terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Caçada a cavalo a dois bandoleiros



PERIGOSOS BANDOLEIROS PRESOS EM SÃO GABRIEL

Perseguição que durou quatro dias - Acusados de dois homicídios - Detido também um fazendeiro, apontado como implicado em abigeato e que asilou os criminosos

Dois perigosos bandoleiros foram presos pelas autoridades policiais do município de São Gabriel, depois de uma perseguição pelos campos, a cavalo, que durou cêrca de quatro dias.

São eles Gequitibó Pólvora Lopes, conhecido pela alcunha de "Carlinhos", e Romulo Mariano Rodrigues, conhecido por "Torrado", que meses atrás, assassinaram os irmãos Adeno e Aracy Umpierre, de emboscada, fato verificado na localidade de "Catuçaba", naquele município, fugindo, após, para os campos.

Em sua perseguição saíram os inspetores Laerson Silveira Ferreira e Manoel Vinadé, que os localizaram na casa do fazendeiro Nercy Bergano, que também foi prêso, acusado de abigeato.

Em poder dos assassinos foram apreendidos dois mosquetões e quatro revólveres, sem que os mesmos reagissem à prisão. Estão êles recolhidos à cadeia civil daquele município.

Fonte: DIÁRIO DE NOTÍCIAS (Porto Alegre/RS), 27 de maio de 1956 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

A Quadrilha de Idalino Rubo

 



PRESA A QUADRILHA DE LADRÕES QUE ATUAVA NA REGIÃO SERRANA

PASSO FUNDO, 22 (Por Carlos de Danilo Quadros, diretor da sucursal dos DIÁRIOS ASSOCIADOS, na Região Serrana) - Continua a polícia local apreendendo o produto do furto praticado por uma quadrilha, neste município e arredores.

O chefe da quadrilha, Idalino Rubo, foi sub-delegado, sub-prefeito e diretor do hospital em Vila Sertão, neste município tendo, ainda, participado, ativamente, da última campanha política, apoiando candidatos a deputação federal e estadual.

Outros integrantes da quadrilha é o fotógrafo da Casa de Correção, Luiz Cassel, que aqui residia, a alguns meses.

As façanhas da quadrilha de Idalino Rubo atingiram às próprias autoridades desta cidade, com o furto de um rodado e respectivo pneumático do jeep da Delegacia Regional de Polícia.

O rodado foi encontrado na residencia de Rubo e o pneu na caminhoneta internacional de sua propriedade.

TAMBÉM EM SANTA CATARINA

Estiveram em Passo Fundo autoridades policiais do vizinho Estado de Santa Catarina a fim de inquirir Rubo e Cassel a respeito de furtos praticados em diversas cidades catarinenses, entra as quais Chapecó e Xanxerê.

Como os dois larápios encontrem-se em Iraí, por solicitação das autoridades policiais, onde estão sendo inquiridos por roubos ali praticados, as autoridades catarinenses talvez voltem a Passo Fundo, para requisitarem os referidos presos.

ATUAÇÃO EM OUTROS MUNICÍPIOS

A quadrilha teve suas atividades extendidas por diversos municípios desta região.

Em Frederico Westphalen, foram furtadas várias peças de fazendas e uma máquina de costura, da Alfaiataria de propriedade do sr. Elias Pedro Gardin.

O inspetor Vanzo, que descobriu a quadrilha, informou que a polícia continua apreendendo o produto do vultuoso furto, não só em Passo Fundo, como também nos municípios de Getúlio Vargas e Tapejara.

Espera-se a todo o momento, a prisão de outros elementos ligados a Idalino Rubo e Luiz Cassel.

Fonte: DIÁRIO DE NOTÍCIAS (Porto Alegre/RS), 25 de outubro de 1958


domingo, 4 de janeiro de 2026

Uma receita de xis em Porto Alegre de 1971

 


Tabela de lanches e preços numa lancheria em Porto Alegre em 1975


(...)

Na seção de gelados há dois tipos de hamburger. Êles já são prontos para serem fritos. Não é preciso temperar. O da Sadia, com seis unidades, custa Cr$ 4,85. O da Simon, com oito unidades, custa Cr$ 5,50. Na mesma seção você encontrará bacon Sadia e bacon Wilson por Cr$ 3,55.

Para fazer o cheese hamburguer vai ser necessário queijo prato. Há uma infinidade para escolher. O preço médio é Cr$ 9,45. É sempre preferível comprar o queijo fechado, pois assim pode ser conservado, no caso de não ser totalmente usado.

O pão redondo também pode ser encontrada nos supermercados, em pacotes de plástico fechado. Cinco pãezinhos custam em média Cr$ 1,32 e o pacote de pão leve (o embraquecido), com seis pães um pouco menores, custa Cr$ 1,06.

Para temperar, ao gôsto de cada um, aqui vão algumas sugestões que já vêm prontas:

* Môlho inglês: Cr$ 2,35.

* Picles de pepino: Cr$ 1,70.

* Maionese Helmann's: Cr$ 2,77 a pequena e Cr$ 4,80 a grande.

* Picles com mostarda Batávia: Cr$ 5,54 o vidro grande.

* Bisnaga de mostarda: Cr$ 1,36.

* Ketchup: Cr$ 2,84 o da Cica e Cr$ 2,92 o da Peixe.

Além de sal, pimenta, tomate cortado em rodelas bem finas e fôlhas de alface.

Se você gostar, poderá também preparar uns môlhos especiais, como o môlho tártaro e o môlho americano.

Fonte: DIÁRIO DE NOTÍCIAS (Porto Alegre/RS), 21 de setembro de 1971

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Florêncio de Souza aterroriza Rio dos Índios



BANDOLEIROS CRIAM UM CLIMA DE TERROR EM RIO DOS ÍNDIOS

PASSO FUNDO, 12 (Por Carlos de Danilo Quadros, via Varig) - Conforme já noticiamos, está operando em Rio dos Índios, distrito de Iraí, um grupo de bandoleiros, chefiado por Florêncio de Souza. As autoridades policiais de Iraí e Nonoai têm conhecimento da existência dos desordeiros radicados nas margens do rio Uruguai. Escorraçam colonos e se apropriam de suas terras, para depois, venderem para outros. Ameaçam de morte agricultores residentes naquela zona, e fazem emboscadas nas estradas da região. Tiroteiam agricultores de origem italiana e caboclos, deixando, muitas vezes, casas residenciais crivadas de balas de fuzil, mosquetão, Winchester e revólver de vários calibres. Florêncio tem 66 anos e 11 filhos, sendo que a maioria deles fazem parte das arruaças do pai, naquela zona. Um agricultor que está sendo ameaçado de morte por Florêncio, apresentou-nos um projetil que foi desencravado duma casa de agricultor atacada pelo grupo de bandoleiros de Florêncio. Esse colono, pediu que não publicássemos o seu nome, porque tem o chefe dos bandoleiros. Dita bala foi entregue a Polícia de Iraí. A reportagem, na DP iraiense, constatou a existência de mais balas de arma de guerra, levadas por pessoas que foram atacadas pelo referido grupo, em suas residências.

Fonte: DIARIO DE NOTÍCIAS (Porto Alegre/RS), 13 de maio de 1959

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Cabo Pintado



Velharias

No anno de 1848, quando commandava a fronteira de Jaguarão o brigadeiro Francisco Pedro de Abreu, Barão de Jacuhy (por autonomasia Moringue) commandava um destacamento na mesma fronteira, no logar denominado S. Diogo, o major João Machado da Cunha, mais tarde tenente-coronel commandante do corpo de Cangussú.

Entre seus commandados achava-se o cabo de esquadra João Pereira de Barros, conhecido vulgarmente por João Pintado ou Cabo Pintado. Este, aborrecendo-se da vida militar, ou por qualquer outro motivo, evadiu-se das fileiras, commettendo portanto o crime de deserção. Depois juntou-se a um grupo de bandoleiros que vagavam pela fronteira, fazendo algumas depredações, o que veio aggravar mais o seu crime.

Como é natural, foi perseguido e afinal capturado, e, a bem da disciplina militar, rebaixado do posto de cabo de esquadra, e em conselho de guerra foi sentenciado a soffrer castigo corporal, que naquelle tempo era muito usado.

Na sexta-feira da Paixão, foi lida, na frente da força, a ordem do dia, assim como a sentença que condemnava o Cabo Pintado á penna citada, para manhã de sabbado da Alleluia ser dada execução.

Mas o réo, temendo tão barbaro castigo, reincidiu no crime, evadindo-se da prisão. Deixou escriptas umas decimas, na barraca do major João Machado da Cunha, que confirmara a sentença do conselho militar e a quem elle Pintado tratava de Poncio Pilatos.

Conservou-se fugitivo o Pintado, até que foi indultado.

Casou-se no Cerrito de Cangussú, com uma filha do capitão Henrique José dos Santos e falleceu a uns vinte annos, deixando numerosa prole.

Eis as decimas referidas:

Sexta-feira da Paixão, 

um dia tão respeitado, 

foi lida minha sentença, 

com Christo fui comparado.


A vinte e nove de Março,

um dia tão distinguido,

vi meu agudo sentido

perder de todo o compasso.

Como Pilatos foi falso,

lavando a tremenda mão,

seu infernal coração

que a Christo ordena o castigo,

assim fizeram commigo,

sexta-feira da Paixão.


O monstro sanguinolento,

Pilatos sentenciador,

contra mim com tal furor

quiz saciar seu intento;

mas eu no meu pensamento

tinha ao céo me encommendado

e já no Templo Sagrado

o Senhor me defendia;

minha sentença se lia

num dia tão respeitado.


Em tudo me compararam

com o grande Redemptor;

por vingarem seu furor

seu peccado eternisaram.

Taes falsos me levantaram,

sendo eu justo por essencia;

a sagrada Providencia

era quem me defendia;

na frente da companhia

foi lida a minha sentença.


Creio ser meu sempre o céo

e de Pilatos o inferno;

com mais alguns subalternos

que me tratarm de réo.

Cobriu-se o sol com um véo, 

de roxa cor adornado, e de nuvens circulado

cobrindo-lhe o resplendor, 

e pelo meu agressor

com Christo fui comparado.


Geraldo Ferreira Porto (Cerrito de Cangussú - R.G. Sul)


Fonte: ALMANAK LITTERARIO E ESTATISTICO DO RIO GRANDE DO SUL, edição de 1910, pág. 67-68

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