, nem se quer apparentem perseguil-o.

Se fosse um designado liberal já ha muito tempo estaria amarrado e estaqueado. Porém Lino Soares é irmão do tenente coronel Adeodato José de Farias, um dos coripheus mais energumenos d'esta situação e assim fica tudo explicado.

Não tardará muito que esse assassino victime mais algum pae de familia, estamos certos que nem assim sahirá da sua indolencia a policia.

O tenente coronel Adeodato tem muito valimento, e não consentirá que sou irmão seja preso.

Vamo-nos dirigir ao presidente da provincia pedindo providencias, porque cá na terra Bernardices fará a polícia.

Fonte: A REFORM A: ORGÃO DEMOCRATICO (Rio de Janeiro/RJ), 08 de Março de 1870, pág. 03, col. 02


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